Hoje ao me olhar no espelho me perguntei se a criança que fui um dia se orgulharia do adulto que me tornei. Muitas pessoas provavelmente vão dizer que ser adulto é um porre e que desejavam ardentemente serem crianças novamente, pois são muitos problemas para uma pessoa só.

Nesse momento me vem à mente uma imagem encontrada nas redes sociais da vida que diz que “Que envelhecer é inevitável, ficar velho é opcional”. Poderia discorrer sobre o quanto essa frase está correta, mas focarei em outra coisa. Uma pergunta que gostaria de fazer a você que está perdendo parte de seu dia lendo isso: “Onde está sua criança interior?”.

Se eu fechar os olhos, posso ver a minha versão miniatura correndo ao meu redor livre e feliz. Nunca me desprendi dela, sempre a tive aqui junto a mim. Foi ela com seu jeito doce e infantil que me consolou nas noites em que eu olhava para o teto e chorava tentando entender o que se passava. Tentando entender o porquê das pessoas fazerem tanto mal uma as outras.

Para falar a verdade eu nunca quis crescer. Sempre vi os adultos ao meu redor, estressados, cansados e com o humor mais desregulado que o clima atual. Por outro lado via maior parte das pessoas que estudavam comigo, desejando serem adultas seja para saírem de casa e serem independentes ou porque queriam namorar. Entre essas duas visões opostas eu preferi continuar do jeito que eu era e aguardar para que minha infância se despedisse de mim quando achasse que era o momento certo.

Hoje vejo que sou adulta, tenho minhas reponsabilidades, problemas a rodo, faço mais papel de trouxa que gostaria, mas apesar de tudo ainda continuo com aquele mesmo olhar inocente que apenas as crianças têm. Aquele olhar que acredita que as coisas vão mudar algum dia, que os problemas vão ser resolvidos. Aquela sensação de satisfação após fazer algo que muito queria, mesmo não sobrando muito dinheiro para passar o resto do mês. O olhar de que se eu for boa e gentil com as pessoas que atravessam meu caminho, uma semente será plantada e aos poucos florescerá fazendo com que mais e mais os atos de amor se multipliquem.

Aí está a criança interior... No olhar esperançoso, na felicidade pelas pequenas coisas. A vida sem esse olhar se torna cinza, as pessoas amargas. Vi mais pessoas assim do que pude contar nos dedos e isso me entristeceu profundamente.

Cultivar nossa criança interior não nos torna infantis, mas sim mais sábios. Nos faz entender que os problemas são passageiros e que se tivemos humor para ri deles, a carga que vem junto a eles se torna mais leve. O céu se torna mais azul e a vida menos sofrida.

Olhando para a criança que corre ao meu redor em toda sua doçura, percebo que ela se orgulhara e muito do adulto que me tornei. Tenho a sabedoria que não sou perfeita e que nem vou ser, mas apesar de tudo vou tentando melhorar independente das pedras que me fazem tropeçar. Sei que se eu me deixar dominar pela dor e pelas amarguras, me tornarei menos eu mesma e mais um ser que apenas aguarda a morte chegar xingando todo mundo ao redor pelas oportunidades perdidas.

Nesse momento vejo a minha versão infantil sorrindo para mim. Feliz por tê-la permitido ficar. Dando-me a certeza que apesar de todas as tempestades, ela ainda estará aqui, ao meu lado me dando forças para continuar vendo a vida com os olhos esperançosos, por maior e por mais desastrosa tenha sido a queda.