Desabafos
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Eu não sei muito bem o que vou falar aqui.
Estou protelando já há dias postar um novo capítulo, só para tirar esse peso do meu peito, mas como posso tirar algo que não sei o que é?
Comecei a postar meus desabafos por pura solidão. Porque não tinha com quem falar, porque ninguém parecia me entender. Nunca tive muito o hábito de diários secretos, apesar do hábito constante de escrever.
Afinal, qual é o sentido de contar todos os seus sentimentos e segredos para um caderno qualquer que logo será trancado em uma gaveta e não será visto por ninguém? Isso nunca fez muito sentido, então aprendi a guardar as coisas para mim e, se sentia algo, escrevia um conto sobre isso e deixava de lado.
Mas quando guardamos coisas demais em um só lugar, os potes começam a transbordar.
Acho que foi por isso que eu tive de postar meus Desabafos. Que tive de deixar tudo em aberto, público, exposto. Para que qualquer um saiba como eu me sinto e o que está acontecendo comigo. Talvez alguém que eu conheça possa ler isso e saber porque estou assim ou assado. Talvez alguém que eu nunca tenha visto leia e me entenda. Ou talvez — por que não? — alguém leia isso e saiba que eu o entendo.
Não sei.
Talvez essa história só vá ser mais um arquivo no Nyah! e ninguém nunca ligue para ela ou para mim.
Como eu disse, realmente não sei.
Mas esse é meu diário nada secreto, e não posso esperar mais nada dele além de ser um lugar onde posso realmente reclamar da vida e desabafar sem medir palavras, termos ou maneiras.
Um dos únicos lugares, eu sinto, onde posso ser honesto.
Engraçado, não é?
Você, meu único leitor (leitora, whatever), tem acesso à parte mais secreta e sombria e íntima de minha mente, o que é, de fato, uma grande intimidade. Mesmo assim, não sabe meu nome, não conhece meu rosto, não sabe, de fato, nada sobre mim. Completos estranhos.
E ainda assim, diário e confidente.
Não sei se tenho um objetivo — ou mesmo um título — para esse capítulo. Simplesmente quis escrever, postar alguma coisa, terminar o ano com um peso a menos no peito. Estou deixando que meus dedos corram livres sobre o teclado, escrevendo que quiserem, sem realmente prestar atenção às palavras ou às ideias, esperando que, em algum momento, as coisas façam sentido e o peso saia.
Oh, eu sei.
A sinopse e os outros capítulos me faziam parecer organizado, não? Não davam tanta cara de diário, faziam-me parecer apenas alguém com um punhado de textos melancólicos prontos.
E por um tempo, era apenas isso que eu queria fazer.
Mas então, o que mudou?
Por que esse desespero, agora, para achar alguma coisa, para dizer algo, para tirar esse peso do peito?
E os meus textos melancólicos, que eu já tinha escrito? E meus pensamentos? E as mensagens que queria mandar a mil e uma pessoas e jogar aqui?
Esquecidos em algum lugar do meu PC. Talvez algum dia eu os poste. Ou não.
A verdade, leitora (posso chamá-la pelo nome?), é que me sinto extremamente solitário — o tempo todo.
Não sou alguém abandonado, muito pelo contrário. Meus pais são meus melhores amigos e sempre estão lá se preciso de alguém. Minha irmã me ouve desabafar com ouvidos atentos, e tenho um punhado de amigos que não se importam em sentar para me ouvir choramingar a respeito da vida.
Mas ainda assim, sou solitário.
Solitário, porque ninguém me entende. Solitário, porque não conheço ninguém tão confuso quanto eu. Solitário, porque estudo demais. Solitário, porque todo mundo está ocupado demais para ouvir meu silêncio.
Esse silêncio prende meu peito e pesa.
E eu não sei tirar. Quero gritar, correr, espernear. Quero que todo mundo saiba o que eu sinto e porque me sinto. Quero que alguém segure minha mão e me diga que 'tá tudo bem ser confuso assim, porque todo mundo também está.
Mas não tem ninguém.
E eu não tenho certeza se eu quero que tenha.
Já é quase ano-novo, né?
Eu posso lembrar do réveillon passado. Das músicas, dos áudios no Whatts, até de fragmentos de conversas. Tudo passou tão rápido, e ainda assim o ano se arrasta. Estou aqui já faz uma semana, mas só se passou uma semana.
Entende? [acho que não]
Eu cumpri uma boa parte das minhas promessas de ano — todas extremamente egoístas e bastante vaidosas. Mesquinhas, até [a menos que não seja nada disso e eu só esteja olhando para mim mesmo com os usuais olhos críticos e maldosos que todos dizem que tenho quando se trata de mim]
Mas esse ano, tenho apenas uma.
Estou morrendo para contar isso aos meus pais, para saber se é sábio, se eles acham uma boa ideia, mas não quero.
É como se isso fosse algo meu, e só meu, e eu não quisesse que ninguém tivesse acesso à minha mente agora.
[e ainda assim aqui estou, escrevendo isso daqui para qualquer um que trombar com essa história — irônico? Burro? Puramente humano? Ou são só coisas de Yurie?]
E agora estou com receio de postar, de que você vá ler e decidir comentar, me julgar, me avisar de que não é uma boa ideia.
Mas, bolas, esse é meu diário. Aberto, exposto, público.
E qual o sentido de ter um diário, se tenho medo de escrever-me por completo e transformar-me em um punhado de letras no papel (ou no PC)?
Pois bem.
Eu prometo que vou sair do armário.
Que vou postar para todos e qualquer um ver todos os meus rótulos. Que vou parar de ligar se meus avós se importam, se minha tia ainda vai gostar de mim, se meu primo vai parar de olhar na minha cara.
Eu prometo que vou ser feliz.
Independente do preço.
E eu disse que não ia implorar por comentários; mas não disse nada sobre pedir.
Sobre querer uma mão estendida, um aviso de que não há um fantasma do outro lado da tela.
[e lá se vai minha mente de novo, para um lado que nunca foi o pretendido, pedir coisas por pura vaidade, e implorar por uma atenção que não preciso, não mereço, não consigo]
Bem, Mila, é o fim do ano.
O último dia. O fim de 2017 e o começo de 2018.
O que não significa absolutamente nada, mas também quer dizer o mundo.
Espero que tenha tido um Natal feliz, diferente do meu, e que o ano novo não seja uma desgraça para qualquer um de nós — seja eu, Mila ou qualquer outro que tenha resolvido ler um punhado de Desabafos.
Sinto muito tê-los prendido em um textos sem sentido e sem rumo, mas é assim que minha mente funciona.
E acho que o mundo também.
Mas isso já é outro Desabafo.
Feliz ano-novo.
~Y.
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