Derreter

1 Não quebrar,derreter-ONESHOT


Notas iniciais
primeira one,espero que gostem ;-)

Era um dia frio no recém-construído Acampamento Greco-romano. Mas não um frio qualquer. Um frio intenso, de rachar os lábios já arroxeados de ressecar os cabelos ate a raiz. Para se sair num dia assim, só há duas opções: ou se é frio demais a ponto de não sentir mais a temperatura a seu redor, ou se é quente o suficiente pra derreter ate mesmo a mais dura das geleiras. Por isso, não era novidade para nenhum dos campistas que, caso alguém se atrevesse a olhar pela janela, visse apenas duas figuras, indistintas pela neve, pelo vento e pela nevoa.

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Reyna caminhava sozinha pela praça do novo acampamento. Ela olhava ao redor como se procurasse alguma semelhança com sua antiga vida, sua vida a poucos meses, sua vida no Acampamento Júpiter, em meio a seus colegas de coorte, sua grande família, sua vida como pretora ao lado de Jason. Tudo em vão.

“-Acostume-se Reyna. Sua vida será assim agora. Foi sua decisão se unir aos graecus...”-Ela ralhava com si mesma.

Mas tudo estava tão diferente... Um novo acampamento foi construído. Um não, dois. Um acampamento ficava na área do destruído Acampamento meio-sangue afinal, ela não conseguira controlar Octavian quando este reuniu um pequeno grupo e incendiou todo o lar dos graecus, de modo que não foi surpresa que ninguém lamentasse a morte do legado de Apolo. La, os jovens semideuses treinavam ate se julgarem prontos para uma vida a la Roma: cursavam faculdade, construíam famílias, abriam comércios, etc. na área aonde antes apenas romanos reinavam. A área aonde ela havia reinado com Jason... Mas ela já não pensava mais no antigo colega como antes. O que ela pensava sentir por ele, ela chegara a conclusão, de que na verdade era apenas uma criação de sua mente, algo em que ela pudesse se prender, que a permitissem ver que apesar de tudo, ela ainda era uma adolescente comum, com “paixonites” e coisas do tipo. Mas agora, aos 17 anos, seus pensamentos estavam extremamente ligados a um certo graecus filho do fogo...

Reyna se jogou no banco que ficava bem no centro da praça, bem frente ao lago, geralmente cheio de vida, mas hoje, congelado, e enterrou o rosto nas mãos. Respirou fundo e retirou o pequeno pingente do bolso.

Pausa para Flashback:

Era o primeiro dia de obras nos acampamentos. Reyna não tinha o que fazer. Nunca fora boa com planos e projetos de construções, seu forte era mapeamento e estratégias de batalha, de modo que estava apenas sentada, olhando o fogo da fogueira que queimava na sua frente. Ao seu redor, os campistas davam sorrisos tristes, provavelmente se lembrando das diversas perdas da batalha contra Gaia, mas estes logo se deixavam levar pela alegria contagiante da tradição grega. Reyna abriu um de seus raros sorrisos, mas apenas um sorrisinho de lado, quase imperceptível, mas que já quebrava todos os recordes daquele ano. Mas esse sorriso não durou muito, pois naquele momento um garoto élfico, ligeiramente maior que a ex-pretora ,senta-se ao lado dela:

--Olla mi Reyna.

--Hunf.

--Ora vamos, você nunca me disse uma palavra que não fosse um insulto ou uma ordem. Podemos ter uma conversa pelo menos amigável?

--Por que eu seria amigável com você? Por sua culpa meu lar foi destruído!

--mas agora você tem um lar novo, com amigos novos, uma nova família!

--Mas e quanto às perdas, as mortes?

--Relaxe, eu não vim aqui para discutir. Só vim lhe dar isso-Ele disse estendendo um pingente de coração, ou pelo menos era isso com que se parecia o objeto coberto de gelo- Eu mesmo fiz. É encantado, sempre vai mostrar o estado do seu coração. O gelo se formou assim que eu terminei, não foi uma piada minha Ice Queen-Ele disse se levantando- Aquele que quiser ter o nome ai vai ter que dar duro pra quebrar o gelo. Feliz aniversario, Reyna. -e se foi.

Fim do Flashback.

Como ele sabia que era seu aniversário? Reyna tinha uma certa impressão de que ele nunca iria contar.

Ela olhava para o pequeno pingente preso à corrente de bronze celestial. Agora ela tinha CERTEZA de aquilo era um coração. Desde aquele dia, havia poucas semanas, o gelo vinha derretendo cada vez mais rapidamente, mostrando a nova forma do objeto: um coração vermelho, um pouco maior do que o esperado, com um pequeno nome em letras negras começando a se formar, mas ainda inteligível por culpa do gelo. Era um nome curto, o que fazia a garota ter um péssimo pressentimento em relação a ele.

--Mi Reyna que surpresa!

“Droga, justo agora!!não tinha um momento mais importuno?”-Ela pensou enquanto fechava a mão com o pingente no meio e se virava para o filho de Vulcano:

--O que está fazendo aqui Valdez?

--Apenas convidando minha honorável Reyna para tomar um chocolate quente em minha s forjas antes que ela pegue um terrível resfriado-ele disse enquanto fazia uma reverencia digna pra rainha da Inglaterra e pegava a mão da latina, a mão com o pingente. Naquele momento, ela sentiu sua luva ficar encharcada, e abriu a mão ao mesmo tempo que Leo, revelando o pingente cujo gelo havia derretido apesar de todo o frio. O coração que revelava um vermelho tão intendo quanto o negro cravado duramente no centro do rubi, revelando apenas três letras, que formavam um nome latino. Naquele momento tudo que a garota conseguiu fazer foi se virar para o garoto, que sorria largamente pra ela e encarar seus olhos castanhos, sussurrando enquanto este encostava a testa em seus cabelos:

--Não quebrar, derreter.

Notas finais
soquinhos e chutes personas.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!