Der Ausdruck

1 A expressão


Notas iniciais
"Der Ausdruck" significa "A expressão", de acordo com o Google Tradutor XD

A primeira vez que se viram não havia sido o que um romântico consideraria ideal. Na verdade, ninguém poderia fazê-lo. Não era ideal, não importava de que ângulo fosse olhado. Haviam pessoas ao redor, muitas pessoas. Elas se moviam de forma violenta, bagunçando seus cabelos, sujando suas roupas, correndo. Ele não conseguia se lembrar com certeza de como aquilo havia começado, ou o que exatamente acontecia. Haviam crianças, mulheres e até homens chorando; militares, com suas estúpidas armas, aterrorizando a população, que saia de suas próprias casas, momentaneamente sem se importar com seus pertences. Apenas queriam se manter vivas.

Mesmo em todo aquele caos, ele conseguiu vê-la. Uma mulher de vestido longo, tiara no cabelo e avental ainda posto. Ela era acompanhada por um homem de aparência nobre, que continuava a ter este tipo de ar mesmo naquele tumulto, e uma criança pequena e adorável, usando um vestidinho. O que lhe chamara a atenção não foram os olhos verdes brilhantes, os cabelos cheios e castanho-claro ou as feições bonitas. Não, fora sua expressão. Uma expressão firme e determinada, enquanto ela segurava a criança.

Ela não chorava, gritava ou empurrava. Apenas estava lá, tentando tirar quem lhe era importante daquela situação. Uma lutadora, de fato. O rapaz albino se lembrava de segui-la, junto a seu irmão mais novo, encantado com a forma como ela, aparentemente controlada, punha uma das mãos na cabeça da menininha, não deixando que ninguém a acertasse. Lembrava-se de conseguir sair de lá, percebendo que não fora o único a ir com ela. Um espanhol, carregando uma outra criança, um suíço com sua arma e sua irmãzinha mais nova e um francês que escondia atrás de si um adolescente tímido também estavam lá.

Eles conseguiram entrar em uma loja que havia alguns dias fora abandonada por seus donos, encontraram alguns lençóis e um lampião e ali passaram a noite. O albino sentira-se incapaz de dormir, mesmo quando todos já o faziam. Percebeu depois de algum tempo, quando a mulher levantou-se e pegou o lampião, que ela também pensava ser a única. Viu a luz enfraquecer atrás de uma prateleira e decidiu segui-la, outra vez. Encontrou-a com os ombros tremendo, a cabeça enterrada nos joelhos, os braços abraçando as pernas. Não saia, porém, nenhum som de sua boca.

Ele virou-se de costas, saindo o mais sorrateiramente possível. Apenas para em seguida voltar de forma mais ruidosa. Encontrou-a, desta vez, fingindo investigar o que havia por ali, com um rosto sério. O rastro borrado das lágrimas quase imperceptível sobre a pele. Aquela mesma expressão determinada no rosto. Ela se suavizou quando se virou para encará-lo. Assumiu uma feição mais relaxada e gentil, que a tornava ainda mais bonita. Era a primeira vez que ele percebia aqueles traços delicados, gentis e femininos, mas ao mesmo tempo firmes, fortes e poderosos. Ele estendeu a mão.

— Sou o Gilbert. Acabou que não nos apresentamos. Estou acostumado a ser lembrado pelas pessoas. – falou com um sorriso sarcástico, dando de ombros. Viu a mulher arquear uma sobrancelha, estendendo a mão.

— Elizaveta. – ele se apressou em retribuir ao cumprimento, se surpreendendo ao sentir a mão forte, embora pequena. – É um prazer.

— Sim, é sempre um prazer me conhecer. – sentiu-a se soltar rapidamente de sua mão, com um puxão. Todavia, ela riu. Uma risada fraca e pequena. Apropriada para a ocasião.

E as semanas seguintes passaram-se como um borrão. Descobriu viajar com Feliciano, Lovino, Antonio, Francis, Matthew, Lily, Vash e Roderich. Tratou de apresentar seu irmão, Ludwig, a todos. Eram, de uma forma ou de outra, rebeldes. Embora algumas vezes, quando acampavam em alguma floresta, e Elizaveta tratava de preparar alguma coisa com os ingredientes precários que conseguiam, as crianças brincavam e ele conversava com Antonio e Francis, às vezes conseguindo roubar um selinho da única mulher do grupo, quase podia se sentir como antes.

Por isso, não fazia sentido que agora corressem, passando por entre as árvores, sendo perseguidos por um grupo de militares que ele nunca entenderia como os acharam. Não fazia sentido que Elizaveta, graças à escuridão, escorregasse e levasse ela e Feliciano ao chão. Não fazia sentido que ela, enquanto murmurava uma maldição, percebesse que havia quebrado o pé. Ela lhe entregou o menino vestido como garota, sorrindo-lhe com tristeza. Mandou-os seguir.

Ele via Francis ter que arrastar Roderich, Matthew tentando tampar a boca de Feliciano, que olhava para trás, com lágrimas escapando de seus olhos ainda inocentes. Gilbert, porém, havia prometido para sua mãe que protegeria Ludwig e para Elizaveta que não deixaria nada de mal acontecer com as crianças. Estava fraco demais para carregá-la no colo. Não tinha realmente escolha. Precisava se convencer de que não tinha.

Ele se virou por um momento, percebendo aquela expressão determinada e firme. Ela agora tinha os cabelos presos em um rabo-de-cavalo frouxo. Seus olhos verdes cintilavam. Então ela se levantou, cambaleante, com uma pedra na mão, logo jogando-a em um dos inimigos e tentando correr para o lado oposto ao de seus amigos.

Ele ouviu tiros.

E então lembrou da primeira vez.

E, embora continuassem a fugir e se esconder, ele soube.

Era o fim.

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