Depois que você partiu

10 Eu havia feito tudo errado


Notas iniciais
Hey, olha só quem está aqui de novo: A escritora da história! Quem diria, hein? Bom, desculpem-me mesmo, mas eu realmente não estava conseguindo escrever bem, eu até estava pensando em dar uma ajeitada no capítulo "Pele azul" porque ele não saiu como eu quis, mas enfim... Aqui estou eu de novo querendo muito voltar a postar com frequência (sim, eu só fiz isso no começo, mas tá valendo). Eu realmente demorei muito para parir este capítulo porque a premissa eu já tinha pronta mas ficaria muito seco e eu tava sem nenhuma inspiração pra incrementar as coisas, mas saiu. Ps.: Capítulo sem revisão (porque se eu fosse esperar minha disposição pra revisar eu iria postar isso só semana que vem, essa sou eu!) Ps2.: Obrigada por estarem aqui ♥

Vi o homem gigante e loiro, com os cabelos compridos e um bigode ridiculamente mal aparado que ia até seu queixo se aproximar de mim quase em câmera lenta. Por um segundo pensei onde eu estava com a cabeça, mas agora era tarde demais para voltar atrás.

Fechei os olhos e aproveitei o meu nervosismo, tentei pensar em tudo o que me fazia perder o controle: pensei em Logan; na morte do professor; na traição de Bob, em ele e Kity andando de mãos dadas e brincando no jardim; nas lembranças ruins de Jonh, Bob, Logan e Eric. Nada. Abri os olhos, ainda sem sentir mina pele formigar, o homem loiro bem diante de mim empunhou o braço para disparar um soco, ele tinha uma aparência bestial, não consegui deixar de notar sua semelhança com Victor.

Fique de costas.

Vi a mão cerrada que mais parecia uma pedra peluda se aproximando de mim, mas ela não chegou. O brutamontes me encarou parecendo estupefato, só então percebi o formigamento em minha pele. O homem a minha frente caiu.

— Ela é uma deles – disse um dos homens na multidão, vindo em minha direção e caindo no chão logo em seguida.

Intensifiquei os pensamentos tentando potencializar meu poder, mas querendo, ao mesmo tempo, não matar ninguém. Os vi desmaiando em efeito dominó, não demorou muito até todos estarem inconscientes. Então peguei a seringa munida com a cura, com a qual eu sempre estava para o caso de uma emergência, e enfiei no meu braço, injetando o líquido em mim. Quando consegui me controlar totalmente, procurei a mente de todos dentro da minha cabeça, querendo ter certeza que todos estavam vivos. Uns ou outros demorariam um pouco mais a acordar, mas a mente do cara que me lembrara o Victor não estava mais lá. Fiquei apavorada, mas, no momento, nada me importava além de tirar Reven dali. Fui até a mutante desacordada e a arrastei até o carro de Nathaly.

Usei o magnetismo de Eric e troquei rapidamente a placa do veículo pela de outro carro, depois peguei todas as outras placas e as amontoei, fazendo uma bola maciça com elas, depois desintegrei-as em pedaços minúsculos. Isso me daria um pouco de tempo, não era tanto, mas iria ajudar. A polícia, quando chegasse, não saberia qual placa eu tinha usado no carro. Soltei o ar que havia prendido enquanto fazia isso. Eu nem havia percebido que o tinha prendido.

Prendi Mística deitada no banco traseiro com os cintos de segurança e dirigi o mais rápido possível pra longe dali. Tudo o que eu conseguia pensar era no quanto aquele lugar era movimentado e logo alguém encontraria vários homens grandes e fortes jogados no chão sem uma explicação muito lógica a não ser alienígenas ou mutantes e, pra minha infelicidade, a polícia, anti-mutante como era, não optaria pela primeira possibilidade. E eu havia matado um homem! Eles tinham tudo que era preciso pra me mandar para um inferno de uma prisão onde eu era ainda menos importante do que na sociedade, onde não haveriam ativistas pró-mutantes para lutarem por meus direitos, onde tortura é correção e ser usada como ratinho de laboratório é “a única coisa boa que eu posso fazer na vida”, não importava quem ele era ou o que tinha feito, não importa se eu não queria machucar ninguém e só estava tentando salvar uma vida. Eu era uma mutante perigosa que matou um humano inocente pra salvar uma mutante perigosa, nada mais.

Me vieram lapsos da memória de Raven de quando ela foi capturada e usada como cobaia para experimentos, as imagens me fizeram estremecer. Vi ela segurando fichas de autópsias de alguns mutantes, uma com asas, um vermelho e vários outros. Todos eles mortos para serem usados em experimentos. Uma lágrima em meu rosto acompanhou a dela de anos atrás.

— É assim que eles nos veem. Eles querem nosso fim. Nos matam torturam e perseguem – disse baixinho entendendo melhor Mística, Magneto e todos os outros. Viver em harmonia com esse homo sapiens parecia uma utopia – Magneto estava certo. Se ele tivesse conseguido o que queria na Estátua da Liberdade, nada disso estaria acontecendo, nada...

Senti minha pele voltar a formigar bem levemente, então peguei mais uma seringa no porta luvas e injetei o líquido da cura para não machucar mais ainda a mutante desmaiada no banco de trás.

Passei algum tempo vagando, não sendo guiada por mim mesma, tentando decidir o que fazer e, pra variar, não encontrando uma resposta confortável. Voltar para a mansão X agora, depois de ter fugido sem dar qualquer explicação à Ororo, desmaiado duas pessoas e matado um cara, seria extremamente complicado e me faria ter que explicar à rainha do tempo coisas que eu mesma ainda não entendia ou sobre as quais não queria falar, mas simplesmente ficar vagando por aí em um carro com uma mulher desacordada no banco traseiro também parecia uma péssima opção, além disso, Mística precisava de cuidados médicos e leva-la a um hospital estava definitivamente fora de cogitação.

Respirei fundo constatando que teria que voltar. Dirigi o mais rápido que pude, parando eventualmente para comer ou estacionar o carro em algum lugar razoavelmente seguro para dormir, a viagem seria longa e eu estava contando com a resistência sobre-humana de Mística. Sempre que precisava sair do carro, usava a mudança de forma de Raven e fazia o que era preciso o mais rápido que podia, as janelas do carro eram de vidro fumê e eu as mantinha sempre fechadas, mas mesmo assim sempre parecia que algo ia dar errado, que a qualquer momento alguém ia encontrar uma mulher com manchas azuis, desacordada e presa nos bancos traseiros de um carro e, por algum motivo, estranhar e possivelmente ligar para a polícia. Felizmente eu tinha alguns galões de gasolina no porta-malas e não precisava me demorar quase nada em postos, apenas comprava comida de quinta, ia ao banheiro e saía rapidamente; desde que saí do Instituto, sempre andava preparada para fugir.

Depois de um tempo de estrada, eu via mais um dia se acabar. O sol estava se pondo, logo anoiteceria e eu estava cansada. Resolvi parar o carro em um local escondido à beira de um lago, em um lugar deserto. Saí do veículo e o tranquei, indo em direção ao lago, aproveitando os raios de sol em contato direto com minha pele, apenas olhando pro horizonte, sem apressar meus movimentos ou sentir necessidade de fugir, pela primeira vez em muito tempo. Eu nem sabia direito como tinha chegado naquele lugar, havido apenas seguido por uma estrada que eu já sabia conhecer, um caminho que eu não sabia ao certo porque me lembrava, mas sabia que me levaria a respostas, respostas que eu nem sabia mais se queria. E agora eu estava ali: o lugar onde tudo começara a desabar. O lugar onde ele tinha ido buscar respostas, onde ela havia se sacrificado para salvar todos e de onde depois emergira destruindo todos em seu caminho.

Me afastei do carro e fui andando em direção ao lago Alkali até chegar em um ponto alto, perto da margem, de onde eu podia ver o lago quase inteiro, salvo a parte dele que sumia no horizonte depois da linha dourada formada pelo reflexo do sol poente na água, e me sentei, relaxando meu corpo. Deixei finalmente as lágrimas e a tensão seguradas daqueles últimos dias escoarem de mim.

Eu matei uma pessoa

Ele já estivera naquele lugar: ali perto a encontrara desacordada. Eu podia quase ver a cena: seus cabelos vermelhos e então longos espalhados ao redor do seu pleno e suave semblante, como sentira falta daquele rosto. “Jean” murmurara ele, surpreso e maravilhado.

Era assim que Logan se lembrava dela: terna, amável e doce. Já eu, sempre que pensava na senhorita Gray, lembrava-me da cura, da morte do Professor, em Ororo arrasada, Logan partindo. Eu só conseguia me lembrar da destruição que ela causara e que havia impactado todos. Eu só conseguia me lembrar da Fênix que, depois de ressurgir das cinzas nos transformou em cinzas.

Eric estava certo, esteve o tempo todo certo: se a tivessem matado logo, ela não causaria tanta destruição; se tivéssemos eliminado os humanos conectando o Professor a todos eles através do Cérebro, eles não teriam desenvolvido uma maldita cura para o que não é doença e vidas de milhares de mutantes não teriam sido completamente arrasadas; se eu tivesse morrido na estátua da liberdade e transformado todos eles em mutantes como nós, Stryker não teria tido chance de fazer o que fez com Kurth ou conosco. Se eu tivesse aceitado ser sacrificada na Estátua da Liberdade nada disso estaria acontecendo. Os mutantes estariam livres, Charles estaria vivo. Se não tivesse sido tão egoísta... Se eu tivesse matado aquele maldito no dia que ele matou minha mãe, se eu tivesse seguido com meu plano, se eu tivesse tentado mais ou tentado menos ou não tentado. Se eu tivesse matado todos no meu caminho de uma vez ou não entrado por esse caminho... Maldição. Minha mãe, minha filha, minha esposa, Charles, Raven... eles me tiraram tudo e eu fiz tudo errado. Eu escolhi lutar do lado errado por puro capricho, me afastei de quem me queria bem, estraguei tudo que tinha. Eu nunca devia ter saído da escola. Devia ter falado logo para ela, não podia ter feito aquilo daquela maneira, não podia ter feito aquilo com ela. Deveria ter contado a verdade, para ela e para os meus pais, agora ela havia fugido depois de ficar dias enfurnada no quarto e meus pais não queriam mais sequer me ver. A verdade veio à tona, de qualquer maneira; eu não a ter contado só adiou o inevitável e acarretou mais destruição. A verdade esteve todo o tempo na minha cara, era só olhar, mas eu não quis acreditar, a ignorei porque era duro demais pensar nela. Quis acreditar que eles me queriam por perto, que aquilo era só questão de segurança mesmo, mas não, eu era uma aberração pra eles também eu era um problema na sua família perfeita. Se eu não tivesse nascido assim, tudo estaria bem agora. Se eu não o tivesse abandonado naquele dia desgraçado, eu não teria feito tanta coisa errada, não teria perdido tantos amigos, não teria causado tanta confusão. E depois de tudo isso ainda pude trair toda a nossa causa. Se eu tivesse baixado a arma naquele maldito dia... Se eu tivesse escutado o Professor ou se eu a tivesse matado na primeira vez que me pediu, nada disso estaria acontecendo. Eu sempre machucava todos que eu amava.

Eu havia feito tudo errado.

— Vampira. Me escute. Você precisa me escutar – Era de novo a voz do professor, ele parecia distante e fraco.

— Não. Já chega. Parem. Eu sei o que eu fiz. Sei de tudo isso, mas parem. Eu não quero mais, não quero a sua culpa, nem a sua dor, nem nada. Parem, por favor — eu não sabia o quê ou quem estava fazendo aquilo, mas não podia ser o Professor. Eu nunca o havia sugado e ele estava morto agora.

— Sou eu mesmo, Vampira. Você precisa me escutar. Muita coisa depende dis...

— Não, não é. O professor está morto e você, seja quem for, vai sair da minha mente agora— abri meus olhos que encaravam o chão, encontrando a escuridão da noite fracamente iluminada na minha frente, peguei no bolso do moletom cinza que eu estava usando por cima da regata preta a seringa com a cura que eu sempre levava comigo e tirei a tampa da agulha pra aplicar o conteúdo em mim.

— Não, não faça isso. Você precisa me ouvir – a voz começou a parecer um pouco mais distante, mas eu a ignorei e levei a agulha em direção ao meu braço, mas senti uma dor forte na cabeça e deixei a seringa cair da minha mão.

O que você tá fazendo comigo? Por que está fazendo isso? — perguntei inda me sentindo tonta pela pontada na cabeça.

— Fique calma, me escute – a voz agora estava mais fraca e arrastada – eu preciso de ajuda. Preciso de resgate. Estou vivo, mas não sei por quanto tempo.

— Mas a Jean, ela...

— Escute: não sei por quanto tempo consigo manter a conexão. Eles me pegaram – a voz foi ficando ainda mais fraca, como se estivesse se afastando aos poucos.

— Eles, quem? O que está acontecendo?

Indústrias Trask. Precis... – não pude terminar de ouvir, a voz sumira.

— Não, espera! – senti outra pontada forte em minha cabeça que me fez fechar os olhos e jogar o corpo violentamente para trás.

Vi uma construção grande e retangular, com segundo andar que tinha a metade do tamanho do primeiro, em uma encosta, apenas ela em um raio de quilômetros. Parecia uma base de algo que alguém queria muito que ninguém soubesse. Em seguida, apareceu um corredor, com uma iluminação de teto fraca e acinzentada, no final dele havia uma porta. N6, S053.

Abri os olhos e vi o céu estrelado, minha cabeça estava inclinada para trás, assim como meu tronco que era sustentado por meus braços. Respirei pesadamente e levei meu corpo para frente, encarando a previsível bagunça à minha frente: fogo, que fornecia alguma luz e me permitia enxergar um pouco à minha frente, e gelo espalhados ao meu redor, garras, metais vindos do fundo do lago flutuando... A grande novidade era a minha pele estar azul, mas a essa altura já não surpreendia. Recolhi as garras e me livrei das escamas da metamórfica, ia concertar o resto da bagunça quando vi entre os objetos metálicos algo que me chamou a atenção: uma plaquinha retangular com os cantos arredondados, presa em uma corrente feita de inúmeras pequenas bolinhas prateadas. Puxei-a para minha mão e segurei-a com a mão esquerda. Fiquei olhando vidrada para o que estava gravado nela, o coração batendo muito mais forte, as mãos tremendo, como se aquele objeto fosse uma personificação de seu dono, como se eu estivesse vendo ele próprio naquele pequeno pedaço de metal. Minha pele formigava.

458 25 243

WOLVERINE

Notas finais
Ps3.: Gente, as tags do Wolverine que aparecem nesse capítulo (e na fic em geral) são as que aparecem na trilogia original dos x men. As que aparecem no "X men: Origens Wolverine" são diferentes dessas (mais um erro de continuidade)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.