Depois dos Seis
6 Um presente para Hisana
Notas iniciais
— Você é um bunda mole mesmo, Yammy – Grimmjow resmungava. Os dois haviam acabado de atravessar a garganta e estavam de volta ao clima desértico do Hueco Mundo – Do jeito que você falou, eu pensei que todos os shinigamis de Karakura estavam chegando.
— Você é um ingrato – Yammy gritou, não menos irritado – Você sabe quem era ela? Ela já foi comandante do Onmitsukidou. Aquela mulher é um perigo!
— Pra você que já tomou uma surra dela – Grimmjow rebateu, de mau humor – Aliás, de quem você não apanhou?
— Está pensando em continuar a nossa conversa, Grimmjow? – Yammy arreganhou os dentes e encarou o outro com arrogância.
— Resta saber se você tem coragem para isso – Grimmjow não se intimidou e devolveu o olhar de desafio.
— Será que vocês dois não sabem se comportar?
Grimmjow e Yammy se viraram imediatamente ao ouvirem uma voz conhecida. Depararam-se com a figura de um homem de estatura média, com uma aparência melancólica, cabelos pretos, pele branca pálida e olhos verdes com pupilas pequenas em forma de fenda. Parte de sua franja caia entre os olhos e linhas verdes desciam da parte inferior dos olhos como lágrimas. Sua expressão facial era séria e indistinta.
— Ul... Ulquiorra? – Yammy gaguejou – Não pode ser!
— Ulquiorra?!! – Grimmjow gritou de forma escandalosa – Que porra é essa?!! Você não estava morto?! Deixou de pagar o aluguel da cova?!
Ulquiorra ignorou completamente os comentários e falou friamente com eles.
— Reunião no palácio Las Noches – respondeu, secamente – Agora.
— Que reunião?!! – Grimmjow cuspiu as palavras – O que está acontecendo?!
— Ele voltou, não foi? – Yammy perguntou, com uma nota de pânico na voz. Yammy era meio lerdo para praticamente tudo, mas não era totalmente burro.
Ulquiorra apenas lançou um olhar inexpressivo para os dois e deu as costas, sem responder.
— Vocês estão avisados – ele falou em um tom glacial – Vocês é quem sabem se querem comparecer ou não... – e saiu, tranquilamente.
Yammy e Grimmjow se entreolharam por alguns segundos antes de correrem para acompanhar os passos de Ulquiorra.
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— Se demorarmos mais um pouco, Byakuya vai mandar seus seguranças virem nos sequestrar, não é? – Ichigo perguntou, dando um grande bocejo.
Ele e Rukia estavam na cozinha e o dia havia acabado de nascer. Ichigo encarava seu prato sobre a mesa enquanto Rukia preparava panquecas no fogão.
— Ichigo, não implique com meu nii-sama – Rukia deu um pequeno suspiro, um pouco sonolenta – Você sabe como ele estava ansioso pelo aniversário de Hisana porque ele gosta muito dela. Afinal, é sua única sobrinha.
Ichigo se levantou da sua cadeira e se aproximou de Rukia, olhando para o que ela estava fazendo por cima do ombro da baixinha.
— Ei – ela reclamou – Sua comida está na mesa.
— Não é isso que estou procurando – ele sussurrou perto do ouvido dela. Logo em seguida, Ichigo beijou o pescoço de Rukia e fez uma trilha de beijos percorrendo todo o ombro dela – Sabe – recomeçou, baixinho – estive pensando que seria bom se Hisana não fosse filha única.
— Topo se for você quem vai ficar grávido e dar à luz – Rukia deu um sorrisinho enquanto Ichigo a abraçava por trás e afundava o rosto em seu pescoço – Não estou entendendo. Até poucas semanas atrás, não era você quem estava dando graças por Hisana ser filha única?
— Não posso mudar de ideia? – ele respondeu, ainda com o rosto colado ao pescoço dela – Além do mais, é bom para evitar que Byakuya fique mimando demais Hisana.
— E seu pai e suas irmãs? – Rukia rebateu – Eles também ficam fazendo as vontades de Hisana.
— É para evitar que todos eles estraguem ainda mais aquela pestinha – Ichigo riu e virou Rukia para que ela ficasse de frente para ele – Seria bom dar um irmãozinho para Hisana. Ela não ficaria sendo o centro das atenções de todos e, talvez, assim ela também aprenda algumas lições de responsabilidade.
— Eu estou vendo é que você está usando Hisana para se beneficiar com isso – Rukia disse, sorrindo, quando Ichigo se inclinou e os dois encostaram os narizes.
— Eu ganho, ela ganha, todo mundo ganha – Ichigo se aproximou mais e a beijou levemente.
— E se o novo bebê for igual à Hisana? – ela disse entre os beijos.
— O raio não cai duas vezes no mesmo lugar – os dois sorriram e trocaram um longo beijo apaixonado até serem interrompidos por uma sequência de barulhos. Parecia que alguém estava descendo a escada aos pulos – Previsão de tempo para hoje – Ichigo cochichou, ainda com o rosto próximo ao de Rukia – Furacão Hisana se aproximando dessa localidade.
Hisana entrou correndo na cozinha. Ainda estava usando o pijama de algum desenho animado e trazia um pedaço de papel meio amassado na mão.
— Hisana – Rukia usou um tom severo – Já falei para não correr dentro de casa.
— E, então, Hisa? – Ichigo havia voltado a sentar no seu lugar – Animada com seu aniversário?
Primeiro, eles iriam à festa na mansão Kuchiki. Para a infelicidade de Ichigo, eles passariam uma boa parte do dia lá e, à noite, eles iriam para a casa da família Kurosaki.
— Sim, papai – Hisana se balançava sobre os pés – Vamos ver o tio Byakun, né?
— Você sabe que sua festa vai ser lá também – Ichigo encarou a menina, sério – Olha aqui, quando eu disser “vamos embora”, é vamos embora, ouviu? Eu não quero ouvir um pio, nem chororó, nem nada de “mais um pouquinho”, está bem?
Hisana balançou a cabeça afirmativamente. Ichigo sempre falava isso antes de saírem e Hisana sempre concordava. Agora, cumprir o acordo, era outra história.
— Boa garota – Ichigo sorriu um pouco porque havia acabado de ter uma ideia – Hum, o que acha de ganhar um irmãozinho de presente de aniversário, heim, Hisa?
Rukia lançou um olhar de censura para ele. Usar Hisana para convencê-la era um golpe baixo.
— Ah, pai – Hisana parou de se balançar – Prefiro ganhar uma bicicleta – e olhou para cima, coçando o queixo, imitando a cara pensativa que Ichigo fazia quando estava concentrado – ou um cachorrinho.
Rukia exibiu um arrogante sorriso vitorioso para ele.
— Um cachorrinho, Hisana?! Bicicleta?! – Ichigo repetiu, indignado – O que você vai fazer com essas porcarias?
— Brincar – a menina encolheu os ombros, como se estivesse dizendo o óbvio.
— Mas você pode brincar com seu irmãozinho – Ichigo rebateu – E ensinar muitas coisas para ele. É isso o que fazem as meninas grandes. Você agora não é uma menina grande?
— Sou, sim – Hisana abanou a cabeça.
— Então, as meninas grandes cuidam dos seus irmãozinhos menores – ele diz – Como eu cuidei das minhas irmãs quando elas eram pequenas.
Hisana não respondeu, mas continuou com aquela caricata expressão pensativa.
— Vamos parar com essa conversa porque agora é hora de comer – Rukia lançou um olhar levemente irritado para Ichigo – O que é isso que você está na mão, Hisa? Vá guardar isso em algum lugar.
Ao invés de guardar o papel, Hisana o estendeu na direção de Ichigo.
— Para mim? – ele perguntou, pegando o papel e o desamassando um pouco sobre a mesa – Olha só. Você desenhou nós três, foi? – Ichigo colocou Hisana sentada em uma de suas pernas e apontou para o desenho de três bonequinhos meio tortos. O boneco do canto tinha um cabelo que se resumia a uma mancha laranja enquanto os outros dois tinha cabelos pretos – Está desenhando melhor que sua mãe... Aaaaaiii! Rukia! Isso dói!
Ele esfregava o topo da cabeça enquanto olhava a expressão cínica de Rukia.
— Desculpa. Foi sem querer – ela cantarolou, com uma voz falsa.
— Aqui é você, papai – Hisana apontou para o boneco de cabelo laranja – A mamãe – ela apontou para o desenho ao lado – e eu.
— Só tem um problema – Ichigo coçou o queixo – Você desenhou sua mãe da mesma altura que a minha. Eu pensava que sua mãe fosse esse aqui pequenininho... Aaaaaiii!! Rukia!!
— Foi sem querer de novo – Rukia encolheu os ombros.
— Você gostou, papai? – Hisana perguntou com os olhinhos ansiosos.
— Claro que gostei – ele sorriu para ela depois de lançar um olhar raivoso para Rukia – Gostei tanto que vou colocar no lugar de honra – ele pôs Hisana no chão e andou com o desenho até a geladeira. Ichigo pegou um dos imãs em formato de frutas e posicionou o desenho ao lado de uma foto de Hisana e uma lista de compras da próxima semana – Veja. Não ficou uma beleza?
Hisana abriu um largo sorriso.
— Agora você precisa se arrumar para não nos atrasarmos, filha – Rukia falou com urgência – Você sabe que seu tio não gosta de atrasos.
— Vou dar um banho em você – Ichigo fez menção de levantar da mesa.
— Não, pai! Eu já sou grande! – Hisana saiu correndo da cozinha e voou pela escada – Eu sei tomar banho sozinha.
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