Depois do fim
2 S5E02 – Goodbye
Notas iniciais
Jane perdeu a noção do tempo sentada no chão de sua cozinha. A realidade lhe despertou do transe em que se encontrava quando seu celular tocou, se levantou sem pressa enxugando as lágrimas do rosto enquanto ia ao encontro do aparelho que estava na mesinha ao lado do sofá vibrando, quando pegou o objeto e leu o visor fez cara de poucos amigos.
– Fala, Ma.
– Isso é jeito de falar com a sua mãe? Tô aqui preocupada com você!
– Ah, você sabe que está tudo bem eu não sou mais criança, sabia!? O que você quer?
– Jane Clemen...
– NÃO TERMINE! Olha só se me ligou porque está preocupada, repito: está tudo bem comigo.
– Eu não entendo você e a Maura não quererem companhia em momentos que a gente mais precisa de companhia.
– Nem todo mundo é igual Ma, apenas isso.
– Mas vocês são! Até nisso! Ela também está lá trancada no quarto, acho que vou me trancar no meu também, é o jeito.. – choramingava
– Mãe, estou indo deitar e está tudo bem comigo! Agora... – ficou pensativa – agora eu sei que Frost está bem – se virou e olhou o postal do amigo deixado em cima da bancada da cozinha – agora eu sei, de algum modo, eu sei. – suspirou.
– Que bom minha filha, fico mais tranquila, mas não se esqueça: se precisar de alguma coisa me liga. A qualquer hora que a mamãe vai correndo. Cuidem-se!
– Cuidem-se? – estranhou – Esqueceu que moro sozinha?
Angela percebeu que havia falado demais e como não sofria de urticaria como Maura foi logo mentindo sem titubear.
– Você e a Joe Friday, oras! Cuidem-se! Beijinhos.
– Beijos e obrigada. – desligou já caindo no sofá exausta depois de um dia pesado como aquele, começou a tirar o sapato de salto que lhe apertava os pés quando o celular tocou novamente.
– O que foi dessa vez, Ma?
– Ma? Jane? Sou eu.
– Maura! – sorriu – desculpe minha mãe acabou de me ligar achei que fosse ela querendo saber o que eu tinha feito nesses últimos 30 segundos que ela não falou comigo.
Maura sorriu do outro lado da linha pela voz e pela ironia sabia que a detetive já estava um pouco melhor.
– Imaginei mesmo que sua mãe te ligaria – Maura falou se referindo a preocupação de Angela que agora com a descoberta da gravidez de sua única filha mulher seu zelo por ela já era dobrado.
– Imaginou? Por quê? – perguntou interessada.
– Ah.. bem... – Maura ficou sem reação e precisava pensar rápido em alguma resposta – bem.. conheço sua mãe ela está preocupada com você.
– Claro, também a conheço. – riu.
Maura se sentiu aliviada, Jane nada havia percebido sobre o real motivo da sua última observação.
– Sabe Maura...
– Diga..
– Tô me sentindo mais cansada hoje do que nos dias que viramos na Central.
– Normal Jane... o baque que você sofreu foi muito forte o corpo não está acostumado com uma carga emocional tão grande e ele é o primeiro a enviar sinais. E agora com a gravidez seus hormônios estão todos muito mais aflorados. Hoje seu cansaço não é físico, é emocional, ou seja, não é 100% tratável com medicamento e sim com a mente, por isso, essa sensação de exaustão maior do que os dias corridos na Homicidios, prcoure descansar. Eu estava te ligando apenas para saber como você está? Ou melhor, como vocês estão? Não se esqueça que precisa comer.
– Estou bem, quer dizer, estamos – colocou a mão sobre o ventre – ainda é estranho, Maura. Muito estranho...
– Posso imaginar.
– Maura...
– Oi Jane...
– O Frost... – a voz começou a embargar novamente – hoje eu recebi um postal dele. Agora eu sei que ele está bem onde quer que ele esteja.
Maura do outro lado da linha se encontrava emocionada lembrando do colega de trabalho.
– Fico feliz em saber disso, Jane. Muito feliz na verdade. Você e Frost além de companheiros de trabalho eram grandes amigos.
– Todos nós éramos, Maura.
– Verdade e ainda seremos porque ele continuará no meio de nós de alguma forma.
Jane estranhou essa frase vinda da amiga legista: — Você acredita em Deus, Maura?
– Eu acredito que exista o bem e o mal, Jane. E Frost com certeza era do time do bem. Guarde esse postal com carinho e como lembrança de uma amizade tão linda como a de vocês.
– Guardarei, obrigada.
– Então, boa noite.
– Hey, Maura, mais uma coisa.
– Diga.
– Obrigada! É, obrigada por estar comigo não só hoje, mas em como todos os momentos da minha vida. Nos dias bons e ruins, nas alegrias, nas tristezas.
– Imagine, Jane eu estarei com você até que a morte nos separe – riu — Eu sempre estarei aqui.
– Eu sei e é por isso que eu sou tão grata por ter a sua amizade e é por isso que eu te amo. Boa noite, Maur. – a voz da detetive era suave.
– Boa noite, Jane. – desligou o telefone o colocando sobre seu corpo esticado na cama – e é por isso que eu também te amo. – sussurrou pra si de olhos fechados.
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