Depois de Você

15 Capítulo 15 - Verdades à tona


Caroline comenta com Bonnie e Elena sobre o progresso de Luna, que ela nitidamente estava se esforçando muito pra conseguir superar logo a sua fase de instabilidade e poder voltar a ver seus amigos o quanto antes e voltar a viver o mais próximo possível do normal novamente.

—Mas vocês não acham que tem alguma coisa que não está encaixando na história deles ou só eu não acreditei no que disseram? — Bonnie franze a testa desconfiado, cruzando os braços e analisando a reação de todos.

—Quando Kate ativou sua magia foi num momento horrivelmente traumático que acabou incendiando sua própria casa, então… — Elena complementa as palavras de Bonnie, dirigindo-se à Caroline.

—Exato, não é nada sutil quando isso acontece, nós sabemos. Eu mesma provoquei uma terrível tempestade num dia lindo de sol... — Bonnie fica reflexiva por não ter se dado conta de que não havia feito essa ligação antes.

—Na verdade… — Caroline morde o lábio nervosa, pensando várias vezes antes se deveria contar — Luna sem querer matou uma pessoa, Damon me contou.

No mesmo instante, a porta se abre com Luna e Damon voltando do treinamento e encaram Caroline ao ouvir o que dissera, pasmos. Naquele momento tudo parece desabar para Luna porque muita coisa estava em jogo ali. Ela percebe que não podia confiar em Damon e aparentemente em mais ninguém, fazendo com que duvidasse de toda a ajuda que estavam oferecendo.

—Eu não acredito. — Luna se volta para Damon, extremamente decepcionada.

—Car! — Damon lança a culpa para outro, como forma de amenizar sua responsabilidade.

—Você pediu pra confiar em você e eu confiei. — Luna continua à Damon e depois se volta para o restante, vendo Stefan se aproximar da sala sem entender o que estava acontecendo — E sim, matei uma pessoa. Obrigada por anunciarem a todos a minha derrota, desculpa por ter nascido assim e ser uma grande decepção pra vocês!

—Luna, não estamos aqui pra te julgar, por favor. — Caroline tenta acalmá-la, dando alguns passos na sua direção. — Eu também ma...

—Não! — Ela recua, negando qualquer ajuda no momento — Já vi que não posso confiar em ninguém daqui. Pelo menos essa lição, aprendi bem com vocês.

—Luna…

Damon se volta para ela na tentativa de tranquilizá-la, mas ela ergue as mãos para que não tocasse nela e involuntariamente acaba lançando-o ao longe contra uma das paredes da sala como um vento muito forte. E quando vê o que havia feito, ela se espanta olhando para as mãos levemente trêmulas, mas sem dar o braço a torcer de ficar e pedir desculpas, ela foge.

—Ai, não… — Caroline leva as mãos ao rosto constrangida, percebendo que novamente deveria ter controlado a língua.

—Droga. — Damon se levanta, ajeitando suas costas pela dor da pancada, encarando Caroline em seguida — Por que raios você contou a eles?!

—E por que raios você tem uma bolsa de sangue se vocês foram treinar? — Stefan devolve o ataque, vendo a bolsa de sangue pela metade que acabou voando durante sua queda.

—Você não fez isso! — Elena se levanta irritada do sofá, esperando que a resposta fosse outra.

—Ela precisa ser forte! Vocês estão apenas fazendo com que ela seja morta na primeira oportunidade com esse sangue animal horrível!

—Que oportunidade Damon?! — Caroline ergue as sobrancelhas incrédula, como se fosse óbvio que não teriam com o que se preocupar. — Ela é só uma adolescente...

—Ela estava indo tão bem… — Bonnie suspira, desanimada.

—Você deveria confiar mais em mim e me deixar fazer o meu trabalho. — Elena mantém sua posição de ataque, extremamente irritada. — Eu estava cuidando da alimentação dela!

—Acho melhor a gente se acalmar… — Stefan tenta amenizar a situação, colocando-se no meio dos dois — Vocês podem se resolver mais tarde quanto a isso, agora temos que ir atrás de Luna.

—Eu vi a Luna sair correndo, aconteceu algo? — Lily entra na casa com um celular na mão — E deixou isso pelo caminho.

—Ela não quer ser encontrada. — Bonnie suspira desanimada, pois era seu primeiro impulso para verificar onde poderia estar.

—O que eu perdi? — Lily percebe que o clima estava extremamente tenso e as expressões de Caroline e Bonnie diziam para que ela não quisesse saber.

—Como sempre, perdendo vários acontecimentos da sua família. — Damon responde com desdém e rancor.

—Essa história de novo? Quando você…

—O dia em que eu parar de beber. — Damon sorri debochadamente, pegando sua garrafa de bourbon. — Nunca.



Ao ver que maior parte de sua raiva havia passado, Luna para de correr e se curva com as mãos nos joelhos para tomar ar e tentar controlar sua respiração. Tudo se passava como num flash na sua cabeça, desde o dia da festa até agora e tudo estava sendo intenso demais. Ela inclusive havia marcado de se encontrar com Kevin, mas a essa altura já estava abortando a missão porque sentia estar alterada demais.

Ela então decide caminhar sem rumo, apenas para distrair seus pensamentos ou então chegar a alguma conclusão do que ela poderia fazer agora. A rua estava vazia, havia apenas pessoas nas proximidades do Grill que se encontravam para beber e rir, inclusive do lado de fora do bar. Então ao se dar conta de que não seria uma boa ideia passar perto de muitos humanos aglomerados, Luna atravessa a rua e acaba esbarrando em alguém sem querer.

—Desculpa, não vi você. — Luna desvia o olhar pra disfarçar suas veias levemente saltadas, continuando a andar na direção oposta ao bar.

—Hey, espera. — O homem a chama de volta.

Ela não iria dar meia volta, mas ao ver que suas veias já haviam sumido, ela respira fundo e se vira para o homem que havia esbarrado. Ela não o conhecia e nem pretendia ficar muito tempo por ali, apenas decidiu ouvir o que ele tinha a dizer.

—Você não me é estranha…

—Bom, você é bem estranho pra mim e se não se importa eu vou continuar andan…

—Seus pais são Damon Salvatore e Kate Wiles, não é? — Ele a interrompe com um ar misterioso e aquela pergunta acaba deixando-a ainda mais incomodada.

—Depende de quem pergunta. — Ela ergue as sobrancelhas de leve, esperando que ele dissesse seu nome.

—Você definitivamente é filha dele. — Ele dá um sorriso quase orgulhoso e dá uns passos na direção dela, que aproveita para recuar. — Não precisa ter medo de mim, sou amigo deles.

—Por que eu tenho a impressão de que isso não é verdade? — Ela o desafia com o olhar e toca o bolso de trás da calça em busca do celular, mas se dá conta de que o deixou cair propositalmente para que não a encontrassem.

—Podemos conversar melhor num jantar. — Ele sorri de uma forma animada, deixando-a ainda mais constrangida.

—Não, obrigada.

Ela percebe que não consegue mais recuar os passos ao bater com as costas na cerca do parque, fazendo com que ele consiga se aproximar o bastante a ponto de deixá-la sem ter como escapar de forma sutil. Era estranho porque ela não sentia vontade de devorá-lo como outros desconhecidos e isso a levou a cogitar a possibilidade de que ele não fosse humano. Então quando ela viu que ele continuava se aproximando, ela tenta lançar alguma magia nele em meio ao desespero e nas primeiras duas tentativas não acontece nada. À medida que seu medo foi crescendo e ele parecia se irritar mais, ela conseguiu algo, lançando uma chama de fogo próximo aos pés dele. Porém ele apenas riu e reagiu, erguendo sua mão a ela e fazendo-a sentir uma dor de cabeça horrível, capaz de fazê-la ajoelhar de dor e enfraquecer.

—Não foi uma pergunta.