Depois da morte de Augustus Waters
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Toc, toc, toc.
Afastei-me de Isaac e ele se afastou de mim também.
– Entra. — falei.
– Olá, Hazel. — cumprimentou a doutora Maria.
– Olá, doutora... — antes de eu perguntar qualquer coisa sobre o meu câncer, minha mãe veio afobada me abraçar.
– Filha, tudo bem? Como está se sentindo? — perguntou.
– Estou bem mãe. — não comentei sobre as dores no pulmão.
– Tem certeza?
– Sim. – respondi — Bom, Dra. Maria, o que aconteceu? — perguntei, estava curiosa.
– Hã... Com licença, acho que é melhor eu sair não? — comentou Isaac.
– Não precisa sair Isaac. — Na verdade eu só queria ser educada mesmo, por que não queria que ele escutasse caso a Dra. Maria dissesse que eu iria morrer.
– Não, não, vou sair, minha mãe já deve estar chegando. Poderia me levar para a porta Sra. Lancaster?
– Claro Isaac. — e o ajudou a sair.
Achei que a doutora Maria esperaria minha mãe para começar a falar do diagnóstico, mas ela começou a falar, só que de outra coisa.
– Seu namorado? — ela perguntou. Achei estranho por que ela sabia que o Augustus tinha morrido há quase dois meses.
– Não. — falei. Mas devo ter me entregado por que senti meu rosto ficar quente e provavelmente vermelho.
– Hmm, é que, eu entrei no quarto sem saber e... — ela parecia meio constrangida, acho que ela viu eu e Isaac nos beijando.
Que merda! Ela deve ter contado para minha mãe. Bosta. De qualquer modo resolvi abrir o jogo.
– Ah, foi você que abriu a porta enquanto nos beijávamos? — perguntei, era melhor falar sobre isso antes de minha mãe voltar.
– Sim, mas sua mãe não viu. Não contei a ela, também, se quer saber, Hazel. Não precisa ficar preocupada.
– Ah, sim. Obrigada, doutora. Na verdade não temos nada, foi apenas... — não sabia dizer o que foi. Apenas ficamos, mas passou tanto pela minha cabeça. — Apenas...
– Não precisa se explicar querida. — falou.
– Obrigada. — terminamos a nossa conversa bem na hora em que minha mãe voltou.
Só agora reparei que seus olhos estavam um pouco inchados.
– Tá, o que aconteceu? – perguntei.
– Bom Hazel...
– Peraí, há quanto tempo estou aqui no hospital? – interrompi.
– Há um dia. Está aqui no hospital há um dia. – respondeu a doutora. – Como eu estava falando, seu câncer está pior, Hazel.
– Mas, e o Falanxifor? – perguntei.
– O Falanxifor não tem nada a ver com isso Hazel. Ele ajuda a combater os seus tumores. Mas o problema não são os tumores, o problema está nos seus pulmões. Eles estão muito fracos. – explicou. Olhei rapidamente para a minha mãe e via que ela mexia os olhos e a boca constantemente.
– Mas... Mas isso foi por causa do meu aniversário?
– Não, não querida, não ache que foi por causa do seu aniversário. Eles já estavam fracos e pioraram um pouco desde a água neles, da última vez.
– Isso quer dizer que eu vou morrer? – perguntei. Lembrei-me da carta de Augustus, eles disse que nós dois iriamos morrer. Não tinha problema, eu aceitei a minha condição. Minha mãe se remexeu novamente.
– Não sabemos. – respondeu a doutora. – Talvez se continuar tomando as medicações.
Eu assenti, eu já fazia isso, mas ela já devia saber. Eu iria morrer, era óbvio que eu ia morrer.
– Bom, vou deixa-la descansando Hazel, se precisar, me chame.
– Tudo bem. – respondi. E ela saiu deixando-me com minha mãe.
– Como se sente filha? – perguntou. Ela sorria como as pessoas caridosas e com pena sorriem.
– Estou bem, mãe. — respondi.
Antes de tudo acontecer, eu considerava a hipótese de morrer. Agora era diferente. Pessoas precisavam de mim. Minha mãe, meu pai, a Kaitlyn, o Sr. e a Sra. Waters e... De qualquer forma, o Isaac.
– Mãe, como você ficaria se eu morresse? – perguntei.
Ela lutava para repreender o choro. – Ah, filha... – ela se levantou e deitou do meu lado. – Eu te amo tanto.
– Eu também te amo, mãe.
– Você sabe que eu seria um Patrick né? – brincou com lágrimas nos olhos.
– Sim, eu sei mãe. Você seria uma ótima Patrick, sabe disso.
– Obrigada. Mas nada seria a mesma coisa sem você, filha.
Aí, eu comecei a chorar.
– Você é feliz, mãe? – perguntei.
– Não sei Hazel. Eu olho pra você todos os dias e agradeço a Deus por deixar você aqui comigo, por não te levar embora. Mas, então eu penso, se você está feliz. Se viver desse jeito é um bom jeito de viver. – Ela não falou com todas as palavras, mas como meu pai dizia, para um bom entendedor, meias palavras bastam. Ela se perguntava se pra mim é bom continuar vivendo, mesmo que seja com câncer. — E você? É feliz Hazel?
– Bom, até antes de conhecer o Gus, eu vivia normalmente dentro dos meus padrões, aproveitando vocês, a minha família e esperando quando eu morreria. Então quando eu o conheci, foi como se realmente houvesse um motivo pra continuar, e depois que ele se foi, não parecia real. Ficou tudo neutro, não havia felicidade ou tristeza. Então, então... – a continuação seria Isaac, mas eu não queria contar. — Então é isso. – falei. – Mas agora parece que eu tenho amigos, mais pessoas que se importam comigo. Mas eu não quero ser uma granada.
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