Depois da morte de Augustus Waters
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Levantei da cama num salto e fiquei ali sentada. Levantar assim fez meus pulmões doerem. Minha cabeça estava cheia de Isaac e do beijo, do beijo e de Isaac. Eu tentava afastar esses pensamentos, mas, meu Deus, como eu pude sonhar com uma coisa dessas? Eu devia estar louca.
– Hazel? Está tudo bem, querida? – perguntou minha mãe no vão da porta.
Demorei um pouco pra responder.
– Sim. Foi um sonho ruim, mãe. – respondi.
– Ah, bom.
– Pode ir. – falei.
– Claro. Durma bem Hazel. – disse sorrindo e saiu.
Se dormir bem era dormir sonhando que eu estava beijando o Isaac, então, não, eu não queria dormir bem. Mas tive que ceder ao sono e acabei dormindo.
Não sonhei mais com beijos e Isaac e fiquei muito satisfeita ao acordar pela manhã e notar isso. Prometi a mim mesma que iria esquecer esse sonho. Retirei o PICC e ajeitei os tubos de oxigênio e desci para tomar café. Eu me sentia muito bem, pronta para um novo dia.
– Mãe, — falei descendo as escadas. – O que acha de irmos ao shopping? – Queria comprar alguns livros novos.
– Sério Hazel? – ela parou e olhou para mim. Eu não era muito de sair, as únicas vezes que saí foi mais com Augustus. Mas agora a tendência era voltar à vida monótona de antes, só que eu não queria voltar para a minha vida da antes, então achei melhor fazer coisas novas dentro do meu padrão de possibilidades.
– Sim, quero algo novo para ler. – respondi.
– Tudo bem. – Ela me olhava com um brilho de esperança no rosto. Sorri sem graça para ela e fui ver America’s Next Top Model na televisão. Depois de sentar no sofá, lembrei-me de avisá-la que eu iria ir passear com Kaitlyn amanhã.
– Ah, mãe? – chamei.
– Sim?
– Eu marquei de passear com Kaitlyn amanhã. Tudo bem?
– Aham, sem problemas! — Ela parecia que ia pular de emoção. – E não esqueça que você pode marcar coisas com Isaac também, Hazel.
Isaac. Argh, eu queria era evitar Isaac. Eu queria evita-lo, isso sim. Voltei a minha atenção para a eliminação de garotas nojentas no ANTM, mas não conseguia mais prestar atenção. Então deitei no sofá e deixei meus pensamentos fluírem. Talvez assim se organizassem.
A primeira coisa que eu pensei, melhor: lembrei, foi que os sonhos são às vezes coisas que ficaram em nosso subconsciente e que são (tcham tcham tcham tcham) : não! Desejos reprimidos. Loucura. Eu não queria beijar o Isaac, ou queria? Não! Eu não queria, eu não queria. Eu ainda sinto muita falta do Augustus e talvez apenas esteja fragilizada. Mas confundir Augustus e Isaac? É loucura.
Ou também posso estar ficando louca, talvez a morte do Gus tenha me afetado de tal maneira. Mas o beijo do sonho não era nada parecido com o beijo do Augustus. Era diferente e a lembrança ainda era bem nítida.
Mas aí, outro pensamento veio à tona junto com lágrimas, como eu podia fazer isso com o Gus? Eu sei que ele estava morto, mas, fazia muito pouco tempo. Quase dois meses apenas. Eu me sentia muito mal, eu sentia muita falta dele e se ele não tivesse morrido nada disso teria acontecido. Eu comecei a chorar.
– Gus, me perdoa... – sussurrei.
Virei-me de lado no sofá, com esperanças de me concentrar no ANTM, pois, daqui a pouco minha mãe iria servir o almoço e eu não queria que ela me visse chorando.
– Hazel, pode vir almoçar. — chamou a minha mãe depois do que pareceu uma meia hora.
Eu estava com muita fome e a comida da minha mãe era muito boa, mas não podia comer muito se não corria o risco de vomitar tudo, um efeito colateral do câncer.
– Então, como se sente? — perguntou minha mãe. Não entendi porque ela perguntou isso.
– Me sinto bem, normal, graças ao Falanxifor. – respondi achando que ela se referia ao câncer.
– Ah, sim. Graças ao Falanxifor. – ela repetiu meio sem graça. – Mas, digo, como você está, sabe... Sem o Augustus.
– Ah... É, mãe... É difícil. – falei em poucas palavras. Por que ela tinha que tocar nesse assunto, eu não queria falar disso.
– Filha... – ela começou, mas eu a interrompi.
– Mãe. Agora não, por favor.
– Tudo bem. Só, sabe que se precisar desabafar, querida, pode contar comigo. – Imaginei se ela tinha visto eu e Isaac? Que vergonha! É óbvio que ela deve ter visto. Ela deve ter subido para ver se estávamos bem e nos viu.
“Nos viu”. Parecia até que estávamos fazendo algo de errado e fomos pego em flagrante.
– Vou subir. – anunciei. Eu estava muito irritada. Por que a minha mãe sempre tinha que me espionar? Ela não devia ter feito isso, meu Deus, que vergonha!
– Mas já? – ela perguntou confusa. – Hazel, está tudo bem?
Olhei pra ela e forcei o melhor sorriso que consegui.
– Sim, mãe. Está tudo bem. Obrigado mesmo. Estou só um pouco cansada.
– Ainda vamos ao shopping, não? – perguntou ansiosa.
Tinha me esquecido desse detalhe. Eu não queria mais ir. Mas apenas disse:
– Não sei mãe. Estou cansada. A gente vê. – e subi de uma vez.
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