Depois da Meia Noite.
6 "Os dois e as cicatrizes."
Notas iniciais
– Hoje tem boliche. Não tá vendo não? — perguntou apontando as pistas.
–Nós começamos, né Mi?!-Marina fala e Ariel riu do apelido.
–Vai Mimi!-Ariel diz e o irmão mostra o dedo do meio para ela.
As bolas verdes eram as mais leves, e foi a que Marina pegou e derrubou quatro pinos. Miguel pegou a vermelha que tinha o peso que ele aguentava, e assim que jogou fez um strike, derrubou todas os seis pinos que faltavam.
–Superem isso, perdedoras do caramba! -Marina diz para as amigas.
–Pode ir Dany. Eu e o Alex seremos o último casal, né amor?-Ariel oferece
–Claro.-Alex concorda.
Dany da de ombros e pega uma das bolas verdes. Ela lançou a bola derrubando sete dos pinos.
– Uau — comemorou enquanto Gabriel pegava jogava e derrubava os três pinos restantes.
– Sua vez — Miguel disse olhando para a irmã que estava prestes a beijar Alex.
–Pode jogar, Alex...-Ariel diz quebrando a ordem de ser primeiro a menina e depois o menino. O menino sorriu e pegou a bola vermelha. Todos ficaram ansiosos pelo resultado. Assim que a bola atinge fortemente os pinos todos são derrubados.-EU FALEI QUE HOJE TEM!
– Ela vai se exibir a noite toda — Dany disse.
– Sem dúvidas — Miguel concordou.
Ariel ria e abraçava o namorado. Dany pode ver ela cochichar algo no ouvido do namorado. Não conseguiu saber o que mais pelo sorriso de Alex, o agradara muito.
A noite seguiu assim, enquanto um casal jogava os outros trocavam carícias. O placar final ficou a favor de Daniela e Gabriel, deixando Miguel e Marina em último. Eles saíram do boliche e foram pra casa dos Albuquerques.
–Tem alguma coisa pra beber?-Alex pergunta para Miguel.
– No meu quarto. Vou buscar — ele subiu para buscar as bebidas enquanto os outros conversavam.
– Vocês fazem um casal tão bonitinho — Marina disse com seu jeitinho delicado.
– Ahn... Nós somos um casal? — Dany perguntou olhando para Gabriel que estava sentado ao seu lado segurando uma de suas mãos, fazendo pequenos círculos com o polegar.
– Se você aceitar — ele disse e ela deu um pequeno selo em seus lábios.
– Somos um casal — disse alegremente.
Alex e Ariel já estavam aos beijos desde que Miguel subira então a irmã não deu opinião alguma.
Miguel voltou com uma garrafa de Absolut e foi até a cozinha servir em copos para os amigos. Voltou para a sala e só estava Marina, Dany e Gabriel.
–Cadê a Ariel?-Ele pergunta
– Disse que ia dar uma volta com o Alex — Marina responde ajeitando os cabelos.
Miguel olhou para Daniela que apenas deu de ombros como se dissesse que não podia fazer nada.
Ariel e Alex foram para a quarto de empregados que tinha no fundo da casa deles, aquele quarto não era usado já que eles não tinham empregadas desde que enlouqueceram a última e os pais os fizeram cuidar da casa daquele dia em diante.
O casal entrou no quarto trancando a porta e indo até a cama de casal que tinha ali. Eles estavam apenas se beijando e trocando carícias.
–Eu devo dizer mais uma vez o quanto adorei esse seu cabelo?-Alex diz pegando uma mexa entre seus dedos.
–Sim. Tem que dizer.-Ariel fala mexendo nos cachinhos castanhos alourados do namorado.
–Eu adorei seu cabelo.-Ele diz beijando o pescoço dela.-Agora tem que cumprir o que me prometeu depois do meu primeiro strike.-Ele fala olhando nos olhos azuis da namorada idênticos aos seus.
– Eu não disse que seria hoje — ela brinca provocando ele. Ela brincava com a barra de sua camisa ameaçando subi-la.
Ele mordiscou o pescoço da menina como reflexo as provocações.
– Mas eu quero hoje — ele disse fazendo bico e encarando-a.
Ela riu e resolveu subir a camiseta dele passando a mão pelo peitoral definido dele. Ela já havia o visto dezenas de vezes mas sempre ficava sem ar ao ver.
– Tenho que cumprir tudo que eu prometi? — ela pergunta fazendo uma pequena careta.
– Hmm... Sim — ele diz começando a puxar o casaco dela. Estava na altura dos ombros quando ela se sentou.
– Não temos algemas... — ela disse mordendo o lábio.
– Usamos seu casaco — ele disse apontando para a peça de roupa e terminando de puxar a blusa dela. Logo depois ele tirou a camiseta dela mas só quando foi amarrar seus pulsos reparou algo estranho.
Haviam cortes ali.
– Ariel, o que é isso? — perguntou espantado.
Ela havia se esqucido dos cortes recentes. Ela sempre esperava os cortes se cicatrizarem o suficiente para cobrir com maquiagem. Ela se sentiu culpada e puxou o casaco o vestindo novamente.
–Nada.
– Nada? Eu tenho certeza de que isso não é nada — ele segurou o queixo dela, a fazendo olhar nos olhos dele — Ariel, que merda é essa?
Ariel tentou se desvencilhar mas ele a segurou com força suficiente para fazê-la parar mas não machucá-la.
Os olhos dela começaram a lacrimejar e ela apenas o abraçou sem dizer nada, apenas deixou as lágrimas escorrerem e os soluços saírem. Ela sabia que podia contar com Alex. Ele a amava assim como ela o amava.
Alex ficou um pouco sem ação. Ele estava preocupado e bravo ao mesmo tempo. Ele a abraçou forte e a aninhou em seu colo e se recostou na cabeceira da cama. Estavam só os dois ali. Os dois e as cicatrizes.
Ele afundou o rosto em seu cabelo cabelo. Ele pensou que cheiraria a tinta pela recém pintura porém cheirava a shampoo e flores.
Ela ainda soluçava contra o peito de Alex mas ele pode apenas suspirar e abraçá-la mais forte.
– Eu te amo, sabia? — ele passou a mão no rosto dela limpando as lágrimas em seu rosto — Você é tudo para mim. Meu sol, lua e estrelas — ele disse passando o polegar sobre dua bochecha.
Ela respirou fundo e abriu os olhos.
–O que seria de mim sem você?-Ele sorriu e beijou os lábios dela.
–Pode me explicar agora?
– Papai e mamãe nunca estão em casa, nunca estão aqui quando nós precisamos. Eu tenho toda essa droga de hiperatividade e Miguel e Dany são os únicos que se importam e tentam ajudar, mesmo ela sempre achando que não faz parte da família. Talvez se eles passassem mais tempo com a gente ela se sentiria mais inclusa. Eu só... — ela engole em seco no meio da frase — Só não consigo controlar toda essa frustração — diz por fim olhando para o namorado.
–Ariel... Eu estou com você. Você sabe que pode descarregar toda essa frustração em mim. Podemos conversar ou podemos transar. Só que sem essas marcas. Eu me sinto o pior namorado por não poder impedir isso. Não faça mais isso. Por mim. Pela Daniela e pelo Miguel. Ok?-Ele diz ainda a abraçando: — O.k — ela diz melancólica e ele a abraça mais uma vez.
– Quer voltar lá para dentro ou quer ficar mais um tempo aqui? — ele pergunta passando a mão pelos cabelos dela.
–Dorme aqui comigo. Só hoje.-Ela pede e ele assente.
Alex levanta e põe a blusa de volta. No armário ele pega um cobertor e travesseiros. Ele tira os sapatos e Ariel faz o mesmo e depois cobre os dois, e ficam abraçados um de frente para o outro.
* * *
Marina estava tagarelando algo sobre como era incrível ter passado no vestibular e que iria começar a cursar arquitetura mas Dany não prestava muita atenção. Prestava atenção na mão de Gabriel entrelaçada a sua sobre seu colo. Pensava em até onde aquilo iria, já que agora havia algo. Geralmente seus relacionamentos não iam tão longe. O mais duradouro até hoje durara quatro meses.
– Dany? — Miguel a chamava pelo que não parecia a primeira vez.
– Ahn? — disse o olhando.
– Perguntei se você se importa se eu for levar Marina em casa — disse novamente.
– Não — ela respondeu piscando os olhos repetidas vezes.
Miguel sai com Marina deixando os dois sozinhos, para o desespero de Daniela. Ela olhou para Gabriel e sorriu timidamente.
– Tudo bem. Eu não mordo — ele disse sorrindo — A não ser que você queira.
Dany sentiu o rosto corar mas soltou um risinho suave.
–Mordidas são legais-Ela diz-Então somos um casal? Digo, estamos namorando?
– Sim. Eu acho que sim. A não ser que você não queira... — ele disse mas logo ela balançou a cabeça.
– Eu quero — ela sorriu para ele. Os dedos do rapaz se enroscavam em seu cabelo e depois acariciavam suas bochechas como se ele quisesse guardar cada detalhe dela em seu tato. A maciez dos cabelos, a suavidade da pele, o modo como ela se arrepiou quando sua mão passou pelo pescoço dela...
Daniela tomou a iniciativa e o beijou dessa vez.
Os dois estavam se beijando como se namorassem a meses, sendo que aquele era o primeiro dia de namoro. Daniela ainda era virgem, não sabia bem o que fazer. Ela se deitou no sofa deixando Gabriel por cima dela
Ele acompanhou seu corpo apoiando-se sobre o braço do sofá a fim de não cair totalmente sobre ela.
Mas era com o próximo passo que Dany se preocupava. Agora ele infiltrava a mão por baixo de sua camiseta parando na altura da cintura e os beijos desciam por seu pescoço provocando-a.
: -Ga...Eu nunca...-Ela diz um pouco sem fôlego. O menino se levanta rapidamente e a olha espantado.
–Nunca?! Devia ter avisado!
Ela morde o lábio brigando consigo mesma. Realmente devia ter avisado.
– Desculpa — diz sem olhá-lo diretamente. Em parte por vergonha, em outra parte por uma tristeza inexplicável.
–Tudo bem. Não que eu não queira, fico até feliz de saber que serei o primeiro mas... Não hoje. Tipo, é nosso primeiro dia como namorados. Você tem que ter mais confiança em mim, e eu farei ser mais do que especial. Ok?-Ele diz ajoelhado em frente do sofá olhando nos olhos dela.
Ela se sentou e o puxou para um abraço. Ele retribuiu o gesto colocando o rosto em seu ombro.
– Eu te amo — ele diz baixinho e ela assente.
– Eu sei. Eu também te amo — diz passando os dedos no cabelo castanho claro do rapaz.
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