Depois da Meia Noite.
2 O banho
Notas iniciais
Gabriel havia levado a garota para o banheiro e limpado os próprios sapatos enquanto ela terminava de vomitar. Ele a olhou e suspirou.
– Vou procurar Miguel ou Ariel. Fique aqui — Mas antes que ele pudesse sair ela o segurou pela manga da camiseta.
– Ariel! Por favor, chame Ariel ou Ester! Não chame o Miguel — ela disse com os olhos suplicantes.
– Tudo bem. Só não saia daqui — Assim ele saiu do banheiro para procurar uma das meninas. Encontrou Ester primeiro e explicou a situação.
– Não sei porque ela bebe tanto! — ele disse num tom de reprovação.
– Eu só dei um copo para ela! Eu sei lá quem deu mais — e saiu o seguindo para ir até a amiga.
Ariel e Ester se esbarraram na porta do banheiro.
–Veio ver a Daniela?-Ester pergunta e Ariel franziu o cenho
–O que tem ela?-A irmã da bêbada pergunta
–Vamos ver...-Ester suspira
Elas entraram e viram uma dos Albuquerques com a cabeça encostada na parede e os joelhos junto ao corpo. Apesar da situação ela sorria
–Olha aí a bêbada...-Ariel riu e deu um chute de brincadeira
–Ariel!-Ester a repreendeu, de longe ela não estava sóbria.-De novo, Dany? Não entende de marca e qualidade, mas entende de beber?!-Daniela apenas riu como uma criança. -Me ajuda a levar ela pro quarto da Marina, Ari.-E as duas içaram Dani pelos braços.
Subiram as escadas atravessando a multidão. Assim que entraram no quarto viram Marina em cima de um rapaz.
–Argh! Que nojo, Marina.-Assustada por ser pega no flagra ela se vira, expondo que ela estava sem sutiã, e acabou caindo para fora da cama. O garoto se levantou e, surpreendentemente, era Miguel.
–Porra...-Ariel sussurrou.
Miguel olhava as duas e, por mais surpreendente que fosse, parecia envergonhado.
Marina estava de costas se vestindo e murmurando alguns palavrões. Alguns que se quer existiam.
– Vocês deveriam estar cuidando do garanhão ai e não de mim — Daniela disse com a voz embargada e seguida por uma gargalhada curta.
– Ela tá bêbada? — ele perguntou se enfiando nas roupas.
– Isso é novidade nas festa?!- Ester perguntou tentando não o encarar enquanto se vestia.
Só então Marina se virou tentando arrumar os cabelos.
– Bater na porta é interessante, meninas. Até mesmo quando bêbadas — disse cruzando os braços.
–Trancar a porta também. Agora dá licença que a Daniela precisa de um banho.-Ester diz arrastando a amiga, deixando Ariel jogada no chão ainda rindo.
–Cacete, Ariel. Fecha a porra da boca!-Ariel encarou Marina mas não resistiu e voltou a rir
No banheiro Ester ligou o chuveiro no frio e pôs a amiga debaixo do mesmo e trancou o box.
–Abre essa merda! Ta gelada! Cara, Ester eu vou te bater!-Ester voltou pro quarto
–Marina me dá umas roupas suas, pra por na Dany.-Marina pegou um short e uma blusa e deu pra Ester.
Miguel desceu de volta pra multidão e Marina se viu indecisa de segui-lo ou não.
–Fica aí, loira. Temos que conversar.-Ariel disse já recuperada do acesso de riso-Miguel, sério? Ta míope?
– Você fala isso porque ele é seu irmão — ela disse semicerrando os olhos.
– Tem razão. E porque convivo com ele. Sério... Você tem opções melhores! — ela se sentou na cama e depois levantou se lembrando da figura do irmão ali — Mas então — começou sem segurar a curiosidade -, ele é bom?
– Ahn?! — Marina a encarava incrédula.
– De cama. Ele é bom de cama? — perguntou de novo e um travesseiro voou em sua cabeça.
– SUA ABUSADA!
–Eitaaa! Calma a periquita! Se quiser eu chamo o Miguel. -Ela diz e sai correndo pelo quarto.
–Ariel!-Reclamou avermelhada-Ele é gato. Aqueles alargadores... O cabelo macio... Os lábios...-A cara de nojo que Ariel fez foi engraçada ao ponto de Marina afastar os pensamentos sobre o garoto e rir
–Que nojinho. Só queria saber se ele é bom no sexo. Nem detalhes. Só um, talvez...-Ariel pausou
–Vou me arrpender... Fala!-Marina disse se sentando na cama
–É grande?- A garota loira sentiu o rosto esquentar e apenas balançou a cabeça num sinal afirmativo e dessa vez Ariel apenas sorriu.
– É... Pelo menos algo tem que valer a pena nele.
As duas pararam de conversar quando os gritos vieram do banheiro.
– ENTRA DEBAIXO DO CHUVEIRO, CARALHO! — era Ester gritando e escorregando no piso batendo o braço contra o box.
– A ÁGUA TÁ FRIA PRA PORRA! ENTRA VOCÊ! — e com isso Daniela a puxou para dentro do box a fazendo gritar com a água fria.
Tanto Ariel quanto Marina começaram a rir.
– Vai lá. Você também parece estar bêbada — Marina disse.
– Olha quem fala — respondeu se espreguiçando.
–Cala a boca! Eu sei o que eu to fazendo.-Ariel ergueu uma sobrancelha com desdém.
–CARALHO DANIELA ENTRA NESSA MERDA LOGO!-Ester grita e Marina levantou e entrou o banheiro
–QUE BAGUNÇA DO CÃO É ESSA?-Ariel deixou as três no banheiro e saiu do quarto.
Lá em baixo todos estavam alheios, bêbados, e doidos. Ela desceu as escadas e procurou o irmão
–Olha só... Te achei! -Ela o viu de costas. Ele virou lentamente sem tirar o copo da boca.-Marina?! Quem diria, hein, você não é tão cu frouxo. Se magoar ela, faço seu cu não tão frouxo, afrouxar tanto que vai entrar o João Baleia da segunda série entrar aí. To de olho!-Ela fez aquele movimento com dois dedos nos olhos e apontando para o irmão
Ele apenas balançou a cabeça com uma expressão indignada.
– Você atrapalha a foda e eu levo a bronca? Ah, não fode, Ariel! Vai cuidar da Daniela, vai!- ele tomou mais um gole da bebida em sua mão e se virou novamente. Ariel o puxou pelo colarinho.
– Para com isso! Com toda essa indiferença irritante! Principalmente com a Dany! — suas sobrancelhas estavam franzidas numa expressão de raiva e dor. A muito o irmão as vinha tratando com descaso.
– Ariel. Não. Fode! — e com isso ele deu as costas e saiu andando deixando-a plantanda onde estava.
Ariel estava agora sozinha. Ela sentou no balcão onde tinha umas garrafas e pegou uma. Ela ia bebendo do gargalo mesmo, até que as amigas desceram as escadas e a encontraram.
–Outra bêbada?-Ester perguntou tentando tirar a garrafa da mão da menina.
–Não to bêbada. To bem.-Diz e desce do balcão.-Alguém viu o Alex?
As meninas balançaram a cabeça. Estavam todas lá em cima e não faziam ideia.
– Não acha melhor procurar o Arthur para ele levar vocês para casa? — Ester perguntou o mais solidária possível.
– Não quero ir para casa. Quero achar o Alex! — E com isso ela se levantou levando a garrafa.
Dany se sentou onde a irmã estava.
– Eu quero ir para casa... — disse com voz inocente e cansada.
–Vocês três são tão diferentes um do outro, nem parecem irmãos.-Marina comentou
–E não somos. Eles são, mas eu não.-Dany diz
–Ai, que porra, Daniela! Vocês são sim! Com o tempo, principalmente desde criança, vocês pegam características um do outro. Larga de drama.-Ester repreendeu
–Miguel não acha isso.-Argumenta de novo
–Ele chuta até a Ariel, já pensou ser atriz?!-Marina se intrometeu
– Ester quer ser atriz — comentou pendendo a cabeça para o lado — Gabriel deve estar furioso comigo — disse recordando ter vomitado nos sapatos dele.
– Aposto que não — Marina disse com um sorriso simpático — Aquele cara te adora. Não me surpreenderia se os cadernos dele fossem rabiscados com corações com seu nome dentro.
Com esse comentário Daniela fez um pequena careta.
–Achei que ele era hétero.-As amigas riem. Daniela levanta o olhar e vê Arthur conversando com Miguel, ela vê Arthur jogar algo longe e logo Miguel levanta esbravejando e empurrando o amigo.
–Vamos andar? Ver as estrelas?-Dany da a idéia e as amigas concordam. Marina vai na cozinha e pega uma garrafa de Jack Daniel's lacrada e sai junto das outras duas.
Elas saíram andando pelo terreno da residência. Os pais de Marina eram ricos e tinham tanto uma casa quanto um jardim entanto.
As meninas tomavam a bebida no gargalo da garrafa passando de mão em mão.
– Gente... eu espero que nenhuma de vocês esteja com ebola — Daniela disse fazendo as outras duas rirem.
– Seria incrivelmente trágico — Ester disse entre um riso e outro.
– Sem dúvidas — completou Marina.
Elas se sentaram em um canto que não havia ninguém e ficaram olhando as estrelas.
–Há quanto tempo você e o Miguel tão juntos?-Daniela perguntou pra Marina
–Que horas são?-Marina responde com outra pergunta
–Duas.-Ester se intromete
–Faz duas horas, Danizinha.-Responde fazendo pouco caso e entorna a garrafa.
–Nossa... Acho que foi a relação mais longa dele.-Dany ri e pega a garrafa.
As três ficam quietas só bebendo até que Ariel se aproxima.
–Eai, barangas!-Ela se joga no chão e tira algo do bolso. Ela pega um cigarro, e de longe não era o comum, e ascende.
–Tem mais?-Marina pergunta e inocentemente Ester se intromete.
–O que é isso?
–Pitulito de chocolate.-Ariel responde e Marina ri junto a ela.
–É maconha, Ester.-Dany diz pegando o cigarro da boca da irmã e tragando e soltando a fumaça e depois deu para Marina. Ariel tira mais um do bolso e ascende.
–Você é pura, não pode.-Ariel se dirige a Ester.
– Se eu quiser, eu posso — ela disse empinando o nariz mas mesmo assim não pegou o cigarro — Vocês três são os irmãos incorretos. Um é cafetão, uma é bêbada e a outra drogada.
Daniela riu junto com Ariel.
– Uau. Somos um trio bem agitado — Ariel declarou soltando fumaça no ar — Gente, me sinto um trenzinho.
Isso foi o suficiente para as outras três rirem.
Dany e Marina tragaram o resto do cigarro enquanto Ester aproveitava o resto da bebida.
–Eu quero minha casa... Não aguento mais essa gente. Vamo, Dany?-Ariel se deita no colo da irmã, totalmente envolvida pela erva
–Tem que ver com o Arthur. Viemos com ele.-Daniela diz, ela estava deitada na grama, igualmente Ester. Marina tinha pegado no sono.
–Dane-se o Arthur, eu quero minha cama, porra!-Ariel agia como um bebê
–VAI SOZINHA ENTÃO CARALHO.-Daniela grita fazendo a irmã levantar meio zonza mas indo até a saída para realmente ir embora.
–E ela foi-Ester ri
E então pra elas a noite acabou, elas acabaram adormecendo ali mesmo.
Fale com o autor