Depois da Guerra do Inverno
8 Renji e Rukia – Parte 2
Notas iniciais
Renji e Rukia permaneciam sem se falar, mas haveria uma ocasião para acabar com aquilo: os dois haviam combinado, a mais de um mês, para coincidir com uma folga de ambos, que comemorariam seu aniversário juntos (faziam anos que não faziam isso e combinaram de reviver a festa). Renji estava determinado – com um empurrãozinho de Ichigo – a acertar aquela bagunça de vez com Rukia e ser egoísta pela primeira vez na sua vida.
Os dois deveriam se encontrar no jardim da 6ª divisão, à noite, onde teriam privacidade, e comemorar o aniversário – com a tradicional troca de ‘lembrancinhas’ (eles sempre escolhiam alguma coisa que era parecida e riam todas as vezes). Uma semana antes da combinada, surgiu um compromisso, na família Kuchiki, ao qual Rukia e Byakuya teriam que atender – mesmo assim Renji deu um jeito para estar livre no dia marcado e teve certeza que Rukia faria o mesmo.
[Na cede da família Kuchiki]
Rukia e Byakuya conversavam tomando um pouco de chá na varanda da mansão até um empregado interromper e entregar um presente que havia chegado para Rukia. O empregado saiu e ela abriu o embrulho branco com cristais de gelo desenhados muito animada. Ela havia ganhado um belo grampo de cabelo; este em um tom claro de azul, com delicados e bem trabalhados detalhes e contornos prateados, com uma flor de lótus em meio a pequenas pedrinhas e com três leves barbantes até a altura da orelha.
Ela havia amado aquilo! Enquanto colocava o prendedor, pediu que seu irmão lesse a carta que veio junto do mesmo – Byakuya jurava que já havia visto aquela caligrafia em algum lugar...mas ignorou e começou a ler; assustando a si mesmo e a Rukia.
{Carta ON}
Rukia, eu espero que tudo esteja bem. Como você não veio na data combinada, acabei pensando que algo lhe aconteceu; mas tenho certeza de que tudo está bem. Espero que o prendedor que enviei fique tão lindo em você quanto eu imaginei que ficaria quando o vi.
Admito ter ficado muito triste por você ter se esquecido do nosso combinado e eu não ter a oportunidade de dizer tudo que quero olhando nos seus olhos; mas eu entendo que você tem uma vida diferente da minha.
O que queria lhe dizer é: Como pode dizer que nossa visita ao túmulo de nossos familiares era ‘nada de mais’? Eu sei que você ganhou uma família de verdade, mas isso não significa que você esqueceu de tudo que viveu com a família que montamos quando crianças.... Certo?
Sei que não sou eu a julgar você, suas ações e seus pensamentos. Eu nunca fui egoísta de lhe dizer tudo que queria; impedir você de ser levada para uma família para não sentir o vazio de perder a minha; e sequer de pensar que a distância que se formou entre nós na Academia nos levaria a essa situação triste de hoje.
Eu fiquei nervoso com você por você ter se referido daquela forma tão... indiferente a nossa família. Mas tudo isso eu posso entender; e apenas me arrependo de não poder estar diante de você para lhe dizer isso: Eu te amo.
Espero que tudo continue a correr bem durante sua estadia na cede de sua família, Renji.
PS..: Espero que o chapy que tentei desenhar na lateral do papel tenha ficado como você gosta. E feliz aniversário.
{Carta OFF]
Byakuya estava de olhos arregalados enquanto Rukia havia paralisado e começado a deixar insistentes veios de lagrimas escorrerem. Quando ela perguntou a Byakuya que dia da semana era, ela finalmente percebeu que havia perdido a data do aniversário com Renji.
Ela retirou um pequeno embrulho vermelho com azul de dentro do kimono, se levantou segurando seu prendedor novo e saiu correndo para encontrar Renji. Byakuya já havia namorado e casado um dia na vida, então sabia que aquilo era alguma coisa e entendeu o porquê dos dois estarem agindo daquela forma desde a missão.
Ele decidiu que falaria com ambos sobre o assunto quando uma oportunidade surgisse – já planejava em sua mente o que faria para que a oportunidade viesse na velocidade esperada.
[No jardim do 6º esquadrão]
Renji já havia tido outra séria conversa com Ichigo sobre o problema com Rukia – ele não compreendia como o amigo podia deixar tudo daquela forma e suportar a dor de não saber os sentimentos reais de Rukia por ele.
Renji ficava no jardim do esquadrão, no horário que haviam combinado, já a três dias – desde que Rukia não veio. Ele ainda estava triste sobre isso, mas aceitaria o fato dela viver uma vida diferente da sua.
— Renji! – ele foi retirado de seus pensamentos por uma voz feminina.
— Rukia!? – ela o encarava triste e cansada.
— Eu sinto muito! – ela não deu tempo dele responde-la – Eu disse aquilo sem pensar. Não sabia como apresentar a família para o Nii-sama e o taichou e acebei falando aquela bobagem. É claro que não me esqueci do que vivemos. Nem por um segundo! – ela tomava folego enquanto Renji a olhava surpreso – Eu não queria que esta distância tivesse se formado entre nós tanto quanto você. E.... – ela hesitou um pouco em continuar, respirou fundo e disse um pouco vermelha – Eu também te amo.
Aquelas últimas palavras eram tudo que ele mais sonhou ouvir dela na vida! O mais profundo e secreto desejo de seu coração. Ele não pensou duas vezes em abraçá-la com todo carinho – e ela o correspondeu muito feliz e satisfeita.
— Eu prometo que vou pensar melhor em como estou falando e me comportando perto de você. – ela começou olhando fixamente nos olhos de Renji – E saiba que não me importo de arriscar tudo por nós dois. – ela finalizou e Renji nunca se sentiu tão feliz.
Ele deixou aquela emoção tomar conta de seus atos e beijou Rukia. Ela ficou surpresa, mas deixou que aquele momento fluísse. Nenhum dos dois poderia estar mais feliz por finalmente terem admitido seus sentimentos. Depois ela entregou a ele o presente que havia escolhido: era um novo prendedor de cabelo para Renji (como ele tinha muito e não cortava estava ficando difícil de prender).
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Renji tirou um dia para falar com Byakuya sobre seu real relacionamento com Rukia – encarar seu superior naquela situação seria difícil, mas daria um jeito (ele já estava sabendo que Byakuya havia lido sua carta para Rukia). Byakuya estava sentado de frente para Renji, cada um com uma pequena xicara de chá e ele esperava para ver o que Renji lhe diria.
Renji foi direto. Contou toda verdade para Byakuya. Falou sobre a família que tinha com Rukia, comentou sobre algumas das aventuras e travessuras que os mesmos fizeram no distrito e juntou toda coragem para falar de seus sentimentos por ela. Byakuya o escutava atentamente e aproveitou para esclarecer algumas dúvidas sobre o passado dos dois.
Byakuya começou a falar seriamente com Renji quando o mesmo terminou tudo que queria dizer. Na opinião de Byakuya, Renji até que era forte, poderia aprender como a interação de sua família funciona – com muito esforço e dedicação – e tinha uma capacidade boa de raciocínio e discernimento para algumas situações importantes.
Byakuya considerou tudo, e acabou consentindo que Renji e Rukia namorassem. Ele alertou Abarai que o caminho para que os dois ficassem juntos não seria nem um pouco fácil, sobre os problemas que viriam com os anciões de sua família quando a notícia chegasse até eles e que não pegaria nem um pouco leve com ele nas lições e treinamentos que precisaria receber.
Renji estava surpreso e feliz por seu superior ter consentido seu romance, já imaginava como seria aprender tudo que precisava sobre a supervisão de Byakuya, estava ansioso para contar a novidade a Rukia e admirado pelo curto pensamento compartilhado rapidamente com ele: “Eu também já enfrentei tudo pela pessoa que amava” – estas palavras bateram nele como se estivesse alucinando por seu superior ter dividido aquilo e esboçado um discreto e leve sorriso.
Todo aquele turbilhão de emoções culminou em um indescritível sorriso de Renji e um grande agradecimento do mesmo para Byakuya.
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Naquela noite, Renji contou a novidade para Rukia. Ela ficou muito feliz, agradeceu seu irmão e abraçou Renji com toda força e carinho que tinha – como ele era mais alto que ela, suas pernas não tocavam o chão direito quando ela o abraçava sem que ele desse uma abaixada (deixando uma cômica cena diante dos olhos de Byakuya).

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