Depois da Guerra
3 Capítulo 3
Tinha passado um mês desde a batalha final. A construção de Hogwarts progredia rapidamente. Foram muitos os voluntários que apareceram para ajudar.
A maioria das pessoas que procuraram refúgio após a guerra, já tinha voltado para casa. Poucos foram aqueles que permaneceram, Harry e Hermione pertenciam ao último grupo.
Era hora do almoço e a maioria dos bruxos naquele castelo encontrava-se no salão principal a recarregar as energias. O trio de ouro terminava a sua refeição.
— As reparações estão quase completas. Já pensaram no que querem fazer depois que terminarem? – Questionou Harry.
— Depois que a Professora McGonagall falou com os meus pais sobre a reabertura de Hogwarts em setembro, a minha mãe tem-me chateado para voltar e completar os estudos, mas eu não quero. – Respondeu Ronald. – Depois de tudo o que passamos quero paz e sossego durante mais algum tempo. Não vai ser fácil convencê-la. Pensei em ajudar os gémeos na loja durante algum tempo.
— A nossa educação é importante. Apesar de sermos “Heróis da Guerra” não podemos descurar dos estudos. – Disse Hermione imitando com os dedos o sinal de aspas para se referir a heróis de guerra. – Se quisermos um bom trabalho no futuro, temos de terminar os nossos estudos. Eu pretendo voltar em setembro e talvez candidatar-me depois para um estágio no Ministério.
— Porque é que isso não me surpreende. – Retorquiu o ruivo. – Não é surpresa nenhuma que voltasses em setembro. Não percebo porque queres trabalhar no Ministério. Os anos passados não te deram a entender que aquele lugar é corrupto? Não é porque uma guerra terminou que vai deixar de o ser.
— Pode até ser verdade, mas estando lá pelo menos posso tentar contribuir para que tudo seja melhor. – Salientou a amiga. – E tu Harry?
— Ainda não pensei muito no assunto para ser sincero. – Respondeu o moreno. – Recebi uma oferta do Ministério para integrar a nova turma de aurores, mas depois de tudo o que passamos não considero que seja a melhor opção. Já passei por demasiados duelos, batalhas, vi demasiadas mortes, corri demasiado perigo. Não quero passar por tudo novamente. Já atingi o meu limite.
— Ainda bem que temos algum tempo para decidir. – Falou o ruivo de boca cheia, afinal velhos hábitos não são fáceis de mudar. – Quando é que vocês voltam lá para casa? – Questionou. – A dona Molly tem-me perguntado quase todos os dias e a minha irmã também. Como é que estão as coisas entre vocês os dois?
— Temos trocado algumas mensagens. – Começou o moreno. – Sinceramente, temos falado poucas vezes, mas não por falta de insistência da parte dela. Eu percebo que ela tem tentado reatar o relacionamento que tínhamos, mas não sei o que fazer. Tudo está diferente. – Concluiu.
— Eu até percebo o lado dela. – Prenunciou-se a Hermione. – Temos trocado correspondência e ela tem perguntado muitas vezes por ti. Vocês iniciaram um relacionamento durante a guerra que foi terminado por ti e cujo motivo não fazia grande sentido.
— A segurança dela não era motivo suficiente? – Interrompeu o Harry.
— Meu caro, eu e Hermione somos os teus melhores amigos e a minha família para além de ser traidora do próprio sangue, eramos integrantes da Ordem da Fénix e dos maiores apoiantes de Dumbledore. Toda a gente sabia que nos consideravas família. Nunca estivemos em segurança. Todos nós tínhamos um alvo nas costas, incluindo ela. Não foi por deixar de ser tua namorada que a minha irmã deixou de estar em menos perigo. – Justificou o Ronald.
— Por mais estranho que pareça, concordo plenamente com o Ronald. – Falou Hermione. – Já passou um mês desde que a guerra terminou, está na altura de vocês conversarem sobre aquilo que realmente querem para que possam seguir em frente. Juntos ou separados.
— Já percebi. Não precisam de continuar. – Cedeu Harry. – Irei enviar uma mensagem para a Ginny para resolvermos a situação.
Não demorou muito para que terminassem de almoçar e voltassem a ajudar no que faltava na reconstrução da escola.
Assim que deram por terminado o dia de trabalho, o ruivo voltou para casa. Harry aproveitou, escreveu para Ginny e pediu a um elfo para enviar o recado por uma das corujas da escola. Estava muito cansado com o dia que tivera para subir todos aqueles lances de escadas para chegar à torre onde estavam as corujas. Deitou-se na cama e não tardou em adormecer.
Os dias seguintes foram agitados em Hogwarts, com os voluntários trabalhando arduamente para concluir as obras de reconstrução. Harry aguardava ansiosamente pela resposta de Ginny, enquanto tentava concentrar-se nas tarefas diárias. Ele e Hermione eram presenças constantes na reconstrução, mas os seus pensamentos frequentemente vagavam para o futuro incerto que o aguardava.
Numa manhã ensolarada, Harry recebeu uma coruja. O coração acelerou enquanto desenrolava a mensagem de Ginny. "Encontre-me na Sala Precisa esta noite. Precisamos conversar", dizia o bilhete. Harry sentiu uma mistura de nervosismo e esperança. Ele passou o dia a tentar não pensar demasiado sobre o que estava por vir.
Ao anoitecer, ele dirigiu-se à Sala Precisa, um lugar repleto de memórias de encontros secretos e confidências. Ginny já estava lá, encarando-o com uma expressão séria. Sentaram-se nas poltronas que a sala lhes disponibilizou e o silêncio pesado pairou entre eles por um momento.
Finalmente, Ginny quebrou o silêncio:
— Harry, temos de conversar sobre nós. Sobre o que aconteceu durante a guerra e sobre o que mudou desde então.
Harry assentiu, nervoso, esperando que as palavras de Ginny não trouxessem um fim definitivo para o que um dia compartilharam.
— Eu entendo que a guerra nos mudou a todos. — Continuou ela. — Sei que passaste por muita coisa, e eu também. Mas não podemos continuar a evitar esta conversa. Precisamos de ser honestos um com o outro.
Harry suspirou, aliviado pela abordagem direta de Ginny, era uma das qualidades que realmente apreciava na ruiva e por isso respondeu-lhe:
— Tens razão. Não tem sido fácil para mim também, Ginny. Eu sinto muito por tudo o que aconteceu.
Ginny assentiu, olhando nos olhos de Harry.
— Eu também sinto muito pela forma como as coisas terminaram. – Concordou a ruiva. — Eu sei que a segurança era uma preocupação, mas também acredito que poderíamos ter enfrentado isso juntos.
Harry baixou os olhos por um momento, sentindo o peso da responsabilidade.
— Eu estava com medo, Ginny. Medo de te perder, de perder todos vocês. Não queria arriscar mais vidas. Muita gente de quem eu gostava e era próxima a mim, morreu por minha culpa. Não queria ser responsável por mais acontecimentos iguais a esses.
Ela colocou a mão no ombro de Harry e disse:
— Eu compreendo, Harry. Mas precisamos decidir o que queremos agora. Se podemos superar isso ou se é hora de seguir caminhos separados.
Os dois passaram a noite a conversar sobre as suas preocupações, medos e esperanças. No final, concordaram em tentar novamente, com a promessa de uma comunicação mais aberta e apoio mútuo. Harry sentiu como se um peso tivesse sido retirado dos seus ombros, mas sabia que o caminho à frente não seria fácil.
Os dias seguintes foram dedicados à continuação da reconstrução de Hogwarts e à reorganização da vida após a guerra. Hermione seguiu firme na sua decisão de retornar às aulas em setembro, enquanto Ron continuava a ajudar os gêmeos na loja.
Quanto a Harry, ele decidiu recusar a oferta do Ministério para se tornar auror, pelo menos, num futuro próximo. Em vez disso, optou por explorar novos horizontes, ajudando na reconstrução e colaborando com os esforços para ajudar de alguma forma as aqueles que perderam ente queridos na guerra. Ele descobriu uma satisfação em trabalhar para construir um mundo melhor, sem depender exclusivamente da ação direta. Talvez retornasse em setembro com Hermione enquanto não decidisse exatamente sobre o que iria fazer.
À medida que o verão se despediu e Hogwarts se aproximava da conclusão de suas obras, o trio de ouro se viu diante de um futuro incerto, mas repleto de oportunidades para mudanças positivas. O castelo, agora reconstruído, tornou-se um símbolo não apenas de resistência, mas também de esperança e renovação para todos os bruxos e bruxas que lutaram e sofreram durante a guerra.
Fale com o autor