Depois Do Fim

7 Hospital For Souls


Letícia acordou em um quarto comum, de paredes tão brancas que fez seus olhos doerem, enquanto acostumavam-se com a luz. Grandes olhos castanhos a encaravam.

—Ela está acordando — diz a dona daqueles olhos, uma linda garota de cabelos castanhos cacheados e pele cor de café com leite.

Uma segunda garota chega, com olhos frios e negros, da mesma cor dos cabelos compridos e pele muito branca. Examina Letícia com os olhos por alguns segundos antes de se aproximar.

—Por que tentou atirar na gente? — fala ela, duramente. Letícia a olhava, confusa; sem saber do que a menina falava.

—Ataque alienígena... Acho que ela é piradinha — diz a primeira garota.

—Que ridículo! Não vê que isso é a vida real, garota? — grita para Letícia encarando-a furiosamente.

—Se acalma, Ice Queen, todos nós reagimos a isso de formas diferentes. Deixe que eu falo com ela. — fala um garoto, encostado na porta que, até então, Letícia nem havia notado.

As duas garotas saem sem protestar. Deixando Letícia e o garoto a sós.

—Desculpe, a Ice Queen é um pouco impulsiva e grossa às vezes, não está lidando muito bem com tudo isso.

—Meu nome é Gustavo. — ele diz, estendendo a mão a ela, com um sorriso simpático no rosto.

—Letícia — diz ela, apertando a mão dele e sorrindo nervosamente. —Ice Queen? Esse é mesmo o nome dela?

—Claro que não — ele ri. —Ela se recusou a dizer o nome dela, então a apelidamos de Ice Queen. Bem a cara dela, não é? — ela assente.

—Eu pensei que era a única sobrevivente — ela diz, ainda sorrindo nervosamente e sentando-se na cama.

—Nesse nosso grupinho têm eu, a Ice Queen, a Natália que era a garota que estava aqui, o Henri e o Matheus, o garoto cujo pé você quase acertou.

—Eu quase atirei no pé dele?

—Sim, você não lembra? — ele fala, com um leve ar de preocupação repentina. —Será que você bateu a cabeça? — continua, colocando a mão na testa dela, perigosamente próximo, fazendo-a corar.

—A-acho que eu pensei que ele era um alienígena... — ela diz, desviando o olhar, envergonhada, e ele ri.

—Ele é meio estranho mas não é pra tanto... — ele comenta, ainda rindo

—Acha que está bem para conhecer o pessoal? — ela acena a cabeça afirmativamente, levantando-se.

—Estamos em um hospital? — ela indaga.

—Sim, como soube?

—Pelo cheiro... — ele sorri, havia gostado daquela garota estranha, e faz um sinal para que ela o siga.