Depois Do Dia Dos Namorados - Parte 3
98 Capítulo 98
O clima relaxado pareceu evaporar quando as duas desceram do carro e foram recebidas pelos braços de Maribel. A mulher estava visivelmente cansada e Santana sentiu seus braços a envolverem como se quisessem apagar qualquer tipo de dor que a filha pudesse estar sentindo.
A médica se deixou apreciar o carinho, sabendo que a mãe ainda se sentia culpada sobre a avó, mesmo depois de tanto tempo. Maribel queria poder voltar atrás e ter passado mais tempo com a filha ao invés de fugir em duas semanas de férias e depois manter Santana afastada quando esteve de volta a casa.
Soltando a filha, a mulher voltou-se para a nora e abraçou Britt com carinho, sabendo que qualquer coisa que Santana estivesse sentindo, Britt estaria com ela.
- Vocês foram bem de viagem? (ela perguntou enquanto Fernando tirava a mala do carro e levava para dentro de casa).
- Foi tranquila... (Britt respondeu entrando na casa, sabendo que Santana não saberia o que dizer).
- Bom... eu preparei um lanche leve e o quarto está pronto, então vocês devem comer um pouco e então tentar descançar...
- Mãe... (Santana começou um pouco anciosa).
- Ela não estará acordada hija... (Maribel falou com carinho). E você ficará melhor se descansarem um pouco... Para ser forte... (uma lágrima escorreu dos olhos da mãe e Santana não conseguiu evitar a preocupação).
- O que diabos está acontecendo com ela mami? (ela perguntou nervosa).
- Eu não sei explicar San... Você sabe, os médicos falaram com todas aquelas palavras estranhas e seu pai acenou confirmando a compreensão, mas eu não sei... (a mulher chorou sendo abraçada pela filha). Ela parecia realmente angustiada e ficava chamando por vocês enquanto a equipe a levava para o quarto... Então teve a cirurgia...
- Cirurgia? (Santana não entendia como poderia ter acontecido tã rápido). A quanto tempo ela está assim? (A médica perguntou se afastando).
- Desde a manhã de ontem... (Maribel respondeu tristemente). Eu quis chamar, mas seu pai... Bem ele não queria que ela as ferisse novamente, então pediu para que esperassêmos... Até tudo estar controlado...
Santana queria gritar, chorar, bater em alguém. Sua abuela tinha sido nada mais que uma lembrança nos últimos anos, mas ela a amava e se alguma coisa estivesse errado, ela queria saber...
- San... (Maribel chamou, vendo o sofrimento da filha).
- Não (Santana respondeu afastando-a com a mão). Eu preciso de um tempo... (continuou deixando a mãe e a esposa na sala, caminhando decidida em direção ao quarto).
- Ok... (Britt suspirou sem graça, ela não tinha certeza se Santana queria que ela fosse estar com ela, mas não queria deixar a esposa sozinha, então olhou para Maribel em um pedido silencioso de desculpas). Acho que eu devo subir e ficar com ela... (Maribel concordou tristemente e a baiarina se afastou).
A porta do quarto estava fechada, mas Santana não tinha passado a chave, o que fez Britt respirar um pouco mais aliviada. Ao ver a porta ela tinha lembrado de quantas vezes, em sua adolecência, tinha sido preciso ficar horas batento e chamando até que Santana aparecesse, com o rosto completamente maquiado para esconder que havia chorado.
Britt olhu a esposa deitada na cama e suspirou aproximando-se devagar.
- San? (ela chamou e a morena a olhou com os olhos cheios de lágrimas). Eu posso ficar aqui com você?
Britt parecia tão quebrada ao perguntar que Santana não consiguiu deixar de pensar em como a situação a atingia também. Britt estava sofrendo tanto quanto Santana. Talvez não pelos mesmos motivos, mas era claro que ela precisava da esposa assim como Santana precisava dela.
Com um sorriso de desculpas Santana abriu os braços e esperou que Britt deitasse entre eles, abraçando-a também. Era confortável e seguro estar assim, presas nos braços uma da outra, ouvindo apenas as batidas suaves de seus corações e sentindo a respiração quente tão perto.
- Eu estou aqui com você... (Britt falou baixinho, sabendo que Santana precisava de conforto. A morena escondeu o rosto contra o peito da esposa movimentando-o e concentimento, sabendo que qualquer palavra poderia desencadear uma nova tempestade de lágrimas). Eu jamais vou deixar você sozinha... (Britt continuou passando a mão carihosamente pelo braço da morena).
- Ela deveria ter me falado antes Britt... (Santana chorou). Eles não deveriam ter me mantido por fora, como se eu não me importasse, ou não merecesse saber...
- San... Seu pai estava apenas tentando protegê-la... (Britt respondeu baixinho, com cuidado para não irritar a esposa).
Santana ficou em silêncio por alguns minutos e Britt debateu se não teria dito a coisa errada.
- Eu sei... (a morena falou finalmente, a voz rouca de choro, os braços apertando ainda mais o corpo da loira). Eu sei que eles queriam nos proteger, mais ainda assim dói...
- Eu sei amor... Eu sei... (Britt sussurrou embalando a mulher em seus braços, na esperança de levá-la a dormir um pouco).
Santana não chegou a dormir, mas o carinho de Britt a acalmou e em pouco tempo ela não estava mais chorando, apenas em silêncio, perdida em seus pensamentos. Britt também não disse nada, respeitando o momento da esposa, ela sabia que Santana voltaria a falar quando se sentisse pronta.
Passaram-se duas horas até que Santana se moveu em silêncio. Seu rosto ainda estava um pouco inchado, mas ela parecia decidida.
- Você achaque podemos ir vê-la agora? (ela perguntou olhando nos olhos de Britt).
- Você está pronta? (Britt perguntou um pouco preocupada).
- Eu quero apenas terminar com isso para que possamos voltar para a nossa vida...
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