Notas iniciais
voltei!

Santana saiu da sala de cirurgia cansada, mas com o sentimento de dever cumprido, mãe e bebê estavam bem. Ela ohou no relógio para checar a hora e caminhou até o armário para pegar suas coisas. Britt estaria dormindo. A morena respirou profundamente e vestiu suas roupas normais antes de caminhar para a frente do hospital e pegar um táxi para casa. Ela fechou os olhos por todo o caminho e ficou feliz que o tempo tinha simplesmente passado enquanto isso e quando abriu já estava em frente ao seu prédio.

Ela já estava acostumada com os corredores vazios de madrugada e com o silêncio que a acompanhava até o seu apartamento.

Com cuidado para não acordar o par de loiras em sua cama, ela pegou um pijama e caminhou até o banheiro tomando um banho rápido antes de voltar e depositar um beijinho na testa da menina e outro nos lábiosda esposa. Ela sorriu ao observar como Hanna se parecia com Britt quando tinha a mesma idade.

- Eu te amo B... (ela sussurrou dando outro beijo nos lábios da esposa antes de se afastar em direção ao sofá).

Britt abriu os olhos devagar, apenas para ver Santana saindo do quarto. Ela suspirou baixinho e deu um beijinho em sua irmã antes de levantar. Ela sabia que havia algo de errado com Santana, alguma coisa com a qual ela estava tentando lidar sozinha e precisava deixar claro de que não tinha que ser assim.

Recolhendo seu próprio travesseiro ela atravessou o quarto e caminhou em direção a sala, onde sabia que Santana tinha ido se deitar. Como imaginava, Santana estava deitada de costas para a sala, o corpo embolado em um lençol e o cabelo espalhado no travesseiro. Britt deu mais alguns passos silenciosos e deitou ao lado da esposa, abraçando-a por trás.

- B? (Santana perguntou baixinho, sentindo o perfume da esposa).

- Oi amor... (Britt respondeu contra o ouvido de Santana).

- Eu não queria ter te acordado...

- Mas eu queria acordar... (Britt sorriu). Eu acho que eu não conseguralmente pegar no sono... (continuou despertando ainda mais o interesse da esposa, que virou em seus braços).

- Você está nervosa sobre amanhã? (Santana peguntou olhando nos olhos de Britt que brilhavam com a pouca luz que entrava pela janela).

- Um pouco... Eu gostaria que fosse apenas nós duas...

- Eu sei... (Santana respondeu baixinho, ela tinha dúvidas sobre contar que a Dra tinha concordado com o seu pedido). Você não tem medo que eu possa fazer errado? (ela perguntou revelando sua inseguraça).

- San... (Britt sorriu). Não tem como... Você é minha esposa, você tem treinado com a nossa médica e ninguém conhece meu corpo melhor do que você... (terminou dando um selinho na ponta do nariz da morena).

- Mas e se não der certo B?

- Bem, então vamos tentar novamente e continuar tentando até acontecer... Eu tenho certeza que você não vai fazer nada de errado... Mas se você não estiver segura... Eu não quero que você faça alguma coisa que você não quer...

- Mas eu quero fazer... Eu quero que seja só a gente... (Santana admitiu, mesmo com medo).

- Amor, nem casais heteros tem cem porcento de certeza, é uma loteria... Quem sabe uma sementinha encontre o lugar certo desta vez, quem sabe seja preciso repetir outras vezes, mas nada disso vai mudar o que eu sinto por você...

- Mesmo que eu não consiga de primeira? (os olhos de Santana estavam firmes, tentando encontrar segurança na resposta da esposa).

- Mesmo que a gente não consiga na primeira... (Britt respondeu colocando toda a certeza em suas palavras).

Santana percebeu a mudança suave na frase. A diferença entre colocar-se toda a pressão e a responsabilidade contra o fato de que elas não tinham nenhum controle e isso valia para as duas. Britt logicamente não esperava uma solução mágica para o problema, nem estava responsabilizando a esposa sobre elas terem ou não um bebê, elas estavam juntas, uma decisão conjunta e racional que teria implicações em seus hábitos e que mudaria suas vidas. Ela não conseguiria dar este passo com ninguém mais.

- Deus, como eu fui ter tanta sorte? (Santana perguntou com um sorriso). Eu te amo tanto Britt... Obrigada por me ajudar com todas as minhas inseguranças, obrigada por me ajudar a manter a perspectiva quando eu fico ansiosa e cheia de medos, obrigada por me dar coragem...

- Eu te amo San, e eu preciso que você saiba que sempre estarei aqui para você. Você é meu mundo e eu me orgulho tanto de ser tua esposa... Não quero que você fique com medo porque você é a única pessoa, não existe outra, nem homem, nem mulher que possa me fazer mais feliz, me dar mais segurança, não tem outra pessoa com quem eu tenha pensado em formar uma família. Você é a minha família San, independente do que acontecer conosco, você precisa saber disso... Eu te amo, e eu não quero mais ninguém. Você me faz tão feliz, e eu não acho que, depois de tudo que já passamos juntas, algo vá nos impedir de ser mães. Se isso não der certo, ainda podemos pensar em adoção... Nós temos outras opções e eu tenho certeza de que teremos uma família ainda mais linda... Porque nós já temos San, nós temos uma linda família...

Os olhos da morena estavam marejados, pelas palavras da esposa e ela sorriu olhando nos olhos azuis, agradecendo silenciosamente pela sorte de ter Britt ao seu lado.

- Nós temos uma linda família... (Santana respondeu antes de fechar o espaço entre as duas para selar com um beijo a noite).