Santana caminhou devagar em direção ao quarto de seu paciente, esperando não ter que encontrar os pais loucos do garoto em sua visita e respirou mais tranquila quando ouviu Arizona conversando com o menino.

– Dra Lopez! (a médica sorriu ao vê-la chegar). Exatamente quem eu gostaria e falar... (continuou guiando Santana para fora do quarto). Eu preciso falar com você a respeito dos pais de Dylan...

– Tarde demais... (Santana suspirou cansada).

– Tarde demais? (a médica perguntou confusa, os olhos assustados).

– Carol pegou eu e Britt beijando mais cedo, ela nos contou... (Santana explicou dando de ombros). Eu as vezes não acredito que existam pessoas assim...

– Eu sei... E sei que é difícil, mas vamos fazer isso por estas crianças... (Arizona concordou).

– Eu sei, mas o que acontece se os pais descobrem sobre a menina? (Santana perguntou preocupada).

– A menina?

– Carol! Ela é totalmente de quatro pela melhor amiga que aparentemente corresponde aos sentimentos... Eu sei que ela está se fazendo de forte, mas é apenas uma criança...

– Ok, Santana (Arizona chamou a atenção da morena). Eu sei que isso está te incomodando, mas não é nosso trabalho está bem? (ela continuou em um tom sério e Santana se viu concordando automaticamente). Nosso trabalho é garantir o bem estar e a melhora de nosso paciente, então eu vou pedir que você fique longe da família e foque no seu trabalho ok?

– Esta bem, eu vou ser profissional e cuidar do paciente (Santana respondeu séria), mas espero que fique claro, se esta menina confiar em mim para pedir ajuda, eu não vou recuar... Eu sei o que é estar no lugar dela, eu sei o que é ter medo de ser quem você é e tudo bem, meus pais foram ótimos em aceitar minha relação com Britt, mas eu não vou virar as costas para uma menina que está com medo... (ela terminou deixando a sala, seu coração disparado, o estômago revoltado apenas em lembrar como era estar no lugar da menina).

Ela evitou passar pelo corredor em frente ao quarto do menino e caminhou em linha reta para uma das salas de aula, sentando em uma das bancadas e puxando o material para treinar alguns pontos. Usando apenas uma das mãos ela treinou suas habilidades enquanto tentava tirar da cabeça os últimos acontecimentos. A médica ainda mais de 12 horas de plantão e tudo que ela queria era estar em casa, embrulhada em sua esposa sentindo a segurança que apenas os braços de Britt eram capazes de passar.

– Você realmente não deve apertar tanto... (a voz macia e tranquila falou atrás dela e Santana deu um pulo na cadeira).

– Pai! (ela gritou para o homem que tinha um sorriso tranquilo e pulou em seus braços como fazia quando era criança).

– Ok, você está realmente feliz em me ver... (ele falou com uma risada quando ela se afastou).

– O que você está fazendo aqui?

– Bem, eu tenho esta cirurgia em breve com a Dra Robbins, então tinha uma reunião na qual vamos decidir sobre a equipe... (ele sorriu amplamente e Santana sabia que era porque iriam operar juntos). E queria fazer uma surpresa para esta pequena grande médica...

– Pai... (Santana reclamou sorrindo). Eu não acho que sou assim tão pequena... (continuou colocando as mãos na cintura, exatamente como quando tinha cinco anos e o pai sorriu).

– Sempre uma menininha pra mim... (ele falou voltando a abraçá-la). Então, você vai me contar porque estava destruindo pontos aqui? Alguma coisa com Britt?

– Não... (Santana sorriu). Nós estamos bem...

– Então? (ele insistiu sentando-se em frente a filha).

– Nós temos um paciente, e sua irmã está namorando a melhor amiga...

– Parece uma história conhecida... (ele sorriu).

– Sim, mas ela não tem a mesma sorte que eu e Britt tivemos... (Santana continuou). A menina está com medo e seus pais são loucos... Como religiosos loucos eu acham que homossexualismo é doença... (ela explicou).

– Sim, mas como ficam todas estas coisas... Se seu filho está sendo tratado aqui, eu imagino que Dra. Robbins seja a responsável...

– Sim, mas eles não sabem... Bem eles não sabem sobre ela e Callie e o que é mais irônico é que Callie está na equipe também... Eu tenho tanta pena desta menina e odeio ter que me esgueirar para me despedir da minha esposa porque algum bunda louco poderia colocar em risco a vida do próprio filho por um preconceito...

– Santana... (o pai chamou suavemente ao ver a filha alterada).

– Eu só... (ela começou deixando as lágrimas fugirem). Eu e Britt passamos por isso algumas vezes, mas na maior parte do tempo estamos em nossa bolha feliz, porque aprendemos a nos preservar e temos uma família e amigos que nos amam... E Britt... Ela é tão perfeita pai e me faz esquecer todas as coisas ruins... Estar com ela é a coisa mais maravilhosa que me aconteceu e apenas pensar que poderia ser diferente... Pai... (ela parou jogando-se de braços abertos para o homem que a segurou contra o peito com carinho). Eu sou tão feliz que você tenha ficado ao meu lado sempre...

– E como eu não poderia? (ele perguntou com um pequeno sorriso). Você é uma ótima pessoa San, e uma ótima filha, apesar de seu humor... (ele riu). E como você mesma disse, Britt te faz feliz e ela é como uma filha pra nós... Eu jamais vou esquecer aquela pequena de olhos azuis furiosos e braços cruzados quando chamávamos sua atenção, ela dificilmente falava algo, mas deixava claro que não gostava... (Ele terminou e Santana sorriu para a lembrança).

– Ela já era a coisa mais linda do mundo naquela época... (Santana suspirou ainda sorrindo).

– Sim, tão linda quanto você... Filha... (o pai chamou estendendo a mão para trazer Santana de volta).

– Eu realmente me preocupo com estas crianças... (Santana admitiu suavemente, tão suave que seu pai não teria ouvido se não estivesse prestando atenção).

Notas finais
Gente, estou sentindo falta de algumas de vocês... Estou tão carente de comentários... (E também um pouco bêbada, mas não vamos entrar em detalhes sobre isso).