Santana estava com muito sono, mas mesmo seu pai dizendo que poderia dormir no carro, ela não conseguiu pregar o olho. Agora estava dentro do avião, em uma classe econômica, que era a única vaga, tentando chegar logo em L.A. O avião faria várias escalas antes de chegar ao destino e já tinham parado uma vez, ficando no aeroporto por mais de trinta minutos e dizer que Santana estava impaciente seria, no mínimo, um eufemismo.

Ela tentou ler um pouco, mas quando o piloto avisou que fariam uma aterrissagem de emergência em Las Vegas, por conta do céu encoberto seu estômago virou. Seria mais uma tempestade de merda para atrapalhar seus planos de passar a noite com Britt.

Os passageiros foram mantidos em seus acentos por trinta minutos enquanto o piloto falava com a torre, até serem avisados que, por motivo de segurança, não decolariam até segunda ordem, mas o almoço seria pago pela companhia para quem resolvesse aguardar.

A médica desembarcou com os outros passageiros e pegou sua bagagem antes de ir aos guichês de outras companhias, recebendo sempre a mesma resposta “o céu estava encoberto e uma tempestade estava se aproximando, mantendo os aviões no solo”.

- Merda de tempestade! (Santana resmungou caminhando para uma lanchonete para pedir m café).

Ela mandou uma mensagem rápida para Britt, que deveria estar trabalhando, avisando sobre o atraso enquanto pensava em uma maneira de sair da cidade. Ela estava presa em Vegas, a cidade do entretenimento, e tudo que ela queria era voltar para a esposa.

Seu celular vibrou e ela sorriu um pouco para a imagem de Britt sorrindo na tela.

- Oi be... (Santana não conseguiu falar antes que Britt começou).

- Eu não acredito que você está em Vegas Santana (seu tom era seco, fazendo a morena engolir o ar). De todas as cidades do mundo, seu avião vai parar justamente no lugar que eu mais odeio? (o tom de Britt era sério, e Santana sabia cheio de ciúmes).

- Bebê... (Santana tentou com calma, ela sabia que Britt odiava Las Vegas depois de ver um monte de filmes com mulheres bonitas, bebidas e jogos, mas não tinha culpa de estar ali).

- Não bebê, Santana (Britt cortou). Apenas traga seu traseiro de volta para casa, ou eu juro que vou buscá-la eu mesma!

Brittany cortou a ligação e Santana ficou alguns segundos completamente sem ação antes de caminhar para a locadora de veículos fora do aeroporto. Sim, ela era patética, mas sabia que ficar e tentar explicar seria apenas para fazer a discussão crescer e se ela pegasse um carro agora e fosse dirigindo para casa, Britt teria tempo para pensar e quem sabe compensá-la por ter sido injusta.

Ela deu um pequeno sorriso para o pensamento e puxou sua mala até o escritório mais próximo, pronta para fechar negócio. Mais quatro horas de carro e Britt estaria arrependida e cheia de amor em seus braços...

Xxx

“Mais uma hora” Santana pensou olhando a placa. Fazia uns 15 minutos que ela tinha recebido uma mensagem de Britt pedindo desculpas e respondeu humildemente que a esposa não deveria ficar preocupada que ela já estava a caminho, então o celular voltou a vibrar e a morena atendeu colocando no viva voz.

- Oi amor... (a voz de Britt parecia quebrada e Santana não conseguiu evitar o movimento em seu estômago, mesmo que Britt merecesse um pouco o que estava sentindo, ainda assim, doía).

- Oi B... (Santana respondeu tranquila, tentando manter o foco na estrada).

- Aonde você está? Seu avião vai sair? San... Eu sinto tanto...

- Não B, está tudo bem...

- San, sua voz não é de que está tudo bem... (Brittany apontou chateada).

- Eu estou um pouco triste B (Santana respondeu com sinceridade). Mas estou no meu caminho e segundo a última placa, falta apenas uma hora para estar em casa...

- Última placa? San você está dirigindo?

- Nem 15 minutos em Vegas Britt...

- Droga San... Eu não quis dizer...

- Eu sei B, mas eu também não conseguiria ficar mais tempo longe... Parece que tinha uma tempestade...

- Sim, eu vi na TV... Eu sinto muito amor... (o tom de Britt era sincero e triste e Santana sabia que não poderia segurar mais).

- Eu sei bebê... (ela falou com calma). Você está em casa?

- Indo para lá agora...

- Ok, eu vou devolver o carro, então pego um táxi para casa...

- Você não quer que eu vá buscá-la? (Britt parecia ainda mais triste por Santana não ter lhe pedido).

- Não B, eu não quero que você se preocupe, apenas vá para casa e eu vou te ver lá está bem?

- Ok... Eu te amo San...

- Eu também te amo B.