Quando Santana chegou a casa dos Pierce já tinha passado da hora do almoço. Ela tinha saído do hospital há apenas uma hora e passado em casa esperando que sua esposa estivesse lá, mas seu coração pegou quando percebeu que Britt não tinha voltado. Ela sabia que tinh prometido buscar a mulher na casa dos pais, mas em algum lugar no seu peito tinha a esperança que um dos pais a tivesse levado de volta, então ela não precisaria enfrentar outros membros da família agora.

Suas mãos estavam tão úmidas quanto o dia em que Brittany contou aos seus pais sobre seu relacionamento, mas agora tudo parecia muito mais pesado. Ela tinha visto as duas ligações de Britt quando encontrou o celular no carro mais cedo e não pode deixar de se sentir culpada. Nunca, desde que iniciou seus plantões no hospital u tinha que ficar até altas horas estudando Britt tinha ido dormir sem lhe desejar boa noite, mas, mesmo que sem querer, ela tinha ignorado a chamada da loira.

Ela sabia que não era totalmente sua culpa, abuela tinha sido tirada dos remédios pouco antes dela chegar ao hospital e poderia acordar a qualquer momento. Como médica ela sabia que isso não aconteceria mediatamente, mas havia uma espécie de paz no quarto e ela acabou ficando ao lado da cama por toda a noite e mais cedo, quando seus pais chegaram, ela apenas se envolveu em uma conversa com os médicos que a estavam tratando e buscou todas as informações necessárias para lhe deixar mais tranquila. Ela não tinha visto o tempo passar e tinha esquecido completamente de ligar para a esposa.

A batida tímida na porta alertou Susan e ela caminhou rapidamente, antes que e filha pudesse acordar. Ela não estava surpresa em ver Santana em sua porta, e por um instante sua aparência abatida tocou seu coração, mas então ela lembrou de sua menina chorando quase toda a manhã até pegar no sono e sua expressão se fechou.

- Bom dia Santana (a mãe falou em um tom protetor, um pouco cortante, sem realmente abrir a porta).

- Bom dia Susan, Britt está aí? (Santana falou timidamente, ela não esperava encontrar a sogra tão brava).

- Bem foi aonde você a deixou ontem, não foi? (o tom continuava áspero e ela não tinha feito nenhum movimento para deixar a nora entrar).

- E-Eu posso vê-la?

- Ela está dormindo Santana. Aparentemente minha filha passou a noite acordada esperando por uma mensagem ou ligação que dissesse que sua esposa estava bem, mas isso não ocorreu...

- Eu... (Santana suspirou triste, seus ombros caindo mais alguns centímetros). Foi apenas muita coisa... (tento explicar sentindo-se uma esposa péssima por ter esquecido de fazer contato).

- Britt está em seu quarto San... (a mulher finalmente deu espaço a menina, sentindo que Santana estava relmente arrependida). Mas eu sugiro que você espere até ela acordar, ela passou por alguns momentos difíceis...

- O-Ok... (Santana gaguejou deixando seus sapatos ao lado da porta, como fazia quando ainda era uma criança).

A morena subiu sentindo-se nervosa e abriu a porta do quarto devagar, com medo do que poderia encontrar. A visão de sua esposa, vestindo pijamas emprestados e enrolada em uma bola, parecendo muito pequena sobre a cama fez seu estômago virar com a culpa. Caminhando mais perto ela viu as bolsas escuras abaixo dos olhos de Britt e foi como um soco na boca do estômago. Tinha sido sua culpa.

Sem ter certeza se teria permissão para tal movimento, ela nunca tinha passado por algo parecido, ela deixou o casaco no chão e subiu na cama tomando o cuidado para não alertar a esposa sobre sua chegada. Ela ficou o mais próxima possível de Britt e sua mão fez um movimento timido buscando a mão da sua esposa, que agiitou um pouco em seu sono, mais voltou a dormir. Ela suspirou profundamente, observando com tristeza a bailarina dormindo.

- San? (o tom de Britt era dolorido, mas a loira não chegou a abrir os olhos, apenas mecheu em seu lugar jogando um dos braços sobre Santana e abraçando-a de forma urgente e desesperada).

Santana queria chorar. Ela jamais teria imaginado encontrar Britt daquela maneira e queria abraçar a mulher até afastar todo o seu sofrimento, mas sabia que não seria possível. Britt era uma pessoa que se dava bem com toques e palavras e ela teia que ser forte para escutar da loira tudo que ela passou, porque nada poderia ser mais doloroso para Santana do que ouvir o sofrimento de Britt, sofrimento causado por ela mesma.

Alguns minutos passaram e o aperto relaxou um pouco, mas não o suficiente para que Santana pudesse se afastar. A cabeça de Britt veio repousar mais perto de Santana e a morena sentiu a mudança na respiração da esposa.

- San? (Britt voltu a perguntar e sentiu o corpo perto do seu endurecer com suas palavras). San... (repetiu levantando para olhar a morena que parecia cansada e triste). Aconteceu alguma coisa? (ela perguntou, a preocupação lhe deixando mais desperta). Alma está bem?

- Sim bebê... (Santana engoliu em seco para o quanto sua esposa era especial). Me desculpe, eu não liguei mais cedo...

- Você me deixou esperando San... (o tom de Britt tinha passado de preocupado para amargo). E eu passei a noite no meu sofá com o celular na mão esperando alguma explicação...

- Eu sei... Quero dizer, eu esqueci meu telefone no carro e vi suas chamadas pela manhã, então eu achei que você estaria na casa dos meus pais...

- Você me deixou aqui Santana, com a promessa de vir me pegar, então porque eu sairia com meus pais, quando não tive nem mesmo um texto seu dizendo que não viria?

- Eu sei, foi um pensamento estúpido...

- Sim, exatamente (a loira concordou surpreendendo a morena).

-Foi apenas minha abuela... Eles tiraram ela do coma e eu pensei em ficar alguns minutos para o caso dela acordar e não via o tempo passar...

- Ok.

- Ok?

- Sim Santana, ok (ela respondeu em um tom muito parecido com o de sua mãe). Eu ainda estou puta da cara com você, mas não acho que seria justo fazer o teste de farmácia sozinha, então ok.

- O teste? (Santana perguntou cheia de esperança).

- Sim San, hoje foi meu segundo dia com enjôo matinal, e eu gostaria de ter te falado antes, mas você parecia muito cheia de preocupações... (Britt falou de maneira triste e a morena levou sua outra mão para segurar a da esposa). Mas eu não acho que seja justo ficar segurando a dúvida então minha mãe buscou alguns testes... Você vai ficar ao meu lado?

- Você não precisa pedir bebê... (Santana respondeu docemente, levando a mão da esposa para seus lábios e depositando um pequeno beijinho. Ela adoraria beijá-la nos lábios, mas ela não sabia se deveria afinal Britt ainda estava brava com ela).

Notas finais
Galera, semana turbulenta no trabalho então já peço desculpas senão conseguir postar em algum dos dias...