Depois Do Dia Dos Namorados - Parte 3
102 Capítulo 102
Britt caminhou com a esposa até a porta do quarto, mas parou exitando sobre deixar Santana sozinha.
- Bebê, eu vou ficar bem... (Santana tentou tranquilizá-la com um pequeno sorriso). Eu prometo...
- Ok... (Britt respirou profundamente ainda sem soltar a mão da morena).
-B?... (Santana sorriu chamando a atenção da esposa).
- Tudo bem, eu vou buscar um café e me sentar aqui fora esperando por você...
- E eu vou conversar com ela, apenas conversar (A morena tentou tranquilizá-la). Então quando estiver pronto eu prometo me sentar com você e contar como foi, e se ela tiver sido uma boa menina, quem sabe eu deixe que ela conheça esta esposa incrível que eu consegui conquistar... (Santana continuou sorrindo um pouco antes de dar uma boa quantidade de beijinhos suaves na bailarina).
Alma assistiu a troca pelo vidro do quarto em silêncio. Ela sabia que nenhuma das meninas fazia ideia de que estivesse acordada e muito menos que de seu lugar, pudesse ver a interação no exterior de seu quarto. Com um pouco de curiosidade ela observou a neta ser carinhosa com Britt e o olhar de preocupação nos olhos da loira. A descoberta deste olhar feriu ainda mais seu coração e uma onda maior de culpa a assolou.
Brittany estava preocupada que ela pudesse ferir Santana, quando Alma deveria ter estado lá para proteger a neta. Não era estranho que ela tivesse pensado que estava fazendo justamente isso quando se afastou de Santana por suas escolhas? Ela lembrava como se tivesse acontecido no dia anterior, e ela lembrava disso todos os dias.
Ela observou Santana beijar com carinho os lábios da outra menina que sorriu, tentando parecer tranquila mesmo sabendo que Santana não entraria nessa. Ela tinha assistido a interação das duas por tantos anos que ainda era-lhe muito familiar a maneira como Santana iria sorrir mesmo sem comprar o que Britt estava tentando lhe convencer. Foi o mesmo sorriso que ela viu quando Brittany tentou convencer sua melhor amiga de dez anos que as meninas no futebol não tinham lhe batido propositalmente em um jogo. Na tarde seguinte a pequena morena tinha entrado na casa de sua avó resmungando palavras em espanhol, com o cabelo desorganizado e um olhar furioso “ninguém bate na minha Britt-Britt” foi o que ela resmungou enquanto puxava sua mochila com as roupas para a noite.
Naquele dia Alma não tinha compreendido a gravidade do que Santana tinha dito, mas olhar o mesmo olhar ferido horas antes a fez compreender. Ela não tinha apenas machucado sua neta com as palavras, mas rejeitar Brittany como sendo o amor da vida de Santana tinha sido seu maior erro. Santana faria qualquer coisa para ter certeza de que Britt era segura e este era provavelmente o motivo pelo qual a morena caminhou sozinha para dentro do quarto de sua avó.
A menina, porque sim, Santana ainda era uma garotinha sobre os olhos de sua família, e principalmente de sua avó, que por escolha tinha perdido os últimos anos, quando a pequena morena tinha se tornado uma mulher.
- Santana? (a avó chamou um pouco insegura).
- Abuela... (Santana respondeu com um pequeno sorriso, ela jamais tinha deixado de amar aquela senhora na cama, e mesmo que estivesse machucada, ainda assim, seu coração estava disparado com a proximidade). Como a senhora está? (ela perguntou se aproximando devagar).
- Eu estou bem... Melhor agora, para ser completamente sincera... (ela sorriu um pouco e Santana reconheceu como sendo o mesmo sorriso doce de sua infância).
- Eu e Britt estamos tetando ter um bebê (Santana soltou quase sem perceber, levando as mãos a boca quando percebeu o que tinha dito).
A morena observou a avó com curiosidade e medo, esta com certeza não era a melhor maneira de iniciar uma aproximação e ela estava esperado pela nova onda de palavras duras.
Alma observou a neta, sentindo-se um pouco confusa, mas ao perceber os olhos castanhos suplicando por seu entendimento, sorriu. Desde que toda a confusão aconteceu, ela tinha parado de imaginar Santana lhe dando bisnetos, mas agora uma pequena chama se acendeu em seu peito. Ela poderia ser velha, mas entendia sobre os avanços da ciência e, desde que tinha percebido o tamanho de seu erro, também tinha se informado mais e sabia que muitos casais homossexuais tinham filhos, seja utilizando técnicas de fertilização ou indo pelo caminho da adoção.
Santana sentiu seu coração voltar a fica leve quando identificou o sorriso nos lábios de sua abuela e deu mais um passo a frente, para chegar mais perto da cama.
- Isso parece um bom motivo para lutar e continuar aqui... (Alma falou alcançando a mão da neta sobre a cama).
- Você realmente está bem com isso? (Santana perguntou segurando o aperto suave em sua mão).
- Sim pequeña, eu estou muito bem com isso... (Alma respondeu contemplando o sorriso nos lábios da neta, fazia realmente muito tempo que ela não via Santana sorrir). Como vocês estão fazendo isso? (ela perguntou sabendo que Santana ficaria mais a vontade se ela demonstrasse interesse).
- Britt estará levando... (Santana falou com um brilho nos olhos). Nós tentamos... Fernando fez a doação, para que nossos bebês possam se parecer com nós duas... (ela explicou timidamente). Mas ainda estamos esperando o resultado... (continuou um pouco mais baixo).
- Ela está se sentindo bem? (a avó perguntou traçando círculos com o polegar na mão da neta). Pelo que eu me lembro Britt é um pouco mais sensível? (Seu tom era tranquilo, mas um pouco inseguro e Santana acenou afirmativamente antes de responder).
- Ela é incrível. Eu realmente acho engraçado como as pessoas acham que eu sou forte, mas Britt não. Eles realmente não têem ideia de quantas vezes estremeci e busquei nos olhos azuis, no sorriso sincero ou no toque de suas mãos a força para continuar... (Santana falou baixo e suavemente, pensando em como abuela precisava ouvi-la). Para brigar pelo que acho justo para nós duas. B tem aquele jeito meio infantil e cativante e acredita nas pessoas... Ela acredita em mim. Eu apenas sinto que não posso decepcioná-la e por isso tenho tentado ser melhor do que sou... Eu tento ser a pessoa que ela merece ter ao seu lado... E eu sei que falho muitas vezes, e me vejo pedindo mais desculpas do que gostaria, mas ela está do meu lado, segura a minha mão e me faz acreditar que eu sou digna de ter seu amor... O que eu sinto quando ela me toca (Santana continuou, mesmo sabendo que a avó poderia ficar incomodada, ela apenas precisava explicar de alguma forma, como era amar Britt e saber que era amada de volta), quando ela me beija... Eu nunca senti por outra pessoa. E se fazemos amor, ou se apenas transamos é sempre diferente, sempre como se fosse a primeira vez...Eu sei que talvez você não entenda e se for assim eu também não sei se quero continuar a explicar... Eu só sei que o que sinto é maior do que qualquer coisa e é perfeito. Eu quero estar lá para ela para sempre e ela sempre estará aqui para mim, porque nós nos amamos, e queremos isso... (ela fez uma pequena parada olhando nos olhos da avó). Então abuela, se você acha que de alguma forma não está preparada para isso, apenas me diga isso agora e eu prometo que nunca mais irá me ver novamente...Gen
Fale com o autor