– Ok, aonde estão as outras gavetas? (Santana perguntou colocando a peça recém montada de lado).

– Hummmm... (Tina suspirou olhando ao redor). Acho que esta era a última... (continuou colocando a peça junto as outras). Agora só falta terminarmos a cama... (ela continuou suspirando antes de tomar um gole de cerveja). O que me faz pensar, porque vocês não compraram uma cama de casal? (a garota continuou, sem perceber a menina engolindo em seco, com o rosto ficando cada vez mais vermelho ao seu lado).

– Carol escolheu... (Santana respondeu dando de ombros).

– Eu só penso que uma cama de casal teria sido... (ela ia terminar, mas Britt, vendo a Carol tentar olhar para todos os lados do quarto menos para o grupo, a cortou).

– Tina! (ela falou alto chamando atenção da amiga). Agora que eu lembrei! (continuou olhando brevemente para a esposa em busca de auxílio). Eu quero...

– Te mostrar... (Santana continuou um pouco confusa).

– Como ficou o nosso banheiro! (a bailarina terminou começando a levantar). E eu estava pensando se você não poderia me ajudar com aquela coisa da posição dos móveis no quarto... (voltou a falar levando a amiga para fora do quarto).

Santana assistiu a esposa se afastar, então voltou seu olhar para a menina sentada no chão com um manual de montagem da cama nas mãos.

– Você sabe que poderia ter escolhido uma cama de casal, certo? (a médica perguntou olhando atentamente para a menina). Realmente não seria um grande problema...

– Eu só... (a menina respondeu timidamente). Eu tenho... tinha uma cama assim em casa... (terminou olhando as próprias mãos).

– Hei... (Santana chamou baixinho, se aproximando). Eu sei que está doendo agora, mas vai passar... E quem sabe eles voltem a se aproximar com o tempo... (ela continuou de forma tranquila).

– É estranho que eu sinto falta deles? (a menina perguntou olhando nos olhos da médica).

– Estranho? (Santana perguntou pensativa). Eu não acho. Quando eu tive que contar a minha família e minha avó disse que eu era uma vergonha para a família e me mandou embora da sua casa, tudo que eu queria era que ela me aceitasse... Ela me machucou um monte e eu só pensava que queria poder tê-la perto de novo... (a morena continuou sentando-se ao lado da menina). Meus amigos não entendiam o que eu estava passando e eu estava tão estressada...

– Ela voltou? (Carol perguntou interessada).

– Sim. Mas levou tempo... (Santana respondeu pensando na avó). Precisou ela achar que ia morrer para criar coragem e me pedir desculpas... Então ela descobriu que Britt está grávida e a menina que tinha tirado sua neta do caminho certo, voltou a ser uma das suas pessoas preferidas no mundo... (ela terminou com um sorriso). As vezes tenho a impressão que ela costa mais da Britt do que de mim...

– E seus pais?

– Meu pai foi muito tranquilo, ele disse que eles só poderiam ter sido muito cegos... (ela sorriu). Minha mãe foi um pouco mais difícil, ela precisou de um tempo para se acostumar com a ideia... Mas ela ama Britt... (a morena deu de ombros).

– Eu gostaria que meus pais me deixassem estar perto um dia... (a menina falou baixinho). Eles costumavam adorar a Tiff antes, mas agora... Não sei se eles gostam até mesmo de mim... (Carol continuou, começando a chorar de maneira tímida).

Santana não demorou a passar o braço sobre os ombros da menina acalentando-a, sem saber que Britt estava as observando há um tempo, da porta.

– Você vai ficar bem... (Britt falou se aproximando com seu jeito doce). Parece terrível agora, mas as coisas vão melhorar...

– E até lá, nós vamos cuidar de você... (Santana continuou lançando um olhar um pouco perdido para a esposa. Ela nunca se sentiu segura em acalentar pessoas chorando, mas Britt lhe lançou um sorriso suave e ela relaxou). Eu quem sabe eu possa conseguir umas visitas escondias para você ir ver seu irmão no hospital... (ela continuou ganhando um pequeno sorriso da menina). Isso seria bom, certo? (Santana perguntou sorrindo).

– Muito bom... (A menina respondeu usando as mãos para secar os olhos, sua expressão um pouco mais feliz).

– Eu acho que ele vai gostar muito disso também... (Britt concordou sentando-se do outro lado da menina). Carol, nós precisamos que você saiba que não vamos deixar nada de ruim acontecer com você... (ela continuou olhando com cuidado para a menina).

– Obrigada... Eu realmente não sei como agradecer por tudo isso...

– Hummm... (Santana pensou alguns segundos). Vamos começar com boas notas e quem sabe entrando para uma boa faculdade... (ela continuou olhando para a esposa que concordou).

– E você ainda tem o trabalho em meio período no estúdio... (Britt completou).

– Quando eu começo? (a menina perguntou se entusiasmando).

– Eu vou te levar lá na segunda depois do colégio...

– E nós precisamos falar com você... (Santana falou um pouco mais séria). Sam é nosso amigo e trabalha em um escritórios com bons advogados, nós perguntamos a ele o que poderíamos fazer para que seus pais não possam atrapalhar seus estudos e ele disse que seria bom se conseguíssemos sua emancipação... (ela continuou observando as reações da menina).

– Nós achamos que é a melhor alternativa, mas não vamos fazer nada que você não queira... (Britt completou olhando para esposa, antes de voltar a menina). Nós ainda vamos te ajudar em tudo que você precisar...

– Emancipação... (a menina repetiu pensativa). Eu posso pensar sobre isso?

– Claro... (Santana falou tranquila). Nós não estamos te pressionando, apenas achamos que era preciso fazer algo... (ela pensou um segundo em como continuar, porque “para garantir que seus pais não te ferrem” não parecia apropriado). Para garantir que você não vai perder o ano na escola... (ela continuou buscando rapidamente os olhos de Britt para uma confirmação).

– Ok... (Carol suspirou) Eu vou pensar seriamente sobre isso... (ela continuou ainda em seu tom tranquilo).

Notas finais
Oi... Obrigada pelos comentários no último capítulo, até mesmo pelos "olás". Vocês me deixaram dependente e sinto falta quando não me dizem nada... Espero que ainda estejam gostando... Beijinhos...