Santana verificou a bateria de seu celular, então sentou com as duas pernas sobre a cama ligando a TV em um volume baixo antes de pegar o envelope azul novamente. Ela abriu com interesse, um pequeno sorriso em seus lábios quando viu como Dylan tinha colocado “Para meu anjo da guarda” sobre o envelope.

Ela abriu o papel dobrado com cuidado, seus olhos acompanhando a letra bem desenhada do menino.

Olá Dra Lopez...

Eu estou no hospital ainda e a Dra. Arizona disse que a senhora não está bem e é por isso que tem passado tanto tempo sem vir aqui. Eu queria ir te visitar (eu já estou andando por quase todo o hospital), mas ela falou que você está em uma área isolada e que sua doença é contagiosa, por isso a senhora não pode receber visitas agora.

Sinto muito que a senhora esteja doente... Eu sinto falta do meu anjo da guarda, queria que a senhora estivesse bem para poder vir aqui... A Carol quase não tem vindo no hospital... Ela disse que não vai estar em casa quando eu voltar porque minha mãe não quer ela morando lá agora. Eu sei que você é especialista em ajudar crianças doentes e Minha irmã é quase gente grande e não está doente, mas se eu pudesse fazer um pedido ao meu anjo da guarda, pediria que ele cuidasse da minha irmã agora.

Eu sei que a senhora não pode fazer nada, mas quem sabe o seu anjo possa... A senhora é uma mulher grande já e seu anjo da guarda está com você, será que ela não pode desviar só um pouquinho e cuidar da Carol? Acho que o anjo da guarda dela está doente também porque ele não tem cuidado muito dela...

Bem, a Dra está terminando de falar com a enfermeira e logo meus pais estarão chegando, vou terminar por aqui.

Um grande abraço, Dylan.

O sorriso de Santana se apagou com a última informação e sua mente não demorou a vagar até a menina com medo que seus pais descobrissem sobre sua sexualidade. Ela deixou uma lágrima correr por seu rosto lembrando como era estar naquela posição. Ela olhou a página por um tempo, pensando em como poderia ajudar a menina, sua cabeça tão distante que não percebeu quando sua médica parou ao lado da porta conversando com sua mãe.

Maribel escutou com atenção, ficando feliz quando a médica disse que poderia levar sua filha para casa, seu pensamento sobre como Santana estaria feliz com a notícia sendo nublado apenas pela imagem de sua filha olhando muito triste para um papel em suas mãos. Ela esperou ouvindo o que a Dra. falava e suspirou aliviada quando pode abrir a porta de vidro.

– Santanita o que aconteceu? (a mãe perguntou tirando sua filha de suas lembranças, para olhá-la com olhos vermelhos).

Santana apenas olhou por um tempo, sua cabeça girando em lugares que a menina poderia estar, então entregou a carta a mãe que a leu espantada.

– Como eles tiveram coragem? (Maribel perguntou horrorizada). É a sua filha, por Deus! (ela continuou andando pelo quarto com a carta na mão). Você sabe aonde esta menina pode estar?

– Eu conheci a namorada dela mami, mas elas são apenas parentes de um paciente... Eu não perguntei muita coisa... (Santana respondeu se sentindo culpada).

– Bem, vamos passar pegar Britt no estúdio e então podemos procurar por ela... Quem sabe o menino possa nos dizer... (a mãe falou recolhendo as coisas da filha do quarto).

– Bem, isso seria ótimo mami, mas pelo que eu me lembro, eu não devo sair deste quarto... (Santana respondeu um pouco confusa e orgulhosa com as atitudes de sua mãe).

– Sim, sobre isso, sua médica acabou de lhe dar alta e antes que você pergunte, não existe mais nenhum risco de contágio então Britt e Azeitona ficarão bem... (Maribel explicou sem prestar atenção na filha, toda a sua preocupação na adolescente perdida sozinha na cidade). Vamos Santana! (ela chamou a atenção da filha que piscou rapidamente começando a se mover).

Santana calçou seus tênis com um sorriso feliz nos lábios, pensando que logo estaria com Britt novamente... Bem não era como ela tinha imaginado e ela sabia que todos os seus planos de matar a saudade estariam em aberto até elas encontrarem a menina, mas mesmo assim, ela poderia ver, tocar e sentir o perfume da sua menina e ela estava morrendo de saudades disso.

– Eu vou mandar uma mensagem para Britt dizendo que estamos chegando... (a médica falou puxando seu celular do bolso enquanto seguia a mãe pelo estacionamento). Deus, eu mal posso esperar para ver o meu bebê... (ela continuou ganhando um suspiro apressado da mãe).

– Sim, mantenha em suas calças Santana, você não está liberada até encontrarmos esta menina... (Maribel ralhou, sem segurar o sorriso, ela não poderia deixar de ser feliz por sua filha).

O trânsito estava tranquilo e mãe e filha não demoraram a chegar ao estúdio, para encontrar Britt nervosa do lado de fora. Santana nem bem desceu do carro para ter os dois braços de sua esposa pendurados em seu pescoço, o cheiro de Britt tomando sua respiração quando o corpo suado tomou o seu. Ela amava aquele cheiro...

– Deus amor, eu senti tanto a sua falta... (Britt fungou no pescoço da médica que apertou ainda mais seu abraço).

– Eu também bebê... (Santana respondeu se afastando para poder olhar nos olhos da bailarina). Tanta falta... (ela voltou a falar puxando a esposa para um beijo suave).

– Ok meninas... (Maribel chamou de dentro do carro). Eu prometo que vou deixa-las sozinhas mais tarde, mas agora nós precisamos ir...

– Ui... (Santana reclamou escondendo o rosto no pescoço da esposa).

– Vamos San, nós precisamos fazer nosso trabalho de anjo da guarda... (Britt falou em tom de brincadeira acariciando os braços da morena, um sorriso feliz em seus lábios, apenas de saber que esposa estava fora da porta de vidro, ao alcance das suas mãos).

– Ok, vamos fazer logo isso para que eu possa te carregar para o nosso quarto e ter um pouco de atenção da minha esposa... (Santana falou piscando para a loira que sorriu corando).

– San, sua mãe... (a bailarina gemeu baixinho um pouco envergonhada).

– Não se preocupe Britt, minha filha tem sido reclamona e frustrada durante todo este tempo, eu jamais pensei que seria apenas falta de seus lindos olhos azuis... (a sogra brincou fazendo Britt ainda mais corada).

– Deus... (Britt suspirou entrando no carro). Podemos não falar sobre isso? Eu estou envergonhada e sexualmente frustrada, acho que é tudo que eu posso levar no momento...

Notas finais
Gente... Desculpem a demora (eu sei isso é repetitivo), mas estou na maior correria...