Os dias que seguiram ao aniversário foram cansativos e as duas meninas quase não conseguiram se ver. Santana estava cobrindo Alex, que tinha cobrado o favor quando recebeu um aviso de sua ex-mulher pedindo para conversar e saiu por uma semana, fazendo com que a médica mal pudesse passar em casa durante este período. Ela se sentia culpada cada vez que chegava rápido ao apartamento e via as caixas de coisas para a mudança aumentar sobre a sala, Britt estava empacotando os itens para levar a casa nova e ela não tinha tido um segundo em casa que não estivesse cansada demais até mesmo para chegar até a cama.

Alex voltou em uma segunda-feira e Arizona expulsou a médica para casa no meio da tarde quando a encontrou cochilando sobre seu almoço em um dos quartos.

– Britt vem me buscar mais tarde... (Santana respondeu limpando o rosto com a mão, tentando parecer mais acordada, mas a médica não caiu nessa).

– Pegue um táxi Santana e vá dormir adequadamente. Você ficou mais de uma semana neste hospital e eu tenho certeza que sua esposa sente sua falta...

– Mas ela ainda está no estúdio... (Santana falou olhando o relógio).

– Então? (Arizona sorriu observando a jovem médica). Tome um bom banho, durma um pouco, Brittany vai gostar de poder falar com você no lugar de assistir o seu sono... (ela terminou com um sorriso).

– Ok... (Santana suspirou levantando, mas tão logo ficou sobre suas pernas voltou a sentar).

– Está tudo bem? (Arizona perguntou observando a menina com atenção).

– Sim, eu acho que levantei muito rápido... (ela respondeu levando uma das mãos para esfregar os olhos).

– Respire devagar... (a loira pediu levando uma das mãos para sentir a temperatura da morena). Você está queimando de febre... (ela observou a morena alguns segundos então levantou a manga da camiseta de Santana). Pensando melhor, você não deve ir para casa agora Santana... (ela continuou recebendo um olhar confuso da estudante). Catapora... (Arizona revelou com um olhar de desculpas).

– Catapora? (Santana perguntou com um riso sem humor). Não pode ser, eu devo ter apenas pego alguma alergia...

– Desde quando está coçando? (Arizona perguntou percebendo a mão da morena ir para uma de suas pintinhas avermelhadas).

– Eu não sei, hoje pela manhã? Eu não estava prestando atenção... (Santana deu de ombros ainda sem acreditar no que estava acontecendo).

– Ok, nós vamos arrumar um quarto isolado e você vai ficar por aqui... Você pode pedir para alguém trazer suas coisas?

– Não, eu tenho tudo no meu armário... (Santana falou passando as mãos pelo cabelo). Britt vai ficar tão chateada...

– Você não tinha como evitar isso Santana, não depois de ficar no pronto-socorro desde ontem a noite... Quantas crianças vocês atenderam?

– Eu não sei, estava tão corrido... Eu basicamente passei a noite fazendo pontos em joelhos e curativos em cotovelos...

– Bem, a doença deve ter vindo com uma das crianças, mas nós temos sorte que é algo simples, apenas alguns cuidados e logo você estará em casa... (ela sorriu suavemente, parando quando observou Santana levar a mão sobre um dos braços). E vamos cuidar destas mãos, acho que Britt não vai querer ver você cheia de pequenas cicatrizes...

– Eu realmente não posso ir pra casa, não é mesmo? (Santana perguntou de um jeito derrotado e a médica apenas acenou negativamente). Ok...

A morena recolheu suas coisas da mesa e seguiu a outra médica pelo hospital, seus pensamentos vagando sobre como tinha sido uma semana extremamente cansativa e tudo que ela queria era voltar e ficar com Britt por um tempo antes de voltar ao hospital e como isso seria impossível agora.

Arizona falou rapidamente com uma das enfermeiras, então levou Santana até a ala isolada, abrindo a porta de vidro para deixa-la entrar.

– Acomode-se menina, eu vou chamar alguém para cuidar de você... Você quer que eu ligue para Britt? Alguma coisa que você precisa?

– Não, eu vou ligar... (Santana deu de ombros tristemente).

– Ok, eu vejo você mais tarde... (Arizona avisou antes de fechar a porta).

Santana observou a médica sair e sentou-se na cama, suspirando. Se a semana anterior tinha sido dura, esta poderia ser ainda pior. Ela estava apresentando apenas os sintomas iniciais e seriam de sete a dez dias fechada neste quarto, sem poder ver ou tocar sua esposa... Ela sabia que era para a segurança de seu bebê, mas ainda assim, elas nunca tinham passado tanto tempo longe. A morena retirou o celular do bolso do jaleco, então tirou o jaleco jogando-o sobre a cadeira, antes de deitar na cama. Ela queria ligar para a esposa, mas também tinha medo de como Brittany iria reagir, a bailarina sempre foi muito preocupada com ela, principalmente porque Santana tinha uma certa tendência em deixar seu bem-estar de lado em prol de seus familiares, ou, o que era mais comum, de Britt.

Suspirando para o que viria a seguir a médica passou pela lista de contatos até encontrar o que precisava então fechou os olhos enquanto esperava que a ligação fosse atendida.

– Santanita? (Sua mãe atendeu com voz preocupada e Santana não se surpreendeu, ela geralmente ligava para casa à noite, muito raramente no meio do dia).

– Oi Mami... (Santana respondeu tranquila).

– O que está acontecendo?

– Mami, Arizona acabou de me colocar na área de isolação do hospital, então apenas para ter certeza, eu já tive catapora?

– Catapora? Não meu amor... Por... (a mãe parou um minuto juntando as peças). Santana, você está com catapora? (Maribel perguntou com um tom de voz entre divertido e preocupado).

– É o que parece... (Santana suspirou passando a mão entre os cabelos). Arizona me colocou em um quarto e eu não posso ver Britt até que isso vá embora... (seu tom era triste e a mãe não pode deixar de sentir-se mal pela filha).

– Meu Deus, você não poderia ter puxado seu pai em outras coisas, como a habilidade de concertar as coisas?

– Mãe... (Santana reclamou cansada e Maribel sorriu).

– Seu pai teve catapora quando você ainda era bebê (a mãe explicou de maneira calma). Fernando pegou de um coleguinha na escola e tivemos que cuidar dele, quando eu vi estava com dois doentes em casa e seu pai não era o mais fácil de lidar. Sua Abuela levou você para a casa dela e eu fiquei aqui, mas agora penso que teria sido mais fácil se você tivesse pego junto com eles... O ou quanto Quinn teve e Susan sugeriu que deixássemos vocês ficarem com ela...

– Britt já teve catapora? (Santana perguntou com um pequeno fio de esperança).

– Eu não acho que ela conseguiria passar por isso sem te deixar doente também Mija... Fora a época em que ela estava namorando aquele garoto da cadeira de rodas, vocês sempre foram inseparáveis...

– Então é isso... (Santana suspirou vencida). Eu vou ter que ficar aqui e esperar que a fase infecciosa passe...

– Bem, seu pai está saindo esta noite para um congresso e vai passar alguns dias fora, você acha que seria tudo bem se eu voasse até ai e cuidasse da minha menina apenas para que a sua esposa fique mais tranquila? (Maribel perguntou tentando fazer a filha se sentir melhor).

– Eu não quero dar trabalho mami...

– Santana! Jamais seria trabalho e eu te explicaria como esta coisa de mãe funciona, mas acho que você vai acabar descobrindo com o tempo... Então, a pergunta é, você quer sua mami por perto? (ela perguntou em tom brincalhão e ouviu a filha sorrir do outro lado).

– É claro mami... (Santana respondeu deixando um sorriso aliviado deslizar em seus lábios). Eu ficaria muito feliz com isso.

Notas finais
Terceiro dia! Beijinhos meninas.