Depois Do Dia Dos Namorados - Parte 3
99 Capítulo 99
Fazia tempo que Santana não entrava no hospital de Lima, mas os médicos e enfermeiras ainda a reconheciam, provavelmente porque seu pai falava sempre sobre ela, muito orgulhoso dos feitos de sua filha na faculdade, e agora quando ela buscava tornar-se também cirurgiã.
Muitos rostos vagamente conhecidos a cumprimentaram quando ela chegou e a recepcionista não demorou a avisar seu pai que ela havia chego. Antônio pediu que as duas meninas caminhassem até seu escritório antes de qualquer coisa, ele queria falar com Santana e as levaria pessoalmente para ver Alma.
- Pai? (Santana chamou abrindo a porta depois de duas batidinhas leves).
- Santana! (ele respondeu levantando-se com um sorriso cansado). Meninas, é bom ver vocês aqui... (continuou abraçando as duas meninas).
- Papi, como ela está? (Santana repetiu a pergunta esperando que desta vez fosse encontrar alguma resposta).
- Bem... (ele falou sentando-se no sofá e sinalizando para que a filha se aproximasse, puxando-a para seu colo em um gesto carinhoso).
Santana deixou escapar um suspiro agradecido pelo carinho e puxou Britt para que sentasse ao lado de seu pai.
- Papi... (ela voltou a pedir esperando que ele apenas explicasse logo o que estava acontecendo).
- Foi uma parada... (ele explicou e ela o observou confusa). Bem, não foi exatamente como começou, mas o que a levou para a sala de cirurgia... Ela me ligou no início da manhã, dizendo que não se sentia bem e que não poderia chegar de táxi até aqui, ir buscá-la levaria muito tempo, então mandei uma das ambulâncias, eles a trouxeram para cá e tudo que ela me disse antes de perder os sentidos, foram os seus nomes...
- Porque você não nos chamou? (Santana perguntou um pouco mais calma, era difícil ser explosiva com seu pai, quando a mãe dele estava em uma cama de hospital).
- Eu não queria trazê-las aqui apenas para vê-la magoá-las de novo... (ele rexpondeu em tom de desculpas). Fiz sua mãe e seu irmão prometerem que não ligariam antes de que estivesse tudo bem... Antes que as coisas estivessem sobre controle... Eu não queria que a última coisa que ela fizesse em vida fosse machucar você pequeña... Ela pode ser minha mãe, mas você é minha filha e eu não posso deixá-la te fazer sentir ainda mais dor...
Santana abraçou o pai com carinho e o homem forte e corajoso se deixou chorar no ombro da filha. Brittany continuou ali, uma das mãos nas costas do sogro, a outra sobre sua esposa. Ela tinha pensado em sair, mas Santana poderia precisar dela, então ela continuou ali.
- Eu entendo Papi... (Santana sussurrou). Obrigada por ainda se preocupar comigo...
Demorou alguns minutos para o homem se recompor, então ele bateu carinhosamente na perna da filha e se ofereceu para levá-las ao quarto de Alma. Santana caminhou ao lado do pai, sua mão segura junto a da esposa, o coração um pouco mais leve por saber que mesmo que sua abuela falasse qualquer coisa para lhe repreender pelo seu relacionamento, ela tinha pessoas que se preocupavam com ela, então mesmo que as palavras machucassem, ela não estaria sozinha.
Eles pararam em frente ao quarto e o pai deu um minuto para que as duas se preparassem. Santana olhou por alguns segundos para esposa, não encontrando mais que amor e segurança em seus olhos.
- Eu te amo B... (ela falou baixinho).
- Eu também te amo San... (Britt respondeu dando-lhe um beijinho suave na testa).
Elas olharam para Antônio e ele abriu a porta devagar, revelando o quarto em que sua mãe aguardava.
Santana ficou alguns segundos observando da porta. Sua abuela estava mais magra que da última vez e parecia mais velha e cansada. Ela tinha os olhos voltados para a janela na lateral como se não tivesse escutado a porta, ou não tivesse interesse por quem havia chegado.
- Mami? (Antônio chamou com voz calma e a mulher se virou lentamente, seus olhos vagando do filho para a neta). Santana e Britt estão aqui, se você quiser vê-las... (ele completou encorajando as duas meninas a entrar). Vocês querem que eu... (continuou em direção as meninas, mas Santana não o deixou terminar).
- Está tudo bem Papi (ela deu um pequeno sorriso puxando sua esposa pela mão). Nós estaremos bem...
- Ok, eu estarei no corredor... (ele garantiu antes de beijar a testa das duas meninas e caminhar para fora).
Alma assistiu a toda a interação sem dizer nada, seus olhos acompanhando cada movimento do casal sem deixar de perceber como Santana segurava a mão de Britt e como a bailarina parecia dar segurança a médica.
- Você se tornou uma linda mulher Santana... (foram as primeiras palavras da mulher mais velha e Santana sentiu como se fosse seguro se aproximar). Eu ouvi a família dizer que se tornou uma médica... (Santana mordeu a vontade de responder que ela saberia disso se tivesse estado por perto, mas ficou em silêncio). Seu pai tem sido orgulhoso... Alma desviou os olhos da neta para olhar a outra mulher. Brittany... Ela sempre tinha conhecido a menina, pois como melhor amigade Santana, Brittany sempre estava por perto. Em todas as festas, finais de semana, momentos felizes ou tristes pelos quais a família passava a pequena loirinha estava lá com eles, como parte da família. Ela lembrava da maneira carinhosa como as duas meninas se tratavam, o jeito como seguravam as mãos quando estavam em apuros, com medo, ou simplesmente por perto... A mesma maneira que seguravam agora, quando temiam as palavras que poderiam sair da sua boca.
Alma sempre julgou que era uma fase e repreendeu Santana por dar espaço a uma coisa tão vil como o desejo carnal em idade tão jovem. Ela nunca pensou que fosse durar... Mas ela tinha estado sozinha em sua casa, revendo fotografias antigas quando encontrou o desenho infantil deixado entre as imagens que ela tentava esquecer. Santana e Brittany tinham feito quando tinham oito anos e ela poderia ver claramente as duas menininhas de mãos dadas com um grande coração e a escrita inocente “Britt-Britt e Sanny amam Abuela”.
Tinham sido dias cansativos e ela não se sentia bem há semanas. Ela também tinha pensado muito em Santana nos últimos dias e o desenho foi a gota que faltava...
- Você queria nos ver? (Santana perguntou cortando seus pensamentos, ela ainda não sabia o que dizer).
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