Santana estava nervosa, um pouco impaciente com todo o silêncio, com a maneira que Alma as observava, tão distante. As primeiras palavras não tinham significado nada e despertado nada além da vontade de respondê-la com palavras cruéis, coisa que como médica ela sabia que não poderia fazer. Ela tinha vindo até Lima e entrado no quarto com a certeza de que mesmo que Alma voltasse a lhe ferir, ela não poderia dizer nada, pois qualquer palavra poderia lhe fazer sentir culpada se algo acontecesse para piorar o estado de sua avó.

Ela sentia a mão de Britt na sua e o polegar traçando círculos suaves em sua pele. Foi este carinho que lhe deu força para perguntar. Sua voz estava rouca quando saiu e muito mais dura do que Santana desejava, mas ela não tinha como tomar de volta então simplesmente aguardou.

- Sabe Santana (Alma começou olhando calmamente para a neta. Ela tinha sido dura com Santana tantas vezes que era até mesmo um alívio poder ser apenas calma), pessoas velhas não são fáceis... (continuou olhando nos olhos castanhos que pareciam apreensivos, quando ela poderia parar de se culpar por receber esta reação de uma das pessoas mais importantes de sua vida?). Nós somos duros e alguns de nós são apenas mais teimosos do que os outros, então demoramos muito para perceber um erro e quando fazemos o orgulho é muito forte para nos fazer admitir... (Santana não podia acreditar no que estava ouvindo, será que este era o caminho de sua avó para pedir desculpas). É difícil aceitar o que é diferente... Pessoas jovens têem dificuldades para aceitar... (ela olhou para Britt, que apenas a observava em expectativa). Eu sonhei tantas coisas para você e quando você foi crescendo, tornando-se uma mulher forte, eu pensei que seria pouco tempo para que encontrasse o homem certo, que lhe daria uma família perfeita com filhos e felicidade... Eu não pensei...

- Eu sou feliz abuela... (Santana cortou pensando que a conversa estava mudando de rumo, ela não iria ouvir qualquer tipo de comentário depreciativo sobre seu relacionamento ou a pessoa por quem se apaixonou). Brittany me faz feliz...

- Eu sei... (a avó respondeu respirando profundamente para não deixar que as lágrimas atrapalhassem o que tinha a dizer). Eu acho que eu sempre soube, mas era tão difícil de compreender... Não parecia natural e eu...

- Você realmente não precisa fazer isso... (Santana falou com calma, mesmo que seu coração estivesse apertado). Não é preciso se forçar a entender ou pedir por uma explicação porque isso não está acontecendo... Se você está com medo de morrer e por isso me chamou aqui, para lhe dar alívio, eu estou bem e alguma coisa me diz que você não está partindo, então foque suas forças em se recuperar e esqueça todas as coisas que tem passado por sua cabeça porque sim, você me fez sofrer como eu nunca imaginei que faria... (a médica parou apenas um segundo para afastar algumas lágrimas). Mas eu continuo de pé, eu continuo amando a abuela que eu tive um dia, mas não quero mais ter esperança e esperar que você me ame de volta. Você me odiar não vai fazer com que eu deixe de amar a minha esposa, suas palavras duras apenas farão com que ela me dê ainda mais carinho e amor tentando compenssar a dor e a falta que você me faz. Como você disse, eu cresci... (ela continuou apontando para si mesma). E estou orgulhosa das minhas escolhas, porque Britt e eu? Nós somos felizes abuela, com ou sem a sua benção, nós vamos continuar sendo felizes.

Santana terminou seu discurso com lágrimas nos olhos. Nunca sua mão deixou a da esposa e quando ela terminou puxou Britt com ela em direção a porta.

- Santana... (a avó chamou assim que a mão da morena tocou no trinco). Por favor, me perdoe...

Santana não tinha virado, ela não precisava disso para saber que sua avó estava chorando, nem para perceber que havia sinceridade em seu pedido.

As palavras que ela esperou tanto para ouvir. O pedido que ela desejou escutar durante todos estes anos, estavam saindo dos lábios de sua abuela e ela congelou. Santana tinha vontade de abrir a porta e sair do quarto com Britt, mas também queria ficar e ouvir o que sua avó tinha para lhe dizer. Seu impasse terminou quando a voz tranquila lhe chamou.

- San... (Britt falou baixinho e Santana não precisava de mais explicações).

Ela virou-se devagar e enfrentou a mulher na cama com curiosidade, o coração acelerado de medo, e se ela tivesse ouvido errado? E se fosse apenas sua mente pregando-lhe uma peça?

- Eu estava errada... (alma continuou chamando Santana para a realidade). Eu estava errada em pensar que não era certo, ou que você era uma vergonha para a nossa família porque isso é tudo que eu tenho sido... Eu vejo as pessoas comentando como você está fazendo bem, e como Brittany é boa com você... (Santana não conseguia acreditar no que estava ouvindo e se aproximou mais do leito equanto sua avó continuava a falar). Seu pai elogiou como ela apoia sua profissão e como vocês estão ido bem em L.A. e eu... Eu só me sinto estúpida demais por fazer você sofrer... Por não ter ido ao seu casamento, e por julgar o que você sente ao invés de te apoiar... Eu envergonhei a nossa família quando lhe proibi de ir a minha casa, envergonhei a nossa família quando dei motivos para que falassem da minha ausência nos momentos mais importantes da sua vida... E eu sei que isso não é desculpa Santana, mas eu sou velha e as pessoas velhas cometem erros... Hija, por favor me perdoe...

Santana estava sem palavras. Tanto tempo esperando para ouvir e quando finalmente aconteceu, ela não sabia o que dizer. Ela sabia que estava sendo difícil para a mulher dizer todas estas palavras, abrir seu coração e admitir que estava errada, porque Santana era como ela e apenas Britt poderia fazê-la se abrir com naturalidade.

- Você está me dizendo que está tudo bem que eu tenho uma esposa? (ela perguntou buscando ter certeza). Está dizendo que vai me olhar nos olhos a próxima vez que nos vermos e não passar por mim como se eu não estivesse ali?

- Santana...

- Não. Me desculpe, eu acho que sonhei tanto sobre este dia... Eu preciso... Eu preciso de um pouco de ar...