Dentro de um Coração Vazio
2 Do Lado Mais Obscuro do Medo
Notas iniciais
A Pedra da Fênix
A Pedra da Fênix era usada para prender almas de Vampiros. Com a alma presa lá dentro o Vampiro iria enfrentar o seus piores pesadelos, sofrendo num ciclo sem fim.
"A Pedra da Fênix dá a Espada poderes contra inimigos imortais." Damon Salvatore deveria ter ouvido os conselhos de sua melhor amiga, Bonnie Bennett, mas ao invés disso, ele queria se vingar do amante de sua mãe que também tinha sido o responsável pelo assassinato dela.
Julian era um vampiro mais velho que já havia tido a sua alma presa na Pedra da Fênix, porém conseguiu se libertar e agora estava causando o caos em Mystic Falls.
— O objetivo da Pedra é punir vampiros. Cada pecado que você comete vai criando o seu próprio inferno pessoal. Eu não sei qual é o seu inferno, mas espero que ela esteja lá. — Dizia Julian antes de fincar a espada no peito de Damon, assim, conseguindo aprisionar a alma do vampiro dentro da Pedra da Fênix.
Gettysburg – Junho de 1863
Damon
A Guerra Civil Americana, uma parte da história dos Estados Unidos, onde interesses e características diferentes fora o estopim para a guerra explodir entre os Estados Confederados do Sul contra os Estados do Norte. Entretanto, a questão fundamental em toda esta história era de que lado eu estava lutando nessa guerra...
O cheiro de pólvora, lama, carne humana e sangue, se misturavam entre as explosões de canhões, dos gritos dos soldados aliados e inimigos que retumbavam furiosos, ou desolados, criando o cenário perfeito onde se desdobrava uma batalha sangrenta e brutal. E, no meio daquele ambiente hostil e sombrio, eu me vi perdido e dominado por medo e um desejo de ser livre daquele inferno.
Eu continuei correndo sem rumo no meio dos canhões e dos soldados em seus cavalos, sempre com minha arma em punho. Meu sangue fluía intensamente por meu corpo causando um arrepio mórbido e fazendo meu coração palpitar em angústia. Fui presenciando um por um dos meus companheiros de guerra morrer de formas brutais, sem ter nenhuma chance de conseguir ajuda-los. Presenciei William meu amigo mais antigo dali, explodir na minha frente, enquanto outro companheiro surgia e salvava a minha vida, porém nem pude agradecê-lo, pois ele morreu em meus braços agonizando.
Tudo o que podia fazer era esquecer daqueles que deixei para trás e focar em seguir em frente, pois a guerra não parava nem um instante. Não havia tempo de pensar ou respirar, nós tínhamos que continuar.
Todos estavam tão exausto, mesmo assim, continuamos a seguir em frente, já estávamos próximos do nosso Fort quando fui envolvido por fogo e fumaça, que atrapalhava um pouco a minha visão. Havia tantos escombros ali e restos mortais, vozes próximas de mim foram me guiando por um caminho cheio de morte, dor e brutalidade. No meio disso, ouvi o meu capitão (um homem arrogante e um tanto sádico), dando ordem cheio de escárnio. Logo, vi três corpos sendo arrastados no meio dos soldados. Três corpos de soldados inimigos sujos de sangue e lama.
Os três corpos foram arrastados até a árvore e dependurados por cordas em cada galho. Meus companheiros continuaram puxando, rispidamente, as cordas se divertindo enquanto os três inimigos se debatiam tentando se equilibrar na ponta dos pés para não serem enforcados. No fim, dois morreram rapidamente, sobrando apenas um. Um jovem soldado de pele escura que ainda permanecia com seus olhos fixados no chão como se estivesse concentrado, provavelmente, tentando manter seu equilíbrio. Ele parecia muito obstinado e firme, honrando seus ideais mesmo que estivesse à beira da morte. Seus olhos se voltaram para meu capitão que lhe olhava com desdém e superioridade.
− Olhe para esse preto imundo. Se sentido corajoso e como se fosse um igual. Você não é nada. – Mas o jovem soldado era corajoso, deu um sorriso orgulhoso e tinha um olhar impetuoso. E eu me vi admirando a sua coragem.
− No fim, vamos... todos... morrer aqui. E, seremos todos esquecidos... no meio da fumaça da guerra. Não vejo diferença... entre nós. – O jovem disse numa voz ponderada e convicta. Meu capitão enfurecido cospe no rosto dele e lhe dá um murro em seu abdômen fazendo-o quase se desequilibrar.
− Ah, seu negrinho insolente e nojento! Vou lhe dar uma lição. – Então, o capitão ditador olhou para mim. – Oficial Salvatore, acabe com isso. Atire nos dois joelhos dele. – Eu obediente empunho minha espingarda, mesmo que por dentro meu coração palpitasse da forma mais humanamente possível. Eu me aproximei do soldado mortificado, aquele jovem corajoso que lutava por liberdade, por um ideal que acreditava valer a pena. Ele não tinha uma chance de escape, sua única certeza era a morte.
− Vamos soldado, você faz o que tem que fazer! – O jovem soldado inimigo dizia em plena força de seus pulmões, mesmo que as cordas em volta de seu pescoço lhe apertassem mais. – Vamos Damon, você consegue! Eu serei apenas mais um sangue derramado pelas suas mãos.
Havia algo de muito sinistro sobre esse momento, sobretudo, porque aquele soldado desconhecido parecia reconhecer o meu lado mais obscuro, como se soubesse que eu... Eu era um vampiro.
De repente senti um desejo de fugir dali.
– Vamos Damon, acabe com isso! Suas mãos já estão sujas de sangue. Sangue de muitos inocentes. E você já está condenado! – Subitamente, fui dominado por uma raiva descomunal, minhas mãos apertaram, furiosamente, a espingarda, pronto para dar o tiro de misericórdia.
− Vamos meu filho, faça-me orgulhoso! Honre o seu pai. – Abruptamente, me vi apontando a arma; não mais para o soldado inimigo; mas sim para meu o próprio Pai. Giuseppe estava ali refletindo em meus olhos azuis. – Mostre-me o quanto somos iguais. Lily e Stefan nos deixaram, somos só nós dois, filho... Dois monstros obsessivos e egoístas, condenados a extrema solidão eterna. – Ele riu, diabolicamente, mostrando seus dentes brancos.
Eu queria cala-lo. Eu queria causa-lhe dor, como tantas outras vezes aquele homem já havia me causado.
Eu segurei mais firme a arma agora decidido acabar com aquilo e sem perder contato visual, apertei o gatilho. Dois tiros certeiros e consegui arrebentar seus joelhos. Mas, repentinamente, o corpo diante de mim, já não era mais de meu Pai. O corpo se debatendo e sufocando diante de mim, era do jovem soldado idealista, que queria lutar pela abolição da escravidão e por igualdade.
Curiosamente, ali eu ainda era humano, ainda não havia sido transformado em um Vampiro e, mesmo assim, já me sentia um covarde, um monstro.
Logo, o fogo e fumaça foram consumindo tudo e, no fim, o capitão e seus soldadinhos foram morrendo um por um, sendo devorados no fogo da batalha, onde iriam apodrecer no meio da lama e depois cairiam no esquecimento como tantos outros.
Ali no campo de batalha eu aprendi que entre brancos e negros não havia diferenças, porque todos eram feito de carne e osso, de dor e medo, carregavam seus próprios pecados e sangrariam, chorariam e morreriam da mesma forma violenta e precoce. Não havia honra em morrer ali.
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− Damon, acorda! – E no meio de toda aquele caos da guerra, eu podia ouvir a voz de meu irmão caçula ao longe.
− Damon, eu preciso de você! – A voz foi ficando mais forte e perto.
"Mas, o que Stefan estava fazendo aqui?!" Eu entrei em pânico, não poderia suportar ver meu irmão aqui no meio dessas imundices, no meio de tantas mortes e agonia. Não queria que ele visse o homem covarde semelhante a Giuseppe que eu havia me tornado.
− Damon eu preciso de você, acorda cara! – A voz de meu irmão soava tão aflita. Então, fui sentindo o gosto quente, doce e metálico escorrer por minha garganta me aquecendo por dentro, cada fibra de meu corpo, me deixando forte e faminto por mais. Minha boca estava sendo alimentada por sangue fresco, matando minha sede e fome.
− Acorda logo, Damon! – O grito de Stefan retumbou forte me arrastando implacável para longe daquele inferno...
Eu despertei ofegante e desnorteado. Acabei me deparando com Stefan pairando sobre mim com um olhar indecifrável, logo, me dei conta de onde estava. Eu estava no porão da mansão Salvatore dentro de um caixão onde eu deveria estar dessecando pelos próximos 60 anos.
− Eu disse pra não me incomodar até a Elena acordar! – Eu rosnei frustrado, embora no fundo eu estivesse completamente aliviado por me livrar daquele maldito pesadelo.
− Então irmão... eu estou aqui cumprindo a minha promessa. – Stefan disse me tirando de meu torpor. – Ela está aqui. Ela voltou Damon. – Stefan saiu de perto de mim dando espaço para que eu vislumbrasse na porta, Elena, a minha namorada que estava sorrindo para mim. Ela estava linda e do mesmo jeito que me lembrava.
Elena tentou se aproximar, mas eu entrei em desespero.
− Não, você não deve se aproximar agora. – Eu disse sentindo uma fome insaciável por sangue. Eu ainda estava fraco e faminto, necessitando de mais sangue para me recompor e tomar o total controle sobre meus atos mais selvagens.
− Ei, está tudo bem. Você não pode me machucar, meu sangue tem a cura, lembra? – Ela disse animada se aproximando cada vez mais de mim. – Se você beber meu sangue você será como eu, um humano de novo. – Ela tocou minha face docemente e eu me vi tragado para dentro de seus olhos de corça.
Incerto do que fazer decidi confrontar os olhos de Stefan que me olhava paciente.
− Bom, não era esse o plano? Você despertaria quando Elena voltasse e depois você beberia seu sangue e, então, voltaria a ser humano? – Ele disse se afastando de nós e parando na porta. – Agora você pode ter tudo o que desejou. Você tem a garota, Damon. Você tem uma nova vida pra construir. Vá em frente e seja feliz. – Com essas palavras ele saiu nos deixando sozinhos no porão, onde eu ainda permanecia sentado dentro do caixão.
− Isso parece tão surreal. – Eu falei comigo mesmo, sem ousar olhar para a mulher que estava ao meu lado.
− Ei, por que esse medo? – Ela me fez confrontar seus olhos. – Nós estamos aqui de novo juntos, onde pertencemos, nos braços um do outro. – Ela roçou seu nariz nos meus e depois deixou exposto seu pescoço nu onde eu poderia ver sua veia pulsando cheia de sangue, fazendo minha fome mais voraz. Beijei aquele ponto sensível ali, fazendo Elena se arrepiar e seu corpo ficar entregue a mim. E, sem conseguir mais me conter, deixei minhas presas invadirem sua pele tomando o gosto adocicado e metálico de seu sangue.
Bastou um pouco de seu precioso sangue para saciar minha fome e me transformar em outro ser. Meu corpo foi ficando mais mole e frágil, minha visão por um instante ficou enevoada, me senti entorpecido pelas novas sensações que há muito tempo eu não sentia. Tudo era diferente, mas ao mesmo tempo, era algo comum, normal, sensações que um dia já havia experimentado.
Enfim, meu corpo lentamente estava se transformando pouco a pouco, deixando de ser um imortal implacável, dando lugar a uma alma humana, vulnerável a diferentes sensações físicas e emocionais. Foi como num passe de mágica e eu, Damon Salvatore, o vampiro com quase dois séculos de vida, havia retornado em segundos a ser um humano a mercê de seus sentimentos mortais.
− Você consegue sentir isso? – Elena pegou minha mão esquerda e colocou na direção de meu próprio coração, onde eu podia senti-lo pulsando agitado. – Seu coração batendo no mesmo ritmo que o meu. É tão lindo, Damon! – Ela disse antes de tocar seus lábios em cada lado da minha face, até que seus lábios pousaram sobre os meus. Então, qualquer cautela, incerteza, ou medo havia se esvaído enquanto me perdia em seus beijos famintos. Fazendo-me sentir todas as sensações mais humanas fluindo natural dentro de mim.
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"Aqui jaz Bonnie Bennett, jovem amada, amiga leal e altruísta, com um coração indomável forjado no amor e na coragem. Descanse em paz!"
Diante da lápide de Bonnie, eu me encontrava, novamente, trazendo comigo além de minhas normais reclamações e desabafos, também, trazia meu Bourbon nosso cúmplice da minha total insanidade. Todos os dias, eu vinha visita-la no fim da tarde e hoje resolvi compartilhar com ela, uma novidade.
Eu e Elena decidimos retomar nossos planos antes dela ter ficado em coma mágico. E, aparentemente, tudo parecia estar indo bem. Eu estava feliz, mesmo que lá no fundo sentisse que havia algo faltando.
— Bom, meu dia fora agitado e tão comum. Tão irritantemente maçante. Stefan todo mês deposite uma quantia em minha conta. Mas, segundo Elena, agora devo ser um humano independente que deve pagar suas próprias contas. — Eu continuei tagarelando para o vento, sozinho dentro do cemitério. − É tão estranho ganhar menos que sua noiva. — Eu dizia entre risos para a lápide da Bon-Bon. — Eu te falei que Elena se tornou uma bem sucedida Médica Pediatra? — Eu questiono para o vento que me responde num sopro frio fazendo-me arrepiar.
Era tão estranho sentir todas essas sensações humanas que pouco a pouco fui me adaptando.
— Eu sei Bon-Bon, que você me chamaria de machista rabugento. Não me leve a mal, eu estou orgulhoso por ela. — Eu dizia engolindo em seco e me sentindo deslocado. Tomei mais um pouco de Bourbon tentando me aquecer do frio, embora o frio que me corroía por dentro não seria aquecido com meros goles de Bourbon.
Fechei meus olhos sentindo o vento frio bater em meu rosto, enquanto tentava se concentrar numa lembrança qualquer sobre a bruxinha, no intuito de poder me apegar a qualquer lembrança dela, seja em seus sorrisos, ou seu cheiro, ou sua voz. Eu precisava lembrar, só que não vinha nada, apenas um branco, ou vazio em minha mente. Isso me irritava.
— Onde está você hein, bruxinha orgulhosa? Onde está você que não consigo nem te encontrar em minha mente. Onde está você Bonnie?! − Eu grito tão frustrado e obscurecido por saudade e uma amargura. Eu respiro fundo, determinado a continuar solitário em minhas lamentações.
— Eu falei que vou casar com Elena? — Eu empunhei a garrafa de Bourbon como se tivesse brindando com ela e depois esperei uma resposta que eu sabia que nunca viria, soltei mais uma respiração cansada.
E sob o crepúsculo e o silencio mórbido do cemitério, eu a ouvi em sua voz suave e melodiosa.
— Parabéns, Damon. — Ela diz sarcástica. — Mas, você sabe que esta ilusão não vai durar muito. É tão perfeito tudo aqui que até parece surreal... — Eu sinto a garota parar ao meu lado, mas não tenho coragem de encara-la com medo de perdê-la de novo.
— Você está errada. — Posso sentir ela ficar inquieta ao meu lado. — Se tudo fosse perfeito... você estaria aqui também. — Minhas palavras são amargas. Logo, sinto seu cheiro de morangos frescos me invadirem.
— Oh Damon, a regra era clara... Enquanto eu estivesse viva Elena estaria em coma mágico, até que eu morresse. — Suas palavras eram tão honestas quanto cruéis me fazendo apertar as mãos revoltado. — Você queria Elena desde sempre e agora você a tem. Minha morte era o preço para que você a tivesse de volta em seus braços. — E aquilo foi reabrindo velhas magoas e dores.
"Por que eu não podia ter as duas?"
— Não é justo ter ela aqui, quando não posso ter você em minha vida. Eu preciso de você, Bonnie! — Eu digo desesperado decidindo confronta-la. Meus olhos se fixam em sua face bela e angelical e depois vão percorrendo seu corpo coberto apenas por um vestido bordo fino que se encaixava com cada curva de seu corpo e contrastava, perfeitamente, com sua pele negra. Ela estava linda e impecável. Entretanto, antes que eu pudesse toca-la, um nevoeiro tomou conta do cemitério e, abruptamente, fui arrastado para longe dela e sugado para outra realidade...
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Novamente, eu estava no meio do campo de batalha, onde se travava uma guerra sangrenta e feroz, lutando por minha vida e por um ideal que eu nem almejava, me fazendo desnorteado e muito furioso. Entre esbravejantes gritos, explosões, fogo e muitas mortes, havia um soldado mirando sua espingarda diretamente para mim. Eu respirei fundo, empunhei minha arma e apertei o gatilho, num único tiro acertei seu peito abrindo um buraco vermelho de sangue. Entretanto, o alvo diante de mim, inesperadamente, se transformar em minha pequena bruxa que me olhou com seus olhos enevoados de agonia, sua face bela e jovial se tornara em pura dor.
Eu corri em sua direção desesperado e, completamente, insano. Corri usando toda a energia que possuía, mas parecia que meus passos não eram suficientes, parecia que minhas forças estavam se esgotando, ainda sim, continuei imparável, correndo por entre todo aquele pandemônio, até que consegui alcança-la, envolvendo seu corpo em meus braços.
Seu corpo pequeno e frágil estava frio e trêmulo, seus olhos foram perdendo o brilho e vida. Eu me vi em desespero e cheio de angustia, enquanto a culpa e o ódio por mim mesmo, foi me devorando por dentro.
— Por favor, Bon-Bon, fique comigo! — Eu dizia entre as lágrimas. — Por favor, eu preciso de você. Por favor, não feche os olhos. Você não pode fechar os olhos... — Eu continuei a minha suplica embalando seu corpo delicado em meus braços. − Bonnieee! – Meus gritos desolados se perderam no vento. E tudo o que havia restado era uma expressão oca em seu rosto e um corpo gélido e morto em meus braços.
Eu havia assassinado Bonnie Bennett, minha bruxinha leal e destemida. Mais uma vez, eu tinha derramado sangue inocente. E um buraco se abriu em meu peito, reabrindo velhas feridas, corrompendo minhas esperanças, tragando minha alma para um completo vazio e solidão.
Bonnie
− Nãooo! – Eu gritei insanamente, sendo puxado ferozmente para longe de Damon. Meu corpo trêmulo foi abrigado pelo abraço protetor de Stefan. Assustada e com o coração batendo descontrolável, me permiti chorar em seus braços. Chorar ,desconsoladamente, por sentimentos e sensações que nem pertencia a mim. Chorar por Damon e tudo o que eu presenciei dentro de sua mente contaminada por aquele inferno.
− Eu podia sentir a dor dele, Stefan. – Eu disse agora confrontando os olhos tortuosos de Stefan. − Eu tentei tira-lo de lá. Eu tentei, mas era como se uma força invisível me puxasse para longe dele. – Eu continuei desabafando toda a minha experiência vivida dentro do inferno particular de Damon.
− É assim que funciona a Pedra da fênix. – Disse Valerie traduzindo tudo o que Beau (o herege mudo) dizia em sinais. Beau foi um sobrevivente da Pedra da Fênix.
Ambos os Hereges (metade vampiro, metade bruxo), resolveram nos ajudar, ambos haviam decidido se aliar a nós contra Julian, tudo em nome de Lily, que era como uma mãe adotiva para eles e havia sido morta pelo seu amante.
− Quanto mais ele estiver preso lá, mais a Pedra da Fênix irá transforma-lo em alguém, talvez, até irreconhecível. Cada vez mais, Damon será consumido pela escuridão. – As palavras de Valerie me corriam por dentro, causando um medo terrível de que eu perderia Damon para sempre.
− Calma, Bonnie. Nós vamos tirá-lo de lá. Eu sei, Damon é forte. Ele vai aguentar. Nós só temos que manter a esperança. – A afirmação de Stefan não foi o suficiente para aplacar os meus temores, no entanto, eu decidi me apegar em suas palavras.
Eu nunca desistiria de nenhum de meus amigos. Eu nunca desistiria de Damon. Aquele vampiro arrogante, impulsivo, lindo e, às vezes, rabugento que aprendi a amar.
Se eu perdesse Damon agora, sinto que perderei um pedaço do meu próprio coração.
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