Dentro de um ônibus- Jantar em família.
1 Capitulo Bônus- Um encontro em Família.
Notas iniciais
Aquela era uma linda manhã. Eu e Arthur estávamos num parque da cidade de mãos dadas olhando o céu, e tentando identificar objetos e animais na nuvem. Annie, Lucia, e Josh vieram também, mas deixaram que nós ficássemos a sós.
Arthur fazia de tudo para que eu não percebesse, mas nos últimos tempos alguma coisa estava o incomodando e ele não me deixava saber o que era. Naquela manhã mesmo, ele parecia aéreo, incomodado e tudo piorou quando um garoto de sete anos deixou a bola cair perto de onde estávamos.
—Hey moço,_ ele disse quando veio pegar a bola e nos viu de mãos dadas._ Porque você está de mão dadas com ele... ele é seu filho?
Eu ri e Arthur balançou a cabeça.
—Meu pai só fica de mãos dadas com os filhos dele ou com minha mãe._ ele continuou._ ele é sua namorada?
—Não, mas é quase isso._ Arthur disse sorrindo e me fazendo corar.
—mas ela parece um garoto._ ele falou.
—Ele é um garoto._ Arthur respondeu, esperando que o garoto ficasse mais confuso.
—Que legal!_ o garoto disse._ eu queria namorar um garoto quando eu crescesse, garotas são chatas!... Mas ai, eu lembro que se eu namorar um garoto eu não vou poder ter filhos.
Arthur ficou em silencio, e o garoto se virou e correu.
Desde aquela hora Arhur ficou tão frio e estranho que quase não parecia o mesmo.
—O que é?_ perguntei quando tomei coragem.
Ele me olhou e por alguns minutos pareceu tentar inventar uma desculpa, mas desistiu.
—Eu sempre quis ter filhos._ ele falou.
Naquele momento tudo começou a fazer sentido, Arthur estar cada vez mais longe.
Depois que a empolgação do inicio da relação passou eu também comecei a pensar nos problemas que se seguiriam, e uma família era um deles.
Eu segurei sua mão com um pouco mais de força, e o olhei nos olhos. Lembrei-me de quando estávamos no ônibus onde não havia qualquer problema, só nós dois e uma dança extremamente empolgante.
—Eu nunca te falei sobre minha família néh?_ perguntei dando um sorrisinho.
—Na verdade falou um pouco sobre “seus pais”, e sua mãe, mas eu nunca entendi muito bem...
A risada de Lucia atrás de mim resumiu tudo o que eu iria dizer.
—Enquanto não os ver é impossível de entender._ ela falou._ As vezes acho que a família de Louis é mais estranha que a minha.
—Vamos deixar ele resolver isso._ falei rindo e deixando-o ainda mais curioso.
—Oque vocês querem dizer?_ ele perguntou.
Eu encarei Lucia e sorri ainda mais.
—Arthur, acho que é hora de você conhecer minha família.
—Eu tinha medo que dissesse isso._ Lucia falou.
—Eu também tive medo desse dia chegar._ falei me levantando._ Eu sei que não tem nada organizado pra hoje, e como hoje é dia de jantarmos na casa de Lucia, acho que não há oportunidade melhor.
Eu me levantei, num salto e peguei a mão de Lucia.
— acho que temos que ir avisar que temos mais um pro jantar._ falei rindo, e indo embora sem esperar que Arthur respondesse.
〄〄〄
Era quase oito quando eu e Lucia buscamos Arthur na casa dele. E o que encontramos lá foi hilário.
Arthur abriu a porta, e as coisas começaram a dar errado, ele usava algo como smoking e tinha um buquê na mão. Eu reprimi o riso. Estávamos indo para um jantar casual, não para o velório do presidente.
—Você sabe que não precisa disso tudo não sabe?!._ falei rindo.
—Acha que preciso me trocar?_ ele perguntou._ To tentando escolher a roupa desde a hora que vocês foram embora no parque, tudo era casual demais, ou sofisticado demais. Decidi pelo sofisticado, melhor muito do que pouco.
—Você está perfeito._ Disse Lucia rindo e o puxando pro carro._ Meus irmãos vão adorar isso.
A ultima parte foi quase um sussurro, mas todos nós ouvimos.
No caminho, Arthur quase não falou, estava sempre mexendo nas flores, ou no cabelo, se olhando no espelho do carro, e procurando imperfeições em qualquer parte de si.
—Sua mãe não é alérgica a flores é?_ ele perguntou se virando pra mim.
Eu balancei negativamente a cabeça, e segurei sua mão.
—Fique calmo, vai dar tudo certo... e você está perfeito.
Ele pareceu se acalmar um pouco, mas ainda parecia bastante nervoso. O Que só piorou com o decorrer da noite.
Nós chegamos na casa de Lucia alguns minutos depois, e fomos até a porta que se abriu sozinha.
Arthur, o irmão de Lucia apareceu na porta e segundos depois Benjamin o seguiu.
—Você deve ser o Arthur._ disse Arthur com uma cara de dar medo._ Entre, a noite está só começando.
—Começando._ repetiu Benjamim, atrás.
Ver Arthur e Benjamim era engraçado, eles se pareciam muito um com o outro, sim eu sei que gêmeos se parecem, mas também eram muito diferentes. Benjamim, tinha os cabelos pretos como os do pai e os de Lucia e os usava arrepiados, mas ao contrario da garota e do irmão mais novo não tinha sardas.Ele e o irmão eram altos mas nada tão exagerado, e tinham o mesmo tipo de rosto, uma mistura da características de seus pais, e os dois tinham covinhas, que me faziam lembrar Arthur, não o irmão de Lucia o outro. Arthur era parecido com Ben, mas também muito diferente, tinha os cabelos ruivos meio lisos que deixava pra baixo e suas sardas, que diferenciavam bem um irmão do outro.
Eles levaram Arthur até a sala e ocuparam os espaços no sofá,o que fez Arthur ter que sentar em uma poltrona sozinho um pouco afastado.
Eles ficaram assim, parados encarando o garoto que mal sabia o que falar.
Minha mãe apareceu poucos minutos depois quebrando o silencio. Ela chegou na sala e encarou Arthur, o meu Arthur, e depois se virou pra nós como se dissesse “porque fizeram o garoto vir de smoking” e depois se virou novamente pra ele.
—Hey, _ ela disse sorrindo._ Então é você que tem feito meu filho suspirar pelos cantos.
Ela deu um abraço no garoto que a ficou encarando pasmo.
—Acho que as flores são pra mim._ ela disse olhando o buque nas mãos dele.
—É..._ ele disse com um pouco mais de confiança._ Eu já estava me esquecendo.
Ela balançou a mão dizendo pra que ele esquecesse, pegou o buquê e foi em direção a cozinha.
—Tratem bem o garoto._ ela disse._ Em pouco tempo o jantar fica pronto, e não se acanhe Arthur, os outros já deem estar chegando, e estão ansiosos para conhecê-lo.
O garoto engoliu o seco, o que me fez dar uma pequena risada, e antes que pudessem dizer alguma coisa a porta se abriu.
—Hey amor, Chegamos!_ Falou meu pai, Jhonny, quando os outros chegaram enchendo a casa de vozes.
Ele e Chris o pai de Lucia vieram pra sala, enquanto os outros iam pra cozinha ajudar minha mãe.
—então é você o Arthur._ falou Chris sério fazendo todos na sala rirem.
—S-s-ou sim senhor._ Arthur falou se levantando e estendendo a mão._ Você deve ser o pai de Louis.
Ben, Arthur e Lucia começaram a rir o que fez com que Chris risse também.
—Na verdade o pai de Louis sou eu._ meu pai falou mais sério do que realmente era._ esse é Chris pai de Lucia e dos garotos.
—Oh, _ falou Arthur começando a ficar vermelho._ Me desculpe senhor.
—Não há problemas._ Chris respondeu._ agora pode se sentar.
O garoto obedeceu imediatamente e ficou lá em silencio enquanto Chris e meu pai giravam em volta da poltrona como se o tivesse analisando.
Eu baixei a cabeça e deixei que eles fizessem seu teatrinho bobo enquanto Lucia e os irmão reprimiam o riso.
—Então o que você exatamente quer com Louis._ meu pai perguntou, sem parar de rodar.
—Eu...eu... não sei senhor._ Arthur falou.
—Acho que essa não é a resposta certa é?_ perguntou Crhis como um policial do cinema.
—Acho que chega néh?!_ falei me levantando.
—Estamos só começando meu garotão._ falou meu pai dando uma piscadela discreta pra mim e se voltando a Arthur._ Você não respondeu a pergunta.
Arthur balançou a cabeça e começou a falar.
—O que eu quero com Louis? É... eu quero...
—O JANTAR ESTÁ SERVIDO._ Minha mãe gritou da cozinha, fazendo com que todos fossem pra mesa e deixando eu e Arthur sozinhos.
Eu me levantei e segurei sua mão.
—Vamos e não se preocupe tanto eles não mordem, mas você tem que conhecer o resto da família.
—Tem mais?_ ele perguntou receoso.
—Aquilo é só o começo._ falei.
〄〄〄
Quando chegamos todos já estavam sentados, menos minha mãe que servia e Jhonny que parecia estar contando algo que aconteceu enquanto eles compravam as bebidas.
—Enfim os pombinhos chegaram._ falou Andrew que já se servira.
Arthur corou e eu também.Nós fomos nos sentar.
—Chega meu amor, vá se sentar._ minha mãe falou antes de dar um beijo em Jhonny e ele seguir pro seu lugar.
—Onde está o refri?_ Arthur irmão da Lucia perguntou.
—Acho que esqueci no carro._ Andrew falou de novo._ vou buscar.
Todos rimos, inclusive meu Arthur, enquanto meu pai se levantava e ia pela porta da cozinha, passando antes por minha mãe e dando um beijo nela.
—Mas ela beijou o outro._ Arthur disse um pouco alto demais nos fazendo rir como loucos.
—Eles não te explicaram as coisas?_ perguntou minha mãe me encarando.
Eu apenas sorri como se dissesse era uma surpresa.
—Bem, deixe-me explicar. Eu, Jhonny e Andrew._ ela falou enquanto apontava e gesticulava._ nós somos um “casal”, os pais de Louis. Enquanto Crhis e Matthew, são os pais de Lucia, Arthur e Benjamim.
Enquanto ela falava todos iam se apresentando com um aceno de mão ou de cabeça.
—Então vocês são adotados?_ ele perguntou pra Arthur e Bem.
—As vezes eu penso que sim._ falou Ben.
—Nós e nossos pais não temos nada em comum._ Arthur continuou, como típicos gêmeos.
—Mas na verdade. Todos saíram daqui._ falou Chris acariciando a própria barriga, como uma mãe coruja.
Arthur parecia começar a entender as coisas.
—Mas esses assuntos complexos são cosia pra outra hora._ Matthew falou dando uma piscadela pra Arthur, que o olhou com alivio agradecendo por ter encerrado o assunto._ Agora vamos comer porque eu to morrendo de fome, e nosso amiguinho de smoking também.
Os risos começaram de novo.
—Eu ainda não entendi porque ele veio de smoking._ meu pai, Andrew falou.
—Eu não deixei que ele se trocasse._ Lucia disse orgulhosa.
—Essa é minha garota._ Matthew falou._ Seu pai quando pequeno também arrasava nas “trollagens”
—Trollagens!?_ ela perguntou._ era assim que chamavam na sua época?
—É Lucia._ Arthur falou._ na idade da pedra...
—A linguagem era extremamente primitiva._ Ben continuou tirando outra crise de risos.
—Está vendo._ eu cochichei._ por isso eu quis te trazer aqui... Nós podemos não formar uma família convencional como a daquele garotinho no parque. Mas mesmo assim seremos uma família. Tão feliz ou até mais que as outras.
Ele assentiu, me deu um longo beijo que não de dava a tempos e continuou a observar sorrindo a minha família, e eu percebi que tudo estava certo de novo.
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