Demônios Não Amam.

3 Três gotas de sangue.


Notas iniciais
Feliz ano novo *-*.

POV Elena Gilbert.

Ela arfava como um maratonista em sua terceira e última volta. Não podia acreditar no quanto fora patética correndo para buscar abrigo no banheiro.

Damon deveria estar achando que a garota possuía algum distúrbio clínico merecedor de internação! Não que se importasse com o que ele pensava ou não dela... Era só um bonitão estúpido e desconhecido. Com os músculos terrivelmente marcados naquela camisa preta e com um sorriso lindo e... Droga, ela precisava se concentrar.

Tinha acabado de passar por uma situação absurda e estava pensando no corpo do cúmplice da amiga?

Pegou o papelzinho em seu bolso e discou o número com raiva. Pelo visor viu que estava corada, mas resolveu apenas ignorar.

Duas chamadas e a amiga a atendera arfante.

– ELENA, VOCÊ ESTÁ BEM? O QUE ACONTECEU?

HA-HA-HA. Muito engraçado, agora só pare com essa droga de teatro. – Cortou sem muito humor para a brincadeira.

– Teatro? Elena, você bateu a cabeça? O que aconteceu?

Hollywood estava perdendo uma excelente atriz!

– O que aconteceu? Eu vou dizer o que aconteceu Bonnie Bennett! Abri seu embrulhozinhoe vi que era só um pentagrama invertido estúpido que você comprou para me deixar com medo... NÃO, CALA A BOCA. VOU FALAR ATÉ O FIM. — Ordenou ao ver que a outra ameaçava cortá-la.– Continuando... Achei super engraçado apesar de você ter me matado do coração lá em casa. Gosto de um senso de humor e você sabe disso. Então resolvi inverter o jogo e lhe dar um susto, por isso coloquei o medalhão satan-

– VOCÊ.O.QUÊ? – Interrompeu bruscamente a voz do outro lado da linha. A menina nunca havia escutado Bonnie tão perturbada. – Ah, não, não. Por favor, me diga que está brincando e que não fez isso.

– Ok Bonn, pare com a palhaçada. Coloquei o medalhão no pescoço e daí? O Jigsaw¹ vem atrás de mim agora?

– Não tem palhaçada nenhuma Elena! Você... Você não pode ter feito isso! Droga, eu... Desculpa, amiga. Eu tinha que ter lhe avisado. Eu fui tão, tão estúpida. – A ruiva agora chorava incontrolavelmente, e o mundo girava na cabeça da outra.

– O que... – Não conseguiu terminar. Não conseguia pensar. Algo realmente estava machucando Bonnie.

Só os soluços ecoavam em resposta e ela resolveu esperar de forma respeitosa a sua Barbie extravasar todos os sentimentos que a aterrorizavam tanto.

Não soube calcular quanto tempo ficaram naquele estado até que, repentinamente Bonnie recobrou a voz.

– Lenn, eu... Você sabe o quanto eu gosto dessas coisas místicas não sabe? Bem, eu resolvi procurar mais sobre o assunto na internet e acabei encontrando artigos sobre o satanismo. Lembrei que você era tão sem medo com essas coisas, sempre me dizendo que era besteira e nada aconteceria... Que não existiam demônios e tudo mais. – Sua voz falhou novamente e Elena soube que ela revivia o momento. – O problema é que uma coisa levou à outra e comecei a fazer um dos rituais indicados só para... Não sei, para provar para mim mesma que não era mais uma criança medrosa. – Pausara soluçando. – Tudo deu errado! Tudo! Fiquei sem luz, ouvindo coisas estranhas enquanto estava sozinha em casa. O telefone, o celular... Nada funcionava e eu não achava a chave do carro. Fiquei desesperada e acabei fugindo para a casa do Tyler. – Ok ela merecia um puxão de orelha por isso. Elena estava cansada de presenciar as idas e vindas daqueles dois. Certo, precisava de foco. Foco, foco, foco. A prioridade era outra. – Hoje quando voltei para lá, as coisas tinham voltado ao normal, mas um embrulho estava na minha cada com uma carta que dizia que tinha feito um pacto, teria serviços em troca da minha alma e que só precisava colocar o medalhão para confirmar que aceitava a proposta.

Lentamente os joelhos de Elena começaram a ceder e ela se sentou na tampa do vaso sanitário com medo de cair. Precisava sentir algo. Medo, dor... Qualquer coisa era melhor do que aquele “nada” que invadia o seu peito.

– Eu... eu fiquei com medo do poder daquilo Lenn. Eu desejei o medalhão, pensei seriamente em aceitar o pacto e isso me deixou apavorada! Decidi deixar com você e sumir por um tempo até colocar a cabeça no lugar... Só não pensei que você... Que você fosse... – Sua voz cessou novamente enquanto chorava com uma dor palpável.

Bom, ninguém pensaria nisso. Elena era a única na face da terra que achava que receber um pentagrama invertido de uma amiga desesperada e fugitiva era sinônimo de “hey, coloque no pescoço!”

A morena sentiu que era a sua vez de arriscar dizer algo, não sabia bem o quê, mas ordenou que seus lábios se entreabrissem.

– Bonn?

S-s-s-si-m-m ?

– Eu não coloquei o medalhão, fique tranquila eu só queria lhe dar um susto. – Mentiu forçando-se a rir levemente. – Mas isso tudo é muito sério. Não mexa mais com essas coisas, Bonn. Não precisa disso para provar que é corajosa ou não e... Não conte para ninguém, mas eu nunca teria coragem de fazer um ritual assim sem uma lanterna reserva e sem que o meu irmão e a minha tia segurassem minhas mãos!

Deu certo. Bonnie riu fraquinho e o som parecia mágico. Ela estando tranquila, tudo estava bem.

V-v-v-ocê m-e-e-e deixo-u tão preo-preo-preocupada, Lenn!

– Está tudo bem. – Mentiu uma última vez.

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Sua cabeça martelava em uma dor incessante. Como a sua melhor amiga havia se metido naquilo? A doce e mística Bonnie sempre fiel às suas opiniões!

Inevitavelmente se sentiu culpada.

Ela só fez tudo aquilo porque a morena a incentivara com seus ideais de coragem e desprezo por tudo. Elena era uma PÉSSIMA amiga e a ruiva sentia isso agora na pele.

Na despedida as duas tinham combinado que Bonnie ficaria mais alguns dias na casa da sua avó (sim, ela estava lá para tranquilidade geral da nação). A menina de cabelos cor de fogo ainda achava perigosa a perspectiva de entrar em contato com o medalhão tão cedo. Elena quis lhe fazer desistir da ideia e voltar logo para a cidade, mas não conseguiu uma boa maneira sem contar toda a verdade. No final teve apenas que concordar com a fuga e, isso, doeu.

Não só por confinar Bonnie a um cativeiro, mas também porque nunca ficaram tanto tempo separadas.

Lavou o rosto apagando o rastro de suor e se olhou no espelho tentando raciocinar.

A pele morena clara, os cabelos castanhos revoltos, os olhos muito grandes igualmente castanhos... Nada lhe agradava ali. Muito menos ajudava a clarear sua mente.

Secou a pele molhada resolvendo ser completamente racional. No primeiro momento se deixou abater pelo desespero da amiga e aceitou aquelas sandices todas sem nem questionar, mas agora precisava pensar friamente.

Tinha certeza que ela não estava lhe pregando peças, mas Bonnie poderia ter ficado tão nervosa com o ritual que simplesmente surtou e imaginou tudo (como a Alice no país das Maravilhas ou sei lá... Sucker Punch).

Por outro lado o ritual poderia ser um truque de alguma quadrilha estranha da internet, da qual o tal Damon deveria fazer parte.

As teorias eram péssimas e cheias de furos, mas ainda soavam melhores do que acreditar em demônios.

Precisava encontrar o idiota incrivelmente lindo e colocá-lo na parede.

Infelizmente não da forma pervertida que estava pensando, mas de uma maneiramais ameaçadora atrás de confissões que o colocassem na cadeia (se é que fingir ser um demônio era um crime).

Saiu finalmente do banheiro percorrendo os corredores escolares o mais rápido possível. Pôde ver Jeremy ao longe conversando com uma garota bonita cor de chocolate com os cabelos mais brilhantes que Elena já vira. Quase se sentiu levemente enciumada, mas não tinha tempo para ataques de irmã mais velha possessiva. Adiantou o passo, voltando para o lugar em que havia o visto pela primeira e última vez.

Sua mochila ainda estava jogada na mesma posição em que deixara, mas seu pacote de biscoitos fora colocado no bolso da frente, como que para facilitar a procura.

Infelizmente lanche achado parecia significar bonitão perdido. Damon desaparecera tão rápido quanto chegara.

Chutou uma árvore em pura frustração. Agora até o tal Damon poderia ser invenção sua. O dia estava cada vez mais confuso, não se impressionaria se a sua mochila escolar fosse uma miragem também.

O sinal do fim do intervalo tocou a tirando de devaneios inúteis e tentou a todo custo prestar atenção nas aulas.

Teve o infortúnio de ser sorteada pelo professor de francês e responder a uma pergunta no meio da aula, mas tirando esse fato o dia passou sem mais problemas.

Encontrou seu irmão na porta da escola e voltaram para casa conversando como de costume. Não comentou nada da tal garota cor de chocolate bonita e misteriosa, mas ela não quis pressioná-lo a falar mais do que queria.

Ao contrário de quando saíram de casa, a cozinha agora abrigava Jenna, tia de ambos que era mais mãe do que Miranda e Greyson ousavam ser pais.

– Olá meninos. – Cumprimentou com um sorriso sincero e cansado. – Chegaram mais cedo hoje.

Isso era verdade? Para ela estavam chegando um milênio depois graças às horas se arrastando como o fluffy – gato falecido deles – costumava fazer no carpete.

– Nos liberaram mais cedo por que temeram que uma tempestade acontecesse hoje. O clima está sombrio.

Jeremy sorriu enquanto recebia um beijo na testa e Elena murmurou um “Oi” meio distraído ao sinal do mesmo gesto.

Lembrava-se vividamente do trovão que surgira assim que colocara o medalhão e do ar seco sob a grama molhada do pátio escolar. Definitivamente, “sombrio” era a palavra exata para aquilo.

– Confesso que fico feliz com um friozinho essa semana. Estava um calor insuportável, não é Lenn?

Três minutos inteiros se passaram antes que a menina respondesse com um aceno de cabeça e um: “Quê? Ah, sim... é.”

Se Jenna ou Jeremy perceberam algo não se pronunciaram e a morena resolveu compensá-los com toda a atenção do mundo durante o jantar.

Conversaram sobre o trabalho da tia, as rotinas escolares, as novidades dos amigos e até tiveram notícias dos pais que aparentemente voltariam em breve da viagem de negócios.

A permanência deles na cidade sempre durava apenas uma semana no máximo e depois de irem embora, toda uma mudança de volta para a casa da tia era necessária. Com raiva, os dois irmãos decidiram apenas permanecer ali e abandonar o lar paterno.

Algumas pessoas poderiam simplesmente achar que era uma questão de orgulho, mas aquele ultimato nas mudanças gerou uma diminuição de custo, esforço e dor de cabeça, então por orgulho ou não, foi melhor daquele jeito.

Assim que acabaram de comer, Elena foi ajudar a tia com a louça enquanto Jeremy tirava as coisas da mesa.

Eram seus momentos prediletos, tinha que confessar.

Um silêncio gostoso invadia as paredes enquanto o tinir de pratos e a água faziam trilha sonora. Às vezes jogavam espuma uns nos outros e riam bobamente como crianças traquinas.

Eram momentos em que Elena se confortava por ter uma família.

Acabado o serviço, a garota subiu as escadas, tomou uma ducha, escovou os dentes e trancou-se no quarto. Colocou sua camisola preta de rendinha e encarou os cadernos enquanto penteava os cabelos, molhados, com os dedos.

Tudo parecia ter voltado ao seu devido lugar. Se não fosse pelo pentagrama invertido em seu pescoço, nem lembraria que aquilo fora mais do que um “sonho”.

Sentiu-se meio tola pela preocupação excessiva e riu de si mesma passando os dedos pelo pingente macabro. Talvez devesse tirar aquilo.

Começou a remover do pescoço, quando constatou tarde demais que por nada no mundo saía. Sempre que estava prestes a tirar, o cordão parecia pequeno demais para passar por sua cabeça, mesmo permanecendo enorme, a ponto de ficar entre os seus seios, quando o soltava.

– O que diabos... ?

– Não sai. – Declarou uma voz ao seu lado na cama.

O pulo que deu deve ter sido digno de riso, mas pelo menos não gritou feito uma garotinha indefesa.

– DAMON! – Sussurrou mais assustada do que irritada e quis bater em si mesma por isso. – Ok, isso é uma alucinação... Uma alucinação... Uma.. NÃO ENCOSTE EM MIM! VÁ DE RETO SATANÁS! – Praguejou o ameaçando com o caderno.

– Você está me promovendo, sou só um demônio.

Ele sorriu. Aquele maldito sorriso de dentes brancos perfeitos que tiraram o ar da garota à tarde.

Espantou o pensamento sacudindo a cabeça. Certo, ela estava louca. O cara era só um cara. Um maluco que deveria ter invadido pela sua janela ou sei lá e entrou com seus passinhos de ninja. Os olhos castanhos fitaram o vidro como que para confirmar a hipótese e percebeu frustrada que era impossível qualquer pessoa passar por ali.

Entrara pela porta da frente então.

Percebendo que sua mão direita ainda agarrava a peça de prata lembrou-se do problema esquecido.

– Essa droga não sai? – Apontou para o medalhão impotente. – Como você e a sua gangue fazem essas coisas? Com truques de ilusão ou colocam um pozinho do mal no café da vítima?

Nunca teria certeza do que falou ou porque falou. As hipóteses de quadrilha pareciam absurdas encarando aquele ser. Cada mínimo traço perfeito era carregado de algo sinistro e sobrenatural que a fazia querer correr para as colinas o mais rápido possível.

Esperou uma resposta rápida e afiada como todas as outras que recebeu, mas Damon não prestava atenção, entretido demais na forma como a camisola da garota deixava expostas partes do corpo.

Elena corou, agarrando a colcha e se cobrindo. Pôde notar que a ação o despertou do transe maluco no qual estava preso segundos atrás e quis de verdade jogar seu caderno naqueles cabelos pretos desgrenhados. Aquilo era assédio. E provavelmente pedofilia, ele parecia mais velho;

– Hm, “gangue”? Porque eu nunca entendo nada do que você fala? O problema é com você ou todos os humanos são assim? – Ao contrário da menina, ele não parecia nada envergonhado por olhá-la descaradamente. – Podemos fazer o contrato agora?

Ela o fuzilou com os olhos.

– Vai mesmo continuar com essa história de ser o Sebastian Michaelis de Kuroshitsuji²?

Seu perseguidor deixou o cenho pesar parecendo cansado.

– Precisa de uma prova? – Massageava as têmporas.

Sinceramente? Não. Vai que ele provava que era um demônio mesmo. Preferia continuar na sua inocência acreditando que ele era só um psicopata pronto para esquarteja-la a qualquer momento.

Sua maldita curiosidade, entretanto, falou mais alto e ela pegou-se assentindo como uma criança.

Damon agitou a mão no ar fazendo com que uma faca aparecesse do nada e entregou à Elena com cautela.

– Sabe usar isso? – Perguntara estreitando os olhos com desconfiança. A menina fez que sim com a cabeça lembrando-se de que não era nada mal cortando pedaços de bolo, pizzas e etc. – Ótimo. Acerte em mim.

Deixou que o caderno caísse no chão enquanto permitia que todo o choque vir à tona.

Ele queria transformá-la em uma homicida?

– Você ficou louco? – Era retórico, claro. – Não vou machucar você só porque é surtado e assustador!

Salvatore revirou os olhos segurando com força o pulso feminino que brandia a adaga e então simplesmente levou o aço contra o seu coração.

A adolescente gritaria, mas sua voz sumiu enquanto o sangue começava a descer pela camisa preta.

Oh meu Deus.

Oh meu Deus.

Oh meu Deus.

Ela havia matado alguém! Ou presenciado alguém se matar, sei lá. AH MEU DEUS!

Sentiu a tontura a engolir fitando as gotas vermelhas aos poucos “beijando” o chão. Quase com ternura resolveu encarar o pobre suicida bonito e insano.

Buscara dor naquele semblante, mas só encontrava um sorriso irônico.

– Demônios não podem morrer. – Disse retirando a lâmina do peito e deixando que apenas Elena a segurasse. Abriu alguns botões da camisa revelando um corpo digno de galã de Hollywood e mostrou a marca profunda deixada pela faca simplesmente ir aos poucos cicatrizando e sumindo

Os lábios femininos se abriram em um pequeno “o” assistindo àquilo com fascinação. Era como ver um efeito especial de filme ao vivo ( fora que a “tela” do efeito era MUITO legal).

Damon revirou os olhos com a expressão de encantamento dela.

– Acredita agora?

Ok, ok, vamos fingir por cinco minutos que eu acredite. – Ela acreditava. Ah que se dane a sua racionalidade e ceticismo, era só olhar para ele para constatar isso. – Você está perdendo seu tempo me perseguindo, Sr demônio. Não tenho nenhum interesse em contratos, não quero um escravo e com certeza quero a minha alma!

As palavras o fizeram rir.

– É o que todos falam. Agora me diga. – Propôs levantando-se da cama e se aproximando lentamente da garota. – Que tipo de demônio eu seria se me contentasse com essa resposta? – O tom da sua voz estava baixo e a rouquidão estava mais provocante.

Pigarreou sentindo as faces ardendo e tomando distância para se recuperar.

– Eu sei que é o seu... trabalho [?]... Mas, ahn você se enganou, ok? Vá

conferir no sistema do seu escritório ou sei lá e verá que tudo foi um acidente de percurso e que a contratante nem é do mal! Além do mais não sou quem você está procurando.

De novo a distância entre os dois sumiu enquanto as mãos demoníacas seguravam o medalhão da garota.

– Elena ou Bonnie, tanto faz...você tem o amuleto, não tem? –Perguntou a fitando profundamente nos olhos.

Claro, ele sabia sua verdadeira identidade! Por isso a chamara de “Bonnie” no último encontro com tanto sarcasmo.

Uma corrente elétrica passou por sua pele e Elena esqueceu que existia tempo, espaço ou leis de Newton. Esqueceu-se do seu nome e de todas as coisas do universo que não fossem Damon Salvatore.

Incapaz de dizer algo, apenas meneou com a cabeça.

– E, com certeza, deve ter algo que queira. – Ele era ridiculamente alto e... Bonito e... Droga!

E-eu...– Pigarreou tentando clarear a mente, mas era inútil.

– Só preciso de três gotas do seu sangue no medalhão e você assume o lugar da sua amiga oficialmente.

– E.. Minha alma... Hm..

Como ele fazia isso? Elena não sentia mais suas pernas.

– Sua alma? Ela não é lá muito útil, é? – Continuou provocando. – Não tenho a minha e não posso reclamar.

O pouco juízo que lhe restava quis abandonar sua mente. Assinaria quantos contratos fossem!

Estava prestes a realmente fazer isso quando algo a salvou.

Para variar, seu irmão.

Jeremy entrou no quarto com o cenho levemente franzido ao ver a irmã em pé, corada, falando sozinha e coberta até o pescoço com a colcha (Graças a Deus, a faca tinha desaparecido ou seria internada naquele mesmo dia). Depois, deve ter refletido que era melhor não se meter na sua intimidade e apenas avisou que Caroline havia ligado e pediu que Elena retornasse a ligação depois (o que ela não faria, porque tinha preguiça).

Saiu tão rápido quanto entrou e a garota sentiu que nunca mais conseguiria conversar com Jeremy sem ficar constrangida.

Assim que a porta se fechara, Damon voltou ao mesmo lugar. Sua expressão normal, já não tentava seduzi-la.

Tinha visto no salvador de Elena, o seu trunfo.

– Não vou mais insistir, só pense que isso pode beneficiar outras pessoas além de você. – Murmurou sereno. Ao ver que a menina não tinha palavras para falar, continuou: – Jeremy sente falta dos seus pais... Eu poderia consertar tudo isso. Dar uma família de verdade para os dois.

As pernas da morena bambearam. Uma família? Com natais, aniversários, festas escolares, conselhos e broncas? Uma família que os orientasse e amasse?

Quantas vezes não rezara por aquilo sem nunca ser atendida?!

Pai e mãe de verdade...

Amava a Tia Jenna, mas ela não era a sua mãe e tio John havia morrido, então não tinha nem um pai fictício.

Uma família... Devia isso ao Jeremy, mas...

– Posso alcançar isso com alguma coisa do bem. – Desafiou cruzando os braços e deixando o edredom frouxo em seu corpo cair.

– Ah, claro. – Deixara que o tom sarcástico ecoasse. – E qual foi a última vez mesmo que isso aconteceu?

Nunca. Bang, ela fora pega.

– Fique sabendo que quando eu era pequena rezava para minha mãe trazer sorvete e era milagrosamente atendida!

O demônio fez uma careta debochada. Ok ela merecia.

Tá, tá! Mas eu nem conheço você e nada me garante que vai atender tudo direitinho. – Balançou as mãos no ar com frustração.

– É um contrato Elena, não um casamento. Não precisamos nem saber o sobrenome um do outro se quiser. Quanto à atendê-la, é uma das coisas que o contrato me obriga a fazer, fique tranquila.

Claro, porque quando um demônio falava, hey, o mundo todo sabia que era verdade!

Revirou os olhos tentando organizar as coisas na sua mente. Ter um servo com poderes surreais era um sonho que poderia auxiliar toda a sua família muito mais do que apenas naquele aspecto. Podia pedir proteção para seu irmão e pais, ou fazer com que Jenna encontrasse alguém que tirasse a tristeza que carregava no peito desde que seu marido morrera.

Podia fazer muita coisa em seis meses e perder a alma quase parecia um preço pequeno. Nunca se importou com o seu estado, por tanto que as pessoas que amava estivessem bem.

Por outro lado, aquilo era obviamente loucura.

– Conviver com uma pessoa por mais de um mês em uma relação escrava para mim é quase um casamento. – Murmurou distraída ainda revendo os prós e contras. Surpreendentemente achava mais pontos positivos que o inverso, talvez o imbecil estivesse a hipnotizando ou algo assim.

Damon riu relaxando um pouco mais.

– Os indianos se casam todos os dias com noivos e noivas que nunca nem viram, nosso caso é igual.

A brincadeira fizera com que as suas bochechas ficassem vermelhas e ela fitou a parede branca ao fundo para evitar os olhos azuis. Estava tão alheia que nem percebeu que falara algo meio embaraçoso sobre dividirem algum tipo de “casamento” por causa do tempo contratual.

Aquilo, entretanto, era o de menos naquele momento.

– É uma decisão complexa... – Pensou em voz alta.

– É uma decisão simples, só precisa saber até que ponto iria pelo seu irmão.

Maldito manipuladorzinho inteligente. Ele tinha razão.

Suspirou para manter o pouco de compostura que lhe restava e disse as palavras que nunca pensou dizer na vida:

– Damon Salvatore, parece que a minha alma vai ser sua.

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Notas finais
Jigsaw¹: Vilão e personagem principal de Jogos mortais (muito medo).

Kuroshitsuji²: Anime que retrata um contrato demoníaco em que Sebastian Michaelis é o demônio.