Demônios Não Amam.

15 Sr e Sra. Turpin - Parte 01


Notas iniciais
Meus potes de sorvete com cobertura de chocolate *O*.
Quelindos os comentários, "favoritações", etc vocês me fazem a autora mais feliz do mundo por ter vocês como leitores! Obrigada por tudo.
Alissa Ruiz minha xuxulis, que recomendação incrível e gamante! Fui para a lua de tanta felicidade.
Obrigadão e super smack para você, não dedico esse capítulo porque ele está horrível, mas escolha qualquer um que
goste e terá sido totalmente dedicado para vós meu cupcake xD.
Alissita (de novo) e Gabs, novas leitoras lindas... Sejam bem vindas!
Postagens agora todas as sextas, porque a escola me impede de escrever mais rápido que isso. DD;
:*



POV- Elena Gilbert.


Ela tinha a plena certeza de que ninguém um dia conseguiria atingir seu nível de felicidade. Sentia-se risonha, infantil, idiota, inconsequente, ou simplesmente algo que resumia tudo isso: Apaixonada.

O perfume amadeirado de Damon anestesiava seus sentidos enquanto a temperatura do seu corpo a confortava e a sua respiração calma ditava o ritmo do seu coração imbecil.
Nunca pensara um minuto se quer que chegaria àquele estado bizarro a ponto de não conseguir parar de sorrir.

Era, tipo, INEVITÁVEL!

Ria do quanto era uma idiota por amar um demônio ou por ele gostar dela de volta; ria pensando nas sensações inacreditáveis que ele provocava nela ou com um pouquinho de vergonha pelo seu comportamento deplorável digno da Carol quando o prendeu em seus braços por toda uma tarde.

Salvatore por sua vez acariciava suas costas enquanto ela descansava em seu peito e assim que a ouvia rir como uma louca a olhava com uma sobrancelha erguida como se cogitasse a sua internação. Depois apenas ria junto achando a maluquice da garota engraçada.

E poderia passar a eternidade só assim. Agarrada a ele, analisando cada mínimo detalhe seu enquanto sorria padecendo de “bobisse aguda grave”.

PFFFF, ela tinha se transformado em alguma protagonista das canções da Celine Dion.

Fechou os olhos se aconchegando mais ao filho de Lúcifer, começando a ficar pesarosa ao pensar que logo cada um teria que “seguir seu rumo” e fingir que estava tudo como antes.

Óbvio que ela não conseguiria, mas diria para seus pais que um caranguejo comeu seu cérebro ou algo assim e por isso ficou tão idiota. É, era uma desculpa legal. Biologicamente impossível, mas melhor do que A Caveira Rosa.

A maçaneta girou e quase deu um grito por constatar que mais alguém além dos dois existia no mundo. E que pior, além de existir a tal pessoa estava prestes a descobrir tudo.

– Gilly, Idiotore... Tenho noticias bombásticas pra vocês! – Johanna declarou altiva fechando a porta atrás de si e se jogando na cama no meio dos dois fazendo com que Elena rolasse para o lado para não ser “amassada”. – O mundo resolveu virar de cabeça para baixo, só pode. – Continuara parecendo não atentar para os detalhes da... er, situação. Entregou um pergaminho para Damon que imediatamente o desenrolou e começou a ler.

Ok, ela ainda estava coberta debaixo do lençol assim como o seu demy, mas ainda assim era CONSTRANGEDOR!

Sentiu as bochechas corarem e fitou a treinadora com indignação.

Caham, Jô será que você poderia... Dar licença só por alguns instantes para que nós nos arrumássemos e tal?

A dona de olhos cor de mel franziu as sobrancelhas e então encarou Elena, aquecida por lençóis e Damon ao seu lado parcialmente igual.

Aos poucos a compreensão atingiu sua face.

– UUUUUUUH VOCÊS ESTÃO PELADÕES. – Murmurou com uma euforia louca enquanto ficava de joelhos no colchão e espiava por baixo do tecido sob protestos ferrenhos da adolescente. – Vamos ver o que temos aqui!
– JOHANNA MARSHAL, JÁ OUVIU FALAR EM PRIVACIDADE?

– Não. É contagioso? – Zombara com um muxoxo de irritação voltando ao seu voyeurismo. – Ahá! Com certeza vocês se divertiram! Hey, olha a Gilly-Gilly tonificada e malhada graças a treinadora fodona aqui. Acha que eu deveria abrir uma academia? Não, não peça para sugerir o nome... E, Wow... Droga, porque eu sempre escolho o irmão errado? Bran não tem todas essas... Vantagens, sabe? – Concluiu fazendo gestos pornográficos que transformaram o rosto da menina em uma convenção de tomates dançantes.

Damooon... – Elena pediu suplicante por ajuda ao ver que ele não estava nem um pouco atento para o que a parceira de inferno estava fazendo.
Sem se dar o trabalho de desviar os olhos das palavras que tanto lia e relia, ele agarrou o braço da Jô e, como se ela só fosse uma boneca de pano, a colocou no edredom jogado no chão que havia escorregado ao seu lado.
O gesto fora tão rápido que a menina não conseguiu entender como o demônio fizera “tia Glaucócia” atravessar metade da cama no ar segurada apenas pelo antebraço (e o pior sem desloca-lo ou quebrar uns ossinhos) e coloca-la no chão.

– Agora compreendo a dor daquelas crianças colocadas no cantinho da disciplina pela Supernanny. – A voyeur fingiu-se ofendida massageando a pele. Depois simplesmente empertigou-se com algum pensamento e voltara a cabeça na direção de Damon. – Espera! Qual dos “sufixos” assediou você companheiro demoníaco-puro-e-inocente? Tapad ou Tarad? Isso me parece coisa da Tarad-elena!

PURO?
PURO?!

A humana corou absurdamente escondendo o rosto entre as mãos enquanto seu servo finalmente perdia o interesse pelo pergaminho misterioso.

– As duas. – Salvatore respondeu aparentando inocência.

Um breve silêncio precedeu o vendaval de risos que escapou pelos lábios de Johanna.
– Vocês fizeram uma orgia!- Gargalhou loucamente subindo na cama de novo e cutucando a barriga de Elena em um plano perverso para encarar o rosto constrangido. – Como você conseguiu se dividir em duas, Gilly? Da última vez, capotou depois da presença da sua gêmea do mal.

Boa pergunta. Nem ela entendera direito aquilo.

– O processo dessa vez foi diferente. Talvez Klaus tenha razão. – Damon admitiu parecendo muito contrariado.


A garota ergueu a cabeça bem a tempo de ver os dois demônios trocarem um olhar significativo como se soubessem de algo que não queriam revelar para ela.

– O que vocês dois estão me escondendo dessa vez? – Indagara cruzando os braços por cima do lençol em uma pose intimidadora.

O homem suspirou fundo lhe entregando o pergaminho. Ela, entretanto, apenas segurou o papel sentindo seus dedos formigarem e não ousou fazer mais do que isso.

– Klaus conseguiu alguns registros antigos que indicam que casos como o seu, de separar “lados” da mente após entrar em contato com o sangue demoníaco, já ocorreram antes. – Ele explicou de forma concentrada, mas leve.

Foi impossível impedir que um sorriso chegasse ao seu rosto. Se outros casos já tinham acontecido, ela bem provavelmente não era a Besta, se não o mundo teria sido destruído por um número razoável de criaturas.

Lendo seus pensamentos, Jô interviu.

– Antes de tudo você precisa entender Gilly que há uma diferença entre ter lados da mente separados e ter uma pessoa distinta vivendo e controlando o seu corpo. Na verdade, nem com nós demônios isso é possível. Mesmo quando desenvolvemos “lados” opostos, exemplo... Os que possuem DNA humano têm normalmente centelhas de humanidade que, se alimentadas, podem crescer ao ponto de transformá-los em “pessoas normais”, mas nunca com dupla personalidade. Ou pelo menos nunca deixamos que chegasse ao ponto já que quando isso acontece, na maioria dos casos, Lúcifer tira esse lado “my-little-pônei” em algo que chamamos de “doação”. – Pausara puxando um pouco de ar e observando como ela reagia. – O Diabo guarda aquela “humanidade” de uma forma louca que ainda não entendi e nem quero. (vai que é decepcionante e ele guarda em uma caixinha de fósforos ou debaixo do colchão?) E quando se revolta com um de seus servos e o acha indigno de servir a ele, coloca a essência “my-little-ponei” quatro vezes mais turbinada no demônio que instantaneamente perde seus poderes e vira uma simples pessoa normal e chata. Sem ofensas.

Elena virou seu rosto para Damon ao seu lado, o analisando. Ele sempre lhe dissera que a centelha humana que tinha era insignificante e nunca seria diferente. Não esperava ouvir um dia que era possível uma reviravolta, mesmo que as chances fossem...
0,0000000000000000000000000000000000000000000000000001%.

– O que acontece ao doador depois de ter a parte humana arrancada? – A menina perguntou passando a mão no cabelo tentando inutilmente desembaraça-lo.

Hmmm, ele fica “limpo”. Sabe o viciado quando se recupera na reabilitação? Ele se lembra da época que era drogado, mas não sente o que a maconha ou sei lá o quê, o fazia sentir. E o melhor é que depois da “doação” nenhum demônio volta à babaquice humana. É impossível, ou quase isso. – Deu de ombros indiferente com o assunto, e Damon pareceu se perder em mundos que ela não alcançava.

Lenn aquiesceu de leve mais para si mesma do que para a amiga, e a outra levou o gesto como permissão para continuar.

– Voltando ao sangue demoníaco e seu efeito... As propriedades consistem em caçar na essência da pessoa seu lado ruim e intensificá-lo até que ele suplante o lado bom. Também dá mais força e alguns poderes, mas isso é melhor explicar só depois que estiver treinando um pouco mais. – A menina ergueu os lábios para protestar que já treinava muito, mas não teve ânimo o suficiente para terminar a ação. – O problema é que seu lado bom é absurdo e isolou a parte “má” a rejeitando, ao mesmo tempo sua parte “má” é forte o bastante para desenvolver uma “própria” Elena, o que é pura maluquice! – Jô concluiu aparentando estar realmente frustrada por tudo não fazer sentido.

Sua cabeça doeria muito menos se levasse uma martelada na testa, do que ouvindo aquela informação.
Ela era boa? Má? Os dois? Era a Besta? Matara Jenny?
Queria respostas.
Buscava por elas em puro desespero. Bastava de perguntas, bastava de indagações e problemas.

Os olhos azuis caíram sob o seu rosto e ela os encarou com dor, implorando por salvação (o que era irônico já que “Salvatore”, significava “salvador” em italiano). E parecia o sobrenome certo, pois apenas o ato de vislumbrar o acinzentado caloroso já deixou seu coração menos ferido. Ele definitivamente a salvava sempre.

– Petrova e sua mania irritante de ser diferente de todos os humanos existentes no mundo. – O demônio provocou fingindo pesar, mas ela percebeu que a intenção era apenas deixa-la menos sensível aos seus problemas. Deu certo. O fuzilou com suas íris castanhas o fazendo sorrir de forma charmosa. – Fique tranquila, Lenn... Klaus conseguiu algumas informações interessantes a respeito do que pode estar ocorrendo.

– Manda logo. – A adolescente pediu movendo seu olhar com desconfiança para o pergaminho que em algum momento da conversa ela largou ao seu lado no colchão.

– EU CONTO! – Johanna quicou na cama parecendo possessiva com as informações. – Seguinte Gilly, o Klaus acha que sem querer você se transformou em uma espécie de mestiça meio psicótica. Mestiços raramente nascem assim; a verdade é que mais uma coisa conquistada do que herdada. Se você conseguir aprisionar uma criatura mágica pode “sugar” sua essência indo aos poucos adquirindo seus poderes. No inicio fica convivendo com a sua vítima dentro de você até que seu organismo vá se adaptando e vá se mostrando compatível com aqueles novos dons. Na maioria dos casos o hospedeiro morre. – Os ombros bronzeados levantaram e desceram como se isso fosse só um pequeno detalhe. – Não achávamos possível que fosse uma mestiça por motivos óbvios, mas Klaus achou esse pergaminho indicando que alguns híbridos se tornaram o que são através do sangue de uma entidade muito poderosa e o Ladrão de chaves, por mais que seja pesaroso admitir, tem lá seu lado fodão. Mas, o principal são os sintomas...

Ela não sabia se estava acompanhando direito. As pessoas a apontavam como tantas coisas extraordinárias nos últimos tempos que sentia que em breve deveria anotar em um caderninho para não esquecer.

– Que tipo de sintomas? – Indagou desconfiada erguendo mais seu corpo na cama.

– Bem, quais são as coisas que vêm na sua cabeça quando pensa em demônios?

– Inferno, Diabo, Pecados capitais...

AHÁ! – Jô comemorou cruzando as pernas como Buda. – Pecados capitais são os sintomas de mestiços com essência demoníaca no período de teste! Pensa comigo, quando a Tarad-elena apareceu pela primeira vez, você e o Damon estavam quase se esfaqueando e o sentimento continuou presente quando você tomou o sangue dele. Logo, o processo já foi “despertado” como um pecado capital.

– “Ira”? – Se arriscou mordendo os lábios buscando mais memórias do dia. – Mas o Damon me disse que precisávamos de um sentimento mútuo que nos interligasse e blá blá blá. Então se todo demônio precisa disso para passar os poderes para um humano deveria haver milhões de Eleninhas-bipolares por aí!

Johanna fez uma careta.

– Gilly, vou repetir isso pela milésima vez: pode não parecer, mas demônios não são nada generosos. – Murmurou com sarcasmo atenuando a expressão. – Não saímos por aí distribuindo poderes, na verdade só o fazemos quando somos ordenados por contratos e raras outras exceções, e lembre que esse efeito só acontece com ALGUMAS pessoas e precisam de um demônio poderoso no processo. Os filhos de Lúcifer ou com cargos importantes só fecham contratos especiais, que são muito raros e normalmente que consistem em contratantes que quase nunca pedem poderes já que já os têm. – Explicara calmamente. – E... Na minha opinião, foi “avareza” e não “ira”.

– Avareza?

– Sim, avareza não é só não querer dividir os bens materiais... Se é que me entende. — Brincara marota olhando com a sobrancelha erguida para o casal. – Ciúme é um tipo de avareza e os dois estavam mergulhados até o pescoço em ciuminhos.

Isso não é totalmente verdade. – Responderam juntos sem querer fazendo com que Johanna inclinasse a cabeça para trás rindo de algo que não entendiam.

– Sério isso? “Se pegam” uma vez e já viram a Mãe Dinah adivinhando as falas um do outro?

Não foi exatamente uma única vez, mas Elena preferiu não detalhar nada ou seria zoada pelo resto dos seus meses de vida.

Percebendo que nenhum dos dois pretendia respondê-la, Jô se contentou em sorrir maliciosamente e prosseguir.

– Enfim, o primeiro episódio aconteceu por meio da avareza e tal, a Gilly virou a Tarad e ficou uns três dias fora do ar, dois sendo a Outra e um dormindo. Precisou de ajuda para lembrar o que tinha acontecido, mas quando “lembrou” sentiu tudo que a gêmea má sentiu. – Seu sorriso aumentou aos poucos como uma criança travessa. – Consegue adivinhar que pecado capital foi o sintoma dessa vez?

A menina corou terrivelmente brincando com os dedos para não ter que encarar os dois demônios.

Luxúria. – Disse em um fio de voz. – Estava mais consciente quando ela apareceu hoje, eu... Consegui vivenciar tudo o que ela vivenciava, mas não consegui impedi-la de vir.

– Seu corpo está se adaptando a ela, quando passar por todos os pecados provavelmente vão se unir e você vai se tornar como qualquer outra mestiça. – Damon falou despertando lembranças na mente feminina.

Justo os pecados capitais eram a senha para se transformar em híbrida. Justo eles que foram a sua escolha óbvia quando quis fazer de tudo para o demônio sugar sua alma e não poder usá-la contra Bonnie.
Quando concebera o plano ainda não havia tomado o sangue demoníaco, ainda nem conhecia Johanna ou começara com os treinos.
E duvidava muito que fosse o universo “conspirando a seu favor” como os esotéricos diziam. Na verdade, tinha cheiro de armação.

– Se você não quiser se tornar mestiça temos a opção de leva-la até Lúcifer e tentar fazer uma doação. – Salvatore sugeriu interpretando mal seus pensamentos.

Não queria se desvencilhar da Outra Elena, ela era uma parte sua. Ao mesmo tempo inimigos invisíveis pareciam desejar tanto que isso se concretizasse que bem provavelmente o melhor era evitar ao máximo.

A garota suspirou assentindo de leve não como uma resposta definitiva, mas com a intenção de dizer silenciosamente “vou pensar no assunto”.

– Eram essas as novidades Jô? – Tentou encerrar aquele tópico da conversa. Droga, seu pai já devia ter chegado e daqui a pouco estranharia seu sumiço repentino. Onde ele havia ido mesmo?

OH MEU DEUS!
OH MEU DEUS!
HOSPITAL. MATT. MATT. HOSPITAL. Ela perdera totalmente o foco! Entrara no chalé masculino para conversar com Salvatore e ordenar que ele curasse o loiro e nem sequer lembrara.

– Pra falar a verdade, as novidades são outras. Vocês não acreditam na droga que vai acon-

Matty. – Elena sussurrou infelizmente alto demais, cortando a fala de Johanna.

Damon a encarou com olhos homicidas e a garota-infernal riu.

– O nome dele é Idiotore, Gilly. Não pode trocar os nomes dos parceiros de orgia logo no inicio do relacionamento. – Marshall murmurou balançando a cabeça em falso pesar.

N-n-ão é isso. – Tentava se justificar fitando os olhos azuis ainda repreensivos. – Eu só estou preocupada com... Os pés dele. Queria pedir que fosse ao hospital ajuda-lo... Dan.

Sentiu que se o demônio tivesse visão-de-fogo ela tinha tostado naquele mesmo instante.

Um sorriso diabólico e amargo o atingiu.

– Claro. – Respondeu entredentes. – Eu também queria pedir um favor, Vick deve estar mal por causa do acidente do irmão, será que poderia ir ao hospital consolar ela? – Entoou sarcasticamente tentando não aparentar quão irritado estava.

Elena transformou seu rosto em uma carranca mal-humorada.

– Só se for para trancá-la na ala de pacientes contaminados por vírus que não tenham cura.

– Johanna tem razão, estamos tendo as mesmas ideias, porque era justamente o que eu planejava fazer com o Donovan. – Rebateu de modo diligente a desafiando.

Aaaaaaaaaaargh. Porque ele tinha que ter citado logo a Vick-Vaporub? Vadia desgraçada, filha da mãe, imbecil, idiota, sem cérebro.

“Uh nós não temos ciúmes” blá, blá, blá. – Jô entoou rindo logo depois. – Parem já com essa palhaçada que tia Glaucócia já está perdendo os fios de cabelo da peruca com essa tensão. – Fez com que a olhassem enquanto batia palmas. – Gilly, você mereceu o ataque do Idiotore, mas vou lá curar o Jessie McCartney porque ele é uma gracinha e se eu continuar sem sexo vou agarrar o Sr. Grayson sem dó nem piedade. Damon... Sei que você só falou da oxigenada para atingir a Gilly então não vou me dar ao trabalho de dar uma martelada na cabeça da sua ex para anestesia-la e ela parar de sofrer...

– Por favor, Jô console a Victória! Esse seu método é incrível e eu aprovo totalmente. Quer um martelo emprestado ou você “fabrica” do nada? – Elena se entrepôs com a expressão totalmente sádica.

Pela sua visão periférica viu o demônio revirar os olhos, mas seus lábios estavam levemente repuxados em um quase sorriso, entregando que ele estava aproveitando o seu ciúme.

Imbecil! Ah que se dane, aquele sorriso era lindo e ela não conseguia mais ficar revoltada com ele por muito tempo. Nunca conseguiu, na verdade.

– RÁ! Se der tempo eu consolo e pode deixar que eu fabrico um martelo proporcional ao seu ódio por ela. – Piscou cúmplice. – Pronto, chega de briga, transformem a tensão em tesão. Não agora, cara. Controlem-se. Enfim, vamos à notícia trágica que faltou... A Jenna vai casar amanhã com o padreco, sua mãe está lá tentando organizar o evento enquanto sua tia chama os turistas da ilha como convidados. Acho que é a nossa deixa para levá-la a um hospício bom.

Não conseguiu se mexer. Seu corpo entrou em um torpor que a lembrava choques traumáticos.
A tia não podia fazer isso, não devia! E justo no dia seguinte? Qual era o motivo de tanta pressa?

Gregory parecia perigoso e errado. Descrição oposta de marido perfeito que a mulher merecia.

Suspirou resignada encontrando sua calcinha e sutiã e os colocando com timidez por baixo dos lençóis e saindo da cama.

– Precisamos impedir isso tudo. – Confidenciou lembrando-se dos pequenos detalhes sobre Turpin e outros que tinham que ser contados para os dois demônios.

E foi o que fez. Falara tudo, menos dos seus sonhos com o garotinho.
Uma desventura por dia estava de bom tamanho.
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POV – A mulher que guardava segredos.

Eu te amo”.

Fora o que bastara Greg dizer para virar seu mundo de cabeça para baixo. Desde o início, quando ele batera na porta da sua casa à procura de Elena, soube que era o homem da sua vida.

Ele era um homem belo, culto, carinhoso e com uma fé belíssima. Não era o sonho de todas as mulheres porque eram poucas as que amavam gestos tão puros e tímidos, mas definitivamente era o homem dos seus sonhos.

E já que estava falando de forma franca, porque não admitir que também fosse literalmente?

Sim, as imagens cedidas pelas noites de sono ou cochilos matinais sempre traziam o rosto de Greg. Palavras doces, brincadeiras e passeios a dois. Tanta coisa sonhada que sentia que o conhecia há séculos. Evidente que a principio ficou assustada, mas seu noivo a convencera que essa peculiar coincidência só provava que eles deveriam ficar juntos e que o destino que traçava o plano.

Sentia-se sozinha com a saída dos sobrinhos da casa mesmo tendo ficado feliz por ter Miranda e Grayson de volta e sendo mais responsáveis.

Turpin então surgiu levando toda a tristeza para longe invadindo sua mente, seus sonhos e seu coração.
Entendia que Miranda e Grayson desaprovarem sua atitude imatura de aceitar casar-se sem nem conhecê-lo direito, mas ele era uma certeza constante na sua vida. Uma escolha da qual nunca se arrependeria.

E se Greg possuía seus momentos incertos se dava pela perda da irmãzinha. A bela Katherine que tanto lembrava Elena havia morrido aos dezessete anos pelas mãos de um colega do clérigo que ficara louco e contratara um criminoso para mata-la.
Seu noivo nunca se perdoara por deixa-la morrer tão jovem e pedira meio acanhado que ela ajudasse na sua aproximação com Elena, para que pudesse cuidar e orientar uma jovem que está seguindo o mesmo caminho rebelde da irmã falecida dele.

Jenna obviamente concordara. Sua sobrinha era como uma filha mesmo que ela não tivesse idade para tal e nunca poderia se quer imaginar a dor que seria perdê-la. Fora que Lenny havia crescido mesmo sem religião e talvez algumas doutrinas fossem bem uteis agora.

Sorriu, fechando o último botão do vestido perolado que trouxera na bagagem e fitou o espelho.
Não era nem de longe um modelo apto para um casamento, mas esse fator não era relevante.

Fora que o tecido alvo era leve, comportado e combinava com o visual praieiro, então não ficaria tão ruim assim.

Leves batidas na porta do seu quarto ecoaram e ela, curiosa como uma criança, se pôs diante da madeira enegrecida pelo tempo.

Seu peito encheu-se de felicidade ao ver que quem a “visitava” era Elena.
Sempre tendia a encarar a menina com certo orgulho, a vira tão frágil, medrosa e assustada por tanto tempo, após a vida dos pais virar uma loucura, que era maravilhoso constatar que mesmo com as intempéries, Lenny virara uma mulher forte, madura e persistente.

– Não acredito! A minha filha pródiga voltou. – Disse com verdadeira alegria a deixando entrar e então fechando a porta. – Lamento tanto pelo seu namorado meu anjo, mas sei que ele vai ficar bem logo. Matt tem uma força arrebatadora.

Sua sobrinha corou levemente parecendo um pouco culpada e então sorriu em agradecimento.
A adolescência sempre nos levava a achar que somos os responsáveis por tudo de errado que acontece.

Sentou-se na cama grande e confortável que dividia com Gregory e gesticulou para que a filha de Miranda a seguisse.

– Soube que vai se casar amanhã. – O murmúrio ecoou solitário pelo quarto.

A frase a tomara de surpresa. Não por ela já saber da nova data, mas com medo de uma possível revolta pela celebração acontecer um dia depois de Matt ter se machucado gravemente.

– Lenny, sei que deve ter ficado chateada por causa do seu namorado, mas veja por outro lado... Victória ligou agora a pouco e disse que Matthew já está bem melhor e milagrosamente não teve nada pior que fraturas medianas. Voltará amanhã usando uma cadeira de rodas provisória e então assistirá a cerimônia. A festa vai animá-lo querida. E nosso bolo de casamento será de laranja que eu sei que é o predileto dele.

Os olhos castanhos piscaram levemente absortos e ela assentiu deixando claro para a tia que não estava preocupada com esse detalhe.

– Tem razão, vai ser alegre. – Sua voz estava um pouco mais baixa que o normal como se não soubesse como continuar. – Eu só me pergunto se você tem certeza disso...

Mais uma para lhe dar sermões? Era um complô?
Fungou decepcionada levantando-se da cama e procurando na caixa de joias um brinco ideal para o dia seguinte.

– Jenn, por favor, me escute! — Elena pediu com a voz suplicante. – Gregory não é quem você pensa, ele tem um ar estranho e sombrio e fala coisas, indiretas... Não posso explicar melhor, mas imploro que repense isso tudo. Você merece alguém incrível, alguém como o tio John...

A mulher girou no próprio eixo ficando novamente de frente para os olhos castanhos.

– E você acha que John foi essa maravilha toda? – Ela riu sem humor. – Amei o meu marido mais do que tudo no mundo, achava que éramos o casalzinho perfeito já que ele era irmão de Grayson e eu a de Miranda, iriamos todos virarmos uma família Gilbert feliz! Não podia estar mais enganada. Casei aos dezenove, Elena, tive que largar a faculdade para tentar me dedicar àquela relação maluca e o que ganhei com aquilo? Fui traída inúmeras vezes, deixei meus sonhos de lado e acabei aos vinte e dois anos viúva e completamente perdida. – As lágrimas ousaram querer vir, mas ela as bloqueou. – E então você e Jeremy foram morar comigo e eu encontrei um rumo. Tinha que ser a “adulta” da coisa e essa obrigação me fez sair da minha depressão patética. Óbvio que agora não adianta falar dos mortos, nem gritar ou xingá-los e em alguns dias eu simplesmente não aguento de saudades, mas ele não vai voltar e não quero uma cópia dele. Quero Greg e tudo o que ele representa para mim.

Elena pareceu levar alguns minutos para absorver aquilo. Nunca contara para os sobrinhos o que sentia com relação ao John porque acima de tudo ele era tio biológico deles também e Grayson era tão bacana que não merecia ver os filhos odiando o irmão morto.
Entretanto Lenn já estava grandinha o bastante para ouvir histórias sem se influenciar e tirar suas próprias conclusões.

– Então é mais um motivo para você buscar a verdadeira felicidade... – A menina começou a olhando decidida. – Mais um motivo para não se casar com ele.

Suas mãos voltaram a remexer a caixa de joias encontrando o brinco desejado umas duzentas vezes, mas o embaralhando de novo para não ter que encarar a sobrinha.

– Céus! Você resolveu mesmo implicar com o meu noivo. – Exasperou-se lembrando de que nem Grayson e Miranda foram tão eloquentes em tentar acabar com seu casamento. – O que você tem contra ele afinal?

O colchão fez um leve barulho e sua filha adotiva levantou-se parecendo cruzar os braços.

– Ele é perigoso, Tia Jen. E, além do mais, vocês não vão encontrar um oficial para realizar a cerimônia!

A segunda besteira que a menina falava naquele dia. Sorriu levemente sentindo no ar o cheiro de hipocrisia.

– Pedimos para Jeremy tirar uma licença virtual e ele realizará o casamento. Já quanto à outra afirmação... Damon também é perigoso e mesmo assim você se apaixonou por ele.

O barulho irritante de joias reviradas soou por longos minutos até o silêncio de vozes ficar incômodo. Virou-se de costas para a caixa na qual se ocupava sentindo a anágua do vestido roçar em sua perna como o carinho de uma brisa.

Co-co-mo?- Elena gaguejou parecendo não saber o que queria perguntar ou como formular a pergunta.

Jenna suspirou fundo a olhando nos olhos selecionando mentalmente o que era mais fácil de dizer.

– Você tem seus segredos, Lenny. Eu tenho os meus. – Respondera com um sorriso fraco no rosto. – Agradeço pela preocupação, mas eu sei me cuidar anjinho.

Ela se aproximou beijando o rosto da sobrinha e a garota a abraçou retribuindo. Por poucos segundos sentiu o coração se apertar como se depois do casamento nunca mais se encontrassem...

– Eu amo você, obrigada por tudo. – A filha de Miranda sussurrou com a voz meio embargada. – Espero que saiba o que está fazendo.

– Eu também te amo, Lenn. E espero que vá ao casamento mesmo discordando. – Desejou como uma prece silenciosa libertando Elena e a encarando a tempo de ver as lágrimas nos seus olhos.

Aquilo soava tanto como despedida que Jenna não percebeu, ou não quis perceber, que realmente era uma.

– É claro que eu vou Tia Jen. – A adolescente garantira silenciando por alguns segundos, a dor do seu coração.

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Notas finais
Gente esse capítulo quase não sai! Tive que postar, excluir e editar mil vezes porque o Nyah está louco e colocando o texto de um jeito impossível de ler!