Demônios Não Amam.
6 Aquele das 100 perguntas.
Notas iniciais
Muito obrigada aos que deixaram reviews, favoritaram ou leram.
Amo escrever as minhas maluquices, mas faço isso aqui pensando em vocês.
Vou mudar um pouco a formatação da fanfiction e ajeitar alguns detalhes. Não vai alterar nada muito importante na história (espero), só fechar os buracos que eu havia deixado no enredo para dar menos trabalho HUAAHUAHAUSHAUSH.
Enfim, espero que gostem e mandem opiniões!
beijos, beijos:*

POV – A bruxa amaldiçoada.
Seus pés deslizavam entre os cascalhos e folhas do outono enquanto seguia o caminho que a levava diretamente para o centro do seu jardim. O cheiro de eucalipto e pinheiro adentrava suas narinas e ela inspirava como que tentando retê-lo vivo em seu corpo.
Fechou os olhos sentindo a brisa noturna afagar seus cabelos ruivos e sua pele já marcada pela idade. Só estava com seu roupão de seda, mas não sentia frio algum. Sheila Bennett era treinada nos mistérios da noite e havia se acostumado há muito tempo com a temperatura que rondava a escuridão.
Libertou seus olhos das suas pálpebras e suspirou olhando a lua. Ártemis, Selena, Isis, Diana, Hécate, Tsukuyomi e tantos outros nomes de deuses responsáveis por aquele satélite natural da terra passaram por sua mente a fazendo sorrir.
Não chamou nenhum deles, entretanto. Hoje, procurava por outras energias divinas.
Concentrou-se fazendo com que seus poderes faiscassem em sua pele enquanto cantava as canções dos Ancestrais.
Com uma leve nostalgia, lembrou-se de quando era apenas uma iniciante nos mistérios, olhando encantada para a Alta Sacerdotisa que sussurrava as mesmas palavras que ela entoava agora. Será que Bonnie sentiria em seu coração jovem o mesmo medo e admiração quando começasse o seu treinamento?
Agora que estava tão perto de acontecer, Sheila temia. Era antes de tudo uma serva de Nyx e teria que desempenhar seu papel com dureza e não com a bondade das avós. Esperava que a sua pequena neta entendesse isso de alguma forma.
Sentiu seus ossos formigarem naquele frenesi que antecipava a magia negra e percebeu que era a hora.
Aquele tipo de ritual tão diferente dos que as bruxas costumavam fazer, exigia o seu preço.
Puxou o punhal que guardava na vestimenta e passou com força pela palma da sua mão esquerda. O sangue aos poucos brotou pela linha fina do corte e ela despejou na terra enquanto dizia em alto tom:
– Oh Mefistófeles, rei dos infernos e serpente que fere o calcanhar do Deus cristão, eu o invoco com o poder dos seis selos de Lilith.
Esperou em silêncio com as mãos erguidas em direção ao céu. As árvores chacoalhavam com um vento tempestuoso e sombrio que arrepiavam seus braços e enchiam seu coração de uma fobia estranha.
Mesmo ela, uma Alta sacerdotisa experiente e confiante, padecia ao terror em contato com o Rei da destruição.
Ao contrário da primeira vez que o invocara, Lucífer não demorou a surgir. A neblina que antes rondava a floresta foi aos poucos revelando a face do Diabo e, surpreendentemente, ela era bela.
Era um homem alto, com seus dois metros e pouco de altura. O corpo troncudo, que o assemelhava a algum lutador de vale tudo que os jovens tanto admiravam nos dias de hoje, exibia roupas saxônicas com um longo manto de pele de urso negro o adornando.
Seu rosto era duro com o queixo quadrado, as feições finas e olhos azuis acinzentados enfeitados por sobrancelhas negras levemente grossas. Em sua testa, um vinco de irritação evidente por ter sido invocado. Os selos de Lilith utilizados por uma bruxa o obrigavam a aparecer e isso não devia deixá-lo nada feliz.
– Saudações, meu príncipe. – Cumprimentou abaixando a cabeça alguns centímetros quando percebera que ele já se aproximara o bastante.
Os olhos cinza a fitaram com desprezo e por alguns segundos Sheila sentiu todas as piores sensações do mundo. Dor, medo, raiva, inveja, tudo se misturando em uma onda que a levava a querer fugir o mais rápido possível da presença que despertava o pior que existia nela. Isso, entretanto, estava fora de cogitação em seu caso. Manter a postura digna era essencial para conseguir o mínimo de respeito de Satanás. Ele tomou sua mão e deu um beijo curto e frio.
– O que quer? — Cuspiu a encarando. Sua voz era bela, forte e assustadora. Não deveria existir nada igual no mundo.
Ela o encarou firme, emanando seu ar de Alta Sacerdotisa.
– Quero agradecer pelo favor que me prestou meu príncipe... E dizer-lhe que eu estava certa.
Quase sorriu de contentamento quando observou os olhos azuis assumirem um brilho avermelhado de irritação, mas os anos de sacerdócio a ensinaram a controlar-se e só transparecer o que lhe era proveitoso.
– Então creio que aja um equívoco aqui e eu é que deva lhe agradecer. — Murmurou impenetrável.
Finalmente a bruxa libertou o sorriso que tanto segurara, mas adoçado com uma humildade que não sentia.
– Apenas a sua intervenção possibilitou que eu confirmasse o que a Visão me mostrou. — Era verdade. Uma verdade triste e dolorosa, especialmente para Bonnie. – E peço que me deixe cuidar do problema. Minha neta é a mais poderosa da linhagem desde Emily e começará a ser preparada à altura para lidar com a situação.
O rei dos infernos a fitou longamente e ela sustentou o olhar mesmo sentindo o aperto em seu estômago.
– Porque eu a deixaria cuidar disso? — A voz de trovão exigiu saber.
A senhora suspirou olhando a mão ferida que ainda derramava sangue na terra e a ergueu preparando-se para as palavras amargas que diria.
– Porque eu, Sheila Bennett, sangue de Emily Bennett e da origem de Morrighan, prometo que se o senhor permitir que eu e a minha neta cuidemos do caso, a minha família, como recompensa, cessará a caça a todos os demônios que sejam da sua semente. – Entoou com o máximo de formalidade que conseguiu.
Qualquer outra bruxa a olharia atônita e a acusaria de traição, mas ela havia aprendido que grandes recompensas só chegavam com grandes sacrifícios e o prêmio que almejava, ah... Era enorme.
As bruxas da casa Bennett estavam amaldiçoadas desde que sua avó Emily não conseguira evitar que a primeira Visão se realizasse. Graças a sua falha, o mundo sofreu e pagou um preço caro em sangue e as sementes de Emily tornaram-se malditas no mundo bruxo, obrigadas a vagar após a morte pela terra sem nunca possuir descanso (às vezes recebia visitas do espírito da sua mãe, suas tias e tias-avós).
Sheila sabia que a única coisa que poderia libertá-las era impedirem sozinhas que uma segunda Visão se concretizasse e preparou-se a vida inteira para servir a esses propósitos. O destino, no entanto, pareceu desejar que Bonnie quebrasse as correntes que prendiam os espíritos familiares e não ela, já que a segunda profecia só aparecera semanas antes, quando seu tempo de lutar já havia passado.
Sua neta era jovem, poderosa e aprendia rápido. Sheila sabia que Bonn a orgulharia... Embora ainda houvesse todo problema de sentimentalismo da menina...
Desviou o contratempo da mente convencendo-se de que seu plano era perfeito.
Mefistófeles a olhou sentindo o peso daquela promessa. Amaldiçoadas ou não as Bennett eram as melhores bruxas e caçadoras de demônios. Ter uma trégua parcial (os demônios comuns ainda poderiam ser caçados) já seria maravilhoso para o Rei das chamas.
Ele estendeu a mão pálida e morna e segurou delicadamente o pulso da mulher para olhar atentamente o corte macabro que ela fizera em si mesma.
Inesperadamente, passou o dedo indicador por toda a linha do ferimento causando uma ardência mais incômoda do que a lâmina causara em sua pele. Sua palma voltou a ser lisa como se nada tivesse acontecido e o Diabo sorveu com os lábios o rastro de sangue que sujara seu dedo no processo.
O Espírito maligno desapareceu logo depois de dizer as únicas cinco palavras no mundo que a bruxa queria ouvir de Lucífer: “Temos um acordo, Sheila Bennett”.
Arquejou sentindo-se subitamente cansada por toda aquela magia negra tão antinatural para as bruxas e resolveu esquentar-se no calor da sua pequena casa de madeira.
Levou as mãos até a lareira aquecendo-as e em seguida encheu uma chaleira com água para fazer algum chá calmante.
Como ainda demoraria a ferver, foi ao quarto de Bonnie ver se estava tudo bem.
A menina ruiva e bela dormia tranquila, agarrada como uma criança a um sapo de pelúcia que ganhara aos oito anos de idade.
Sheila sorriu com vontade ao ver o quanto a aparência dela se assemelhava à sua na adolescência. Era como ver uma foto antiga viva.
Sua doce, bela e tola neta. Tão facilmente manipulável e sem o hábito de pensar!
Era risível que ela tivesse acreditado realmente que a ideia de fazer uma invocação partira dela, ou que rituais satânicos disponíveis na internet funcionassem.
Tudo desde o início fora calculado por Sheila Bennett que semanas atrás, quando Elena viera visitá-la ao lado de Bonnie, teve a Visão.
O nome daquele fenômeno era no mínimo curioso, uma vez que não se via nada. O que acontecia era apenas um transe momentâneo em que era revelado um perigo eminente para o Universo. Eram bem raras e só as bruxas da casa Bennett conseguiam ter.
Dessa vez a Visão alertava que a semente dos Gilbert era a segunda Besta potencial descontrolada que existiria na terra. Roubaria o trono do Diabo em maldade, traria guerra e dor ao mundo e transtornaria até os céus.
“Igual à primeira vez” – Pensou a senhora amargurada lembrando-se do homem terrível que sua ancestral fora destinada a matar. Sua avó Emily, entretanto, combatera essa primeira Besta tarde demais e morreu deixando o mundo devastado e as suas gerações marcadas. Só não fora pior porque bruxas, anjos e deuses interferiram, mas por pouco não aconteceu uma tragédia sem conserto. Sheila não podia se dar o mesmo luxo.
Era doloroso pensar que uma menina como Elena fosse se tornar um mal tão grande. A garota tinha um ar rebelde, é certo, mas era doce em sua essência. Muito bonita, esperta, com um futuro brilhante pela frente e, o pior, amava Bonnie de verdade assim como a outra o fazia.
Sheila não podia, entretanto, se guiar por essas coisas. Não fora Lucífer uma vez o mais doce dos anjos?
E o pobre Adolf alvo da primeira Visão também não era um menino perverso a princípio...
Não. Não podia se deixar levar pelo seu coração de velha tola, podia no máximo fazer antes um teste para ter certeza de que Elena aceitaria o mal se ele cruzasse seu caminho.
Conversou com sua filha Abby – mãe de Bonnie- sobre a situação, evocou Lucífer e o informou da nova Besta que ameaçava seu trono. Logo depois explicou seu plano de teste, recebendo como resposta do Rei dos demônios um dos seus filhos enviado para terra sabendo apenas que faria um contrato com uma Bennett.
A partir daí foi tudo muito fácil, manipulou Bonnie para que ela realmente acreditasse que havia invocado um demônio e a própria aura assustadora de lidar com o mal fez com que a menina surtasse.
Mesmo assim, talvez se Sheila não tivesse feito sua mente ordenar que ela fosse para a casa da avó, ela tivesse ficado buscando a proteção da amiga. Ela parecia confiar na bela jovem de cabelos castanhos mais do que em qualquer outro ser na face da terra.
A bruxa fez uma careta ao pensar no quanto isso mudaria de agora em diante. Nunca acreditaria que Elena fosse tão seduzida pelo mal a ponto de colocar o medalhão de Lucífer. Muito menos que faria um contrato em menos de vinte quatro horas em poder do colar.
Aquilo era mais do que uma constatação, era a licença que ela precisava para treinar Bonnie e prepará-la para destruir a melhor amiga em seis meses.
Sim era cruel, mas era melhor uma vida destruída do que um universo.
Envolver a neta no teatro da invocação em vez de simplesmente pedir a Lucífer que mandasse seu filho tentar fechar contrato com Elena fora justamente para que Bonnie sentisse na pele com a invocação todo o medo e angustia que rondava os demônios, e tirando forças desse pavor (que por sinal a sua amiga não parecia sentir), combater qualquer criatura que decidisse se tornar ainda pior.
Suspirou pesadamente, agasalhando os ombros nus de Bonnie. Amanhã começaria a contar alguns dos longos segredos de família e a treiná-la. Não falaria, entretanto, nenhuma palavra sobre Elena. Quando ela voltasse a Mystic Falls como uma bruxa caçadora de demônios e percebesse que sua amiga era uma contratante, Sheila contaria tudo fazendo com que sua ira pela jovem Gilbert aumentasse e ela finalmente pudesse fazer seu trabalho sem tanto pesar.
Seria trabalhoso, mas ela conseguiria. Ignorando as atribulações da vida, Bonn sorriu em seu sonho e a avó passou seus dedos sobre os cabelos ruivos com um olhar reflexivo.
– Isso minha querida, sorria em seus sonhos. — Sussurrou em um tom melancólico. – Porque daqui para frente chorará incansavelmente quando estiver acordada.
Ao longe, a chaleira apitou.
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POV – Elena Gilbert.
Damon a olhou com os olhos faiscando pela quinquagésima vez naquele dia. Foi inevitável sorrir, a irritação do demônio só deixava tudo ainda mais divertido.
– Responde Salvatore! — Ordenou apoiando a cabeça em sua mão. Ele suspirou fitando o teto e ela sentiu que se o filho de Lucífer pudesse a incineraria. – Vampiros existem ou não?! -Insistiu.
A sessão de perguntas indiscretas, impertinentes e muitas vezes loucas da garota começara assim que saíram da sorveteria. Em parte porque estava mesmo curiosa, em parte porque queria entreter sua mente não dando espaço para que se sentisse triste pensando em Bonnie.
Não fora fácil digerir aquela história toda de ser um possível alvo da sua melhor amiga. Doía de forma cruel e ela se perguntava se a ruiva escolheria seus poderes ou a amizade de Elena no final das contas.
A filha dos Gilbert, em seu lugar, não saberia o que fazer.
Damon, entretanto, percebendo seu choque e dor, começou a distraí-la contando alguns detalhes da vida que levara. Deve ter achado que depois de alegrá-la ela pararia. Ledo engano... O couvert geralmente abre ainda mais o apetite para o prato principal.
Os olhos castanhos ganharam vida novamente e a menina começara a cuspir perguntas como louca. Arrancara de Salvatore muita coisa interessante, se é que podia se gabar de pegar um demônio desprevenido.
Após a morte de mãe, Damon e Stefan foram entregues aos avós que os aceitaram nadando em remorso. Ficaram lá até os sete anos de idade quando cada um seguiu para seu lar espiritual.
Eram bem tratados, mas era óbvio que o anjo ganhara mais amor desde o princípio. Damon disse que grande parte disso deveu-se ao que ele chamou de “o show dos cristãos”.
“Eles têm mania de fazer de tudo um acontecimento, como um filme estranho e patético.” Dissera quando estavam ainda na sorveteria. “Não se contentam em, sei lá, deixar um bilhete explicando que o Deus deles interferiu na história, precisam fazer toda aquela palhaçada de mandar um imbecil com uma aureola para dizer: ‘Oh, eis ai o abençoado por Deus, anjo que lhes foi dado para mostrar que o Senhor perdoara as iniquidades de Lívia. Rogai por ele para que a Glória de Jeová se faça presente em suas vidas. Amém! Aleluia! ’ Tudo com trombetas soando ao fundo.” Damon ironizou arrancando risos da garota.
A forma como Lucífer fez com que as paredes ardessem em chamas que contavam a origem do outro gêmeo fora muito mais simples na opinião dele.
Mesmo sendo tratado com distinção, Damon não odiava os avós. O problema era Stefan.
Se davam incrivelmente bem enquanto ainda engatinhavam, mas ao crescerem tudo era motivo para briga.
A relação ficou ainda mais turbulenta com ambos completando sete anos e tomando caminhos separados. Lucífer havia buscado Damon para morar com ele e o anjo Miguel fizera o mesmo com o outro.
Seus avós morreram meses depois a esse fato, talvez de solidão e tristeza, e se antes já não queriam se ver, agora, sem um bom motivo que os unisse, é que buscavam distancia.
Damon falara que Stefan não se considerava nem um pouco filho do Diabo e renegava o quanto podia suas raízes, ostentando sua benção divina “idiota”.
Elena sentiu que talvez o seu demônio se sentisse levemente enciumado. Era um pouco injusto que só um dos gêmeos tivesse a benção de Deus. Depois, no entanto, parou com esse pensamento ao saber que o plano a princípio era transformar os dois em anjos, mas Lucífer exigiu seus direitos de pai ordenando que Damon permanecesse como nascera. Por esse prisma, o rejeitado fora Stefan.
Lívia, a freira que amou Satanás, apesar de levada ao céu, nunca entrou em contato com seu filho abençoado. Dizia que queria “suas duas crianças” e se só pudesse dar amor a um então deveria permanecer longe de ambos. Era uma mulher forte e justa.
A adolescente notou no tom de voz demoníaco quase uma ternura... Não era amor. Não. Mas era menos frio do que o que ele sentia por todo o resto do mundo.
Interessada em todos os mínimos detalhes, Lenn ainda conseguiu ficar sabendo que Lucífer vivia com Lilith, deusa da magia negra que não suportava os filhos do marido assim como Hera odiava a prole de Zeus.
Ao contrário da Olimpiana, a esposa de Mefistófeles articulara a sua vingança de uma forma mais elaborada do que uma perseguição. Deu às bruxas seis selos feitos por ela com o poder de excomungar demônios, dominá-los e invocar a presença até do próprio Senhor das Trevas (que não era o Voldemort!).
Quando Satanás soube, houve guerra no inferno por longos séculos, mas depois os ânimos se acalmaram e ele apenas se conformou como bom “homem” casado que era.
Elena precisava confessar a decepção que sentiu ao saber que Lucífer nunca amara verdadeiramente Lívia. Seres do mal seguiam impulsos da luxúria, da paixão, mas nunca do amor. Isso a incomodava terrivelmente e nem sabia ao certo o porquê.
Indo para assuntos mais leves que não lhe davam sensações estranhas e inadequadas, soube como Damon descobriu, no dia em que se encontraram, que ela não era Bonnie.
Ele confessou que no inicio ficou na dúvida, mas ao segurar o pentagrama da menina pela segunda vez, vislumbrou os olhos castanhos sem símbolos.
Aparentemente, seres especiais possuíam marcas que representavam o grupo do qual faziam parte e como a íris de Elena, igual a de qualquer boa pessoa normal e sem graça, era limpa, ela consequentemente não podia ser uma bruxa de uma casa tão renomada quanto a de Bonnie.
Lembrar-se desse dia a fez sorrir. Tudo fora tão confuso! A súbita atração que ela sentira pelo seu servo (ela já havia mencionado que adorava essa parte de podê-lo chamar assim?), a raiva debochada daquela provável “brincadeira” da amiga e os sustos que levara, compuseram um dia bem louco. Pensando agora, surpreendia-se por não ter sentido medo. Aquele temor real que todas as pessoas deveriam sentir na presença de um demônio à la operador de telemarketing louco para fazer com que assine contratos.
Talvez, no fundo, ela fosse realmente corajosa já que vendera sua alma com tanta rapidez e não desmaiara com toda aquela história.
Corajosa ou louca. Era mais provável a segunda opção.
Depois disso, passou a fazer perguntas que deixaram Damon levemente saudoso da indagação sobre sua vida particular. Na verdade mesmo ele sentia falta do silêncio, mas isso estava fora de cogitação.
Ela o fuzilou com os olhos batendo no pulso como se ali estivesse um relógio.
O demônio pareceu ficar ainda mais irritado por ela ter apressado sua resposta.
– Não sei. — Murmurou carrancudo. – Mas considerando que eu existo... Devem existir também. Acabaram as perguntas? Sério, isso é pior do que tortura chinesa.
Elena jogou a cabeça para trás rindo como os vilões de desenho animado.
– Só estou começando, querido criado. -Ameaçou fitando os belos olhos azuis furiosos. – Hmm, vamos ver outra pergunta boa... Ah, sim! Você é híbrido já que é filho de uma humana com o seu pai lá, não é? Os outros demônios são mais poderosos que você por serem completos?
Damon a olhou como se ela estivesse dizendo que uma formiga ganharia do Hulk em uma luta livre.
– Eu sou completo já que não tenho nenhuma parte humana herdada da minha mãe e... Não, nenhum demônio comum é mais poderoso que um filho de Lucífer. — Seus dedos apertaram o alto do nariz como se estivesse com dor de cabeça. – Você deveria ser incinerada só por formular essa hipótese.
A adolescente riu alto ao ver que estava certa quanto a inclinação que ele tinha à sua incineração. Talvez realmente devesse controlar a boca.
Estava prestes a livrá-lo do interrogatório quando percebeu que, de alguma forma, seu riso o relaxou um pouco e optou por continuar. Exato, ela não possuía juízo.
– Além de sumir e aparecer quando quer e demitir meus pais, quais são seus outros poderes?
O demônio suspirou cobrindo os olhos com o braço. Para variar, estava deitado na cama da menina mesmo sem a permissão da mesma.
Se os pais de Elena entrassem no quarto ela estaria com sérios problemas, uma vez que estava deitada do lado despreocupadamente.
Tão perto que sentia o calor dos seus lábios cada vez que ele falava.
– Tenho o poder de matar vítimas tagarelas em segundos. – Ameaçou com um ar de diversão.
Os olhos castanhos foram revirados.
– Prefiro o termo Chefa Suprema em vez de Vítima, se não se importar. -Disse erguendo a sobrancelha. – Agora pode me responder ou está me enrolando porque não tem poder nenhum? — Provocou sorrindo satisfatoriamente quando ele a encarou aceitando o desafio imposto.
– Nós demônios podemos nos transformar em qualquer ser vivo durante cinco horas, não envelhecemos apesar de conseguirmos usar a aparência de qualquer uma das idades que teríamos se fossemos humanos; podemos controlar parcialmente o tempo e as pessoas, conseguimos ficar invisíveis, interferir no clima, fabricar qualquer bem material que exista e... – Um sorriso malicioso acendeu em seu rosto. – Realmente podemos matar vítimas tagarelas em segundos.
Ela mostrou a língua como uma criança de cinco anos faria e refletiu um pouco sobre o que acabara de ouvir. Um dos itens roubou a sua atenção e provocou nela uma descrença. Sim, convivia com um demônio que já fora esfaqueado e não morrera, tinha uma tatuagem feita completamente com “mágica”, vira seus pais serem demitidos, mas ainda assim não acreditava naquilo sem antes ver com seus próprios olhos.
– Você pode se transformar em qualquer ser vivo, mesmo, mesmo? – Arriscou mordendo o lábio inferior. – Até no... Johnny Depp?
O que? Ela era fã do cara desde sempre! Ele era lindo, um ótimo ator, ótimo músico, sexy, fofo, generoso e obviamente predestinado a casar com ela.
Damon revirou os olhos e Elena sentira que não era a primeira vez que lhe pediam aquilo. Então, inexplicavelmente sorriu e suas feições foram mudando.
Nada no mundo deveria ser mais surpreendente, era como ver o céu escurecer e não conseguir apontar em que ponto o azul claro se tornara escuro porque tudo era parte de um processo tão natural e perfeito que as etapas mal eram perceptíveis antes do resultado final.
A pele pálida de Damon ganhou uma cor mais bronzeada, os olhos azuis ficaram castanhos, os lábios, nariz e sobrancelhas foram tomando novas formas, seu corpo foi ficando menos malhado e mais baixo e todo o resto de uma transformação que fez com que, repentinamente, Johnny Depp estivesse em seu quarto.
Em sua cama.
Ao seu lado.
Seu ídolo. Com as roupas e o sorriso sarcástico sexy de Damon, mas ainda assim A DROGA DO SEU ÍDOLO!
A menina gritou agarrando o demônio ao seu lado e passando a mão nos cabelos lisos perfeitos do Depp.
– AAAAAAAAAAH. VOCÊ É TÃO LINDO! – Ressaltou como uma louca, o fazendo rir. – Tão perfeito!
Encheu o rosto do eterno capitão Jack Sparrow de beijos, parando apenas para olhar cada mínimo detalhe do seu rosto.
Eram traços bem comuns, mas que ainda assim possuíam um charme irresistível.
Deteve-se fitando aqueles olhos opacos quase negros que a levavam para mares estranhos e percebeu que o sorriso dele aos poucos morria assumindo uma expressão ainda mais hipnotizante.
Era séria e concentrada, como se estivesse controlando algo que não pudesse permitir que acontecesse. Ele encarou os lábios dela ainda amortecidos pelos beijos que espalhara em seu rosto e isso fez com que a menina acordasse.
Na sua afobação maluca de fã se esquecera de que o “Johnny Depp” ali era apenas Damon disfarçado a pedido seu.
E ela só havia o beijado umas, sei lá, mil vezes.
Corou terrivelmente saindo de cima do demônio enquanto ele voltava às suas feições lindas de sempre.
Era estranho, mas seu coração parecia fazer polichinelos com mais vontade ainda, sabendo que estava com Salvatore.
Olhou pelo canto dos olhos e viu que Damon já estava com a expressão tranquila e normal, nada envergonhado ou qualquer coisa do tipo. Parecia estar se divertindo com a situação toda.
– Não sabia que você era uma dessas fãs malucas. — Murmurou quebrando o silêncio constrangedor.
Elena deixou seu cenho pesar e passou a mão pelos cabelos.
– Não sou uma tiete histérica, Ok? É só que... Eu gosto do cara e queria cumprimenta-lo. — Explicou como se isso anulasse o ataque de beijos segundos atrás.
O demônio a fitou com ceticismo e colocou seus braços atrás da cabeça se recostando na cama.
– Aham. Parecia exatamente isso do ângulo em eu estava. — Sua ironia a fez corar ainda mais.
– Você só está falando isso para fugir das minhas perguntas!
Ele a olhou perplexo.
– A transformação no seu atorzinho ridículo não foi uma espécie de espetáculo de encerramento do interrogatório militar? – Seus braços deixaram de apoiar a cabeça e ele se virou buscando algo na mesinha de cabeceira. – Uma da manhã Elena! Vá dormir. – Mostrou o relógio.
A menina transformou seus lábios em um bico chateado. Realmente precisava descansar se quisesse chegar inteira no colégio amanhã.
A carga horária da Mystic Falls High School variava de acordo com o dia ou as matérias extras que os alunos escolhiam.
Jeremy e Elena sempre buscaram fazer o máximo de matérias possíveis para não chegarem muito cedo a casa e importunarem sua tia Jenna. Ela nunca se queixara dos irmãos e tudo era tão puxado que eles só conseguiam descansar à noite, mas ainda assim insistiram na rotina até o último dia em que permaneceram lá.
Agora com seus pais em casa (ou parcialmente já que naquela semana estavam fazendo a mudança), os dois irmãos Gilbert optaram por uma diminuição da grade curricular, o que dava para eles uma tarde livre e menos provas para as quais estudarem.
Infelizmente isso em nada interferia no horário de chegada ao colégio, mas já era um avanço.
Suspirou vencida, deitando-se mais confortavelmente na cama. Damon sorriu a cobrindo com gentileza demais. O idiota devia estar fazendo dancinhas da vitória internas por se ver livre do questionário, mas se ele pensava que tinha ganhado o jogo estava MUITO enganado.
Amanhã ela faria mais umas cem perguntas.
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Sentiu seu pé ser puxado enquanto o despertador tocava ao longe. Encolheu a perna tentando em sua sonolência fazer com que o idiota entendesse que ela nunca levantava quando o despertador mandava e aquele não era o dia para abandonar velhos hábitos.
Infelizmente o recado não fora entendido e seu pé foi puxado novamente.
– Droga, Damon! – Praguejara com a voz infantil pelo sono, chutando a mão impertinente. – Deixe-me dormir.
– Quem é Damon, querida? – Murmurou a voz feminina e madura.
Droga. Ela precisava lembrar-se que agora possuía pais. Abriu os olhos lentamente sendo logo incomodada pela claridade da janela escancarada.
A mulher de cabelos ondulados castanhos e olhos de um verde azulado a olhou com um sorriso no rosto.
Usava um vestido florido, simples e matinal que a deixava com uma beleza campestre e a rejuvenesciam dez anos.
Elena piscou com aquela visão. Era estranho ver sua mãe sem maquiagem, conjuntos chiques e um celular do lado. Aliais, era estranho ver sua mãe de qualquer jeito.
– Bom dia e desculpa pelo chute. – Murmurou com um sorriso amarelo ignorando a pergunta de Miranda. Fitou seu quarto — que ainda estava em processo de arrumação pós-furacão Salvatore — e não encontrou seu servo em nenhum canto.
Isso por um lado era bom, porque não queria nem imaginar o interrogatório que seu pai faria quando ela fosse pega com um homem dentro do quarto, mas por outro lado era preocupante. Ele já tinha sumido uma vez.
Sua mãe sorriu brandamente acariciando seus cabelos. Elena precisava admitir que aquilo era estranho, não ruim, mas estranho. Como se tivesse que reprogramar seu cérebro aos poucos para aceitar os pais fazendo parte da sua rotina.
– Não tem problema Lenna, mas realmente precisa ir agora para chegar com antecedência no colégio e poder revisar a matéria antes da aula. – Murmurou incisiva, depois relaxou a expressão e sorriu diminuindo o tom de voz. – É assim que as mães duronas fazem, não é?
A adolescente riu assentindo levemente.
– Soube que elas também emprestam os cartões de crédito para as filhas como castigo. – Brincou no mesmo tom de sussurro que a outra usara.
Miranda riu, puxando o edredom com força para que a menina saísse logo. Obediente, Elena levantou se espreguiçando e foi arrumar a cama enquanto sua mãe colocava algumas roupas passadas em seu armário.
Normalmente a adolescente deixava vestimentas suficientes para uma semana de aula já no banheiro, mas ao ver sua mãe passar seus dedos tantas vezes por um vestido azul estampado com padrões em branco, decidiu agradá-la e ir para a escola com ele.
Notou nos olhos verdes uma gratidão transbordante e sentiu em seu íntimo que valeria apena sair de casa com aquela coisa ridícula e inadequada só para ganhar mais olhares daquele.
Tomou banho, se arrumou, escovou os dentes e desceu a escada com a mochila nas costas.
Jeremy estava sentado à mesa ao lado de Grayson e ria de alguma piada da qual Miranda revirava os olhos.
Elena não era sentimental, mas ficou emocionada. Agradeceria todos os dias da sua vida por poder presenciar aquilo. Seu irmãozinho rindo ao lado de um pai atencioso e uma mãe amorosa. Aquilo para ela definia o paraíso. Bem, quase.
Seu pai finalmente tirara os olhos da enorme caneca de café e percebera a sua presença no cômodo.
– Lenna! – Cumprimentou sorrindo abertamente. – Porque resolveu vestir a roupa de quando era bebê? – Ironizou fazendo referência ao tamanho do vestido.
– Bom dia para você também pai. – A morena revirou os olhos se jogando na cadeira ao lado de Jeremy.
– Não encrenque Grayson, eu a achei estonteante. – Disse a bela mulher piscando para a filha e servindo suco de morango em seu copo.
O Sr. Gilbert soltou um suspiro pesado.
– É justamente esse o problema. Os rapazes vão achar a mesma coisa.
Jeremy a olhou assentindo como se fizesse eco ao que o pai acabara de falar.
Ótimo. Agora em vez de apenas um, tinha dois seguranças.
– Você está vendo chifre em cabeça de cavalo, Sr. Cinza. – Brincou utilizando o apelido que o prefixo Gray do nome do seu pai inspirara. – E se os garotos olharem para mim, meu namorado musculoso e cheio de tatuagens quebrará a cara de todos.
Sua mãe deu um risinho enquanto o senhor Gilbert olhava subitamente para Jeremy como que pedindo explicação.
Quando o irmão mais novo de Elena negou com a cabeça, seus ombros relaxaram.
– Arranje um namorado assim e eu compro uma espingarda! – Ameaçou quase rindo.
A menina revirou os olhos achando graça também. Lembrava-se de como Matt levara anos para conquistar a confiança do seu pai e quando isso acontecera, eles terminaram.
Ela realmente tinha sentido falta de todo aquele ciúme bobo. Como não percebera antes?
Levou o copo de suco aos lábios sentido o gosto do morango e pegou uma torrada para acompanhar. Começava a refletir se estava mesmo tão indecente assim, quando Jeremy a chamou para ir para a escola.
Despediram-se dos pais e partiram para a caminhada.
Chegariam mais cedo do que nunca naquele dia.
O pátio estava vazio e dentro deveria estar pior, mas mesmo assim seu irmão a deixara sozinha no banco e fora procurar os “amigos”.
Ela sabia muito bem que tipo de amizade era essa, mas não quis dar uma de irmã mais velha chata e fingiu acreditar na desculpa esfarrapada.
Aquilo, entretanto, a fizera sentir-se incrivelmente sozinha.
As saudades que Bonnie provocava só aumentavam e Elena ficava apavorada pensando que talvez a amiga já tivesse descoberto tudo e quisesse a sua cabeça.
Será que ela ouviria o seu pedido de desculpas antes de puxar o gatilho?
Suspirou puxando o celular e digitando um SMS que queria dizer muito e não dizia nada.
“Bonn, está tudo bem? Sinto sua falta. Tenho tanto para lhe contar. Papai e mamãe voltaram! Yay! Pode me ligar quando puder? Beijos, Elena.”
Observou o ícone com envelope girar em seu visor e soube que a qualquer momento sua melhor amiga leria.
Notou também que Caroline a ligara vinte e cinco vezes. Provavelmente atrás de Damon.
Trincou os dentes deletando todos os registros. Desculpa Carol, mas aparentemente seu celular estava louco e não estava registrando as chamadas perdidas.
Riu do próprio veneno com gosto. Sua pequena maldade, no entanto, não a livrara do pior.
– Elena Petrova Gilbert! – Guinchou certa loura a centímetros dela. – Tudo bem que o cara é um gato, mas era só você me falar que queria ficar com ele, Ok? Precisava fugir de mim como um vampiro foge do sol? Eu passando por um monte de problema com o sumiço da Bonnie, que a propósito é outra vadia, e você aí super bem zanzando com um deus grego e tomando sorvetinho. – Acusou apontando a unha vermelha perfeitamente manicurada para o nariz de Elena.
A morena arfou com o susto e tentou acalmar a amiga enquanto os poucos alunos que estavam no recinto a olhavam. Era a segunda vez que isso acontecia em menos de um mês, daqui a pouco seria um nome comentado naquela droga de escola.
Caroline sentou-se ao seu lado no banco ainda emburrada. Se houvesse uma “Barbie — Mal humor”, com certeza seria assim.
– Carol, não é nada do que você está pensando...
– Nada do que eu estou pensando? Mas essa é justamente a frase que nós usamos quando estamos fazendo justamente o que a pessoa está pensando, mas queremos que ela pense que não estamos! – Acusou falando rapidamente e não fazendo quase nenhum sentido.
Elena suspirou com pesar e encarou os dois belos olhos azuis. Não eram tão lindos como os acinzentados de Damon, mas tinham seu charme.
– Ok. Não sei o que lhe contaram, mas eu e o Salvatore fomos à sorveteria como amigos e só isso. Ele foi super legal com o lance dos meus pais e achei que poderia desabafar com ele. – Era parcialmente verdade. – Não atendi suas ligações porque estava de cabeça quente com a Bonn e toda essa mudança da minha vida, mas senti sua falta. – Essa parte, já não era.
A fúria ferina da menina pareceu esfriar 0,00005%.
– Acredito quanto à parte de ter sentido minha falta. – Ela disse enquanto fitava o teto para sugerir que era óbvio. – Mas ninguém me contou nada Srta. Gilbert. Eu vi, com esses dois olhinhos delineados com produtos franceses, vocês dois lá no maior clima. E ouvi quando disse em voz alta que estavam juntos ou algo assim.
A morena desejou xingar baixo, mas em vez disso apenas coçou a nuca tentando reformular uma boa desculpa.
– Eu estava só... Tentando livrar ele de todas aquelas mulheres. Tive que fazer isso porque, ah você sabe...
– Na verdade, não sei não Petrova.
Elena franziu o cenho ao ouvir seu nome do meio. Droga, ela estava encurralada.
– E não vai nem tentar adivinhar? – Perguntou fingindo indignação.
Caroline piscou os olhos rapidamente sem entender muito bem que rumo aquela conversa estava tomando.
– Você está chapada, Lenn?
Tudo bem, ela merecera aquilo. Suspirou derrotada e colocou uma mecha atrás da orelha resolvendo admitir o que realmente aconteceu.
“Hey Cah, seguinte, eu e o Damon temos uma relação profissional e ele nem liga para mim, mas eu sou uma descontrolada com hormônios confusos, e fico com ciúmes dele, dá para acreditar?! A propósito, se você ligar de novo ou der em cima do Damon, eu vou ter que arrebentar sua cara.”
Não era tão mau assim, era?
É parece que hoje ela perderia uma amiga.
– Carol, é que... O Damon... Ele... – Estava quase gaguejando toda a verdade quando viu Jeremy entrando no prédio do colégio acompanhado da suposta namorada. J sempre a salvava! – O Damon é gay, Cah! Ele está completamente apaixonado pelo meu irmão e eu prometi ajudá-lo, por isso quis afastar todas aquelas mulheres da sorveteria. Não queria machucar você com essa triste verdade e por isso fugi. Desculpa. – Mentiu deslavadamente.
Caroline piscou atônita digerindo cada parte daquela notícia e Elena sentiu em seus ouvidos, o barulho exato de um incinerador.
Seu demônio a mataria assim que descobrisse.
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Notas finais
. O título do capítulo é uma referência à série F.R.I.E.N.D.S da Warner que em todos os episódios inicia o tÃítulo com "Aquele" (de acordo com a tradução Pt-Br)
. O nome "Johnny Depp" aparece, mas em momento algum é o ator. Apenas sua aparência e nome dão o ar da graça aqui. (Para não ultrapassar as regras no Nyah quanto personagens "reais")
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