Demônios Não Amam.
23 Alianças vulgo Bombas relógio - Parte 03
Notas iniciais
Toda vez que entro aqui surto de alegria. Ter vocês como leitores não tem preço, muito obrigada mesmo por tudo.
Trocentésimas desculpas pela demora. Juro que não vou abandonar vocês, não se assustem com os atrasos! É só que fiquei realmente sem tempo, qualquer coisa podem me mandar Mp's gamantes ou asks no tumblr perguntando previsões de datas (no tumblr, nem sempre as asks chegam, mas enfim DD:)
Capítulo está fumado porque virei a madrugada escrevendo ele e estou caindo de sono aqui HAUHSUAHUSHAUS. Depois corrijo os absurdos que devem ter.
MEUS XUXULIS QUE CHEGARAM AGORA *O*, sejam muito bem vindos!
Katie, Franny, Carand, Joker, Nicki Ann (xará *O*) e outros leitores que não aparecem os nomezinhos no meu quadro, sintam-se a vontade para mandar e desmandar aqui , certo?
Joker xuxuzilizito venha já em um abraço de urso! Que depoimento mais gamante foi aquele? MUITO, MUITO, MUITO obrigada. Escolha um capítulo e ele será totalmente dedicado a você.
Outro xuxulis também mandou uma recomendação (ou o Nyah surtou dizendo que tem 7, quando na verdade tem 6), mas como não consigo ver a recomendação, nem o nome de quem mandou, não tenho como agradecer direito por enquanto. Mas assim que eu descobrir minha recomendação misteriosa, acrescentarei na notinha *O*
Galera do tumblr, beijo enorme para vocês também ♥
Enfim, meusamores, smacks porpurinados para todos.
Amo demais vocês ♥

POV-Elena Gilbert.
– Jeremy?! – Tentava pronunciar baixo enquanto batia na porta três vezes para acompanhar o chamado. – Jeremy?! Jeremy?! Jeremy?! Jeremy?! Jeremy?! Jere-
– Oi Sheldon Cooper. – Seu irmão finalmente a atendeu exibindo uma irritação sonolenta.
Tá, ela não o culpava pela recepção pouco amigável. Se fosse o oposto ele ganharia um soco por tanta insistência (especialmente se ela estivesse com Damon no horário).
O problema é que ela não tinha escolha naquele caso. Situações desesperadas pediam medidas igualmente pautadas no desespero.
E, com certeza, receber um convite do Diabo quando a sua melhor amiga bruxa queria ir “de penetra”, se encaixava nisso.
Encarou os cabelos revoltos -que entregavam uma luta com o travesseiro- e os olhos meio avermelhados de sono e foi incapaz de não transparecer surpresa.
Como ele tinha conseguido dormir com o som de metade da casa sendo destruída por um demônio maluco e uma bruxa na TPM? A mandinga de alteração na memória deveria dar algum efeito de surdez, só podia!
Balançou a cabeça descartando o assunto antes que Jeremy perdesse a paciência e se trancasse no quarto de novo.
– Preciso de um favor enorme que você vai aceitar fazer para mim porque é um irmão doce e compreensivo.
– Cada vez menos doce e compreensivo de tanto fazer favores para você. – Retrucou apoiando a mão na estrutura de madeira. – O que aprontou dessa vez Lenny?
Ok, se ela não estivesse tão nervosa e tensa, ela se sentiria ofendida.
– Nah, eu nunca apronto nada! E... Dependendo do ponto pelo qual você enxergue, eu é que estarei fazendo um favor para você. – Mordeu o lábio inferior o observando erguer as duas sobrancelhas com incredulidade. – O que acha de chamar uma garota linda, divertida e simpática para sair?
Os olhos castanhos se apertaram com desconfiança.
– Isso não é uma cantada, é? Porque eu sinceramente não curto essa moda incestuosa de Jaime e Cersei Lannister. – Ela o estapeou no ombro, usando a sua melhor careta de asco, e ele riu. – O que foi?! Você aparece na porta do meu quarto, me acorda, começa a falar coisas estranhas e ainda me agride. Isso dá cadeia, só para te informar.
– Você está andando muito com o Salvatore, “só para te informar”. – Observou lembrando-se das gracinhas que Damon costumava fazer. – Agora, sério, o que acha de sair com outra pessoa a não ser a Lucy?
O rosto masculino ficou um pouco pesaroso e Elena quase se bateu por ter tocado no assunto.
Jô tinha razão quando dizia que ela tinha probleminhas graves. Será que existia tratamento para um pouco de lentidão?
Para a sua sorte, ele suspirou parecendo menos abalado do que antes.
– Isso não é uma daquelas tentativas frustradas de irmãs mais velhas ciumentas que arranjam outras namoradas para os irmãos, é?
Ela amaria se fosse simples daquele jeito.
Um clique vindo da porta do seu quarto a sobressaltou e o pânico começou a cutucar seu coração.
Droga, droga, droga.
– Não J! Não tenho essa intenção, juro. – Apressou-se em garantir embora tivesse gostado da ideia e tomado uma nota mental – Só quero saber o-que-você-acha-sobre-sair-com-a-Bonnie-hoje-tipo-agora-e-por-favor-não-me-mate-pela-sugestão. – Atropelou as palavras como louca o empurrando de leve para que entrasse mais no quarto.
A expressão que ele fez deixou claro o quanto aquilo soou absurdo.
– Bonnie? Bonnie Bennett? Sua melhor amiga? A Bonnie que eu conheço desde sempre e é quase como uma irmã? – Seu lábio inferior caiu em descrença. – Lenn, você está chapada?
A menina coçou o cabelo lembrando-se que Carol tinha perguntado a mesma coisa para ela há algum tempo.
Seu destino que era um grande adepto das drogas, não ela.
– J, por favor, por favor, por favor! Não precisam se casar nem namorar ou qualquer coisa assim, só a leve para sair hoje. Você escolhe o programa, eu pago tudo, serei grata para sempre e fico devendo um favor.
“Lenn? Leeeenn?” – A voz suave de Bonnie soou pelo corredor com uma leve ênfase que parecia querer dizer: “deixe-me sozinha aqui com esse demônio por mais cinco segundos e eu te mato”.
Definitivamente a desculpa de que ela tinha ouvido Miranda chamá-la e que queria ir sozinha conversar com a mãe, não iria contê-la por tanto tempo.
– Anh, já estou indo Bonn! – Gritou nada confiante, virando-se depois para um Jeremy desconfiado e confuso. – Poor favoooooor. – Suplicou um pouco mais baixo que antes.
– Já passou pela sua cabecinha de vento que o Tyler é meu amigo?
– Sim, eu sei que é um fato deprimente, mas podemos pensar no MEU problema agora e depois pensamos no seu?
Jeremy sorriu de leve balançando a cabeça em descrença.
– O Tyler é apaixonado pela Bonnie e me mataria caso eu aceitasse essa maluquice sua. – Ponderou um pouco mais desperto que antes. – Aliais, o que você ganharia com isso?
Era mais fácil perguntar o que ela não perderia.
Não perderia a amiga, a vida e a sanidade.
– Você quer mesmo que eu implore de joelhos? Porque eu posso fazer isso na boa.
– Não iria adiantar. – Retrucou obstinado cruzando os braços.
– POR FAVOR!
– Desista, Lenny. Isso nunca vai acontecer.
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POV- Bonnie Bennett
Aquilo só podia ser um quadro de pegadinha de algum programa de humor.
Para resolver tudo, pensava ela, era só uma questão de achar as câmeras, bater no apresentador e fazer cortes profundos com uma gilete em quem a havia indicado para o quadro satírico. Pessoa essa que parecia ter sido Lenny – só pela cara de culpada que fazia-.
Depois desse passo-a-passo, Bonnie poderia voltar a acreditar em uma ordem mundial que não fosse nonsense e desajustada como aquilo parecia.
O irmãozinho da melhor amiga dela estava mesmo querendo marcar um encontro com ela?
Ajustou os ouvidos para a realidade bem a tempo de ouvi-lo repetir o sacrilégio.
– Então, você... Quer... Sair? Comigo, sem nenhuma coisa romântica só... Amizade. – Jeremy tentou parecer articulado falhando completamente.
Gente, o que estava acontecendo? Mystic Falls havia enlouquecido?
Ou então...
O azul safira fuzilou Elena a ponto de fazê-la desviar os olhos, e Bonnie resolveu, naquele instante, tentar extrair a verdade de qualquer jeito. Não por pirraça, mas porque queria que a morena provasse que os pensamentos da bruxa estavam errados e ela só estava sendo paranoica.
E, realmente, as chances de ser um ato paranoico matematicamente explicável provocado pelo excesso de treinos cruéis pelos quais passara, eram grandes.
Mas porque então ela tinha tanta certeza que a amiga não queria levá-la para ver o tal pai do rato?
Ou que o demônio era provavelmente aquele conhecido como Slayer sobre o qual um dos livros das sombras relatava?
E que, pior ainda, se esse fosse o caso, o demônio era filho de Lúcifer (consequentemente, irmão de Ethan. Não que ela se importasse, tá?) e isso indicaria que Elena foi chamada para conversar com o Mefistófeles?
Uma conversa sobre a qual ela estava bem ciente, uma vez que inventara aquela desculpa fajuta de pamonhas e agora subornava o irmão para levar a ruiva a algum programa forjado.
Claro, faria todo o sentido do mundo, mas ainda assim seu lado sentimental – ridiculamente ativado por Ethan- persistia em fazê-la de idiota dizendo que ela deveria confiar na sua melhor amiga.
Era como quando via a sombra de Lewis em cada homem com a menor semelhança que fosse, só pela ridícula vontade de querer reencontrá-lo.
Só que nesse caso, ela queria fazer-se de cega para todos os sinais, apenas para poder continuar chamando Elena de “amiga” e as vezes de “irmã”.
Apenas, talvez, para preservar a “Bonnie” que ainda existia nela e não a sacerdotisa que deveria vingar a família.
– Claro. – Concordou e pôde perceber que todos, até o demônio usando invisibilidade, ficaram surpresos. – A Lenn marcou de se encontrar com um amigo em um quiosque de pamonhas e, como eu já estava curiosa para conhecer esse lugar, acho que podemos ir com ela, o que acha?
Os irmãos trocaram um olhar medido e a bruxa, ao se concentrar no tom castanho terra, por algum motivo, sentiu sua cabeça doer.
“Da semente...” A frase avulsa e estranha começou a se formar em sua mente sem conseguir ser terminada.
Forçou-se a não transparecer a dor e não achou a tarefa complicada.
Foi um dos seus exercícios de treinamento passar por coisas do gênero sem reclamações ou frescuras.
“Em uma guerra” disse sua avó na ocasião “Você terá que ter estômago forte o bastante para lidar com a dor e mesmo assim prosseguir no combate.”
– É que... – Jeremy se adiantou pegando sua mão. – Eu queria sair só com você.
Os olhos azuis piscaram atônitos e o menino corou parecendo capaz de oferecer cem dólares para quem o tirasse daquele quarto.
Desconfortável era um adjetivo que definia bem a expressão dele.
– Ah, podemos ir com a Lenn, conhecemos a barraca e depois vamos para outro lugar, o que acha?
Era um plano falho, já que Elena poderia pedir para o rato criar a tal “casa de pamonhas” com seus poderes, mas, pelo menos, foi o bastante para ver o nervosismo no ar.
– Você pode conhecer outro dia Bonn.
– Ou melhor, Jeremy! Podemos sair hoje com a Lenna e outro dia saímos apenas nós dois.
O menino pareceu um pouco surpreso com a leve ironia na voz de Bonnie e Elena estalou os dedos com uma angústia fácil de perceber.
Foi nesse momento que um lado da ruiva estremeceu. Um lado fraco e vergonhoso que se perguntava: “Eu quero mesmo checar isso? Quero mesmo arriscar coisas valiosas como a minha amizade só para chegar até a verdade?”.
A ignorância era uma benção, diziam. Naquele caso, talvez, não saber de nada fosse melhor.
Ao mesmo tempo, não podia se render à fraqueza. Todas as mulheres mortas na sua família dependiam dela para serem livres novamente e terem descanso.
Fora que sua avó ficaria com vergonha se a visse fraquejando daquele jeito.
Jeremy colocou as mãos nos bolsos e virou-se em direção à Elena parecendo desolado.
– Eu disse para você que não daria certo Lenn. Ninguém quer perder tempo ouvindo as reclamações de um idiota que faz as namoradas fugirem.
Os olhos azuis se tornaram culpados ao fitarem um garoto totalmente diferente daquele que encontrara no dia em que partiu de Mystic Falls rumo à casa da avó.
Jeremy estava cadavérico e abatido e a dor em seu belo rosto não parecia fazer parte do que Elena tramava.
Ela não poderia negar apoio a um amigo que precisava dela.
Mesmo que tudo estivesse muito estranho e passional demais.
Mesmo que no fundo talvez estivesse fazendo isso só para não enxergar a verdade.
Mesmo que aquilo tivesse consequências irreparáveis no futuro.
É, ela havia se enganado. No fundo ainda era a mesma garota estúpida de sempre.
– Não, J. – Interpelou sem saber ao certo o que fazer. – Desculpe-me, eu não estava fugindo de nada. Podemos ir hoje! Agora, se quiser.
O garoto deu um meio sorriso tímido e assentiu saindo do quarto avisando que iria se arrumar.
Elena aproveitou o momento para quebrar seu voto de silêncio estático. Seus olhos carregavam o peso do mundo e quase davam a conotação de aflitos.
– Obrigada por ajudá-lo Bonn, eu realmente tenho falhado nisso nos últimos tempos. – Parecia estar falando com sinceridade enquanto fazia uma careta de chateação. – Você, como sempre, consertando tudo o que eu estrago.
Em outra situação ela sorriria, mas aquelas palavras lhe trouxeram mal estar. Como se a amiga não tivesse falando de simples “estragos”, mas de coisas realmente terríveis.
Por um flash momentâneo, enxergou as mãos e lábios de Elena repletos de sangue enquanto um sorriso macabro contorcia seu rosto.
“Assustada com a minha verdadeira aparência, Bonn?” o espectro dizia antes de tudo sumir e ela perceber que estava sendo chacoalhada.
– Bonn? Bonn? Está tudo bem? Quer se deitar?
“Querer”? Ela não sabia mais o que queria ou não. Nem sabia se isso importava mais.
– Está tudo bem. – Mentiu ainda odiando esse habitozinho terrível. Suas mãos se elevaram até os seus cachos e ela retirou um fio de cabelo fechando as duas mãos sob ele – Sei que está tudo tranquilo e que você é semi-responssável... – Brincou fazendo a castanha estreitar os olhos.
– ...Mas, gostaria que você carregasse um pouco de proteção, será que se importa?
Sua melhor amiga pareceu sem reação a princípio e então assentiu. Exatamente como fez quando Bonnie lhe deu o medalhão amaldiçoado.
A bruxa concentrou-se imaginando um escudo que protegesse Elena de qualquer poder demoníaco e sentiu um objeto criando forma entre os seus dedos.
Já havia percebido que a outra carregava sempre no pescoço um colar antigo da família com um pingente no formato de rosa, então aproveitou a joia e criou algo que saberia que a garota não esqueceria em alguma gaveta do cômodo só por ser muito desligada.
O pingente exibia um pentagrama -simbolizando a harmonia em todos os sentidos- e dentro, uma ônix, que daria a indicação de Elena caso ela corresse perigo.
Se suas suspeitas se confirmassem e Lenn fosse encontrar Mefisto, ela precisaria de proteção.
A ruiva sorriu fazendo o amuleto se erguer até se fundir com o colar e, foi, nesse momento, que algo deu muito errado.
Elena deu um gritinho agudo de dor e uma queimadura surgiu no local parecendo bem dolorosa.
Será que ela havia feito o feitiço errado?
Ou talvez apenas não quisesse enxergar mais alguma coisa ruim sobre a amiga?
Obrigou a divagação a sumir da sua cabeça e concentrou-se na marca de meia lua em carne viva na pele de Elena.
– Lenny, desculpa! Eu não sei o que...
– Não foi nada Bonnie, eu estou bem. – A menina se apressou em dizer rindo um pouco de forma nervosa. Um rápido exame confirmou que o objeto não a feria mais, só que mesmo assim fora tudo muito estranho. – Isso não vai me matar, vai?
Os olhos azuis rolaram achando graça da pergunta idiota.
– Apenas se você for perigosa para si mesma. – Disse tendo a intenção de soar sarcástica, mas pressentido que era uma profecia.
Batidas na porta ecoaram e Jeremy entrou com um sorriso gentil nos lábios.
– E então, pronta?
“Eu estou?” – Refletiu mentalmente meio enjoada.
O mal estar não tinha nada a ver com os enjoos que um encontro gerava em casais e sim com algum detalhe que ainda não sabia.
Mas que em breve iria saber.
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POV-Elena Gilbert.
Por algum motivo bizarro, ela decidiu se arrumar bastante para encontrar Lúcifer.
Não que pensasse que ele a avaliaria como um sogro normal, mas ainda assim talvez fosse necessário causar uma boa impressão.
Ok, ela queria muito mesmo impressionar o Diabo! Damon já enfrentaria dificuldades o bastante só por namorar uma humana, se, ainda por cima, o Senhor dos Infernos a odiasse, aí que a coisa iria ficar feia.
O único problema era que também não podia ir arrumada demais e tinha que vestir algo que cobrisse a nova marca de queimadura que ganhara (O que tornava a tarefa desesperadora).
Desistiu da caça ao tesouro no armário, assim que encontrou uma blusa azul de gola média, e foi para o quarto no qual Bran a esperava com impaciência.
– O que acha? – Perguntou praticamente fazendo os lábios sangrarem de tanta insegurança.
Ele a olhou meio entediado (era a vigésima vez que ela trocava de roupa) e então sorriu.
– Nada mal para uma humana. Podemos agora parar com isso e ir logo? – Suas mãos se uniram como se fizesse uma prece e as feições do seu rosto ficaram infantis. – Daqui a pouco a Elvira vai voltar e, antes de irmos ao Inferno, preciso fazer um lanche, o que pode nos atrasar mais ainda se não sairmos nesse exato minuto.
Elena revirou os olhos lembrando que a menos de uma hora atrás ele havia devorado toda a comida da sua geladeira, mas mesmo assim suspirou resignada.
– Compramos algo para você na mercearia.
– Não sei se essas “comidinhas” ruins de vocês vão fazer algum efeito. Preciso de almas e quero usar a velha e boa técnica da falecida Jenny Wolf. – Ao notar a expressão feminina, ele riu. – Pense pelo lado positivo: se eu fizer uma chacina, você vai aparecer em todos os noticiários!
Ha-ha-ha. Claro, porque esse era o sonho da sua vida! Ficar mundialmente famosa como uma maníaca do parque.
– Não, o senhor não vai matar ninguém na minha presença, e, é melhor nós irmos mesmo antes que seu pai me queime viva. – Disse enquanto pegava a bolsa em cima da cadeira e segurava a mão firme e bruta de Bran esperando o teletransporte. – A propósito, pensei que demônios não se preocupavam com “atrasos” já que podiam interferir no tempo.
Os olhos azuis acinzentados a olharam com divertimento ao mesmo tempo em que o ar a sua volta pareceu vibrar iniciando a viagem.
– E nós podemos. O único “porém” é que justamente por sermos demônios temos uma tendência a exercer os pecados capitais.
– E?
– E preguiça é um deles. – Murmurou enquanto o quarto girava e o centro de uma cidade com paralelepípedos surgia.
Alguns carros passavam desesperados bem no momento em que se materializaram e, não fosse pelo empurrão nada gentil do demônio, Elena teria virado pizza.
– Sério que esse é o inferno? – Era como uma cidade comum com estabelecimentos, vielas, casas e placas que pareciam estar escritas em alguma língua neo-latina que não era o inglês. – Não parece muito... Infernal. – Concluiu observando um ciclista que xingava o outro bem em frente ao banco. BANCO! O INFERNO TINHA UM BANCO!
Não se conteve e teve que exclamar isso alto fazendo o cunhado rir por minutos inteiros.
– Claro que existe. Meu pai que inventou os cheques e cartões de crédito. Ele inclusive mora lá, sentado em uma cadeira feita com dólares e televisões que monitoram todos os bancos do mundo. Estabelecimentos bancários são portais para o Inferno, aliais. – Disse solene ao mesmo tempo em que a menina escancarava os lábios de surpresa e empolgação com os detalhes novos. Estava quase puxando um bloco de notas para fazer anotações quando ouviu a gargalhada trovejante ao lado.
– Tentar enganar você não tem a menor graça, você sempre cai feito um patinho, mortal!- Outra crise de risos choveu e ela fechou a cara. – Estamos na Itália, como eu disse, preciso fazer um lanche.
– Com comida, eu espero. – A menina censurou mesmo não conseguindo ficar tão brava quanto queria. Puts, ITÁLIA!
– Para quem é uma Besta apocalíptica, você é bem conservadora. – Provocou já se afastando e indo em direção a uma banca de revistas onde uma vendedora velhinha estava.
Oh droga, ele iria matar a pobre!
Apressou o passo se desviando de alguns italianos nervosos e animados e, assim que encontrou um espaço da calçada mais livre, começou a correr para alcançá-lo.
– Bran, você... Bran... PARE! Não vou deixar você matar a senhorinha fofa da banca de revistas. Vamos para o Inferno logo, certo? Aquele lugar... Legal e escaldante que tem diabinhas fazendo apresentações calientes.
– Rá, Isso retrata bem o inferno! – Zombou continuando com seus passos largos. – Deixe de ser chorona, humana embaixatriz da paz. Só vamos resolver as coisas da imigração e seguimos viagem.
– Vocês têm um órgão imigratório?
Bran a fitou pelo canto dos olhos e assentiu.
– Não recebemos muitos turistas mortais, mas quando alguns resolvem vir, precisam de toda uma preparação para não serem pulverizados e para ganharem o Passe.
– Mas eu sou a Chave, não sou pulverizada, lembra? – Apontou passando a mão pelos cabelos para ajeitá-los no meio da ventania.
– É aí que entra o Passe, mortal. É uma espécie de selo que impede pessoas que não podem ser pulverizadas, e atravessam a fronteira, de serem caçados por demônios durante a estadia no inferno. Sem o selo de proteção do meu pai, Diti e as outras cabras reclamonas a matariam com um espeto de churrasco. – Explicou gerando medos profundos em Elena.
Certo, suas cunhadas a odiavam. Não era tão ruim assim, era?
Os paralelepípedos cessaram e o asfalto suportando a barraquinha de revistas finalmente chegara ao alcance deles.
A senhora, que aparentava ter cem anos ou mais, exibia cabelos longos e cinzas que pareciam alternar para o dourado quando ela se mexia. Sua pele era curtida do sol e combinava com seu sorriso banguela simpático e com os olhos muito negros. Se tivesse um metro e sessenta era muita coisa e trajava vestes simples e esportivas.
Não parecia muito diferente de uma pessoa normal a não ser pelo cabelo.
– Menino cabeçudo! – A mulher saudou com a voz esganiçada e rouca. – Trouxe mel?
Bran encostou-se na estrutura parecendo meio culpado e então apontou para Elena como um verdadeiro cara de pau.
– Tinha comprado vários potes de mel para você Aracne, mas a mortal comeu tudo.
O QUÊ?
A senhora a encarou com o cenho franzido por alguns minutos e depois buscou uma revista ao lado, enrolando-a e batendo na cabeça do demônio.
– Cabeçudo mentiroso, menina olhuda não comeu mel. – Elucidou guardando o instrumento de tortura no balcão, enquanto o demônio ajeitava o cabelo desalinhado pelo golpe. – E velha Aracne agora tem nome novo. – Disse orgulhosa apontando para um crachá que dizia “Microsoft”. – Nome verdadeiro é Mary, mas para se misturar com os humanos sem gerar suspeitas, velha Aracne escolhe nomes que mortais gostem.
Os olhos castanhos fitaram os azuis acinzentados tentando ver se encontrava cumplicidade, mas por algum motivo ela parecia ser a única ali sabendo que “Microsoft” era um software de computador (ou algo assim) e não um nome da moda.
– Tem verdadeiro estilo. – Bran elogiou fechando um dos olhos e fazendo sinal de positivo com o dedão. A senhora sorriu orgulhosa saindo da banca e o demônio começou a procurar revistas que pareciam estampar carros estranhos em vermelho vivo.
Cara, não era o tipo de coisa que você veria nem no nome dos filhos de pessoas famosas que amavam pôr nomenclaturas estranhas!
Mas, enfim, quem era ela para falar? Precisava logo do seu “visto de turista” para conversar com Lúcifer e provavelmente ser morta.
Aliais, no que ela estava pensando ao aceitar aquela loucura?
– Essa é a passageira? – A outra se dirigiu a Bran, ouvindo a confirmação segundos depois.
Um frio contorceu os ossos de Elena e ela obrigou-se a parecer mais forte do que realmente se sentia.
Desejou que Damon lhe fizesse companhia, mas resolveu não chamá-lo. Se ele estava fora por tanto tempo, certamente era algo urgente e não queria tirá-lo disso só porque era um chiclete ambulante e medroso.
Essa atitude madura de vencer o apego, não anulava o fato de que, por dentro, sentia-se uma garotinha amuada por ficar sem ele.
Mas o amor libertava então ela devia engolir em seco e respirar fundo.
Parecendo adivinhar seus pensamentos, Microsoft se aproximou e tocou seu rosto quase com ternura.
– Menina triste quer logo ir ao inferno. – Comentou parecendo analisar Elena de cima abaixo com curiosidade. – Mas antes menina tem que deixar todas as Intenções comigo para encontrar O Lorde das trevas. Todos os pensamentos, sonhos, paixões. Lá, menina vai lembrar-se de tudo o que sente, mas serão só fantasmas desses sentimentos e não eles na sua totalidade. Quando menina sair do Inferno, pode recuperar as Intenções.
Embora parecesse um sistema de segurança interessante, precisava dizer que tinha odiado a coisa de ter que doar tudo o que sentia como se fosse metal que fazia uma porta com alarme soar.
Até porque tudo o que sentia era tão intimo e... Sei lá, era como se lessem um diário particular seu.
– Menina precisa ficar relaxada. – A velhinha ralhou batendo com uma revista na cabeça dela assim como havia feito com Bran. – Preste atenção: Microsoft antes era a guardiã da chave, até diabinha Johanna roubar. A chave tinha todos os sentimentos de Microsoft, todas as lembranças e emoções. Menina é a nova chave, então de certa forma conhece sentimentos de Microsoft. Agora, precisa retribuir o favor por pouco tempo. Juro pela terceira linha da mão, que velha Aracne vai devolver tudo!
Era bizarro, mas a velhinha parecia confiável.
Tentou ver se algum pensamento avulso da Outra Elena aparecia para lhe dar algum conselho, mas não encontrou nada. O seu clone estava tão perdido quanto ela.
O que tornava, é claro, tudo muito fácil! Pfff, porque tudo tinha que ser arriscado quando se tratava dela? Argh, Argh, Argh.
– Mortal? – Seu cunhado chamou apoiando a mão sob o ombro feminino enquanto largava a revista esportiva que o havia entretido até aquele instante. – Se isso for te tranquilizar, pode levar na viagem um sentimento. Mas um só, ou meu pai pode resolver pulverizar nós dois.
– Muito animadora essa perspectiva da pulverização a todo instante, Bran. – Murmurou sarcasticamente observando a senhora simpática fazer círculos em volta dela como uma inspetora minuciosa.
O demônio sorriu girando as palmas da mão para cima como se não tivesse outra forma.
– É que quando as pessoas deixam seus sentimentos do lado de fora, não representam perigo. Mesmo que se lembrem da fé que possuem, não a sentem então não tentam destruir meu pai só por possuírem filosofias religiosas de certo e errado. Ou se querem recuperar a alma de familiares, ao chegar lá realmente percebem que é um propósito estúpido e pouco lógico quando não sentem na pele a dor de perder alguém. Os sentimentos então são mais perigosos que armas. Eles impulsionam as mudanças do mundo, os atos heroicos ou sacrifícios que vemos por aí.
Os olhos castanhos piscaram rapidamente tentando digerir aquilo. Nunca na vida pensara por aquele prisma. Aliais, achava que Lúcifer temeria tudo menos sentimentos.
– Uma arma de fogo, uma faca, um machado... Tudo isso pode ser destruído facilmente por nós. – Bran continuou parecendo interpretar o silêncio dela como falta de compreensão. – Mas o amor de uma mãe por um filho que foi levado para o Inferno, é impossível de ser contido. E mesmo que ela não tenha faca, machado ou qualquer tipo de arma, ela vai lutar até não poder mais. Era por isso que os reis antigos davam preferência a soldados da pátria que lutassem para defender a comunidade na qual viviam e amavam, em vez de mercenários, que fugiam rapidamente a qualquer sinal de que a guerra estava ruim para o lado deles.
Isso fazia sentido de modos tão estranhos que rendia tantas reflexões quanto as frases do Cachinho.
Assentiu respirando fundo para reorganizar a mente e tentou escolher uma entre tantas das suas “armas”.
Não foi tão difícil assim decidir.
– Quero levar o amor. – Deixou bregamente claro pensando que, os conhecimentos estratégicos que lera no Códex do Diabo, a coragem, esperança e qualquer coisa assim, já seriam despertados instantaneamente no seu cérebro quando pensasse no motivo que fazia com que ela precisasse deles.
Quando se lembrasse dos risos dos pais, do abraço de Bonnie, das brincadeiras de Jenna e Jeremy, das piadas de Johanna e, claro, de Damon.
Um sorriso brotou em seus lábios sem a sua permissão e Microsoft suspirou com pesar a olhando com a expressão desolada.
– Um dia, menina triste ainda vai implorar para que se tire justamente esse sentimento escolhido agora. Só que nessa ocasião, menina vai querer que velha Aracne jure que nunca mais irá devolvê-lo. – Os olhos negros engoliram os castanhos e as duas ficaram se fitando daquela forma por alguns segundos que criaram milênios. Só quando Bran pareceu sinalizar que estavam perdendo tempo, foi que Mary despertou e escondeu as mãos de Elena sob as suas, fazendo um pedido: – Olhe para Microsoft menina, isso pode doer um pouco.
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POV- A garota que não sabe quem realmente é.
Pela Deusa! Existia algo mais constrangedor do que ficar em um restaurante de cidade pequena em que TODO MUNDO conhece você, olhando para a cara do irmão da sua melhor amiga e com quem, infelizmente, você não tem muito assunto, enquanto seu raciocínio lógico tenta lhe bater por ter aceitado a maluquice do seu lado emocional?
Ah, é mesmo! Não tinha como outra pessoa saber disso e responder a pergunta, já que ela era a única idiota do universo a fazer tanta besteira sequencial.
Bebericou a água quase morna da taça, dando um sorriso fake para Jeremy.
Se não fosse por ele, os grilos já teriam começado a conversar há muito tempo.
– Então Bonn, como é a escola nova?
Alongou um pouco o sorriso por notar que ele estava se esforçando tanto para ter assunto, que estava recorrendo a perguntas de tias.
Sua escola nova teoricamente não existia. Vovó Sheila havia resolvido que toda a educação de Bonnie ficaria por conta dela e a ruiva foi matriculada em uma escola local na qual mal chegara a aparecer.
O lugar era bem rígido e chato, mas as notas e frequências de Bonnie continuariam perfeitas por toda a eternidade graças à magia.
Sheila lhe ensinara formas de manipulação mental que criavam “alucinações” e todos poderiam jurar de pés juntos que a menina nunca faltava uma aula se quer.
O problema de verdade eram as câmeras, no primeiro semestre lá, o diretor Vlad a chamara para perguntar porque as câmeras nunca captavam a movimentação dela ou participação na aula.
Foi aí que uma magia mais pesada teve que entrar e ela criou um Eidolon (clone grego) para enganar todo mundo.
O problema dessa magia era que ela, infelizmente, não era o Loki, então não conseguia fazer vários hologramas seus com tanta facilidade. O exercício consumia muita energia e nem Emily fora capaz de fazer mais do que dois simulacros.
Conclusão: Não tinha a oportunidade de criar clones que a substituíssem em tarefas improdutivas e entediantes como aquela que ocorria naquele momento.
– A escola é boa, não é tão aconchegante e legal como a daqui, mas acho que é bem... Eficiente.– Disse brincando com a comida recém chegada como se uma azeitona na pizza fosse a bola e o garfo um jogador. – E você, como está no segundo ano? Se virando bem?
Jeremy assentiu parecendo satisfeito com os resultados escolares.
– Ainda sou uma droga na maioria das matérias, mas por algum motivo me tornei o melhor aluno de história nesse ano.
Ela sorriu, lembrando saudosa de quando seus únicos problemas envolviam as notas que tirava.
– Isso é maravilhoso, Jemmy! Seu professor é o Sr. Gomes? Ele ainda dá aulas sobre a segunda guerra mundial? – Na época Bonnie, amava o assunto e simplesmente tirava notas altíssimas. Talvez graças à descendência de Emily ou aos pedaços da alma de Annelise Baker que habitavam nela.
– Ensina sim. É um dos meus assuntos prediletos graças à Elena. – Comentou dando uma mordida na sua fatia de pizza e a devolvendo ao prato. – Não sei se ela lembra que quando era pequena tinha uma obsessão maluca com as causas da guerra. Ela cismava que o preconceito de Hitler, o fator comercial e a humilhação passada pela Alemanha não eram fatores “bons” o bastante para começar um combate. – Ele sorriu jogando as sobrancelhas para cima como se sugerisse que a irmã era meio louca.
Lenny realmente tinha um parafuso a menos, mas aquele fato era um pouco assustador já que a segunda guerra tivera outro motivo para acontecer como ela previu.
Hitler queria um domínio mundial e colocou como propósito pessoal fazer da Alemanha seu território já que os outros planos mágicos estavam habitados. Matou os judeus, os ciganos e todos os que possuíam influências de outras fés que pudessem se unir contra ele.
Manteve os católicos não porque esses fossem maus como ele, mas como lidavam com o mesmo prisma religioso que o ditador, não representavam perigo: Todas as formas de lutar espiritualmente com o catolicismo contra Hitler já eram conhecidas pelo próprio.
Fora que Bestas necessitavam de sacrifícios para completarem a transformação.
Um demônio, uma bruxa, um anjo, um humano e um integrante de qualquer outra religião, no mínimo.
Só se exigia uma vítima no último caso porque a Besta era uma criatura da mitologia judaico-cristã, e era apenas uma forma de captar um pouco mais de poder e se afirmar acima dos deuses de uma só vertente.
De qualquer forma, não era uma informação que toda criança humana intuía.
O conhecimento aprofundado na história da segunda guerra não era um fator notável, já que até Caroline tirara A+ com a observação do professor de que se tivesse uma nota acima, ela a ganharia. (Não querendo chamar a Carol de burra, mas ela não era a melhor aluna da sala exatamente).
Ao fundo, uma das músicas prediletas de sua mãe começou a tocar e ela sorriu com saudades. Lembrava-se das faxinas que Abby fazia ao som de “Pumped Up Kickse desde que a música foi lançada.
Estava evitando contatá-la desde que chegou à Mystic Falls, porque queria antes iniciar sua investigação sobre a Besta e depois ficar livre para “curtir” sua mãezinha.
O dever tinha que ser o primeiro item da sua lista de prioridades sempre. Ver Elena mesmo havia sido um dever. Precisava se certificar de que a adolescente não corria o perigo que Lucy alertou que correria.
– É a música predileta da minha mãe. – Comentou como quem não quer nada vendo Jeremy um pouco confuso só depois sorrindo e assentindo. – Eu não gosto da versão do Foster The People, mas a música é uma recordação querida. O que tem ouvido ultimamente?
O garoto inclinou-se mais na mesa parecendo prestar atenção ao som.
– É legal. – Elogiou parecendo tentar adivinhar as partituras que compunham a melodia com o hábito típico de quem já tivera uma banda. – Ah, não tenho ouvido nada demais. Minha namorada costumava monopolizar meu Ipod.
Os olhos azuis o encararam receosos pela entrada do assunto, mas ele parecia bem. A pouca chateação que aparecia em seu rosto era normal naquele caso.
– Lamento muito por tudo que aconteceu, Jemmy. – Disse com sinceridade afagando sua mão e depois bebericando a água morna horrível. – Ela faz esse tipo mandão? Pelo pouco que a Lenny me falou ela parecia bem meiga e na dela.
Jeremy lhe dedicou um sorriso irônico e limpou os dedos com guardanapo.
– Na frente dos outros ela ficava estranha, reservada e muito educada. Quando estava comigo ela era só... Ela mesma. Dançava do nada, bebia muito e adorava me arrastar para festas e coisas assim. Sinto falta dessa Lú.
O celular em seu bolso vibrou e seus dedos o caçaram pelo tecido enquanto ela se dava conta de uma informação que não sabia e nunca perguntara.
– O nome da sua namora é Lúcia ou algo assim?
Se alguém já havia dito o nome em sua presença, ela simplesmente não lembrava.
Já com o aparelho nas mãos apertou a tecla para desbloqueá-lo e aceitou a ligação de número estranho sem ouvir direito o nome que Jeremy falava.
Lucy, talvez.
No final daquela ligação isso simplesmente já não importava.
Isso porque, o que o chefe de polícia Tuommas disse, foi que sua mãe havia se matado no dia anterior.
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POV- Elena Gilbert.
Dizer que doeu “um pouquinho”, como Microsoft havia sugerido que seria, era o tipo de eufemismo que Bonnie amava usar.
“Doeu para caralho”, entretanto, era muito mais verdadeiro.
Como se colocassem um aspirador na sua cara e tentassem sugar seus, sei lá, rins pelas narinas.
Seu corpo inteiro se agitou enquanto a dor dilacerante a fazia implorar por uma morte mais rápida.
A única coisa que ainda estava lúcida na sua mente era a parte que mostrava imagens de todas as pessoas que já foram ou ainda eram importantes na sua vida.
Alguns rostos não identificados também apareceram e, para a sua surpresa, eles pareciam incrivelmente familiares.
Quando tudo passou, nenhum segundo parecia ter sido perdido e Bran e Microsoft a olhavam com curiosidade e indiferença.
Ela massageou a testa apoiando-se no seu cunhado para não cair e aceitou com prazer o copo de água que a “porteira” do Inferno lhe oferecia.
– Você é um anjo, Micro. – Agradeceu virando o líquido de uma só vez.
– Bruxa satanista, na verdade. – Corrigiu a voz masculina e Elena imediatamente cuspiu tudo.
Não só pelo fato estranho de uma BRUXA ser a guardiã do portal do Inferno, mas porque aquele troço queimava sua boca inteira e era tudo, menos água.
– Menina olhuda desperdiça veneno de velha Aracne! Agora precisa pagar com mel.
– Esse troço é veneno? O que é isso? Um golpe de Estado? – Ralhou fazendo caretas pelo gosto impregnado em sua garganta.
O demônio, mais preocupado com o maldito carro vermelho na revista esportiva, agitou a mão no ar criando um copo com algum liquido dentro e entregando à ela.
– Você vai morrer por um tempo só. É cicuta, você gosta de filosofia e Sócrates morreu assim, não é legal?
A tapa que ela deu no braço forte foi só o início de todas as agressões e torturas que ela planejava fazer com ele.
– Ok, além do fato de que o Damon vai quebrar sua cara quando souber que você tirou o direito dele possuir uma alma, quando EU for um espírito juro que puxo seu pé pela eternidade e canto músicas do Michael Jacksson com a voz de Alvin e os Esquilos no meio da noite.
Em vez de provocar medo, ela causou a bagunça parcial do seu cabelo já que o demônio se limitou a sorrir e despentear seus fios com a mão pesada.
– É por pouco tempo, mortal. Vai morrer por alguns instantes. Você gosta de Shakespeare... Finja que é a Juliana.
– Julieta, Bran. – Corrigiu cruzando os braços e pegando o copo estendido para ela. – E como sabe que eu gosto de Shakespeare, filosofia e todas essas coisas?
Ele sorriu sem graça fazendo seus olhos virarem linhas finas, e coçou a cabeça como personagens de anime quando desconfortáveis com algo.
– Talvez eu tenha ficado entediado e tenha espiado você desde que a ruiva chegou. Eu disse TALVEZ! – Acrescentou a última parte ao vê-la furiosa.
Big Brother Elena. Ainda não assiste? Assine já o pacote pay per view criado pela TV Demoníaca e curta cenas exclusivas da vida PARTICULAR de uma adolescente problemática.
Onde estava seu Plegmaemo quando ela precisava?
Concentrou-se no próprio punho, batendo diretamente no plexo solar dele e teve o prazer de ouvir um “ai” escapando dos lábios masculinos.
– Como ficou forte de uma hora para outra? – Ele reclamou massageando o local.
Mal pôde aproveitar seu momento inédito de Bruce Lee, já que o rolo de revista atingiu sua cabeça ao mesmo tempo em que atingia a de Bran.
– Quietos! Meninos fazem mais barulho que abelhas e deixam Microsoft maluca. – A velhinha se impôs, parecendo preparada para uma segunda batida caso eles não estivessem dispostos a parar. – Menina olhuda vai beber veneno e morrer como boa menina. Depois revive. Menino cabeçudo vai aprender que ficar escondido no quarto dos outros é feio...
– Isso aí, Dona Micro!
–... Melhor forma de espiar é com bola de cristal ou água limpa e taça nunca usada.
– O QUÊ? Dona Micro, de que lado você está?
A velhinha deu um de seus sorrisos banguelas e fez sinal para que ela tomasse logo o veneno.
– Do lado de quem der mais mel. – Bran cochichou baixinho enquanto ela engolia o conteúdo se obrigando a não colocar tudo para fora.
Suas pernas imediatamente fraquejaram, como se a Cicuta estivesse com sua eficácia triplicada e o demônio a carregou com braços quentes.
– Não se preocupe Bela Adormecida, quando você voltar do Inferno, vou pedir que o Damon acorde você com um beijinho doce para você ter um momento Disney. – Zombou olhando a garota que tinha um liquidificador na cabeça.
– Haha. Idiota.
Seus olhos pesaram e foi como se apenas estivesse com sono.
A diferença era que quando dormisse não teria sonhos e sim pesadelos com o Diabo.
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A sala era tão grande quanto um campo de futebol. Uma biblioteca tão vasta quanto as dos reis, com móveis medievais de luxo e uma lareira aconchegante na ponta.
Algumas escadas auxiliavam o alcance de livros na parte mais alta das estantes e o cômodo era basicamente todo ocupado por essa parte literária.
A decoração explorava tons de aqua desbotado em contra ponto com a madeira quase preta.
Através das janelas enormes, flocos de neve caiam fazendo mantas para as árvores desfolhadas e construções distantes.
De alguma forma a casa na qual estava, parecia ficar bem distante do resto da “cidade”.
Ergueu-se do sofá macio, sentindo-se fraca e entusiasmada ao mesmo tempo.
Nunca imaginou que no Inferno nevaria. Como será que um pastor reagiria se ela falasse isso para ele?
Riu do próprio pensamento idiota e fitou a figura de porte imponente a encarando.
Lúcifer apoiava o cotovelo na mesa de modo que seu dedo indicador, dobrado, se encostasse aos seus lábios. Uma roupa imperial o adornava com direito a medalhas de condecoração e todos os enfeites necessários. Usava uma aparência jovem e, em uma olhada rápida, parecia um clone de Damon.
Seu porte, entretanto, a lembrava de Stefan sempre tão formal e antiquado.
– O frio a incomoda srta. Gilbert? Talvez um aumento na temperatura lhe seja agradável? – Sugeriu com um tom gelado e hipnotizante ao mesmo tempo. Como se sua voz preenchesse cada espaço daquele lugar enorme e sondasse os mínimos detalhes do seu ser.
Pigarreou um pouco envergonhada e caminhou em direção a ele mesmo sentindo câimbra nas pernas.
– Pode me chamar de Elena, senhor. – Respondeu sentando-se e percebendo que ele já havia aumentado as chamas da lareira. – Não precisava se incomodar, gosto do frio.
A expressão do Senhor do Inferno não se alterou nem um milímetro se quer.
– Temos algo em comum então. Sempre simpatizei com lugares que reportassem cinco graus abaixo de zero, ao menos. – Disse seco e desinteressado na conversa trivial. – Lastimavelmente, meu reino só exibe tal temperatura nessa época do ano, os outros meses são regados por um calor mais... Infernal, se me permite o trocadilho.
Um sorriso sem graça brotou no rosto feminino enquanto ela sentia que suas mãos tremiam de nervosismo.
– Dan me falou que era bem quente aqui.
Embora ele não tivesse nem piscado, ficou visível que não gostou do apelido escolhido para o herdeiro.
Sua postura ficou mais alinhada e ele apoiou o outro cotovelo na mesa, entrelaçando os dedos.
– Ah, claro. Soube que meu filho tem... Falado muitas coisas para você. – A malícia em sua voz era cortante. – Parece perturbada, efeito da viagem, talvez? Lamento que o teletransporte para o meu mundo seja tão precário.
A “perturbação” se devia mais ao fato dela estar na frente do Diabo, que por sinal era seu sogro, e que parecia não ir com a cara dela.
Explicar isso, entretanto, só pioraria as coisas, então resolveu imitar Bonnie e repetir os murmúrios educados e ensaiados da etiqueta. Babaquices como: “Não, imagina. A viagem foi ótima, aliais, obrigada pelo transporte. Só estou com uma enxaqueca causada pelo caviar que comi na casa do imbecil francês que escreveu essas mentiras idiotas”. Tá, a última parte foi excluída, mas ela bem que queria dizer isso.
O pai de Damon não pareceu acreditar no seu comportamento fingido de dama da sociedade.
– Isso me tranquiliza, Elena. – Pronunciou o nome cuidadosamente enquanto uma bandeja flutuante de ouro se aproximava com peças de cristais que guardavam líquidos que pareciam alcoólicos. – Aceita uma bebida?
Ok, o que ela fazia agora? Se não aceitasse posava de menina fraca e desconfiada, se aceitasse, entretanto, poderia ser envenenada ou algo assim.
Por outro lado, se o Diabo quisesse mesmo matá-la, não precisaria de uma bebidinha idiota.
Assentiu recebendo o copo de Whisky flutuando em sua direção e bebericou o conteúdo forte enquanto Lúcifer se servia e a acompanhava.
Pode ter imaginado coisas, mas podia jurar que seu ato de coragem, de alguma forma, surpreendeu Satanás positivamente.
– Há mais alguma coisa que eu possa fazer por você, antes de tratarmos de negócios? – Investigou com os olhos gelados um pouco mais avermelhados devido ao reflexo da bebida.
A menina realmente não sabia se ficava encantada com a beleza, elegância e cortesia dele, ou fugia para as colinas justamente por isso.
O Diabo era uma figura mais enigmática que o Cachinho.
Na presença de Deus, sentira uma paz enorme, uma sensação de proteção e felicidade. Como se nada pudesse machucá-la de nenhuma forma, só pelo fato d’Ele estar ao seu lado.
Com o anjo rebelde, já ocorria um incômodo. Mas não um incômodo ruim necessariamente, só... Uma inquietação, como se ele fosse um labirinto a desafiando a desvendar seus segredos.
O problema era que aquilo era um truque, uma vez dentro do jardim cheio de armadilhas, nunca mais se podia voltar.
Damon, estranhamente, fazia com que se sentisse na presença de Deus e o Diabo ao mesmo tempo: Um labirinto mortal, que ainda assim lhe dava segurança e paz.
Complexo. Muito complexo.
Pousou o copo de cristal no colo e fez sinal negativo com a cabeça, quase explodindo de curiosidade e nervosismo. Que assunto ele poderia ter com ela?
– Perdoe-me pela brutalidade de tratar logo o assunto sem rodeios, mas é que os anos nesse castelo endureceram meus modos. Mal consigo ser cortês por mais de cinquenta minutos. – Expôs assumindo uma aura mais assustadora que gelava o coração da garota como se ela implantasse um iceberg nas suas veias. – Quero pedir alguns favores. Basicamente que prossiga com o processo de fusão entre você e seu alterego e que pare de brincar de casinha com o sucessor do meu trono.
De alguma forma já esperava por algo como o segundo pedido, mas o primeiro a surpreendeu.
– Não vou me afastar de Damon, senhor. Ele é grandinho para saber o que quer, e se quiser se afastar não vou prendê-lo. Só não espere que eu dê uma de Edward Cullen apenas porque seria o “melhor” para ele. – Falou sem nem saber ao certo o porquê de ter virado suicida de uma hora para outra. Ela tinha mesmo falado com o Diabo naquele tom? Ah que se danasse. – Uma das lições que aprendi muito bem, convivendo com uma legião de demônios, é a ser egoísta às vezes. – Seus ombros subiram e desceram e ela começou a achar que estava sendo controlada por algo.
Era rebelde, mas não o bastante para aquilo. – Quanto à primeira proposta, não entendo aonde o senhor quer chegar. Se a fusão continuar, vou virar uma Besta demoníaca que vai destruir seu imperiozinho como se fosse um castelo de cartas. Não seria meio estúpido da sua parte antecipar isso?
Era oficial, o Whisky tinha alguma droga da verdade. Ok, não achava que fosse verdade, mas ainda assim ela estava louca por algum motivo.
Os olhos gelados continuaram a encarando de forma apática, mas ela soube constatar o nível de ira que eles carregavam.
Esperou alguma resposta afiada ou uma lâmina no peito e se surpreendeu quando Lúcifer, após minutos de silêncio pairando no ar, responder apenas:
– Não há necessidade de dirigir-se a mim como senhor, uma vez que disse que posso chama-la pelo nome também. – A voz era mais seca que antes, mas não havia aumentado o timbre como era normal quando se estava p da vida. – Respondendo aos seus questionamentos, não creio que seja a Criatura sobre a qual todos comentam. Raramente erro, mas sou adepto do pensamento lógico e trabalho com provas, não com achismos.
Preciso de uma confirmação rápida da minha teoria, assim poderei me concentrar em outros suspeitos. Caso esteja errado e você seja a Criatura, pagarei pelo meu erro e farei o possível para destruí-la. Ao menos já estarei focado em você e será mais fácil saber seus pontos fracos.
“Já se, ao final, você permanecer como uma mera humana com algumas habilidades demoníacas doadas em um ato de burrice do meu filho, requisitarei seus serviços na guerra, a deixando livre ao término dela.”
Algo no modo como falou “livre” indicava que a liberdade era a destruição.
– Não vejo muitas vantagens nisso, mas já estava disposta a lutar na guerra de qualquer forma, então pouco importa. – Bebericou novamente a bebida e ajeitou os cabelos com a mão direita. – Sobre você me destruir caso eu seja a Besta... Isso vai ser engraçado de se ver.
Por um breve milésimo de segundo, os cantos dos lábios de Lúcifer se repuxaram para cima.
– Considera que eu a esteja subestimando? – Perguntou inclinando seu corpo em direção à mesa e descansando seus braços no tampo de madeira escura. – Não deveria ter sugerido isso, Elena. Tornou o desafio ainda mais... Interessante. Estou tentado agora a orar ao meu velho Pai para que você seja a Besta. – De uma forma muito bizarra e inapropriada, a malícia e o sarcasmo na sua voz soaram sedutores.
Rá, fácil perceber da onde os Salvatore herdaram a coisa do “I’m sexy and I know it”.
– Se-seria interessante mesmo. – Respondeu corando como uma idiota. Mas isso era um bom sinal, tinha voltado a ser ela mesma. Ou, era o que pensava. – Só que acho que meus serviços devem ser pagos com algo melhor do que o que foi oferecido. Não me contento só com a tal “liberdade” prometida, quero um pagamento justo.
– É uma criança exigente, alguns já achariam o fato de não matá-la pela ousadia, um preço já substancial.
– Segundo a minha identidade meu nome é Elena e não Alguns.
Dessa vez o Diabo precisou fechar os olhos apertando a base do nariz, para controlar sua ira.
– Dou-lhe o direito de pedir um favor.
– Dois. – Ela barganhou por algum motivo idiota. Sério, o que estava acontecendo com ela?
– Um e a minha misericórdia. – Impôs firme abrindo os olhos, expondo a íris azul acinzentada que parecia sussurrar avisos mortais. – Nossa conversa já rendeu frutos suficientes para condená-la ao calabouço. Não farei isso e ainda deixarei que peça algo. É um preço bastante alto, se prestar atenção.
Ela assentiu pressentindo o perigo e começou a pensar no que poderia pedir.
A proteção dos que amava, a busca por Jenna e destruição de Gregory, a ajuda em treinos, a ajuda no trabalho de tentar desvendar quem era a maldita voz que a atormentava... Enfim, a lista era imensa.
O de Jenna era, sem dúvidas, o pedido mais tentador, mas por algum motivo não o escolheu.
– Quero que consiga um jeito de libertar Lívia. – Pediu e esperou alguma reação da parte dele, nunca a encontrando.
Após um breve silêncio, ele tomou um gole da bebida e respondeu.
– Considere o seu pedido atendido. – A solenidade digna do Stefan soava junto à sua voz.
Aquilo a deixou com um leve vislumbre de felicidade. Liv poderia finalmente conhecer melhor ambos os filhos e recuperar o tempo perdido desde que morrera.
– Confesso que essa exigência em muito me decepcionou, Elena. Esse não era um favor que poderia ter pedido ao Velho dos céus e sido atendida facilmente?
Por um segundo refletiu sobre isso, mas não encontrou falha em seu plano então deu de ombros.
– Cachinho respeita demais o livre arbítrio das pessoas, está afastado do governo, os arcanjos enxeriam o saco, e eu duvido que Lívia queira sair de lá por livre e espontânea vontade. Ela acha que os filhos ficarão melhores sem ela e que merece ficar lá, blá-blá-blá. Deus perguntaria se ela gostaria ou não de sair de lá e respeitaria a opinião da prisioneira. Preciso de uma ação mais demoníaca e terrorista nesse caso.
– Vejo que não conhece Lívia. – Murmurou perdido em pensamentos. – Enfim, creio que poderemos voltar agora à negociação do meu primeiro pedido.
– Sem negociação. Não vou desistir do Damon só porque ele é o príncipe da Dinamarca ou sei lá.
Novamente ele a analisou por um tempo com os olhos gelados.
– Damon é um demônio incapaz de amar e tem responsabilidades com uma nação; Acha que ele continuará impondo respeito depois que essa relação com você se tornar pública? — Perguntou retoricamente cruzando os dedos sob a mesa.
– Está se contradizendo. Se demônios não podem amar, como todos nós sabemos, eu serei só um casinho na vida do Damon e isso não interferirá em nada na reputação dele. – Ela fez um biquinho o torcendo um pouco para o lado de forma pensativa. – A menos que ache que isso pode mudar...
– Não trabalho com achismos, como já disse. – O assunto realmente parecia o irritar. – De qualquer forma, responda-me... Seria capaz de sustentar uma relação sem futuro na qual está fadada a amar por ambos sem nunca ser recompensada? Parece um pouco cruel para a filosofia feminina.
Esse era um ponto delicado.
Uma resposta exata seria “Sim” e “Não”.
Amava Damon e embora deixasse claro que não o abandonaria em um ataque de Edward Cullen, o faria se ele pedisse a ela isso.
Se ele falasse “Elena, você me atrapalha”, ela obviamente o libertaria (o que não quer dizer que ela não sofreria mais que tudo).
Ao mesmo tempo, em alguns dias se tornava insuportável levar a relação adiante com aquela incerteza.
Ele tinha ações que a levavam a refletir que um mínimo sentimento existia, enquanto outras ações a faziam cogitar que ele só a via como um brinquedo de demônio que logo seria descartado.
Definitivamente Lúcifer usou a palavra certa para definir a situação quando escolheu "cruel".
– Causei sua dor de alguma forma, Elena? Que comportamento lamentável o meu. – Disse com um sarcasmo tão disfarçado que soava sincero. – Infelizmente disse a verdade. Sei que vocês cristãos apreciam isso. “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.¹
A garota lhe dedicou um sorriso forçado, enjoando completamente do copo de Whisky.
– Ainda assim não quero desistir. – Respondeu buscando forças sabe-se lá de onde. – Como eu já disse, não vou amarrar ele na mesa da cozinha se ele quiser desistir de tudo. Mas também não vou desistir da minúscula oportunidade que eu tenho de ser feliz.
A resposta não pareceu agradá-lo.
Seus lábios finos se crisparam levemente.
– Não vejo então o porque de não fazermos um novo acordo. Estava decidido a destruir você caso insistisse nesse romantismo melancólico, mas percebo que seria muito intransigente da minha parte. – A voz linda soou cheia de veneno e certezas às quais ela não possuía acesso. – Faremos assim, se Damon corresponder a esse amor até antes do término do contrato entre vocês, eu não irei interferir de forma alguma. Caso nada aconteça, me dará a sua palavra de que mesmo que se torne um demônio ao perder a alma, não o procurará.
Havia algum perigo não decifrado naquela proposta, mas não conseguiu identificar.
Se não aceitasse e um dia Damon correspondesse seu amor, Lúcifer estragaria tudo.
Se aceitasse, por outro lado, e o demônio continuasse sem a capacidade sentimental ela não teria muito a perder.
Duvidava muito que aquilo tivesse um final feliz para ela. Se fosse a Besta seria morta, se não fosse perderia a alma (e ela apostava que aquilo a faria “morrer” e não virar um demônio). Por último, mesmo que se tornasse um demônio, não teria porque procurá-lo já que aí seria ela que não teria a capacidade de amar.
Querendo refletir com mais calma sobre aquilo, mas ainda assim precisando responder com rapidez, se obrigou a falar.
– Aceito. Só que temos um probleminha relacionado ao seu segundo “pedido”. Não consigo mais fazer a Outra Elena surgir.
Fazia muito tempo desde a última vez em que tinham se fundido. Jô chegara até a comentar que talvez sua gêmea tivesse se cansado dela e arranjado um trabalho como dublê da Nina Dobrev.
– Talvez isso ajude. – O anjo caído murmurou fazendo com que uma taça elaborada de sorvete surgisse na sua frente.
Ela fitou a peça de prata adornada com desenhos míticos e quase teve um ataque por constatar o quanto aquilo era lindo.
O conteúdo também não parecia nada mal.
– Tem algum tipo de poção aqui que vai me auxiliar no processo? – Perguntou fincando a colher no doce e pegando uma pequena porção.
Pela primeira vez naquele dia ela viu Lúcifer achar algo realmente divertido.
– Uma poção seria desnecessária já que se ativa o alterego por meio de pecados capitais e a gula só exige o consumo abusivo de comida. – Esclareceu ainda com a expressão inflexível mesmo que seus olhos parecessem rir. Elena escondeu seu rosto nas mãos, envergonhada por sua mente fértil e soube que isso aumentara a diversão do sogro. – Não se preocupe, explicarei para você tudo mais minunciosamente sobre o meu universo. Agora está sob minha proteção, Elena Gilbert.
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Notas finais
¹Bíblia, João 8:32.
Para vocês matarem as saudades do nosso demy xuxuleico que não apareceu nesse capítulo:
http://www.youtube.com/watch?v=J7yqn6Khlrs
HAUHAUAHSUAHUHUAHAUSS Girl look at that body (8) -QQQQ
Zentem, não aguento mais esse capítulo, acho que ele vai ter 100 partes -QQQQ
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