Demons

12 Capítulo 11


Notas iniciais
WOW, isso q é demora pra postar os capítulos, hein? hehe, me desculpem por isso, mas argh não tenho desculpas, só demorei mesmo. E eu comecei uma nova fic! (again) desculpa por isso tb, mas se alguém quiser ler é essa aq: http://fanfiction.com.br/historia/447870/Trapped/ Eu sempre invento uma história nova quando eu to sem ideia pra essa kkkkk, não me matem por isso pfvr. Bom mas de qualquer jeito, o capítulo:

Ao longe, nuvens densas e escuras se formavam por cima do sol, encobrindo seu brilho, e transformando o dia em noite. O vento parou por um minuto e as sombras das árvores se projetaram no chão. Os pássaros levantaram voou, todos ao mesmo tempo, como se tivessem sentido alguma coisa. Algo tão forte que os fez abandonar os próprios ninhos com seus filhotes. Uma tempestade se aproximava, fazendo com que o mundo todo se agitasse, receoso.

– Como nós vamos salvá-la? — perguntou Ivy, mexendo uma de suas pernas inconscientemente, nervosa.

– E quem foi que disse que eu vou fazer alguma coisa? — replicou Melinda, sem retirar os olhos da janela.

– Você me chamou aqui para isso!

– Não — negou a bruxa — Eu te chamei aqui para que você pudesse salvá-la, não eu.

– Eu sou desprovida de magia. Não há nada que eu possa fazer.

– E quem disse que é necessário magia para encontrar a garota? — Melinda se virou pela primeira vez em horas desde que Ivy havia chegado ali, a encarando.

– Então o que é necessário?

– Raciocínio — ela estalou os dedos, mais por hábito do que por outra coisa — Sansy era uma bruxa esperta, e aquela prisão definitivamente tem algo a ver com ela, então talvez seja quase impossível de encontrá-la.

– Impossível — repetiu Ivy, engolindo em seco.

– Eu disse quase.

– Eu ainda não entendi porque você me quer aqui.

– Você conhecia Katherine desde pequena. Acredito que você possa ser útil.

– Como?

– Apenas fique quieta estou tentando pensar.

A bruxa começou a caminhar em círculos dentro da casa. Mexendo as mãos e estalando os dedos ocasionalmente. Seu olhar estava fixo e arregalado para o chão aos seus pés, seus olhos não pareciam se focar em ponto algum, vagando pelas órbitas. Ela parecia estar montando um quebra-cabeça em sua cabeça, um daqueles com mil peças e que exigia muito mais do que concentração.

Ivy se lembrava de horas a fio em que ela e Katherine passavam a tarde toda brincando de jogos do tipo. De algum modo estranho, Katherine adorava brincar de quebra-cabeça, mas sempre acabava se irritando quando faltava poucas peças e desistindo, como se fosse muito melhor do que aquele jogo. Ela sempre soube quem Katherine realmente era, e mesmo quando a amiga veio implorando por resposta, ela a negou. Mas depois, quando foi sequestrada, Katherine foi salvá-la sem pensar duas vezes, liderando uma legião de Filhos do Diabo como o próprio Demônio faria.

A bruxa estalou os dedos uma última vez e parou, de frente para Ivy, com um sorriso doentio estampado no rosto.

– Livros — ela disse apenas. Ivy piscou — Livros, é claro! — repetiu ela rindo, Ivy continuou sem dizer nada — Onde coisas que não existem se escondem!

– Eu deveria perguntar o que tudo isso significa?

– Pense, sua garota estúpida — gritou ela assustando a outra — Katherine está presa em um lugar que não existe, onde encontramos lugares que não existem?

Ivy abriu a boca alarmada, entendendo o que ela dizia.

– Livros — disse ela, incrédula — Katherine está presa em um livro?

– Não — respondeu a vidente — Quer dizer, eu acho que não. É impossível entrar em um livro, quer dizer ele teria sua própria história e...

Melinda parou e estalou os dedos mais uma vez.

– ...o Livro Vazio — ela disse depois da pausa — Ela não está dentro do livro. Ela não pode estar dentro do livro, isso seria impossível. Mas o Livro Vazio é psíquico, está vazio de palavras mas cheio de pensamentos.

– Cheio de pensamentos?

– Pensamentos da Sansy — explicou — Foi o único jeito que ela encontrou para proteger o livro. Apenas as descendentes dela poderiam ler. Uma ligação de sangue.

– A Katherine é filha da Lane, sendo assim descendente de Sansy.

– Sim — concordou ela vagamente — Mas não é esse o ponto. Katherine disse que estava em uma Cidade Fantasma, e disse que sua mente estava longe de seu corpo. Mas isso não é possível. Os dois estão no mesmo lugar, mas talvez... em tempos diferentes.

Melinda começou a andar em círculos novamente, mas desta vez, ela falava enquanto andava:

– Mas quando é que nossa mente viaja para longe? — perguntou, não esperando resposta — Quando estamos lendo, pensando, ou dormindo — Ivy a observava enquanto as engrenagens pareciam começar a funcionar em sua cabeça — O único livro que poderia capturar a mente dela é o Livro Vazio, mas ele está conosco, então não é isso; eu tenho quase certeza de que ela não ficou presa nos próprios pensamentos, então só nos resta uma explicação. Katherine está dormindo.

– Ela ligou para Niah pelo celular.

– Mas não sabemos em que estado ela está dormindo, certo? — a bruxa sorriu — Ela pode estar em estado de sonambulismo, ou presa no próprio subconsciente, como ela disse.

– Mas como ela ficaria presa no próprio subconsciente?

– O Livro Vazio teria essas respostas...

– Mas só uma descendente de Sansy pode lê-lo.

– Esse livro é uma espécie de Grimório e diário ao mesmo tempo — comentou Melinda com a testa franzida — É tão poderoso quanto perigoso. Nas mãos erradas é pior do que uma bomba nuclear. Nas mãos do Idric então...

– Idric? — repetiu Ivy assustada. Ela conhecia aquela história, assim como todas as bruxas — O que o Demônio tem a ver com isso?

Melinda riu, mas não parecia achar graça.

– Tudo — disse ela — Eu o vi no futuro. Um monstro capaz de mudar de forma, se transformar em qualquer coisa que quiser... não existe nada pior do que algo que pode se transformar em alguém que você ama.

Ivy a observou. Seu olhar parecia distante agora, e ela podia jurar que tinha visto a bruxa estremecer.

– E o que nós vamos fazer?

Ela não a repreendeu agora pela utilização da palavra nós.

– Você não entendeu querida, vou te perguntar só mais uma única vez: como se acha um lugar que não existe?

– Você não acha.

Melinda sorriu, seu rosto se acendendo com uma espécie de divertimento irracional.

– Exatamente.

***

– O que exatamente nós estamos procurando? — perguntou Ned, um dos Caçadores, após uma hora completa de silêncio absoluto.

– Qualquer coisa! — respondeu Chris irritado, levantando a cabeça de seu livro — Agora cale a boca e volte a procurar.

O jovem Caçador soltou um suspiro, mas voltou os olhos para o livro em suas mãos. Niah revirou os olhos.

Ela, Finn e Blake estavam praticamente presos ali com aquele bando de Caçadores insuportáveis procurando por algo que não sabiam o que era dentro da enorme coleção de livros da Basílica. No mesmo momento que entraram na sala, Niah viu um brilho estranho nos olhos de Finn, como se ele estivesse maravilhado, mesmo sua expressão tendo continuado indiferente, assim como a própria expressão dela estava até que os Caçadores também entraram na sala acompanhados pelo seu líder, Chris.

Niah ainda não conseguia olhar para ele sem ter vontade de pular em seu pescoço, cortando-o em pedacinhos. Quanto mais tempo ficava na sala, mais vontade de explodir aquele lugar toda ela tinha. Desde que Lane os instruiu a procurar por qualquer menção da Cidade Fantasma nos livros e desapareceu segundos depois pela porta, deixando-os sozinhos, Niah vinha ignorando as pessoas e os livros ao seu redor com tamanho desinteresse. Nada, nem mesmo Katherine, poderia fazer com que ela se concentrasse em um livro quando ela se encontrava na mesma sala que Chris.

O garoto, assim como ela, vinha evitando seu olhar, o que a irritou profundamente. Tudo bem que ela o estava ignorando, mas ele? Ele não tinha esse direito. Não depois de tudo o que aconteceu.

Niah também percebia o olhar preocupado que Blake de vez em quando lançava em sua direção (mesmo ela também os estar ignorando), e isso a intrigava. O que ele pensava que ela iria fazer? Decepar todos aqueles Caçadores espalhados na sua frente? Bom, bem lá no fundo ela desejava isso, mas o faria do mesmo modo.

Ela estava sentada folgadamente na única poltrona que havia na sala, obrigando que tanto os Caçadores, como Finn e Blake, se sentasse no chão caso se sentissem cansados. E isso, é claro, passava indiferente no ponto de vista da menina. Ela observava aquela pequena porção de garotos lendo ao seu redor entediada, e estava prestes a sair da sala quando percebeu, tarde demais, que alguém havia se aproximado dela. Era Chris.

Ela continuou olhando para à frente, como se ele não estivesse realmente ali, e não virou o rosto para ele nem mesmo quando ele chamou seu nome.

– Niah — repetiu ele pela terceira vez. Ela não respondeu — Só queria ver se você estava bem.

A Filha do Diabo não conseguiu se segurar e riu.

– Isso é algum tipo de piada? — perguntou ela ainda rindo.

– Por incrível que pareça, não — ele sorria agora para ela, aquele seu sorriso sedutor de sempre — Acho que até você merece minha piedade em um momento como esse.

– Momento como esse? — indagou ela, ignorando a parte do até você merece minha piedade.

– É — concordou ele — Em que a sua irmã pode estar morta — Niah cerrou os punhos, mas ele não pareceu notar, e se notou, a ignorou — Sabe, ela era uma boa pessoa até... — ela tentou ignorar a presença do pretérito na frase — ... não era tão grosseira quanto você, era bondosa, ajudava os outros, e também era muito bonita.

Niah não conseguiu se segurar e bateu o punho com força na lateral da cadeira, fazendo com que todos que já não estavam prestando atenção na conversa levantassem o olhar.

– Se você não parar agora de falar — começou ela, a voz sem emoção completa de ódio — Eu juro que vou arrancar cada pedaço de você com meus dentes.

Para a surpresa dela, ele riu.

– Não duvido disso — ele aproximou o rosto do dela e Niah se segurou para manter o olhar — Mas eu estou falando sério, eu sinto muito pela Katherine.

– E por que mesmo você veio me falar isso?

– Porque você querendo acreditar ou não, Niah, eu ainda me preocupo com você.

Ela riu. Sua risada uma mistura de engasgo com um sorriso.

– Ah, que bonitinho — comentou ela fazendo beicinho — O Caçador mostrando ter sentimentos afinal. É realmente uma cena tocante, tenho que admitir.

– Você ainda gosta de mim, Niah. Eu sei disso, vejo em seus olhos.

– Eu recomendaria óculos de grau pra você. Sua visão está ficando cada vez pior, já que um dia você realmente acreditou que eu gostasse de você.

– E não gostou? — seu tom era de desafio, então ela se aproximou dele como se fosse o beijar, para responder:

– Não.

Ele distanciou o rosto, mas ainda exibia seu sorriso.

– Não consigo acreditar em você.

– E adivinha só? — disse ela fingindo entusiasmo — Eu não consigo me importar.

Ele agarrou o pulso dela, a obrigando a se levantar abruptamente e colar o corpo no dele.

– Não tente mentir pra mim, Niah, eu...

Ela arrancou seu braços das garras dele antes que ele pudesse acabar de falar. Todos na sala, que observavam a conversa paralisados, piscaram, como se acordassem de um devaneio, e pareceram das um passo à frente, ou a se levantar caso estivessem sentados. Mas todos pararam quando Niah se distanciou de Chris, e logo já estava em cima dele novamente, agarrando o braço dele e fazendo com que ele se agachasse aos seus pés, de costas para ela, com o braço para trás, com ela o puxando para baixo.

– Nunca — disse ela ofegante — Me toque novamente. Se você o fizer, eu enfio o seu pulso nos seus olhos, entendeu?

Mas ele não teve tempo de responder ou de tentar se desvencilhar, porque naquele momento a porta da biblioteca se abriu revelando um homem (um monstro) com as costas curvadas bruscamente para frente, com a pele esverdeada e o rosto cheio de arranhões e hematomas. Ele era um dos muitos monstros que as bruxas pegavam como seus escravos, obrigando-os a servi-las de bom grado.

– Com licença, senhorita Niah — saudou ele ao entrar, o olhar fixo no chão — Madame Melinda está aqui e deseja conversar com você e com Minha Ama urgentemente.