Demolition Lovers
9 Capítulo 9 - Maria Eduarda
Notas iniciais
As ruas estavam vazias, por ser um sábado á noite eu achei meio estranho. Deve ser pelo fato de a noite estar escura, sem lua nem estrelas. Não pude parar de pensar nos meus novos amigos, eu estava os deixando, mas seria necessário mais cedo ou mais tarde. Eles iriam ver como eu sou, e iriam querer se afastar, principalmente Gerard. Ele descobriu do corte e já fisou alterado, e se ele souber de todas as outras coisas? Nada daria certo, é melhor destanciar agora mesmo. Quando cheguei na faculdade custei achar algum ser vivo, pois já tinha ficado muito frio. Vi uma garota virada de costas pra mim, de cabelos cacheados castanhos com pontas vermelhas, e mais ou menos da minha altura. Logo a reconheci. Era ela.
– Maria Eduarda?- perguntei.
– Helena! — ela veio correndo me dar um abraço — Que saudades de você querida! Já lhe disse pra me chamar apenas de Mariah...
– Também estava! — ela estava me sufocando — Mariah, preciso de ar!
– Ah, desculpe. É que eu estou muito feliz em te ver de novo.
– É, também estou feliz. E aí, como vai os meninos?
– Eu não sei deles, eu estou perdendo contato sabe. Aliás já perdi — ela riu um pouco.
– Que pena..
– Mas, pelo jeito que te conheço posso ver que tem alguma coisa te encomodando, o que houve?
– Você ainda me conhece como nunca né? Eu continuo com a vida me dando ponta pés.
– E você queria falar sobre isso — ela deduziu.
– Sim, posso te contar desde começo.
Então eu contei tudo pra ela, desde quando briguei com Matt e Jenifer até quando liguei pra ela.
Maria Eduarda era minha amiga de infância, andávamos sempre juntas. Até eu conhecer Jennifer. Eu tinha descutido com Mariah por ela ter escondido as drogas (por que eu e ela já tinhamos experimentado, pois ela q me mostrou pelos amigos dela) , aí quando Jenifer apareceu eu achei que ela era a melhor pessoa do mundo. Depois conheci Matt e comecei a namorar com ele. Logo aconteceu mais o resto. Ela me escutou com bastante atenção. Também me falou de coisas dela.
– Foi bom termos nos reencontrado — ela disse.
– É, se não fosse por Luty, ainda estariamos juntas até hoje.
– Ela ficou bolada com os negócios das drogas né?
– Mesmo depois de ter experimentado. Mas como vai essas coisas, Mariah?
– Eu estou parando, já diminui bem.
– É, é bom tomar um rumo.
– E os estudos Helena?
– Eu não sei... Não vou indo bem, e acho que vou parar.
– Mas como vai conseguir dinheiro? Seus pais não vão mandar a sua vida toda.
– Eu sei, mas vou ver se formo alguma banda.
– É, vai ser bom pra você. Liga pra Luty pra irmos á uma festa, aí eu aproveito e me entendo com ela.
– Tá certo, ainda dá tempo, são 19:00pm — eu disse pegando o celular.
Diquei o número sem pensar duas vezes e começou a chamar. Mas aí lembrei que tinha feito burrada. A Luty não gosta de Mariah de forma alguma, e prometeu que nunca irá querer falar com ela. Pensei em desligar mas ela atendeu; E pro meu azar ela não estava de bom humor.
– HELENA LEE TAYLOR, ONDE A SENHORITA SE METEU? – ela gritou tanto que tive de tirar o celular do ouvido.
– Luty, se acalma, eu estou bem. — acalmá-la não foi boa idéia. Quando eu escutei ela puxando ar pra dar mais um grito tive certeza disso.
– ACALMAR? ME ACALMAR? Você some, deixa o celular desligado e ainda pede pra eu me ACALMAR? — vou perder meus tímpanos.
– SIM, SE ACALMAR! — tive de gritar, se não ela não entenderia — Eu estou bem.
– Nunca mais faça isso! — ela estava se acalmando.
– Está certo. Fica despreucupada, eu estou bem.
– Eu estava preucupada com você... – ela estava.... chorando? Mas também não é pra menos, depois de tudo que sabe que eu sou capaz de fazer poderia pensar em qualquer coisa.
– Pela querta vez, eu estou bem. — falei devagar, dando ênfase a cada palavra.
– Tá legal, onde você está?
– Estou na faculdade.... Mariah está comigo. — ouve alguns minutos de silêncio, pude imaginar a expressão que ela fez.
– Então você não está totalmente bem... — eu sabia que ela reagiria assim, mas ignorei isso.
– Nós estamos te chamando pra ir em uma festa — eu nem queria falar, mas como Mariah estava lá ao lado tive de fazê-lo.
– COMO VOCÊ TEM CORAGEM DE ME CHAMAR SABENDO DE TUDO QUE EU PENSO? — escutei algo quebrando.
– Ah sim, então você vem ou não? — ei tive de disfarçar, não ia falar disso na frente de Maria Eduarda.
– NÃO! Muito obrigado por se lembrar de mim! – tinha mais ironia do que palavras nessa frase. Ela acabou desligando o celular na minha cara.
Nem sabia o que falar pra Mariah, tomara que ela não pergunte o por quê de Luty não vir.
– Ela estava bem nervosa, né?
– É, Mariah, bastante... Ela não vai vir.
– Que pena, mais ainda temos muito que aproveitar.
– Ainda vamos à festa?
– Sim claro, vamos agora!! — e saímos juntas.
Não vou negar, eu estava escondendo minha tristeza destro de mim. Não parava de pensar em Gerard, Luty, e nos outros. Não sei se estou fazendo a coisa certa, me distanciando deles. Mas em todos os casos eu iria aforgar minhas mágoas.
Gerard's POV
Onde ela estaria? Já está de noite, e nem sinal dela. Estava com medo do que poderia ter acontecido. Voltamos para casa antes de o jogo acabar. Quando Luty se deu por conta do sumiço de Helena ficou muito apavorada. Aí sim que eu fiquei mais preucupado. Sabia bem o porque que ela estava assim, tinha a ver com os cortes, sobre o que Helena era capaz de fazer. Eu estava me corroendo por dentro, queria saber notícias dela. Olhei para Luty, ela estava aninhada no colo de Frank. Esse sussurrou algo no ouvido dela, tipo um "tudo ficará bem", e vi os olhos de Luty se encherem de lágrimas. De repente um barulho alto nos assustou, e logo percebemos que era o celular de Luty.
– Desculpe — ela disse quando percebeu nosso espanto, e dei umn leve sorrisinho forçado. Sua expressão mudou quando viu o visor — HELENA LEE TAYLOR, ONDE A SENHORITA SE METEU? — ela gritou, se levantando logo que começou a falar. Não queria que fossem meus ouvidos do outro lado da linha. Ouve segundos de silêncios até que ela voltou a falar (ou gritar) — ACALMAR? ME ACALMAR? Você some, deixa o celular desligado e ainda pede pra que eu me ACALME? — pude ouvir a voz de Helena na outra linha, ela também gritou. Seja o que for, fez Luty se acalmar — Nunca mais faça isso! — ela dizia como se fosse uma ordem — Eu estava preucupada com você... — ela mudou de expressão, estava chorando. Não acreditaria que ela tiria gritado se não tivesse ouvido — Tá legal, entendi. Onde você está? — ela perguntou, secando as lágrimas com as pontas dos dedos. Parou, mudando de espressão rapidamente — Então você não está totalmente bem... — nesse momento milhares de coisas passaram pela minha cabeça. Luty bebeu um pouco de água q8ue Frank tinha pegado pra ela — Como você tem coragem de me chamar sabendo tudo que eu penso? — Luty parecia que invocou o demônio no corpo depois de tacar o copo na parede, que por sorte estava vazia. Depois de alguns segundos veio outro grito — NÃO! Muito obrigado por se lembrar de mim! — ela disse, antes de desligar o telefone na cara de Helena e sair para o jardim, pisando forte. Frank foi logo atrás. Ele me olhou como se dissesse "depois te conto tudo" e saiu. Ray, Louise, Mikey e Michele me perguntaram se eu estava bem e se eu queria de algo. Eu disse que estava e que eles já poderiam ir para suas casas. Eles se despediram de Frank e Luty e foram embora.
Eu estava sozinho agora. Subi para o meu quarto, tomei um banho para esfriar as coisas. Bebi uma cerveja e fumei um cigarro. Tinha que parar com isso, mas sempre que ia parar acontece alguma coisa. Eu tinha que esclarecer as coisas, e sabia que poderia me explicar tudo. Penteei meu cabelo que estava todo embaraçado por causa do banho e desci para o jardim, Vi Frank sentado ao lado de Luty, abraçando-a.
– Olá — disse, chamando a atenção deles para mim — Desculpa Frank, mas eu tenho que falar com Luty por um momento.
– Gerard, vc não vê que ela está mal?
– Frank, pode deixar, vá até a cozinha, ou jogar vídeo game, ou tocar sua Pansy, quando acabarmos o Gee te chama para irmos embora.
– Okay.... Mas, Gee, trata bem minha princesa.
– Pode deixar — eu disse esperando ele entrar pra dentro da casa, até poder dirigir minha palavra á Luty — Pronto, agora você pode me explicar o que está acontecendo.
– Mas, Gee... — ela escondeu o rosto entre as mãos — Eu não posso.
– Eu tenho que saber! Luty, eu posso ajudá-la, e ela pode me ajudar. Conta pra mim.
– Gerard, você não entenderia...
– Você não sabe o que está acontecendo comigo, então eu te garanto que entendo. Eu sei que eu posso entender Helena de alguma forma...
– Gerard, ela.... Ela está com a menina que eu mais odeio nessa vida. Ela se perdeu nesse mundo por causa da tal Maria Eduarda.
– Mundo...
– Mundo das drogas Gerard, drogas, bebidas, multilação, e mais tudo de ruim que existe.
– Ela não é a única que está perdida nesse mundo — disse, olhando para baixo.
– Você também.... Gerard, por que nunca disse isso pra ela?
– Como eu ia falar isso? Chegar do nada assim e falar? Não tem como.
– Ela está lá por sua causa. Não que você seja o culpado, mas ela não gosta de se apaixonar. Ela... ela... ai, ela é revoltada, revoltada com os pais, com a vida, com ela mesma. Ela só escutaria você agora.
– Então eu vou lá. Liga pra ela, fala que você vai á festa, me passe o endereço e eu vou.
– Pode deixar então.
Eu subi para o meu quarto, troquei de roupa e me encarei alguns segundos pelo espelho. VI uma garrafa de cerveja em uma mesa de canto. Uma coisa queimou por dentro de mim, parecendo uma raiva enorme. Só vi quando peguei a garrafa e taquei na parece, fazendo cair cacos de vidro pelo quarto. Não vou mais ser assim, não mais.
Desci, peguei as chaves do carro e o endereço com a Luty. Falei pros dois que eles poderiam ficar ali em casa mesmo. Corri até o carro e dei a arrancada.
(...)
Cheguei á festa um tempo depois. Procurei entre as pessoas que dançavam, mas ela não estava ali. Entre as sentadas no bar, mas também não. Vi uma pessoa sentada no canto, em um espaço meio escuro, solitária. Era ela.
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