Demônios Não Amam.
17 Subitâneo: Adj. Rápido, inesperado, súbito.
Notas iniciais
Estou bem desanimadinha, oh yeah, mas me obriguei a escrever algo para vocês mesmo que fosse uma porcaria fumada -Q. Desculpa aí DD:, aliais desculpas antecipadas pelo resto da fic inteira.
Obrigada por tudo, amo vocês! Entramos em uma nova fase agora O/
Nancy xuxulis, seja bem vinda. ^___^ Espero que goste e se sinta a vontade para qualquer sugestão, crítica, comentário ou porrada online -QQQ xD.
beijos, beijos:*

POV- Elena Gilbert.
“Você se esqueceu de mim, querida? Seu tempo está acabando. Ainda consegue ver o sangue de Jenny Wolf em sua pele?”
Acordou sobressaltada sentindo as lágrimas queimarem sua face enquanto suas mãos ávidas buscavam Damon na cama.
Ele a puxou com cautela para si parecendo preocupado com o seu estado e, por mais que odiasse ser cuidada (ou odiasse admitir que gostava), agradeceu mentalmente pelo gesto.
Levou o rosto contra a camisa de Salvatore e deu vazão àquele choro irritante que ousava sair. As mãos quentes afundaram no seu cabelo acariciando os fios de forma calmante.
Por um minuto pensou seriamente que ainda estava em Purplerock, lugar onde ouvira aquela voz feminina -tão familiar e tão desconhecida ao mesmo tempo- pela primeira vez.
Desde que começara seu relacionamento confuso com Damon aquelas alucinações tinham parado e por um curto espaço de tempo, Elena viveu em paz.
Ou quase isso.
Sim, porque mesmo que as vozes tivessem desaparecido, ainda havia a dor de sentir que perdera Jenna.
Fora tão tola se baseando na sua própria relação para “permitir” aquele casamento macabro e idiota! Devia ter insistido mais, o matado, qualquer coisa. Entretanto, sempre que via Damon tentando estragar a cerimônia, algo dentro dela doía terrivelmente e sentia-se OBRIGADA a pará-lo. Tudo tão estranho... Tão complexo... Mas agora era tarde para lamentar, simplesmente sabia que era.
E não poder fazer nada ou não entender porque Gregory escolhera logo sua tia como vítima, só fazia com que as coisas piorassem e seu coração inchasse de decepção.
Depois da cerimônia de casamento, ficaram mais alguns dias na Ilha até que o Mystic Falls High School escrevesse informando que as aulas retornariam em breve, e precisava confessar que gostara um pouco daquilo. Purplerock era paradisíaca e incrível, mas Gregory deixara o ar das férias sombrio.
Além do mais Victória havia voltado do hospital e a cada dia ficava mais evidente o ódio entre as duas. Matty era outro, ficou mimado com os ferimentos e mesmo sendo “consolado” muito bem por Johanna e sua peruca ridícula (que agora estava arrepiada com gel parecendo um porco espinho e não um gambá) insistia em querer cuidados seus, o que resultava em um Damon furioso pronto para partir a cabeça de Matthew ao meio. Ela e o seu servo mal podiam ficar juntos (mesmo que ele sempre desse um jeito) e como ela não era tão cruel ao ponto de terminar com o Donovan antes dele se recuperar, o demônio também continuava com Victória só de pirraça.
Dando a oportunidade para ELA ficar fula da vida. Queria pegar uma pinça e arrancar dedinho por dedinho daquela vadia, tocar fogo naquele cabelo imbecil, jogá-la de um penhasco ainda queimando e fazer com que caísse em um lago ácido cheio de tubarões. Não sabia como os tubarões iriam sobreviver no meio do ácido, mas que se dane. Queria Victória morta JÁ!
Então era óbvio que a perspectiva de voltar para Mystic Falls soara quase como um prêmio. E isso porque ela nem havia citado a total falta de privacidade para treinar lá, já que Matty sabia da caverna; a convivência com Lucy com sua expressão incógnita e... Ela já citara Victória e sua chatice?
Vick-Vaporub maldita sempre se sentindo o último biscoito do pacote com seus ataques de:
“Hihihi Danzinho, comprei uma lingerie nova no mercado local.” Frase que podia ser traduzida em russo como: “Sou tão puta, tão vadia, tão idiota. Merecia uma morte envolvendo tubarões”.
Elena precisou de todo o autocontrole do mundo quando presenciou a cena para não gritar na cara da vaca um:
Enfie a porra da lingerie no seu...
Ok, isso não importava mais. Voltaram para sua cidade natal e, enquanto esperavam o retorno da escravidão-escolar, aproveitaram o máximo que puderam.
A Outra Elena não voltou a aparecer, talvez porque a original ficasse muito nervosa pensando em qual seria o próximo pecado capital e isso travasse seu organismo. Os treinos estavam cada vez mais puxados e, após aprender a maldita palavra “Plegmaemo“, Klaus descobrira muitas informações importantes sobre aquilo.
O problema é que o que constava nos livros e na história era um EXPERIMENTO feito por Tutancâmon que nunca dera certo chegando até a leva-lo ao óbito na época. Se alguém havia conseguido a junção perfeita dos elementos de diversas mitologias, era algo recente e não um conhecimento normal exorcista como Greg dissera.
Klaus também desconfiava que Elias fosse apenas um peão e não o verdadeiro “cientista” da coisa.
Talvez atribuindo sorrateiramente a culpa a ela. Como, nos últimos quase três meses, todos faziam.
Mesmo com esses contratempos, as coisas estavam “indo” antes de essa voz imbecil soar e desmoronar seu confortável castelinho de areia.
Suspeitava amargamente que em breve a mulher misteriosa não iria se contentar com ameaças e jogos psicológicos.
E Elena tinha certeza que quando esse dia chegasse e ela e a outra ficassem frente a frente, a morte lhe diria "Olá“.
– A voz de novo? — Damon adivinhou fitando o teto. Mesmo na escuridão seus olhos azuis brilhavam como estrelas caídas.
Ela realmente não queria falar sobre aquilo e, embora soubesse que deveria detalhar mais as coisas para o seu demônio, não achava que um dia iria conseguir fazê-lo.
– Não. – Mentira enquanto envolvia seus braços no pescoço dele e beijava seu queixo. – Só queria uma desculpa boa o bastante para agarrar você!
Salvatore riu com a voz suave a puxando ainda mais contra o seu corpo enquanto seus lábios se colavam ao ouvido feminino.
A respiração da adolescente falhou enquanto sua pele enviava sinais de combustão espontânea a qualquer momento.
– Elena. – Sussurrou como se amasse provocar um apocalipse interno nela. – Você é tão ruim mentindo quanto é cozinhando.
Aquilo lhe arrancou um riso e uma expressão perplexa logo em seguida.
– HEY, se você está recordando o que aconteceu no jantar de ontem, a culpa foi toda sua. – Acusou com veracidade mesmo sabendo que não era lá uma chef extraordinária até sem distrações. – Você ficou me agarrando! Na hora só pensei: o frango que se dane, só tenho mais três meses com esse homem!
– A culpa sempre cai no pobre demônio, é impressionante. – Seus lábios murmuraram ironicamente antes de roçarem pelo pescoço dela fazendo com que toda a sua pele se arrepiasse. No silêncio, as batidas do seu coração eram tão audíveis quanto batidas de uma bateria elétrica. – Tem certeza que não vai me falar o que aconteceu? – Perguntou enquanto sua mão invadia a camisola azul e desvendava sua pele com a total falta de timidez característica. Ela arfou tentando chama-lo de chantagista imbecil, mas foi impedida pelo calor dos dedos acariciando seus seios.
– O que você quer saber mesmo? – A confusão a tomava enquanto jurava sua mente de morte pela traição de ”sair do ar” justo quando ela mais precisava.
Damon deslizou a mão até sua barriga indo depois vagarosamente seguido para as costas frias de Elena as deixando imediatamente em chamas por sentir o corpo demoníaco sob o seu.
– Tudo o que estiver perturbando você. – Respondeu beijando o pescoço dela com um pouco mais de pressão do que o de costume.
Sentiu que ele agora estava submerso em algo maior do que apenas chantagem, talvez vendo o feitiço se voltar contra o feiticeiro.
Reuniu coragem para procurar sua sanidade mental.
– Pra começar, Salvatore... VOCÊ ESTÁ ME PERTURBANDO! As nossas aulas voltam amanhã e você não me deixa dormir. – Gemeu vendo que o demônio pouco se importava com isso. Tudo bem, ela até agradecia. – Ok, ok, também têm Sheila Bennett e suas ameaças absurdas, Vaporub, Gregory, Lucy, a voz e... E... – Porque ele precisa ser bom em tudo o que fazia? –... O menininho de olhos azuis. – Suspirou alto sentindo o cheiro do seu perfume roubar parte da sua mente.
– Menino de olhos azuis? – Damon se afastou levemente parecendo a encarar com uma sobrancelha erguida.
Elena deixou a expressão pesar. Primeiro porque ela realmente era lerda por ter contado aquilo, segundo porque o demônio se afastara e seu corpo ainda não havia proclamando independência dele.
– Ah, sonho com um garoto de uns onze anos mais ou menos quase todas as noites. Não é nada demais, ele me chama e eu acordo sem me lembrar nada. – Disse dando de ombros e franzindo o cenho quando percebeu que a luz do abajur se acendera.
Os olhos azuis eram emoldurados por um rosto duro e concentrado.
– “Esse” garoto? – Perguntou fazendo suas feições se moldarem em algo infantil que aos poucos compuseram a imagem exata que floreava os sonhos de Lenn.
– SIM! É esse mesmo. Jesus. – Chamou levemente absorta com o fato de ele saber a fisionomia exata da sua assombraçãozinha particular. – Uh, Damon, pare com isso. Sinto-me meio pedófila com um garoto de onze anos em cima de mim.
O demônio a obedeceu rolando para o lado na cama e levantando-se rapidamente enquanto a puxava sinalizando que deveria imitá-lo.
– Não era bem isso que eu estava pedindo, mas... – Reclamou o seguindo quarto a fora supondo que deveriam estar invisíveis para circularem pelo corredor juntos assim. – Para onde vamos? – Sussurrou mesmo sabendo que era desnecessário.
Fitou o ambiente à sua volta e de repente não o reconheceu. Já não estava em casa.
Uma sala luxuosa repleta de livros, papéis pregados nas paredes e móveis cobertos como se estivessem preparados para uma mudança, rodeavam o espaço novo. E, junto a uma mesa que tivera seu pano contra poeira retirado, estava Johanna e um homem que ela sabia que era Klaus.
Este finalmente ficou de pé ao vislumbrá-la com o olhar brilhando em uma loucura sombria. Era alto, forte, cabelos loiros bagunçados, barba por se fazer e feições bonitas que passavam a mensagem exata: Se eu puder, um dia vou matá-la.
– Elena Petrova Gilbert. – Experimentou dizer com fascinação. Não como se estivesse dando em cima dela, mas como se ele fosse o Gepeto e ela o seu boneco de madeira que ganhara vida.
Deu menção de se aproximar, mas Damon fez com que o homem voasse a metros, como se Lenn tivesse uma cerca elétrica de proteção.
O estrondo acordou Johanna que abriu os olhos gritando alguma coisa ininteligível com terremoto.
Ao ver os dois, entretanto, sorriu animada.
– Onw, Mary Jane Watson e o Homem-Aranha vieram me resgatar do meu trabalho escravo. – Murmurou irônica largando os papeis de lado e indo na direção deles, pouco se importando se Klaus havia se ferido ou não. – Eu choraria de emoção se não fosse patét...
– Elena acaba de me dizer que esse é o garoto que ela tem visto em sonhos. – A interrompeu transformando-se de novo na figura.
Johanna ficou pálida e fitou a humana como se ela fosse uma bomba prestes a explodir. Ok, que droga estava acontecendo?
O loiro arremessado levantara-se massageando as costas com um sorriso debochado que parecia querer salvar seu orgulho ferido. Ao que parece mesmo os híbridos não eram páreo para filhos de Lúcifer. Ao ver a transformação de Salvatore, entretanto, estreitou os olhos parecendo surpreso como os outros dois.
– Vão me informar ou estão se divertindo me excluindo do assunto? Os sonhos não são nada demais... Nem me lembro deles... – Disse só parando ao perceber o sorriso vitorioso de Klaus que parecia esfaquear Damon de alguma forma. – Vocês conhecem o garoto?
Era uma pergunta meio óbvia já que não fariam aquela cara se fosse o contrário, mas ainda assim quis formular. Precisava ouvir a voz dele respondendo.
– Esse é Harold... Meu meio-irmão. – Seu tom era tão sério que a amedrontou. Porque sonhar com seu pseudo-cunhado era tão ruim assim? Vendo nos olhos castanhos a questão não formulada em voz alta, ele se preparou para respondê-la mais uma vez. – Isso pode indicar que...
– Eu sempre estive certo. – Klaus interviu presunçoso, tomando o cuidado de ficar longe de Elena para não ser atacado novamente. – Isso pode indicar, Srta. Gilbert, que você é um Therion inconsciente controlado pelo Harry como uma marionete. Explicaria e se encaixaria perfeitamente, na verdade. O garoto é famoso por invadir sonhos desde sempre, estava na mansão no dia do “acidente” com a Wolf, poderia ter motivos para matar a irmã e saberia como controla-la de modo a entrar na mansão sem ser vista. Tudo para alimentá-la. Sabe que Bestas se tornam mais fortes através de mortes provocadas por elas, não sabe? Claro que tem ciência disso, conhece a Segunda Guerra Mundial.
Elena sentiu que seus pés se grudaram no chão e um mal estar que precede o choque a tomou.
– Mas eu não tenho marca nenhuma nos olhos! Se... Se eu fosse algo, não deveria ter?
Klaus rira.
– É justamente o oposto minha cara, Bestas não possuem marcas nos olhos porque são criaturas acima do sobrenatural. Monstros terríveis.
A voz avisara que ela era a coisa apocalíptica. A voz, não mentia, mentia?
Sentiu a mão de Damon possessiva na sua cintura como uma forma de conforto, mas saber que talvez matara a irmã dele só fazia com que o gesto doesse.
– É só uma teoria Gilly. – Johanna soprou cuidadosa. – Talvez você só tenha... Fantasias sexuais com o irmãozinho do seu namorado. – Sugeriu dando de ombros.
– ‘Sua teoria é cheia de furos “American Idol”’. – Rebateu lembrando-se da frase exata que Jô lhe dissera na praia.
– A teoria de Klaus também é, Lenn. – Damon procurou acalmá-la com um tom que tentava conter a tensão. – Harry não tinha motivos para querer a morte de Jenny; mesmo que invada seus sonhos pode ser com outro propósito e não sabemos nem se era Harold mesmo, qualquer demônio pode mudar a fisionomia.
A menina não entendeu porque o último item era importante. O garotinho... Outro demônio... Não importava! Ainda assim estaria sendo controlada como um fantoche. A menos que só filhos de Lúcifer conseguissem manipular Bestas. Claro, só podia ser isso, afinal Damon era um demônio livre de sentimentalismos como “Não, meu irmão é bonzinho e vou defendê-lo até a morte.”
O pensamento vir com “delay” fez com que se lembrasse dos momentos em que Damon a chamava de lenta. Lá em um passado distante de cinco minutos atrás, em que tudo, por pior que fosse, era menos complicado.
– Ok existem porcentagens contrárias, então sugiro que chequemos isso de alguma forma o quanto antes. – Klaus admitiu cobrindo as mãos com os bolsos.
Um silêncio de concordância se formou e a cabeça da Gilbert dançou em ecos.
“Ainda consegue ver o sangue de Jenny Wolf em sua pele?”
Lembrou-se da voz com um arrepio funesto.
– Se eu for realmente... Isso. – Iniciou com temor das próprias palavras. – O que vai acontecer com o passar do tempo?
Obviamente o loiro se adiantou como um professor feliz com o interesse do aluno.
– Caso seja o Therion, esse poder irá crescer em você de uma forma tão absurda que vai se tornar apenas a criatura e perder a essência humana. E quando essa hora chegar vai se comportar como toda boa Besta apocalíptica que quer o poder só para si... Vai tentar destruir o seu criador. Preste atenção à palavra: CRIADOR, não MANIPULADOR. Estou falando de quem provocou e fez com que surgisse a criatura e não quem a controla. No seu caso, Damon Salvatore.
“Ainda consegue ver o sangue de Jenny Wolf em sua pele?”
“Ainda consegue ver o sangue de Jenny Wolf?”
“Ainda consegue ver o sangue?”
“Ainda consegue ver?”
“Ainda consegue?”
“Ainda?”
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Talvez não estivesse doente, talvez fosse normal sentir-se com tanto frio.
Tanto medo... Tanto remorso.
Balançou a cabeça tentando prestar atenção ao que Monsieur Jacques dizia, mas era difícil. Ridiculamente difícil.
O aglomerado de palavras formando as sentenças “Aimez-vous aller à plage avec votre tante?” (Você gosta de ir à praia com sua tia?) e “Avez vous parlé avec la souer de votre petit ami avant-hier?” (Você falou com a irmã do seu namorado anteontem?) pareciam apenas mais um eco nos seus pensamentos. Como se o Sr. Jacques e todos os outros tivessem resolvido zombar da sua dor ou tortura-la.
Se fosse mesmo a Besta, teria que se lembrar no futuro de mata-los todos.
Sim, ela estava particularmente muito irritada naquele dia.
Copiava despretensiosamente as frases francesas quando ouviu o ruído da cadeira ao lado aproximando-se a ela.
– Oi. – A dona dos cachos loiros mais bem cuidados de toda a Virginia cumprimentou.
Elena a olhou com curiosidade. A impressão que tinha era que ela e Caroline não se falavam há anos e pela timidez da outra percebia que pensava a mesma coisa.
– Oi Carol. – Cochichou sem muito ânimo.
Um sorriso infantil ajeitou-se em seus lábios repletos de gloss de cereja.
– Anw. Sinto sua falta chatinha. – Choramingou apoiando a cabeça no ombro da amiga com carinho. – Mesmo você inventando que caras gatos são gays só para poder pegá-los.
Elena sorriu corando e derrubando o estojo aberto no chão sem querer. Caveira Rosa foi uma desculpa tão convincente e agora seu plano fora arruinado!
Victória, do outro lado da sala, riu do pequeno acidente com suas canetas espalhadas pelo chão.
Maldita piranha.
– Está desastrada hoje, cunhadinha. – A Donovan gritou fazendo algumas amigas idiotas rirem. Lenn suspirou pesadamente enquanto Carol a auxiliava juntando o material. Podia sentir Damon tenso, no fundo da sala, com os pés apoiados na mesa de forma desleixada. – Li em uma revista que o cansaço pode gerar isso. – Vick continuou e dessa vez até o professor Jacques se virou para ela com impaciência. – Talvez esteja cansada de correr atrás do namorado das outras, não? Aliais, como se sente sendo ninfomaníaca cunhadinha? Porque pelo que eu saiba você já namora o meu irmão, então só pode ser um distúrbio.
Porque as pessoas esperavam justo o dia em que se está mais irritada para testar sua paciência?
Alguns risinhos, assovios e “ooooohs” ecoaram enquanto Sr. Jacques pedia silêncio aos alunos e ameaçava levar a Srta. Donovan à diretoria.
Em outros tempos essa punição a satisfaria. Agora, isso parecia só o aperitivo.
Carol trincou os dentes assumindo sua pose de amiga-super-protetora.
– Cala a boca sua modelozinho de produto para hemorroida, não cansa de ser imbecil não? Se a Elena é muito melhor que você e até seu namorado percebe isso, não é culpa dela.
Novamente os alunos reagiram e Victória fuzilou Lenn com os olhos. Talvez achando que isso a intimidasse quando na verdade só alimentava sua raiva.
Fitou Damon, que parecia desejar a morte da irmã de Matthew tanto quanto ela, e abriu um sorriso sádico que sugeria um silencioso: “Por favor, me deixe cuidar disso”. Ele a princípio pareceu contrariado, mas cedeu com o passar dos segundos.
Bom, a Vaporub lhe deveria uma, pois se o Salvatore fosse resolver aquilo ela acabaria certamente esquartejada e colada na parede da escola.
Ergueu-se sorrindo abertamente e ouvindo o silêncio assombrado que surgia ao caminhar até o seu demônio, sentando-se no seu colo.
– Você tem toda razão Vick. – Murmurou enxergando tudo vermelho e envolvendo o pescoço demoníaco. – Realmente tenho estado muito cansada por causa do Dan, mas por motivos diferentes, se é que me entende. E respondendo a sua pergunta... Sinto-me ótima como ninfomaníaca, e você, como se sente sabendo que só foi um objeto usado para provocar ciúmes em mim?
Foi como se toda a sala de aula congelasse e apenas o casal continuasse normal.
– Quem é você e o que fez com a minha Elena? – O homem perguntou com o tom de voz divertido.
Ela riu o olhando como se estivessem a sós.
– Tenho andado com más influências. – Respondeu dando de ombros e o fazendo rir até perceberem um vulto se erguer.
Victória estava com a expressão confusa e os braços rígidos ao lado do seu corpo como se a qualquer momento fosse ter um ataque.
– Damon... Diga que é mentira. – Pediu anunciando o começo de um choro.
Oh, tadinha! Só que não.
– Elena disse a verdade Donovan, lamento. – Murmurou erguendo os ombros como se não lamentasse coisíssima nenhuma. – A única coisa que precisa ser corrigida é que: Ela nunca “correu atrás de mim” como disse. Para falar a verdade, antes mesmo de conhecer você eu já era uma espécie de escravo dela. – Falou completamente sincero fazendo metade da sala (público feminino) se derreter em “anws” que julgavam mal a frase.
Ele era literalmente seu servo e não poeticamente. Ah, mesmo assim era legal.
Até se Damon falasse: “Você é uma ameixa velha” soaria legal. Grande parte por causa da voz, olhos, cabelo, rosto, músculos, perfume... Enfim.
A contratante corou com o pensamento e isso a levou para outra divagação: A série de atitudes que a levaram àquilo e que não pareciam em nada com seu comportamento normal.
O filho de Lúcifer tinha razão, o que estava acontecendo com ela?
– A Gilbert só pode ter feito uma macumba e você está cego por causa disso. – Victória apoiou a mão na cintura só aumentando a sua expressão recalcada. – Um dia você vai ver que essa menina não presta e vamos voltar Salvatore. – Jurou amarga dando passos longos e saindo da sala.
“Isso se eu não incinerar você antes Vaporub.” Formulou mentalmente de forma ciumenta, mas nem aquilo conseguiria estragar o alívio que estava sentindo.
Uma segredo a menos!
Era como tirar um peso das costas saber que não teria que dividir o seu demônio com nenhuma vaca mal amada. E mesmo com embaraço todo da situação, fora bom dessa forma.
Os rostos alegres e falsos que há pouco tempo a zoavam, se mostravam amigáveis gritando coisas para o “novo” casal e fazendo perguntas indiscretas que abafavam a voz do professor Jacques.
O pobre francês gordinho praticamente guinchava para fazerem silêncio, mas os momentos em que permaneceu calado observando a cena foram o bastante para descontrolar os alunos.
Elena viu Caroline sorrindo animada e devolveu o sorriso com o mesmo ânimo... Até focalizar outro rosto no aglomerado de alunos.
Um rosto bonito com feições finas, olhos azuis vivos e cabelos loiros.
Até ver Matt.
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Dizer que procurou a manhã inteira pelo seu, duplamente, ex namorado, não foi exagero.
Matt saíra empurrando a cadeira de rodas no mesmo instante em que seus olhos se encontraram e simplesmente desaparecera.
Pff, como um fantasma. E quando o encontrou... Bem, estragou tudo e ele sumira de novo.
(Ela iria resumir essa parte porque sabia que se contasse em detalhes seria chamada de “lerda” de novo, mas digamos que o loiro quis feri-la dizendo que tinha uma amante e, em vez de ficar calada, ela foi e disse “Está vendo? É o destino, nós dois pensamos igual e nos traímos porque NÃO SERVIMOS UM PARA O OUTRO. Além do mais, você e a Jô vão ser tão felizes Matt.”
O problema é que Matt não dissera o nome do affaire para ela e ficou pensando que a garota havia “contratado” Johanna e maluquices assim para seduzi-lo. Ficou tão transtornado que nem se quer dera ouvidos aos seus pedidos de “voltar a fita” para que ela reagisse de forma mais inteligente.
Mas esse não foi o problema maior... A droga foi que Damon viu a cena e fez uma pergunta invisível erguendo a sobrancelha. Ela, de novo, em vez de ficar calada falou: “Não posso perder Matt, Dan... Preciso convencê-lo de que eu sou legal mesmo tendo sido uma vaca com ele”.
Caham, é preciso ser dito de que cor os olhos de Salvatore ficaram? Passou meia hora tentando convencê-lo de que falou sem pensar e só queria ele no mundo e mais ninguém. Tempo o bastante para Matthew sumir de vez como uma criança que não quer tomar banho. HOMENS!)
O lado bom era que pelo menos aquelas confusões sucessivas estavam evaporando seu mal humor. Tinha sentido falta de se preocupar em retomar amizades ou convencer o namorado a deixar de ciúmes, em vez de se preocupar se era O Vingador da “Caverna do Dragão” ou não.
Aquela já deveria ser sua quinquagésima ronda pelo quinto corredor, quando avistou Carol correndo com dificuldade sob os saltos e agitando as mãos.
– AMIGA ACHEI! ACHEI! Ele está aqui, corre! Paguei seis dólares para os que os meninos da terceira série amarrassem-no.
Er... Ok, aquilo ainda acabaria em uma delegacia de polícia.
Assentiu para a loura que se virou e foi provavelmente ajudar os garotos a conterem Matthew.
Agora era só ter calma e ficar de boca fechada!
Respirou fundo começando a caminhar e revendo o passo-a-passo do seu discurso mental quando, repentinamente, sentiu seu braço ser puxado para dentro do armário de vassouras.
Foi colocada contra a parede de forma tão brusca que a estrutura tremeu e uma pá de plástico despencou de uma estante batendo em sua cabeça.
– Ai! – Reclamou nervosa massageando o couro cabeludo e olhando para seu raptor. – Muito bonito Salvatore, foi essa a educação que eu dei para você?
O demônio revirou os olhos sem muita paciência e apoiou uma mão no concreto no qual ela estava encostada.
– Elena... O que você acha de Dubai?
Ela interrompeu a massagem o olhando como se ele tivesse perdido o juízo (o que era óbvio que realmente acontecera).
– O que tem Dubai? Não sei muito sobre lá. – Dera de ombros lhe lançando seus olhares castanhos desconfiados.
– Ótimo, chegou a sua chance de saber mais sobre a cidade. Vamos para casa e você arruma suas malas. Tente não deixar um bilhete que pareça muito suicida ou sua mãe vai entrar em depressão. – Declarou primeiro como um agente de viagens e depois como um psicanalista.
– A pá cai na minha cabeça e é você que surta?- Inquiriu realmente preocupada com o desenrolar daquela conversa. – O que é esse ataque digno de Shakespeare de fuga de casais?
Damon ergueu uma sobrancelha aparentando confusão.
– “Shakespeare”? Quem é Shakespeare?
– Damon Salvatore não diga que não conhece o escritor mais incrível de todos os tempos! Ele é o assunto principal das nossas aulas de literatura. – Suas mãos se agitaram exasperadas no ar.
– Nós temos essa aula aqui? – Perguntou com uma surpresa sincera depois dando de ombros. – Não presto atenção em nenhuma. Tanto faz... Estamos perdendo tempo, vamos esquecer a sua carta para Miranda e só fazer as malas, certo?
Ela uniu suas sobrancelhas em uma verdadeira expressão de “Que porra está acontecendo?” que fez com que ele risse.
Talvez tenha sido a malicia com que fez isso, ou os olhos travessos de criança rebelde fugindo de um castigo, mas o fato é que, do nada, tudo clareou.
– Salvatore, Salvatore, o que você aprontou para querer sumir do mapa assim? É algo trivial ou alguma criatura bizarra está me perseguindo?
– É só um brinde contratual Elena. Assine um contrato com um demônio e vá para Dubai. Coisas do Diabo, sei lá.
– Damon Salvatore! Tem alguém me perseguindo, não tem?
Ele suspirou profundamente fitando o chão e ela o puxou pela gola da camisa o obrigando a fita-la.
Os olhos azuis estavam um pouco irritados.
– Correção: Estão ME perseguindo. Ao que parece, a minha “família” gosta muito de Mystic Falls.
Óbvio que considerando que os parentes de Damon eram todos criaturas malucas que bem possivelmente a odiavam, dava certo medo e uma vontadezinha de seguir viagem, mas por outro lado uma euforia a preenchia. Como se aquilo fosse uma oportunidade de conhecer mais o seu servo.
– Quem apareceu? – Quis se certificar enquanto levava seus dedos da gola até os cabelos negros e os desembaraçava levemente.
– Ninguém importante. Tem certeza que a fuga não lhe interessa nem 1%? É digna do tal Shakespeare, você mesmo disse. – Barganhou erguendo as mãos como se mostrasse o quanto a ideia era boa.
Ela riu com seu jeito de comerciante da Hugo Boss e ergueu-se na ponta dos pés sentindo a maciez dos seus lábios nos seus.
– Jeremy, Miranda, Grayson e Carol precisam de mim aqui. E qualquer coisa eu defendo você. – Brincou piscando enquanto ele sorria da coragem inútil da menina e mordia seu lábio inferior.
– Depois não reclame quando essa sua decisão tiver gerado um fratricídio. – Disse quando se separaram, segurando a mão feminina.
O velhinho que deveria ter uns trezentos anos ou mais os esperava do lado de fora do armário com a cara amarrada, entretanto pareceu surpreso procurando algo lá dentro que não achava e o demônio aproveitou para guia-la pelo corredor sem esbarrar no funcionário.
Ah... Eles deveriam estar invisíveis.
– Hellboy, você está paranoico. – Rira, envolvendo mais o braço dele com o seu.
– Acredite, se você fosse uma Salvatore também seria. – Comentou fazendo com que uma borboleta dançasse balé no seu estômago.
Ser uma Salvatore! Parecia um sonho tão impossível, infantil e bobo... Mas mesmo assim não conseguia não imaginar quão perfeito seria acrescentar o sobrenome italiano no seu.
– Damon, você se esqueceu que eu consigo ver pessoas usando invisibilidades. – Uma voz masculina soou atrás do casal fazendo os dois estancar.
O demônio apertou os olhos sussurrando um: “droga” e então como um ator desmanchou a cara de desgosto virando-se com um sorriso traquina.
– Stefan. – Murmurou de forma bem natural colocando as mãos nos bolsos. – Não esperava encontra-lo antes do dia de Ação de Graças ou... Não sei, nunca mais, se eu tivesse sorte.
Puts era o anjo? Elena girou dando de cara com um casal muito elegante e percebendo só naquele momento que todas as outras pessoas do corredor pareciam estar mais apagadas, como se estivessem em um plano paralelo ou algo do tipo.
Queria ter prestado mais atenção a isso, mas os dois estranhos roubavam a atenção.
A mulher era loira, alta, com olhos claros meio enevoados, lábios cheios e feições determinadas. Trajava um conjunto bege com um cinto grosso marcando a cintura e saltos agulha.
Poderia não ser linda se não tivesse aquele porte altivo de mulher poderosa que pisa em você com o salto alto, mas dessa forma realmente encantava.
O homem era igualmente alto, forte, com cabelos de um loiro escuro meio arrepiado, pele parda e olhos verdes. Muito bonito, mas se perguntassem a ela de quem Stefan era irmão, ela diria que era de Klaus. Os Salvatore não se pareciam!
Já suas roupas eram um pouco diferentes, uma calça jeans clara e uma camisa cinza simples.
– É um prazer vê-lo também meu irmão. – O anjo murmurou com um tom irônico um pouco forçado, como se não estivesse habituado à prática. – Temos certos assuntos para tratar.
Declarara fitando a menina ao lado do demônio e deixando bem claro qual era o tema da conversa.
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