Demônios Não Amam.

16 Sr. e Sra. Turpin - Parte 02


Notas iniciais
Nyah pare de fazer bullying comigo e me fazer editar linha por linha ;____;!
Coisas mais lindas da minha vida, eis a 2ª parte chata, mas importante. Fiquem atentas aos detalhes sutis e "coincidências"
que podem surgir ;)
Ps: A Thaizita minha catzuda pediu um pov do Damon e acho que outras pessoas devem querer também, por isso vou responder no "Geral":
"Siiiim, o que vocês não me pedem sorrindo que eu não faço saltitante? (espera, o ditado é assim? *momento Elena*)
O único porém é que não posso fazer um pov do demy nessa fase da fic ou vocês saberiam de coisas que ainda não podem saber. MUAHAHAH -QQQ
Mas, mesmo assim vai ter em algum momento."
Smacks ♥

POV- O braço direito da Rainha.

Por mais que todos respondessem que o castelo de Lúcifer ainda continuava negro como o mais puro carvão, ela não conseguia enxerga-lo de outra forma a não ser rubro feito sangue e isso, é claro, era agradabilíssimo.

Ver da janela as torres imponentes e as gárgulas derramadas em vermelho era como visualizar a cena final de uma guerra que todos estavam ajudando a compor. Uma guerra que aconteceria muito em breve, se a Rainha assim desejasse.

Maravilhoso seria tal dia, mas ela não era burra de demonstrar o pensamento.

Deixava que suas tolas irmãs rissem e provocassem o pai enquanto ela apenas fazia seu papel de coadjuvante.

Fingindo ser a menina sem personalidade e manipulável que todos acreditavam que fosse.

Isso só a encobertaria mais, a deixaria mais fora de suspeita.

Foi impossível reprimir um sorrisinho de satisfação ao pensar nesse ponto e notou que os olhos turvos de seu pai viravam-se para ela. Imponentes e distintos, como as íris de um imperador deveriam ser.

– Concorda com a opinião das suas irmãs, Mitternacht?- Indagou com a voz firme e desprovida de qualquer calor.

Precisou de um esforço mental para se lembrar do que estavam discutindo. Ainda falavam da pobre Jenny Wolf ou já partiam para o assunto ‘‘Damon’’?

Em todo caso, a resposta era só uma.

S-sim papai. – Gaguejara de forma teatral abrindo os olhos de leve mirando as irmãs para demonstrar coação.

Diti deu um sorriso aprovador que foi logo imitado por Ravenna.

– Vê?- A irmã mais velha tomou a frente empinando o queixo com arrogância. – Todos estão percebendo que as pistas apontam para o filho de Lívia, ainda vai continuar defendendo seu “bastardo queridinho”?

Lúcifer a fitou como se ela fosse um verme indigno de resposta.

– Não inclua meu nome nisso, Diti. – Derek intervira concentrado em algum livro qualquer. A filha do Teufel³ tinha certeza que na lista de discordância também apareceria Ethan, ausente no momento. – Penso que deveríamos primeiro investigar quem estava na mansão e depois acusar demônios que estavam a anos luz de distância. – Um sorriso ácido de covinhas deixou a frase soar como uma zombaria.

– Está tentando acusar-me de algo, Líder?- A herdeira estava realmente exasperada. – Ou pior quer acusar toda a sua família? Pois sabemos que naquela mansão só estávamos...

Nós. – O baque do livro batendo na mesa soou despertando ecos. – Eu também estava lá e, por algum motivo, não me sinto incomodado com uma investigação. Você tem algo a temer, irmãzinha? Além do mais, Damon também faz parte da família embora você faça questão de esquecer esse fato.

A francesa fechou as mãos em punho e Sabine riu por dentro.

Derek tinha um senso de justiça que parecia mais digno de um anjo do que de um mal personificado.

Provavelmente a maldita centelha humana o dominava nessas horas. Sua mãe fora uma rainha medieval com um fetiche estranho pela ordem e pelas sentenças justas.

Aliais todos pareciam ter mães e histórias fabulosas, apenas ela tinha o constrangimento de dizer: “Sou filha de uma puta drogada que trabalhava em uma Taverna nos arredores de Dresden.”

Talvez por isso sempre tenha sido colocada naquele lugar mais de servente do que de familiar. Até entre os excluídos ela conseguia ficar deslocada.

Fincou as unhas na mão em punição pelo seu momento de autopiedade.

As coisas mudariam em breve.

– Não nos esquecemos do nosso próprio sangue, Derek. – Ravenna interferiu com a expressão serena. Suas palavras eram pausadas como se ela as escolhesse no chão e as testasse mil vezes antes de usá-las. – Damon, por mais... Querido que seja, se encaixa no perfil de assassino mais do que nós. Como brigar com estatísticas?- Ponderara erguendo um dos ombros com inocência.

Era outra mestra em teatros, quase dava para acreditar que realmente estava sendo OBRIGADA a acusar o irmão de maneira tão caluniosa.

– Eu acho que foi o Bran, ele é meio sanguinário. – Tarah descruzou as pernas fazendo um beicinho de reflexão. Como se alguém na sala precisasse de sua opinião fútil e vergonhosa. – Ou a Lilith, faz parte da função de madrasta má.

– Se fosse a Ravenna morta ou a chata da Dolores você poderia dizer isso, mas eu não tinha problemas com a loba. Era a única que fazia alguma coisa por aqui a não ser lamber o chão por onde a nossa madrasta passa. – Os ombros fortes de Bran se ergueram e abaixaram e sua expressão infantil deixava claro que naquele momento gostaria de estar fazendo qualquer coisa, menos participando daquela conversa.

Talvez querendo ir atrás da namorada guardiã de chaves que havia sumido do dia para a noite sem explicação.

Sabine franziu o nariz. Odiaria se a encontrasse em uma de suas buscas e a trouxesse de volta. Johanna Marshall era intolerável e enxerida, se estivesse no Inferno já teria descoberto mais do que deveria.

– Tudo aponta para o Salvatore! Só estávamos nós na casa e não fomos os responsáveis. Damon teria livre acesso ao lugar, cobiçava o trono e adotou a Besta como cãozinho de estimação!

– Não existem provas que a menina seja a Besta. – Dolores se pronunciou deixando todos boquiabertos. Sua voz era rouca como a de um pássaro proibido de cantar e o chão era o único ponto que seus olhos azuis miravam. – Nem que uma segunda Besta tenha realmente surgido... Talvez se soubéssemos mais informações quanto a isso, ficaria mais fácil inocentarmos o Dan.

Maldita seja Dolores Davis.

Doll. – Sabine chamou com carinho. – Damon é o que ativa as Bestas, lembra? Criar uma ligação com ele provoca isso, e a única ligação demoníaca possível é um contrato. Que foi o que ele fez com essa menina.

Ravenna sorriu aprovando, enquanto os outros adotavam poses pensativas.

– Adolf não era seu contratante. – Rebateu com o tom mais forte. – E, no entanto, ele é que foi a Besta! Fora que nos arquivos do... Senhor Lúcifer – Ela nunca conseguia chama-lo de pai. – consta que os demônios conselheiros acharam que a ameaça de Deus ocorrera apenas porque ele não queria que Damon fizesse contratos e vivesse de almas e achou que fingindo lançar uma maldição o... Pai dele não deixaria que ele fosse a terra atormentar as pessoas.

– Acha que tudo foi uma coincidência, Doll? Talvez o nosso irmão tenha um azar terrível de estar na hora errada e no lugar errado quando essas criaturas do acaso aparecem... Não? – Sabine sugeriu maldosa fazendo com que alguns dos seus irmãos rissem com o absurdo. – Ele era contratado da mãe de Adolf, e Klara ordenou que Damon obedecesse às ordens do filho também, então a primeira Besta foi sim contratante do Dan de uma forma ou outra.

Parecendo humilhada com a troça, Dolores ajeitou sua postura de enclausurada coçando o braço em um tique nervoso.

– A maldição diz que se Damon fizer um contrato vai despertar uma Besta. – Respondeu como louca que era fazendo a alemã sorrir sádica. – Uma. É o número! Não diz que toda vez que ele fizer contratos vai acontecer. – Ela voltou seu rosto para Lúcifer que parecia impassível frente a todos os argumentos. – Por isso queria saber como todos têm tanta certeza de que uma segunda Besta surgiu... Se o senhor pudesse... – Um acanhamento deu as caras e ela se interrompeu parecendo morder os lábios até fazê-los sangrar.

Satanás a analisou por um tempo assentindo uma única vez surpreendendo a todos. O Teufel não costumava revelar o que sabia para os filhos e fazer isso para a Louca Dolores só deixava tudo com um ar mais estupefato.

– As escrituras enfadonhas de Jeová anunciam duas Bestas no livro de Daniel e no livro de João. A primeira deveria emergir da terra e a segunda do mar. – Narrara com sua voz de trovão e gelo preenchendo a sala e apagando qualquer pensamento de tranquilidade ou satisfação que possuíssem. – É claro que esse lixo que os humanos tanto prezam nunca foi levado a sério por mim. Entretanto, uma tradicional família de bruxas com o atípico poder de ter Visões sobre tais criaturas, vislumbrou com seus poderes que um novo Therion¹ ressurgia e que ele era Elena Gilbert.

O ar pareceu mais rarefeito enquanto todos absorviam as informações com um gosto metálico nos lábios.

Todos menos Sabine, é claro. Ela já sabia daquela história a tempos, afinal era o braço direito da Rainha.

– E mesmo conhecendo os avisos de Deus, o senhor deixou que Damon fechasse contrato com ela. – A garota petulante continuou ainda coçando o braço. – Porque quis que a profecia se concretizasse?

Sabine esperou que o pai esbofeteasse a irmã ou a destruísse ali mesmo pela ousadia de se dirigir a ele com tanta arrogância, mas Mefistófeles apenas levantou o canto dos lábios em algo que lembrava um sorriso.

– Porque quando eu me deparei com uma encruzilhada, na época em que o Éden ainda existia, me foi dada a chance de escolher meu caminho. Devo dar essa chance a Damon também. – Respondeu enigmático fazendo com que ninguém entendesse. – Até porque, se ele optar por um lado oposto ao meu, se provará um fraco e nunca insistiria que um verme fizesse parte do meu império.

Qual era a relação entre essa resposta vazia e a pergunta?

– Isso não o impediu de proibir Ethan de escolher o dele. – Davis repudiou se mostrando realmente suicida naquele dia.

– Não. – Os olhos infernais queimaram em algum divertimento. – Quem o proibiu de seguir o que ele optou foram as bruxas quando esquartejaram a menina espalhando sua essência no mundo. Tudo o que fiz foi deixar que o amor o ensinasse que paixão e honra não caminham lado a lado.

– Pai, ela apenas quer desviar nossa atenção. Não lhe dê ouvidos. – Diti ergueu-se andando pela sala com um ar superior com seu vestido carmesim. – Comprovamos que a segunda Besta é algo real e que é a cadelinha do Salvatore. Quem mais forte do que tal criatura para matar uma filha de Lúcifer ainda mais resistente que os outros demônios?

Sabine apoiou-se no encosto de sofá, satisfeita com aquilo. Quanto mais acusassem Damon mais a sua Rainha ficaria protegida.

– Uma convidada. – Harold se pronunciou pela primeira vez naquele dia como um pequeno espiãozinho que se fazia visível nos piores momentos. – No dia havia uma convidada.

Seu sangue gelou e só a muito custo procurou manter a mesma expressão do rosto de Bran e Tarah: Confusa e reflexiva como tentando se lembrar melhor de tudo.

– Sim... – Derek levantou o rosto parecendo ter chegado ao ponto exato na memória. – Ravenna nos disse que se encontraria com alguém que precisava ter a identidade preservada!

– Era Lilith. – A herdeira mais velha interviu rolando os olhos em descaso. – Sabemos que odeiam a nossa madrasta e quisemos manter em segredo para não chateá-los.

– Irônico que só tenha usado esse artifício dessa vez e não das outras milhares em que vimos vocês conversando com ela de forma bem intima.

– Tirou o dia para me acusar? Gostaria que parasse com as palavras e apresentasse provas.

Lúcifer massageou as têmporas parecendo cansado só de ouvir o nome da amante.

Aparentava estar tão desligado quanto Sabine da discussão inútil.

– Lilith, sim. – Harry confirmou com seu jeito de nunca falar e quando se pronunciar economizar ao máximo as palavras em algo quase telegráfico. – E outra. Havia outra.

Não, não. Ele não podia ter ficado ciente disso! Ela mesma cuidara de tudo, só a Wolf soubera.

Um silêncio gritara a plenos pulmões ao redor deles fazendo com que Ravenna e Diti quase arfassem de surpresa. Imediatamente os olhos de ambas se viraram para os dela, como se a chamassem de incompetente mentalmente.

Sabine recuou os olhos para o próprio colo, mas gostaria era de enfiar uma Plegmaemo² nas costas das duas, afinal, ela não foi a encarregada de matar Jenny Wolf e outros possíveis ouvintes, apenas preparou o terreno.

– Você a viu Harold? – Tarah perguntou engolindo em seco como se só de falar sobre o assassino de demônios isso já a colocasse em perigo.

Harry fez que não com a cabeça começando a fazer “packs” com a boca como uma verdadeira criança.

– E o que sabe sobre ela? – Foi a vez de Derek interferir parecendo curiosíssimo.

– Isso não importa! Acha que receberíamos a assassina da nossa irmã? Como Diti disse era apenas nossa madrasta, Harry deve ter ouvido a minha voz, a de Sabine ou a de Diti e confundido as coisas. Ele já está fraco sem alimento. Sua ultima alma sugada foi há setenta anos, é compreensível tais alucinações.

Será que todos tinham perdido a sanidade? Esses argumentos só gerariam mais desconfianças!

O garoto a encarou apático estreitando os olhos poucos centímetros como se a menosprezasse pelo comentário.

– Quando tenho fome, como. – Declarou com uma superioridade que o deixou como uma miniatura de Lúcifer. – Não confundi. Tinha outra. Uma senhora.

Fora a sua declaração fazendo Sabine resfolegar e sentir a vista embaçada.

Aquele maldito moleque estragaria tudo, tudo!

“Não enquanto eu viver, minha Rainha.”

Prometeu para si mesma com o sangue fervendo. Sabia que um trunfo pelo menos possuía: Lúcifer só poderia interferir na história até a linha tênue que separava o assassinato da sua filha da Aberração que alastraria o mundo, afinal ele havia prometido que ficaria de fora e deixaria em outras mãos qualificadas.

Sabine sabia. Ela lhe contara.

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POV- Gregory Turpin.

O dia amanheceu ensolarado e escaldante, mas mesmo assim o pastor sentia frio.

Dormira uma noite indigesta e lenta em que sua mente não parara um minuto de raciocinar sobre tudo e sobre o nada.

Se fosse pedir uma consulta, noivos comuns diriam que era perfeitamente normal uma vez que fora a véspera do seu casamento, mas sua distração em nada tivera a ver com a sua futura esposa ou o medo de uma vida ao lado dela. Até porque, o conceito de “até que a morte nos separe” era bastante moldável.

Não. Ele só sofria por Katherine Pierce. Aquele maldito fantasma que nunca o deixava mesmo depois de dezessete anos.

Suava frio maquinando se não estava julgando os planos divinos de forma errada. Afinal Kathy era, sem dúvidas, uma criatura satânica e maledicente. Entretanto, como poderia o destino desejar que ela voltasse aos seus braços se não fosse para o propósito de regenerá-la e toma-la para si?

Eram as dúvidas dolorosas que sugavam sua temperatura o deixando quase enfermo.

Encarou da janela os preparativos para o casório. Miranda havia se desdobrado com todos os turistas e conseguido fabulosamente um cenário simples, mas belo.

Um pouco comum, mas quando se tratava de casamentos em praias com poucos recursos era difícil conseguir algo original e efusivo então a parabenizava.

Jenna havia chamado todos os que passavam férias na Ilha e alguns habitantes de Mystic Falls que mesmo chamados sem qualquer antecedência apareceram aos montes confirmando que o clima da cidade ainda estava sombrio.

Isso o irritava, naturalmente, mas era um preço justo a se pagar por ter alertado o atendente demoníaco de que Elena era uma espécie de portal.

Óbvio que não fora por vontade própria que a entregara. Primeiro prometera dar a resposta apenas para conseguir os símbolos que matavam as criaturas das trevas.

A sua benfeitora do e-mail engraçado o avisou para procurar Elias que ele o ajudaria a matar a Gilbert e que pagasse a informação dizendo que a menina agora era uma chave. E foi graças a isso que começou a frequentar a espelunca, tendo que tomar altas doses até conseguir tirar as suspeitas de Elias e seu filho Betto.

Pensava em enganá-los conseguindo os símbolos sem dar nada em troca, mas nunca teria conseguido dessa forma, e ver a sua Katherine flertando com o garçom desprezível ferveu seu sangue de maneiras oblíquas.

“Ótimo, que ele mesmo a mate e termine com a minha missão aqui” – Pensou naquela noite apontando com os olhos a resposta que prometera ao garçom, enquanto sussurrava no ouvido da menina que ela ainda tinha vários admiradores.

Betto não demorou a entender e pareceu sentir que era verdade.

O padre, por sua vez, foi para o seu caminho. Aborrecido por ter pensado em desistir de se livrar dela.

Ela continuava a mesma! Irreverente, divertida, inabalável e sedutora. A mesma Katherine que quando possuía doze anos e o encontrou pela primeira vez no seminário, em uma visita de escola, perguntou: “Porque padres usam vestidos se a igreja não aceita homens que se travestem de mulheres?”

As outras crianças pararam horrorizadas a fitando enquanto ele, já com seus dezoito, apenas corara, mais infantil do que ela.

A menina percebendo o embaraço que causara deu de ombros e se aproximara passando a mão por sua batina.

“ Vocês pensam o mesmo que eu, se é que pensam” – Ralhou com as amigas de forma dura, virando-se depois somente para ele. “Mesmo assim você fica bem de preto, realça seus olhos”. Disse com um sorriso muito mais apropriado para uma mulher do que para uma criança.

Gregory nunca esqueceu aquela cena ou todas as outras que aconteceram à medida que foram crescendo.

Não porque estivesse envolvido com maldita “Dalila”, mas porque era o único que via a serpente que ela era e precisava gravar na memória tais registros para usar como futuras provas.

Não. Aquela Katherine era amaldiçoada, a nova sim, era sua. Deus a havia começado a purifica-la, mas cansou-se e resolveu dar para ele a tarefa.

Aquela era o seu prazer. A antiga, a sua dor.

E foi pensando na atual que resolvera voltar naquele dia para o bar completamente arrependido pelo que fizera.

Infelizmente o encontrou vazio e funesto com apenas um lenço branco manchado de maquiagem repousando sob o chão como se fosse um órfão esperando novos pais.

Greg o pegou pensando ser a única lembrança que teria de Elena e sentiu imediatamente a carne do seu braço fumegar em algo negro que crescia de fora para dentro.

Ganhara uma tatuagem e com ela, símbolos que nem o Vaticano tinha conhecimento.

Batidas leves na porta o despertaram, fazendo com que caminhasse para atendê-la antes que isso acordasse Jenna.

A porta se abriu e o coração do pastor falhou.

– Elena. – Cumprimentou engolindo em seco e levando à mão à cruz em seu pescoço. – Posso ajuda-la?

A menina cruzou os braços o olhando com uma seriedade autoritária.

– Pode. Diga-me exatamente porque está querendo se casar com a minha tia depois de dizer que não cogitava nem um namoro com ela e, se eu ainda não tiver o matado ao fim do relato, me fale porque tem esses símbolos estranhos no braço.

Gregory riu baixinho a empurrando para trás e juntando-se a ela no corredor de porta trancada para não serem ouvidos por Jenna.

– Quero me casar porque a amo, mesmo que no bar tenha negado isso. – Mentiu encarando os olhos castanhos sedutores. – E quanto a esses símbolos, os tenho desde o seminário quando me uni a um grupo de exorcistas. O nome disso é Plegmaemo, ou plegs como costumávamos chamar. – Dissera com desenvoltura lembrando-se das instruções e informações que Elias lhe dera antes de fecharem um acordo.

Elena uniu as sobrancelhas parecendo absorver a informação.

– Não acredito que a ame. Nem entendo porque quis apressar o casamento!

“Por você, Katherine.” Pensou levado pelas emoções.

– É um direito seu, mas eu a amo. – Prosseguira a ludibriando enquanto retirava a mão que, sem explicação, passara todos esses segundos grudada ao símbolo de Cristo. – E foi esse amor que apressou tudo, preciso tê-la o quanto antes.

Não dizia isso para Jenna e sim para a menina e, talvez por isso, soasse tão sincero.

Ela, cheia de suspeitas o encarou como se estivesse diante de um criminoso. Depois sua expressão se tingiu de cansaço e ela suspirou ruidosamente.

– Juro que se você fizer mal a ela o mato. Não confio em você, mas ela o ama e... Não posso dar broncas na Jen, pois não sou lá um exemplo. – Admitira fazendo com que um incômodo fervilhasse o estômago do ex padre. Ela amava o Donovan desprezível?

Mas é claro!

Certamente ela a levara para aquele caminho de Satanás, e isso se não fosse o próprio fantasiado de frágil quando era uma aberração.

– É justo. – Obrigou-se a rir como um adulto julgando uma atitude infantil. – Só me pergunto Srta. Gilbert o porquê dos meus plegs a preocuparem tanto. Tem algum conhecimento nessa área religiosa?

Elena, em vez de corar por se sentir pressionada como no jantar, ergueu o queixo de forma desafiadora.

– O incomodaria se eu tivesse?- Indagara com um sorriso de escárnio no rosto. – Bem, como lhe disse sou apenas batizada, mas achei estranho um ex padre ter uma tatuagem. Ainda mais uma tão curiosa. – Os ombros delicados se jogaram com descaso.

Greg tivera que sorrir, como se cada gesto petulante feminino fosse um imã para seu coração.

Em breve a teria em seus braços. Muito em breve. – Era seu mantra.

– Entendo. – A respondeu com timidez procurando objetos invisíveis nos bolsos. – Agora se me der licença, preciso me arrumar.

A garota o olhou procurando entender a frase e logo ficando com o rosto afogueado de vermelho.

C-claro, desculpa ter obrigado você a vir conversar assim... – Sua pureza era tão casta e verídica que fora impossível não a olhar com desconfiança.

Sem dúvidas a antiga Katherine não se intimidaria por um pijama listrado bastante comportado.

Mas não tinha importância. Assentiu de forma simpática entrando novamente no quarto.

Uma maratona que precedia os casamentos aconteceria em breve.

Olhou ao redor sentindo a gravata, nunca usada por ele antes, o incomodando.

Grayson e Miranda serviam de padrinhos da noiva enquanto o desprezível Donovan em uma cadeira de rodas e sua irmã o apadrinhavam.

Escolha impertinente, mas fora a única coisa que fizera com que a família aceitasse melhor o fato de Gregory querer se casar após um acidente sério com o rapaz.

E dos males, era o menor.

Jeremy ocupava o lugar de ministro-de-internet no meio, e Lucy, a garota esquisita, Damon e Elena estavam nas primeiras fileiras de uma plateia absurdamente grande.

Reconheceu alguns rostos por fruto da convivência, mas esses foram a minoria e particularmente não era um fato importante.

Concentrava-se apenas no rosto de Katherine. Linda como uma visão milagrosa.

Trajava um vestido justo de uma cor viva de azul, tinha os cabelos cacheados artificialmente e presos por uma presilha ostensiva.

Sua maquiagem era leve de uma forma tentadora e ninguém no ressinto conseguia igualá-la em beleza.

Parecia um pouco aborrecida com algo e as vezes distribuía olhares zangados para Damon e Victória, como se temesse alguma ação vinda dos dois. Johanna – a esquisita – Ria nesses momentos cutucando o homem ao seu lado. Como se querendo avisá-lo da vigia irritada.

Será que aquela maldita serpente já havia seduzido o pobre Salvatore e agora era movida pelo ciúme? Trincou os dentes com o pensamento, mas tentou anuviar a expressão ao ver os olhos atentos de Grayson sob os seus.

Uma música calma e doce começou a tocar e Jenna deslizou em cima da areia da praia indo em direção ao seu futuro incerto com o marido.

Não estava feia de fato, mas teve que imaginar que, em vez dela, a bela garota de azul que seguia em passos lentos até o altar.

Só assim conseguiu sorrir com verdadeiro sentimento e aguentar a cerimônia inteira (que por sinal três vezes tivera pequenos incêndios que ele soube remediar com... Conhecimentos oportunos).

Passar tal amor era imprescindível para conseguir o que queria. O casamento, mais do que um meio de se aproximar de Katherine, era um ótimo negócio místico.

Era a oportunidade única de conseguir os poderes da Sommers.

Sua informante havia explicado o passo a passo para drenar a energia do corpo de Jenna e precisava urgentemente do seu total amor e total confiança – coisa que só aconteceria levando-a para bem longe de sua família enxerida e desconfiada.

Claro que derrota-la e aprisiona-la seria bem mais simples, mas isso ia contra seus princípios cristãos e, como Shakespeare certa vez ditara: “É mais fácil obter o que se deseja com um sorriso, do que à ponta da espada”.

Ele piscou fugindo de seus devaneios e a beijou como Jeremy indicou que fizesse. O menino não parecia feliz com seu papel de oficial, mas deveria ser o normal da idade.

As palmas soaram e Jenna virou oficialmente a Sra. Turpin.

Os cumprimentos falsos e lisonjeiros transcorreram, enquanto seguiam para uma área ao lado onde a comida de toda a cidade fora parar junto às caixas de som, cadeiras dispostas, tochas cafonas e uma aparente pista de dança.

Gregory recusou utilizar a última, explicando que não possuía habilidade alguma na arte, e essa foi sua única verdade do dia.

Jeremy se voluntariara a dançar com a mais nova Turpin, para que não ficasse constrangida no meio na cidade, e aos poucos outros casais se juntaram.

O eclesiástico observou a pecaminosa erva daninha do seu coração praticamente explodir em felicidade quando Johanna empurrou Damon e Elena para o lugar.

Matthew e Victória, também “dançando” de forma desajeitada graças à cadeira de rodas do garoto, os azararam com os olhos de forma semelhante à que Turpin fazia, mas pouco adiantou.

Infelizmente, os dois não pareciam se importar. Dançavam, riam e por vezes se encaravam como se estivessem completamente a sós.

Sua pele ardeu em ódio e jurou naquela hora que se vingaria de Elena Gilbert. O seu prêmio merecia uma lição por seduzir outros.

E que se desse por satisfeita que ele, infinitamente bom, apenas a machucaria e não desistiria dela. Poucos eram os homens com tanta tolerância!

Riu desdenhoso imaginando que naquele jogo de xadrez o bispo venceria, mesmo a menina se comportando como uma verdadeira rainha ameaçadora.

Ela só não pensara que um peão, que pertencia ao outro lado do tabuleiro, estava nas mãos de Turpin agora.

Foi com aquela excelente missão que o emissário de Deus, rumou para a sua cidade natal levando a esposa para uma longa Lua de mel.

E embora um dia ele pretendesse voltar para Mystic Falls ou Purplerock... Jenna Sommers Turpin nunca mais o faria.

“Cut me down, but it's you who'd have further to fall.

(Corte-me, mas você é quem tem mais a perder.)

Ghost town, haunted love.

(Cidade fantasma, amor mal-assombrado.) – Titanium: David Guetta ft. Sia.

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Notas finais
¹ Therion: Palavra grega que gerou o termo Besta. Porque tio Lú é bonzinho e não chama a Lenn de Besta (lenta quase parando, como diz a Bloodzita).
² Plegmaemo: Símbolos com o poder de matar os nossos diabinhos. União das palavras em latim: plegma (praga) e daemo (demônios), então seria algo como praga dos demônios que pode dar dupla interpretação quanto ao fato de ser uma praga lançada pelos demônios ou para atingi-los.
³Teufel: Diabo em Alemão.