Demônios Não Amam.
13 O jogo de máscaras de Purplerock - Parte 02
Notas iniciais
Além é claro da dedicatória para as minhas beldades que me aturam a cada capítulo ♥ Smack para todas vocês.
Porradas virtuais, comentários, sugestões, fiquem a vontade para tudo amores, vocês mandam.
Só que se forem bater me batam com carinho se não eu choro. ;___;
beijos, beijos:*

POV – Elena Gilbert.
Naquela noite não conseguiu dormir.
A repulsa desconexa que a invadia ao pensar em Gregory Turpin e seus símbolos arrancava seu ar e lhe deixava febril como uma doente em estado terminal.
Sua vida parecia ter virado um eterno jogo de máscaras e advinhas.
“Quem você acha que é confiável?”
“E dentro daqueles completamente livres de suspeita, quem você acha que quer lhe matar?”
Eram as perguntas amargas que tinha que se fazer dia após dia.
Afundou a cabeça no travesseiro puxando o cobertor até as orelhas como uma criança assustada. Queria Damon ao seu lado naquele momento, mas ele provavelmente estaria em reunião com Klaus e Johanna atrás de pistas que os levasse a algum julgamento mais exato sobre Turpin. As chances de não encontrarem nada eram grandes, mas Elena sabia que mesmo que o religioso fosse a mais santa das criaturas, nunca o toleraria completamente.
“Não acha que está sendo hipócrita minha querida?” – perguntara alguma voz sem corpo fazendo com que a garota desse um pulo inconsciente na cama. “Pensando em máscaras e grupos de confiança, quando no final é a mais mascarada e digna de acusações?”
Seu coração martelou dolorosamente com as palavras e a situação. A voz feminina lhe parecia levemente familiar, mas era como naquelas situações em que se esquece de alguma coisa e parece a milímetros de lembrar o que era sem nunca chegar à sua resposta concreta.
“Você mentiu”. – acusou calmamente. “Mentiu para Bonnie, para seus pais, para Jenna, Jeremy, Matt, Damon, Johanna... E como se não fosse o bastante, agora tenta mentir para si mesma”.
Engoliu em seco sentindo os olhos ardendo e levando os dedos aos ouvidos. Queria levar a mão até a sua adaga e tentar lutar contra aquela voz, mas simplesmente não conseguia. Ela só falava verdades.
Verdades frias e amargas, mas ainda assim reais.
“Você não conseguiria lutar contra mim nem se quisesse, meu amor. Está agindo sabiamente” – o veludo do seu tom era tão inebriante que chegava a se tornar sombrio. “E quanto às mentiras, fique tranquila. Agora você tem a mim. Não vou abandoná-la nunca, é uma promessa. Só peço que aceite quem verdadeiramente é...”
Ela era só Elena Gilbert. Só isso. A garota azarada que observava já há meses, sua vida virando de cabeça para baixo.
“Resposta errada” – rira com bom humor. “Você queria acreditar que era apenas isso, mas sabe quem realmente é? Você é a segunda Besta apocalíptica que matou a irmã do homem que ama.”
Remexeu-se inquieta desejando com todas as forças ficar surda. Queria resistir àquilo, queria gritar que não era a assassina de Jenny Wolf, queria elaborar uma tese cheia de furos que sustentasse a sua inocência...
Mas era em vão.
Como se toda força do seu ser fosse aos poucos se esgotando, se perdendo em um vácuo.
Encaminhou a mão até o medalhão e antes que o tocasse sentiu braços finos a abraçando de forma desajeitada enquanto uma mão alisava seus cabelos.
– Está tudo bem Elena. – Lucy murmurou em um tom baixo tão maternal quanto o que Miranda usava. – Não há nada de errado em ser quem você é. Eu mais do que ninguém sei que não fugimos ao nosso destino.
As lágrimas rolaram por sua bochecha e não quis encarar a cunhada que a consolava. Aquilo só podia ser um sonho. Um bem louco e complexo do qual nem se lembraria pela manhã.
Sim, só podia ser isso.
– Você ouviu aquela voz? – indagou com o tom tremido de uma criança com medo do escuro.
Quase olhou para o lado para ver se havia acordado Victória com seu choramingo, mas depois desistiu imersa demais naquela angústia.
A namorada de Jeremy suspirou parecendo cansada.
– Seria difícil não ouvir sendo o que sou.
Claro, definitivamente tinha algo especial nela. O estranho era nem Damon nem Johanna terem visto nada de interessante na sua íris ou pupila.
Quanto mais ficavam na terra em sua companhia, mais os dois demônios pareciam mais humanos e menos extraordinários e aquilo parecia estar afetando seus poderes.
– Bruxa? – Elena chutou finalmente se virando para encarar os olhos cor de mel que brilhavam até mesmo no escuro. Como vagalumes de ouro derretido. Eram mais bonitos até que os de Johanna.
– Em parte sim. – respondeu tranquila parecendo fazer uma trança no cabelo castanho da outra. – Mas uma definição mais correta seria me chamar de “mestiça” já que sou em parte um demônio, também. Por isso afirmo garota, eu mais do que qualquer pessoa no mundo sei o quanto pesa lutar contra uma parte da sua própria mente.
Concluiu colocando a cabeça de Elena em brasa.
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POV – Tia Glaucócia.
– Regra número 1 de sobrevivência da tia Jô: QUANDO OUVIR VOZES CORRA PARA AS COLINAS OU CHAME O INÚTIL DO SALVATORE! – gritara ao término do relato de toda a babaquice ocorrida na noite anterior.
Gilly tinha mesmo socializado com a bruxa nojenta usurpadora de homens gostosos? Porque tipo, aquilo era traição!
Damon encarou as pedras arroxeadas da caverna parecendo pensativo e frustrado. Johanna tinha certeza que ele se culpava de alguma forma. Desde que o casal vinte-e-um começara com a troca de nhenhenhéns sentimentais, o cara virara masoquista de primeira no maior:
“ Oh ela foi picada por mosquitos. Belzebu! Elena foi picada por mosquitos! A culpa é minha, eu tinha que ter protegido ela melhor e passado OFF KIDS naquele corpo sedutor que eu estou louco para jogar na cama”.
HAHA, dois imbecis lentos. Porque não se comiam logo e acabavam com aquilo?
Freud neles já!
– Estou emocionada Joh, é a primeira vez na vida que você segue seu papel de treinadora e me dá alguma instrução. – Gilly murmurara sarcástica e sem qualquer amor à vida.
Saudades da idade média, quando os humanos não ousavam falar assim com um demônio nem se o Chuck Norris aparecesse lá em uma máquina do tempo e mandasse.
Ajeitou a peruca de forma esnobe resolvendo ignorar a provocação. Ela era uma treinadora mega fodona e no fundo Elena sabia disso.
– Detesto concordar com Johanna, Lenn, mas deveria ter me chamado. – Damon se pronunciou com os olhos voltados para a adolescente.
Pfff, quando aqueles dois aprenderiam que ela SEMPRE estava certa?
A humana corou sabe-se-lá-porque, parecendo achar subitamente o chão muito interessante.
– E-eu pensei em chama-lo, mas depois não quis ser inconveniente. – disse cruzando os braços na frente do corpo com o ar de teimosia um pouco aflorado.
Um sorriso divertido se formou nos lábios de Damon fazendo com que os olhos castanhos da menina adquirissem um brilho bem gay.
– Você sempre é inconveniente Petrova. – brincara em um tom macio que com certeza levaria as fan girls à loucura. – De qualquer forma, não entendo porque Lucy se mostrou tão solícita mesmo sabendo de tudo, o que me leva obviamente a desconfiar de algo. Relatou a conversa inteira Elena? – seu ar inquisidor lhe dava uma superioridade bem respeitosa. O cara quando queria sabia aparentar ser filho de quem era.
Gilly engoliu em seco dando um sorriso fraco e assentindo rapidamente. Johanna não sabia se era “efeito-Salvatore” ou se a garota estava mentindo para os dois.
Se ela descobrisse ser a segunda opção, com certeza, bateria naquela bunda branca com um rolo compressor.
Resolveu que era a hora de presentear os dois com sua inteligência superior que sempre dava uma visão ampla para as coisas.
– Não só foi suspeito o momento “põe-a-sua-cabeça-no-meu-ombro-e-chora” como as frases de autoajuda no maior “te entendo amiga” que pareciam incutir na sua cabecinha de vento a mesma coisa que a voz quis: que você é a Besta. – dera de ombros com toda a sua genialidade e perspicácia. – Ela só usou uma tática mais inteligente embora a outra também tenha abusado do seu lado sentimental com “oh estou do seu lado” e baboseiras semelhantes.
– Foi exatamente o que eu pensei. – Damon disse virando-se para ela.
Alguém chame a professora que o coleguinha de sala estava se aproveitando das suas respostas!
Elena fungou parecendo contrariada.
– Ou talvez ela só tenha sido gentil com a irmã do homem que ama! É completamente normal. – respondeu com uma pureza bizarra.
Marshall fez uma careta de desgosto.
– Cara pálida, isso aqui não é um filme da Disney então pode parar com essa visão hippie das coisas. – expôs sentindo a sua peruca deslizar para o lado alguns centímetros. – As bruxas não perdoam nem esquecem e as mestiças são as piores.
– Lucy se tornou uma das suspeitas com isso Elena. – Salvatore ressaltara parecendo um pouco mais didático que Johanna. – Convencer você de que é a assassina de Jenny deixaria o caminho livre para o verdadeiro criminoso agir sem que interferíssemos. Ela tem livre acesso a você graças a Jeremy, tem força sobrenatural e residindo em Mystic Falls, conhecia Elias. É basicamente a suspeita que mais se encaixa nisso depois de você.
Yeap. Ela concordava.
Gilly mordeu o lábio inferior parecendo pensativa e Joh riu baixinho sabendo que aquela visão deveria estar mexendo terrivelmente com Salvatore.
– Na verdade tem outra pe...- começara sendo interrompida bruscamente pelo Zac Efron barulhento entrando na caverna com sua carinha de bebê.
– Lennie, procurei você por toda parte. – murmurou animado enlaçando a cintura da namorada com um carinho típico humano. A garota sorriu parecendo constrangida enquanto seu olhar parecia gritar por socorro. RÁ, bem feito, quem mandou namorar o Leonardo DiCaprio quando gostava mesmo é do Ice Berg? – Hey, tem outra garota aqui! Isso me tranquiliza, por um minuto fiquei esperando que você estivesse me traindo com o Damon já que sempre parecem sumir juntos e tal.
O filho de Lúcifer sorriu com uma malícia perigosa.
– Lamentável frustrar suas expectativas Donovan, volte em uma hora e poderá encontrar a cena que tanto esperou. – retrucou em um tom ácido.
HAHA. Aquilo acabaria em barraco!
Elena fuzilou o servo com os olhos claramente chocados, mas Matt apenas ignorou indo em direção a Johanna.
– Um piadista, não? – perguntou bem humorado para a garota. – Sou Matt Donovan NAMORADO da Lenn, você é...?
– E aí Matt, Tia Glaucócia ao seu dispor. – respondera apertando a mão masculina rapidamente enquanto Gilly escondia o rosto nas mãos.
O barulho de pedra rachando ecoou e Marshall soube que o outro demônio estava se controlando muito para não destruir tudo.
– Glaucócia, sério? – os olhos azuis se apertaram de um jeito fofo. – Credo, vou lhe chamar de Gladys, ok?
Johanna fechou a cara alisando a sua peruca. Agora era oficial, ela era TEAM DAMON.
o loiro alto e até bem bonitinho voltou para o lado de Elena e beijou sua testa enquanto a enlaçava de novo.
– Matty, não é melhor você voltar? A queimadura da água viva...
– Eu estou bem, Lennie. Você é o meu remédio. – murmurou açucarado demais beijando os lábios da namorada por alguns segundos.
Tempo exato para uma pedra grande despencar do teto e amassar o pé de Donovan o fazendo gemer de dor.
Gilly levou a mão aos lábios horrorizada e o garoto loiro caiu no chão sofrendo com o peso da rocha em sua pele.
– DAMON! Damon o ajude agora! – Ordenara consternada enquanto o homem a obedecia parecendo preguiçoso e sem pressa alguma.
Removeu a pedra grande com uma facilidade que deveria ser estranha aos humanos, já que Elena fez sua boca virar um aeroporto de mosquito de tão impressionada que estava, e jogou para o lado acertando a outra perna de Matthew.
Aunt.
Aula de física: Qual é o tamanho do impacto que um pé sente quando uma pedra de massa extravagante é lançada com a velocidade média de um demônio?
Os gritos recomeçaram enquanto o pobre humano enchia os olhos de lágrimas.
Se ele fosse filho de Lúcifer levava umas porradas por causa da fraqueza.
O senhor do inferno era daquele tipo machão que se notava um traço se quer de fragilidade nos filhos escorraçava mesmo sem ressentimento. Ethan era a prova viva disso.
– Damon Salvatore! – Ralhou a voz doce. Pela expressão, Gilly estava prestes a ter um ataque de pelanca.
– Lamento, a pedra escorregou da minha mão. – Damon murmurara sarcasticamente retirando o pedregulho e dessa vez o jogando mais longe.
– Wow, você tem músculos bem fortes. – Elena exclamou tocando o braço do seu servo cautelosamente só para depois balançar a cabeça reencontrando o foco. – Digo, MATTY, VOCÊ ESTÁ BEM?
Johanna não aguentou e teve que rir.
Pobre oxigenado fracote, percebendo que perdeu a dignidade e a namorada no mesmo dia.
O Brad Pitt versão adolescente guinchou mais uma vez como um porco no matadouro e capotou no chão mostrando que os golpes foram demais para ele.
– Morto? – ela perguntou divertida aproximando-se mais da cena. Os pés masculinos estavam ralados e em um ângulo estranho. Definitivamente quebrados e isso sendo otimista.
– Desmaiado. – corrigiu Salvatore parecendo gostar mais da hipótese de Johanna do que da realidade. – Você fica com Elena enquanto eu arrasto o imbecil até a casa central?
Ela fez uma leve avaliação das opções e então bufou carregando Matthew.
– Tá brincando que eu vou ficar com a parte mais difícil? A Gilly “quebrou” de novo e agora você vai consertar. Nada de empurrar para a mamãe aqui. – respondeu observando a adolescente ajoelhada no chão fitando o nada com a expressão estática. – Deixo o Ken lá, toco a campainha e volto, é o plano perfeito!
“Vocês podem até se agarrar enquanto isso” quis complementar, mas achou que iria abusar da sorte.
Damon deu um sorriso torto de agradecimento e ela rumou para fora da caverna com a encomenda humana nos braços.
Esperava de verdade que os turistas tivessem tirado suas fotos na caverna, pois ela com certeza seria destruída naquele dia.
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POV- Elena Gilbert.
Ela não conseguia acreditar naquilo! Matt podia estar gravemente ferido e ele ria loucamente da situação?
– Foi sem querer Petrova. – explicou-se com um ar divertido enquanto a garota o estapeava recuando ao notar que ele avançava nenhum pouco abalado.
– Sem querer? A pedra despencar do teto da caverna e esmagar o meu namorado foi sem querer?
Damon entortou os lábios, levemente irritado com algo.
– Precisa mesmo chama-lo assim? – ao notar que ela grunhia de impaciência suspirou cansado. – Já disse que sempre que o Donovan chegar perto demais do que é meu, vai sofrer acidentes. Não posso deixa-la em perigo, sabe como é. – seu tom era tão sarcástico que Elena desejou pegar a pedra e jogar naquele cabelo preto desgrenhado.
– E você, Jesus-versão-Dark, não é perigoso para mim? – formulou de forma retórica sentindo suas costas se chocarem contra a parede rochosa.
O demônio sorriu maliciosamente. Seus olhos cinzentos ardiam em algo inebriante.
– Não.
– Pois eu acho que seja! – berrou desafiadora consciente demais do rosto lindo a centímetros do seu.
– Peça uma medida cautelar então. – Ele se inclinou alcançando seu ouvido enquanto apoiava a mão na parede atrás da garota.
A respiração no seu pescoço fazia com que Elena sentisse cada célula do seu ser ensaiando passinhos de Carnaval e seu coração decidiu adotar um partido contrário ao dela, fazendo um protesto caloroso dentro do seu peito.
– V-ocê não iria ficar longe de mim. – gaguejou ridiculamente enquanto os lábios de Salvatore roçavam o seu pescoço deixando um rastro quente que formigava sua pele lhe roubando suspiros. Seu perfume era outra tortura.
– Nunca. – fora a sua confirmação enquanto alcançava sua orelha e a beijava de leve.
A garota arfou de forma vergonhosa e o demônio levou aquilo como um sinal para deixar sua mão correr até a cintura feminina a enlaçando por baixo da blusa de forma possessiva.
Seus corpos se colaram mais e Lenn pode sentir cada linha perfeita do abdômen de Salvatore contra si.
Ela sabia que precisava fazer algo, ela tinha um namorado... não tinha?
Buscou palavras para dizer mesmo não conseguindo raciocinar. A linha tênue entre a sanidade e a loucura havia se partido.
– Eu gosto de você. – falou como uma criança da segunda série confessando a “paixonite” por um amiguinho.
A mão escaldante subiu por suas costas com uma volúpia tão grande que Elena por alguns instantes achou que alcançaria seu sutiã, mas o toque se reteve antes disso e Damon retrocedeu parecendo se controlar aos poucos.
– É recíproco. – riu com a voz rouca no seu ouvido talvez também achando graça da forma infantil que ela usara para se declarar.
Um sorriso idiota iluminou seu rosto parecendo deixar a caverna menos escura. Era o momento perfeito para ficar calada, mas nãããão ela tinha que abrir a boca.
– Você me disse no dia das perguntas que demônios não amam.
Damon ergueu a cabeça a olhando e ela percebeu que a bela íris azul estava se impregnando de vermelho de uma forma sombria.
Respirou fundo tentando recuperar o ar perdido naqueles segundos no paraíso e deixou que suas pálpebras caíssem enquanto sentia o polegar dele caminhando por sua bochecha até seu lábio inferior. Tão leve que poderia ser apenas o vento.
– E você acha que eu a amo por me fazer gostar de você, Petrova? – as palavras duras saíram embalsamadas em uma voz macia que mesmo assim não escondia uma pitada de irritação. Como uma faca escondida embaixo de um lenço de veludo. – Como eu poderia amá-la por me fazer tão fraco e idiota a ponto de querer uma humana mais do que qualquer um já quis algo no mundo? – ele riu como se as palavras soassem erradas aos seus ouvidos e Elena suspirou levando a mão até sua nuca como se isso garantisse que ele nunca mais sairia do seu enlace. – Não Lenn, eu realmente a odeio. Como disse, você é a minha ruína.
Se um especialista em declarações amorosas ouvisse aquilo certamente diria que se adequava mais à modalidade “ofensa” do qualquer coisa, mas ainda assim o coração da adolescente seguia surdo para qualquer aviso.
Vindo de Damon Salvatore, até ouvir um “você é terrivelmente lenta” derretia seus ossos.
– Posso conviver com isso. – respondeu brincando deixando que seus olhos vislumbrassem mais uma vez o rosto perfeito à sua frente.
Ele revirou os olhos sorrindo e, com o azul dissipando qualquer fragmento vermelho, a beijou.
Seus lábios pressionaram-se contra os seus como se a princípio desejassem apenas um dos famosos selinhos que costumavam dar e ela ficou na ponta dos pés prestes a impedir que ele saísse.
O filho de Lúcifer riu da sua tática e a apertou mais contra a parede abocanhando seu lábio inferior como se tentasse gravar a textura e o sabor contido nele.
O toque era tão macio e a temperatura tão acolhedora que a súbita delicadeza e lentidão de Salvatore a torturavam.
E era óbvio que ele sabia muito bem disso.
A mão quente em suas costas deslizou dessa vez com mais força e seus lábios se entreabriram mais fazendo com que sua língua roçasse a parte lateral da de Elena como se pedisse permissão para intensificar o beijo. A mão feminina agarrou o cabelo negro e, reprimindo um gemido de pura satisfação, encaixou seus lábios nos dele deixando bem clara a resposta.
Percebeu um calafrio tomar sua espinha e seu coração começou a achar que era a Beyoncé em um Show importante. Podia sentir seu corpo reagindo sem que permitisse, tentando colar-se mais ao demônio enquanto ele brincava com a sua língua de um modo que deveria ser proibido.
Definitivamente nada no mundo era melhor do que beijá-lo, se bem que... ela podia imaginar algo que conseguisse superar aquilo.
Mesmo colados sempre parecia haver um espaço a ser ultrapassado e Lenn se tornou tão impaciente quanto saberia que a Outra seria. Odiava as roupas que a separavam de Salvatore, odiava o ar que conseguia ficar entre eles e principalmente odiava a lei da física que os impedia de ocupar o mesmo espaço.
Vivenciava o frio gostoso de quando enfrentava um loop da montanha russa, e uma alegria misturada ao desejo ameaçavam explodir em seu corpo. Era como um sonho. Como beijar a única pessoa no mundo feita para beijar você.
Damon intensificou o ritmo com uma urgência que, a princípio, fez com que Elena separasse seus lábios para encher seus pulmões de ar. Depois simplesmente acostumou-se com a ideia de que morrer asfixiada agarrando o seu demônio valia muito mais apena do que viver e interromper aquilo.
Sua pele se arrepiou sob a dela e Joaquina-Elena (era esse seu nome, não era?) não conseguiu esconder a satisfação de vê-lo tão humano e suscetível. Quase como uma vingança ou algo do tipo.
Inclinou o pescoço tentando absorver mais do beijo e sentiu o gosto doce dos seus lábios invadir seu corpo a fazendo tremer em um desejo tão pecaminoso que até Lúcifer ficaria horrorizado.
Sua alma flutuava por mundos desconhecidos, imersa demais na sensação de tê-lo a tocando e longe o bastante para esquecer qualquer outra informação que não fosse essa.
É, ela estava ferrada.
Nunca mais conseguiria desgrudar dele. Damon intensificava todas as melhores coisas da vida.
Foi então que arquejou e, dessa vez, não era de desejo.
Sentiu a água gelada descendo por seus cabelos e rosto a fazendo dar um pulo de sobressalto. Droga, água caindo do teto do nada era sinal de que tudo era um sonho bizarro. Descolou sua boca do holograma que sua mente havia criado, ainda praguejando e passou a mão no rosto tentando se livrar das gotas que a irritavam.
Abriu os olhos revoltada por ter acreditado que Damon alguma vez a beijaria e se deparou com o mesmo, também encharcado, olhando para o lado com a testa franzida.
Resolveu seguir a direção que o azul acinzentado apontava e encontrou a figura de Jeremy com os olhos semicerrados e um balde inclinado ainda meio cheio.
– Caham. – fingiu pigarrear com um olhar de censura para o casal promiscuo. – Não sei se vocês perceberam, mas... Elena, você estava agarrando o meu melhor amigo. Damon, você estava engolindo a minha irmã! – acusou irônico e mal-humorado.
Os dois se fitaram, finalmente desgrudando as mãos que enlaçavam o corpo um do outro fazendo com que ela voltasse ao chão.
Satisfeito com o novo espaço que se criou entre os dois ensopados, o filho mais novo dos Gilbert esboçou um sorriso de contentamento.
– Elena, seu namorado está morrendo de dor e vamos leva-lo ao hospital mais próximo em alguma cidade vizinha. Seria legal se viesse pelo menos se despedir. – Sua voz era calma, mas ele mantinha os olhos durões. – Damon depois do que vi aqui é melhor pedir minha irmã em casamento ou o Sr. Cinza vai comprar um fuzil de última geração – ameaçou gostando do efeito que suas palavras causaram.
Depois riu com seus cinco minutos de chefe de família e se encaminhou para sair da caverna. – Ah, outra coisa, a sua irmã adotiva está lá em casa com uma peruca dizendo se chamar tia Glaucócia, isso é... tipo, normal?
Jeremy deixou a cabeça pender para o lado enquanto estreitava apenas um dos olhos castanhos.
– Acho que talvez seja o trauma do acidente dos pais, ela vai ficar bem. – Damon respondeu com a voz levemente rouca.
O garoto assentiu uma vez parecendo pensativo e saiu da gruta carregando o balde que parecia conter a dignidade da irmã.
Sabia que deveria sentir culpa, ódio de si mesma ou algo assim, mas a sensação dos lábios demoníacos nos seus estava tão viva em sua mente que era impossível sentir qualquer coisa que não fosse felicidade.
Maldito Hellboy!
Fez uma careta olhando discretamente para Salvatore que a encarava com um sorriso malicioso no rosto.
Como ele conseguia não ficar envergonhado depois de... depois de tudo?
Ignorando suas perguntas silenciosas, Damon se aproximou levantando com delicadeza o queixo feminino para olhar o castanho amendoado.
Seu polegar roçou o lábio inferior da garota e, enquanto ela se derretia, obrigou-se a dizer algo.
– Pensei que eu não fizesse o seu tipo. – murmurou tímida e sem entender porque escolhera aquela frase no meio de tantas outras naquele momento.
Seu demônio riu levemente, tirando uma mecha de cabelo castanho que havia grudado na bochecha de Lenn.
– Inventei aquilo para que não percebesse que, na realidade, você é a única no mundo que faz o meu tipo. – sua voz rouca e perfeita soou, fazendo com que ela perdesse parcialmente o controle das suas pernas.
Um frio que subiu do seu ventre até o coração, arrepiou sua pele e a fez sorrir instantaneamente. Não chegou a pensar que um dia, seria tão feliz assim.
E foi imersa nessa felicidade, que aceitou que Damon colasse novamente os lábios mornos nos seus.
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Notas finais
HAUAHUAHAUAHAUHS Percebi que minha fic é muito romântica (cof, cof) a declaração de amor é "Te odeio, você é minha ruína" e o primeiro beijo, beeeeijo, acontece em uma caverna escura e do mal onde um pobre namorado traído teve os pés quase estourados.
Tipo, lindo -QQQQQ
xDDD, espero que não me deixem depois desse capítulo.
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