Demônios Não Amam.
12 O jogo de máscaras de Purplerock - Parte 01
Notas iniciais
Nah meus xuxulis de morango, dividi o capítulo para não ficar tão gigante e vou tentar diminuir o número de páginas daqui em diante para não tornar a leitura cansativa.
Beijo açucarado para minhas leitoras e boas vindas para as novas também. Muito obrigada por favoritarem, comentarem, acompanharem e me aturarem! Vocês são minhas latinhas de leite condensado *O*.
Dedico essa parte do capitulo para as minhas publicitárias lindonas que saem divulgando a fic e me deixando saltitando aqui como uma pulga feliz.
Thaizita sua linda obrigada pela recomendação gamante, MPs sedutoras e por colocar um trecho da fic no perfil. Smack em você ♥
Bloodzita minha sogra-nora de fic, você é minha BFF aqui no nyah. Obg pela recomendação lá na sua fic perfeita. Teamo ♥
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– Não fico nesse lugar nem mais dois minutos! – declarara fazendo com que convidassem algumas pessoas e partissem para a velha casa de praia da família Gilbert nos arredores praieiros de Purplerock.
Elena não tinha mais esperanças de contactar Bonnie, e Caroline já havia viajado para outro lugar então Matt, como seu namorado, foi a escolha óbvia. Seus pais chamaram Jenna e Greg Turpin, Jeremy chamou Lucy e Damon, Victória.
Sim, toda essa gente. E isso para não contabilizar Johanna que invisível ou não era uma boca a mais para atacar gostosuras açucaradas.
O fato é que uma viagem (especialmente com Victória) era o que menos precisava no momento. Damon e Johanna tinham intensificado os treinos com o recesso escolar devido ao Luto exagerado (que já emendara com as festas de ação de Graça e Natal) e a privacidade de Mystic Falls era imprescindível para continuar com o ritmo.
Ela estava muito mais ágil e já conseguira enfrentar dois demônios devido a isso (ok era Johanna e uma duplicata, mas ainda assim dava para ser contabilizado, ok?). Se parasse, enferrujaria com toda a certeza do mundo.
A menos, é claro, que conseguisse se unir totalmente à Outra Elena.
Encontrar um meio de juntá-las era quase como encontrar a cura para a TPM — nada do que tentavam dava um resultado perfeito-. Meditar, fazer exercícios de visualização, tentar imitá-la... Nada. As coisas só passaram a melhorar mesmo quando a garota começara a apresentar melhores rendimentos nos treinos já que, agora, sempre que lutava sentia a “presença” da Outra a tornando completa. Mesmo assim sabia que não havia chegado à sua totalidade e isso a preocupava.
Matthew era outro grande problema. O loiro era gentil, amável e nada ruim como companhia, mas não era o que ela queria ou precisava. Ele soava um pouco... Humano demais, se é que isso fazia sentido.
Elena agora queria tudo menos a normalidade e não duvidava que Damon a estivesse influenciando ou algo assim porque era bem a cara dele.Uh, isso soava como aquelas pessoas de baixa ou média condição financeira que ganhavam na loteria e repentinamente esnobavam qualquer pessoa que não tivesse muito dinheiro.Nah, que se dane. Ela podia até ser uma “Nova rica” no quesito sobrenatural para namorados, mas ainda era a mesma no fundo.
Não era?
Nunca parara para pensar nisso com calma já que nenhuma mudança era algo repentino que chamasse a atenção. Gradual era o nome correto e normalmente quando se percebia que ficara bom em algo ou piorara em aspecto x, já era “tarde” demais.
Ela estava mais forte, talvez um pouco mais feliz com a família unida e a presença de Johanna a esquecendo de Bonnie e sua desfeita.
Mas o que mais mudara sem dúvidas era a sua relação com Damon.
Sempre estivera atraída por ele e não se culpava por isso porque, pff, quem não sentiria atração por aquela figura?
Agora, entretanto, algo novo e sufocante surgira. Algo realmente terrível e idiota: começara a amá-lo.
Era ridículo, sofrível, sem noção e patético até mesmo para ela, mas o amava de uma forma avassaladora e isso só a deixava mais desesperada e aflita, pois amar um demônio com certeza devia constar na lista de “maiores idiotices do mundo para se fazer”, e mesmo sabendo disso não conseguia parar. Como um vício ou uma doença.
E ela duvidava muito que naquele mini-Caribe tivesse a cura para tal enfermidade.Purplerock era comumente chamada de “Ilha” devido ao visual praieiro paradisíaco sem shoppings, lojas ou qualquer coisa necessária para se morar lá.
Um posto de saúde e uma mercearia eram os únicos estabelecimentos oferecidos naquele fim de mundo além de uma pequena barraca de lembranças com pedras roxas retiradas da caverna que dava o nome à cidade.
A casa antiga herdada há séculos pela família Gilbert ficava na encosta e de longe era muito comum confundi-la com algum estabelecimento litorâneo de diversão. A construção era dividida em chalés tropicais interligados por pontes de madeira sob a água. A “cabana” central era grande e aconchegante, com enfeites meio bregas de conchas, objetos praieiros e dois quartos confortabilíssimos com suítes. Quando apenas Elena, Jeremy e seus pais iam, ficavam todos lá quentinhos e protegidos aproveitando a vista surreal. Agora com a torcida do Boston Red Sox indo junto, a coisa ficava mais complicada.
Os chalés sobressalentes pareciam querer fazer uma total oposição à construção central: Duas cabaninhas minúsculas e apertadas com goteiras, infiltrações e moveis rústicos feitos pelo Tarzan.
Sua falecida avó certa vez lhe contara que foram construídas na época da escravidão e que aqueles dois compartimentos tinham a função principal de abrigar os escravos e criados que juraram sempre amaldiçoar o local.
Assombrados ou não, Elena, Victória, Lucy, Johanna, Matt, Damon e Jeremy tiveram que ficar lá em uma ordem de meninos para um lado, meninas para o outro enquanto seus pais, Jenna e Turpin desfrutavam da casa grande.Sacanagem, mas era a vida.
Matt e Salvatore eram os melhores amigos de J tornando a divisão de chalé perfeita, mas no seu caso era puro apocalipse.
Victória a tratava por “cunhadinha”, e na frente do Sr. e Sra. Gilbert era fofa e adorável, mas quando estavam à sós nunca perdia a oportunidade de lhe dar alguma alfinetada significativa. Havia adquirido um ciúme patológico de Damon e odiava perceber que todos os dias o seu namorado sumia com a irmã-de-intercâmbio.
Já Lucy, embora fosse muito educada, a observava analítica demais e sempre evitava conversas muito longas com Elena, como se a menina tivesse alguma doença contagiosíssima que pudesse ser passada depois de duas frases.
Praticamente um Bullying, mas tudo bem dava para aguentar.
Suspirou frustrada deixando que a brisa marítima levasse seus problemas.
Queria nem que fosse por meia hora parar de pensar em tanta coisa, mas sabia que, se o fizesse, daria a liberdade para sua mente seguir por caminhos que gostaria de evitar...
A imagem do sangue negro correndo no chão enquanto alguém muito parecido com ela segurava uma estaca, era tão nítida que sempre que se lembrava sentia-se mal.
Ela não era hipócrita, o que a outra Elena fizera foi improvisar com os recursos que tinha e ela mesma teria que matar ou aprisionar qualquer demônio que se metesse em seu caminho.
Só que mesmo sabendo de tudo, a morte de Betto Dawson fora traumática.
Principalmente depois que Damon lhe falara que se ela conseguiu matar o menino de cachinhos sem armas com símbolos estranhos, era porque ele era metade humano. Filhos de Lúcifer com humanas nasciam demônios completos, mas filhos de demônios comuns com humanas herdavam cinquenta por cento de cada e eram mortais. Injusto como qualquer outra política.
Sim, essa maldita humanidade a tirava do sério, porque no final enchia sua boca com o gosto de ter matado uma pessoa e não um monstro.
Balançou a cabeça negando o pensamento e notou consternada que Johanna havia abrido mão da invisibilidade e estava ao seu lado trajando uma peruca curta completamente desajeitada.
– Por favor, me diga que só está visível para mim e que essa peruca é apenas uma tentativa frustrada de fazer um cosplay do Robert Pattinson. – implorou já checando os dois lados para ver se alguém estava por perto.
Um casal caminhava distraído pela praia e Miranda parecia colher conchas a alguns metros de distância, mas tirando isso, a área parecia tranquila.
Marshall passou a mão pelo guaxinim morto (que é o que parecia aquela droga) e fez uma careta ofendida.
– Estou disfarçada, que é quase a mesma coisa de estar invisível, fique tranquila. – Puxara óculos escuros colocando-os em sua face. – Pronto, agora me chame de Tia Glaucócia e ninguém perceberá nada de estranho.
Elena a encarou perplexa.
– Tentativa fantástica 007, só que não. Jeremy já a viu, esqueceu?
Os olhos cor de mel se reviraram através das lentes escuras.
– Ele viu Johanna Caltron não tia Glaucócia. – murmurou levemente irritada enterrando seu pé na areia.
– O problema é que a tia Glaucócia é Johanna Caltron com um gambá na cabeça e... — Suspirou cansada demais para levar aquela discussão a diante e resolveu concentrar-se em seu foco. – Deixa pra lá, comece logo o relatório.
Feliz por ter ganhado aquela “guerra”, a serva de Lúcifer sorriu deitando na areia e se apoiando sob os cotovelos.
– Até agora não descobrimos nada muito interessante. Os símbolos parecem uma junção de desenhos comuns de diversas mitologias, como se fosse um encantamento ou algo assim. Aparentam ser capazes de matar qualquer criatura mística apenas com um golpe e até agora temos indícios de que Elias era o único fabricante. – disse com simplicidade encarando as ondas quebrando na encosta.
Elena a imitou tentando raciocinar com mais clareza. Algo parecia errado nisso tudo.
– Então bem provavelmente foi o próprio Dawson que matara Jenny Wolf. – concluiu assentindo para si mesma para soar mais “correto”.
Um gemido meio incerto escapou pelos lábios de Johanna fazendo com que a menina virasse seu corpo para olhá-la.
– Na verdade Gilly, essa é só uma das teorias e a mais fraca de todas.
– Bom, eu acho bem coerente. – sussurrou sabendo que não era. – Elias por algum motivo qualquer matou a menina e quis fugir para a terra se escondendo de Lúcifer. Só que não podia mais recorrer a contratos ou o Chefão o acharia, assim me atacou para poder ficar com a chave, fim!
Johanna apertou os olhos por alguns momentos e então franziu o nariz em uma careta.
– Sua teoria tem muitos furos American Idol! Primeiro que ele não a perseguiu, você foi lá por livre e espontânea vontade: Ele só se comportou como qualquer um que percebesse uma maleta de dinheiro o seguindo se comportaria. Segundo que ele era meio humano igual ao filho, já que foi morto por Salvatore sem a utilização da lâmina fabricada por ele, o que indica claramente que podia ficar na terra mesmo sem a chave. Apenas demônios completos ficam “amarrados” ao Inferno, Gilly. E por último, mesmo que tenha sido o único fabricante do armamento, não podemos excluir toda e qualquer pessoa que tenha acesso a ele de ser o assassino. Habitantes de Mystic Falls em geral e de cidades vizinhas, basicamente.
Elena engoliu em seco sentindo o perigo daquelas palavras.
– O que leva todo mundo a sugerir meu nome, já que eu sou contratante de Salvatore, conhecia Elias e me comporto de uma forma distinta da qual humanos costumam se comportar. Faz sentido. – Murmurou fingindo prestar atenção na água salgada de um azul quase verde.
Falar aquelas palavras doía mais do que uma facada no peito. Imagine que repentinamente você sofre uma amnésia e quando acorda as pessoas apontam mil provas de que cometeu um crime horrendo. Todos os indícios apontam para isso e até você mesmo passa a dizer “é provável”, mas no fundo... Bem no fundo, sente que não é o culpado. Essa era a sua história. – Jô, você acredita mesmo que fiz tudo isso? – não se conteve abraçando os joelhos de forma protetora.
A sósia da Mila Kunis retirou os óculos de sol parecendo querer fitar seus olhos sem empecilhos e, após leves momentos de reflexão, riu.
– Não, você não tem esse borogodól todo. Nem você nem a Tarad-elena – respondera mordendo a alça dos óculos de forma brincalhona. – Lembre-se que as coisas dificilmente são o que parecem ser Gilly então relaxe aí e vê se bronzeia essa sua perna branquela.
Um sorriso mínimo escapou por seus lábios e em vez de melhorar, sentiu-se mais arrasada.
Marshall só acha isso porque a garota nunca mencionara seus sonhos com o menininho de olhos azuis acinzentados.
Johanna bufou de irritação batendo na sua perna com força.
– Tire essa cara de cachorro molhado do rosto agora ou eu juro que forjo umas fotos bem picantes de você em uma orgia com o Zac Efron e o Salvatore e mando de presente pro Sr. Gray.
Os olhos castanhos se apetaram tentando parecer tão perigosos quanto a ameaça da outra.
– Vocês precisam parar com isso ou meu pai vai me colocar em um convento com um cinto de castidade.
__________________________________________________________________Bater na porta da cabana de Salvatore irritada e querendo sua morte, já havia virado rotina nos últimos tempos, mas ainda assim o demônio sempre a atendia com um ar cínico e inocente. Quase como se a vilã da história fosse ela.
– Acho que a sua cabana fica para lá Elena. – apontou para a esquerda com um sorriso malicioso no rosto que contradizia o tom leve e natural da sua voz.
Filho da...!
– Hahaha, que engraçado. – explodiu com ironia passando por seu corpo e entrando no chalé sem nem esperar um convite. – Agora conserte o que você fez! – exigiu como uma criança birrenta, cruzando os braços e batendo um pé.
Salvatore apenas riu, adorando a situação.
– Lenna? – perguntou Jeremy parecendo agasalhado demais para o clima tropical. Ele ergueu uma das sobrancelhas virando-se para o colega de quarto. – Porque nos últimos tempos eu sinto que a minha irmã aparece mais aqui atrás de você do que a sua namorada, Damon?
Elena corou levemente irritada pela conversa de “irmão-mais-velho-ciumento” que surgia como se ela não estivesse lá e Salvatore fingiu estar perplexo enquanto apontava para a garota.
– Você pergunta isso para mim?- defendeu-se como se fosse a vítima da situação.
A menina avançou batendo em seu braço direito com força enquanto ele tentava segurar a mão feminina que o castigava.
Jeremy riu balançando a cabeça em negação e passou pelos dois saindo do chalé. Reteve-se na porta apenas para gritar:
– Vou trancar a porta antes que os dois Donovan traídos resolvam aparecer. – brincou ganhando uma careta de irritação da irmã que o mandava claramente ir para o raio que o partisse.
Assim que Jeremy se afastou (realmente trancando o lugar), o demônio sorrira de forma mais maliciosa finalmente a imobilizando.
Era ridículo o quanto pouco adiantava melhorar nos treinos quando o assunto era lutar com Salvatore.
Debateu-se como um peixinho apanhando por uma rede de pesca até ficar cansada demais até para isso.
– Ordeno que me solte e que conserte o que fez! – exigiu erguendo o queixo para soar mais ofensiva.
Nos últimos tempos apelava tudo para o “ordeno” desde que vira o quanto seu clone se saíra bem com a tática.
O demônio deu de ombros largando o seu pulso.
– Adoraria ajuda-la, mas não tenho ideia do que está falando. – mentiu descaradamente sentando-se no minúsculo sofá do lugar.
– Ah é mesmo? Não lembra? Ok. Vou refrescar sua memória então. – murmurara entredentes. – Parece familiar a cena de dois namorados que não conseguem mais se tocar porque sempre que o fazem um desastre natural acontece? – Ao notar que ele parecia conter o riso, estreitou os olhos. – NÃO TEM GRAÇA! Matt hoje já foi derrubado por uma onda gigante, eletrocutado umas mil vezes e agora está lá na casa principal quase desmaiando de dor porque uma água-viva achou muito engraçado unir a coisa do mar com o “choque” e o feriu.
Damon já não se continha e ria divertido como uma criança fazendo com que inconscientemente Elena sorrisse. Ele ficava tão absurdamente lindo daquela forma, como se toda a sua essência demoníaca ficasse trancada por alguns minutos em um lugar escondido do seu ser.
Nah, droga. O amor era ridículo. Balançou a cabeça reunindo algum juízo interior e pôs as mãos na cintura para passar autoridade.
– Ordeno que pare com essa palhaçada e deixe Matt em paz!
Os risos cessaram levemente e ele a olhou com os olhos cintilando em superioridade.
– Lamento informa-la Lenn, mas não preciso seguir uma ordem quando ela põe a minha vítima em perigo eminente, lembra? – Explicou recostando-se mais no sofá de um jeito distraído e vitorioso.
Era impossível esquecer a regra, foi a mesma que o “impediu” de cumprir a ordem de não fazer nada contra Bonnie Bennett. Só a sua aplicação que parecia estar completamente sem noção naquele caso.
– Matt não me põe em perigo! – gritou o óbvio percebendo com pesar que ele não se abalara em nada com a frase.
– Isso sou eu que julgo. – a voz do demônio agora estava recoberta de um divertimento malicioso, como aqueles vilões de novela após conseguirem colocar os bonzinhos em alguma fria. – Para você parece que abraçar o imbecil do Donovan não é perigoso, mas para mim é praticamente letal. Ele pode aproveitar o momento e a esfaquear ou qualquer coisa assim e é melhor não correr o risco. –respondeu com o ar de falsa inocência que o deixava terrivelmente charmoso.
Elena revirou os olhos.
– Tudo bem, você vai jogar baixo assim, eu também vou fazer a mesma coisa! – Ameaçou levantando o indicador na sua direção. – Ordeno que tudo de ruim que ocorrer com o Matt ,ocorra com Victória quando ela estiver com você. AHÁ. – Comemorou como uma idiota gostando de verdade de como aquilo soava.Tchau Vick Vaporub, Tchau Vick Vaporub.
Damon suspirou resignado.
– Sem problemas. – disse de forma simples só sorrindo quando a menina pareceu atônita. – Na verdade é um favor que você me faz.
A frustração fez com que fizesse uma careta até simplesmente cansar e se jogar no sofá ao lado do seu servo.
– Porque você ainda está com ela se é um estorvo tão grande assim?- perguntou fitando o teto feio de madeira. Possuía menos goteiras que o da cabana feminina e cogitou por alguns segundos ordenar que Damon fizesse os meninos trocarem de alojamento. Só desistiu porque não partilharia do conforto com a Vaca-Vick e a Lucy-estranha.
– Faço a mesma pergunta quanto a você e o Donovan.
O castanho enjoou da madeira velha e absorveu um pouco do azul acinzentado hipnótico quase perto o bastante para ser apreciado como devia.
Formular a resposta era difícil. Isso porque ela teria que decidir entre uma mentira enorme ou uma grande.
– Matty não é um estorvo para mim, porque encrenca tanto com a ideia dele ser meu namorado? – indagara rapidamente antes que falasse demais e lhe desse a chance de encher seu saco pelo resto da vida.
Esperou que ele respondesse “Para proteger sua alma daquelas garras loiras, etc, etc.” (resposta aliais, que não fazia o menor sentido), mas ele a surpreendeu novamente com uma simples frase bem humana.
– Ele não serve para você.
Havia um teor de verdade nisso, mas ela sentia que era o oposto. Ela é que não servia para Matthew. Não agora depois de tudo que acontecera.
– Pensei que só fossem ciúmes. – fungou brincando enquanto encarava o mar furioso através da janela.
– Uma coisa não anula a outra. – a voz rouca soou enquanto sua visão periférica a alertava de que ele ainda mantinha os olhos no seu rosto. – Sim, eu tenho ciúmes e sim, ele não serve para você.“ciúmes da minha alma, ciúmes da minha alma, ciúmes da minha alma” – repetiu o mantra mentalmente antes que seu coração resolvesse se empolgar mais do que deveria, ou seja: 0,00001%.
– Aposto que se depender de você eu fico para titia! – riu selecionando uma mecha do cabelo e a desembaraçando com os dedos. – Quem serve para mim Salvatore? Você?
A última frase não fora planejada para ser dita em voz alta, mas não se importou muito quando percebeu que dissera. Depois do que a Outra Elena fez, ela podia dizer qualquer coisa que nada pareceria indireto demais.
– Talvez servisse. – ele respondeu um pouco menos divertido que anteriormente, como se estivesse cauteloso. – Se eu não fosse inteligente o bastante para perceber que você é a minha ruína.
Elena não soube se ele estava brincando ou se deveria levar a frase a sério, mas o fato é que ela poderia ter tantos significados que a menina resolveu escolher a que sua lentidão cerebral apontava como o melhor caminho: “ele estava a ofendendo de brincadeira como sempre”.
– “Ruína”? Isso foi romântico, espera que vou anotar no meu diário. – murmurara divertida tentando quebrar o incômodo que Salvatore parecia sentir. Quase conseguiu, se não fosse a sua estúpida curiosidade insistente. – Mas porque sou sua ruína, Hellboy?
Ele suspirou ruidosamente como se parecesse exausto e então levantou-se oferecendo a mão para ajuda-la a se erguer também.
A adolescente aceitou o gesto meio confusa. Não queria aborrecê-lo de alguma forma insistindo, mas definitivamente merecia uma resposta.
Mordeu os lábios tentando impedir-se de falar algo que o pressionasse, mas graças aos deuses nem precisou.
Damon destrancara a porta sem nem tocar na madeira e quando ainda a mantinha aberta para Elena sair, entreabriu os lábios para responde-la.
– Porque quando estou perto o suficiente de você, me sinto capaz de cometer a mesma idiotice que Ethan cometeu séculos atrás.- disse parecendo saber muito bem que ela não entenderia nada.
________________________________________________________________________Não sabia se seu namorado ainda estava mal ou ela só estava paranoica, mas o fato é que não deixou Matthew sair da cama mais durante aquele dia.
Sua queimadura estava estranha e nah, melhor prevenir que remediar.
Elena aproveitara o tempo sem o loiro para ajudar Jenna a preparar uma lasanha só para matarem as saudades.
Era engraçado ver a tia tão radiante falando o tempo inteiro de como seu novo “namorado” era fofo, educado, culto, gentil, caridoso e mais sei lá quantos adjetivos. Soava como uma adolescente apaixonada pelo par do baile de inverno e, isso, era ótimo.
Ela mais do que qualquer mulher no mundo merecia encontrar uma nova alma gêmea depois do trágico acidente de John. Um homem que a amasse do jeito que ela merecia ser amada. Alguém como Greg...
Não. Mesmo que adorasse acreditar naquilo, Elena não conseguia.
Gregory fora gentil ao não comentar do encontro que teve com a Outra, mas ainda assim tinha algo em sua aura que parecia repulsivo. Isso para não esquecer que o próprio dissera que não pretendia ter um compromisso sério com Jenna.
Não, definitivamente ele não era o cara perfeito para sua doce tia e graças aos Céus em breve sumiria de suas vidas.
Lucy a auxiliou a arrumar a mesa e em pouco tempo todos foram atraídos pela fama culinária majestosa de Jenn.
Todos menos Matt, é claro.
Damon tivera a ousadia de ao passar por ela à procura do seu lugar, aproximar-se por trás e depositar um beijo em seu pescoço que mexera com toda a constituição do seu ser.
Corou absorta, mas ninguém parecera notar nada de alguma forma. Só Lucy os fitava com sobrancelhas unidas a fazendo ficar ainda mais vermelha.
Encarou o prato sentando-se e procurou ao máximo ficar “invisível” para os demais.
Infelizmente o destino parecia ter outros planos para ela.
– Então Elena, frequenta alguma religião em especial? – indagara Gregory do nada.
– S-sou batizada. – foi o que saiu dos seus lábios.
Grayson olhou o pastor com desconfiança. Os Gilbert nunca foram de fato muito religiosos e se aborreciam facilmente com a pressão que pudessem fazer por causa disso.
– Ensinamos nossos filhos a respeitarem todos os preceitos da educação e do amor sem precisar de pregadores, Reverendo. – pontuara com o ar rude enquanto Miranda o cutucava discretamente para que fosse gentil.
– Longe de mim duvidar disso, é notável que seus filhos têm uma educação primorosa Grayson. – esclareceu como um diplomata com sua voz sempre contida e calculada. – Só que a maldade costuma gostar da beleza, especialmente a feminina. Meu instrutor no seminário costumava dizer que...
– Concentre-se na beleza de Jenna, padre e deixe que eu me preocupe sozinho com a da minha filha. – Cortara com os olhos levemente enrugados pela idade franzidos do jeito típico que ficavam quando não gostava de algumas pessoas.
– Já o faço, senhor. – Turpin fora maluco o bastante para dizer enquanto ajeitava uma das mangas da camisa social fazendo a garota visualizar três símbolos tatuados em seu braço.
Os mesmos símbolos que constavam na sua adaga feita pelo seu Elias.
Aquilo fez com que seu coração gelasse. Era impressão sua ou o pastor aparentava saber de algo sobre sua relação demoníaca?
E mesmo assim, se sabia de tudo, porque parecia adorar Damon e conversar com ele por horas enquanto só separava para ela os olhares mais dissimulados e comentários suspeitos como aquele?
Era ele o assassino de Jenny Wolf? Era religioso então tinha todos os motivos do mundo para querer matar demônios, estivera no bar naquela noite e sabia os símbolos.
Não. Ela só podia estar louca e paranoica.
Trocou um rápido olhar significativo com Damon e o demônio assentiu de leve afirmando que havia visto as marcas.
Miranda deu um sorriso apaziguador de ânimos fazendo comentários sobre a lasanha e Vick e Jenna se puseram a ajuda-la introduzindo outras trivialidades no assunto. Mesmo assim, era tarde para fazer algo.
Jeremy parecera perder a fome assim como Elena; Damon fingia-se calmo de um jeito suspeito. Lucy a encarava sem nem piscar e Gregory aparentava estar obviamente deslocado.“O que eu perdi? Uma veia na testa do seu pai parece que vai arrebentar!” – perguntara Johanna vestida de “nada” .
Virou-se na direção do Sr. Cinza com descrição e checou a “fofoca” constatando que Johanna estava certa. Estranho, seu pai nunca ficara irritado com alguém por tão pouco.
– Querida, o que acha de compartilharmos a novidade com seus familiares? – Turpin perguntou para Jenna em um tom gentil fazendo com que a mulher risse um pouco constrangida.
Os murmúrios constrangidos na tentativa de forjar uma conversa morreram e todos esperaram a grande novidade.
Com uma fé idiota e infantil Lenna torceu para que eles apenas comunicassem que resolveram comprar um cachorro.
– ESTAMOS NOIVOS! – Jenna gritou erguendo os braços em uma felicidade marcante e confirmando os piores pesadelos de Elena.
Sentiu sua pressão baixar enquanto o som das ondas batendo contra rochas foi por alguns segundos a única coisa ouvida no ressinto.“Sua tia fumou alface transgênico, esse cara parece doido. Depois ela vai aparecer naquele programa ‘Com quem %$#%#& me casei?*’”
Odiava concordar com Johanna, mas pensava o mesmo. Como e porque aquele pastor mudara de ideia em relação à Jenna e o compromisso dos dois?
O casal se beijou de forma casta enquanto várias saudações e desejos de felicidade ecoavam.
O estômago da garota se revirou e de repente desejou ter ficado reclusa assim como Matt. Uma angústia beijava seu coração com premissas de um futuro sombrio, tortuoso e enigmático.
– Lenn? – Gregory a chamou com veludo na voz. – Não vai cumprimentar seu futuro tio?
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Notas finais
* "Com quem #$%£&% me casei?" é um programa que passa na Discovery Home & Health e mostra mulheres que só depois de casadas descobriram que os maridos eram traficantes, homicidas e coisa e tal.
* Purplerock era o nome da ilha fictícia criada quando eu era uma mini-Nikki. -q
* Purplerock era o nome da ilha fictícia criada quando eu era uma mini-Nikki. -q
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