Demônios

7 Capítulo 7: Por detrás de um monstro


Notas iniciais
Olá!!!! O capítulo ficou muuuito maior que o previsto, por isso, o atraso. Acabei me empolgando além da conta hehehe. Tanto, que não terei tempo para responder os reviews do capítulo passado ainda hoje, estou resfriada então há uma intimação para que eu vá dormir mais cedo. Sinto muito devido a isso, mas amanhã já os respondo com toda certeza. Optei por postar o capítulo hoje de uma vez, afinal, três dias de atraso seria demais não? Gostaria de agradecer também as recomendações da Bruna Lovers e da Novata_Love!!! Eu fiquei muito contente e honrada. Good read.

Ino sentiu o corpo paralisar diante das palavras e da maneira como foram ditas pelo ruivo ofegante a sua frente. Expelindo uma quantidade considerável de sangue e suportando a garganta lhe arder, em um conjunto desesperador, Gaara viu-se sem o deslize das unhas da loira por suas costas. Deixando as mãos caírem, Ino permitiu-se recuar alguns passos. Estava chocada, indignada e envolvida. Um misto de ações lhe passou pela mente, porém, perante o modo seguro que o ruivo pronunciara aquela frase, apenas a fazia confirmar mentalmente a principal de suas teses: ele realmente vivia em um inferno particular, gerado pela solidão, pelo abandono e pelo medo. Muitos já haviam dito a ela que demônios não poderiam sentir qualquer coisa que se assemelhasse ao medo, no entanto, era a mais cruel mentira. Sabia que ele sentia. Talvez, ele sentisse muito além dos outros.

_ Eu não vou embora!!! Não vou deixá-lo nesse estado!!! – exclamou a loira, incrédula e nervosa. Aproximando-se novamente do ruivo, ela o virou pelos ombros com certa rapidez e angústia. _ Hey! Quem foi que lhe disse essa barbaridade?!?! Você não é um monstro! Me ouviu? Você não é um monstro!!!

Com os lábios ainda úmidos de sangue, Gaara a olhava trêmulo. Ela lhe dirigia os intensos olhos azuis com repreensão e uma certa certeza. Certeza que ele não compreendia como ela poderia deter. Era um monstro. Todos lhe diziam isso. Ele não conseguia fazer a voz em sua cabeça desaparecer, as vezes, ela chegava-lhe a tomar o corpo. Uma escuridão surgia e quando dava-se conta, já havia ferido animais e pessoas. Ele apenas sabia machucar as pessoas, não queria que aquilo ocorresse novamente com ela. Olhando os braços marcados da loira, era como se sua garganta e estômago ardessem mais.

_ Você não entende!!!! Eu já feri muitas pessoas!!! EU NÃO SOU COMO VOCÊ!!! Você não entende!!! Está correndo de risco de vida nessa casa comigo!!! – os gritos enraivecidos do ruivo tomavam conta do ambiente. Descontrolado, Gaara já preenchia todo o chão do pequeno banheiro com sua areia, que destruía todos os objetos do lugar.

_ Eu não me importo se você já feriu muitas pessoas!!! Você não é um monstro!!! Tenho certeza que não fez porque gostaria de ter feito!!! Gaara olha para mim!!! Quem quer te tenha sido o imbecil que disse isso para você, não acredita!!! Não é verdade!!!! – rebatia Ino, tropeçando por entre a areia e indo ao encontro do ruivo, que estava a pouco de quebrar o box de vidro negro a socos.

_ Eu te machuquei!!!! Vou machucar de novo!!!! Porque você não entende?!?! – exclamou Gaara, sentindo as forças esvaírem aos poucos de seus músculos. Respirava com mais dificuldade, encarando suplicante a loira que apoiava-se no box atrás de si, para que sua areia não a derrubasse no chão.

Ino mantinha a cabeça erguida, vendo o ruivo tornar-se mais pálido e, pela primeira vez, expressar dor em seu semblante. Os olhos verdes sempre opacos emitiam um brilho de agonia. Aquela palavra. Era aquela palavra que o atingia profundamente. Ele não conseguia crer em como ela acreditava em algo diferente àquela opinião que impuseram em sua cabeça. Mas ela o faria entender. Ele estava sofrendo, estava precisando de ajuda, e não que o abandonassem outra vez. Ela não o faria. Não sairia daquela casa nem que ele próprio a expulsasse usando de agressões.

_ Foi um acidente!!! Eu confio em você!!! Sei que não vai me machucar de novo. Gaara, eu não vou abandoná-lo!!! Está ciente disso?! Eu não vou sair daqui!!! – berrou a loira, com segurança. Ele precisava daquela segurança.

Arregalando levemente os olhos verdes, Gaara não acreditava no que estava a ouvir. Como? Como ela poderia confiar em alguém como ele? De onde ela retirava aquela garantia de que ele não iria feri-la outra vez? Se o quisesse, sabia que não iria gastar esforço algum para machucá-la. Ele nunca gastava. No entanto, porquê? Porque ela insistia em não sair? Porque ela não temia estar naquela casa com ele? Sentindo o restante de suas forças se extinguir, o ruivo a olhava com surpresa, encarando os traços delicados do rosto da loira, que aproximava-se mais, encostando o corpo ao dele, trêmulo.

Vazio. Foi como se por aqueles instantes, tudo se transformasse em um imenso vazio. Nenhuma palavra fora proferida. Gaara a fitava, sentindo a respiração bem mais calma dela tocar-lhe a face, e o corpo curvilíneo abaixo de sua camisa, pressionar-se contra o dele, mais uma vez, queimando. Porém, não queimava como havia ocorrido quando ela lhe tocara pela primeira vez, queimava de um modo que mesmo que assustava-o, chegava a acalmá-lo, extraindo a agonia e a dor que se comprimiam no peito alvo do ruivo.

Escorregando aos poucos até o chão coberto de areia, ele pôde sentir a pior das sensações: aqueles nós horríveis na garganta. Há mais de dez anos aquilo não o acontecia. Rodeando os braços pelos joelhos para esconder-se dela, Gaara a sentiu abaixando-se também, retirando seus braços com delicadeza e encaixando-se por entre suas pernas. Tocando sua testa na dele e levando os finos dedos aos seus cabelos escarlates, acariciando-os de maneira semelhante a que fizera há poucos minutos atrás em suas costas.

Ele não sabia qual a grande necessidade que ela tinha de tocar. Nuca havia sentido alguém encostar o corpo ao seu. Ele estava assustado. Estava muito assustado. Porém, não se movia, deixava que ela mantivesse a testa colada na sua e corpo encaixado no dele.

_ Como é que você pode confiar em mim? – a voz dele saiu exausta, rouca e um pouco embargada. Algumas lágrimas solitárias lhe escaparam pelos olhos verdes, não havia conseguido controlar os nós em sua garganta por completo.

_ Eu confio. Eu acredito. Você não é nenhum monstro... – falou a loira, secando as lágrimas do ruivo com as costas das mãos.

Passando os braços envolta dele, Ino o observava manter-se cabisbaixo, mas, já estava mais calmo. Era aquilo que importava por hora. Ele tinha que manter-se o mais calmo possível, estava fraco demais e precisava se alimentar.

_ Abrace também... – instruiu a loira, vendo-o erguer a cabeça e analisar o que ela estava fazendo.

Ela estava lhe abraçando? Olhou-a incrédula. Ela estava lhe abraçando. Não sabia como se deveria abraçar alguém. Ele a queria mais próximo de si, ela estava aquecendo sua pele fria. Perdido, o ruivo a encarou em interrogação. Não sabia o que tinha de fazer.

_ Coloque os braços envolta de mim... – explicou Ino, sorrindo doce e levemente divertida.

Ele era mesmo bem inocente, tanto, que chegava a diverti-la com aqueles traços de menino. Entretanto, a loira também podia sentir uma atmosfera triste rondar-lhe. Como não haviam o abraçado antes? Aquilo apenas parecia motivá-la mais. Recusava-se a acreditar que alguém nunca lhe tivera direcionado gestos de afeto. A fazia sentir mais raiva de quem um dia foram os familiares dele. Gostaria de chutar um a um por tudo que ele vivia. Sentindo-o aproximar-se mais, receoso, ela ajudou-lhe, guiando os braços gélidos dele até sua cintura.

Novamente, ele a olhou como se interrogasse se estava fazendo corretamente. Sorrindo, a loira lhe confirmava silenciosamente, apertando o corpo contra o dele, ouvindo-o suspirar em surpresa e receio. O seu perfume parecia chamar-lhe a atenção, e, alguns bons minutos depois, o auxiliou a descansar a cabeça em seu ombro.

Levando as mãos aos cabelos de Gaara, Ino sentia a areia recuar, aos poucos. Não sabia exatamente por quanto ficaram ali, com a loira sentindo ora ou outra alguma lágrima dele molhar-lhe o ombro. Ele aparentava estar melhor, a respiração já controlada e não fazia nenhuma menção de vomitar outra vez.

_ Vamos comer alguma coisa? Hum? Tem que se alimentar para o estômago não revirar de novo... – falou Ino, calma, ainda acariciando os cabelos macios do ruivo, que permanecia em silêncio.

_ Não estou com fome. – respondeu Gaara, com o tom de voz fraco, mas, ainda mantendo a rouquidão nata.

_ Tenho certeza que vai gostar de gelatina, eu comprei umas prontas ontem. Já comeu gelatina? – perguntou Ino, animada, fazendo-o erguer o rosto e encará-la.

Gaara a olhou confuso. Era realmente impressionante como ela conseguia devorar tantas guloseimas e parecer tão... Magra.

_ Qual sabor prefere? Morango? Uva? Ou vai querer tomar um chá com torradas mesmo? – questionou a loira, preocupada em fazê-lo comer.

O ruivo mantinha o olhar confuso. Ele não havia dito que não estava com fome?

_ Vem... Vamos... Eu prometo não queimar a sua cozinha e fazer um café decente. – afirmou Ino, retirando suas pernas totalmente desnudas, envoltas na cintura do ruivo.

Porém, antes que pudesse se levantar, a loira fora pega repentinamente por um puxão rude de Gaara em suas pernas, voltando-as para onde estavam. Perdendo o ar por alguns segundos, Ino encarou os olhos impassíveis dele. A camisa preta usada por ela, já levemente erguida por conta do contanto, levantou-se mais, colocando a mostra a fina e rendada calcinha vermelha da loira, e parte de sua barriga lisa e alva.

Apertando um pouco as pernas dela, o ruivo fechou o cenho. Queimar sua cozinha? Que história era aquela?

Ainda com os lábios entreabertos em surpresa, Ino tentou se manifestar.

_ Não vai tomar café? – indagou ela, com voz falha.

_ Não quero que queime a cozinha. – assentiu Gaara, rígido.

Como se uma sensação de alívio lhe percorresse, Ino suspirou e pouco depois sorriu em divertimento. Ele não estava bravo com alguma ação sua e, sim, havia interpretado o que tinha falado de forma errada. Também... Ele certamente não deveria saber das consequências provocadas nela com aquele ato de brusquidão.

_ Não vou queimar a cozinha! Não disse isso! O que eu queria dizer na verdade é que... Não sou muito boa cozinhando sabe? Mas, prometo que não vou colocar fogo na cozinha. _ explicou Ino, “ Não de novo...” completou mentalmente.

Como se compreendesse parcialmente, o ruivo soltou as pernas da loira. Aproveitando a deixa, Ino levantou-se imediatamente, antes que ele lhe puxasse de novo e um estrago fosse feito. Arrumando a camisa preta e os cabelos loiros, ela o olhou, ainda sentado no chão, escorado no box completamente trincado.

_ Não vem? Gaara, é muito sério. Você precisa se alimentar ou vai vomitar cada vez mais. – avisou Ino, séria.

Dando-se por vencido, o ruivo se levantou sentindo o corpo levemente dolorido. Estava mesmo sem energias. Ainda havia gosto de ferro em sua boca, porém, o corpo estava aquecido. Sentia-se assustado consigo mesmo. Não sabia como ela poderia tratá-lo daquela maneira. Era um monstro. No entanto, não poderia machucá-la outra vez. Ele iria se esforçar para aquilo. Ela acreditava em si, não sabia como ela poderia o fazer, mas gostaria de saber até onde a perspicácia dela poderia o levar.

XXX

Um sapo feito de tecido estava no topo de uma janela, a tomar sol. Observando-o enquanto penteava seus cabelos azulados, Hinata sorria para o presente que ganhara. Botões, tecido cortês, e um laço azul brilhante. O que faria com aquela pelúcia quando a missão se “concretizasse”? De certo não poderia guardá-la. Se o fizesse, jamais iria esquecê-lo. Jamais esqueceria o final de sua estadia naquela isolada cidade.

Olhando para o objeto, a Hyuuga optou por mantê-lo com ela, até que tivesse que partir de Konoha. Teria de ter sangue frio. Sangue gélido se fosse descrever com exatidão. Não sabia se teria coragem de matá-lo... Tudo parecia bem mais fácil quando ainda não o conhecia... Quando tudo que tinha era apenas suposições que a absorviam de cometer um ato repulsivo.

Depositando a fina escova trabalhada na estante do quarto, vinha a sua mente que havia ganhado-a de sua falecida mãe, quando ainda era muito pequena. Outra vez, seus pensamentos voltavam a ele. Ele também não tinha sua mãe, e, além dela, também havia perdido o pai. Por mais que o senhor Hyuuga fosse um homem de princípios próprios e incrivelmente ditatoriais, Hinata o considerava como um bom pai, tanto, que não imaginava o que faria se estivesse sobre a pele do loiro de sorriso radiante. Nunca conseguiria manter um sorriso daquele se não tivesse ninguém no mundo a quem pudesse confiar, quem pudesse oferecer a ela apoio e carinho... Não sabia como ele conseguia. Porém, o fato era que ele conseguia e, como havia prometido a si mesma, iria fazer de todos os momentos na companhia dele os mais reais e sinceros. Olhando para a pele alva que exibia vestindo uma camiseta branca e um jeans antigo, um pouco surrado, a Hyuuga fez uma careta. Estava bastante tedioso permanecer aquela manhã tão ensolarada, a esperar pela noite, onde iria a lanchonete. Sakura havia deixado o quarto bem cedo, argumentando que era melhor ir para as ruas, pois seu alvo não havia feito um convite, e sim, algo que se parecia mais com uma intimação.

Sorrindo de canto, Hinata deixou o corpo perfumado e ainda escorregadio por conta do creme de amoras que passara, cair sobre a cama de lençóis recentemente trocados. Sakura estava em uma enrascada no mínimo muito cômica, sabia o quanto à amiga não se sujeitava a ordens e, ter de ganhar a confiança de um moreno autoritário, era com certeza algo que ainda renderia muito a ser falado entre elas. Pelo visto, o tal Uchiha era mesmo de um caráter mais maduro, não imaginava Naruto com um cigarro entre os lábios. Erguendo-se, Hinata olhou-se no espelho. Não iria ficar naquele quarto mais nenhum minuto, iria até a casa dele. Quem sabe ele não gostaria de uma visita? Morando sempre sozinho, será que a campainha ainda funcionava? No caminho, iria tratar de comprar algo em agradecimento pelo sapo de tecido.

Olhando mais uma vez para as roupas que vestia, a Hyuuga não esperou mais nenhum segundo. Tirou a camiseta e o jeans, jogando-os em qualquer canto do quarto. Correndo até o armário em que deixara suas roupas, o abriu. No entanto, assim que viu as primeiras peças de roupa, logo constatou que aquele era o de Ino. Havia apenas um pequeno restante de roupas, já que a loira levara para a casa afastada de seu alvo praticamente tudo. Observando um vestido florido solto, de altura média, o pegou. Ino não se importaria. O vestido era muito bonito e não sabia se tinha algo semelhante para vestir que lhe agradasse tanto. Vestindo a peça deslizando-a pelo corpo, Hinata perguntava-se como a amiga sempre tão exuberante e apreciadora de roupas justas e curtas, poderia ter uma peça tão delicada como aquela.

Amarrando a fita vermelha que Sakura dera-lhe para “se adequar” a cidade, a Hyuuga olhou-se novamente no espelho. Seu cabelo era sempre muito bem penteado e arrumado, mas, não sabia muito bem o porquê, estava com vontade de bagunçá-lo um pouco. Balançando a cabeça de um lado para o outro, Hinata conseguiu o efeito que gostaria.

Sorrindo, correu até o armário novamente, para recolher as roupas de Ino que estavam sobre o chão. Espantando-se com uma calcinha fio-dental roxa, Hinata guardou tudo depressa. Calçou suas sapatilhas azuis e deixou o quarto, sem perceber algo a apitar na cama.

Era seu comunicador, cuja tela exibia o nome “Neji”.

XXX

Tomando um suco de caixinha, Sakura brincava com o canudo colorido da bebida. Nunca havia provado suco tão saboroso antes, talvez, realmente todas as hipóteses de que a comida em cidades pequenas era melhor que nas metrópoles, tivesse mesmo lá um sentido muito coerente. Sentindo o vento e o calor do sol ressoarem a sua pele, a Haruno admirava a paisagem a sua volta. Casas muito semelhantes, bonitas, no antigo estilo japonês, as ruas com bancos largos e trabalhados, como aquele que estava e, um céu de grande beleza. Era de fato uma vista agradável de se contemplar.

_ Perdida? – uma voz grave se fez presente próxima aos ouvidos de Sakura, que logo a reconheceu.

_ Disse que eu devia estar na rua, não? – manifestou-se a rosada, vendo o Uchiha pular o banco e assentar-se ao seu lado, sem nenhuma dificuldade.

_ Então me ouviu? Ótimo... – comentou Sasuke, sorrindo de canto e analisando as feições da Haruno ao seu lado.

Ela estava trajando roupas típicas de uma cidade de potências, porém, como notou em primeira escala, estava novamente usando as fitas cor de rosa no pulso direito. Amarradas em laços delicados que, em dúvidas, contradiziam ao batom sensualmente vermelho e a camisola em seda branca da noite anterior. Era como se estivesse diante de duas pessoas. Bastava saber qual era a verdadeira.

_ Você é muito autoritário sabia? O fiz porque não estava aguentando ficar tanto tempo parada naquele hotel, assistindo a uma tv que só pega canais ruins. Não costumo seguir a cabeça de ninguém Uchiha, é bom que saiba disso. – afirmou Sakura, virando-se de lado para encarar Sasuke, de expressão impassível.

Era a primeira do qual ouvia aquelas palavras. Ela era tão altiva quanto ele, mas, certamente, não vivia nada parecido a sua realidade. Muito menos, já havia visto uma cena cujo sangue era o elemento mais marcante e abundante. Sorrindo levemente irônico, ele sentia-se novamente desafiado.

_ Nota-se, você parece mesmo ter as próprias ideias... – concordou Sasuke, analítico.

_ E você está bem pensativo hoje. O que houve? Problemas? – questionou Sakura, observadora.

Ajeitando-se confortavelmente no banco, Sakura sentia os cabelos voarem. Olhando-a, Sasuke concentrava-se nos olhos esmeralda dela. Misteriosos. Aqueles olhos pareciam conseguir inibir o mundo, eram convidativos e persuasivos. Ela tentava compreendê-lo e, não deixava de ser desafiador. Ela jamais conseguiria, então, tudo que tinha a fazer era apreciar as tentativas, saber a respeito do que ela poderia pensar sobre si.

_ Mais ou menos... Encontrei umas coisas em uma das casas da minha família e, digamos que são coisas antigas demais. Que eu queria esquecer... – em parte, estava falando a verdade. Entretanto, sua intenção não era aquela.

_ Coisas antigas... É, sempre trazem lembranças. Mais tarde apareço por lá. – assentiu Sakura, levantando-se do banco.

Alargando o sorriso de canto, o Uchiha exibia um brilho de vitória nos olhos curiosamente ônix. Aquela era sua intenção. Porém, sentia-se receoso. Receoso com relação a praticamente tudo em si, havia conseguido o que queria. No entanto, o que ela acharia quando estivesse frente a frente daquela casa? Será que como todas as outras ela faria mil e uma perguntas a respeito de sua família e fugiria quando constatasse que ele poderia não ser normal? Quando visse... Seus verdadeiros olhos? Sentia-se ansioso e um pouco motivado a prosseguir. Ninguém invadira seu mundo de tal forma antes.

_ Quem disse que pode ir até lá? – perguntou Sasuke, a insolência dela ainda o incomodava.

_ Ora! Você invadiu meu quarto não? Estou no direito de invadir o seu também. – respondeu Sakura, divertida, afastando-se a passos lentos do banco. _ Até qualquer hora... Uchiha.

Ela virou-se novamente com um aceno e um sorriso nebuloso nos lábios. Sentado no banco, Sasuke a admirava caminhar, distanciando-se cada vez mais. Com os dedos na madeira do banco, o Uchiha respirou pesadamente. Será que ela teria medo do alto? Será que ela iria se recusar a adentrar uma casa tão sombria quanto aquela que morava? Bom, não importava. Ela entraria. Ela iria até o alto. Nem que tivesse que prendê-la lá. Sua respiração estava descompassada, ela não iria fugir dele. Ele não permitiria que ela fugisse dele. Fugir não. Ela havia cruzado seu caminho, havia deixado-o intrigado, portanto, não aceitaria que ela fugisse. Não havia dor maior que a da fuga.

XXX

Naruto observava as nuvens no céu da janela de seu quarto. Observar as nuvens era tão chato, exigia uma paciência que o loiro nunca detivera. De uma coisa ele tinha total certeza: quem tinha aquela paciência não poderia ser muito bom das ideias. Tocando um dos muitos montes de roupa espalhados por seu quarto com o pé que movia-se no lado de dentro da janela, ele poderia avistar a silhueta de Hinata formar por entre as nuvens. Hinata... Será que até as nuvens a admiravam?

Ela havia gostado de seu presente. Sorrindo, Naruto pulou novamente da janela, fazendo uma estrela no chão. Ele adorava manter aqueles hábitos. Estrelas... Mortais... Havia aprendido com sua mãe, ainda muito pequeno, que fora a mais linda líder de torcida no único colégio que havia em Konoha. Hinata saberia fazer estrelas? Aquela dúvida surgiu-lhe na mente. Apoiando as mãos no chão e fazendo outra estrela trabalhada, o loiro sentiu mais uma vez seu corpo tremer de leve. Hinata sabia dançar. Havia dançado com ele. Conhecia e apreciava músicas que ele particularmente gostava... Gostava. Seu pai costumava ouvir muitos discos. Era a primeira vez em mais de oito anos que ouvia um daqueles discos como no dia anterior na lanchonete. Havia desgostado de tudo que lhe lembrasse de seus pais... Que o recordasse que... Estava sozinho. Que eles haviam partido por conta “coisa”, como ele mesmo chamava, de olhos vermelhos que insistia em morar em si.

Porém, as estrelas... A música... Os velhos patinhos de borracha empoeirados no banheiro... Era como se após tê-la visto, tudo aquilo lhe voltasse. Era como se tudo que havia transformado-se em cinza, adquirisse cor novamente.

Caminhando até a sala, Naruto olhou para o porta-retratos quebrado em cima da clareira. Fora tudo que sobrara da imagem de seus pais... Aquela única e solitária foto. Batendo firme o punho contra a parede a sua frente, sentia a dor acoplada àquelas lembranças também voltar. Havia sido culpa sua.

No entanto, o som perdido da campainha o despertou. Já não reconhecia mais aquele som. Ninguém o visitava e, quando o faziam, eram Ayame e seu pai, que preferiam chamá-lo pelo nome. Não importando-se em não estar usando uma camisa e, estar apenas com sua calça alaranjada favorita, foi receber o intruso que havia errado de casa e tocado na sua.

Abrindo a porta levemente irritado, o loiro arregalou os olhos azuis ao constatar a imagem sorridente diante de si.

_ Hinata?

XXX

Ino havia acendido a lareira há muito morta naquela sala escura. Deitada no grande sofá antigo do cômodo, a loira tentava manter-se acordada para aguardar a chegada de Gaara. O ruivo havia saído sem dizer para onde estava indo, logo após o término do café. Estivera toda a tarde fora e, apesar da Yamanaka procurá-lo pelos arredores da casa, não o encontrou. Estava receosa que algo pudesse ter lhe acontecido. Ele tomara o café em silêncio, observando-a como sempre e até comera uma das gelatinas prontas que ela lhe oferecera. No entanto, de um momento para o outro, foi como se olhos sempre verdes opacos dele tornassem-se amarelados, detendo um brilho assustador. Ficara imóvel, sem saber o que fazer, vendo-o caminhar em linhas retas até a porta da casa, como se algo ou alguém o controlasse. Era o demônio. A loira tinha quase certeza. E era exatamente este fato que a fazia temer, ele poderia voltar machucado ou entrar novamente naquele estado de desespero, sentindo-se um monstro.

Aqueles olhos amarelados... Aquela imagem não saía de sua cabeça. Tinha medo. Medo de ter que agir de uma vez. Ino sentia o peito apertar-lhe novamente, fazendo-a encolher-se no sofá. Ele não merecia todo aquele terror, já estava em seu limite, temia que ele não suportasse mais.

Não conseguindo mais batalhar contra o evidente sono, a loira adormeceu. Havia passado todo o dia a esperá-lo, havia deixado a sopa que fizera para o jantar em cima da mesa, com um copo de suco sabor frutas vermelhas, do qual ele havia gostado no café da manhã. Não queria que ele parasse de se alimentar. Alimentar seu próprio corpo e não qualquer coisa que o ligasse aquele demônio que destruía-o cada dia mais.

Cerca de uma hora depois o som da velha porta se abrindo pôde ser ouvido na casa. Gaara entrava a passos lentos e fracos. Sentindo aquela sensação, a mesma que dilacerava-o quando despertava e encarava o que havia feito, bem a sua frente, ouvindo a voz demonstrar sua saciedade. Erguendo os olhos úmidos, o ruivo notou que a antiga lareira estava a queimar. Ela havia acendido a lareira? Porquê? Provavelmente já estaria dormindo. Não sabia o que deveria falar a ela, não sabia como ela iria reagir se soubesse. Certamente, desta vez ela iria embora e, naquele instante, estava sem coragem para fazer aquilo. Não sabia quais os motivos que levavam-no a temer imensamente que ela fosse embora, mas, naquele momento, queria estar com ela. Ela fazia a dor passar. Ele precisava que a dor passasse.

Ao analisar bem o sofá, percebeu que ela estava lá, dormindo abraçando os próprios braços, sentindo frio. Porque ela havia ido dormir no sofá? Não gostava mais da cama? Aproximando-se, uma leve hipótese viera a mente do ruivo: ela estava a esperá-lo? Emitindo um grunhido rouco em surpresa, Gaara olhou-a assustado. Porquê? Porque ela estava esperando-o? Aquelas perguntas rodopiavam em sua mente, exigindo respostas imediatas.

Sentando-se sobre as tábuas antigas do chão, escorando-se no sofá, o ruivo colocou-se a observá-la em busca de suas respostas. Ela tremia de leve e emitia alguns sons em agonia, como se não estivesse a habitar mundos agradáveis. Seria culpa dele? Ele a havia colocado em mundos terríveis desta vez? A sensação apenas piorava. Tinha vontade de acordá-la, de pedir por outro daquele abraço, mas não sabia como fazê-lo. Não sabia se estava no direito de acordá-la, e não sabia também como alguém deveria fazer para pedir um abraço.

Abraço... Era algo estranho, porém, calmante. Não sabia ao certo o que sentira quando havia o feito mais cedo, mas, queria que se repetisse. Ela quem fazia a dor passar. Ele havia descoberto isso. Encarando-a mais uma vez, Gaara percebeu que ela não usava sua camisa, e sim uma camisa xadrez, de mangas longas, dela. Porque ela havia deixado sua camisa? Estaria brava com ele? Levantando-se do chão, o ruivo ergueu o braço, chamando a areia que insistia em acompanhá-lo. Envolvendo boa parte dela em seus braços, fechou o punho, fazendo a areia apertar-lhe do mesmo modo como havia ocorrido com Ino. Fechando os olhos e suportando a dor com certa facilidade, ele soltou os punhos, fazendo a areia largá-lo. Olhando seus braços, pôde perceber que eles estavam arroxeados como os dela. Será que agora ela ainda estaria brava com ele por tê-la ferido? Olhando interrogativo para a loira a dormir no sofá, o ruivo caminhou até ela novamente.

Observando-a como se pedisse permissão, ele constatou que ela nada disse. Assim, reuniu toda a energia que ainda lhe restava e passou seus braços pelo tronco e joelhos dela. A levaria para a cama, lá, ela poderia voltar aos mundos agradáveis. Encaminhando-se até as escadas, ele podia sentir outra vez o queimar que a pele dela tocando a dele causava-lhe, não estava acostumado com contatos como ela aparentava estar, por isso, perguntava-se como seria a vida dela antes de ter adentrado aquela casa. Ela teria uma família? Se sim, será que a família dela deixava-a só em seu quarto durante todo o dia?

Adentrando o quarto, Gaara soltou-a na cama, enfim erguendo os dedos para tocar os cabelos loiros como o sol. Afastando-os da face dela, ele sorriu levemente. Eles não queimavam como o sol que costumava feri-lo toda manhã. Virando-a de lado, o ruivo caminhou em volta da cama, deitando-se do lado oposto. Virando-se para ela, ele desdobrou o grosso cobertor, colocando-o sobre o corpo imerso no sono a sua frente. Erguendo o braço com receio, capturou a mão dela, colocando-a sobre seu abdômen. Agora sim ele poderia tentar recuperar suas forças, e, como em inúmeras vezes, tentar falsamente esquecer do que ocorrera naquela tarde.

XXX

Não importando-se com o vestido que trajava, Hinata aceitou a proposta lhe feita. Sabia e muito bem fazer estrelas, quando estava no último ano do colegial, Ino e ela haviam sido líderes de torcida, portanto, tinha certeza que ainda detinha a maneira correta de se fazer uma estrela perfeita na memória.

_ Espaço por favor... – pediu Hinata, divertida, mas ainda mantendo o tom de voz doce e baixo.

_ Como queira senhorita! – exclamou Naruto, travesso.

Recuando alguns passos do centro da sala, o loiro colocou-se a observar a Hyuuga a realizar uma estrela perfeitamente profissional, finalizada com uma abertura do mesmo calibre. Sorrindo, Naruto bateu palmas. Ela parecia deslizar em conjunto com o ar, a pele alva emitia um aroma de amora do ar, que estava agradando ao loiro. Certamente, ela entendia muito de acrobacias.

_ Que isso!!! Ficou melhor que as minhas!!! – elogiou Naruto, eufórico, cedendo a mão esquerda para ajudá-la a se levantar.

_ Fui líder de torcida no colégio que estudei em Tóquio, uma grande amiga minha, Ino, me ensinou tudo que eu deveria saber. – revelou Hinata, pegando na mão do loiro, que a puxou com rapidez.

Líder de torcida... Os olhos azuis desviaram-se na direção da velha fotografia. Ela havia sido como sua mãe. Percebendo o brilho no olhar do loiro começar a cessar-se, enquanto virado na direção de uma clareira, Hinata preocupou-se. Havia dito algo errado?

_ Naruto... Desculpe-me se disse algo que não deveria. – afirmou Hinata, cabisbaixa. Sentia que aquela reação dele era um efeito a suas palavras, porém, não compreendia o que tinha dito de indelicado. Mas, como norma nos Hyuuga, já prontificou-se em pedir desculpas.

Voltando suas atenções para a moça de pele alva e olhos lindamente perolados a sua frente, Naruto sorriu, assustando-a ao virar um mortal para trás, no segundo seguinte.

_ Não foi nada. É que... Eu só lembrei de uns fatos bem antigos. – explicou o loiro, desajeitando os cabelos loiros.

Desviando os olhos na direção onde ele estava a olhar, Hinata pôde perceber um antigo porta-retrato, com o vidro levemente trincado. Impressionada com a imagem tão familiar exibida na foto, a Hyuuga permitiu-se aproximar da clareira para observar a foto mais de perto. Seguindo-a e analisando toda e qualquer reação que ela pudesse ter, Naruto colocou-se ao lado dela.

_ Posso pegar? – perguntou Hinata, referindo-se ao porta-retrato.

_ Vai em frente... – respondeu o loiro, vendo-a segurar o porta retrato por entre os dedos delicados.

_ Nossa... São seus pais? Que casal lindo!! – opinou Hinata, admirada e absorta na fotografia.

À frente, um garotinho loiro sorria, no colo de uma mulher de cabelos longos cabelos ruivos, também sorridente, ao lado desta, estava um homem, de cabelos loiros e feições muito semelhantes à de Naruto, exibindo um sorriso mais discreto, porém, também demonstrando um grande contentamento. Ele tinha os olhos da mãe, e as feições do pai. Este fora o primeiro pensamento coerente a pairar pela mente da Hyuuga, que sorria docemente. Era uma família muito bela, alegre. Era de fato uma pena que aqueles dois adultos não estivessem mais ali, ao lado daquele garoto sorridente, que aparentava sentir falta deles.

_ Eram meus pais... – corrigiu Naruto, abaixando o olhar.

Como se caísse de um alto penhasco, a Hyuuga deu-se conta que bem provável ele deveria ter causado a morte dos pais, ou melhor, o demônio que erroneamente o habitava. Sentindo uma leve agonia, Hinata colocou o porta-retrato em seu devido lugar.

_ Eu sinto muito... Também perdi minha mãe, quando ainda era muito pequena. – contou Hinata, vendo-o devorar com atenção cada palavra dita por ela.

Então ela já havia sentido aquela dor antes? Surpreso, Naruto olhou mais uma vez para os olhos perolados de Hinata, eles exibiam o mesmo brilho triste que sabia tomar conta de seus olhos quando lembrava-se do que havia acontecido com sua família.

Como se algo a chamasse para mais próxima do loiro, Hinata encarava os olhos azuis de Naruto, aproximando-se inconscientemente. Porém, como se um sopro de sensatez lhe viesse à mente, lembrou-se do horário, já deveria ter passado das nove da noite. Além de ter perdido o dia de trabalho, completamente entretida naquela casa divertidamente desorganizada, já estava muito tarde. Não sabia se poderia voltar sozinha ao hotel.

Recuando alguns centímetros, Hinata desviou seus olhos dos lábios úmidos do loiro, que olhava-a confuso. Céus o que ela estava a fazer?! Sem graça, correu até as proximidades do sofá, onde havia deixado suas sapatilhas.

_ Perdi o trabalho hoje!!! – exclamou Hinata, calçando as sapatilhas depressa.

Naruto notava que o rosto dela assumia uma coloração vermelha e, preocupado que ela pudesse estar ameaçando a passar mal, correu até o sofá.

_ A Ayame não vai se importar!! Depois se quiser, eu explico tudo para ela!! – garantiu Naruto, não queria que ela fosse embora.

Importar... Aquela palavra fez a Hyuuga soltar uma exclamação. Neji!!! Ela havia esquecido-se por completo que o primo ficara de fazer contato, para saber a respeito da missão, afinal, ele também era um dos supervisores da agência.

_ Eu também iria receber uma ligação importante!!! Naruto, será que poderia me acompanhar até o hotel? – pediu Hinata, já aproximando-se da porta de saída com certa afobação.

Ligação importante? De quem? O loiro fechou o cenho, colocando uma camisa branca que encontrou ao ir rapidamente em seu quarto. Retornando a sala, suspirou, aproximando-se da porta.

_ Claro que lhe acompanho... Aliás, eu gostei muito do gato de tecido que me deu de presente. – agradeceu mais uma vez o loiro, em tom levemente irritado pela informação da ligação.

_ Fico muito feliz! Não é tão bonito quanto o sapo, mas o achei simpático. – disse Hinata, doce, assim que Naruto terminou de abrir a porta e estes saíram por ela.

A casa do loiro era por deveras afastada de Konoha, cerca alguns bons minutos de caminhada após o último bairro da cidade, o tal Distrito Uchiha, pertencente ao alvo de Sakura.

_ Você se importa se eu fizer uma pergunta? – questionou Naruto, enquanto trancava a porta pelo lado de fora.

Não compreendo o que ele poderia estar em dúvida, Hinata assentiu em um “sim” de cabeça.

_ De quem é essa ligação importante? – perguntou o loiro, rápido, tentando inibir a irritação que subia-lhe as veias.

XXX

Sentado a sua janela, Sasuke observava Sakura adentrar seus domínios, trajando um casaco cor de rosa, no mesmo tom de seus intrigantes cabelos. Segurando-se no parapeito, ele sentia um turbilhão de sensações percorrerem-lhe os músculos trabalhados. Estava em seu alto, em seu escuro, no quarto que um dia pertencera a seu irmão. Uma fotografia onde estavam a comemorar a saída dele do último ano do colegial estava sobre uma das cômodas de madeira antiga e sofisticada. Aquele quarto tornara-se seu refúgio, seu meio de avistar todo o alto de Konoha e a entrada do Distrito Uchiha. Observando-a concentrado, Sasuke podia notar as fitas no pulso de Sakura soltarem-se com o vento crescente da noite, e, caírem na calçada fria. Ela continuava a caminhar, como se buscasse qual casa deveria ser a que ele habitava. Ela ia em direção a casa de seus avós, era bem previsível que ela julgasse que morava por lá, afinal, era em frente aquela casa que ela o viu pela primeira vez. No entanto, como se algo a fizesse recuar, ela deu a volta e veio na direção correta de sua casa. O que havia feito-a mudar de ideia? Ela teria o visto?

Apertando os dedos sobre o parapeito, Sasuke conseguia ver seu reflexo no vidro das janelas da casa em frente, que, um dia, pertencera a seu tio Obito. Os olhos vermelhos... Seu reflexo já os exibia.

Notas finais
E então??? Gostaram??? Capa nova na fic!!!! Feita pela Hana Sucrée, vocês gostaram? Eu particularmente achei muito linda a imagem e só tenho a agradecer a dedicação da Hana.
Kisses, Nita.