Demônios

5 Capítulo 5: Laranja, vermelho e azul escuro


Notas iniciais
Olá!!!! Primeiramente, gostaria de dedicar este capítulo a IsabelaHyuuga. Muito obrigada pela recomendação!!! :) Fico mesmo muito honrada.
Também, as leitoras Leitora XD e GaaIno, pelos comentários incríveis.
Good read.

Em mais uma tentativa de animá-lo, Ino mexia os braços daquele velho e surrado ursinho e, sorrindo, o observava. Ele estava mais pálido que no dia anterior, as olheiras mais marcantes e ao desviar seus olhos azuis na direção daquela pequena pia, podia avistar marcas de sangue. Ele havia passado mal, novamente. Esta era a constatação na mente da loira, que por alguns instantes, sentiu o peito apertar-lhe em uma leve dor. Não sabia até onde teria sangue frio suficiente para levar aquela missão adiante. Ele precisava de ajuda e, ao menos por aquele momento, ela iria ajudá-lo.

Levantando-se do chão, Ino deu-se conta que deveria estar com os cabelos desarrumados e aquela camisa preta totalmente amassada. Entretanto, jamais havia dormido tão bem como na noite passada, sobre aquela cama tão macia e trajando uma camisa tão confortável. Talvez, se o ruivo permitisse, tomaria aquela camisa para si todas as noites seguintes.

_ E então? Não vai vir? O senhor ursinho também está com fome! – manifestou-se Ino, segurando a pelúcia em uma das mãos.

Gaara permanecia imóvel, apenas olhando-a entreter-se com seu antigo e único brinquedo. Ela aparentava ter acordado mais enérgica. O ruivo mentalmente perguntava-se onde ela conseguia toda aquela energia e, quais os motivos ela teria para outra vez, sorrir de forma tão expressiva. Ainda estava sem forças para levantar-se daquele chão de tábuas frias, porém, sentia vontade de segui-la. O perfume inebriante que provinha dela já havia infectado todo o banheiro, e sua presença trazia um certo acalento a ele.

Esforçando-se, Gaara colocou-se de pé com um pouco de dificuldade, deixando-lhe um grunhido de dor escapar por entre os lábios pálidos. Faminta, logo que Ino o viu se levantar, já correu na direção da cozinha, descendo as escadas em um quase voo, travessa.

_ Hora dos biscoitos!!! – exclamou Ino, já abrindo a primeira porta dos armários, onde havia guardado o restante dos biscoitos que sobrara de ontem.

Jogando-os sobre a enorme mesa de madeira trabalhada, a loira voltou suas atenções a geladeira de aspecto antigo no canto da cozinha. Ao abri-la, suspirou frustrada.

_ Água? Por Kami, como você sobrevive? – indagou Ino, olhando para o ruivo, que encontrava-se escorado na porta da cozinha, receoso em entrar.

_ Não como muito. – respondeu Gaara, sincero e em tom baixo, concentrado nas ações estranhas da loira, que vasculhava toda sua cozinha como se esta fosse propriedade dela.

_ Nota-se! Mas tem alguns pacotes de sucos de pronto preparo por aqui... Acho que posso preparar uma jarra para tomarmos. – comentou Ino, abrindo uma das gavetas abaixo da pia de mármore para retirar uma colher. _ Vem, senta ali ao lado do senhor ursinho.

O ruivo direcionou os olhos verdes impassíveis à mesa, ela havia colocado sua pelúcia em uma das cadeiras, porquê? Interrogativo, Gaara fez o que ela havia indicado-lhe. Estava um pouco tonto e seria melhor que se mantivesse sentado mesmo, poderia tentar decifrá-la melhor.

Ino sorriu ao vê-lo assentar-se na mesa, tinha colocado aquele ursinho ali para descontrair o ambiente e talvez fazê-lo falar mais um pouco. Novamente, a loira observou sua aparência pálida e um pouco decadente. Ele deveria estar fraco. Os cabelos vermelhos vibrantes destacavam-se junto do kanji irônico, que ela ainda iria descobrir o significado real. Ele havia dito que não comia muito e aquilo já era evidente, no entanto, a loira perguntava-se o porquê daquele hábito tão sem fundamento, louco, ela diria. Amava comer! Doces, sobretudo, eram seus prediletos! Havia sido uma criança bagunceira, e o ato de comer muitos doces persistira.

Entretanto, o fato do demônio contido naquele rapaz de aparência tão inocente e semblante trancado necessitar de sangue deu a Ino uma provável explicação: a criatura deveria fazer de tudo para mantê-lo também dependente de sangue, para que conseguisse mais e mais alimento e ele não tivesse meios de suportar quando ficasse ausente deste. Mas, parecia que a estratégia do demônio estava dando muito errado. O corpo dele estava reagindo a quantidade excessiva de sangue e a ausência de comida, levando-o a um pré definhamento se prosseguisse com aqueles vômitos contínuos, que a Yamanaka tinha certeza ferir-lhe o estômago.

Usando da própria jarra de água para preparar um dos sucos, Ino colocou o conteúdo em dois copos de vidro avermelhado. Um vermelho que aliás, aparentava estar estagnado a ele. Aquele cabelo... A calça que ele vestia... Tudo em seu mundo deveria ter traços vermelhos. O que para loira, mais uma vez, era uma baita de uma contradição. Ele tinha uma essência inocente e retraída, e uma cor tão intensa como o vermelho era mais uma ironia. Uma cor voluptuosa, porém, obscura. Sentando-se de frente para Gaara na mesa, Ino estendeu-lhe o copo de suco, que, feito no automático por ela, também era vermelho, sabor morango.

_ Tome, você irá se alimentar direito enquanto eu estiver aqui. Não quero te ver abatido assim de novo, estamos combinados? – pronunciou-se a loira, de modo suave, recebendo um olhar assustado do ruivo que, levemente trêmulo, pegou o copo e tomou um pequeno gole da bebida.

Gaara colocou o copo sobre a mesa, observando-a tomar metade de seu suco em uma só vez, sorrindo e, em seguida, mostrando-lhe a língua em mais um gesto infantil e maroto.

_ Vou te ensinar que não existe coisa mais prazerosa na vida do que comer. – afirmou Ino, rindo em seguida por, mentalmente, constatar um duplo sentido em sua frase. Se estivesse na companhia de Sakura e Hinata, já estariam em gargalhadas.

O ruivo olhou-a, confuso. Não conseguia compreender o que era tão engraçado. A voz em sua cabeça sempre dissera que o único prazer na vida era ter o sangue, matar. Mas, então ela estava errada?

_ Irei a Konoha agora, para comprar algo para almoçarmos e mais alguns mantimentos. Tenho um pouco de grana e também vou ver se finalmente consigo arrumar um emprego por lá. – avisou Ino, precisava encontrar Sakura e Hinata, pegar roupas e discutir a respeito da missão com as duas. Também, iria mesmo comprar alguns alimentos para aquela casa, ver a geladeira e os armários vazios estava causando-lhe agonia.

Gaara parou o copo de suco que levava novamente aos lábios. Ela iria embora? Se arrumasse um emprego ela iria embora?

_ Quando volta? – perguntou o ruivo com a voz bem rouca, olhando-a impassível. Não a deixaria ir se ela não retornasse. Não sabia o porque de querê-la ali, muito menos o porque daquela inquietação que apossara-se dele naqueles poucos segundos, mas não a deixaria ir se ela não voltasse.

Ino não estava acostumada a dar satisfações de sua vida a ninguém, no entanto, o olhar inseguro dele fez com que, em uma das poucas vezes, ela não se importasse em ceder aquela informação.

_ No final da tarde provavelmente, não irei demorar tanto. – respondeu a loira, colocando seu copo vazio de suco dentro da pia. O lavaria mais tarde.

XXX

Sakura lia atentamente tudo descrito em seus relatórios a respeito do espírito amaldiçoado que vivia dentro do corpo do rapaz de cabelos ébano e olhos ônix. Estava acordada há aproximadamente uma hora, havia tomado o café do hotel junto de Hinata, tomado um banho quente, penteado bem os curtos cabelos rosados e sentado-se ali, sobre sua cama, a avaliar curiosa e concentrada aqueles papéis.

Optou por não sair daquele hotel durante todo o dia. Não poderia ir atrás dele assim, encontrá-lo tanto ainda. Tinha que manter-se o mais natural e imparcial possível, não poderia deixar brechas sobre o verdadeiro motivo que havia feito-lhe deslocar até aquela isolada cidade e, se pretendia mesmo ganhar a confiança dele, teria de ir com cautela. Suspirando, a rosada olhou para o teto branco do quarto. Era como se o aroma amadeirado dele estivesse naquelas fitas... As fitas que ele tocara. Outra vez, aquela postura imperiosa, os olhos seguros e aquela pele tão alva vieram à mente da rosada. Ele havia a observado bastante, surgido por entre as sombras daquelas ruas e, quando impaciente, provocado aquelas descargas elétricas furiosas no céu.

Ele inspirava controle e aquele fato poderia ser desfavorável. Sakura não gostava de ser controlada, sempre fora muito autônoma. No entanto, não importava-se em, por enquanto, render-se ao que ele fosse ordenar e não convidar. Comer dangos, no fim das contas, havia sido bem proveitoso. Há muito tempo não comia dangos, estava habituada a alimentos leves. Ao contrário de Ino, que empanturrava-se de besteiras, a Haruno tinha uma dieta regrada. Não entendia como a loira não engordava uma grama com todos aqueles doces exagerados, todavia, preferia não correr o risco de Ino. Em matéria de comida, identificava-se muito mais com Hinata, que apreciava alimentos saudáveis.

A Hyuuga não havia ido trabalhar na lanchonete também, tinha acertado com Ayame em ir somente para o turno da noite. Assim, iria exclusivamente para encontrar seu alvo e a rosada havia aprovado a idéia. Não ficaria sozinha naquele quarto a ver filmes românticos comuns naquela grossa tv, que pelo que havia descoberto, só pegava canais abertos para seu azar.

_ Hina!!! Vem ver isso!! – chamou Sakura, encontrando finalmente algo que lhe suprisse as dúvidas quanto aos raios e trovões e não aspectos técnicos do espírito amaldiçoado.

Saindo do banheiro desorientada pelo susto repentino, Hinata sentou-se de frente para Sakura com a escova de cabelos na mão direita. Havia acabado de sair do banho.

_ Descobriu algo? – interrogou a Hyuuga, olhando para os papéis em cima da cama.

_ É tudo feito desse espírito Hinata! Já suspeitava, mas, o importante não é isso. É o fato que ele tem controle sobre o demônio, ou pelo menos um controle parcial, gerado pelo atentado a família. – explicou Sakura, tentando ligar as informações.

_ Ele tem controle do demônio? Kami isso é surreal! – comentou Hinata, impressionada.

_ Não sei como foi esse atentado ainda, mas a chance do espírito tomar forma nele é pequena. Ele controla aquelas descargas elétricas, Hina! Se ele faz isso, é porque um controle parcial sobre o demônio ele tem. – concluiu Sakura, ainda não descartando a hipótese de que às vezes, o controle poderia falhar.

_ Isso é bom de certa forma, significa que o risco dele destruir todo Oriente é menor. – brincou Hinata, rindo levemente.

_ O que deu em você hoje hein? Está toda engraçadinha! O que foi?! – questionou Sakura, sorrindo.

Porém, antes que a Hyuuga pudesse responder as perguntas, a porta do quarto fora aberta e uma Ino exausta adentrou o quarto, pulando em sua cama intocada, já que passara a noite bem longe dali.

_ Ino sua porca!! Porque não respondeu aos nossos chamados?! – repreendeu Sakura, observando a amiga loira, ofegante, virar-se na cama.

_ Você está bem? E aí? Já encontrou seu alvo? Ele lhe fez alguma coisa? – interrogou Hinata, preocupada.

_ Respondendo a uma pergunta de cada vez!!! – exclamou Ino, sentando-se na cama. _ Não respondi aos chamados porque acabei deixando minhas roupas em um armário na sala, escondidas para que o Gaara não visse meu revólver. Sim, estou bem! Só morta de cansaço né? Caminhar de lá até aqui é pior deve ser pior que pagar penitência, e como eu falei, já encontrei ele. Passei a noite lá na casa dele e ele não me fez nada, aliás, ele não faz nada.

Arqueando as sobrancelhas, Hinata e Sakura se entreolharam.

_ Como assim não faz nada? E tudo aquilo de que ele poderia ser um serial killer? – perguntou Hinata, desentendida.

_ E como assim passou a noite na casa dele? Ele deixou? E que roupa vestiu? Todas as suas coisas estão aqui. – interrogou Sakura, mais minuciosa. _ Pode ir falando Yamanaka Ino!

_ Eu vou falar mas também quero saber a respeito dos alvos de vocês, okay? – pediu Ino.

_ Okay. – responderam a Hyuuga e a Haruno, juntas.

XXX

Naruto olhava com primor para o sapo alaranjado em suas mãos. Um bichinho feito com tecido e botões, bem simpático. Porém, sentia que ainda faltava algo. Levantou-se de sua cama o dia todo por fazer e colocou-se a buscar pelo quarto o “algo” que poderia estar faltando. Uma pilha de roupas retiradas das gavetas formara-se em uma área do quarto, assim como outra pilha, de objetos antigos que pertenceram a seus pais ou a ele próprio.

_ É isso! – exclamou o loiro sorrindo, voltando a sua cama e levando o sapo de tecido as mãos.

Ao ver que o pequeno laço azul servira bem, guardou o bichinho dentro de uma sacola branca, que também havia encontrado em meio a baderna que tornara-se o médio quarto.

_ Ela vai gostar. – falou Naruto consigo mesmo, contente.

Seus animais prediletos sempre foram os sapos e, tendo muitos deles feitos com tecido, julgava que a estrangeira de olhos perolados e jeito delicado também gostaria. Afinal, quem não gostaria de sapos? Para o loiro, eles eram alegres e simples.

A tarde caía e os raios de sol agora tomando cor alaranjada invadiam sua moradia. Raios de sol... Diversas vezes, quando o sentimento de estar sozinho batia-lhe no peito, chegava a pensar que os raios de sol não foram feitos para iluminar pessoas como ele. No entanto, aqueles raios do fim das tardes sempre interagiam com ele. Era como se houvesse uma troca de energia, que mantinha-o desperto para encarar a noite, sempre tão negra e profunda.

Caminhando na direção do banheiro repleto de roupas e alguns patinhos de borracha antigos que permaneciam há anos sobre aquele chão, o loiro olhou-se no espelho. Ainda recordava-se vagamente de cabelos loiros e ruivos a ficarem ali, com ele, brincando com aqueles patinhos tão antigos. Respirou fundo... Era como se pudesse sentir o aroma daquele lamén maravilhoso. Iria agradecê-la e dar-lhe de presente aquele sapo, que fora um dos seus favoritos.

XXX

Sasuke vagava a passos lentos pela casa principal do Distrito Uchiha, a casa que um dia, pertencera a seus pais, ele e seu irmão. Não havia mais ninguém. Cerrando os punhos, o moreno de cabelos ébano despertou um raio nos céus. Ela não havia aparecido. Não havia a encontrado por toda Konoha. Não conseguira avistar nenhuma pessoa com fitas cor-de-rosa em um dos pulsos... Ela teria voltado para o lugar de onde viera? Havia mentido para ele em passar uma temporada na cidade?

O Uchiha estava sentindo as veias arderem em cólera. Ela estava a intrigá-lo. Sentando-se sobre uma antiga cadeira de estofado azul escuro, ele colocou os olhos sobre a clareira e sobre alguns itens de prata que ficavam em frente ao quarto de seu falecido irmão. Nunca a escuridão e aquela casa tão vazia estavam incomodando-o como agora. Iria localizá-la. Iria localizá-la a qualquer custo!

Levantando-se da cadeira, Sasuke foi até a grande janela da copa dos majestosa dos Uchiha. Sentou-se sobre o parapeito e levou uma das mãos ao céu, provocando mais e mais raios em um céu sem nuvens. Sabia que os velhos de Konoha colocariam a culpa nele, no que havia dentro de si, mas não se importava. Pela primeira vez, não se importava no que eles poderiam dizer. Um dos raios no início da cidade chamou-lhe a atenção aguçada. Ela estaria no hotel? Ela simplesmente não havia saído do hotel? Deixou a mão cair até a curva da janela, sentindo-se em parte, aliviado.

Detestava que fugissem dele. Se ela estava pensando em não vê-lo mais, estava redondamente enganada. Ele gostaria de vê-la, de apreciar aqueles cabelos tão rosados mais uma vez. Ele iria vê-la. Se ele fazia menção em vê-la, iria. Não importava o quanto ela pudesse fugir.

XXX

Cansada, Ino adentrou a antiga casa afastada com muitas sacolas nas mãos e uma de suas malas roxas. A residência estava escura como de costume, fazendo com que a loira se atrapalhasse no caminho para a cozinha. Deixaria as compras feitas com ajuda de Hinata e Sakura em cima da mesa mesmo, levaria a mala para o quarto e depois, tomaria um banho bem longo. Bem longo. Após deixar as compras, encaminhou-se até as escadas levando a mala roxa consigo. Onde estaria Gaara? Ele estaria em casa? Subindo os últimos degraus com dificuldade pelo sapato de salto fino e alto, avistou a luz do banheiro acesa.

“Ele deve estar no banho...” pensou Ino, puxando a mala em direção ao quarto e largando-a ao lado da porta. Dando a volta, a loira tomou o caminho rumo ao banheiro, no entanto, ao contrário do que ela pensava, ele não estava a tomar banho, e sim, a passar mal novamente.

Paralisada, Ino o observou. Ele aparentava sentir dor, muita dor. Por um instante, cogitou em renunciar aquela missão, não sabia se teria coragem de findá-la. Aproximando-se silenciosamente do ruivo, a loira deslizou os dedos lentamente envolta da cintura alva e desnuda dele, já que este não estava usando a camisa branca que trajou mais cedo.

Em pânico, Gaara sentiu por milésimos de segundos o coração falhar nos batimentos em função do toque. Há mais de dez anos alguém não lhe tocava. Absolutamente nervoso, o ruivo tremeu violentamente, e a areia entrara em grande quantidade no banheiro, envolvendo o corpo de Ino e afastando-a de Gaara.

_ Aaaaaah!!!! – gritou a Yamanaka, sentindo a areia apertar-lhe ferozmente os braços e costelas.

Com o grito, o ruivo se virou e ergueu a mão esquerda, forçando a areia a soltar a loira, que foi ao chão. Ele havia machucado-a. Olhando para os braços alvos de Ino, Gaara abafou um grito. Havia provocado-lhe grandes hematomas que, com tamanha força, ficaram arroxeados instantaneamente. Ofegante e perplexo, o ruivo saiu do banheiro correndo.

Ino, observando os próprios braços a e a maneira apavorada como Gaara havia fugido daquele banheiro, ergueu-se jogando os cabelos loiros para trás. Não era hora de preocupar-se com aqueles hematomas, tinha de ir atrás dele. Estava surpresa e a respiração um pouco alterada, ele havia ficado daquele modo apenas por ela tocá-lo?

Caminhou depressa até o quarto, onde o ruivo, aterrorizado consigo mesmo, estava a encolher-se no canto escuro onde noite passada, também esteve. Ela havia o tocado. Ele havia sentido o calor dos dedos dela em sua pele fria, foi como se queimasse.

Abaixando-se de frente para ele, Ino aproximou-se.

_ Não está sentindo-se bem? – indagou a loira, em tom baixo.

Gaara ergueu a cabeça e a olhou. Ele havia ferido-a e ela perguntava se era ele quem estava bem? Não entendia.

_ E-Eu não... Eu não queria ter machucado-a. – disse o ruivo, nervoso.

_ Eu sei... Se acalma... – falou Ino, suave.

Ele tremia. Estendendo o braço, Ino levou-o lentamente em direção a mão do ruivo. Gaara acompanhava o movimento dela, receoso. Ino tocou a mão na dele, que, observando assustado, não se moveu. Sentindo o toque lento dela, ele olhou-a, confuso.

_ Agora segura a minha mão também... – instruiu a loira, sussurrando.

Gaara apertou os dedos levemente, segurando a mão de Ino. Direcionou seu olhar mais uma vez a ela, como se questionasse silenciosamente se havia feito da forma certa. Ino sorriu de canto e foi se levantando, calma, seguida pelo ruivo. Caminhando na direção da enorme cama no centro do quarto, a loira o guiou, deitando-se ao lado dele.

_ Não se preocupe com isso, logo desaparece. – assentiu Ino, referindo-se aos hematomas. _ Descanse, você está cansado... Eu vou tomar um banho okay? Logo que eu sair trago um chá para tomarmos.

Pressionando os dedos do ruivo, Ino levantou-se da cama, observando-o manter-se da mesma maneira. Assim que ela saiu do quarto, Gaara levou os olhos a sua mão. Ela estava quente e ainda podia sentir a pele de Ino tocando-a. Toda à tarde que ela mantivera-se fora, a criatura em sua mente o apavorou, ordenando ações. Sem a presença dela naquela casa, era como se o dia passasse por uma cruel metamorfose e se tornasse noite. Uma noite gélida e inquietante. Talvez essa palavra, inquieto, fosse a que melhor descreveria seu estado. Ela não havia dito o horário preciso que voltaria e, o relógio antigo no topo da parede da sala, fora observado várias vezes.

XXX

Preparando o lamén de porco, Hinata ouvia uma rádio local em um rádio pequeno que Ayame havia colocado na cozinha da lanchonete para ouvirem algumas das músicas estrangeiras que a Hyuuga tanto havia lhe contado. Sempre gostara de ouvir músicas, em especial, algumas bandas em si. Porém, naquele antigo rádio, não pegava nenhuma das estações de Tóquio.

A fita azul já prendia-lhe os cabelos muito lisos, o avental branco já estava amarrado a cintura e as sapatilhas delicadas nos pés, pareciam combinar perfeitamente com a tranquilidade expressa na Hyuuga. Ainda era pouco mais de oito da noite e, certamente demoraria para a chegada do loiro. Por isso, para que o atraso do dia anterior não se repetisse, havia decidido preparar o lamén com antecedência.

Pegando mais alguns vegetais na pequena dispensa da cozinha, Hinata voltou ao antigo fogão, cantarolando uma música que vinha-lhe a mente. Porém, havia algo mais que os legumes e os demais ingredientes, para o preparo do lamén, próximos do fogão. Um original sapo feito de tecido alaranjado, botões e um laço azul brilhante no pescoço havia surgido. Interrogativa, Hinata olhou para todas as direções da cozinha, perguntando-se quem havia posto aquele bichinho ali.

_ Aqui! – manifestou-se Naruto, na janela da cozinha, sorrindo e em seguida, tratando de pular esta.

XXX

Sakura assistia a uma novela da programação aberta que pegava na grossa tv do quarto, com uma tigela de pipocas e imersa aos cobertores, a rosada havia passado as últimas horas entediada. Ino havia resolvido voltar para a casa de seu alvo ruivo e Hinata estava na lanchonete, também em prol da missão. No entanto, Sakura somente iria vê-lo no dia seguinte. Não poderia passar a persegui-lo sem um pretexto. Hinata tinha o pretexto de trabalhar na lanchonete e Ino, arrumara um pretexto qualquer para invadir a casa do ruivo. Entretanto, a Haruno ainda não tinha um pretexto fixo para utilizar.

_ Essa novela está uma merda. – reclamou Sakura, não importando-se com o vocabulário já que estava sozinha.

_ Concordo. Novelas são horríveis. – uma voz grave invadiu o ambiente.

Assustada, logo Sakura pode ver a silhueta de Sasuke em sua janela. Como ele havia subido até ali?

Notas finais
E então??? Gostaram?? Kisses, Nita.