Demônios

4 Capítulo 4: A lua, o ursinho e as fitas


Notas iniciais
Olá!!!! Aqui está mais um capítulo novinho, good read.

O ruivo apertou mais os braços envolta dos joelhos. Ela havia vestido sua camisa, havia se trocado sem importar-se com sua presença e, agora, estava a enrolar-se no grosso cobertor de tom escuro que havia em sua cama. Ela não tinha medo dele. E o porque disto, estava dando um nó na mente de Gaara. Não estava acostumado com pessoas. Não estava acostumado com demonstrações tão estranhas... Diferentes do ódio, medo e repulsa por parte daqueles que conheceu. A fala dela assustou-o outra vez. Ela pretendia dormir no mesmo espaço que ele? Não temia adormecer ao lado dele? Nunca haviam dormido na mesma cama que ele. Não sabia o que responder. Não sabia se ao menos devia responder.

Ino, percebendo o silêncio do ruivo e o modo perdido pelo qual ele lhe observava, logo recordou-se que ele morava sozinho, era um demônio e, como havia notado durante toda a tarde, parecia não compreender cada reação dela. Ele estivera a observá-la como uma criança curiosa, alheia ao novo. “Ele nunca deve ter dividido uma cama com alguém...” concluiu a loira mentalmente, ainda perguntando-se o motivo dele manter-se em silêncio até aquele instante e estar tão assustado. Ironicamente, quem hipoteticamente deveria estar se assustando era ela, por estar sozinha com um demônio, em uma casa de tamanho enorme, muito afastada da cidade mais próxima. No entanto, ali, quem assustava era ela. A Yamanaka riu de canto, ainda olhando-o, todo ele era muito distante do que havia imaginado. Levantando-se da cama, Ino caminhou até onde Gaara estava, sentado sobre as tábuas do chão antigo, no canto do quarto.

Abaixando, a loira sorriu mais uma vez em uma tentativa de animá-lo ou fazê-lo falar.

_ Não está com sono? – indagou Ino, encarando os olhos verdes do ruivo de modo levemente divertido pela ironia da situação.

_ Não durmo. – respondeu Gaara, desviando seu olhar dos olhos azuis de Ino e ansioso pela resposta da loira. Ela iria repeli-lo? Ela acharia estranho ele não dormir?

Finalmente ele falara! Comemorou internamente a loira, sorrindo expressivamente. A voz dele era mesmo arrepiante. Rouca e grave. Se ele não tivesse toda aquela pitada de inocência, o temeria. Porém, não importava, ele havia falado. Não dormia? Provavelmente deveria seria algo relacionado ao demônio movido a sangue que havia em seu interior. Como havia lido brevemente no relatório, seu demônio era da escala alucinógena. Ele deveria ser atormentado pelo demônio durante a noite. Talvez esse fosse mais um dos motivos de sua pele tão pálida e seu aspecto cansado, reforçado pelas visíveis olheiras.

_ Tudo bem então... Não precisa dormir se não quiser, mas se deite, descanse o corpo. – disse Ino, soando suave. Não iria forçá-lo a dormir ou enchê-lo de perguntas.

O ruivo arregalou levemente os olhos. Ela estava sorrindo. Porque ela sorria? Como sorria na frente dele? Não costumavam sorrir diante dele.

_ Vamos? – chamou Ino, erguendo-se do chão sem importar-se com a camisa preta que trajava, deixando-lhe a mostra as pernas alvas torneadas, e parte da delicada calcinha de coloração roxa.

Intrigado, Gaara a seguiu mais uma vez. Ainda não conseguia crer totalmente como ela poderia não importar-se em dividir a cama com ele. Jogando-se sobre a imensa cama de casal, Ino deu um riso empolgado. Aquela cama era excelente! Antiga, mas muito macia.

A loira pegou novamente o cobertor de textura grossa e cobriu-se, observando o ruivo deitar-se ao seu lado, receoso.

Ino virou-se na direção dele. Gaara permanecia imóvel, apenas olhando-a tal como ela fazia. Os cabelos dourados dela espalhavam-se pelo travesseiro e por seus ombros. Eles queimariam como o sol? Sua respiração estava alterada. Não tinha noção do que fazer. Praticamente não deitava-se sobre aquela cama há dias, em função das ordens em sua cabeça, que diziam para que ele lhe matasse a fome. Era estranho, diferente, ter alguém tão próximo de si. O perfume inebriante de flores tornava-se mais forte, e provocava-lhe sensações desconhecidas. Aliás, eram apenas sensações desconhecidas que ela aparentava ter trago consigo.

A viu fechar os olhos azuis lentamente e, poucos minutos depois, podia sentir a respiração dela em controle. O ruivo prosseguiu observando-a adormecida e se questionando se, como ele, ela iria para mundos terríveis. Entretanto, ela parecia tranquila... Ela iria para mundos agradáveis quando dormindo? Concentrou-se mais nela. Sua face estava serena, os lábios eram bem avermelhados, a pele alva e as unhas continham uma tinta roxa. Ela deveria gostar bastante daquela cor. As vestimentas curtas com que adentrara aquela casa eram também roxas, assim como aqueles sapatos tão altos. Seria o roxo uma cor expansiva, que ocupava todo o ambiente? Ela o era. Todo aquele quarto parecia infectado pela presença dela.

XXX

_ Eu quero dangos. – repetiu o Uchiha, impaciente.

Sakura colocou os olhos verde-esmeralda mais uma vez sob aquele que a acompanhava até agora, em pleno silêncio, analisando-a. Dangos? Aquele horário da noite? A brisa fria tocou ambos mais uma vez. Certamente iria recusar. Ele não aparentava ter feito um convite e isso desafiava a Haruno. Ele tinha um ar bem autoritário e presente. De fato, suas suposições estavam corretas. Uma única falha e ele poderia descobrir tudo a seu respeito.

_ Não acha melhor... – ia propondo Sakura, quando um estrondo alto e furioso foi originado do céu.

Sasuke colocou-se de frente para Sakura. Ela olhava na direção do intenso clarão formando a pouco com os lábios entreabertos em surpresa. Não tinha mais dúvidas, aquelas descargas elétricas eram obras dele. De repente, dangos não pareciam-lhe dispensáveis.

_ Acho que dangos podem ser uma boa... – concordou a Haruno, observando os olhos ônix impassíveis do Uchiha ganharem um cintilante brilho de vitória momentânea.

Sasuke sorriu de canto, de maneira quase imperceptível. Desejava comer dangos e era exatamente isso que o faria. Tinha certeza que ela deveria gostar de dangos. Era um dos itens que mais apreciava comer. Virou-se e continuou sua caminhada até o início da cidade, onde localizava-se o hotel onde a estrangeira dos cabelos rosados estava hospedada. Lembrava-se de uma barraca de dangos por aquelas ruas.

Abraçando os próprios braços, Sakura o seguiu. Estava frio. A brisa tornara-se mais intensa e tinha uma leve impressão que precisaria de cobertores extras para aquela madrugada. Voltou os olhos à ele, de costas, a caminhar calmamente sabendo que ela o seguia. Ele realmente tinha um porte imponente, tão imperioso como todo o lugar que residia. Deveria ser traços de sua família extinta. Teria muito a pesquisar... Aqueles trovões e raios... Seria alguma intervenção do espírito amaldiçoado dentro dele? Era bem provável. Assim como toda a história do atentado que havia levado-lhe a família. Ela iria descobrir... Queria descobrir... Aquele enredo havia mostrado-se mais interessante do que a Haruno supunha. Teria de ganhar a confiança dele e, para isso, estava mais do que nítido que era melhor manter aquele assunto embalsamado. Apenas poderia tocá-lo perante dele após o próprio lhe informar a respeito de seus familiares. Ele não poderia saber que ela tinha total consciência de que era um demônio.

Suspirando, Sakura sentiu o ar gélido invadir-lhe os pulmões. Jamais havia visto olhos ônix antes. Ele era mesmo um rapaz muito belo, exatamente como descrito pelas moças locais, reféns de sua aparência. Porém, não havia como se negar à beleza notável dele. Não estava acreditava que ele fosse tudo aquilo dito por elas, mas, tinha de reconhecer que talvez, elas ainda haviam sido econômicas. Entretanto, este ainda era um demônio e sua função era assassiná-lo. Não podia dar-se ao luxo de prender-se a beleza dele.

XXX

Hinata retirava a fita azul dos cabelos de mesma cor, no banheiro da lanchonete. Ayame já havia fechado-a há alguns minutos. A Hyuuga olhou-se no espelho. Naruto havia contado-lhe as mais diversas histórias, as mais diversas piadas e feito os mais diversos comentários. Era como se tivesse uma denominação a seu modo para tudo. Hinata permitiu-se sorrir de canto. Era como se ele emitisse luz própria, construísse o próprio caminho e não se importasse com os obstáculos futuros. Mas, no segundo seguinte, viu seu sorriso morrer. Teria de assassiná-lo. Teria de fazê-lo pelo bem de todo o Oriente, do mundo...

Não era de um todo justo alguém como ele, tão vívido e de um sorriso radiante, ter uma criatura tão desprezível dentro de si. Trazendo-lhe sofrimento, dor e angustia. Tinha uma leve suspeita que o fato do loiro ter perdido os pais ainda pequeno possuía relação com o demônio que vivia sobre a proteção da pele levemente dourada dele.

Ele havia aprovado seu lamén!! E garantira que voltaria na noite de amanhã, para repetir o lamén de porco que ela havia feito. Hinata o faria. Não somente pela necessidade de aproximar-se dele e ganhar a confiança dele, mas também, porque estava decidida a fazer de todos os instantes que o visse, verdadeiros. Estava em uma missão, era uma agente experiente e teria de prestar contas a Tsunade, porém, nada lhe impedia de tornar cada noite naquela lanchonete verdadeira como havia sido aquela.

_ Hinata! Vamos fechar! – chamou Ayame, batendo de forma suave na porta do banheiro onde a Hyuuga estava.

_ Certo! – exclamou Hinata, pegando sua bolsa branca com detalhes sutis em azul que estava sobre o cabide do pequeno banheiro e abrindo a porta.

_ Quer que eu lhe acompanhe até o hotel? – ofereceu Ayame, gentil.

_ Eu gostaria se não fosse lhe incomodar... – respondeu Hinata em tom baixo e doce.

_ Não, não irá incomodar de maneira alguma, até porque, moro bem em frente ao hotel de meu pai. E também, assim, você não vai sozinha a essa hora por essa estrada deserta e eu também não vou precisar ir. Normalmente tenho que ficar aqui mais alguns minutos sabe? Para garantir que o gás está fechado e essas coisas, mas já chequei isso mais cedo. – explicou Ayame, trancando o caixa e colocando sua bolsa cor de rosa feita de tecido.

_ Okay então. – assentiu Hinata, aguardando-a.

_ Vamos. – afirmou Ayame, pegando as chaves da porta da lanchonete.

XXX

Sakura olhava atentamente os dangos pedidos serem preparados, permitindo-se distrair de seu alvo por alguns instantes. Entretanto, este continuava a olhá-la, impressionado com o comportamento e imagem tão distinta da estrangeira. Aqueles cabelos cor-de-rosa... Jamais havia visto alguém com cabelo em tal tom, no entanto, vendo nela, era como se aquele tom incomum de cabelo tornasse-se um belo tom, que fazia o Uchiha lembrar das cerejeiras do norte. Das cerejeiras que apenas em dois meses do ano em Konoha, brotavam e afloravam nos campos distantes. Podia avistá-los do alto de sua casa, ou, do alto de qualquer casa do Distrito Uchiha.

Os telhados... O último andar daquelas casas... Eram os locais favoritos de Sasuke. No alto, era como se todo o sangue que manchara os primeiros andares das casas ficasse esquecido, longe, dando a ele, alguns momentos de harmonia. O alto era sua saída. Pode-se ver tudo do alto, os mais extensos muros não são suficientes para impedir ou tapar algo visto de cima.

Ainda apoiada sobre o pequeno balcão da barraca de dangos, Sakura mantinha-se dispersa, pensando em Hinata e Ino. Não haviam se comunicado durante o dia como o combinado e por isso, estava um pouco tensa. Tinha certeza que a Hyuuga voltaria para o hotel, porém, com Ino não tinha essa mesma certeza. A loira era imprevisível e havia colocado em hipótese passar a noite naquela propriedade afastada, analisando a casa de seu alvo. Sabia que a amiga era uma agente muito promissora, todavia, não sabia o que esperar de seu “oponente”. O fato dele alimentar-se de sangue já era preocupante.

Retirando Sakura de seus devaneios, o Uchiha tocou-lhe o pulso, intrigado com as fitas cor de rosa enlaçadas nele.

_ O que significa? – indagou Sasuke, olhando com esmero as fitas amarradas à pele alva da Haruno.

_ O quê? – perguntou Sakura com a voz falha por um breve instante, ocasionada pelo toque do Uchiha.

_ Porque as amarrou no pulso? – explicitou Sasuke, soltando o pulso da estrangeira.

_ Ah... As moças daqui usam muito dessas fitas, mas, como no meu caso elas não ficaram bem no cabelo, preferi colocá-las no pulso entende? Achei mais original. – explicou Sakura, sorrindo e voltando os olhos aos dangos, já prontos. Sasuke permaneceu a olhá-la. O sorriso dela era nobre, como se fosse superior ao das moças da cidade pacata que vivia. Ela realmente tinha um humor inteligente contido em si.

_ Aqui estão. – disse o homem que preparava os dangos, soando gentil.

_ Obrigado. Aqui está. – agradeceu o Uchiha, colocando sobre o balcão de metal da barraca o valor a ser pago pelos dangos.

_ Hey! Hey! Hey! Eu posso pagar pelo meu. – advertiu a Haruno, correndo até o Uchiha, que já ia caminho à frente.

_ Não. Foi idéia minha comer dangos, portanto, eu pago. – afirmou Sasuke com a face segura e a voz grave soando como uma ordem.

Sakura arqueou uma sobrancelha em protesto, porém, estava quase conformada que discutir com ele era uma mera perda de tempo, já estavam afastados da barraca de dangos em função das passadas agora rápidas dele.

A rosada então resolveu dar-se por vencida e saborear seus dangos. Sasuke fitava-a, notando em como a brisa noturna parecia fazê-la tremer e como os dangos eram ingeridos de modo sutil e muito educado por parte dela. Optou por também comer seus dangos e, algumas ruas depois, já estavam diante do hotel onde ela ficaria.

Parando próximo a portaria, o Uchiha observou-a subir os poucos degraus da entrada.

_ Até qualquer hora! – despediu-se Sakura, acenando e sorrindo amigável, adentrando a portaria ainda sentindo nos lábios o sabor dos dangos.

Sasuke não respondeu. Apenas virou-se e pegou seu caminho de volta para seus domínios. Entretanto, a estrangeira de cabelos rosados ainda o intrigava. A veria novamente? Ela havia dito que iria passar uma temporada em Konoha.

XXX

Sentado a sua janela, Naruto balançava os pés em comunhão com o vento frio que soprava em sua direção. Havia provado o melhor lamén de sua vida aquela noite. De fato, ela sabia cozinhar muito bem. Muito bem. Hinata... Não esqueceria aquele nome tão cedo. Era um nome de pronúncia suave, assim como ela. Tão delicada e calma... Jamais havia visto alguém que parecia deter tão bom coração antes. Ela era estrangeira, de uma metrópole. Sempre havia ouvido que as pessoas das metrópoles eram arredias e esnobes, no entanto, ela estava muito longe daqueles conceitos. Além disso, ela possuía olhos perolados. Semelhantes a lua que avistava naquele exato momento, iluminando a noite escura e compartilhando de sua luz com as estrelas brilhantes ao seu redor.

Não sabia qual motivo havia trazido Hinata a Konoha, porém, só poderia ser algum motivo de importância positiva. Estava animado! Ela ouvia-lhe como normalmente as pessoas não tinham paciência e, sentia que ela gostava de ouvir.

Todos os dias jantava na lanchonete. Entretanto, agora, era como se tivesse um porque inadiável para jantar por lá. Respirou fundo e mais uma vez direcionou seus olhos azuis até a lua... Ela estaria observando-a também naquele momento?

XXX

No hotel, Hinata estava a janela, contemplando a noite e em especial a lua, desde pequena, olhar a lua a noite no céu era um rito agradável, trazia-lhe calmaria e uma certa esperança do amanhã. Mas, o abrir da porta do quarto retirou a Hyuuga de seus devaneios.

_ Hina! Onde está a porca? – indagou Sakura, sentando-se sobre sua cama e retirando as sapatilhas cor de rosa que estavam a incomodá-la.

_ Não sei Sakura, ela não apareceu por aqui nem respondeu aos meus chamados no comunicador. – respondeu a Hyuuga, virando-se da janela para olhar a amiga.

Cansada, Sakura deixou o corpo cair sobre a cama e, com os olhos ao teto, disse:

_ Aquela porca deveria ter avisado a gente que iria passar a noite por lá.

_ Tudo que eu espero é que ela esteja segura Sakura, pelo que eu li rapidamente naqueles relatórios dela ontem junto dela, esse cara deve ser perigoso. – opinou Hinata, sentando-se em sua cama.

_ Mas ela foi armada, e a Ino tem uma mira incrível, qualquer coisa ela iria se defender. – comentou Sakura, mordendo o lábio inferior, ainda com o sabor daqueles dangos.

_ Pois é, mas mesmo assim, ela tinha que ter dado satisfações a gente. Se bem que dar satisfações nunca foi com a Ino... – completou Hinata, rindo ao pegar a camisola branca que iria usar para dormir.

XXX

Gaara observou Ino dormir por longas horas, até que dores em seu estômago retornaram e as horas seguintes, até que notasse a luminosidade solar, permaneceu naquele pequeno banheiro, a vomitar grande quantidade de sangue. Não havia comido nada o dia todo para que aquele em sua cabeça não ficasse furioso, mas, novamente, não havia sido suficiente. O jejum de todo o dia auxiliara nas dores e outra vez, seu frágil estômago não havia suportado o alimento em excesso para aquele em sua mente. Já havia perdido as forças e estava sentado próximo a porta, esperando que sua energia retornasse para conseguir se erguer de novo. Ela ainda deveria estar dormindo, habitando mundos agradáveis. O aroma dela parecia estar impregnado em si, e apenas sentir aquele perfume era como se o colocasse mais confuso. Ela não sabia quem ele era... Mas, não havia feito perguntas. Não sabia se este fato era bom ou ruim. Ela tratava-lhe com imparcialidade e não o julgava, isso de certa maneira o tranquilizava e parecia o instigar a querer desvendá-la mais e mais. A querer compreender o real motivo de suas ações. Não sabia o que sentira ao estar tão próximo dela no cair da noite passada. Uma calmaria curiosa havia surgido em si, e por mais que boa parte da madrugada tivesse passado ali, a render-se a dor, fora como se pela primeira vez, naquele início de noite, não se sentisse apavorado pela voz em sua cabeça. Ela não falara nada por aquelas horas, e, havia esquecido-se dela por seus pensamentos estarem ocupados na tentativa de análise da loira de pele macia a sua frente.

_ Vamos tomar café? – a voz divertida dela invadiu o ambiente e assustou-o.

Ela sorriu mais uma vez, se abaixando diante dele e sacudindo feliz seu velho ursinho de pelúcia, que estava jogado perto da porta daquele banheiro há várias semanas.

_ Ainda sobraram biscoitos... – completou Ino, passando a língua pelos lábios em um gesto infantil e indicativo da fome matinal que apossava-se dela.

XXX

Fitas cor de rosa... No pulso... Sasuke havia acordado cedo. Estava a caminhar pelas ruas de Konoha na direção da única e simpática padaria da cidade, com um único pensamento e busca: fitas cor de rosa... No pulso. Olhava para todas as mulheres nas ruas, porém, nenhum sinal dela. Mas, sabia que logo ela daria as caras. Levando fitas enlaçadas no pulso.

Notas finais
E então??? O que acharam?? Kisses, Nita.