Demônios
22 Capítulo 22: Especial parte 4: GaaIno
Notas iniciais
Incrédulo, Kankuro descia a velha escadaria de madeira em grande velocidade. Por Kami!!! Será mesmo que não havia visto coisas?! Atirando a grande mochila que tinha nas costas sobre o sofá, o Sabaku mais velho encaminhou-se afoito e deslocado até a cozinha. Temari não iria acreditar!!!
_ Temari!!!! Tema-... – ia gritando Kankuro, porém, o nítido conflito dentro da cozinha tirou-lhe as palavras... Sua irmã estava tentando golpear um estranho cara de cabelos amarrados e aspecto sonolento, como se tivesse acabado de despertar. No entanto, assim como ele, o estranho encontrava-se assustado com os ataques de Temari.
_ Saia da minha casa!!! – exclamou a loira de cabelos mel, tentando acertar o cabo da antiga vassoura em Shikamaru, que abaixou-se para não ser pego em cheio, bem no meio do rosto.
_ Hey moça!!! Não seja problemática!! Larga isso!! – exclamou Shikamaru, em protesto. Quem era aquela louca? Como ela havia surgido ali? E sua casa? Que história sem fundamentos era aquela agora? “Ino sua problemática... Em que furada você foi me meter?” questionava-se o Nara, confuso e com o pulso cardíaco acelerado. Mal havia acordado e estava sendo agredido por uma vassoura!!!
_ Kankuro!!! Tire esse ladrão da nossa casa!!! – gritou Temari, fervendo em cólera. O estranho estava conseguindo desviar-se de seus golpes com extrema precisão, nenhum homem havia obtido tal feitio antes. _ Se não sair agora eu irei chamar a polícia de Konoha!!! – ameaçou a Sabaku, derrubando a jarra de suco que estava sob a mesa, fazendo a peça de vidro espatifar-se no chão e todo o suco de laranja contido molhar as tábuas do chão.
_ Ladrão?! Você é maluca ou o quê?! – irritou-se o Nara, segurando fortemente o cabo da vassoura por entre os dois.
Paralisado, Kankuro observava a pequena batalha formada por sua irmã e o estranho, cujo sotaque era estrangeiro, provavelmente da metrópole. O que diabos estava havendo naquela casa? Esta era a única pergunta capaz de rondar sua cabeça no momento.
XXX
Ino rodeava o abdômen de Gaara com as mãos, sustentando-o sentado no colchão. O ruivo estava a expelir sangue outra vez e, assustado, tremia. Estava a sentir uma dor descomunal, a voz estava sem alimento há dias, deveria estar castigando-o.
_ ... Ino... – pronunciou Gaara fracamente, sem fôlego.
Retirando o sangue que escorria pelos lábios do ruivo com o grosso cobertor que estavam a cobrir-se a pouco, a loira o segurou com firmeza. Gaara estava ficando cada vez mais doente e, como suspeitava, aquele sangue era todo dele desta vez. Tinha que fazer algo!!! Não poderia deixar que aquele demônio definhasse por inteiro o estômago já fragilizado dele. Iria falar com Sakura, estava decidido. Ele não passava mal há alguns dias, no entanto, tudo não passara de uma completa ilusão. Achara que as injeções de ferro e o tranquilizante haviam acalmado a criatura, ou ao menos um pouco... Aflita, Ino suspirou. Não suportava vê-lo sofrendo daquele modo. Era como se também sentisse a terrível dor do ruivo...
_ Vai passar... Calma... – assentiu Ino, determinada. Tocando-o na testa de maneira suave, a loira verificou se ele tinha febre. Por grande sorte, ele ainda não estava febril.
Ofegante, Gaara grunhia. Todo seu interior queimava como o sol, doía bastante e a voz já proferia altos gritos em sua cabeça. Não... Ele não iria ferir Ino... Não iria realizar a vontade da voz. Ino sempre tirara sua dor, não teria coragem de feri-la. Gostava de sua companhia. Apreciava os toques que ela lhe desferia, somente ela. Também... Ela aquecia-lhe o corpo, de uma estranha forma. Entretanto, ele apreciava. Era agradável senti-la.
Emitindo mais um sôfrego grunhido de dor, Gaara deixou-se cair, sendo amparado por Ino. Sentia-se sem forças, não conseguia expelir mais sangue... Atenta, a loira acariciou com carinho o abdômen dolorido do ruivo, que franzia o cenho mediante ao contato.
_ Já vai passar Gaara... – confortou Ino, beijando docemente o pescoço gélido do ruivo.
Gaara apertou-se contra Ino, buscando pelo abraço que aprendera que retirava-lhe a dor estomacal. Antes da chegada de Ino, ele acreditava que nada poderia amenizá-lo daquilo. Porém, o incomum gesto que ela denominava de abraço o era. Não fazia com que ele se sentisse só, como por mais de dez anos, vivera. Dias vermelhos... Ausência de reações e sensações... Não queria voltar àquele período. Não! Não queria!
_ Ino... Eu não quero! Não quero! – manifestou-se o ruivo, nervoso, trêmulo.
A loira não compreendia ao que ele poderia estar se referindo, todavia, sentia que ele não precisava de suas palavras naquele instante. Tantos dias juntos... Enfim algo dentro de si dizia-lhe que estava conseguindo desvendá-lo. Desvendar seu calado e atraente mundo...
No entanto, um agito anormal vindo do andar de baixo fizeram os olhos dois arregalarem-se, surpresos.
_ Que gritaria é essa? – questionou Ino, inquieta. Parecia a voz de Shikamaru e... De uma mulher? _ Gaara, fique aqui, eu vou ver o que está acontecendo!!! – avisou a Yamanaka, desvencilhando-se dos braços do ruivo e correndo em direção a porta do quarto.
Um frio percorreu-lhe a espinha e, assustado, Gaara passou a respirar com dificuldades. Uma das vozes de estavam a discutir assemelhava-se muito a de Temari... Repentinamente, a face esquecida da irmã veio-lhe a mente.
XXX
A passos vagarosos, Sakura descia a grande escadaria da majestosa casa dos Uchiha. Cada degrau... Cada janela... Nunca pensou que apegaria-se tanto a um ambiente. Não, não era o ambiente a qual estava apegada... Era ele. Sempre tivera como razão de vida o sucesso em sua carreira como agente, todavia, Sasuke parecia estar apresentando-lhe um novo caminho de felicidade, um atraente novo caminho de felicidade. Não compreendia o que havia consigo naquela manhã... Repentinamente, todas as lembranças perdidas de sua infância brilhavam em sua mente. Brilhavam como as muitas luzes de Tóquio. Infância... Há muito havia esquecido-se dela. Curioso, realmente curioso estar recordando-se de tantos fatos já empoeirados pela ação do tempo.
Esticando os braços, a rosada alongou-se, contente. Estava uma linda amanhã! Uma linda e curiosa manhã... Com a imagem de seus braços a sua frente, Sakura espantou-se levemente. Estava repleta de marcas vermelhas e arranhões. Até quando ele pretendia etiquetá-la como dele? Curiosamente, já não importava-se com isso. Talvez quisesse ser etiquetada como dele. “Uchiha Sakura... Até que não fica mal...” pensou ela, surpreendendo-se consigo mesma por tal pensamento. Uchiha Sakura?! Uma voz dentro de si avisava-a sobre a missão. Ela ainda tinha deveres a cumprir. E sua independência também reclamava. Haruno... Haruno Sakura, por enquanto, ainda seria assim. Tinha de ser racional, mesmo que ele lhe tirasse de maneira majestosa a razão, e tornasse-a inútil muitas vezes, ainda precisava ouvi-la. Tinha que ouvi-la.
Subindo novamente as escadas, porém às pressas, Sakura encaminhou-se até o quarto de Sasuke. Recordava-se brevemente de ter deixado seu comunicador por ali, tinha que retirá-lo antes que o Uchiha o encontrasse. Adentrando o cômodo, a rosada logo olhou em direção ao chão, buscando pelo comunicador. No canto do quarto ela o encontrara, pegando-o. Porém, o que realmente chamara a atenção de seus olhos fora o pequeno dinossauro de pelúcia que também estava largado pelas tábuas do chão. Pegando a pelúcia com esmero, Sakura permitiu-se sorrir de modo travesso. Lindo dinossauro... Antigo, no entanto, imaginava como um homem de forte porte como Sasuke, com aquele brinquedo um dia. Erguendo-se do chão, a Haruno foi até a cama onde o Uchiha ainda dormia, sentando-se na beirada.
Dormindo, Sasuke era como um menino, sereno, imerso em um sonho qualquer. Divertida, ela colocou a pelúcia por entre os fortes braços dele, cobrindo-o mais com o lençol. Não estava uma manhã muito ensolarada, não seria bom que ele tomasse aquele ar frio tão diretamente. Deslizando os dedos pelos cabelos ébano do Uchiha, Sakura emitiu um suspiro. Estava passando a preocupar-se com ele... Querer aproximar-se dele em pequenos atos. Jamais pensara que faria tal coisa por um homem, definitivamente.
Beijando-o docemente no rosto, a rosada tomou um grande susto. Sasuke a puxara violentamente para a cama, fazendo-a rolar para o espaço vago do colchão. Rindo, o Uchiha a abraçou com força.
_ Você se assusta muito fácil... – debochou Sasuke, encarando-a nos olhos.
Erguendo uma das sobrancelhas, Sakura desferiu-lhe um golpe no ombro.
_Você que não deveria estar assustando ninguém logo pela manhã! – exclamou a Haruno, irritada. _ Eu vou me levantar, me solta! – completou Sakura, sendo impedida de levantar-se por Sasuke, que ainda ria levemente.
_ E se eu não soltar você? – indagou o Uchiha, em um sussurro, dando uma brincalhona mordida em uma das orelhas de Sakura. Não entendia muito, mas até mesmo irritada, ele era capaz de apreciá-la. Talvez, principalmente irritada. Gostava de ultrapassar a postura firme que ela criara para si. Com qual finalidade? Não sabia, mas em breve saberia. Acreditava que em breve ela lhe diria mais a seu respeito, quem sabe... Poderia enfim conhecer sua família. Sakura seria sua. Iria fazê-la amá-lo para que pudessem se casar.
_ Eu vou contar para toda Konoha que Uchiha Sasuke dorme com um dinossauro de pelúcia...- ameaçou Sakura, travessa com seu “contra-ataque”.
Finalmente percebendo, Sasuke direcionou seus olhos para o bichinho de pelúcia que estava entre eles. Como ela havia o achado? Rindo, Sakura pegou a pelúcia e, aproveitando da distração dele, levantou-se da cama, caminhando para fora do quarto, seguindo corredor à fora.
_ Sakura!!!Volta aqui!!! – exclamou Sasuke, surpreso. Ela iria mesmo fazer aquilo?!
Correndo atrás da Haruno, o Uchiha se atrapalhava pelo corredor em função do longo lençol que segurava envolta do quadril. Marota, Sakura divertia-se pelo desespero de Sasuke. Há muito tempo não ria daquele modo... Trancando-se no banheiro, a rosada olhou para o outro item que carregava escondido. O comunicador. Teria de escondê-lo novamente no banheiro, como sempre...
No entanto, uma mensagem na tela do eletrônico a fez arrepiar-se. Era Tsunade!
“Sakura! Sakura! O que está havendo por aí?! A missão está chegando ao prazo final de tempo, vocês nunca demoraram tanto para fechar um caso! E por que não respondem aos meus chamados?! Onde estão Ino e Hinata?! Estão tendo problemas?! Eu quero um relatório informando a respeito de tudo isso. Vocês tem uma semana.” Ouvindo a mensagem gravada de sua mestra, Sakura engoliu em seco.Uma semana. Tinham uma semana para abdicarem a missão antes que Tsunade mandasse reforços a Konoha e eles certamente matariam Sasuke, Naruto e o tal Gaara, que ainda não conhecia pessoalmente. Tinha que entrar em contato com Ino e Hinata urgentemente! Porém, mesmo se abdicassem à missão, seriam enviados outros agentes para terminá-la. Teriam que sustentar aquela farsa até que tivessem um plano concreto para que Tsunade acreditasse que eles não eram, nunca foram e não seriam... Demônios.
_ Sakura?! Que voz é essa? – indagou Sasuke, intrigado. Havia mais uma voz naquele banheiro! O que diabos estava acontecendo?
Com uma das mãos sob a boca, Sakura respirou fundo. Tinha que ser convincente...
_ Voz?! De onde tirou isso, Sasuke? – questionou a Haruno, escondendo depressa o comunicador no fundo do armário abaixo da pia.
_ Abre a porta!!! – controlando rapidamente o desespero que passava por suas veias, Sakura abriu a porta, sorrindo. Nada acontecera. Sasuke deveria acreditar nisso, era o melhor para ele. Talvez... Seu interior dissesse: para os dois. Não iria deixar que o ferissem!!! Não iria permitir de forma alguma.
_ Que voz, Sasuke? – perguntou Sakura, naturalmente, com o dinossauro nas mãos.
Observando o banheiro aparentemente intocado, o Uchiha encarou-a. Mas ele havia...
_ ... É culpa sua. Está me fazendo até ouvir vozes gravadas. – zombou Sasuke, trazendo-a para junto de si. Sensualmente, ele aproximou os lábios de ambos, pegando por fim o dinossauro de pelúcia. _ Não posso deixar isso cair nas suas mãos de novo. – finalizou o Uchiha, sorrindo de canto e correndo de volta ao quarto.
Indignada, Sakura correu atrás dele. Como ele ousava enganá-la daquela maneira tão baixa? Naquela manhã eles pareciam duas crianças. Crianças de infâncias perdidas... Talvez aquilo se aplicasse não somente a ele, mas a ela também. Era como se uma nova alegria estivesse a caminho daquela sombria casa.
XXX
_ TENTEN!!! – berrou Karin por fim, cruzando os braços. Estava a chamar a morena há mais de dez minutos e ela não respondia-lhe, parecia estar em outro planeta.
Assustada, a Mitsashi encarou a ruiva indignada a sua frente. “Estou na loja!” lembrou-se Tenten, assimilando a realidade a sua volta. Seus lábios ainda continham o sabor dos lábios do Hyuuga... E sua mente... Estava revivendo aquele inesperado beijo várias vezes seguidas.
_ O que foi? – indagou a morena, prosseguindo com sua tarefa de colocar os vestidos novos na vitrine.
_ O que foi?! Eu estou falando contigo há tempos e você está colocando esse vestido pérola no cabide desde que chegou!!! – exclamou Karin, tomando a peça das mãos da amiga, e colocando-a finalmente no manequim da vitrine.
Pérola... O mesmo tom dos olhos daquele forasteiro hostil e cavalheiro, por incrível que fosse, ele caminhava pelos pólos com facilidade. Será que nunca assumia um meio-termo? Será que ele relaxava? Inúmeras perguntas foram surgindo em sua cabeça, e novamente a ruiva de óculos vira-se ignorada por Tenten.
_ Ai o que foi que te mordeu essa manhã...? Você está estranha, totalmente dispersa, o que houve? – interrogou Karin, deixando a vitrine.
_ Nada. Eu não estou estranha. Só estou concentrada no meu trabalho. – assentiu Tenten, tomando o caminho do balcão onde o caixa da loja se encontrava. Não iria contar a Karin sobre o ocorrido, certamente ela lhe encheria de perguntas. Pela primeira vez, sentia que gostaria de guardar algo apenas para si mesma, como uma longínqua lembrança. Uma longínqua e doce lembrança...
_ Sei. – ironizou Karin, escorando-se na porta da loja. Konoha havia voltado a sua forma estática de sempre. Pelo visto os estrangeiros deveriam ter ido embora... Não os via mais pelas ruas, o que era uma pena, já que com aquele movimento anormal de pessoas da metrópole, a loja tinha mais clientes. Em um suspiro pesado, a ruiva dedilhou seus óculos, avistando uma majestosa presença a atravessar o início da rua. Em segundos, os olhos de Karin brilharam. Era ele. Uchiha Sasuke, o mais belo dos homens de Konoha.
Em um caminhar tipicamente firme, ele caminhava com algumas sacolas de pano bem bordado nas mãos, deveria estar indo ao mercado, certamente. Os cabelos ébano brilhavam sob a luz do sol, o jeans rasgado em formas acentuadas e o casaco de couro reforçavam seu estilo. Por mais que para muitos o Uchiha estivesse caminhando normalmente pela calçada, para Karin, era uma deslumbrante visão. Estava decidido. Iria fazer uma visita a ele hoje! Sim! Aquele local vasto que era o distrito Uchiha deveria estar precisando de um toque feminino, iria oferecer-lhe ajuda para colocar tudo em ordem. Ele poderia ser rude às vezes, mas ela tinha certeza que por trás de toda aquela sedutora marra, havia um homem impressionante e marcado pelo passado.
_ O Sasuke continua a cada dia mais lindo... Não sei como ele consegue. – comentou Karin em um suspiro. _ Tão bonito quanto aquele rapaz que esteve aqui a sua procura. Aliás Tenten, ele é de Tóquio mesmo? Pois ele é tão refinado quanto um europeu.
Despertando de seus devaneios, Tenten endireitou sua postura. Não compreendia porque estava daquele jeito por um estrangeiro que mal conhecia. Alguém que fora rude com ela e lhe acusara de ter culpa no acidente que explodira seu carro no em que chegara a Konoha. Com um sorriso nos lábios, Tenten recordou-se do daquele dia. Agora, as recordações eram hilárias. Ambos haviam esquecido-se do carro e ele virara pó. Sempre fora controlada, calma e responsável, todavia, o nervosismo dele havia tirado até mesmo ela do sério. Mas apesar de toda fúria e autoritarismo que ele carregava junto de si, ainda não havia esquecido-se do pesar com que ele se referira a sua infância. Algo o marcava por dentro. Algo o havia deixado tenso como era. Algo forte, doloroso, que ele nunca soubera superar ou tivera apoio para isso. Ela via solidão em seus olhos incomuns. Estava muito certa quanto a isso. Ele havia roubado-lhe um beijo para impedi-la de ver Kiba... Mas fora somente um beijo. Iria agir com naturalidade, por mais que aquele contato tivesse mexido com ela, tudo ficava mais colorido quando natural.
_ Sim, ele é de Tóquio... – respondeu Tenten, sentia-se mais calma. Ele havia doado-lhe um pouco de seu nervosismo, era a única explicação. Mas este já estava passando.
_ O Sasuke entrou no mercado! – proferiu Karin, retornando correndo para dentro das dependências da loja. _ Rápido Tenten, cadê a minha bolsa? – questionou a ruiva, apressada.
_ Lá em cima no estoque. – avisou a Mitsashi, porém, Karin já havia subido os degraus há alguns segundos.
Sasuke... Sempre ele. Será que Karin não se dava conta que o Uchiha não apreciava companhia? Ele nunca correspondera a nada que ela planejava. Mas, talvez, um dia correspondesse. No entanto, tinha quase certeza de tê-lo visto junto da estrangeira de cabelos rosados, e pareciam estar conversando de modo entrosado. O que, para alguém como ele, era raro. Muito raro.
XXX
Cantarolando uma música antiga, Naruto guiava o carrinho de compras com astúcia por entre as grandes prateleiras do mercado. Iria fazer as compras sozinho desta vez. Hinata estava dormindo tão calmamente que não tivera coragem de acordá-la. Tão singela como um anjo, jamais a faria carregar aquelas sacolas pesadas. De maneira alguma! Ela havia listado na noite anterior tudo que estava em falta em sua casa e formaria as compras do mês. Seguiria a lista a risca! Era dever de todo homem ajudar nas tarefas domésticas. Sua mãe sempre repetia isto e aquela sutil lembrança nunca lhe saíra da mente. Seu pai sempre a ajudava nas tarefas. E agora que estava tendo um namoro sério e estável, seu primeiro namoro, faria de tudo para que Hinata se orgulhasse dele, assim como sua mãe orgulhava-se do jeito de seu pai. Também, iria descobrir quem estava por trás daquele revólver! Estava certo disso! Não permitiria que Hinata estivesse sujeita a qualquer tipo de perigo.
Parando em uma das seções do mercado para pegar alguns produtos de limpeza, o loiro retirou a carta que seu padrinho deixara no quarto de hóspedes, agora já vazio novamente. “Naruto, fui em busca de um novo caminho para trilhar. Já não sou jovem como antes, porém ainda tenho muito combustível para gastar e pretendo finalmente arrumar um lar fixo. Assim que conseguir, lhe envio o endereço para que me faça uma visita com Hinata. Gostei muito da moça, ela lhe ama. Vocês formam um bom casal e cuide bem dela, agora sei que está seguro, construindo sua própria família. Boa sorte em mais essa missão meu jovem, nunca esqueça que seu padrinho lhe quer bem. Prometo comprar seus presentes do próximo natal e aniversário. P.S.: cuide muito bem do cachorro, ele até que é um bom bichinho. Jiraya.” Akamaru. Seu padrinho, mesmo sob o discurso de não apreciar animais, havia sido pego pelas travessuras daquele grandalhão. Cuidaria de Akamaru até Kiba sair do Hospital, era uma promessa.
Movendo o carrinho de compras outra vez, Naruto pegou um grande saco de ração, Akamaru iria gostar. Verificando novamente a lista feita por Hinata, o Uzumaki viu que faltava somente mais um item: um xampu que Hinata pedira. Caminhando tranqüilamente até a área de cosméticos do mercado, o loiro logo avistou o produto. “Que sorte!” pensou Naruto, sorrindo. Só havia mais uma unidade do produto. Indo até o final da seção, o Uzumaki o pegou, porém, alguém também o pegara, ao mesmo tempo.
Encarando o moreno ao seu lado, Naruto o reconheceu. Era o outro... Como ele.
_ Hey! Quer largar? Eu peguei primeiro. – assentiu Sasuke, puxando o vidro de xampu, no entanto, o loiro não o soltara.
_ Não! Eu peguei primeiro! – exclamou Naruto, puxando o vidro com mais força.
Os olhos ônix e azuis se estreitaram, em um silenciosa disputa. Não largaria aquele xampu por nada, Hinata que havia o pedido. Rangendo levemente os dentes, Sasuke apertou os dedos, segurando o vidro com mais força que o Uzumaki. Sakura havia solicitado aquele xampu, seja quem fosse aquele garoto maluco que lhe parara na rua outro dia, teria que soltar o produto. Ele havia pegado primeiro. Eram iguais... O Uchiha sabia disso. Sabia tanto dele quanto da existência do terceiro, que havia marcado a amiga loira de Sakura como dele. Todavia, se aquele idiota pretendia competir, iria perder feio. Ele tinha controle sobre sua sombra, aquela que viva dentro dele.
Puxando novamente o vidro de xampu, Naruto o sacudiu, enfurecido. Quem aquele almofadinha achava que era para olhá-lo daquele jeito? Como se fosse superior?
_ Solta!!! Eu peguei primeiro!!! – assegurou Naruto, puxando ainda mais o produto.
_ Não vem com essa!! Eu peguei primeiro!! – cortou Sasuke, também puxando o xampu em sua direção.
Logo uma intensa disputa pelo vidro de xampu lilás formara-se no mercado. Os funcionários do caixa ouviam a confusão assustados, e os demais já haviam reconhecido os dois. Eram Uzumaki Naruto e Uchiha Sasuke, ambos órfãos e detentores de muitas lendas dos mais velhos da cidade a respeito de cada um. Em pouco ambos trilhavam um desenfreado caminho até um dos caixas, com o xampu entre eles e seus respectivos carrinhos.
_ Passa logo isso!!! – proferiram os dois juntos, olhando seriamente para a moça atrás do caixa, que tinha os olhos arregalados pela disputa.
_ N-Não posso passar para os dois! – argumentou a moça, encarando os olhos raivosos dos dois rapazes.
_ Claro que não, eu que peguei esse xampu! – argumentou Naruto, puxando mais uma vez o produto, todavia, Sasuke não o largara.
_ Você chegou lá depois, idiota! – manifestou-se Sasuke, puxando o xampu em sua direção outra vez, mas Naruto não o soltara.
Os olhos de ambos se cruzaram novamente. Naruto sentia-se em uma séria disputa de faroeste, aquele criminoso tirano estava tentando assaltar o banco da cidade, era dever do xerife protegê-la. E ele era o xerife ali, havia pegado o xampu primeiro. Sasuke não acreditava que estava envolvendo-se em uma disputa por um xampu, entretanto, aquele loiro idiota havia desafiado-o. E ele era Uchiha Sasuke, não fugia de desafios.
Porém, de tanta agressão, o frágil vidro de xampu se abriu, caindo ao chão e sujando o chão do mercado.
_ Viu o que você fez?! – falaram juntos, e assim que constaram mais essa coincidência, viraram os rostos, emitindo um resmungo qualquer.
_ Você me deve uma rodada de lamén por isso. – afirmou Naruto, colocando suas compras sobre o outro caixa.
_ Eu? Lhe devendo uma rodada de lamén? Você só pode ser louco... – debochou Sasuke, rindo com escárnio, colocando suas compras no caixa oposto.
_ Está me devendo uma rodada de lamén sim! Você acabou com o xampu que eu iria levar para a minha namorada, cara. Vai ter que me pagar uma rodada de lamén ou achar um igual para eu levar para ela. – argumentou Naruto, colocando o restante das compras sob a pequena esteira do caixa.
_ Se for assim você que me deve uma rodada de sakê, idiota. Esse xampu era para a minha noiva. – justificou Sasuke, fazendo o mesmo.
_ Então fazemos assim: você me paga uma rodada de lamén, e eu te pago uma rodada de sakê. Vamos ver quem termina por primeiro, almofadinha. – propôs Naruto, pegando as sacolas e pagando pela compra.
_ Fechado. – aceitou Sasuke. Aquele imbecil jamais terminaria uma rodada de lamén antes dele, estava acostumado a beber, não teria problema algum, já ele... Era melhor ter um antiácido em casa. Rindo de canto, o Uchiha comemorava internamente sua vitória.
_ Okay então! Amanhã as nove, na lanchonete Ichiraku, na entrada de Konoha. – finalizou Naruto, recebendo como confirmação um aceno de cabeça por parte de Sasuke.
Deixando o mercado, Sasuke resmungou baixo:
_ Dobe.
Ouvindo, Naruto rebateu:
_ Teme!
XXX
Caminhando pela casa, Hinata buscava um local seguro para guardar o relatório semanal que fizera. Com a saída de Naruto, era o momento ideal para realizar aquela tarefa que, para ela, a cada dia tornava-se mais árdua. Mal podia crer nas próprias palavras, ao modo frio como tinha de retratar Naruto, como um objeto em estudo pela missão. Aquilo não era correto... Tinha que contar a verdade ao loiro. Tinha que falar diretamente com Tsunade, sabia que seu primo não seria nada flexível e aquele detalhe a preocupava. Neji poderia tomar alguma providência precipitada antes, e temia que isso pudesse ocorrer. Não queria que Naruto se machucasse, tanto fisicamente, quando emocionalmente. Ele iria odiá-la, com certeza, mas ainda tinha esperanças de que, se explicasse tudo, ele ainda poderia aceitá-la. Ele tinha um grande coração... Um grande e nobre coração. Naruto certamente compreenderia que, apaixonar-se por ele, não estava em seus planos... Todavia, ele era a melhor coisa que havia ocorrido em sua vida. Depois de tantos anos, Hinata sentia-se com um forte motivo para sonhar. Sonhar todos os dias.
Em um suspiro, a Hyuuga guardou o relatório por entre seus pertences da missão, escondidos ao fundo do grande aparador da sala. Pegando seu comunicador, ela observou a tela, que piscava levemente. Teria que se encontrar com Sakura e Ino, urgente. Aquela mensagem só poderia ser de Tsunade e tinha receio em recebê-la. Com certeza as duas já deveriam ter visto. Colocando o comunicador novamente ao fundo do aparador, Hinata se ergueu, sentando-se no sofá. Neji já deveria ter vindo atrás dela... O que será que estava acontecendo para fazê-lo esquecer-se de que tinha de cobrá-las os relatórios? Estavam há dois dias sem voltar ao hotel e ele ainda não havia entrado em estado de fúria. Não sabia o motivo, mas tinha a impressão que, assim como elas, o primo encontrara algo de valioso naquela isolada cidade. De repente, a imagem da bela morena de coques com quem ele estava no dia em que abordara a ela e Naruto na estrada, veio-lhe a mente. Seria ela? Com um pequeno sorriso, Hinata encarou o chão. Neji havia passado por um grande trauma. Até hoje podia lembrar-se com detalhes do dia em que sua tia deixara a casa de seu avô, abandonando a ele e seu tio, Hizashi. Talvez ali, naquele momento, ele perdera fé nas pessoas, perdera grande sorriso que costumava ter no rosto, dando lugar a uma expressão irritadiça, sempre focado no trabalho, como se quisesse esquecer de quem realmente era.
Naruto ensinara-lhe que o amor poderia salvar qualquer pessoa, se o primo amasse ao menos uma vez, quem sabe voltasse a ser o Neji feliz que conhecera quando pequena...
O som de batidas na porta despertara a Hyuuga de seus pensamentos e, contente, ela dirigiu-se até a porta. Naruto era mesmo incrível! Havia voltado com tanta rapidez! Sorrindo, ela abriu a porta, receptiva. Porém, não fora a face do loiro que vira, sim a de uma mulher de cabelos violeta, que segurava a mão de um de homem de cabelos vermelhos. Analisando-o, Hinata chocou-se. Ele era extremamente magro e, por um minuto, achou que ele estivesse sustentando-se com o auxílio da mão dela.
_ Sim? – indagou Hinata, confusa. Quem eram eles? O que queriam ali?
_ Bom dia, aqui é a casa do senhor Jiraya? – perguntou a mulher de cabelos violeta, apesar da forte voz feminina, seu timbre era suave.
_ Bem... Lamento informá-la mas ele partiu pela manhã... – respondeu Hinata, escorando-se de leve à porta. Será que eram mesmo conhecidos do padrinho de Naruto? Será que Naruto também os conhecia?
_ ... Bom, muito obrigada, de qualquer forma. – lamentou a moça. Todos os dias de viagem novamente em vão. Sempre quando achavam ter localizado o paradeiro de Jiraya, mudava-se mais uma vez de cidade.
Encarando-se, Hinata e a moça dos cabelos violeta viram-se obrigada a cessar suas respectivas análises. Uma tosse aguda as cortou.
_ Nagato! – exclamou a moça, aflita, virando-se para o homem de cabelos vermelhos.
_ Entrem! É melhor que ele tome um copo de água! – manifestou-se Hinata, dando passagem aos dois e correndo em direção a cozinha, apressada.
_ Não se preocupe Konan... Estou bem... – proferiu Nagato, ofegante. Seus dias já estavam contados, tinha ciência disso. Não queria que Konan passasse mais tempo de sua vida preocupando-se com alguém como ele. Queria vê-la feliz, fazê-la feliz, mas sabia que a segunda opção era completamente inválida.
_ Não, você não está bem! – discordou Konan, aceitando o convite de Hinata e adentrando a simpática casa em amarelo e laranja. A garota dona do lugar parecia afetuosa, simples, e tinha um aspecto doce. Ela e Nagato haviam caminhado por muitas horas, e diante da condição do rapaz de cabelos vermelhos, não estava em condições de recusar um pouco de água.
Konan o ajudou a sentar-se sobre o sofá da sala. Em seguida, Hinata reapareceu com um copo de água nas mãos.
_ Aqui. – disse a Hyuuga, entregando o copo a Nagato, que passou a beber o líquido contido ali em pequenos goles. Sentia sua garganta doer outra vez. A doença estava avançando com o passar dos dias.
_ Muito obrigada. Nós viemos aqui procurar pelo nosso mentor, Jiraya. Muito prazer, meu nome é Konan. – apresentou-se Konan, sorrindo gentil, estendendo a mão à Hinata.
_ Hyuuga Hinata. O senhor Jiraya é padrinho do meu namorado, ele esteve aqui nos últimos dias, mas partiu hoje pela manhã. – revelou Hinata, aceitando o cumprimento. Eles não pareciam más pessoas, eram muito educados. Sorrindo, a Hyuuga divertiu-se internamente. Para um senhor de idade, Jiraya era muito aventureiro. Além disso, sua sabedoria e espírito jovem fizera muito bem a ela e Naruto. Se não fosse pelo padrinho do loiro, uma tragédia poderia ter ocorrido.
_ Obrigado. – limitou-se Nagato, encarando-a. Era a primeira vez que topava com alguém com os olhos tão diferentes como os dele. Seus olhos não eram comuns, assustavam as pessoas. Mas no fundo, não passava mesmo de uma aberração que, aos vinte e cinco anos, encontrava-se em estado terminal de uma doença que logo o levaria embora. Ao menos gostaria de estar ao lado de Konan quando também fosse embora. Queria levar a visão do lindo rosto dela consigo, era tudo que lhe era permitido.
_ Hinata!!! – a estridente voz de Naruto adentrou o recinto, fazendo os três olharem para a porta.
Sorrindo de maneira marota, o loiro deixou as sacolas sob o aparador e fechou a porta.
_ Temos visitas? – interrogou Naruto, colocando as mãos na cintura em descanso. Não havia sido tão fácil como pensava carregar todas aquelas sacolas pela estrada. E esperava que Hinata se esquecesse do xampu. Maldito moreno almofadinha metido... Iria perder feio amanhã. Lamén era a sua segunda razão de viver. A primeira era Hinata... O carinho e amor dela haviam feito aquela casa brilhar como nos tempos de seus pais. Assim como o coração dele. Por mais que não fosse tão romântico ou bom com as palavras, era dessa maneira que se sentia.
_ Eles estão procurando seu padrinho, Naruto. – contou Hinata.
_ O meu padrinho? – interrogou o Uzumaki, olhando para Konan.
_ Sim, estamos buscando por nosso antigo mentor, o Jiraya. Ele nos disse há um bom tempo que gostaria de nos encontrar e, bem... Estamos com pouco tempo. – respondeu Konan, cabisbaixa. Sabia que falar no assunto da doença entristecia Nagato, e com a resposta de vários médicos confirmando sua pouca vida restante, encontrar Jiraya fora à única forma que encontrara para que o amigo tivesse aquela feroz tristeza amenizada. Eles tinham de encontrar Jiraya.
“Mentor?” Incrédulo, Naruto encarou-os. Então eles eram os órfãos que seu padrinho resgatara há muitos anos? Por seus aspectos, o loiro enfim sabia de quem se tratavam. A moça só poderia ser Konan, e aquele... Aquele era Nagato. Seu padrinho dissera que ele estava muito doente, mas agora que finalmente o vira, duvidava das palavras dele. Ele não estava doente, parecia à beira da morte.
No entanto, aqueles cabelos vermelhos e a pele alva lembravam-no de sua mãe. De algum modo, eles pareciam-se muito.
_ Por que não ficam aqui esta noite? Vocês devem estar cansados e esta casa também é de meu padrinho. Acho que poderei ajudá-los a localizá-lo. – assentiu Naruto, contente. Sentia-se bem em poder ajudar a eles. Era o dever de um Uzumaki, como dizia sua mãe. _ Ah! Meu nome é Naruto. Uzumaki Naruto. – completou ele, sorrindo e puxando Hinata ao seu lado.
XXX
Dando mais alguns passos, Neji finalmente bateu na porta a sua frente. Os relatórios constando às ausências daquelas três já estavam devidamente prontos, no dia seguinte, já os enviaria para Tsunade. Havia pensado em ir atrás delas, no entanto, um garotinho cruzara seu caminho, derrubando uma casquinha de sorvete em seus sapatos. Logo após, ela aparecera... Ela aparecera e, diante da chuva, dormira em seu quarto no hotel. Havia passado longas horas, somente a observá-la inerte em seus sonhos. Gostaria de saber o que ela poderia estar sonhando... Ela sorria, provavelmente, seus sonhos eram mais felizes que os dele, desde o dia em que vira o mundo a sua volta se quebrar. Via as primas, mesmo com alguém severo como seu tio Hiashi de pai, ter o modelo ideal que havia sido retirado dele. Retirado pela irresponsabilidade dos dois. Talvez... Ele também fosse um erro, uma irresponsabilidade.
Assim que os anos pesaram em suas costas, jurou a si que seria o oposto de seus pais. Não havia ninguém mais responsável dentre os Hyuuga que ele. Até mesmo Hinata desviava-se de seu caminho, e a maior prova disto estava naquele loiro a quem ela deveria matar, entretanto, aparentava ter-se apegado. Havia decidido interferir naquela loucura da prima, mas repentinamente, depois de observar Tenten por uma noite, colocava seus planos a baixo. Hinata que arcasse com as consequências do que estava buscando... Tinha poucos dias naquele fim de mundo. Mas, ao contrário de sentir-se contente por isso, sentia-se vazio.
Talvez ela tivesse as respostas mais uma vez...
Parado a sua porta, ele aguardaria até que ela voltasse de Konoha. Paciência não era uma de suas maiores virtudes, porém, quando se tem muito para organizar dentro da própria mente, a paciência era a maior aliada. Esta era uma das poucas frases que seu pai dissera com sensatez após o dia em que sua mãe deixara as sandálias ao lado da porta, saindo por ela sem olhar para trás... Sem olhar para ele... Sem dar ouvidos as suas perguntas... Culpara-se por toda a infância, até que com a saída do colegial, conformara-se com os fatos. Não adiantava dar vida aos mortos, nada poderia fazer a morte transformar-se em vida novamente. Ela era única, certeira. E, conformando-se com isto, ele retirara as cores de seu mundo, mas enterrara a imagem de ambos na mais funda das covas.
Demônios... Aqueles três, de certa maneira, tinham uma grande sorte. Aquela condição os blindava da droga ilusória chamada de família.
_ Forasteiro? O que faz aqui...? – a acentuada voz oriental de Tenten o tirara de seus pensamentos e, encarando os orbes castanhos brilhantes a sua frente, o Hyuuga sorriu de canto. A voz dela estava com diferentes notas... Será que conseguira convencê-la finalmente de que não dividia suas companhias? O sabor adocicado dos lábios dela era embriagante, ela era diferente das moças de Tóquio. Pela breve companhia dela, enquanto ainda estivesse em Konoha, ele seria capaz até de passar um trator por cima do Inuzuka. Ela conseguia desarmá-lo, o desafiava e tinha todas as respostas... Ela sempre tinha as respostas...
XXX
Especial GaaIno:
A vagarosos passos, Gaara descia as escadas em direção à confusão formada na sala de sua casa. Havia muitas pessoas... Tantos gritos... Nem mesmo parecia sua casa. Talvez, ficara tanto tempo imerso no vazio daqueles tacos de madeira... Tanto tempo dentro daquele quarto escuro... Tanto tempo naquele grande vazio... Que encarar tantas pessoas naquele recinto o assustava.
Ino e Temari discutiam, a loira encontrava-se em absoluta cólera. Como aqueles dois tinham coragem de pisar naquela casa novamente?! Como tinham imensa cara de pau de declararem-se irmãos de Gaara depois terem o abandonado ainda criança?!
Temari encontrava-se revoltada. Namorada de seu irmão?! Desde quando alguém como Gaara teria uma namorada?! Ainda alguém como ela?! Toda a sua aparência demonstrava futilidade e uma vulgaridade que chegava a ser absurdo o que aquela invasora falava. Tanto ela quanto o rapaz de cabelos amarrados certamente tinham apropriado-se da casa de seu irmão e de sua família. Segurando a irmã, Kankuro tentava impor-se na conversa. Assim que a outra loira descera até a cozinha, tivera a certeza de que o que vira não fora uma miragem. No entanto, acreditar que Gaara estava junto de uma garota ainda o surpreendia, muito mais por tratar-se de uma loira esbelta de belas curvas como ela...
Segurando Ino, Shikamaru também tentava conter o embate das loiras. Antes, pensava que Ino era a mais problemática das mulheres depois de sua mãe, mas agora via que junto daquela maluca que o atacara com uma vassoura, as duas superavam e muito sua mãe. Não conseguia entender nada do que estava acontecendo! Sossego... Calmaria... É, havia se enganado mesmo com suas conclusões sobre aquele lugar isolado. Ou como Neji lhe relatava, “naquele fim de mundo”. Aquela casa estava reunindo mais barulho do que toda Tóquio à noite! E como se isso não bastasse, ainda tinha que conter a fúria de Ino, antes que esta avançasse na maluca que o abordara.
_ Saia você desta casa!!!! Esta casa é do meu irmão, da minha família!!! Eu vou chamar a polícia de Konoha para vocês!!!! AGORA!!! — berrou Temari, sendo segurada por Kankuro para que soltasse a vassoura que ainda tinha em mãos.
_ Temari...! – proferiu Kankuro, com dificuldades, tentando fazer a irmã largar o objeto que por pouco não acertara a ele e o outro cara que estava a segurar a outra loira.
_ Ino fica. – sentenciou Gaara, com o cenho fechado, aos pés da escada.
Assim que o timbre rouco e firme do ruivo fez-se presente, todos viraram-se para ele, surpresos. Entreabrindo os lábios em choque, Temari encarou a figura do irmão. Era Gaara... Ele havia crescido. Crescido muito. Não era mais a criança agressiva e triste que seu pai mantinha nas correntes do quarto... Não, aquele Gaara a sua frente era um adolescente, quase um homem.
_ Gaara! – exclamou Ino, soltando-se de Shikamaru e colocando-se ao lado do ruivo, preocupada.
_ Esta casa é minha, vocês a deixaram há muito tempo. Então digo que Ino fica. Ela não sairá daqui, não vou permitir que a tirem de mim. – decretou Gaara, com o tom de voz um pouco mais alto.
Incrédula, Temari custava a associar as palavras que ouvia. Então era mesmo verdade? Gaara estava envolvido com aquela garota?
_ Gaara... – pronunciou a loira de cabelos mel, chocada. Nunca em sua vida pensara vê-lo relacionando-se com alguém, tão pouco com uma garota do porte dela. Aliás, há poucos minutos, por mais que acreditasse fielmente que ele estaria vivo, a dúvida sobre o fato ainda existia. Aquela garota não temia Gaara? Será que sabia do que havia dentro dele?
_ Gaara, ela é sua namorada? – indagou Kankuro, soltando a irmã, ainda atônita.
Desviando os olhos verdes na direção de Ino, Gaara a encarou, em busca de uma resposta por parte dela. No entanto, a Yamanaka quem aguardava pelo que ele diria. Lembrava-se que Gaara havia perguntado a ela o que era uma “namorada”, mas no dia, não quisera confundir a cabeça dele, também, não sabia exatamente o que eram. Simplesmente eram, um título não era necessário e, pela primeira vez, Ino sentia que exatamente esta ausência indicava que o amava. A forma simples como apegara-se fortemente ao ruivo fazia com que seus sentimentos por ele fossem mais importantes do que qualquer denominação. Os dias pacatos que estavam deixavam-na mais feliz do que qualquer dia cheio de programas de compras e festas em Tóquio. Apenas um sorriso tímido por parte dele fazia tudo valer a pena. Fazia aquela missão insana valer a pena, e qualquer risco que tivesse de enfrentar.
Pegando a mão de Ino, Gaara olhou para o irmão em resposta. Quando a questionara sobre o que era uma “namorada”, ela dera a mão de seu surrado ursinho com a mão da pelúcia de olhos brilhantes que comprara. Queria Ino naquela casa, com ele. Ao seu lado, como os ursinhos que ela dera as mãos naquele dia. Portando, ela era uma “namorada” para ele.
Observando o gesto do ruivo, Ino sorriu. A maneira própria dele de interpretar o mundo sempre a encantava, a cada dia.
Com a sobrancelha erguida, Shikamaru encarou a cena, obtendo a confirmação que precisava. É... Pelo visto as coisas estavam mais complicadas do que imaginara. Ino teria sérios problemas com a agência. No mínimo, teria sua ficha de agente retirada dos arquivos da empresa. Não pensara que poderia ser tão séria a situação da Yamanaka. Ela sempre cansava-se de seus namorados, mas pela primeira vez, via algo diferente nos olhos azuis daquela problemática que conhecia desde o final dos tempos de colégio.
Surpresos, Temari e Kankuro encaravam o olhar determinado do irmão caçula.
Direcionando-se as escadas outra vez, Gaara as subiu depressa, sentia-se perdido. Completamente perdido. Já não lembrava bem dos irmãos... Ino o seguiu, vendo-o adentrar o quarto de novo e sentar-se naquele escuro canto.
_ Gaara! – chamou Temari, fazendo menção em seguir o irmão, no entanto, Kankuro a segurou pelo braço, impedindo-a.
Acenando negativamente com a cabeça, o Sabaku mais velho olhou para a irmã, seguro.
_ Ele está assustado. Nós também estamos... Vamos arrumar nossas coisas, okay? Vou para o meu quarto. – avisou Kankuro, tomando o rumo das escadas. Deveriam tentar ser um pouco sensatos ou aquele excesso de informações os enlouqueceria por aquela noite.
Respirando fundo, Temari sentou-se sobre o sofá da sala. Desviando seus olhos para o rapaz que havia atacado, a loira dos fios mel o encarou, com uma das sobrancelhas erguidas. Aquele cara ficaria ali parado até quando? Aliás, quem era ele?
_ Acho que isso é seu... – disse Shikamaru, pegando a vassoura estirada no chão e colocando ao lado de Temari. _ ... Só para constar, eu sou amigo da Ino, estou só passando uns dias aqui. Então será que você poderia ser menos problemática e manter isso longe de mim? Não é nada legal acordar e quase ser enforcado por um cabo de vassoura. – completou o Nara, com sua séria ironia natural.
Cerrando um dos punhos, Temari rangeu os dentes. Será que ele não sabia falar mais nada além de “problemático”? Seja qual fosse o nome daquele brutamonte machista com aspecto de jovem vagabundo, que só sabia colocar as pernas para o alto, ligar a tv, dormir e comer as custas dos pais, ele não o aturaria por mais nenhum minuto. Iria falar com Gaara naquele instante e ninguém iria impedi-la.
Erguendo-se do sofá, a Sabaku dos cabelos mel colocou-se de frente para o Nara, encarando-o.
_ Se pretende bancar o engraçadinho toda hora, é melhor pensar de novo. Ou você vai acordar é com uma linda e sutil espingarda no pescoço... Sua preguiça invasora. – rebateu Temari, mais calma.
Se havia algo que tinha aprendido com o próprio pai era que os homens não passavam de burros metidos a machões, sempre subestimando as habilidades femininas. E, pelo jeito, aquele cara com ar metropolitano não passava de mais um deles.
_ Hunf... Que saco... – bufou Shikamaru, com ar monótono. Ter que suportar aquela maluca não seria fácil. E esta era mais uma razão para convencer Ino a levá-lo a Konoha no dia seguinte mesmo, para hospedar-se em um hotel, longe daquela garota e sua vassoura. Só não deixava aquele lugar no exato minuto pois, no final das contas, era aniversário do moleque ruivo. E por ter trazido aquele grande bolo confeitado sentindo fome na viagem, nada mais justo do que poder comer um pedaço do doce, por mais que Ino já tivesse atacado-o na noite passada.
Dando as costas a Shikamaru, Temari encaminhou-se até as escadas, subindo-as. O Nara acabou por fazer o mesmo, iria retornar ao quarto em que estava e dormir novamente, era o melhor a ser feito.
Parada em frente à fresta da porta do quarto do irmão caçula, Temari assistia surpresa cena que via. Gaara estava sentado no mesmo canto onde há anos atrás, ficavam presas as correntes que o mantinha no quarto. No entanto, ele estava a chorar baixo, abraçado a tal Ino, escondendo o rosto em um dos ombros dela. Ela, por sua vez, estava a acalmá-lo, fazendo carinhos em suas costas. Ela não tinha medo dele. Ele não tinha vergonha em chorar junto dela. E chorava por causa deles. Kankuro tinha razão, eles tinham assustado Gaara e, provavelmente, ele nem mais se lembrava dos dois com total clareza. Também, as lembranças do período em que viveram os três juntos não deveriam ser boas para Gaara. Por mais que se preocupassem em deter seu pai de agredi-lo, de deixá-lo sem se alimentar, nunca tiveram aquele cuidado com o irmão. Aquele que a loira de cabelos mais claros que os seus estava a ter, não deixando-o sozinho. Talvez, Gaara nem os considerasse como irmãos... Eles sempre deixavam-no sozinho e, no fim de tudo, foram isso que fizeram por mais de dez anos.
Flash Back:
“Encostados à porta do quarto de Gaara, Temari e Kankuro ouviam o irmão menor chorar alto, ora gritando junto ao forte choro.
_ Temari, temos entrar! Gaara deve estar atado outra vez, nosso pai não o deixa comer desde ontem, ele deve estar com fome. – argumentou Kankuro, aflito. Mesmo que o irmão fosse altamente perigoso, ainda eram irmãos, uma família. Ou um projeto de família, como o pré-adolescente dos Sabaku costumava pensar às vezes.
_ Não podemos! Nosso pai vai ficar zangado conosco outra vez! Ele disse que não era para darmos comida ao Gaara. – posicionou-se Temari, receosa. O pequeno já havia derrubado-a no chão uma vez, quando tomara a decisão de trazer um lanche a ele na semana passada. Temia que, agora que o pai havia ido a Konoha, não conseguissem controlá-lo se ele voltasse a ficar agressivo.
_ Ele tem só cinco anos, Temari! Vai ficar doente! Chega, eu vou entrar. – decidiu Kankuro, abrindo a fechadura do quarto e a porta. _ Você o desata e tenta acalmá-lo, eu vou pegar alguns bolinhos de arroz e suco lá em baixo. – completou ele, correndo em direção a escadaria.
Temari entreabriu os lábios, na tentativa de falar algo a Kankuro, todavia, ele já havia descido. Respirando fundo, ela encarou a fresta da porta. Gaara estava com todo o corpo preso pelas ataduras brancas, desta vez, seu pai não havia usado-as apenas em suas mãos e pés, tinha enrolado-o por praticamente todo o corpo. Desesperado, o pequeno chorava e gritava, se remexendo.
Aproximando-se dele, ela o segurou, fazendo-o encará-la, com os olhos avermelhados.
_ Gaara... Se acalme... Nós vamos retirar isso de você. – falou Temari, sentindo-o tremer em função do desespero. No entanto, ao ouvir as palavras da irmã, Gaara parou de se remexer, aguardando.
Pegando a tesoura que ficava na primeira gaveta da cômoda do quarto, Temari retornou a ele e com um pouco de dificuldade cortou as resistentes ataduras.
Livre, Gaara voltou a chorar, em pânico. A voz estava gritando em sua cabeça outra vez.
_ Calma... Calma! A Temari está aqui! – proferiu ela, pela primeira vez, abraçando o irmão caçula.
_ A voz quer matar todos... – contou Gaara, agarrando-se ao tecido do vestido da irmã.
Assustada, Temari o soltou, acompanhando em seguida, o irmão expelir sangue pela boca.
_ Hey... ! O que houve? – indagou Kankuro, que acabava de chegar com uma bandeja contendo bolinhos de arroz e suco nas mãos. Deixando a bandeja em cima da cômoda, ele correu em direção dos irmãos, pegando Gaara no colo. _ Vamos tirar essa blusa e lavar a boca... – disse Kankuro, levando o pequeno ruivo, que segurava-se em seus ombros, para fora do quarto.
Levantando-se, Temari encarou as velhas tábuas do chão. Será que deveria ajudar Kankuro? Gaara não estava tão agressivo... Caminhando até a cômoda, ela pegou roupas limpas para o irmão e a bandeja. Ele deveria estar mesmo com fome.”
Foi a única vez em que abraçou Gaara. Entretanto, fora medrosa e o soltara. Olhando para Ino, Temari afastou-se da porta. Ela parecia mesmo gostar dele, somente esperava que não estivesse enganada. O primeiro amor de Gaara... Nunca pensara que isso fosse ocorrer um dia. Não importunaria a garota, mas isso não mudava o fato de que seu comportamento fútil irritava. Tentaria ser tolerante, por Gaara. Tudo que tinha a fazer agora era descansar... Mais tarde conversaria com ele. Abrindo a porta de seu quarto, Temari suspirou, incrédula. Não... Aquele cara não tinha desorganizado seu quarto todo e não estava apagado em sua cama...
XXX
O vento gélido da noite adentrava o quarto, passando pelas finas cortinas nude, um pouco rasgadas em função das manifestações do demônio. Ele passara o dia todo ali, nada do que ela havia planejado para que seu aniversário fosse especial havia saído de acordo com os conformes. A chegada dos dois irmãos Sabaku não passava nem mesmo nos pensamentos mais distantes de Ino. Não acreditava que eles teriam coragem suficiente de voltar, depois de tê-lo abandonado ainda criança. Imaginava como ele deveria ter passado todos aqueles anos, perdido, satisfazendo as vontades da criatura cruel que não cansava de torturá-lo à noite com terríveis alucinações, fazendo-o matar tudo aquilo que adentrava a propriedade de Suna, vivendo somente do alimento do demônio, denegrindo seu físico, abastecido apenas com água e biscoitos, que não fazia ideia de como ele conseguia. A loira ainda se lembrava com nitidez do dia que adentrara com seus saltos púrpura aquela casa... Ele estava no banheiro, manchando a pia com seu sangue. Sua areia invadira o local, fazendo-a surpreender-se, de imediato, com os olhos verdes marcados que a olhavam em interrogação.
Ele não falara com ela por dois dias, porém a seguia como uma sombra... Uma misteriosa sombra de cabelos escarlate, cuja a falta de expressão a impressionara logo naqueles primeiros dias. Invadindo o mundo inocente e traumatizado daquele que poderia matá-la a qualquer segundo por ter algo em si que alimentava-se de sangue, ela surpreendia cada vez mais com o passar dos dias. E, aos poucos foi cultivando um sentimento que não esperava ter por um homem naquela intensidade: o amor. Fora além de apaixonar-se por ele, tinha aprendido a amá-lo, a desejá-lo e importar-se, pela primeira vez, com alguém mais do que com ela mesma.
Aproximando-se de Gaara, Ino deixou as duas tigelas de gelatina que havia trazido para que comessem, sob as velhas tábuas do chão. No caminho cruzara com o tal Kankuro, o mais velho dos irmãos provavelmente, mas passara direto, aquele dia era de Gaara, nada mais importava do que ele. Não sabia como tudo seria agora com aqueles dois na casa, mas não gostaria de pensar, não hoje. Shikamaru era mesmo um amigo incrível, ele certamente sabia da importância do dia e não pedira para que o levasse a Konoha. Realmente, tinha que agradecer por ele, Sakura, Hinata e... Seu velho pai. Não o via há meses, mas sabia que ele estava bem. Ele era um escocês! O mais astuto de todos...! Ligaria para ele assim que fosse a Konoha, procuraria um telefone público. Os comunicadores da agência não deveriam ser usados para fins pessoais. Será que ele gostaria de Gaara? Será que a visitaria em Suna? Sim, não pretendia voltar mais a Tóquio. Ficaria com Gaara e iria sair da agência, a cada dia tinha essa decisão mais e mais certa dentro de si. Enfrentaria todos os riscos para ficar com ele, ninguém iria impedi-la. Não deixaria que ninguém o machucasse.
Sentando-se ao lado do ruivo, que mirava concentrado a janela, Ino o tocou na face, um singelo toque.
_ Está mais calmo? Eu trouxe gelatinas... – manifestou-se a loira, empurrando uma das tigelas para perto dele.
Com um suspiro, Gaara retirou os olhos do céu estrelado, olhando-a.
_ Estou confuso. – confessou o ruivo, passando a mirar as velhas tábuas do chão. _ ... Eu não me lembrava mais deles, Ino... Agora tudo voltou... – completou ele, com uma dose de receio na voz.
Mesmo incomuns, os irmãos de Gaara não pareciam más pessoas. Intrigada, a loira segurou sua mão, o sentindo apertá-la com tremor e força. Gaara estava inseguro.
_ Eles não parecem pessoas ruins Gaara... E estou aqui, para protegê-lo, não vou deixar que ninguém se atreva a lhe ferir. – assentiu Ino, vendo o olhar surpreso do ruivo, que analisava suas palavras.
_ Vai me proteger? – questionou Gaara, gostaria de ouvi-la mais uma vez. Nunca haviam dito isso a ele...
_ Vou. – garantiu Ino, em um sussurro, sorrindo.
Sorrindo de canto, ele voltou à janela. A lua estava cheia como na noite em que vira-se sozinho em casa, em definitivo.
_ Temari e Kankuro não são pessoas ruins... Tinham medo do nosso pai, eu os entendo. Eu tinha muito dele, muito ódio. E é a ele que estou me referindo. Não quero que ele volte. – explicou o ruivo, franzindo o cenho. Se Temari e Kankuro estavam de volta, seu pai também voltaria. E ele não queria que seu pai voltasse... Não, não queria as correntes e as ataduras outra vez.
_ Acho que ele não vai voltar, Gaara. Ouvi seu irmão comentando algo com alguém no celular de que... O pai de vocês já faleceu. – revelou Ino, observando-o.
Não sentia nada. Não sentia tristeza, não sentia saudades, não sentia mais ódio. Um dia pensara que, se fosse uma boa criança, seu pai gostaria dele, ou ao menos um pouco. Mas a cada dia, convencia-se de que não era alguém que merecia o gosto das pessoas. Sua mãe não queria que ele nascesse, seu pai não gostava de si, todos pareciam iguais, todos eram iguais. Exceto ela. Ino era diferente, mesmo que fosse loucura apreciar alguém como ele, como todos diziam, ela parecia apreciá-lo e... Ele também a apreciava. Bastante.
_ Gaara, o que é aquilo? – perguntou Ino, despertando-o de seus pensamentos.
Olhando para onde ela apontava, Gaara rapidamente reconheceu o alvo cinza em meio as árvores. Era o antigo balanço de Kankuro e Temari. Recordava-se de assisti-los brincando muitas vezes, mas a ele não era permitido sair do quarto. Também, não ganhava brinquedos de seu pai. Somente seu surrado ursinho de pelúcia, que um dia ganhara dele, para que parasse de brincar com a areia e acabasse derrubando a porta do quarto.
_ É o balanço de Kankuro e Temari. – respondeu ele, olhando Ino levantar-se e debruçar-se na janela.
Curiosa, a Yamanaka tivera uma ideia. Mas, antes precisava confirmar suas hipóteses.
_ Dos dois? – perguntou Ino, apoiando-se na madeira da janela.
_ Eu não podia sair do quarto para brincar... – contou Gaara, em tom de voz baixo. Não entendia o porquê de Ino estar perguntando aquilo, não tinha muita importância.
_ Vamos lá?! – propôs a loira, travessa, mordendo o lábio inferior em animação.
Gaara a olhou, interrogativo. Não poderia ir até lá... Não era permitido a ele. No entanto, a casa agora o pertencia, seu pai falecera e, por um minuto, a hipótese de sentir o que seus irmãos sentiam quando voavam naquele velho brinquedo, lhe pareceu um pouco tentadora.
_ Vamos! Vamos! – incentivou Ino, divertida. Puxando-o para próximo da janela, ela sentou-se sobre a madeira. _ Consegue fazer uma rampa com sua areia? – interrogou ela, olhando-o contente. Finalmente poderia tentar fazer Gaara alegrar-se um pouco... Mais tarde comeriam o bolo confeitado e diria a ele que, hoje, estava completando dezoito anos.
O ruivo receou por um minuto, a altura da janela até o chão era grande. Entretanto, guiara a areia que o seguia até a janela, criando uma extensa rampa. Sem pensar duas vezes, Ino escorregou-se por ela, chamando por Gaara em seguida.
Não sabia como ela poderia convencê-lo de tudo daquela forma, mas adorava vê-la sorrir. Ela era tão mais viva que ele... Ele era um cadáver... Descobrindo a vida que nunca tivera.
_ Vem, Gaara!!! – gritou a loira, marota, chamando-o por um dos dedos, em um misto de sensualidade e brincadeira.
O ruivo riu levemente, somente ela conseguia ter tantas expressões. Aquilo o encantava...
_ Vem, vem!!! – exclamou Ino, dando alguns pulos no chão de terra batida em frente a casa.
Sem reconsiderar mais, Gaara sentou-se na madeira da janela e deixou-se cair pela janela, surpreendendo-se com a estranha sensação até que finalmente encontrasse o chão. Rindo, Ino o pegou nas mãos, puxando-o em direção ao embrenhado de árvores que escondiam a antiga casa. Lembrava-se de como encontrá-la fora difícil... Passara horas correndo por entre as árvores, de salto alto e lamentando-se por não ter escutado do conselho de Sakura em colocar um tênis. Todavia, achara seu destino e não descera dos saltos!
_ Por onde chegamos lá? – indagou a Yamanaka, recordando-se deste detalhe somente depois de alguns minutos de caminhada.
_ Você está indo certo, continue seguindo em frente... – assegurou Gaara, tendo um beijo roubado por Ino, que mordeu-lhe o lábio inferior, arrancando-lhe um baixo gemido.
_ Você é muito gostoso, sabia? – disse a loira, sussurrando no ouvido de Gaara.
_ O quê? – questionou o ruivo, rouco, completamente confuso. _ Não sou comida. – afirmou Gaara, desentendido.
Levando uma das mãos aos lábios, Ino riu com mais intensidade. Ele realmente entendia o mundo da sua própria maneira e, jamais havia pensado que ao dizer a um homem uma frase dessas, ele se ofenderia. Somente Gaara... Dando de ombros, ela continuou puxando-o por uma das mãos, ora seguindo algum conselho do ruivo. Alguns poucos minutos depois, estavam em frente há um grande espaço por entre as árvores, onde um velho balanço acinzentado feito de correntes e madeira, era iluminado pela luz do luar.
Sorrindo, Ino sentou-se em um dos bancos sem cerimônia, pegando impulso e balançando-se alto, passando por Gaara, que a observava jogar-se para frente sem medo. O límpido céu noturno, em conjunto com a lua, dava a loira à sensação de poder aproximar-se daquela vasta imensidão de estrelas.
Saltando do brinquedo, Ino colocou-se de frente para Gaara, rodeando seus braços em volta da cintura do ruivo.
_ Não vai me acompanhar? – perguntou ela, admirando o belo rosto dele, iluminado pela lua. Gaara era alguém que deveria pertencer às trevas, a escuridão... Todavia, ele ficava mais atraente diante da luz do que imerso em sombras...
Firme, Gaara a colou em seu corpo, levemente bruto, surpreendendo-a. Ela apreciava quando a puxava para entre suas pernas sem aviso e, pelo visto, também apreciava quando a trazia daquela mesma maneira para si. Com um pequeno sorriso, ele encarou os olhos azuis brilhantes dela. Os seus poderiam não brilhar, mas sentia-se brilhando por dentro. Ino o fazia descobrir tantas coisas... Ela dava-lhe o mundo. E mesmo que não pudesse dar a ela nada em troca, talvez em breves atos que aprendesse corretamente, pudesse agradecê-la. De repente, a face surpresa dela, seus avermelhados lábios entreabertos e o modo como ela rendia-se totalmente ao seu toque, passou a ser uma nova e viciante descoberta para ele.
_ Acompanhá-la? Por que não deixa-me empurrá-la? – sugeriu Gaara, gostaria de ter mais uma nova descoberta dentro de si.
_ T-Tudo bem... – concordou a loira, recompondo-se após ter seu corpo livre novamente.
Encaminhando-se para trás do balanço, Gaara a aguardou, colocando suas mãos nas costas de Ino assim que esta sentou-se no banco do brinquedo, virando-se rapidamente, apenas para sorrir em consentimento à ele. Empurrando-a, ele acompanhava com atenção as risadas de Ino, que inclinava a cabeça para baixo, olhando-o e, independente da forma forte que ele a projetava, fazia qualquer menção em pedi-lo para parar. Ela confiava nele, não sentia medo algum sob a presença dele e aquela constatação o fez sorrir abertamente. Não sabia como Ino poderia confiar em alguém ruim como ele, mas apreciava. Apreciava saber que... Para ela, não existia a voz como para seus pais e irmãos. Para ela, apenas o seu eu confuso existia. Projetando-a com mais força, Gaara correu para a frente do balanço e, abrindo os braços, a chamou. A Yamanaka pulou em seus braços, e ele a segurou pelas pernas, colocando-a no chão em seguida.
_ Vamos voltar. – pediu o ruivo, olhando-a.
_ Não antes de você ir. – assentiu Ino, decidida.
Em um suspiro, ele cedeu. Não lhe era permitido... Mas ela também não permitida para ele. Entretanto, apegara-se a ela sabendo da criatura horrível que vivia em sua cabeça, que matara todos os animais que viviam ao redor de Suna, que matara pessoas... Ela o fazia esquecer-se da voz. E, mais uma vez, estava colocando antigas regras de lado, seguindo suas palavras.
_ Eu empurro você. – disse Ino, sorrindo gentil e tocando-o nas costas.
Olhando-a, ele segurou fortemente nas correntes, não deveria ter algo demais em um simples objeto que jogava as pessoas para frente e para trás... Temari e Kankuro nunca pareciam felizes brincando ali. Não riam e gritavam como ela. A loira o projetou com força e, com um grito, Gaara demonstrou seu susto. Era diferente, sentia como se pudesse voar! Agora compreendia porque ela aparentava ter se divertido naqueles simples impulsos. Temari e Kankuro estavam errados, ou talvez, como ele, não tivessem motivos para sorrir naqueles tempos...
_ Agora vamos? – questionou o ruivo, pulando agilmente do balanço.
_ Vamos... Mas o que fazer naquela casa? O céu está tão lindo aqui... – argumentou Ino, aproximando-se.
_ Quero mais confetes. – revelou Gaara. O doce sabor dos pontos coloridos, que Ino lhe contara chamar confetes, ainda estava em sua boca. Gelatinas e confetes, tudo que vinha dela era doce... Mais uma descoberta.
Sorrindo, a loira concordou. Enfim poderia mostrar a ele o bolo que Shikamaru trouxera e como um turbilhão, várias idéias surgiram em sua mente. Poderia preparar suco de morango e uva! Poderia também tentar arriscar fazer a receita de pudim que vira outro dia em uma das embalagens das sopas de pronto preparo que comprara. Apenas torcia que desse certo... Ainda era aniversário de Gaara e, talvez, nem tudo estivesse perdido em função da chegada dos irmãos dele. Será que eles sabiam que era aniversário de Gaara? Não... Eles pareciam tão dispersos do fato como o próprio ruivo. Tantos anos só, era mais do que normal que datas como aquelas fossem levadas com o tempo. Nunca conhecera alguém que não lembrava-se do próprio aniversário. Entretanto, ele não merecia a pena de ninguém. Jamais.
XXX
No quarto, Ino e Gaara terminavam de comer alguns pedaços de bolo. O ruivo não quisera comer na cozinha. Seus irmãos poderiam aparecer e, naquela noite, só queria a companhia dela. Deixaria para conversar com Kankuro e Temari durante a manhã, e então perguntaria o que mais lhe atormentava no momento: por que tinham voltado? Após alguns anos sozinho, Gaara já acreditava que os irmãos e o pai tinham desaprendido o caminho de casa e, realmente, resolveram deixá-lo.
Ino desistira do suco e do pudim, os faria para o almoço e para depois do almoço. Deixaria visível para a irmã de Gaara que apesar de ser levemente desastrada, estava aprendendo muito sobre culinária, que sabia cuidar muito bem dele. Já não era a pior cozinheira do mundo como Sakura e ela eram antes de chegarem a Konoha. Internamente, a loira ainda supunha que, conformada com o fato como era a rosada, ela não deveria estar avançando muito em tarefas domésticas. Sakura... Hinata... Iria vê-las amanhã sem falta. Quem sabe, na melhor das hipóteses, Gaara aceitasse dar um passeio por Konoha. Ele nunca havia ido até a cidade e talvez gostasse de sair um pouco. Era o que pensava a Yamanaka, olhando-o de soslaio, vendo-o divertir-se com os muitos confetes das fatias de bolo em seu prato.
Tomando-lhe o prato, Ino o beijou com esmero, sentindo-o retribuir timidamente. No entanto, a cada dia que se passava, Gaara beijava com mais avidez.
_ Posso roubar uma de suas camisas outra vez? – indagou Ino, acariciando-lhe no rosto.
Respondendo-a com um olhar, Gaara a assistiu ir até cômoda ainda levemente torta e abrir a primeira gaveta, buscando uma de suas camisas. Não compreendia porquê ela gostava tanto de vestir suas camisas, mas apreciava.
Ino concentrou-se em encontrar uma camisa do ruivo em meio a mistura de roupas que tornara-se as gavetas daquela cômoda. Aliás, era sua culpa. Embrenhara suas roupas junto às dele e, assim como quarto, aquela cômoda precisava urgentemente de organização. Frustrada, a loira suspirou. Todavia, as gélidas mãos dele tocaram-lhe a pele, retirando com calma a blusa roxa que trajava.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!_ Por que aprecia tanto vestir minhas camisas? – interrogou Gaara, o tom de voz rouco, atento.
_ São confortáveis e... São suas. – respondeu Ino, o tom de voz falhando, sentindo-o abraçá-la lentamente e aproximar sua face de seu pescoço.
_ Você cheira a flores... – comentou o ruivo, deslizando suas mãos vagarosamente pelas costas de Ino, até tocar-lhe o fecho do sutiã carmim que ela usava, desabotoando-o. Emitindo um suspiro, a loira o olhou, vendo-o soltar seu sutiã sob as tábuas do chão, naturalmente. Seguro, ele queria agradecê-la aquela noite. Queria aprender algum motivo que pudesse não fazê-la ir embora nunca. Ela apreciava quando não avisava o que pretendia, quando simplesmente... Arriscava... Vencendo o medo de não fazer corretamente. Ela não lhe dizia, mas seu corpo sim, e queria ouvi-lo, para entendê-la melhor.
Sem aviso prévio, Gaara a pegou e colocou-a sobre um de seus ombros, carregando-a até a cama feito um saco de batatas. Confusa, a loira foi jogada no colchão e, interrogativa ela o encarava, vendo-o sorrir do modo singelo, tímido. Ele certamente não a pegara nos braços como no dia em que torcera o pé naquele mesmo quarto, para demonstrar que tinha algo diferente em mente. Curiosa, Ino mordeu o lábio inferior, sapeca, perguntando-se o que ele tanto poderia estar planejando.
Respirando com um pouco de dificuldades, Gaara retirou a camisa vermelha que usava. Será que conseguiria fazê-la sentir-se como ele quando faziam sexo? Sabia que ela apreciava, todavia, queria descobri-la; aprender. E esperava que sua memória fosse resistente o suficiente para recordar-se de tudo que ela fazia consigo, para agradecê-la igualmente. Deitando-se sobre ela, o ruivo apoiou-se nos braços, beijando-a com certa dose de receio. Queria tornar seu beijo tão ardente como o dela, que o fazia perder o ar. Entrelaçando a língua dele a sua, Ino o auxiliou a mover os lábios e a língua mais depressa, surpreendendo-se ao notar que, segundos depois, era Gaara que comandava o beijo. Deixando-a recuperar o fôlego, ele a olhava, imerso em seu rosto levemente rubro e no movimentar ofegante de suas costelas, coladas as dele. Sorrindo maliciosamente, Ino recuperava o fôlego. Não sabia quando Gaara havia decidido ser tão firme, no entanto, todo ato dele estava a surpreendê-la, seguidas vezes. Deslizando seus dedos pelas costas de Ino, Gaara a sentia, observando cada centímetro de pele que tocava... Cada centímetro da pele quente dela... Assim como ela o tocava nas quando seu estômago ardia, ele tentava repetir, vagaroso, como se quisesse mapeá-la, conhecer todos os pontos de Yamanaka Ino. E, talvez, esta era sua principal intenção: ter cada pedacinho dela guardado dentro de si, junto dele.
Levando seus dedos aos fartos feitos da loira, ele a ouviu suspirar. Apertando-os com cautela como fizera uma vez em que ela o guiara, Gaara sorriu, orgulhoso de si. Ele aprendera, ela apreciava... Tomando coragem, o ruivo a deitou com brusquidão novamente no colchão, retirando com pressa a saia branca usada pela Yamanaka, que logo notara que ele começava a se excitar. Marota, ela ergueu o tronco, fazendo menção em retirar a calça trajada por ele, mas Gaara a impedira, retirando a peça ele mesmo. Estava aquecendo, outra vez, e por mais que tivesse medo das sensações que pulsavam em seu membro, não iria deixar-se apavorar. Ino havia lhe explicado que não estava doente, que aquele agradável e desesperador calor não lhe faria mal. Sentindo o membro erguer-se, o ruivo grunhiu, desconfortável, respirando fundo. Ino... Hoje iria acompanhar cada reação dela... Dela.
_ Não... Por favor, não se mova muito... Eu quero tentar fazê-la sentir... – pronunciou Gaara, parando novamente as mãos da loira, colocando-as atrás de sua cabeça. Com seu tom rouco típico, ele pretendia completar a frase a sua forma, mas Ino completara por ele:
_ Prazer? – indagou ela, provocando-o com uma mordida em sua orelha esquerda, fazendo-o tremer.
_ S-Sim... – respondeu ele, apertando as mãos dela com mais força. Ino já havia lhe dito aquela palavra... A palavra que traduzia o desespero e anseio de prosseguir que sentia.
Irritando-se com as mordidas dela, que estavam a desarmá-lo de sua meta de agradecê-la, Gaara tomou o lábio inferior de Ino por entre os seus, mordendo-os fracamente e sugando, como ela costumava fazer com ele.
_ Fique quieta. – ordenou o ruivo, guiando sua areia para os pulsos de Ino, prendendo-os como suas mãos estavam a fazer. Com os olhos azuis arregalados em surpresa, ela o encarava, não acreditando que ele a impediria de tocá-lo. Porém, aquilo também a excitava violentamente, e saber que era a primeira a quem ele tentaria dar prazer de acordo com seus instintos, apenas a instigava mais a acompanhar aquela cena de olhos bem abertos.
A vontade de partir aquela peça de roupa tão minúscula, como a calcinha branca feita em rendas que ela usava, era grande. Não estaria desperdiçando grande quantidade de pano, levando em conta que seu corpo estava a aquecer-se mais e mais, aumentando o desespero que tinha nas veias. Mas Gaara não a rasgou. Ele já havia reduzido um vestido roxo dela a tiras, não sabia que se ela apreciaria que fizesse o mesmo novamente. Então, deslizou a delicada peça pelas pernas torneadas da loira, atirando-a para longe do colchão.
Ela adorava roubar-lhe beijos e, abaixando-se, o ruivo repetiu o processo, tomando os lábios de Ino várias vezes, enquanto uma de suas mãos caminhava em direção a sua intimidade. Ela sempre o tocava, o acariciava, e ele sabia que gostava. Iria fazer o mesmo com ela, mas teria de descobrir onde ela aprovaria com mais vigor, até agora, o simples ato de tocá-la já a fazia suspirar... Ela parecia incrédula e, por reflexo, rodeou-lhe o clitóris, para constatar sua reação.
Gaara assustou-se, quando a ouviu emitir um gemido mais alto, bem próximo a um de seus ouvidos. Repentinamente, o ruivo flagrou-se sedento por ouvir mais daquele som, o fazia aquecer-se e, ela respirava com mais dificuldades, exatamente como ele, quando apreciava suas carícias. Ela tornava-se tão molhada quanto ele, seus dedos escorregavam e, enquanto desferia alguns beijos tão urgentes no pescoço dela, quanto a adrenalina que tomava seu corpo, acabou invadindo-a, e seus músculos petrificaram-se. Havia machucado Ino! Diante do grito proveniente os lábios da loira, ele rapidamente se ergueu no colchão, em pânico.
Não pretendia feri-la de forma alguma!!! Não sabia o que fazer...
_... O que foi? Por que parou...? – perguntou Ino, sentando-se na frente dele.
_ Não era a minha intenção! Eu não queria machucá-la! – justificou-se o ruivo, afoito, certo de que tinha a ferido em função de seu grito.
_ Gaara! – exclamou Ino, segurando-o nos ombros e olhando-o nos olhos. _ Não importa quanto eu grite, siga o que seu instinto lhe disser, tudo bem? – confortou ela, decidida.
_ Você gosta? – questionou o ruivo, sorrindo. Não havia machucado-a.
_ Gosto. – afirmou Ino, sorrindo travessa. Também seguiria seus instintos... _ E gosto mais ainda quando isso... – falou ela, empurrando-o com força no colchão e retirando sua boxer preta, tê-lo ainda vestido estava a tirá-la do sério! _ ... Está fora do meu caminho! – completou Ino, ajeitando suas pernas envolta da cintura do ruivo.
Sorrindo abertamente, Gaara a virou, colocando-a abaixo de si outra vez.
_ Hoje você não irá ficar por cima. – assentiu ele, sussurrando com seu timbre rouco. Sentia-se animado como ela, talvez... Até feliz.
_ Quando foi que você ficou tão autoritário? – perguntou Ino, arranhando-lhe nos braços em resposta aos ávidos beijos desferidos por ele, marcando seu pescoço.
Gaara não a respondera, apenas a olhara, sorrindo. Não era muito autoritário, mas também havia descoberto que o autoritarismo as vezes era uma agradável sensação. Segurando as penas da loira, abrindo-as ao seu redor, ele respirou fundo. Tentaria fazer sozinho por hoje... Penetrando-a devagar, ele gemeu, seus braços tremiam. Tê-la envolvendo-a era tão agradável que o fazia beirar a loucura. Se não tivesse algumas doses de controle no sangue, poderia machucá-la de vez. Não sabia se ela suportaria tanto quanto seu corpo aparentava querer, suportaria? Surpreendo-o, Ino o segurou nas nádegas, acelerando as estocadas por conta própria. Gaara havia provocado-a, era bom que aguentasse as consequências. Jamais permitira que um homem a colocasse naquela posição, mas ele tornara-se uma doce exceção em sua vida. Penetrando-a com força e rapidez, Gaara se esforçava.
Os altos gemidos de Ino invadiam o quarto, acompanhados dos grunhidos do ruivo, que nunca pensara que, se passasse a movimentar-se como ela, poderia sentir aquela densa sensação com mais intensidade. Com um gemido mais potente, a loira atingiu orgasmo, sendo calada pelos lábios de Gaara, que acelerava seus quadris, sentindo “a explosão” como denominava internamente, já aproximar-se. Arranhando-o nas coxas, Ino o sentia se contrair, instantes depois, o líquido quente dele a invadira.
Caindo no colchão, Gaara se virou, ofegante, olhando para o velho teto de seu quarto. Sentia-se novamente brilhando por dentro, havia conseguido fazer Ino tão satisfeita quanto ele quando faziam sexo. A loira deitou-se sobre ele, contente, acariciando-lhe a face com ternura.
_ Vamos tomar um banho? – propôs ela, analisando a pele alva dele. Extensos arranhões nos braços e duas marcas roxas no pescoço, certamente ela não deveria estar em melhor situação.
Concordando de cabeça, o ruivo se ergueu na companhia dela. Pegando roupas limpas para ambos na cômoda, a loira caminhou até a porta, abrindo-a com extremo cuidado. Não queria dar de cara com um dos irmãos de Gaara ou com Shikamaru aquela hora... Verificando a ausência de pessoas do corredor, ela o convencera a atravessá-lo sem colocarem novamente as roupas, assim os pouparia de tê-las de tirar outra vez.
Fechando a porta do banheiro, Ino o observava abrir o chuveiro, deixando-se molhar pela água quente.
XXX
Na cozinha, Kankuro comia um sanduíche que rapidamente prepara somente com algumas poucas folhas de alface e duas fatias de presunto e queijo. Pelo visto, o silêncio caloroso dos tempos de seu pai havia sido desfeito. Temari estava até poucos minutos atrás, a berrar com o tal amigo de Ino, que havia ocupado-se de seu quarto antes da chegada deles. Mas, quando os berros finalmente cessaram-se e o Sabaku mais velho comemorava um possível acordo entre sua irmã e o homem de cabelos amarrados, outros sons o colocaram incrédulo, a ponto de perder o sono. Gaara e a tal Ino podiam ser ouvidos por toda casa! Não sabia como sua irmã e o cara que estava dividindo o quarto, não haviam batido na porta do irmão caçula. É... Gaara havia mudado mais do que pensava...
XXX
A voz gritava em sua cabeça de novo. No entanto, os gritos dela não estavam sendo capazes de afetá-lo tanto. Assim como a ardência em seu estômago que, incrivelmente, estava conseguindo suportar. Era Ino... Ela sempre retirava-lhe a dor. Vestindo a calça e a camisa limpa que ela pegara para ele, Gaara encaminhou-se diretamente ao colchão, deitando-se de lado. Ele toleraria, iria fazer isso esta noite... Ela já havia preocupado-se muito com ele mais cedo.
Colocando uma das camisas do ruivo, Ino o seguiu, deitando-se sorridente ao lado dele. Abraçando-o, ela depositou um carinhoso beijo em suas costas. Estava na hora de contar...
_ Gaara... – chamou Ino, sentindo ele colocar uma das mãos sobre as suas, em uma silenciosa resposta. _ ... Feliz aniversário. – desejou ela, em um sussurro.
Ele não esperava que ela soubesse. Sorrindo de canto, o ruivo encarou as duas pelúcias no canto do quarto. Vagamente lembrava-se que naquele mês, algum dia completaria dezoito anos... Ela descobrira e fora além dele, lembrando-se do dia.
_ Ino... – chamou ele, virando-se para encará-la.
_ Sim? – questionou a Yamanaka, exibindo um sutil sorriso nos lábios.
_ Hoje você me fez brilhar por dentro. – confessou Gaara, apertando-a junto de si. _ Obrigado, Ino.
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