Demônios
14 Capítulo 14: O que uma surpresa pode acarretar
Notas iniciais
Separando-se, Naruto e Hinata se entreolhavam, levemente ofegantes. A Hyuuga sentia o rosto tornar-se rubro, como pura consequência do despertar. Despertar. Jamais havia sentido algo parecido, enquanto tinha os lábios dele sobre os seus, era como se nada mais importasse, como se não houvesse missão, como se não houvesse tempo, como se não houvesse espaço. Agora, ela despertava. Dava-se conta do ar gélido da noite, a entrar pela janela aberta da simpática sala, em conjunto a meia-luz ocasionada pelo brilho da lua e pela tv, cujo som consideravelmente alto, havia silenciado-se por breves instantes. Encarando os olhos azuis, radiantes, a olharem os seus, Hinata levou uma das mãos aos lábios. Outra vez, havia ocorrido outra vez. Ela não conseguira evitar, como tinha garantido a si. Todavia, também tinha garantido que todos os momentos ao lado do Uzumaki fossem verdadeiros, e ela sabia que aquele o era.
Porém, sentia seu peito apertar, como se finalmente tudo lhe pesasse as costas. Sorrindo, ele prosseguia olhando-a, como se não detectasse o turbilhão que lhe passava pela mente. Ela precisava de alguns minutos para pensar. Fazendo menção em levantar-se do sofá, Hinata tentou proferir algo, mas, as palavras estavam-lhe escassas.
_ Aonde vai? – questionou o loiro, erguendo-se também, sorridente.
_ Eu vou ao banheiro, já volto. – limitou-se a Hyuuga, calçando apressadamente as sapatilhas azuis e correndo em direção ao interior da casa.
Trancando a porta, Hinata virou-se, apoiando as mãos sobre a pia. Suas mãos estavam quentes, assim como ela por um todo. Decidiu então lavar o rosto brevemente e, quando a respiração já estivesse normalizada novamente, retornaria a sala e insistiria a Naruto para que fossem dormir logo. Ela já não sabia se conseguiria realizar a etapa final da missão, porém, não poderia estar a se apaixonar pelo loiro.
De pé na sala, Naruto tinha o olhar interrogativo. Ele teria feito algo errado? E por acaso aquilo era alguma novidade? Ele sempre fazia tudo errado. Talvez fosse esse um dos motivos de estar fadado a ser sozinho. Talvez fosse esse um dos motivos que os levaram a protegê-lo naquela tarde, certamente havia cometido alguma falha que havia acarretado na perda dos dois.
Flash Back:
“ Como de costume, a senhora Inuzuka caminhava para além do Distrito Uchiha após pegar Naruto e Kiba no colégio. Os Inuzuka eram amigos dos pais do loiro há muitos anos e, como senhora Inuzuka buscava o filho todas as tardes no colégio, também buscava Naruto, a pedido de sua mãe, que ainda estava a fechar o expediente na floricultura da cidade. Bufando, as crianças tinham expressões emburradas, aborrecidas com o tamanho da lição passada pela professora.
_ Fala sério... Não vou poder treinar o Akamaru de novo... A senhora Anko é uma chata. – reclamava Kiba, mantendo os punhos cerrados.
Sorrindo em travessura, Naruto entregou um bilhete ao colega. Também estava mais do que farto da professora, que sempre estragava seus planos de assistir desenhos animados pelo final da tarde, em função das inúmeras tarefas. Havia armado o melhor plano de todos! Um plano que envolvia muita cola e, certamente, iria ser muito engraçado. Seu pai havia dito que ele não deveria aprontar no colégio novamente, mas, era o plano do século!
Rindo, Kiba e ele bateram as mãos. Eram amigos desde muito pequenos e, cúmplices em diversos planos na escola. Finalmente concentrando-se no trajeto, Naruto constatou que já estava há alguns metros de casa e, como tratava-se do aniversário de sua mãe, ele estava ansioso para lhe entregar um sapo feito com tecido, que havia feito na aula com a ajuda do amigo, que entendia um pouco de costuras.
_ Pode deixar tia... Eu sigo sozinho daqui! – exclamou Naruto, sorrindo e acenando em despedida, começando a correr em direção a sua casa.
O uniforme em branco e azul estava um pouco sujo de tinta, mas tinha certeza que depois de gritar com ele, sua mãe o daria um braço mesmo assim. Havia combinado com seu pai de entregarem seus presentes juntos e, ver quem havia feito o melhor. Ele iria ganhar sem sombra de dúvidas! Sua mãe adorava sapos de tecido do mesmo modo que ele, tanto que, unindo todos os bichinhos que tinham, poderiam ter uma enorme coleção. Esticando-se um pouco para alcançar a alta maçaneta prateada, o loiro a girou e, entrou em casa, eufórico.
_ Mamãe!!! Cheguei!! – avisou Naruto, jogando a pasta que carregava sobre o chão.
_ Estou aqui na cozinha! – manifestou-se Kushina, deixando o avental avermelhado sob um singelo gancho na porta cozinha.
Adentrando o cômodo correndo, Naruto a abraçou, rindo mediante a expressão brava da mulher de cabelos ruivos, que já notava toda a tinta no uniforme do filho.
_ Naruto! O que eu lhe disse a respeito destas tintas? Já para o banho!!! – ordenou Kushina, colocando o loiro no chão.
_ Não! Eu quero ver desenhos. – contrariou Naruto, cruzando os braços e batendo o pé como a mãe.
Arqueando uma das sobrancelhas, Kushina abaixou o tronco para equiparar-se ao pequeno, que mantinha a pose impotente realizada com frequência por ela. Com os olhos a brilhar de irritação, e os cabelos já a subir como efeito da raiva, Kushina erguia os dedos em uma contagem. Um... Dois... Três... Arregalando os olhos, Naruto descruzou os braços.
_ Estou indo!!! Estou indo!!! – gritou o loiro, saindo em disparada da cozinha, ainda vendo um sorriso nos lábios da mãe, que retornava a secar as louças”.
Aquela fora a última imagem de sua mãe, antes ver o pai entrando pela janela da sala e... Todo o sangue manchar os tacos... Todo o desespero... Toda a dor... Seus pais não despertaram. Os olhos azuis de sua mãe ainda olharam-no, enquanto ele a chamava, assustado, aos prantos. Fora culpa dele. Sempre tivera certeza. Era culpa da “coisa” que insistia em não sair de si e, diante daquela cena, despertara, matando o chefe dos Inuzuka e rompendo sua amizade com Kiba desde então. Nunca mais trocara uma única palavra com ele que, como os velhos que iam toda terça na lanchonete, carregavam ódio no olhar, condenando-o.
Com as mãos nos cabelos loiros, Naruto respirava com certa dificuldade. Aquela memória nunca se apagaria de sua mente, naquele dia, ele perdera tudo.
_ Não está com sono agora? Já passa das quatro da manhã... – manifestou-se Hinata, sentando-se ao seu lado no sofá, sorrindo de forma doce e gentil.
O loiro estava cabisbaixo e, mesmo que estivesse imersa em dúvidas, ela fazia questão de reviver aquele sorriso radiante. Ele não tinha culpa de ser o que era, tão pouco de sua missão, que passara a ser muito mais complicada do que ela achava que seria.
XXX
Sentada à beira da cama no quarto, Ino deslizava a toalha branca pelas costas úmidas de Gaara, que tinha os olhos verdes, opacos, sob as tábuas rachadas do chão. Tábuas que ele mesmo rachara. A loira o sentia fraco e levemente trêmulo. Ela torcia para que os tremores fossem em função do ar congelante da madrugada, que adentrava o quarto pela janela aberta, ultrapassando as finas cortinas nude. Todavia, ela sabia que em parte era em decorrer do sangue que ele expelira há minutos atrás, ocasionado pelo estado de pânico que o ruivo adentrara ao acordar. Abraçando-o por cima da toalha, Ino descansou sua cabeça no ombro de Gaara.
_ Mais calmo? – interrogou Ino, beijando-lhe de leve no pescoço ainda coberto por gotículas de água.
Gaara suspirou baixo. Ela lhe tirava a dor e, mais uma vez, havia o conseguido. Tinha estado com ele enquanto seu estômago doía e ele vomitava, debruçado a pia do banheiro. Havia o aguardado a tomar banho e agora o ajudava a se secar. Ele estava acostumado a ausência de contato, há anos alguém não o tocava, tão pouco ouvia-lhe falar. Ele havia passado a detestar qualquer tipo de aproximação, no entanto, naquele momento via-se completamente refém dos contatos desferidos por ela. Como se necessitasse da pele quente dela para aquecer a sua, que tornara-se fria com o tempo. Assustava-se consigo mesmo por deter aquela ânsia, mas, nada poderia fazer. Desde que ela adentrara aquela casa, tudo dera uma grande virada e não havia mais retorno. Ele não queria que houvesse um retorno.
_ Quero gelatina. – afirmou Gaara, a voz rouca.
Ino sorriu, mordendo-lhe o ombro por cima da toalha, em travessura. Ele estava cobrando seu preço no acordo. Gelatina e sexo. Entretanto, a loira preferia que ele cobrasse o segundo item, estava cansada e, preparar gelatinas aquele horário não estava em seus planos.
_ Gelatinas demoram um pouco para serem feitas Gaara... Que tal amanhã? Ainda está escuro. – argumentou Ino, acariciando os cabelos úmidos do ruivo.
Olhando-a com o canto dos olhos, Gaara encontrou-se aborrecido. Ele queria gelatinas. Gelatinas de morango e uva. Concentrando-se nela, ele constatou que envolta dos olhos azuis, haviam finas olheiras. Ela estava cansada. Não deveria tê-la pedido gelatinas. Ela havia saído e passado boa parte da tarde fora e, desviando os olhos para o pé que ela havia machucado, ele podia notar um leve avermelhar no tornozelo.
_ Desculpe... – disse Gaara, usando das mãos livres para guiar a areia e, fazer a Yamanaka sair de trás de si, colocando-a em seu colo.
Com os olhos surpresos, Ino respirou fundo. Jamais havia notado o quão bonitos os olhos verdes dele poderiam ser, mesmo sob a opacidade criada com os anos, com todo o sofrimento. Novamente, perante ele, ela sentia-se envolvida, tentada. Era como se seu corpo e mente estivessem ligados a ele.
_ Está cansada. Desça e durma. – orientou Gaara, olhando-a. Os olhos azuis brilhavam de um modo diferente e aquele brilho o intrigava. Queria desvendá-la.
_ Você deveria tentar dormir novamente... Também está cansado. – manifestou-se Ino, rodeando as finas mãos pela cintura do ruivo.
_ Não quero dormir mais. Não quero adentrar mundos terríveis. – respondeu Gaara, sério.
Ela não insistiria para que ele repetisse a experiência, não por hoje. Ele havia tido um pesadelo que o fizera ficar muito nervoso, à ponto de passar mal. Ajeitando os fios loiros que insistiam em cair pelo torso de Gaara, Ino sorriu de canto, uma ideia brotava-lhe na mente.
_ Ao menos desça comigo, esse quarto está muito escuro... Não quer ver o amanhecer na sala? Eu lhe conto umas histórias. – propôs Ino, sorridente, sugando levemente o lábio inferior do ruivo.
_... Histórias? – questionou Gaara, intrigado, deixando todas as atenções recaírem sobre a loira.
Arqueando uma das sobrancelhas em vitória, Ino alargou o sorriso. Tinha enfim conseguido atrair a atenção do ruivo, para que ele voltasse consigo ao sofá cama. Ela sempre apreciara contar histórias, tanto de sua vida quanto fictícias, como faziam seus pais, que vieram da Escócia para o Oriente. Ele apreciava ouvir e observar, já havia notado isso. Levantando-se do colo dele, a loira pegou-lhe uma das mãos, levando-o para fora do quarto. Porém, ao cruzar o alto das escadas, Ino sentiu o pé torcido doer, em reclame pelo esforço. Emitindo um gemido baixo de dor, ela segurou firme na mão fria de Gaara.
O ruivo fizera menção em fechar o punho esquerdo e utilizar da areia para ajudá-la, no entanto, um nobre pensamento o fez recuar. Ela retirava sua dor sem qualquer tipo de auxílio e, mesmo que ele não estivesse totalmente familiarizado com contatos, o faria sozinho desta vez. Levando as mãos aos joelhos e a cintura dela, Gaara a pegou no colo, movendo-se de imediato para descer os degraus.
Atônita, Ino mal conseguia respirar. Ele lhe carregava sem dificuldades, mesmo estando consideravelmente fraco pelos vômitos. Colocando-a sentada sobre o sofá, Gaara puxou-lhe as pernas alvas sem qualquer licença, encaixando-as em sua cintura. Agora estava pronto para ouvir as histórias.
_ Conte. – pediu o ruivo, faminto em saber a respeito dela.
Olhando-o, Ino levou alguns minutos para se recompor. Pelo visto, quando desejava algo e, aquele alvo lhe era possível, ele agia sem rótulos. No entanto, ele não dava-se conta do que poderia despertar em uma mulher como ela, acostumando-se a puxá-la pelas pernas daquela maneira, como ele já tinha o feito antes. Tão pouco dava-se conta do estrago que era pegá-la no colo subitamente. A loira havia detectado sua fraqueza diante dele: a surpresa. Se Gaara persistisse agindo assim, e passasse a se dar conta do efeito que poderia causar, a renderia.
XXX
Imersa em um sono agradável, Sakura viu-se desperta de modo brusco, inesperado. Abrindo os olhos esmeralda um pouco aturdidos por estar sendo movida daquela maneira, a Haruno olhou a imagem do Uchiha, demonstrando o susto que sentia.
_ Sasuke... O que está...? – ia perguntando Sakura, quando Sasuke beijou-lhe os lábios com fervor, confundindo-lhe os sentidos.
_ Fique quietinha. – sussurrou Sasuke, sorrindo de canto, puxando Sakura contra si, e livrando-se do pesado cobertor em veludo que o atrapalhava.
Confusa, a rosada sentiu-se jogada ao frio, vendo o cobertor ser atirado ao chão e, apenas com o lençol em seda sobre o corpo, ela estremeceu. Porém, as ações de Sasuke pegaram-na de surpresa. Com os lábios entreabertos, ela assistia, incrédula, ao Uchiha subir-lhe a camisola cor de rosa rapidamente, separando-lhes as pernas com uma pressa descomunal.
_ Sasuke...!! – tentou se manifestar à rosada, no entanto, logo sentiu o membro de Sasuke em si, grande, grosso, desejando-a mais uma vez. Penetrando-a fundo, o Uchiha suspirou em prazer, puxando-a mais em seus braços.
_ Quietinha... – repetiu Sasuke, levando as mãos às costas da Haruno, por debaixo da camisola cor de rosa.
Deslizando as mãos ávidas pela pele macia de Sakura, Sasuke penetrou-a mais forte, turvo em desejo. Um gemido escapou-lhe dos lábios, no entanto, ela fizera o mesmo, e não tentara afastá-lo. Sentindo-se contente, o Uchiha acelerou os movimentos, não era muito excelente com carinhos e, talvez, ela o preferisse assim se detivesse sorte. Ele a queria, consigo, até quando? Não sabia, até um tempo indeterminado. A manteria com ele, não importava o que tivesse de fazer. Percebendo os olhos avermelhados a olharem-na com extrema luxúria, Sakura suspirou. Teria que acabar com aquilo, mesmo que lhe custasse. Estava presa a maneira como ele lhe arrebatava e, diferente de qualquer outro homem que se envolvera, domava sua independência. Ela não poderia deixar que aquilo ocorresse novamente. Esforçando-se, tratou de espalmar o peito de Sasuke, em represália.
Com rugido de ira, Sasuke olhou-a, ela não o queria?
_ Não me quer? – perguntou o Uchiha, confuso, ferido. Há segundos atrás ela compartilhava de sua febre, o que mudara? Ele teria machucado-a? Caso o fosse, trataria de se redimir, não pretendia machucá-la. _ Lhe machuquei?
O brilho inconformado e com traços de dor nos olhos vermelhos, a fizera calar-se. Ela a primeira vez que, detendo seus verdadeiros olhos, Sasuke demonstrava sentimentos distintos ao desejo, a paixão. Não sabia como havia perdido o controle da situação mais uma vez, porém, quando deu-se conta, estava tomando os lábios dele, beijando-o da maneira como ele parecia considerar importante: com desejo.
Instantes depois, adquiriam o mesmo ritmo frenético que ele começara. Jamais se acostumaria com a brutalidade como ele apreciava possuí-la, mas, nada se passava em sua cabeça naquele momento. Segurando-a pelas nádegas, Sasuke a penetrava fundo, rápido, tinha que livrar-se daquela excitação que lhe impedia de dormir. Seu membro latejava dentro dela e, no estado em que se encontrava, gozaria em breve. Gemendo, ele beijou-a, queria que ela sentisse tudo que carregava por ela. Ofegante, Sakura estremeceu, chamando por Sasuke. Ao ouvir, ele permitiu-se sorrir, derramando-se nela em jatos fortes.
_ Preciso... De um copo d’água... – manifestou-se Sasuke, arfando, retirando-se de dentro dela.
Sentando-se na cama, ele a olhou, ofegante, apoiando-se na cabeceira para vê-lo também. Assim que Sasuke deixou o quarto, Sakura ergueu-se e, correu em direção a suíte. Não compreendia como poderia deixar-se inflamar tanto por outro alguém, como chegava ao seu limite tão depressa. Com as mãos sobre a pia, ela abaixou uma das alças da camisola em seda cor de rosa que, tinha de admitir, era muito bonita. Os olhos verdes se arregalaram. Estava correta. Era mesmo Sasuke que havia colocado aquela marca arroxeada em si, que agora estava mais intensa. O que era aquilo? Ele não havia dado-lhe um chupão no ombro, tão pouco puxado-a com violência pelos braços. Como fizera aquilo? Aflita, a Haruno ajeitou outra vez a camisola, ouvindo os passos do Uchiha, a se aproximar do quarto. Tinha de descobrir o que era aquilo e, assim que amanhecesse, tentaria mover mundos e fundos para falar com Ino. Talvez nos relatórios da amiga, que ela não lera por completo, tivesse alguma explicação para aquela mancha. Seria alguma reação provocada pelo demônio? Desta vez, não importava o quanto Sasuke insistisse, ela não iria ceder. Quando acordasse novamente, analisaria a intensidade da marca.
_ Trouxe um copo para você. – afirmou Sasuke, escorando-se na porta do banheiro.
Virando-se com os olhos arregalados novamente em susto, Sakura pegou o copo de vidro, cuja água parecia estar gelada. Observando-o, ela analisava o roupão azul que ele trajava, e a forma como ele aparentava analisar suas vestes também. Levando o copo aos lábios, Sakura tomou todo o conteúdo com certa calma, suportando a temperatura baixa da água.
_ Porque tanto me olha? – questionou a Haruno, sorrindo, afim de colocá-lo em uma saia-justa. Gostava de desafiar o Uchiha, até mesmo irritá-lo.
_ Tenho uma coisa a lhe contar. – decretou ele, pegando o copo das mãos de Sakura e deixando-o sobre a pia do banheiro. _ Esta camisola não pertenceu a minha mãe. A comprei para você.
Outra vez, pega na própria armadilha. Ele havia comprado aquela peça tão fina, de aparência tão cara, para ela? Quando? Incrédula, Sakura o encarou, vendo-o sorrir abertamente pela primeira vez.
XXX
Gaara prestava toda atenção a cada palavra dita por Ino, que contava as mais diversas situações ocorridas consigo na vida. Desde o dia em que viajara novamente a Escócia, para rever os avós em uma propriedade rural, até as noitadas com Sakura e Hinata em Tóquio. Praticamente imóvel, ele perguntava-se a respeito de cada fase vivida por ela. Sua infância havia sido completamente diferente e, o presente, apenas estava sendo em decorrer da presença dela.
Os pais de Ino pareciam gostar dela e ela tinha amigos, algo do qual ele nunca chegara a ter. Porque os pais dela não a acorrentavam ou a atavam? Porque apenas ele era chamado de monstro? Eram muitas questões, todavia, a cada história que ela lembrava-se e contava, era como se estivesse mais próximo de desvendá-la, de cessar aquele anseio de compreendê-la por completo.
A loira sentia-se com sono, mas, o ruivo aparentava estar mesmo atento ao que ela dizia, e forma como ele a olhava, sem desviar os olhos dela um único minuto, a fazia prosseguir. Soltando as mãos da cintura de Gaara, ela deitou o tronco sobre o sofá cama, mantendo as pernas entrelaçadas a ele.
_ ... Foi nesse mesmo dia que eu conheci o Sai, um ex-namorado meu, que pode acreditar, era tão desastrado quanto eu! Por isso que nada deu certo! – contou Ino, rindo e esticando os braços pelo sofá, tomando espaço.
“ Ex-namorado?” perguntou-se Gaara, tentando supor o que ele seria na vida dela. No entanto, nada lhe vinha a mente como possível significado. Porém, à medida que ela terminava a história, o ruivo sentia uma grande dose de ira lhe invadir o sangue, trazendo consigo uma sensação dolorosa, ruim. Do mesma maneira que com ele, ela havia feito sexo com o tal Sai e a ideia não lhe agradava. Confuso, Gaara soltou-lhe as pernas, erguendo-se do sofá e tomando o caminho das escadas.
Mediante a reação do ruivo, Ino fez o mesmo, seguindo-o. O que estava acontecendo? Ela tinha dito algo de errado? Correndo em direção ao quarto, que ele havia adentrado, a loira surpreendeu-se ao vê-lo sentado sobre as tábuas frias, no mesmo canto que ele se sentara várias vezes, intrigado ou triste. Aproximando-se, ela se abaixou, sentando-se à frente dele.
_ Gaara... O que houve? Não está se sentindo bem? – interrogou Ino, notando o olhar cético do ruivo sobre si.
_ Porque fez sexo com esse Sai? – questionou Gaara, cabisbaixo, fechando o cenho, como reflexo de seu desagrado. _ Também fez gelatinas à ele?
Ele sentia vontade de envolver o tal Sai com sua areia e quebrar-lhe os ossos, um a um. Jamais havia sentido tal sensação antes e ele não apreciava, sentia dor. Analisando as perguntas, Ino sorriu de canto, constatando o notável: Gaara estava com ciúmes.
_ Não, nunca fiz gelatinas para ele. É o primeiro para quem faço gelatinas. – afirmou a Yamanaka, esquivando-se da primeira pergunta. Retirando os braços dele de seus joelhos, Ino acariciou-lhe a face, serena.
_ Se quer saber... Ele era um babaca. – disse Ino, rindo. Não pretendia assustá-lo ou enchê-lo ainda mais de dúvidas se dissesse que o que ele sentia era ciúmes.
“Babaca?” perguntou-se o ruivo, porém, pelo modo como ela ria, não deveria ser algo bom. Como se uma grande sensação de alivio lhe invadisse, Gaara suspirou baixo. Ela aparentava não gostar do tal Sai. Levando as mãos ao encontro da cintura da loira, ele a trouxe para si. Apoiando a cabeça sobre o ombro direito dela, o ruivo sentenciou:
_ Não quero ouvir mais histórias.
Sorrindo de canto, Ino assentiu mentalmente. O faria esquecer de tudo aquilo. Deslizando uma das mãos até o membro de Gaara, a loira o acariciou por cima do tecido macio da calça negra, fazendo lentos movimentos. Começando a arfar, o ruivo grunhiu, apertando a cintura da Yamanaka. Ino prosseguiu em sua tarefa, pressionando o pênis de Gaara, que assim como ela fizera mais cedo quando secava-lhe as costas, mordeu-lhe o ombro. As carícias desferidas por ela, ali, eram torturantes.
XXX
Tenten e Neji caminhavam por entre a estrada de terra, com rumo a Konoha. A Mitsashi ainda não compreendia como havia concordado com aquela proposta absurda de já partir para a cidade uma hora antes do seu horário habitual. No entanto, a insistência do Hyuuga lhe fizera perder a paciência e, ceder ao que ele falava. Perguntava-se quais os reais motivos que traziam aquele forasteiro ali, ele se atrapalhava com tudo, como se nunca estivera longe da metrópole antes. Todavia, tinha de admitir que, ao vê-lo tentar ligar mais uma vez seus aparelhos tão sofisticados e, não obter sucesso, lhe arrancara algumas gargalhadas. Será que ele não dava-se conta que em um lugar como Konoha jamais haveria sinal para aquelas coisas?
_ Eu ainda processo o maldito do prefeito desse lugar... – praguejou Neji, irritado com o estado de seu terno italiano, coberto pelo pó da estrada.
_ Não adianta reclamar do prefeito forasteiro... Não pretende morar aqui mesmo. – manifestou-se Tenten, tranquila, ajeitando sua bolsa em tecido vermelho.
_ Não pretendo mesmo! Prefiro ser mumificado! Se eu morasse nesse fim de mundo enlouqueceria. – comentou o Hyuuga, amargo.
_ Caramba, você é muito complicado sabia? Deveria aprender a ver melhor a simplicidade nas coisas. Perder os eixos, ficando nervoso, apenas vai lhe queimar preciosos neurônios. – aconselhou Tenten, sorrindo de canto em função do olhar irritadiço que ele lhe lançava.
_ Pode ter certeza que não irei me tornar um parvo, sou um Hyuuga. – assentiu Neji, bufando. Aquela morena pelo visto, era tão atrevida quanto Ino.
Olhando-o, Tenten percebia claramente como os olhos perolados poderiam brilhar como a lua, entretanto, de irritação. Os cabelos totalmente lisos, úmidos devido ao banho que tomara, viajam junto do vento matinal. Era um forasteiro para lá de prepotente, porém, um belo forasteiro. “ Concentre-se no Kiba, Tenten...” aconselhou-se mentalmente a Mitsashi, tentando manter a razão sobre suas mãos. “Ele é estrangeiro, e fora grosso com você quando lhe conheceu...”.
_ Neji!!! – uma exclamação fina, assustada, chamou pelo Hyuuga, que virou-se junto da Mitsashi.
Hinata tinha uma das mãos sobre os lábios, deixando a cesta que montara com Naruto, para fazerem um piquenique, cair sobre a estrada de terra batida. Era mesmo o primo?! O que ele estava fazendo ali?!
Estreitando os olhos, Naruto cruzou os braços. Como ele tinha aparecido por ali? Teletransporte? Era só o que faltava. “Esse sujeito é mais almofadinha do que eu pensava...” constatou consigo mesmo o loiro, sentindo-se em uma cena de faroeste, que costumava passar às vezes na tv, nos canais americanos.
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