Demônios

13 Capítulo 13: Atado, radiante e decidido


Notas iniciais
Oi!!!! Bom, eu gostaria muito de prolongar devidamente esta nota, mas, está passando o jogo do atlético-mg neste exato momento e, estou com os nervos a flor da pele para dizer tudo que queria de modo coerente. Mas, não posso deixar de agradecer a força de todos vocês com relação ao meu amigo, eu fiquei muito emocionada com os cometários, sobretudo com o da Cacau, que eu quase chorei de verdade. Está sendo muito difícil toda esta situação, mas tudo ainda está muito recente. Também, gostaria de agradecer a todas as recomendações, fico mesmo muito honrada com cada uma. Good read.

Apoiado às barras de madeira antiga da janela, Neji observava a noite estrelada. Jamais havia visto semelhante céu, tamanha abundância em estrelas e lua tão bela antes. Realmente, tinha de admitir que enfim Tóquio perdia para o “fim de mundo”, mas, apenas naquele quesito. Estradas sem placas, sem qualquer vestígio de asfalto, a ausência em sinal de telecomunicação. Se estivesse em seu escritório na agência, daria uns bons tabefes no amigo Nara que, outra vez, havia adivinhado em aconselhá-lo a levar os comunicadores comuns, como os de sua prima de das outras. No entanto, ele ouvira? Não, trouxera consigo os equipamentos mais sofisticados que tinha em mãos e nenhum deles lhe servia para nada agora. Suspirando, o Hyuuga olhou novamente em direção ao céu. Havia sido um completo bárbaro com a moça que tentara lhe ajudar e, ainda estava a hospedá-lo em sua casa depois de tudo. Tinha obrigação de se redimir.

_ Mais calmo forasteiro? – indagou Tenten, estendendo-lhe uma xícara de chá fumegante.

Olhando-a, Neji analisou discretamente suas feições. Era uma moça de olhos castanhos, porém, de um castanho brilhante, médio. Os cabelos praticamente em mesmo tom dos seus, tinham textura lisa e estavam presos habilmente em dois coques, cujas fitas brancas em seda davam-lhe um ar tipicamente oriental, como se fosse uma legítima metropolitana. Não havia prestado atenção alguma nela enquanto discutiam na estrada, tão pouco quando ela lhe cedeu de bom grado sua casa. A mente lhe estava ocupada, pensando nas mais diversas maneiras de trucidar as três irresponsáveis agentes, que haviam deixado-lhe naquela situação minada. No entanto, agora que finalmente colocava-se por analisar a moça, compreendia que talvez fosse melhor não tê-lo feito. Ela era uma bela moça, de traços fortes, cuja audácia em gritar igualmente com ele lembrava-lhe Ino. Entretanto, bem diferente da loira filha escoceses, a morena ao seu lado usava roupas recatadas, além portar-se como uma verdadeira dama de família.

_ Na medida do possível. – respondeu Neji, aceitando o chá lhe oferecido.

_ O que procura por essas terras? Você me parece um homem que jamais deixaria uma metrópole... Porque está aqui? – questionou Tenten, sincera, voltando-se a simpática mesa da cozinha, deixando sua xícara já vazia.

_ Negócios... – limitou-se o Hyuuga, dando algumas passadas a frente. _ Gostaria de me desculpar por meu nervosismo na estrada, realmente não deveria tê-la tratado daquele modo.

Sorrindo de canto, a Mitsashi virou-se, apoiando o tronco em uma das cadeiras emadeiradas.

_ Claro que não deveria. Só estava tentando ajudá-lo. Mas compreendo que tinha se exaltado. – afirmou Tenten, cruzando os braços, notando que o Hyuuga parecia fazer um grande esforço para pedir-lhe desculpas. Aquilo lhe divertia. Ele estava deixando a face prepotente de lado por alguns minutos.

_ Agradeço pelo chá, mas preciso ir a Konoha. Será que poderia me indicar o caminho correto? – perguntou Neji, deixando sua xícara sobre a mesa.

_ Há essas horas? Nem por decreto! Uma moça não deve sair acompanhada de um rapaz na escuridão da noite. É muito perigoso. Além disso, aquela vasta propriedade ao leste é habitada por um único morador, que dizem ser louco. Por isso, se quer minha ajuda senhor... Hyuuga Neji... terá de esperar o amanhecer. Eu trabalho, preciso descansar. – decretou Tenten, arqueando uma das sobrancelhas e encarando-o.

_ Não posso aguardar o amanhecer, tenho que encontrar pessoas importantes. – rebateu Neji.

_ Sinto muito, se quiser ir... Vá. Mas eu não o acompanharei. Posso tentar lhe indicar o caminho, mas, sendo um forasteiro, esteja certo dos riscos que estará correndo ao sair por aí sozinho na calada da noite. – avisou Tenten, dando de ombros e se encaminhando para o interior de sua casa.

Cerrando os punhos, Neji a seguiu. Adentrando seu quarto, Tenten abriu um dos armários e, pegando alguns cobertores e um travesseiro, os atirou de surpresa contra o Hyuuga, que utilizou do rápido reflexo para não ser atingido por um golpe em cheio.

_ Nunca se deve negar uma boa noite de sono a ninguém. Por isso, se decidir ficar senhor Hyuuga, pode ocupar-se do quarto à frente. É o quarto de hóspedes. – disse Tenten, fechando as portas dos armários e encaminhando-se a saída do quarto, passando despreocupadamente por Neji.

Virando-se, o Hyuuga a viu entrar em outro cômodo, aparentemente um banheiro, e trancar-se. Observando as roupas de cama em suas mãos, Neji optou por aceitar a hospitalidade. Infelizmente a morena audaciosa tinha razão, poderia ser assaltado em meio a todos aqueles matos naquele horário e, isso seria o cúmulo de sua boa sorte.

No entanto, não ocuparia o quarto de hóspedes, por mais que estivesse para lá de familiarizado com o conforto, dormiria na sala. Ela já estava cedendo-lhe sua casa, portanto, não pretendia abusar. Logo que o sol nascesse, iria em direção de Konoha.

XXX

Observando a face serena do ruivo, adormecido, Ino continuava a acariciar-lhe os cabelos escarlate e os ombros, desprovidos do grosso cobertor. Ele havia adormecido há alguns minutos, certamente por ser vencido pelo tranquilizante que ela lhe aplicara. Observando-o, a loira se questionava em como seus familiares poderiam tê-lo abandonado daquela forma, em como ninguém havia tentado ajudá-lo antes. Ele tinha dito que não dormia há anos, provavelmente pelas alucinações causadas pelo demônio ou pelo medo da criatura tomar-lhe o corpo quando adormecido. Porém, ele precisava dormir, nem que fosse por poucas horas. Ela o sentia a cada dia mais cansado, mais frágil e vulnerável a ação do demônio, que estava corroendo-lhe o estômago de tanto fazê-lo vomitar.

Estava disposta a tudo para parar aquele ser desprezível, que estava fazendo Gaara tornar-se doente, isso se já não estivesse se tornando, como ela julgava pela frequência dos vômitos e, como ele apresentara mais cedo, pela febre. Tinha enfrentado uma dura tarefa para fazê-lo sentir-se seguro e entregar-se ao sono, ele olhava-a a todos os instantes, receoso, e havia apertado-lhe tanto a mão direita que esta estava dolorida.

O ruivo era mesmo como um menino e, adormecido, aquela constatação era mais evidente. Beijando-o carinhosamente na testa, Ino retornou a abraçar-lhe os ombros alvos, ajeitando-se no sofá e tentando fazer o mesmo, dormir, mesmo que estivesse sentada. Ela também sentia-se exausta, a ida a Konoha havia sido desgastante, sobretudo para seu pé, que ainda doía um pouco pela torção brusca mais cedo.

Deixando o sono lhe vencer também, a loira adormeceu.

XXX

Colocando Hinata sobre a entrada de sua casa, Naruto sorriu, retirando as chaves da jaqueta em couro e abrindo a fechadura. A Hyuuga permaneceu em silêncio, observando-o e perguntando-se o que ele estava a pretender. Ele havia carregado-a por mais da metade do percurso, e contara tantas histórias que ela poderia jurar já saber toda a trajetória da criança que ele havia sido, uma criança repleta de criatividade, artimanhas e travessuras. Também, uma criança cujo histórico de desventuras era em série.

Abrindo a porta, o loiro pegou-a no colo outra vez, surpreendendo-a.

_ Bem-vinda oficialmente a minha casa! – exclamou Naruto, radiante, adentrando a sala e fechando a porta com o calcanhar. Colocando a Hyuuga sentada no sofá, ele sorriu.

Rindo, Hinata ajeitou sua franja, deixando sua bolsa sobre o estofado alaranjado.

_ Você não existe mesmo sabia? – comentou a Hyuuga, levantando-se e ajeitando o jeans um pouco amassado.

_ Pode deixar isso aí no quarto, ainda não vamos dormir. – afirmou Naruto, referindo-se a bolsa grande que Hinata havia levado consigo com parte de suas coisas. Ela pretendia ficar ali apenas enquanto Sakura estivesse na casa de seu alvo, assim que a amiga voltasse ao hotel, também voltaria.

_ E porque ainda não vamos dormir? Está tarde. – perguntou Hinata, intrigada.

_ Quem dorme cedo perde a melhor parte do dia, a madrugada! Nós vamos assistir tv! Durante o dia só passa programas chatos nessa coisa, mas a noite sempre passa uns filmes legais. – revelou o loiro, sorridente, retirando a jaqueta de couro e jogando-a em um canto qualquer da sala, enquanto se encaminhava até a cozinha.

Acompanhando-o, Hinata lembrava-se das expressões de Sakura, que havia declarado guerra contra a programação televisiva local. No entanto, talvez ele tivesse mesmo razão. Ainda não havia visto programa algum pela madrugada desde que havia chegado em Konoha.

_ O que você vai querer para comer? Acho que vou fazer pipocas... – palpitou Naruto, abaixando-se para abrir um dos armários próximos a grande pia de mármore.

_ Não! Deixa que eu mesma faço... – advertiu Hinata, sorrindo docemente. Não estava mesmo afim que outra tragédia como a do bolo de cenoura ocorresse.

_ É... Melhor mesmo. – concordou Naruto, rindo.

XXX

Sentado à grande e luxuosa mesa de sua casa, Sasuke tinha as mãos pelos cabelos ébano e os cotovelos apoiados sobre o vidro de coloração negra antiga e rara. Ela tinha voltado. Não havia fugido dele. Mas... Será que assim que tivesse uma oportunidade o faria? Ele não queria que ela fosse, que o deixasse. Havia imaginado tudo completamente diferente. Desde que colocara os olhos sob os olhos esmeralda dela, havia pela primeira vez, sentido algo parecido a esperança. Esperança... Talvez ele não soubesse mais o verdadeiro significado daquela palavra. Tudo lhe havia sido tirado. Em pensar que um dia, ele fazia listas com todos seus sonhos tolos...

Flash Back:

“_ O que está fazendo pequeno Uchiha? – perguntou Itachi, adentrando a grande copa da casa, e sentando-se ao lado do irmão caçula, que tinha uma imensidão de papéis ao seu redor, cujos desenhos e anotações eram percebidas.

O Uchiha mais velho sorria de modo cintilante, colocando os cotovelos sobre os joelhos e observando com atenção os desenhos de Sasuke. Tinha muito orgulho do menor, ele havia aprendido a escrever a poucos meses, e mesmo que a letra saísse nada bela, já fazia anotações bastante coerentes. Não importava o que dissessem a respeito de Sasuke, ele jamais acreditaria. O irmão pequeno havia salvado-lhe de um período difícil, em que estivera doente. Ganhá-lo fora o maior dos presentes.

_ Desenhando... – respondeu Sasuke, sorrindo abertamente para aquele que considerava o maior herói de todos.

_ E o que o pequeno Uchiha está desenhando? Quem são esses? – questionou Itachi, referindo-se a todos os personagens imersos na figura.

_ O tio Obito, a mamãe, o papai, eu... e você. – respondeu Sasuke, voltando a concentração as canetinhas coloridas em um grande estojo acinzentado, que ganhara de sua mãe no último natal.

_ E o que são essas escrituras? – perguntou Itachi, pegando o pequeno dinossauro de pelúcia que, um dia, pertencera a ele. Agora, era um dos brinquedos favoritos de Sasuke.

_ O que eu quero fazer quando crescer igual a você. – respondeu o caçula, sorrindo.

_ Ah... Mas terá que comer muito para isso... Ainda é um baixinho! – brincou Itachi, sendo atacado pelo irmão, que atirou-lhe uma almofada.

_ Não sou baixinho!!! – rebateu Sasuke, sendo pego no colo por Itachi, que o colocava de cabeça para baixo”.

As lembranças não saíam de sua cabeça um só dia. Assim como todo o sangue... Toda a destruição. Ele havia conformado-se com o que era, com a escuridão, com tudo que era de sua real natureza. No entanto, ela dera-lhe motivos para acreditar que poderia reviver dias como aqueles. Ela era tão incomum quanto ele, não havia repelido-lhe ou simplesmente caído aos seus pés como as moças da cidade costumavam fazer. Ela lhe fazia perder totalmente a cabeça, trazia consigo algo que atraía a níveis extremos.

_ Não vai dormir esta noite? – perguntou Sakura, suave, escorada no grande arco da entrada da cozinha.

XXX

Flash Back:

“ Sentado sobre as tábuas gélidas do quarto, Gaara movia as mãos lentamente, brincando com a areia que parecia lhe seguir e, por aqueles dois dias, estava sendo sua outra companheira. A voz não estava falando com ele naquele momento, no entanto, ele ainda possuía medo dela. Ela lhe assustava, dizia coisas horríveis em sua cabeça e o fazia ter raiva ter raiva do pai e dos irmãos, que outra vez, estavam se escondendo dele. Não compreendia porque todos o odiavam tanto, ele se esforçava para ser uma boa criança. Porém, eles pareciam não gostar dele mesmo assim.

_ Gaara... Como está? Trouxe um lanche para você... – erguendo os olhos, o ruivo reconheceu a irmã, cuja voz não aparentava conter medo desta vez.

_ Não estou com fome. – respondeu Gaara, praticamente inaudível, mantendo o olhar sobre o chão. Não adiantaria dizer muita coisa, Temari não poderia livrá-lo daquele quarto de qualquer modo, ela não tinha as chaves das correntes.

_ Tudo bem... Vou deixar a bandeja aqui então, quando sentir fome é só puxá-la. – disse Temari, abaixando-se e colocando a bandeja no chão, arrumando os bolinhos de arroz e a xícara de chá, para que o irmão conseguisse pegá-los.

Erguendo-se novamente, a loira de cabelos mel se afastou, caminhando calmamente em direção a porta. Ele aparentava estar bem, não apresentava nenhum sinal de agressividade. Contudo, ela tinha consciência que ele estava triste, aliás, ele sempre estava. Nunca havia visto o irmão menor expressar algum sinal de felicidade.

_ Temari!! Fique!! Por favor!!! – exclamou Gaara, em um pedido que assemelhava-se melhor a uma súplica. A voz estava a falar consigo e ele tinha medo.

_ Não posso ficar Gaara... Nosso pai ficará bravo comigo. – argumentou Temari, segurando a porta.

_ Por favor!!!! Por favor!!! – o ruivo já gritava, sacudindo desesperadamente as correntes que prendiam-lhe mãos e pés.

A areia se moveu descontrolada, derrubando Temari no chão e levando-a em direção a Gaara, que chorava e insistia para que a irmã não fosse embora. Ao ouvir a gritaria, uma figura impotente adentrou o quarto, agredindo o pequeno menino, que prosseguia gritando e tentando soltar-se das correntes que o impossibilitavam de se mover muito.

_ Para pai!!! Está machucando ele!! Para!! – manifestou-se Kankuro, adentrando o quarto correndo, temendo que uma tragédia ocorresse.

_ Cale a boca Kankuro!! Já lhe disse para se manter fora disso!! Temos que impedir que esse monstro nos mate!!! Essa criança é a maior desgraça da nossa família!!! Ande!! Traga-me as ataduras!!! Ele ficará atado por hoje!!!”.

Ofegante, Gaara despertou agitado, seu peito doía imensamente.

_ Gaara! Gaara! O que foi? – indagou Ino, acordando com o modo súbito em que o ruivo se levantara de seu colo.

Levando as mãos a cabeça, Gaara encontrava-se em pânico. Ele não queria ficar atado. Não! Ele não queria ficar atado!

_ Eu não quero ser atado!!! Não quero!!! – exclamou o ruivo, grunhindo em dor.

Abraçando-o fortemente, Ino não compreendia nada. No entanto, certamente ele havia tido um pesadelo. Chorando compulsivamente, Gaara agarrava-se a blusa de Ino, trêmulo.

_ Calma! Calma Gaara! Ninguém vai lhe atar! Eu estou aqui... Calma... – garantiu Ino, acariciando-lhe os cabelos com esmero. Estava assustada com a forma como o ruivo se encontrava, ele parecia em choque.

_ Não quero ser atado... – repetiu Gaara, em meio ao choro, já sentindo seu estômago revirar e a dor em seu peito aumentar.

Percebendo o modo como o abdômen dele se contraía, a loira logo constatou que ele em breve passaria mal novamente, deveria estar sentindo dor. Se afastando com calma, Ino tocou-lhe a face, secando as lágrimas do ruivo, que segurava sua cintura com força, apavorado.

_ Gaara... Foi só um pesadelo... Você não vai ser atado... Olha para mim, está sentindo dor? – questionou Ino, inibindo a cólera que lhe subia pelo sangue somente por imaginar que ela hipótese poderia ser verdadeira. Além de acorrentá-lo aqueles delinquentes também o mantinham atado como um louco? Entretanto, não poderia demonstrar sua indignação, o ruivo estava trêmulo, prestes a passar mal. Ele quem importava no momento.

Gaara não respondera a pergunta. Mas, talvez nem fosse preciso. Os olhos verdes sempre em opacidade encontravam-se aturdidos, assustados e demonstravam a dor que ela já vira outras vezes. Encostando sua testa a dele, Ino o olhou com segurança. Ele necessitava de segurança naquele instante.

_ Não quer tomar um banho quente? – perguntou Ino, aflita. A pele do ruivo estava muito gélida, e ele aparentava estar sentindo calafrios.

Arfando, Gaara concordou de cabeça. Estava assustado, não sentia-se bem e não queria tentar dormir novamente. Era sempre o mesmo: ele habitava mundos terríveis. Jamais iria conseguir habitar mundos agradáveis como ela. Ouvindo a voz gritar em sua cabeça, ele retirou as mãos da cintura da loira e as levou até sua cabeça.

Notando o gesto, Ino o ajudou a descer do sofá cama. Provavelmente a criatura deveria estar tentando assustá-lo também. Guiando-o pela cintura, a loira o levou até o banheiro.

XXX

Com os braços cruzados a beira da sala, Tenten observava o curioso forasteiro que encontrara na estrada a dormir, sobre o sofá. Porque ele estava dormindo na sala? Ela havia lhe oferecido o quarto de hóspedes, não havia motivos para ele dormir no sofá como o fazia. Todavia, não iria acordá-lo. Ele era muito nervoso, tinha uma postura firme e o olhar sério. A morena perguntava-se se ele seria capaz de desfazer toda aquela armadura, cuja raiva e o ar metropolitano lhe serviam de escudo. Sorrindo de canto, ela logo constatou consigo mesma: ele seria um desastre em Konoha. As moças se apaixonariam por ele no primeiro olhar, ele não acostumaria-se a pacata cidade tão cedo. Somente todos aqueles aparelhos aparentemente tão modernos lhe confirmavam isto.

Virando-se, fez menção de ir para seu quarto, no entanto, os olhos castanhos permaneceram sobre o Hyuuga, que dormia tranquilamente, apesar de deitado em um sofá médio, cor de rosa. Jamais vira homem com cabelos tão grandes antes, quanto mais com os olhos de íris perolada, algo que ela não sabia como processar. Os olhos dele pareciam à própria lua. Mas, algo nele demonstrava reclusão, marcas. Suspirando, Tenten deu as costas, caminhando para seu quarto. “ Karin tem razão... Preciso arrumar um namorado...” pensou a Mitsashi, sentando-se sob a beira da cama, exibindo uma das torneadas pernas bronzeadas pelo vão do roupão branco. Por falar nisto, devido ao ocorrido com o forasteiro, não havia ido até a casa de Kiba, comparecer ao jantar como havia prometido. Mais essa. Tinha que desculpar-se com o Inuzuka, ela nunca imaginaria que seria surpreendida por um metropolitano, cujo carro havia explodido em meio a tudo isso.

XXX

Assistindo atentamente ao filme na antiga tv da sala, Naruto e Hinata gargalhavam, o filme era muito engraçado, o enredo envolvente e os dois não desviavam os olhos da tela. A Hyuuga comia lentamente as pipocas, enquanto o loiro as devorava, completamente entretido com o filme. Hinata ouvia as sonoras risadas de Naruto, divertindo-se não somente com o que via, mas também, em estar em sua companhia. Por mais que fosse uma agente há três anos, sentia-se sozinha. A família Hyuuga era muito tradicional, jamais tivera uma comodidade como aquela, de sentar-se sobre o sofá de madrugada e assistir ao primeiro filme que encontrasse. Trajando já sua camisola azul, ela analisava as roupas do loiro, que usava uma camisa laranja, um short branco e a cômoda touca, cuja singela infantilidade era agradável.

_ Esse cara é maluco!! – exclamou Naruto, rindo com outra peripécia do protagonista do filme.

_ É mesmo... Parece o meu primo... Acredita que o Neji já perdeu três carros? Isso se já não tiver aumentado a lista. – contou Hinata, pegando mais um pouco da pipoca.

Cerrando o punho, Naruto suspirou. “ Para quê falar do almofadinha?” pensou o loiro, olhando-a. Hinata parecia nunca ter feito aquilo antes. Curioso, ele curvou um pouco a cabeça para observá-la melhor. Corando diante da forma como era fitada, Hinata sorriu timidamente, em contraste com Naruto, que sorria abertamente.

_ Hinata, você nunca assistiu programas de madrugada? – perguntou o loiro, esquecendo-se momentaneamente do filme.

Encarando os olhos azuis dele, a brilhar mesmo sobre a meia luz da tv, Hinata respondeu:

_ Não costumo fazer esse tipo de coisa, sempre dormi cedo.

_ Credo que chatice! Agora pode deixar essas tolices de lado, enquanto estiver aqui, vai assistir filmes de madrugada. – comentou Naruto, voltando-se a tv.

Hinata concentrou-se na figura dele, como se a imagem lhe intrigasse. Naruto deveria ter dado bastante trabalho a mãe, ele não aparentava seguir regra alguma, somente as dele, que eram totalmente corretas de acordo com o modo “Naruto de ser”. Sorrindo de canto, a Hyuuga perguntou-se se teria mesmo coragem de findar aquela missão, de apagar aquele sorriso radiante. Abaixando levemente a cabeça, ela viu-se triste. Seu peito doía ao pensar no fim da missão, ela já estava perdendo as esperanças de fazê-lo. Mas, ela teria de cumprir, a segurança de todo Oriente estava em jogo. Distraída, ela levou mais uma vez a mão a vasilha com pipocas, no entanto, Naruto fizera o mesmo e, as pipocas haviam se acabado.

Tocando a pele quente do loiro, Hinata o encarou. Era como se outra vez, existissem apenas ela e ele. Aproximando-se, Naruto tocou-lhe a face com calmaria. Ela era a mulher mais bela de todo Japão, estava certo disto. Unindo os lábios ao dela, o loiro deixou-se sorver daquele embriagante contato, que ele pretendia não colocar fim, não enquanto a macia língua dela estivesse entre a sua, tornando aquela madrugada a maior de todas em sua opinião. Pela primeira vez, ele não estava sozinho.

XXX

Com os olhos vermelhos, Sasuke contemplava a rosada ao seu lado, imersa em um sono pacífico. Ela vestia uma majestosa camisola em seda cor de rosa que ele próprio havia escolhido para dar de presente a ela, no dia em que colocara os pés pela primeira vez naquela casa. Todavia, em decorrer de tudo que ocorrera, ele se esquecera por completo daquele detalhe e, depois dela deixado após fazerem amor, havia retido toda à vontade de presenteá-la com o tecido. No entanto, não deixara de dar a peça a ela mesmo assim, mas, usara do nome de sua mãe para isto. Ele havia emprestado a ela um vestido de sua mãe, ela não suspeitaria de um segundo traje que, assemelhava-se ao estilo imperioso dos Uchiha. Tocando-lhe o ventre, Sasuke perguntava-se se ela ficaria furiosa em saber que agora, jamais poderia fugir dele, ela estava marcada como dele. Cobrindo-a com uma das mantas de veludo que colocara sobre a cama, ele admirou mais uma vez o corpo da Haruno. Estava repleto em desejo. A faria dele outra vez. Agora.

Notas finais
Gostaram???? Kisses, Nita.