Delphi

7 Capítulo 7


Notas iniciais
Ooooi! Sei que demorei um pouquinho, mas foi mais rápido que dá última vez. Mas então, agora com as festas de fim de ano provavelmente só vou conseguir postar ano que vem. Então se eu demorar bastante não se assustem, não abandonei a fic. Espero que gostem desse cap, ainda não betado. * Esse é um pouquinho maior que o usual

As estrelas brilhavam na madrugada escura. Augurey dormia no chão, uma vez que Euphemia não voltou ao quarto novamente para coloca-la no berço. O corpinho doía contra o carpete duro, mas ela não pudera evitar cair no sono. Antes de adormecer ela sentia o estômago se contorcer como nunca antes. Beirava à dor que lhe corroia por dentro dando vontade de chorar, mas papai lhe ensinou que jamais deveria.

A chave da porta girou com um estralo e uma fresta abriu-se. Augurey dormia tão profundamente que só despertou quando sentiu os braços da tutora a envolver. Sonolenta a menina se agarrou no conforto do colo da mulher que sempre lhe cuidou. Euphemia acariciou os cabelos negros da menina e sussurrou quase carinhosa:

— Hora do banho.

Com o corpo mole e os olhos meio fechados, Augurey só deu por si quando foi depositada na banheira. A água mais gelada que o de costume a fez arrepiar e querer vestir as roupas novamente, mas Euphemia a segurava com força e começava a lhe passar o sabonete. Em um determinado momento a mulher paralisou suas ações, deixou o sabonete de lado, apoiou uma mão nas costas e uma no peito da menina.

— Vamos...molhar o cabelo — Euphemia disse hesitante mais para si do que para a criança.

Sem dizer nada e familiarizada em molhar o cabelo daquela maneira, Augurey apenas deixou-se ser deitada na banheira até a água lhe cobrir o rosto. Geralmente demorava dois segundos no máximo para umedecer os cabelos e logo a tutora a erguia. Mas dessa vez não foi rápido. Em baixo d'água a menina sentiu o pulmão apertar e aos poucos um pânico instintivo crescer. Tentou levantar, mas as mãos fortes da mulher a segurou no lugar. Não demorou para todas as bolhas de ar deixarem sua boca e narinas. Augurey começou a se debater em desespero. Ela agarrou no pulso de Euphemia, que a prendia pelo peito no fundo banheira, e tentou puxa-lo em vão.

De olhos fechados, a mulher mantinha a menina em baixo d'água e segurava as lágrimas. Sentiu necessidade de respirar fundo e em seguida girou o pescoço para o lado. Entreabriu os olhos e pode ver as pernas da menina batendo no fundo e nas bordas da banheira, jogando água em todas as direções e criando bolhas de ar na superfície. Voltou a fechar os olhos, uma lágrima escapou e ela precisou respirar fundo outra vez. Após alguns minutos o debater desesperado de Augurey começou a perder forças. Só mais um pouco Euphemia percebeu que já não precisava de tantos esforços para segurá-la. Foi então que ela respirou fundo e sentiu o ar faltar. Abriu a boca, mas não conseguia respirar. O coração acelerou, uma forte dor de cabeça lhe atingiu, os membros ficaram fracos. Ela abriu os olhos e encontrou os azuis da menina sob a água, quase fechados. Praticamente por instinto, Euphemia soltou a criança, se jogou para trás caindo em uma poça de água e tentando respirar.

Assim que se viu livre, a menina, apesar do corpo mole, conseguiu segurar com uma mão na borda da banheira. Com esse braço puxou-se para cima. Quando o rosto saiu da água ela repirou doloridamente e se apoiou com os dois braços na lateral de porcelana branca. Ofegante e com a visão turva, Agurey nem notou o exato momento que Euphemia saiu do banheiro e desceu correndo as escadas. A mulher abriu desesperada os armários da cozinha onde mantinha um estoque de remédios e até mesmo de poções. Procurou por um frasco específico, mas não o encontrou. Revirou três vezes cada vidro. Nada.

Aceitando que não possuía o que procurava, Euphemia afastou do armário e escorou na mesa da cozinha. Permaneceu um tempo olhando para o nada e então, de súbito, endireitou-se. Adiantou-se até o hall de entrada pegando seu casaco e sua bolsa, saiu da casa. A primeira rajada de vento que tomou a fez lembrar que estava toda molhada, mas não se importou. Pegou um ônibus no final da rua e voltou duas horas depois com uma sacola de farmácia e as roupas secas.

A mulher entrou na casa e foi direto ao banheiro, mas Augurey não estava lá. Caminhou até o quarto da menina e ficou apreensiva ao constatar que a menina também não se encontrava ali. Euphemia verificou no próprio quarto e não pode deixar que a ideia da menina ter sumido lhe agradasse. Todavia, pouco tempo durou o contentamento. Augurey dormia no sofá da sala, sem roupas e tremula de frio. A mulher deduziu, obviamente, que ela fez o caminho sozinha até o local. Euphemia agachou ao lado do sofá e acariciou os fios pretos, secos e despenteados da menina. Os grandes olhos azuis se abriram sonolentos e miraram a mulher com confusão. Euphemia sorriu, tirou o casaco e jogou sobre o corpo tremulo da criança.

— Está com fome? — Perguntou ainda acariciando os cabelos negros.

— Tô — A voz da menina saiu cansada. Mesmo com tanto sono a fome gritava mais alto e ela não pode recusar.

Euphemia foi até a cozinha, pegou o leite na geladeira, um copo limpo, tirou o remédio rotulado "bromidrato de fenoterol" da sacola, com uma faca retirou o plástico conta-gotas na borda do frasco e despejou todo o líquido no copo de leite. Ela encarou por alguns segundos o copo, incerta. O que aconteceu mais cedo vinha-lhe a mente. Ele te fez prometer... Se lembrou, mas logo a ideia foi jogada para longe.

— Com ele morto a promessa não tem valia — Segurou o copo com as mãos tremulas — Me senti mal, porque não sou uma assassina de sangue frio.

A mulher foi de encontro a menina. Augurey adormeceu novamente no sofá, mas assim que foi acordada e viu o copo de leite avançou para ele faminta. Levou o vidro gelado até os lábios e Euphemia a ajudou beber até a última gota. Em seguida foi pega no colo pela mulher e levada até o quarto do lado do banheiro: o quarto da tutora.

Euphemia depositou a menina, coberta apenas pelo casaco, na cama de casal e deitou-se ao lado dela. A observou atentamente por longos minutos até que Augurey começou a dar os primeiros sinais: soar frio e tremer. A mulher levou uma mão ao peito da menina e sentiu o coração acelerado. Euphemia não sabia dizer quando exatamente também começou a sentir o coração acelerar, a visão ficar turva, a cabeça pesar e o corpo tremer. Tudo que lembra é que envolveu Augurey e a aconchegou em seus braços pelo resto da noite enquanto balbuciava:

— Não. Não. Não...

A noite prosseguiu calma e alheia aos problemas mundanos. Ela veio e se foi dando lugar ao sol nascente que invadiu pela janela do quarto de Euphemia. Os raios solares mirou insistentes nos olhos da mulher e a acordou de um sono profundo. Ela suspirou e ao se remexer sentiu algo em seus braços. Afastou um pouco e encarou por segundos o rostinho de Augurey. Você poderia ter um nome melhor Euphemia levou uma mão ao rosto de anjo e acariciou uma bochecha. A menina estava quente e por conseguinte viva, porém, mesmo assim, a mulher achou melhor conferir o pulso. Assim não houve mais dúvida. Euphemia ergueu o corpo sentando no cochão e analisou a criança dormindo.

— Como você conseguiu? — Murmurou retoricamente para si mesma. Suspirou alto e passou as mãos pelo rosto.

Ela levantou e foi tomar um banho. Quando voltou a menina estava acordada e brincava distraidamente com a estampa floral do travesseiro. Euphemia foi até o guarda-roupa e se vestiu. Ela olhou uma última vez para a menina brincando e abriu uma gaveta repleta de vestidinhos caros comprados por Bellatrix. Pegou um vestido azul escuro cheio de detalhes em renda e decorado na gola com pedrinhas de diamante. Euphemia caminhou até a menina e a vestiu. Depois pegou uma escova na penteadeira, voltou à cama e penteou delicadamente os cabelos da menina que já quase caia-lhe nos olhos. Assim que terminou, Euphemia a pegou no colo e desceu para a cozinha. Sentou-a em cima da mesa e sem se afastar, com um braço de cada lado dela, começou a falar com uma voz mansa:

— Sabe, você não deveria estar viva, mas para a minha sorte está — A mulher encarou a cadeira ao lado para conseguir continuar, tamanha era a intensidade de atenção que recebia da menina — Seu pai me fez prometer que eu sempre cuidaria de você, na verdade foi mais uma espécie de voto, eu acho. Lembro dele me dizendo que se algo acontecesse a você eu também iria sofrer. Sinceramente não achei que poderia ser tão literal. Enfim, não sei que tipo de magia é essa, eu não estudei muita magia na minha vida, mas acho que não vou arriscar novamente — Euphemia encarou a menina e não conseguiria dizer se ela a entendia ou não — Delphi... era assim que Bellatrix te chamava, não?

Euphemia pensou ter vistos um brilho de reconhecimento transpassar nos olhos azuis da menina. Suspirou, a pegou no colo e caminhou em direção à sala. No caminho continuou:

— O seu futuro é uma grande desgraça, Delphi. E infelizmente estou entrelaçada a você. Acredite não estou disposta a morrer por quase nada nesse mundo, muito menos por você — Euphemia sentou em uma poltrona e ajeitou a menina no colo a fazendo deitar em seus braços — Então seremos nós duas daqui em diante... Olhando assim você não parece tão ruim, se quer saber.

A mulher aconchegou melhor Delphi nos braços e acariciou um bracinho por cima do tecido do vestido enquanto observava os traços delicados do rostinho. Nunca admitira antes o quanto ela era bonita para um monstro. Suspirou profundamente e jogou a cabeça para trás.

— "Nada muda, Rowle" — As palavras de Lestrange lhe veio a mente e não pode evitar pronuncia-las em alto e bom som. Após alguns minutos de silêncio voltou-se para Delphi que agora brincava com um dos diamantes do vestidinho — Bem, com tanto ouro pelo menos viveremos em uma casa melhor.

Notas finais
Euphemia não tem escolha se não cuidar de Delphi. Voldemort fez um voto perpétuo com Euphemia? Isso mesmo. Muito além de confiar nela como um aborto ele precisava de uma segurança a mais. E então digam o que acharam. Se gostaram e tal. Comentem! Estou amando o comentário de todos vocês. Me deixam muito feliz. Obrigada!