Delphi

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Olá a todos que chegaram aqui pra ler. Espero que gostem dessa fic sobre a Delphi

— Vamos! Empurre!

— Ahhhhhhhh HÁHÁHÁ!!!

O grito estridente de Bellatrix Lestrange ecoou pelos corredores da Mansão Malfoy e finalizou com uma risada insana.

— Pare de rir, senhora, e empurre essa criança — Implorou a parteira que se encontrava com as mãos estendidas entre as pernas da mulher.

Uma forte contração foi crescendo e quando ela atingiu o auge, Bella usou toda sua força para empurrar. A dor cruciante lhe enchia as veias e ela se deliciava com isso. Poderia ter usado uma poção para dor, mas não seria digno. Ela tinha que sentir. Sentir cada uma de suas células em colapso enquanto trazia ao mundo a perfeição.

— Empurre! — Rowle, a parteira, incentivou.

No instante seguinte o som irritante e doloroso do início de uma vida preencheu o ambiente. A criança gritava nos braços de Rowle e Bellatrix gritava junto. A parteira correu com a criança para o banheiro onde a lavaria dos resíduos corpóreos internos da mãe. Os pulmões de Bella esvaziaram e seu grito eloquente cessou. Ela deixou o corpo cair exausto saboreando cada pulso de dor que ainda corria pelos órgãos.

— Você está bem? — Rodolphus, que o tempo todo permaneceu no canto do quarto assistindo, aproximou-se da esposa com um misto de raiva e preocupação.

Bella se limitou a sorrir colocando a língua entre os dentes.

— É menina — Rowle anunciou saindo do banheiro com a prole enrolada em um cobertor verde.

— Menina? Tem certeza, Euphemia? — Bella prendeu a respiração depois de duvidar e os olhos quase explodiram nas orbitar. Esticou as mãos para pegar sua varinha apontando-a, tremendo, para a outra mulher.

Rowle paralisou no mesmo instante. Em pressa tremenda afastou o cobertor das partes intimas da criança para conferir. Liso e dividido. Com certeza uma menina.

— S-sim, senhora — Confirmou e fechou os olhos apreensiva.

— Me dá! — Bella gritou baixo por falta de força e esticou os dois braços ainda segurando a varinha.

A cria se contorceu no colo da parteira, que tremia, sentindo a dor de respirar. Rowle deu passos cautelosos até a lateral da cama. Rodolphus deu licença para ela passar. Bella jogou a varinha para longe quando recebeu a filha nos braços. Ajeitou bem a criaturinha e encarou o rostinho disforme de recém-nascido. Os olhos grandes mantinham-se semi abertos e brilhavam em um azul intenso herdado do pai. Alguns fiozinhos escuros de cabelo brotavam na cabeça minúscula. As mãozinhas abriram e se fecharam lentamente em torno da veste que Bellatrix usava. O sorriso que surgiu no rosto da mulher não foi de escárnio, loucura, sarcasmo, malicia ou deboche. Foi são e sincero.

Seu papai não vai se importar. Mulheres também podem ser fortes. Pensou. Bella acariciou lentamente os fiozinhos de cabelos e depois tirou o peito para amamenta-la. Rowle retirou os lençóis da cama e limpou toda a sujeira do parto manualmente. Rodolphus ajeitou-se novamente no canto do quarto observando a esposa. Não a reconhecia naquele momento, pois pela primeira vez depois de Azkaban ela parecia ser a antiga Bella. A Bella antes do Lorde.

— Eu vou chamá-lo — Anunciou Rowle em seguida saindo do quarto.

A mulher de meia-idade, aparência sofrida e olhos carregados de rancor, caminhou lentamente pelos corredores da mansão vazia. Queria chegar ao seu destino o mais lento possível. Pelo caminho fez uma nota de como a exuberante casa dos Malfoys ficava assustadora sem todos os Comensais e os próprios donos. Estes últimos foram mandados para longe em uma missão. A criança era segredo absoluto e apenas as quatro pessoas presentes na casa e um clarividente de estrema confiança sabiam de sua existência.

Sem mais delongas Rowle atingiu o final do corredor e adentrou o quarto escuro. De frente para a lareira ele sentava de costas. A cobra rastejou pelos pés descalços e pálidos do homem e fixou os olhos de pupila em pé na mulher. O homem se remexeu enxergando Rowle através dos olhos do animal rastejante.

— Estou a aguardá-lhe no instante que Bella cessou seus escândalos — A voz não natural ecoou pelo quarto arrepiando o ar — Então?

— É menina, mi lorde.

A cobra sibilou. O lorde levantou-se da poltrona de onde estava virando o rosto desfigurado na direção da mulher.

— Seja relevante, Rowle.

A mulher ofegou e sentiu um caroço na garganta ao olha-lo. Desviou as orbes para um vaso de planta qualquer, engoliu o caroço e começou a falar. Os olhos amarelos da cobra brilhavam em grande expectativa.

— E-ela é perfeita, mi lorde. Fiz todos os exames que conheço...

— Como se seu conhecimento tivesse algum valor.

Os pés pálidos se puseram andar. Passando pela mulher que tremia de medo a ignorou. Nagini, a cobra, reclamava frustrada para seu dono no caminho até o quarto.

— Já conversamos sobre isso. Se for perfeito não será seu jantar — Sibilou para o animal em ofidioglota.

Voldemort desacelerou o passo quando chegou na porta do quarto. Podia ver Bella segurando o embrulho nos braços e sorrindo. Nunca antes havia se preocupado até que ponto suas horcruxes o deformaram, por essa razão não esperava que seu Augurey nascesse normal logo na primeira tentativa. Todavia, aparentemente, os noves meses de espera escondendo segredo de todos valeram a pena. Não teria que descartar a criança se Rowle estivesse certa.

Ele deu a volta na cama lentamente acompanhado por Nagini. Finalmente pode ver o rosto da menininha. Os olhos. Aquela cor logo desgostou o lorde que almejava seu Augurey uma cópia de Bellatrix, não a queria com traços do Riddle imundo. Mas no momento aquilo não era um defeito tão grande. No futuro resolveriam o pequeno problema, assim como ele resolveu os seus.

Tirou a varinha de dentro das vestes e encarou a mãe de sua herdeira nos olhos.

— Vire-a — Voldemort ordenou.

Bella hesitou. O instinto materno de proteger sua cria de um perigo eminente travando uma violenta batalha com a submissão corriqueira pelo Lorde das Trevas que a escolheu para gerar seu filho. Sob o olhar de rubi a mulher acabou se rendendo a ordem. Afastou o cobertor da criança e a virou de bruços deixando as costas expostas. Voldemort encostou a varinha na pele macia e alva da menina. Como uma gota de café em água transparente o feitiço da marca se espalhou por baixo da pele. O bebê chorou sentindo dor e Bella quase chorou junto. O lorde afastou a varinha no instante que a marca começou a tomar forma de um pássaro. Um augurey.

A mãe ajeitou a filha nos braços a desvirando. O choro já havia parado.

— Minha Augurey — Voldemort sussurrou segurando as mãos pequenas da menina como se fossem espinhosas.

E poderiam ser. Grandes espinhos que arrancam sangue. Poderiam arrancar o dele caso não a controlasse como controlava a todos. A decisão de ter um herdeiro era perigosa e deveria tomar cuidado com aquela criatura dali em diante.

— Mi lorde — Bella chamou-lhe a atenção sorrindo alucinada, como sempre sorria para ele — Na verdade estava pensando em chama-la de Delphine. É mais bonito.

Voldemort se limitou a olhar a mulher. Sem discordar ou concordar com nome deu as costas, porém era óbvio que sua escolha sempre prevalecia. Antes de sair do quarto voltou-se para sua seguidora.

— Seu sobrinho tem duas semanas para executar a tarefa que eu o incumbe. É melhor que esteja em condições até lá, pois preciso de sua presença na escola para garantir que Dumbledore morra caso Draco e Snape falhem.

— Estarei, mi lorde — Bella respondeu prontamente em seguida soltou uma gargalhada divertida.

A pequena Augurey remexeu-se no conforto dos braços da mãe apreciando o som enlouquecido.

Notas finais
Augurey em português é augoreiro, mas eu escolhi usar a palavra original pois "augoreiro" é uma palavra de gênero masculino em PT e como estamos tratando de uma menina na minha opinião Augurey cai melhor. Obrigada por lerem