Delirious

19 19. Parece que o jogo virou, não?


Notas iniciais
Olá, meus queridos! Prometi que ia responder os comentários, infelizmente não estou conseguindo responder a todos de uma vez só, aos poucos estou respondendo. Portanto não deixem de comentar, ok?! Obrigado ao pessoal que continua lendo e comentando, vocês são demais. Capítulo especial para aqueles leitores que comentaram o capítulo anterior. Obrigada meus queridos vocês são demais. Aviso: Não foi revisado, então já sabem. hahaha

Capítulo 19. Parece que o jogo virou, não?

Narrado por Natan:

De boa e bem tranquilo estou, nesta manhã de quinta feira, no pátio da escola debaixo de uma árvore qualquer, comendo meu sanduba e bebendo refrigerante. Aproveitando o ar fresco daquela manhã.

Tudo perfeito. Exceto... Pelo fato de ao meu lado estar Miguel Dorneles. Ele está deitado no gramado, relaxado com os dois braços cruzados atrás da nuca e com um palito de dente preso nos lábios.

Calado como nunca antes esteve, vale ressaltar que o fato de estarmos ali a mais ou menos vinte minutos e ele não ter dito uma palavra sequer, me frustrou completamente. Não queria dar o braço a torcer e perguntar o que estava acontecendo com ele naquela manhã, até porque sua vida não é da minha conta, mas sabe como é... Você nota quando uma pessoa não está bem. Geralmente o meliante citado fica calado ou costuma descontar seu mau humor nas pessoas a sua volta e mesmo que você queira ignorar este fato não consegue, pois de alguma forma isso acaba te afetando.

Enfim.

— Punk, o que tá rolando? — Acabei não me contendo e perguntei.

Me odeio.

— Nada. — respondeu.

— Mentira! Até um inseto percebe que você tá boladão, se não quer contar tudo bem, mas ao menos tente disfarçar essa sua cara de 'cú'. — Silêncio.

Ele nada disse me levando ao limite da paciência, do nada me estourei e comecei a berrar, o pessoal que estava ao nosso redor, ou seja, a escola inteira voltou seus olhos para nós e novamente aquele desconforto se fez presente justamente por estar sendo o centro das atenções. Odeio quando isso acontece.

— Porra, Miguel 'tá me irritando, vomita logo!

— O que? — Ele sobressaltou-se e me encarou estático.

— Fala que merda 'tá acontecendo com você. Eu estava muito bem sozinho até você chegar com essa cara horrorosa.

O maldito ficou um tempo me encarando.

— Lembra do nosso tratado de paz?

— 'Pro inferno o maldito tratado de paz! — Berrei. — Eu sou estourado, sempre fui e isso nunca vai mudar, então que se foda a porra do tratado de paz.

— Ok, entendi. — Ele espalmou as mãos em sinal de paz, esperou até que me acalmasse para começar a falar novamente, sentou-se no gramado cruzando as pernas e começou. — Quer mesmo saber o que me irrita?

Não respondi por que achei desnecessário, afinal era óbvio.

— É que o mês... — Suspirou pesadamente.

— O que? — Curioso perguntei, nem imaginando do que se tratava. Ele me encarou fixamente antes de responder.

— O mês tá acabando. — Disse olhando para frente.

Só então consegui entender o que ele queria dizer. Realmente faltava duas semanas para acabar o mês, e isso significava que tudo isso... acabaria.

Olhei de canto notando em seu rosto algo de... Chateação mesclado com melancolia. Fiquei sem saber o que dizer, sei lá... para tentar animá-lo... eu acho. Nem lembrava mais da maldita aposta. Porra, como eu pude esquecer de algo tão importante?

Estamos falando da minha liberdade, afinal.

— Olha... cara... Sei lá, a gente pode continuar se falando. Nem lembrava dessa aposta mesmo. Pensei que...

— Que aposta asno? — A pergunta me pegou desprevenido, a fala morreu na ponta da língua.

— Hun? A apos-ta...? Oras a nossa aposta de... de... de... Ah porra, 'cê sabe.

— Não estou falando disso. Ainda tenho tempo de sobra para te atormentar. O que está me tirando do sério é que mês que vem é meu aniversário. Não gosto de datas comemorativas. Que saco!

Meu rosto ferveu como nunca antes, senti vontade de socar minha cara, me atirar na frente do primeiro ônibus que passasse, sumir do mapa, morrer, queria nunca ter nascido, queria ter algum tipo de poder sobrenatural... sei lá ser o homem invisível.

— Natan!

Só não queria estar ali naquele momento. Que MICO!

— Natan!

Perdido e concentrado na minha vergonha e na minha própria infeliz existência, me desliguei do mundo lá fora e não percebia que Miguel Dorneles estava agoniando meu nome sem parar.

— Natan!!

— Huh? Quê?

— Tá surdo? — Não respondi. — Vem cá, você lembra quando foi a última vez que nos beijamos?

“TUM... TUM... TUM”

O QUÊ??!

“TUM... TUM... TUM”

Que diabo de pergunta era aquela de repente? E o que é esse maldito “Tum, Tum, Tum?"

Espera! Acho que não entendi direito. É, eu definitivamente devo estar ouvindo “coisas”.

— P-perdão, poderia repetir?! Acho... Acho que não entendi direito.

“TUM... TUM... TUM”

— Eu perguntei: se você lembra quando foi a última vez que nos beijamos?!

Meu rosto inteiro pegou fogo.

“TUM... TUM... TUM”

Porra, o que ele pretendia com aquilo? Me matar do coração?

— E-EU NÃO BEIJEI NINGUÉM!

— Não precisa se alterar, foi só uma perguntinha.

— V-você quis dizer: quando foi a última vez que você me... Me... Me... B-beijou sem meu consentimento.

“TUM... TUM... TUM”

— É, mas você deixou!

“TUM... TUM... TUM”

— N-Não deixei nada, todas as vezes que você me... Me... Me... Arg! Eu estava... Eu estava impossibilitado de me defender. — Apontei o dedo na cara dele querendo o quanto antes finalizar aquele assunto. — Foi golpe baixo.

— Aham sei. — Fez pouco caso e voltou a deitar no gramado. — Você é cheio de frescuras, fez todo esse fiasco por causa de um simples beijinho.

— N-não fiz nada! — Gritei.

— Fez, fez sim. — Rebateu.

— Maldito...— Cerrei os punhos esquecendo-me do meu recente vexame. —... Não me irrite.

— Então prove! —Provocou.

— O que?

— Prove, que não é tão fresco e molenga quanto parece. — Provocou novamente.

— O que, como assim? — Fiquei em alerta, algo dentro de mim gritava: Perigo, perigo, perigo fique longe!

— Me beija, aqui e agora na frente de todo mundo.

“TUM, TUM, TUM, TUM, TUM, TUM, TUM, TUM, TUM, TUM, TUM, TUM.”

Vou infartar assim!

Esse desgraçado 'tá querendo me matar...

— Nem morto! — Respondi imediatamente.

O demônio sorriu convencido, o que me tirou do sério, porém não ia fazer aquilo nem que me pagassem. Sabia que era o que ele queria. Precisava dar uma desculpa a ele, articular uma bela resposta e sair dali como um vencedor mostrando que aquilo não estava me abalando. Porém antes que isto pudesse acontecer o sinal bateu preenchendo nossos ouvidos.

Salvo pelo gongo!

(#)

Durante a primeira aula aquilo não saiu da minha cabeça. Tentava desviar minha atenção para qualquer coisa que me fizesse esquecer, mas nada adiantava. Na aula de Ed. Física (segundo e terceiro período) levei três boladas na cara e um chute na canela, até que o professor decidiu por fim me retirar do jogo de futebol. Fiquei todo resto do período sentado no banco com um saquinho de gelo na canela, assistindo as atividades dos meus colegas.

Em determinado momento, onde meus pensamentos vagavam longe relembrando a maldita conversa no inicio da aula, meus olhos recaíram nos prédios onde ficavam as salas de aula, atrás da quadra. Percebi uma silhueta conhecida mais precisamente numa das janelas me encarando de longe, era ele... o maldito Miguel Dorneles.

“TUM, TUM, TUM.”.

Quando nossos olhos se encontraram... porra, isso aqui 'tá mais parecendo um trecho de Crepúsculo que uma narrativa cômica sobre minha medíocre vida, enfim... quando ele viu que eu o olhava também sorriu e abanou...

“TUM, TUM, TUM.”.

Merda, o que é isso? Coração, seu maldito pare agora mesmo de bater! Ouviu? PARE JÁ!

Virei o rosto e um tempo depois dei uma disfarçada e olhei novamente, apenas para ver sua reação. Sorri internamente quando vi seu rosto contorcido de raiva e não me contive e coloquei a língua pra fora provocando, em resposta ele me mostrou o dedo do meio.

Acabamos rindo da nossa própria infantilidade.

(#)

Recreio e a pergunta que não queria calar era: Onde havia se enfiado o maldito Miguel Dorneles?

O cara simplesmente sumiu da face da terra. Procurei por ele em todos os cantos da escola e quando digo em todos os cantos, realmente são em todos os cantos mesmo, não o encontrei em lugar algum.

No início achei estranho não estar grudado no meu pescoço, geralmente ele vai até a minha sala e nós ficamos juntos durante o recreio todo, mas hoje...

Não aconteceu.

Ah, quer saber? Dane-se. Nem queria ver ele mesmo.

— Como foi o encontro aquele dia? — perguntou Matheus ao Edu. Os dois estavam em pé o meu lado encostados na parede.

— Levei bolo. — Respondeu com um beiço enorme. Rimos da careta que o animal fez quando respondeu.

— Sério? — Perguntei me desviando um pouco da minha frustração.

— Que demente. — Debochou Matheus.

— Demente é a tua mãe. — berrou Edu e assim os dois começaram a se ofender.

Revirei os olhos.

— Tem gente que não cresce nunca. — resmunguei e fui fuzilado um segundo depois eu estava sendo envolvido na briga do casal.

Até agora não me caiu a ficha que esses dois andaram se beijando. Parece mentira.

Ultimamente piadinhas de gays faziam parte do nosso dia-a-dia, não se surpreendam se um dia eu ver dois caras se beijando na minha frente e eu começar a achar “normal”.

'Tá, ok não vamos exagerar, acho que isso ainda é difícil para mim, mas... MAS? Mas nada porra, o que eu estou pensando. Nã, nã, nã, não, melhor parar por aqui.

É, tudo culpa do maldito Miguel Dorneles. Matheus tem razão ele está começando a me influenciar mesmo.

— 'Tá chega dessa papagaiada. — Berrei aborrecido. — fiquem ai se matando, eu fora.

E novamente rodei a escola a procura do maldito Dorneles e advinha... Nada de sua maldita figura. Estava começando a ficar mais que frustrado, irritado. A próxima aula era de matemática, cheguei atrasado na sala de aula, levei sermão e tive que ir até o SOE pegar autorização para entrar na sala de aula.

ODEIO TODOS OS PROFESSORES DE MATEMÁTICA!

Sentei no meu lugar e ao invés de dar atenção a professora, que dizia que hoje passaria uma matéria nova, fiquei olhando do lado de fora da janela.

Mas onde esse maldito punk se meteu? Será que foi embora? Mas nem me avisou e pior que não encontrei o outro punk para perguntar. O que será que aconteceu? Será que... Se chateou comigo e decidiu me ignorar? Mas eu não fiz nada demais! F-Fiz?

Olha lá dois alunos matando aula... Ah, devia ter feito o mesmo, porque não pensei nisso antes?

Espera!

Aquele lá não é o...— MIGUEL DORNELES?! — Porra, saiu sem querer. Todos dentro da sala de aula me olharam, a professora parou a explicação e me deu um baita sermão, dizendo que se não quisesse prestar atenção na aula estava convidado a me retirar.

Fiquei mais vermelho que um pimentão, queria cavar um enorme buraco no chão e me enterrar nele. Pedi desculpas, dizendo que ia prestar atenção a partir daquele momento.

Porém... Ao invés disso, meus olhos se focaram no que acontecia do lado de fora da janela, lá fora embaixo do sol, que estava de rachar, dois seres de outro planeta matavam aula e fumavam nas dependências da escola.

Um deles obviamente era ele, o demônio em pessoa e o outro cara era... quem era aquele? Eu nunca vi na minha vida. Não faço ideia de quem seja, mas traz certo incomodo no meu estômago.

Não sei por quê.

Quer dizer que me trocou por esse retardado? Não dá pra engolir, depois de caçar ele pela escola... lá estava o maldito bem feliz, tranquilão com outro cara fumando. Ah, mas ele vai pagar caro por isso.

E novamente a professora aquela galinha depenada chamou minha atenção de forma brusca e sem um pingo de educação, engasguei com minha própria saliva envergonhado, pedi mais uma vez desculpas. Mas não surtiu o efeito esperado, a velha me expulsou da sala de vez e se virou para o quadro, voltando a dar sua explicação.

Levantei sem tirar meus olhos da dupla, e enquanto saia da sala meus olhos permaneciam grudados naquele lugar em baixo da arvore.

(#)

Como não tinha pra onde ir decidi ir atrás do Miguel, na verdade, não foi bem uma decisão, sei lá, agi por impulso, eu acho.

ME ODEIO! Me matem.

Eles pareciam entretidos com algum assunto e pareciam se dar supe... Hei, hei espera um pouco! Eles não parecem um pouco íntimos não? O que era aquele sorriso besta do desconhecido? E aquela mão no ombro do punk?

Será que são...? Nah, capaz.

Claro que não, impossível.

Mas espera... o punk não é gay? Será que ele é o amante dele?

E assim imagens dos dois juntos começaram a vir na minha cabeça, cenas e mais cenas dos dois, rindo, dos dois no cinema, dos dois comendo pipoca e dos dois se beijando... Detive meus passos e sem querer acabei ouvindo um pouco da conversa.

— Então, Miguel quando eu vou ter a oportunidade de conhecer o teu novo bichinho? — Perguntou o desconhecido com a mão apoiada no ombro do punk.

— Não vou te apresentar ele, sério. Desista. — respondeu o punk depois de tragar o cigarro.

— Ah, mas porque tanto mistério? — lamentou fazendo biquinho.

— Não tem mistério nenhum, só não quero que chegue perto dele. — alterou-se Miguel, retirando a mão que pousava de forma maliciosa em seu ombro. — E não encosta muito.

— Ui, nossa que meda. — E riu. — Também não precisa ser cruel.

— Daniel porque não vai embora logo? — Perguntou Miguel depois de um longo suspiro inconformado.

Aproximei-me na pontinha dos pés, extremamente cuidado para que não me percebessem, me escondi atrás da arvore e fiquei lá quietinho ouvindo a conversa.

— Nossa que cruel, depois de meses sem me ver é assim que me trata? — Fez um enorme bico. Miguel bufou.

— Ah, não começa com essa palhaçada. Fale logo o que veio fazer aqui e se manda.

— Sabe o que eu quero? — perguntou parecendo um tanto oferecido.

— Não, nem suspeito. — Respondeu um mentiroso Miguel revirando os olhos.

— Ah, sabe sim, não se finja. — cutucou-o.

— 'Tá sei, mas a resposta é não.

— Ah então vai ter que me aturar muito ainda. — e riu faceiro.

Miguel bufou mais uma vez e disse sendo vencido.

— Ok, mas só dessa vez. Cara, que isso não volte a acontecer, da próxima eu juro que te bato e dane-se. 'Tá me ouvindo?

— Sim!

— Eu falo sério, já disse pra você um milhão de vezes que as cosias mudaram, 'cê tem que entender isso.

Do que infernos ele falava?

— Não vou ficar aturando tuas gracinhas. — Finalizou Miguel, após isso vi que o desconhecido, que estava em pé, inclinar-se e... o que aconteceu a seguir me chocou!

Ele... Ele... Ele... beijou Miguel Dorneles?! E o maldito punk nada fez? Ficou completamente imóvel? Como ele.. deixou isso acontecer sem nada dizer?

O choque foi tão, mais tão grande que não sei como cai sentado no chão, fazendo barulho. Sem querer interrompi o beijo, tanto o punk quando o desconhecido, imediatamente me olharam. Miguel se ergueu num impulso e quando me viu arregalou os olhos ficando petrificado.

— Natan?!!

Engoli seco e por instinto senti que deveria sumir dali e foi o que fiz, sai correndo.

Miguel gritou: — Hei, espera aí!

Não dei a mínima atenção, continuei correndo, contudo ele veio atrás de mim.

E assim eram dois otários correndo em horário de aula no pátio da escola.

— Hei, imbecil me espera! — Novamente seu chamado foi ignorado. — EU DISSE PRA ESPERAR!

Já tínhamos dado três voltas no prédio, estava perdendo o fôlego e pelo jeito o mesmo aconteceu com ele que parou no meio do caminho, inclinou-se, apoiando as das mãos nos joelhos e arfando buscando ar com a boca aberta.

— Idiota, porque correu? — perguntou.

—...! — travei, nem sei por que corri. Desde o inicio eu sabia de sua preferência sexual, mas... mas... ah, sei lá.

Me senti estranho, um incomodo no estômago, não queria ter visto aquilo. Miguel parou de arfar, ergueu-se e me olhou. Podia não ver o que fazia, pois estava de costas, mas sentia cada pequeno movimento seu.

— Hei, responda! Porque saiu correndo?

— PORQUE QUIS!

MAS QUE PORRA DE RESPOSTA FOI ESSA?! MORRA NATAN, MORRA!

— Hã? Como assim? — Ele perguntou começando a se aproximar.

Fiquei tenso e fiz menção de fugir, mas ao que parece ele percebeu isso.

— Nem pense em me fazer correr atrás de ti novamente.

Ereto, girei os calcanhares e fiquei de frente pra ele, cara a cara.

— Porque fugiu? — perguntou cruzando os braços acima do peito.

Engoli com aflição e baixei a cabeça envergonhado, vencido.

CADÊ O CARALHO DO MEU ORGULHO? CADÊ?!

— N-Não sei porque, só... fugi. — respondi.

Silêncio.

Miguel suspirou.

— Vamos ser sinceros um com o outro, ok? — Assenti. — E sem gritos, pode ser? — Afirmei.

Entendi que ele queria falar sobre aquilo, embora não fosse o que eu realmente quisesse.

— O que você sentiu quando... viu aquilo? — perguntou. Fiz uma rápida careta. — Seja sincero! Sentiu nojo? Ficou chateado? O que sentiu?

— N-nada, oras. O que poderia sentir?

— Não sei, talvez ciúmes. — e riu da própria piada, porém não compartilhei do mesmo humor. Ao contrário travei ficando completamente tenso e mudo, o que não passou despercebido por ele, que parou de rir imediatamente e na mesma hora me olhou atônito.

— Sério? — Perguntou, mas não respondi.

Fiquei vermelho e tenso, meu corpo petrificou-se completamente, queria sumir dali pelo simples fato de não saber como argumentar contra aquilo.

Eu com ciúme? CIÚME EU? Há, impossível. I-M-P-O-S-S-Í-V-E-L! Não estava com ciúmes em hipótese alguma, mas como argumentar contra aquilo?!

— N-n-não. Não é isso! Eu-eu-eu-eu... Só... só...

— Só estava com ciúme! Te entendo, eu também ficaria se estivesse no seu lugar. — disse ele rindo convencido. Ficou óbvio que ele só quis me provocar, né?

— Quê? NÃO! — Gritei.

— Não minta. — Disse ele. Entrei em desespero pela falta de argumentos e comecei a gesticular os braços para o alto em sinal de desespero, enquanto isso o maldito se aproximava de mim, segurava meus pulsos e me prensava na parede.

“TUM, TUM, TUM, TUM, TUM.” Droga comecei a ficar nervoso.

— N-Não é mentira. — Falei, mas Miguel não deu a mínima. Tentei me desprender dele, mas fiquei numa posição onde minhas forças foram esvaindo aos poucos.

— Aham sei. — Com apenas uma mão ele segurou meus pulsos e com a outra meu queixo e em seguida meu pior pesadelo aconteceu.

Miguel me beijou!

“TUM, TUM, TUM, TUM, TUM.”

A principio meu instinto de defesa falou mais alto, porém quando senti sua língua morna adentrar minha boca perdi as forças, de nada me adiantaria lutar, afinal já tava feito.

O tempo passava devagar e no fim acabei movendo meus lábios e NÃO SEI POR QUE FIZ, apenas segui seus movimentos por falta de opção, e foi por falta de opção sim. E assim ficamos por um longo tempo, parecia uma eternidade.

Em determinado momento Miguel soltou meus pulsos e pousou as duas mãos na minha cintura.

“TUM, TUM, TUM, TUM, TUM.”

PORRA, EU NÃO SOU UMA MENINA. O beijo teve uma pausa, porém ele não me soltou, fiquei sem saber onde colocar minhas mãos e pra onde olhar. Eu sabia que meu rosto inteiro estava rubro, pois ele ardia. Queria que um buraco se abrisse no chão e me engolisse.

“TUM, TUM, TUM, TUM, TUM.”

O maldito Miguel arfava e me encarava de perto, podia sentir seu hálito morno bater no meu rosto, o cheiro do cigarro adentrar minhas narinas, um arrepio correr na espinha. O coração disparava “TUM, TUM, TUM, TUM, TUM.” E as mãos e pernas tremiam.

Vou morrer!