Delirious

13 13. Você não me acha bonito?


Capítulo 13. Você não me acha bonito?

Narrado Por Natan:

Qual é o problema desse cara, quantas vezes esse vagabundo me ligou de ontem a noite para hoje de manhã? Será que dormir em paz não é possível quando se tem Miguel Dorneles em sua vida? Meu celular está lotado de mensagens não lidas todas dele.

É meio dia e o cacete do telefone continua a tocar.

Que vontade de socar o rosto de Miguel Dorneles, socar todinho. Num impulso me levanto da cama, com o sangue fervendo, os dentes rangendo de ódio. Nunca me acorde se não quer ser odiado por mim, nunca faça isso. Sério. O toque insistente do telefone parece sua voz me enchendo o saco, é como se ele estivesse ali do meu lado me chamando sem parar.

Porra, é irritante. Nem olhei pra ver se era ele mesmo. Se não for, quem quer que seja vai sofrer as consequências por ter me acordado.

— O que você quer? — não contenho minha voz rude.

Merda, podia esperar até ás 13h da tarde né? Esse monstrengo me acordou em pleno domingo, o dia que eu mais durmo. Era ele. E ficou em silêncio por poucos minutos.

— Precisamos conversar. — respondeu enfim. Parecia extremamente sério.

Outra D.R? Não mesmo!

— Porra, eu 'tava dormindo desgraçado.

— 'Tô indo na sua casa.

— Nem pensar, não quero ver sua cara tão cedo.

— 'Tô indo agora mesmo.

— Vem cá, você é surdo? — tive que rir da audácia, até quando esse cara vai fazer o quer? — eu disse que nã-

Tu... tu... tu... tu...

Desligou.

Maldito. Revirei os olhos e voltei pra cama. Suspirei. Cobri meu corpo com o lençol até o pescoço. Embaixo das cobertas, olho para o retrovisor do celular.

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Matheus

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Ops, uma mensagem do Matheus. Abri: “Nat, seu filho da puta, atende o cacete do telefone agora.”

Opções > Apagar mensagem > Deseja apagar esta mensagem?

Mas é claro que sim e também não pretendo responder. Matheus que se foda. Vamos ver as outras...

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Edu

Abrindo...

Conteúdo:

“Nat, cara 'cê não vai acreditar no que aconteceu. Matheus pirou de vez. Me liga, pelo amor que você tem pelas suas bolas, me liga.”

Entortei os lábios para a mensagem. Ele parecia bem desesperado. E agora, ligo? Rodei os olhos, busquei na agenda o número do telefone dele.

Chamou uma vez e Edu atendeu.

— Alô?

— Ah finalmente, porra 'véi, esse celular serve pra que, afinal? A gente liga pra esse lixão e você nunca atende. — crispei os lábios, não estava com humor pra ouvir blá, blá, blá.

— O que aconteceu, li agora sua mensagem?

— Ah você vai cair pra trás. 'Tô até agora lavando minha boca com sabão. Aquele cara 'tá louco. Pirou de vez. — E mais blá, blá, blá...

Só ele queria falar, estava bem eufórico, ás vezes choramingava, o que me deixava preocupado. Fui obrigado a sentar na cama para encaixar as peças daquele quebra cabeças, era muita informação para um cérebro denso como o meu.

— Edu, calma cara, respira fundo e me conte desde o começo. Eu 'tô pescando mosca no ar. Não entendo porra nenhuma.

— Porra, infeliz. O Matheus me beijou. — gritou, fiquei pasmo.

Gente choquei.

Nossa que gay! Gay... A palavra gay me lembra Miguel Dorneles. O que me lembra que logo ele virá aqui em casa. O que lembra que minha irmã não está aqui, estou sozinho e indefeso. Embora se ela estivesse não mudaria nada, eu podia gritar por socorro que ela pouco se importaria.

— Alô? Alô? Nat seu merda, seu porra, seu cocô. Responde, estou desesperado.

— A-ah, desculpa.

— Ah ele nem 'tá dando importância para o que estou falando. — resmungou descrente. Imaginei um Eduardo quase chorando do outro lado da linha.

— Como não? Estou ouvindo droga. — xinguei.

Eu podia muito bem berrar e rir da cara desse filho da puta, afinal quando aquele monte de fezes (Miguel), me beijou na frente de toda a escola, ele riu de mim. Ficou dias e dias fazendo piadas de mau gosto. Eu podia muito bem fazer o mesmo, pagar com a mesma moeda, mas estou preocupado com o Matheus. Ele não faria este tipo de coisa, sério, não existe cara mais galinha que aquele lá. Ele não pode ver um rabo de saia que pira. Sempre pensando com a cabeça debaixo.

— Porque o Matheus te beijou, isso não faz sentindo?! — perguntei.

— É, mas ele me beijou... E foi de língua. Que nojo. — respondeu.

— 'Tá mas porque, ele disse alguma coisa?

Não disse nada, apenas fez, aquele desgraçado. Não faço a mínima ideia o que se passava por aquela cabeça loira. E depois de ter feito ele me olhou como se tivesse comido barata...

Suspirei.

— Ao menos tentou perguntar pra ele? — perguntei achando tudo aquilo muito estranho.

— Que nada, depois daquilo me mandei de lá, nem quis ouvir suas explicações.

Isso me fez relembrar o meu pesadelo quando o Miguel Dorneles me beijou.

Tinha outra ligação na outra linha, deduzi que era o maldito Miguel, pois a companhia de casa tocava.

— 'Véi, vou desligar, mais tarde nos falamos.

Me despedi, ouvindo um monte de baboseira antes de desligar.

(#)

Olhei de cara fechada para a criatura em pé, escorado na parede, na frente da minha porta.

— Oi. — disse ele, sorrindo amarelo. — Tudo bem?

Não respondi. Girei a cadeira e fui pra sala. Ele entrou e fechou a porta logo em seguida. Miguel Dorneles estacou no meio da sala, com as mãos descansando nos dois bolsos da calça jeans rasgada.

Rodei os olhos. Eu deveria chutá-lo pra fora daqui, depois de suas acusações sem sentidos, mas não estou com raiva dele... 'Tá mentira, eu estou sim, ou estava? Ah não sei bem. Só sei que quando lembro de suas acusações sobre Matheus, meu sangue sobe a cabeça e fico muita raiva.

Porém agora, eu fico um pouco... sei lá, a palavra certa com certeza não é abalado... contudo sinto um pouco de pena dele. Bem, eu acho que aquilo tudo ontem foi momentâneo. Afinal Matheus ficava provocando, olhando-o de forma hostil.

Vai saber...

— Fale logo o que você quer! — sabe, existe algo dentro de mim e eu sei que é um demônio, em horas como essas esse demônio fala por mim.

E foi o que aconteceu naquele momento. O demônio dentro de mim falou primeiro.

Ah azar, por mim que se foda, o demônio e o filho do Satã primo dele. Miguel bufou e perguntou.

— Ainda 'tá chateado?

— Estou esperando um pedido de desculpas primeiro. — haha toma essa.

Miguel Dorneles ergueu uma sobrancelha e disse:

— Ok, me desculpa?

— Agora 'tá melhor. — falei e sorri diabolicamente. Ele não se abalou. — muito bem diga o que você quer!

— Primeiro quero saber se nosso trato ainda 'tá em pé?

Me surpreendo ao ouvir ele perguntar aquilo.

— Adiantaria dizer que não?

Vi Miguel mexer no bolso da calça, tirar de lá o maço de cigarros, puxar um com boca e ascender. Vem cá, esse imbecil não sabe que eu odeio que fumem aqui? Se minha mãe descobre me mata.

Ah se bem que minha irmã fuma. Quer saber, que se foda!

— É. Tem razão, não vai adiantar nada, provavelmente se você disser que não, eu vou infernizar sua vida. — ele respondeu e deu os ombros. Fiquei pasmo. Que grande filho da puta. — Vou espalhar para a escola inteira que voc-

— Ok, chega. Não preciso que me diga. Já sei. — berrei e fui para o quarto, puto da cara. Empurrei a porta com força, e a maçaneta bateu na parede.

Esse cara é um grande bastardo. MORRA! MORRA! Calma, Natan. 1... 2... 3... 4...

— Gostaria de conversar com você sobre uma coisa... — pulei da cadeira assustado, ele me pegou desprevenido. Olhei sobre o ombro.

— Sai agora do meu quarto, bastardo. — mandei entre dentes.

Quem disse que ele me ouviu?! Entrou e sentou na minha cama desarrumada. Porra, sem intenção acabei lembrando da noite retrasada, no corredor. Corei! Corei, com certeza corei! Virei o rosto morrendo de vergonha. Deus, ouça minhas preces faça esse mês passar o mais rápido possível.

— Vai ouvir o que tenho a dizer? — perguntou. Suspirei, me ergui da cadeira e fui pulando até a janela, abrindo –a.

— Fala logo e dê o fora daqui depois.

Silêncio. Fiquei sem entender seu silêncio, o certo seria ele fazer alguma gracinha para me enfurecer.

— Ainda quero manter aquele nosso tratado de paz. — disse ele.

Franzi a testa.

— Eu quem digo isso. Você faz merda e eu pago o parto? — puta que pariu, esse comentário ficou muito estranho.

— 'Tá eu admito que errei primeiro, mas já me desculpei. Será que você pode ser um pouco mais receptivo comigo, custa muito? — foi a resposta que recebi, outra pergunta.

Por um momento fiquei sem argumentos, meus olhos não desgrudavam de seu rosto. Cocei a nuca um pouco chateado e desconcertado.

— 'Tá bem, vamos começar tudo de novo. Mas eu juro que se você fizer outra merda, não vou te perdoar. Não vou mesmo. — falei com convicção. — e não vai adiantar nada me chantagear. Ouviu bem?

Ele assentiu.

— 'Tá, agora fala logo o que 'cê quer falar. — pedi, curioso.

Ele deu um meio riso, mas de todos seus meios risos, aquele foi diferente, não havia malícia, era um meio riso... amigável.

— Eu queria te convidar. Hoje a noite o Bitch vai tocar no Ninho de Ratos. 'Tá a fim de ir?

— Onde fica isso? — perguntei.

— No centro de Nova Aliança. — porra tão longe assim?

— Mas como eu vou, olha o meu estado? — quis saber, apontando para a cadeira.

— Não se preocupe com isso, a gente da um jeito. — ele disse rindo. Fiquei encarando aquele sorriso amigável demais, com uma expressão indecifrável no rosto.

— Nossa quanta gentileza da sua parte. — comentei sarcástico.

O sorriso morreu no mesmo instante.

Ah não posso acreditar. Haha ele ficou rubro? Opa. Virou a cara.

O que eu fiz demais? Apenas brinquei com ele. Não acredito, porra quero rir. Quero muito rir. Ah droga, não 'tá dando pra segurar.

— 'Puff! — pronto. Agora que comecei não paro mais.

— Droga, do que 'cê 'tá rindo? — ele pergunta. Cara, ele parece um pimentão. Não respondo, óbvio estou ocupado demais morrendo de rir. — Pare já de rir. Ei, Natan! Para de rir... maldito, moleque desgraçado.

Ai ai essa foi boa. Queria ter uma câmera para gravar.

(#)

— Eu que não vou comer isso... — fiz uma cara de nojo para o prato, na minha frente, servido por Miguel Dorneles. Definitivamente ele tem péssimos dotes culinários.

Aliás o que esse cara faz da vida? Vive cabulando aula, dormindo pelos cantos da escola. Não trabalha não? E seus pais, o que acham disso?

Qual sua idade?

Ah quer saber, dane-se. Não me interessa.

— Coma esta droga ou morra de fome. — Disse ele, sentando na mesa e começando a comer igual a um sem-teto. Nada contra sem-teto, mas é verdade que eles não sabem comer direito.

O prato nada mais era que uma mistura de comida requentada da noite passada, arroz, feijão, batata-frita, bife e repolho. Comida brasileira e pobre. Só faltou ovo frito pra completar.

'Tá Deus, me perdoe por ser tão ingrato, existem pessoas lá fora, como Miguel Dorneles que não têm um grão de arroz para comer.

Perdão vou comer.

— Vamos pedir uma pizza. — falei.

Ele respirou fundo e me olhou, mastigando.

— Não vamos pedir pizza porra nenhuma, deixa de viadagem e coma logo esta porra.

Never! Me mate primeiro. — cruzei os braços acima do peito fazendo pose desafiadora tipo: Fuck yea!

Miguel Dorneles largou seu garfo, engoliu a comida e abafou um arroto com o punho na boca. Me fuzilou e eu ergui uma sobrancelha desafiando-o.

— Fiquei meia hora em pé na frente do fogão, cozinhando. Não eu vou deixar meu suor ser desperdiçado pra você simplesmente dizer que quer pizza. Agora... — disse pegando meu garfo, enchendo-o de comida, depois agarrou meu queixo sem se preocupar em ser delicado, apertou-o me obrigando a abrir a boca. — Engula esta porra toda e seja feliz.

Engasguei, com a boca cheia, falei um monte de palavrões, emputecido fazendo Miguel rir.

— Isto, bom menino, bom menino. Coma tudinho! — debochou ainda rindo e batendo de propósito na minha bocheche cheia.

Engoli. E comecei a ofender toda sua família, ameacei jogá-lo do último andar, de qualquer prédio alto da escola, meu rosto parecia um tomate de tão vermelho que estava. Miguel chorava de tanto rir.

(#)

Depois do almoço ajeitamos a cozinha. Ele lavou a louça, eu sequei e guardei. Fomos para o quarto, eu fui direto pra internet e ele pra janela fumar. Dessa vez não briguei com, sei lá, estamos de paz.

Só quero ver até quando essa paz vai durar.

Falava com Edu no facebook, ele estava desesperado por causa do tal beijo que o Matheus deu nele. Disse que Matheus estava a ligar sem parar, mas não atendia suas chamadas.

Miguel pegou um banquinho e sentou do meu lado. Não dei muita atenção a ele.

Ele cruzou os braços sobre a mesa e deitou a cabeça em cima deles. Edu ficava me perguntando um monte de besteira. Miguel começou a ler a conversa e rir

— Quer dizer que aquele trombadinha beijou esse otário? — rodei os olhos pra aquela pergunta ofensiva.

— Viu só e você enchendo o saco dizendo que ele... bem.. er... você sabe. — Comentei sem graça, não gostava de falar naquilo.

Miguel ficou um tempo em silêncio, mas logo começou a falar.

— Não fique chateado com o que vou dizer, mas isso não muda os fatos. — fechei os olhos. Suspirei, ele ouviu, mas continuou seus argumentos. — Tenho certeza que aquel-

— Ok, não diga nada ou 'vamo brigar outra vez. — ameacei.

Silêncio.

Voltei a digitar e ele a olhar para o monitor. Edu saiu e uma nova janela se abriu, era Marcela me chamando para conversar.

Marcela diz: Oi.

Meu coração palpitou e Miguel rosnou.

— Não responda. — disse ele e eu achei um grande absurdo, afinal ele não manda em mim.

Natan diz: Oi.

Respondi. E ele me olhou incrédulo e quase gritou nos meus ouvidos.

— Natan não fique dando moral pra ela.

— Não enche. — falei.

Marcela diz: Como vai?

Natan: Bem e você?

Marcela diz: Estou ótima. E como está seu amigo?

Nata diz: Matheus está bem, foi só um susto.

Na verdade ótimo. Até beijou o Edu e quase puxou rincha com Miguel. Pensei, mas não disse isso tudo pra ela, óbvio.

Marcela diz: Menos mal. Pablo é um cara bacana, mas quando mexem com seu primo vira o demônio. O que vai fazer hoje?

Natan diz: Vou sair.

Marcela diz: Hm... posso saber onde vai?

Miguel ficou furioso. Ele empurrou a cadeira que foi parar do lado da cama comigo sobre ela. A partir daí ele começou a digitar no meu lugar.

Natan diz: NÃO, NÃO PODE! NÃO ENCHE O SACO, VÁ ARRANJAR O QUE FAZER. Tchau!

Marcela diz: ?????

Fiquei pasmo. Porra que cara filho da puta.

— Maldito o que 'tá fazendo? — berrei e ele respondeu:

— Essa garota não presta.

— Que?

— É sério, esqueça ela. — sabe, vou confessar que quando ele fez aquilo, não fiquei tão irritado como estou depois de ouvir isso.

— Sai. Agora. Da. Frente. Do. Meu. Computador. — pedi pausadamente.

— Ela já foi.

Fiquei em estado de choque olhando pro nada. Miguel se ergueu da cadeira e puxou a minha cadeira para perto dele. Fiquei ainda sem ação, tanto que nem percebi. Ele sentou na cama. Ficamos um de frente para o outro.

— Escuta. — começou. — Eu e essa rapariga não temos nada. Nunca tivemos.

— Mas ela diss-

— Ela mentiu. — interrompeu. — Ela mentiu porque não queria ficar com você, teve pena, medo de dizer que não te queria. Aí mentiu que gostava de mim. Desculpa te dizer isso, mas é a verdade.

Olhei pra ele um pouco cabisbaixo. Baixei a cabeça ao lembrar da rejeição da Marcela no dia que me declarei, aquilo ainda doía. Antes não me sentia assim, quando Edu e Matheus debochavam da minha cara, mas agora... Principalmente quando ouço "ele" citar aquele dia... me abala.

Miguel ficou em silêncio, me olhando e depois de um tempo suspirou.

— Mas olha se isso te deixa um pouco tranquilo, não temos nada. Ela é doida e mentirosa. Na verdade todas as mulheres são loucas. Marcela é estranha e intrometida não vale o pão que come. Vai por mim. Esqueça essa garota.

— Fácil falar quando não é você que 'tá na minha pele, né?

Seus olhos continuavam grudados em mim.

— O que ela tem de tão bom assim? — perguntou de repente — Eu não entendo, sinceramente não vejo nada de atrativo nela.

Não respondi, ainda estou abalado demais, parecia que tinha levado um soco na barriga. Miguel continuava falando.

— Eu me acho mais bonito que ela.

Ergui meus olhos para encará-lo.

— O que você quer dizer com isso? — perguntei fazendo uma careta.

— Você não me acha bonito?

— Não. — respondi sincero, ele me encarou boquiaberto e perguntou.

— Sério?

— Muito sério.— Ficamos nos encarando por longos minutos. Rodei olhos quando um enorme bico apareceu no canto de seus lábios. — 'Tá é... Você... É... Bacana, tem um monte de mulher no teu pé... E tudo o mais... Pena que você é gay.

Ele riu alto.

— Mas isso não é um desperdício. Acredite, existem muitos homens atraentes por aí. Eu conheço vários. — respondeu.

Fiquei um tempo olhando-o curioso. Quantos caras ele deve ter ficado até o momento? De repente me bateu uma curiosidade do caralho.

— O-olha... como é isso... digo, namorar outro homens?

Ele parou de rir e me olhou surpreso.

— Me diz você!

— Que? Porque eu? — questionei.

— Oras, não estamos namorando?

Rodei os olhos.

— De mentirinha. — falei sem graça.

— Não é, não. — disse ele.

Teu cú que não.

Suspirei. Ele falava de forma despojada com a voz arrastada. Tentei um novo argumento.

— Falando sério. Como é isso... o que você vê de tão atraente num homem, alguém que possui os mesmos atributos que você?

Miguel fez suspense. Vi algo de chateação em seu rosto enquanto me olhava.

— Quer descobrir? — perguntou de repente e forçou contato visual. Um sorriso desenhou-se no canto de seus lábios. Não sei porque, mas corei... droga, esse cara deve ter um bando de fãs.

Minha voz não saia, por um momento pensei que estava mudo, nem pigarrear conseguia.

De repente o sorriso sumiu de seus lábios e a aproximação foi ficando maior, a distância cada vez mais curta, engoli seco quando nossos narizes se tocaram.

A expressão no rosto dele me surpreendeu, fiquei sem argumentos... de alguma forma com medo de interromper e dizer que não queria e se ele ficasse muito chateado? E se me dissesse coisas, que provavelmente me abalariam? Enfim... Seja o que Deus quiser, pensei.

Nossos lábios se tocaram de leve, mas bem de leve. As mãos quentes foram postas uma de cada lado meu rosto e o verdadeiro beijo aconteceu. Leve, com gosto de cigarro, molhado e profundo. Ficamos um tempo daquele jeito. Meu coração disparava, pensei que ia morrer.

Quando o beijo finalmente cessou, baixei a cabeça envergonhado. Miguel suspirou, um suspiro... Er... bem, parecia contente, apaixonado seria o correto? Não sei, mas era um suspiro de contentamento. Curioso, olhei pro seu rosto vendo um leve rubor também.

De alguma forma fiquei muito sem graça. E tive certeza que nunca mais ia acontecer, porque eu nunca mais ia deixar que me beijasse. Falo sério.

(#)

Durante a tarde Miguel teve outros compromissos e disse que voltaria ás 20h para me buscar. Tentou me beijar várias outras vezes, mas não deixei, chutei ele pra fora da minha casa usando chantagem dizendo que não ia mais no tal Ninhos dos ratos.

Sobre o beijo... através daquele beijo descobri que: EU NÃO SEI BEIJAR. Deus, eu estava completamente desajeitado... deixei Miguel todo babado.

Droga, lembrando agora... Ele... Ele... passou o dedo polegar em volta dos lábios e lambeu depois.

Credo.

Minha irmã chegou uns vinte minutos depois da saída de Miguel, falei sobre a festa e ela se convidou, mas eu disse que não. Mesmo assim ela disse que ia chamar aquele rascunho do demônio, ou seja, a Debora pra ir com ela.

Dei de ombros desde que não vá comigo.

Assistimos um filme durante toda a tarde, e foi legal, nunca ficamos juntos assim. Quando estava quase na hora de me arrumar, minha irmã me ajudou a escolher uma roupa.

Edu ligou ás 19h e disse que não apareceria hoje, pois teria um encontro, mas amanhã falaríamos na escola. 20h em ponto eu já estava pronto. Escolhi, digo minha irmã escolheu, uma camisa preta e uma calça jeans, passou gel no meu cabelo, enfim ela me vestiu.

Miguel apareceu só ás 20h45min e eu, obviamente chutei suas canelas por ter me feito esperar tanto. E por falar ele caprichou no visual. Cabelos molhados, roupas escuras, tênis... limpo. (Pela primeira vez)

Havia um carro nos esperando na frente da minha casa. Miguel pediu as chaves pra guardar a cadeira no porta-malas. Entramos, no veículo. Eu fui sentado no banco do passageiro, ao lado do motora estava o monstro (Pablo) e atrás, o monstrinho (Piêtro). Fui apresentado ao motora um tal de “Celo”.

Miguel sentou do meu lado, pedi pra trocar de lugar comigo, ficar na janela e bem longe do maldito Piêtro.

(#)

O lugar era... Como dizer? Um lixo.

É, um lixo. Miguel era muito conhecido, assim como toda sua turma. Fiquei um pouco deslocado no meio daquela gente estranha.

Ao contrário do que pensei não eram violentos, se davam super bem. Miguel estava atencioso demais para o meu gosto, o que chamava muito atenção. Na verdade eu já cheguei chamando a atenção do pessoal. Tive a certeza absoluta que todos sabiam de suposto “namoro”.

Mas engoli o orgulho e agi normalmente.

Algumas musicas altas, pesadas, mas bem bacanas. Bandas tocavam no palco e a galera pulava, Miguel pegou uma cadeira e sentou ao meu lado. Me comprou uma lata de refrigerante enquanto ele bebia cerveja.

Droga não seja gentil comigo.

Encontrei minha irmã no meio da multidão, quando me notou se aproximou atraindo a atenção dos caras a nossa volta, pareciam um bando de urubus. Ela ficou ali com a gente, me senti até um pouco mais relaxado com sua presença ali. Logo Pri se enturmou. Ria, bebia, dançava e cantava com os amigos do Miguel. Essa parte eu não gostei muito, preferia que ela não ficasse intima deles.

Ai ai espero que seja só essa noite.

Miguel não saia de perto de mim, só uma vez que ele foi ao banheiro, perguntou se que queria ir, mas não quis.

Fiquei ali sozinho, observando a banda que tocava no palco. Mas fui surpreendido por Pablo que sentou ao meu lado e começou a puxar papo.

Ahn... não gosto desse sujeito. Não gosto mesmo. Olhei pra ele de cara fechada.

— E aí, franguinho. — disse amigável, estava bêbado. Espera! Franguinho? que porra era aquela?

— 'Tá curtindo a festa?

— 'Tô. — respondi seco.

Ele riu baixinho.

— Não vai muito com a minha cara, né? — perguntou.

— Quer eu minta pra você? — perguntei.

— Não, não. Seja sincero, eu gosto de pessoas sinceras.

— Não gosto mesmo. — respondi sem medo de morrer.

— E porquê?— perguntou curioso.

— Porque você bateu no meu amigo.

— Hm. — ele olhou pra frente, aonde tinha uma rodinha de malucos se batendo. — Faz tempo que não entro num bate cabeça.

Ele me ignorou, tentando outro assunto, mas falhou miseravelmente, pois não dei moral. Rodei os olhos pensando que não ia mais conversar comigo, mas me surpreendo quando ele começa a falar novamente.

— Seu amigo 'tá bem? — perguntou.

— Porque quer saber? — se toca, eu não estou afim de falar com você. Sério.

Ele me olhou de canto e riu.

— Relaxa franguinho, só quero conversar, o meu problema é com seu amigo, não com você. Olha, eu sou um cara legal, sério. Aquele dia seu amigo me pegou num dia ruim, ele foi um grande otário, meu primo é menor e mais novo que ele. Óbvio que ia defendê-lo, você não faria o mesmo por um amigo, irmão ou primo seu?

Não respondi e ele prosseguiu.

— Faria, tenho certeza que faria. Então que tal você me dar uma chance? Pelo Miguel? Já que vocês estão juntos, vamos tentar nos dar bem. — eu ia abrir a boca para reclamar do: “vocês estão juntos” mas não fiz. Sei lá me acharia idiota demais.

Revirei os olhos.

— Ok! Vamos tentar nos dar bem, mas... Eu continuo não gostando de você. — Falei e apertei sua mão.

(#)

Notas finais:

Olá, gente tudo bem?

Bem, vamos esclarecer algumas coisas antes que alguém surte aqui. Ahaha Primeiro: Todos os acontecimentos são para o bom desenvolvimento da história, tudo foi planejado. Então tem coisas que vão acontecer sim e eu não vou mudar isso, do contrário a história vai para o ralo e nunca será terminada, correndo perigo de a autora ficar com bloqueio criativo e sem ideias para finalizá-la. Sabem o que isso quer dizer né?

Segundo: Eu não queria colocar isso aqui, porque parece um tipo de spoiler, mas me vi na obrigação de colocar. Quem já leu alguma história original minha (Alô Bruna) sabe que eu não mudo o casal principal, em hipótese alguma. Não mudo. Pois não vejo sentido nisso, eu detesto quando este tipo de coisa acontece em alguma historia que acompanho. Mesmo que alguém venha aqui e diga: Puxa, Nyulan gostei tanto do fulano e do ciclano, porque eles não ficam juntos?

Porque desde o inicio o casal era o Joãozinho com fulano, não vai mudar. A não ser que o outro casal me cative, o que raramente acontece. Agora eu pergunto:

*Quem são os personagens da capa?

*Quem são os persongens principais?

*Quem é o casal principal?

Ok, chega de dica.

Resumo desta nota: Não vou mudar os fatos, não vou alterar nada. Desde o inicio eu tinha planos e vou seguir com eles para terminar essa história sem problemas, sem bloqueios criativos, ok?! Sejam pacientes ainda tem muita coisa para acontecer.

Não fiquem bravos comigo, essa nota serve também aliviar os corações aflitos de vocês, ta?

Aproveitando para vender o peixe: Quem aqui conhece Sengoku Basara?

Ontem postei uma fic de Sengoku Basara com Date & Yukimura como casal principal. Ficou bem bonitinha, bem açucarada. Hahah Casal favorito. ♥

Quem gosta do anime e do casal convido e pra quem não gosta e nem conhece o anime, mas gostaria de ler a história é em A.U. pode lê-la como se os personagens fossem originais. Fica a dica da titia Nyulan.

Segue o link: http://fanfiction.com.br/historia/354232/Open_Arms/ageconsent_ok

Ainda não terminei de responder as reviews pois estava escrevendo este capítulo, vou responder todas. Peço paciência. Saudações ao pessoal novo. Obrigado por todo o carinho.

Beijos até o próximo.