Delilah

13 Todo final é um bom começo


Notas iniciais
Finalmente, eis que retorno com o último capítulo desta saga.
Essa é a maior fanfic que já escrevi - e curiosamente a menos planejada, visto que ela teria apenas 3 capítulos, originalmente. Curiosamente, também me rendeu uns leitores muito legais, alguns dos quais inclusive cheguei a conhecer pessoalmente.
Espero que o final agrade, na medida do possível.
Agradeço a todos os que acompanharam e incentivaram desde o princípio e um alô especial pra minha beta reader.
Boa leitura.

Francis caminhou até a modesta adega que tinha na sala. O seu limitado estoque de vinho era um capricho do qual não abria mão. Pegou uma taça e uma garrafa que havia abrido em outra oportunidade, quando Antonio e Gilbert haviam lhe visitado pela última vez. Despejou parte do líquido no recipiente, sentou-se no sofá da sala e tomou um gole de seu pequeno vício. Ele riu para si mesmo com a sensação de que era algum tipo de homem velho, do tipo que já havia passado por tantas experiências que o próprio comportamento e as expressões não escondiam sua sapiência.

“Ah, Francis.” Viu Matthew se aproximar, ainda esfregando areia dos olhos com uma das mãos. Na outra, ele tinha o seu celular. “O Arthur está na cozinha?”

Francis assentiu e bebeu mais um gole.

“Hmm. Você sabe que eu recebi umas dez mensagens do Alfred essa madrugada? Muito estranho. Mais estranho ainda é que elas não fazem nenhum sentido.”

“Por que você não se senta aqui comigo um instante?” Respondeu com um sorriso, indicando o espaço livre ao seu lado no sofá.

Sonolento, Matthew acatou e se sentou. Francis repousou a própria taça na mesa de centro e tornou a se encostar ao sofá, mas dessa vez abraçou o namorado, aconchegando-o para mais perto de si.

“Uh...?”

“Eu sei que eu não tenho sido o namorado mais atencioso do mundo nos últimos dias e eu não tenho nenhuma desculpa para esse comportamento.”

Matthew o encarava com uma expressão completamente confusa.

“O que você quer dizer?”

“Quero dizer que a partir de agora tudo vai ser diferente.” Francis o segurou pelo queixo, fazendo com que Matthew olhasse bem em seus olhos. Havia uma tonalidade rosada em sua bochecha que ficava cada vez mais intensa.

“Está tudo bem, eu entendo que você está preocupado com Arthur e...”.

Francis pediu seu silêncio.

“A partir de agora, eu vou dedicar todo o meu amor somente a você.” Ele gentilmente acariciou a bochecha de Matthew. “Não haverá mais nenhum Arthur entre nós. Essa paixão do passado é algo que preciso deixar para trás.” Ele viu o lábio inferior de Matthew tremer ligeiramente e respondeu com um sorriso doce, carinhoso, repleto de admiração. “Então, você quer me ajudar nessa?”

–--

Arthur mal teve tempo de se afastar da porta quando Alfred entrou mais desesperado que uma manada de mamutes na cozinha. Seu coração disparou a mais de mil quando finalmente ficaram cara a cara. Alfred estava levemente corado. Tinha uma expressão séria e o cenho franzido, como se ainda estivesse chateado com o atraso que Francis lhe proporcionara. A despeito disso, seu olhar era determinado. Determinado a mostrar para Arthur o que quer que ele houvesse decido mostrar. Quanto ao inglês, suas trêmulas e inseguras mãos buscaram apoio na pia. Sequer conseguia encarar Alfred adequadamente.

Fez um bico, questionando a razão de o outro aparecer ali tão abruptamente, tão de repente. Ainda não tinha tido o tempo adequado para se lembrar de que fora ele quem começara, em primeiro lugar.

“Você não deveria estar na Califórnia?” Foi a primeira frase que disse, semanas depois de haverem se separado.

Alfred cruzou os braços.

“Bom, você me chamou aqui.”

Arthur o indagou com o olhar. Havia uma tensão palpável no ar, do tipo que se encontra na iminência de se romper com um mero escorregão.

“Eu não me recordo deste fato.”

“Bom, provavelmente porque você estava bêbado demais para isso.”

Arthur empalideceu e sentiu um arrepio desconfortável, percebendo que o sonho que tivera naquela noite talvez não tivesse sido apenas um sonho. Cobriu o rosto com as mãos, tentando esconder a vergonha de haver telefonado outra vez para o mesmo programa de rádio de autoajuda de antes.

Oh meu Deus, por que eu faço isso comigo mesmo?” Grunhiu para si mesmo, desaprovando a própria conduta.

“Bom, eu também quero saber isso.”

“Mas como você possivelmente pode ter ouvido?” Perguntou incrédulo. Não podia ser apenas coincidência que Alfred resolvesse ouvir mesmo programa para o qual Arthur telefonara, estando do outro lado do país.

“Kiku telefonou. Aparentemente, vocês saíram todos juntos ontem à noite. E o programa é em rede nacional mesmo.” Ele deu de ombros, no fundo achando divertido ver o quão Arthur ficava mortificado na medida em que falava.

O arrependimento atingiu Arthur como um raio. Imediatamente ele prometeu a si mesmo que nunca mais chamaria Kiku para sair. Nunca mais.

“Olha, eu ouvi o que você disse.” Ele coçou a nuca, sem jeito. “Eu sei que você estava bêbado e por isso mesmo eu duvido que não tenha sido verdade... Além disso, você...” Alfred queria muito perguntar como Arthur descobrira que fora ele quem telefonara para o programa antes de se conhecerem. Mas não conseguiu. “Não. Esquece.” Ele franziu mais o cenho diante da própria covardia. “Você está se divorciando.” Atestou, na tentativa de mudar de assunto.

Arthur bagunçou um pouco os cabelos, aparentando nervosismo.

“É, pode-se dizer que sim.”

“E você... Uh... Está bem?” Definitivamente a conversa não estava tomando o rumo que Alfred desejava. Na realidade, aquilo tudo não estava tomando rumo algum.

Arthur assentiu, tampouco compreendendo aonde o outro desejava chegar. Pigarreou, incomodado com toda aquela situação. “Sim, sim, estou bem.”

Um silêncio desconfortável tomou conta da cozinha de Francis, que começou a parecer pequena demais, na opinião de Arthur. E ele ainda achava que a situação não poderia ficar mais esquisita e desagradável do que já estava. Por mais que gostasse de Alfred, e Arthur sinceramente gostava, inclusive sendo incapaz de esquecê-lo, a perspectiva de ficar em um mesmo ambiente com aquela pessoa com a qual havia terminado um relacionamento mais ou menos estável e que fora o estopim da ruína de sua vida antiga era, no mínimo, de causar constrangimento. Ainda mais considerando que Alfred debandara para o outro canto do país na esperança de fugir de seus sentimentos problemáticos e que Arthur havia, mais uma vez e deliberadamente, invocado o poder dos meios de comunicação para trazê-lo – mesmo que não propositalmente – de volta.

“Ah, meu Deus, isso é tão esquisito.” Ele finalmente quebrou o gelo. “O que você está fazendo aqui, afinal?”

“Eu já disse, você me chamou...”.

“É, eu vi que eu liguei para aquele programa estúpido outra vez. Mas e daí? Isso não quer dizer que você tinha que ter vindo!”

Alfred pareceu ofendido.

“E o que você queria que eu fizesse depois de te ouvir dizer eu te amo com toda aquela sinceridade? Eu não podia ficar lá!”

“Você é um idiota ou o quê?”

“Quem é mesmo que estava bem resolvido aqui?” As palavras de Alfred tinham uma pitada de escárnio. “Porque para um sujeito seguro de si, você está fazendo muito bem em se esquivar!”

“Esquivar do quê, seu imbecil? Eu estou bem parado aqui na sua frente!”

Era isso. Arthur realmente não entendia como chegara à conclusão de que gostava de um sujeitinho tão irritante e petulante como Alfred. Seus nervos estavam em chamas. Finalmente ele conseguiu lhe tirar do sério. Arthur podia repetir a palavra idiota mais de mil vezes, e elas mesmas não seriam o suficientemente capazes de enfatizar a idiotice daquele moleque.

Alfred levou as mãos ao próprio cabelo, fazendo deles uma bagunça. Retrocedeu dois passos e fechou os olhos, tentando respirar fundo e sentindo a raiva apertar sua garganta. Então ele cruzara o país inteiro, decidido a ficar com Arthur, com toda a boa vontade e amor do mundo e aquele sobrancelhudo de meia idade decidira que era a hora perfeita para iniciar uma discussão acalorada.

Em ambos os casos, a discussão e a irritação eram sem propósito e sem sentido. E ambos sabiam perfeitamente disso, a despeito da tensão crescente no recinto.

“Você é um perfeito idiota, velho.” Alfred suspirou, fazendo bico. Arthur não parou para pensar o quão adorável aquela cena poderia ser e abriu a boca para retorquir. Não aceitava que a última palavra não fosse a sua.

Mas Alfred não deixaria que Arthur tivesse a última palavra, tampouco.

Adiantou-se alguns passos, até ficar frente a frente com o outro. Segurou-se pelos pulsos, e o movimento imediato fez com que Arthur, na defensiva, tentasse se soltar. Alfred, contudo, tinha força física o suficiente para mantê-lo aonde desejava. Seus olhos fitaram os de Arthur e suas íris azuis-celestes cintilavam com um brilho especial, um brilho que Arthur já havia tantas vezes visto, mas só naquele singular momento em que estavam a sós na cozinha da casa de seu amigo, era que havia, finalmente, compreendido o que estava por trás daquele conhecido brilho.

E esse reconhecimento o fez sentir como se centenas de borboletas houvessem se agitado em seu estômago.

Uma das mãos de Alfred soltou o pulso de Arthur, e seus dedos gentilmente cobriram-lhe a boca.

“Não fale nada que vá lhe fazer se arrepender, sobrancelhudo.” A menção ao apelido fez Arthur franzir o cenho e reprimir a vontade de dar uma resposta a altura daquele comentário.

“Você esquece muito rápido, para quem estava prestes a explodir há um minuto.” Alfinetou.

Alfred rolou os olhos.

“Bom, eu continuo irritado.” Provocou, com um sorriso travesso no rosto. “E acho que você merece uma punição.”

“Que baboseira é essa de punição? Eu hein! E eu ainda não disse que te perdoava!” Arthur tentou tirá-lo de cima, sem sucesso. Ele não viu quando Alfred o prensou contra a bancada da cozinha. Estava praticamente deitado, de uma maneira estranha e altamente desconfortável. Suas costas doíam e o adendo de sentir o corpo de Alfred contra o seu fez com que seu cérebro lhe enviasse sinal de alerta vermelho. “Sai de cima, idiota! Parece até que você pesa umas mil toneladas!”

As mãos de Alfred bruscamente agarraram o queixo de Arthur, e o guiaram até sua boca, finalmente selando o beijo que ambos tanto sentiram falta. Teimoso, Arthur ainda pensou em oferecer alguma resistência, mas não encontrou força de vontade. Não era capaz de lutar contra algo que há tanto desejava e que há tanto lhe assombrava. Suas mãos, ainda trêmulas, fizeram o próprio caminho na direção do pescoço de Alfred, envolvendo-o e puxando-o para mais perto.

Podia sentir o calor da boca de seu amante naquele beijo nada cálido e totalmente desesperado. Suas línguas travaram um combate sem vitoriosos, baseado apenas no tato. Se parasse para pensar, aquele beijo molhado demais, aberto demais, pornô demais, pareceria nojento, repulsivo a um expectador. Ou então poderia mesmo parecer excitante, como o estava sendo para o inglês. Mas era, sobretudo, enlouquecedor e capaz de afastar qualquer resquício de racionalidade que ainda ousasse se fazer presente no âmago de Arthur. E ele já não dava a mínima. Havia reprimido demais seus impulsos.

Sentiu as mãos de Alfred descerem até seus quadris e segurarem-nos com força. Em nenhum momento, contudo, o beijo foi interrompido. Sibilou contra a boca do amante, buscando maior fricção entre os corpos, mas Alfred parecia determinado a regular tão desejado contato.

“Merda.” Grunhiu. “Qual o seu problema?”

Alfred se inclinou para perto do ouvido do amante e ronronou. “Você. Tão impaciente”.

Arthur sentiu um arrepio percorrer sua espinha quando o outro mordiscou o lóbulo de sua orelha e depois percorreu a lateral de seu pescoço com os lábios, depositando pequenos chupões que não sairiam com dificuldade mais tarde.

Mas, muito embora Arthur amasse aquela atenção toda, ele não queria ser simplesmente submisso. Tampouco conseguiria, dada a urgência que sentia, a voracidade com a qual seus desejos lhe atingiam. Precisava dividir o controle com o amante, mesmo que isso significasse que travariam uma batalha ali mesmo, contra a bancada da cozinha.

Puxou Alfred para um novo beijo do qual Arthur agora possuía o controle. O americano conteve uma interjeição de surpresa e decidiu se entregar ao momento, convencendo a si mesmo que era parte do exercício de atenuar seu egoísmo permitir ao parceiro alguns breves minutos de dominância. Beijaram-se, esfregaram-se um contra o outro. Arthur acariciou cada ponto das costas de Alfred por cima da roupa, sentindo falta daquele corpo masculino contra o seu.

As mãos de Arthur percorreram o tórax de Alfred por cima da camisa. Voluntariamente, o americano se livrou dela e permitiu que Arthur acariciasse sua barriga e seguisse a trilha de pelos que levava até o cós de sua calça. Apertou de leve e mais de uma vez a saliência que já se fazia bastante visível no jeans, arrancando grunhidos baixinhos do outro.

“Vejo que alguém está necessitado aqui? Quem é o impaciente agora?” Deu uma risadinha travessa, com as mãos ocupadas demais em provocar Alfred por seu ponto mais sensível.

“Sim, senhor, estou bastante necessitado. E sou impaciente. Preciso desesperadamente sentir a sua pele contra a minha. Preciso desesperadamente estar em você, se é que você me entende.” Ele viu Arthur corar até as orelhas e sentiu-se satisfeito por ainda arrancar aquela reação de seu novo velho amante. “Eu só não entendo porque você está me enrolando...” Alfred sorriu, segurando-o pela cintura. “Quando poderíamos estar no quarto a essa hora.”

Arthur rolou os olhos. “Ah, cala a boca e se livre logo dessa calça. Vamos fazer aqui e agora. Não é a minha cozinha mesmo.”

Alfred sorriu e acatou o pedido. Ambos pareciam dois adolescentes, ávidos por contato corporal, movidos por seus próprios hormônios e despreocupados com o mundo à sua volta. Não tinham culpa. Talvez o amor fosse uma droga tão forte quanto os hormônios. Ele se livrou da calça de Arthur também. Tornou a empurrá-lo contra a bancada, encheu o amante de beijos quentes e molhados ao mesmo tempo em que esfregava seu corpo contra o do outro, lentamente, permitindo-lhe sentir e aproveitar por mais tempo a fricção entre as peles.

“Não tire a camisa.” Ele disse, mordiscando o pescoço de Arthur. “Eu sempre tive tesão em vê-lo com essa camisa masculina branca, sem nada por baixo.”

“Você é cheio de fetiches.” Suspirou ao sentir a mão de Alfred massagear seu membro.

“Você não imagina quantos. E todos envolvem você.”

“Isso é, hm, bom.”

Ele gostava de cada toque de Alfred, de cada contato que a pele de seu amante fazia com a sua. Havia sentido falta disso: de todo o calor, de toda a paixão com a qual eram habituados a fazer amor. Era como se estivessem destinados àquilo, porque independente da posição, de quem dominava ou de quem era submisso, era tudo sempre tão certo, tão perfeito. Era perfeito mesmo quando não dava certo.

As mãos de Alfred trabalhavam habilidosas no baixo-ventre de Arthur, em um movimento constante de sobe e desce. Conhecia cada centímetro e cada ponto sensível do membro do amante e era capaz de levá-lo à loucura.

“Ah, Alfred... Hn.” Grunhiu, inclinando levemente a cabeça para trás. Seu amante respondeu ao estímulo intensificando o movimento e Arthur sentiu suas pernas começarem a ficar levemente bambas. Acompanhou o ritmo mais acelerado com gemidos prolongados e nada contidos, ignorando a existência de qualquer outro indivíduo naquele apartamento que não o maravilhoso homem à sua frente.

Atingiu o clímax sem demora ainda nas mãos de Alfred, que lhe sorriu de maneira travessa. Estava tão excitado e necessitado de atenção quanto o amante, e também precisava de um alívio. Arthur tinha consciência disso.

Ofegante, abaixou-se até ficar cara a cara com o membro do outro. Tomou-o em suas mãos, inicialmente acariciando-o, da base até a ponta. Sua falta de pressa fez com que Alfred emitisse um grunhido baixo com a garganta, o que provocou um sorriso pervertido por parte de Arthur. Ele gostava de provocar, gostava muito. Em particular, gostava de provocar Alfred, que sempre ávido pelo clímax, não conhecia a mágica por trás da palavra paciência. Molhou os lábios antes de continuar.

Ele não tomou o membro de Alfred de uma vez só. Permitiu antes que sua língua percorresse a extensão daquele pedaço de carne pulsante, sentindo a textura e o calor da distinta pele que o cobria. Só então abocanhou toda a essência do amante para si, fazendo com que Alfred sentisse arrepios diante do repentino calor e umidade que se seguiram.

Arthur era um sujeito experiente nesse tipo de coisa, e boa parte dessa experiência se devia a seu amante. Usou sua língua para acrescentar mais prazer ao movimento de vai e vem com a boca. Sentiu Alfred buscar apoio na bancada à sua frente e gotas de suor do amante pingaram em seu cabelo. Começou a se movimentar, para frente e para trás, desesperado por enterrar seu membro mais fundo na garganta de Arthur. E Arthur mesmo se sentiu acompanhando o ritmo intenso de prazer que preenchia o corpo do outro, expresso por meio de grunhidos e gemidos de incentivo quase que incoerentes. Ele podia inclusive sentir o sabor meio salgado do líquido que já saía do membro do amante.

“Oh, sim, Arthur...” Grunhiu, sua voz saindo alguns tons mais grave. “Você é tão bom nisso.”

De fato, ele era muito bom.

A maneira com a qual sua língua acariciava a cabeça do membro de Alfred, a forma com a qual relaxava a garganta para fazer com que Alfred se enterrasse tão profundamente em sua boca, só para proporcionar mais prazer ao parceiro, cada um dos movimentos de Arthur o levavam à loucura. E Arthur amava levar o amante à loucura.

Alfred sentiu que estava perto de alcançar seu limite, mas ainda não desejava isso para si mesmo. Gentilmente, segurou os cabelos de Arthur, indicando que ele deveria parar. Em troca, recebeu um olhar questionador por parte do outro.

“Eu preciso de você. Agora.” Ele disse, quase implorando. Sua voz estava rouca, coberta pela paixão e pelo desejo. Suas bochechas estavam levemente coradas e sua respiração ofegante.

Arthur assentiu, deslumbrado com o erotismo do parceiro. Levantou-se e abraçou Alfred, puxando-o para mais um beijo molhado e forçando-o a prensá-lo contra a bancada.

“Aqui e agora?” Perguntou após se separarem em busca de ar. Alfred sentiu seu hálito quente e com cheio de sexo e assentiu.

“Eu não tenho lubrificante, nem preservativo.” Cochichou no ouvido do amante. Arthur arqueou a sobrancelha.

“Esse fetiche é demais para mim. Da outra vez eu fiquei horas sem conseguir me levantar da cama.” Ele deu um rápido selinho no amante, antes de se esticar um pouco para abrir a segunda gaveta da bancada ao lado e de lá tirou um pequeno frasco com um líquido transparente e um preservativo. “Estamos na casa de Francis, esqueceu? Ele guarda um kit de emergência em cada cômodo, só para o caso de... Você sabe.”

Alfred deu uma risadinha. “Sábio.”

Puxou Arthur de volta, segurando-o pelos pulsos e beijando-o mais uma vez. Segurou-o pela cintura e o fez sentar na bancada, aproveitando-se do momento para acariciar o membro do amante.

“Você não faz ideia do quão sexy está agora.”

Não fazia mesmo. Estava sentado na bancada da cozinha de seu melhor amigo, semiereto, com os cabelos completamente bagunçados, repleto de chupões pelo pescoço, vestindo nada além de uma camisa branca desabotoada e com um pote de lubrificante em uma mão e um pacote de preservativo na outra. Não podia se ver, mas corou só de ouvir Alfred dizer aquilo.

Alfred tornou a beijá-lo, suas mãos trabalhando discretamente para tomar o pote de lubrificante de Arthur e abri-lo. Mergulhou os dedos no líquido viscoso e transparente, retirando uma porção generosa do líquido, e levou-os até o orifício do amante. Roçou os dedos melados na entrada do outro, de maneira provocante, recebendo um visível estremecer em troca. Sem separar os lábios dos de Arthur, enterrou um dedo naquela parte tão íntima de seu corpo, iniciando um movimento de entra e sai para acostumá-lo a presença estranha. Não demorou muito para enfiar o segundo e o terceiro dedo e intensificar o movimento. Arthur já estava ofegante então, apoiando-se com uma mão na bancada ao seu lado e com outra nos ombros de Alfred.

“Oh, Alfred...” Gemeu, quando os habilidosos dedos do amante tocaram um ponto sensível em seu interior.

Alfred gostava disso, mas também gostava de provocar. Ele perderia, de propósito, aquele local específico, apenas para fazer com que Arthur ficasse desesperado para que o tocasse novamente.

“Hmmm, pare de me provocar.” Ele gemia cada vez que o amante acertava e errada propositalmente o ponto.

“Eu gosto disso. Eu gosto de provocar você.” Ele mordiscou o pescoço do amante, sem nenhuma gentileza.

E ele continuou com aquele ritmo, atingindo a próstata de Arthur mais forte e apenas com os dedos. Proporcionalmente, os gemidos do outro ficavam mais altos, mais desesperados.

Alfred simplesmente amava ver aquilo. Amava ver seu amante submisso e vulnerável daquele jeito, completamente exposto e disposto a ser seu e somente seu.

Mas ele não queria ver Arthur desesperadamente se enterrando em seus três dedos. Queria ver Arthur se enterrando desesperadamente em sua essência e gemendo a cada estocada como se não houvesse amanhã. Só de pensar nisso seu próprio membro começou a doer de excitação.

Alfred retirou os dedos de dentro de Arthur e pegou mais uma porção generosa de lubrificante, espalhando-o por todo o seu pênis. Ele separou ambas as pernas de Arthur, de modo a abri-lo e expor sua intimidade da maneira menos ortodoxa possível. Arthur corou violentamente quando o amante lambeu os lábios, como se mal pudesse esperar pela refeição que havia sido servida bem à sua frente. Ele conhecia aquele olhar. Era o olhar de Alfred que dizia que ele não seria gentil, não maneiraria, não se importaria com a quantidade de dor ou de incômodo que suas atitudes causariam. Era o mesmo olhar que vira na primeira noite que saíram juntos. Era o mesmo olhar para o qual Arthur sabia que não havia saída. Estava condenado, condenado a sucumbir à intensidade daquele olhar. Suas mãos suadas buscaram apoio na parede ou na bancada ou em qualquer outro lugar seguro, mas não encontraram. Ele inspirou profundamente e fechou os olhos.

Sentiu o pênis roçar contra seu orifício e forçar a entrada. Sua respiração começou a descompassar, parte em razão da dor, parte em razão da expectativa. Quanto finalmente a cabeça do membro de Alfred estava dentro de Arthur, ele o penetrou de uma vez e em uma estocada só, arrancando um gemido tão alto do amante que ambos puderam escutar sua voz ecoar na cozinha.

Sibilou de dor enquanto pode sentir algumas lágrimas no canto de seu olho. Por um momento, Arthur agradeceu haver prendido um pouco de ar, porque ele se esqueceu de como respirar.

E Alfred não esperou que ele se lembrasse de como fazê-lo.

Começou a movimentar-se. Inicialmente o fez de forma lenta, para permitir que o corpo de Arthur se adaptasse. Mas não tardou em acelerar o passo progressivamente. Porque Alfred não era dado a coisas vagarosas, ele não via prazer na espera, exceto quando isso excitava Arthur e qualquer coisa que excitasse Arthur o excitava. Mas naquelas circunstâncias, esperar não o excitava nem um pouco.

Arthur podia sentir o quão afoito estava o amante. Havia feito tanta força nas mãos, para tentar se apoiar na parede, que elas doíam e ele não havia obtido apoio algum. E Alfred, para variar, não o esperaria encontrar um ponto de suporte decente. Sentiu o ritmo das estocadas se intensificar, e sem apoio, tudo o que podia fazer era extravasar.

“Meu Deus... Ahhh... Alfred F. Jones... Hmmm.” Ele gemia alto, muito alto, enquanto suas mãos suadas escorregavam da parede. “Oh, sim, sim!!!”

Seus próprios gemidos pareciam incentivar Alfred. Nenhum dos dois ligava para o desconforto da posição de Arthur: estava esquisitamente deitado na bancada, com as pernas completamente abertas e o ombro, cabeça e mãos apoiados na parede atrás de si. Apenas as suas costas tinham de fato contato com o mármore do móvel. E aquela posição desconfortável provavelmente lhe traria dores horríveis no dia seguinte, mas ele realmente não tinha condições de se preocupar com isso.

“Alfr... Hmmmm... Maldição... Ahhh.”

Alfred já estava em um ritmo alucinante, frenético de entra e sai. Estava tão ávido e tão tomado por sua própria luxúria que pensava poder se enterrar mais no corpo do amante. Ia profundamente em seu íntimo para depois praticamente sair do orifício e depois se enterrar novamente, até onde lhe fosse permitido. O corpo de Arthur acompanhava o movimento e o suor já escorria das suas costas para a bancada, tornando-a lisa e escorregadia. Seu pescoço estava um tanto incomodado pela posição imutável e ele tentou amenizar o desconforto encostando a bochecha na parede.

“Você vai me matar... hmmm.” Ora grunhia, ora gemia.

A melodia dos corpos em atrito com gemidos e gritos ao fundo preenchia o ambiente. Requeria todo o autocontrole de Arthur não sofrer um orgasmo ali, naquela hora. Sabia que precisava segurar, porque Alfred não demonstrava em momento algum estar próximo do seu. E Arthur sabia que ele só sossegaria ao ter o mais forte e mais intenso orgasmo dos últimos meses.

Então também fez a sua parte.

Inclinou-se para a frente, puxando Alfred para um beijo erótico, desesperado e molhado. Era menos um beijo e mais um encontro de línguas que, fora de sua cavidade de costume, dançavam, entrelaçando-se. Ao mesmo tempo, ele próprio começou a movimentar o quadril, indo ao encontro do membro de Alfred. Estavam alucinados, enfeitiçados, enamorados, perdidos em seu próprio prazer e vulgaridade. O som das peles se chocando uma contra a outra ficou mais intenso, mais constante, mais sexual. Alfred e Arthur estavam tão perdidos um no outro que ao ouvirem uma batida sonora na porta da cozinha, foi o inglês que berrou um sonoro “VAI EMBORA!” acompanhado de um prolongado gemido de prazer.

Arthur olhou bem nos olhos de Alfred e se perdeu ali também. Os olhos azuis celestes tão repletos de malícia e desejo, sentimentos tão vis e impuros, também estavam preenchidos por um sentimento nobre, puro e invejável, nutrido por poucos, sustentado por poucos: amor, carinho, admiração. Como podia um olhar, um mero olhar, representar tanto e expressar tanta coisa ao mesmo tempo? Como podia que ambos estivessem sentindo e pensando exatamente a mesma coisa, no exato mesmo momento?

“Meu Deus, Arthur, você é tão lindo. Hn. Eu quero me perder em você para sempre.” Ele disse entre grunhidos e gemidos.

Era isso. Arthur sentiu que estava chegando ao seu limite. Seu incômodo com a posição que mantinha há mais de... Meia hora? Uma hora? Além do incômodo que o roçar do membro de Alfred em sua entrada começava a causar aliavam-se à própria necessidade fisiológica de liberar seu orgasmo o quanto antes.

Era mais forte do que ele, e era urgente.

“A-A-Alfred...” Ele tentou chamar, entre as estocadas, entre o beijo, entre a perdição. “E-Eu não posso mais.”

Alfred entendeu imediatamente. Seu amante estava fazendo o máximo para acompanhar seu ritmo, mas já não conseguia mais se segurar. Ele próprio estava procrastinando o próprio orgasmo, na busca por mais contato e mais prazer com o corpo do outro. Estava sendo egoísta mais uma vez.

“Venha. E não se contenha.” Sussurrou em seu ouvido, provocando-lhe arrepios tão profundos que não houve mais chance para seu autocontrole.

Arthur não se lembrava de um orgasmo tão forte quanto aquele. Talvez fosse o tempo de privação, talvez fosse a falta que sentira de Alfred, talvez fosse apenas a intensidade do momento. Ele veio tão forte e tão repentinamente, quase como tivesse realmente obedecido à ordem de Alfred, que sua visão ficou ligeiramente turva e coberta por pequenos pontinhos de luz. Seu sêmen se espalhou pela parede, bancada, rosto de Alfred, seu próprio rosto e sujou sua camisa – aparentemente social – branca. Ele deu um gemido que foi um grito tão sonoro que talvez os vizinhos do andar de cima tenham escutado e saído de casa à procura de ajuda, achando que alguém no andar de baixo pudesse estar sendo torturado. De fato, ele estava sendo torturado. Torturado pela existência e pelo ser de Alfred. Mas talvez ele fosse um belo masoquista, porque daquela tortura ele não queria se ver livre jamais.

O orgasmo de Alfred se seguiu imediatamente ao de Arthur e foi igualmente escandaloso. Ao enterrar-se no corpo do amante, o americano gemeu um sonoro “ARTHUR” que pareceu liberar toda a tensão e desejo concentrados em seu corpo.

Tudo o que restou foram dois homens ofegantes, sujos de suor e sêmen, mas, a despeito disso, finalmente apaixonados.

Então, é, naquele momento eles não tinham mais nada com o que se preocupar, exceto um com o outro. É por isso que o amor é, afinal, um sentimento egoísta, a despeito de requerer solidariedade entre as partes.

Alfred cuidadosamente se retirou do corpo do amante. Com o mesmo zelo retirou a camisinha usada de seu membro, deu um nó na mesma e a jogou na lixeira mais próxima. Também ajudou Arthur a descer da bancada, apoiando-o pela cintura ao ver que suas pernas bambas não o sustentavam sozinhas. Acariciou os cabelos revoltosos de Arthur e depositou em sua testa, bochechas e lábios pequenos selinhos. Seu amante estava um desastre, mas um desastre muito atraente.

Aquele era um breve momento de carinho pós-sexo que Alfred estava destinado a fazer especial.

“Então...” Sua voz saiu esquisita. “Que tal se você e eu... Você sabe... Agora que você está livre, ou quase livre... Hm... Nós poderíamos morar juntos, dividir o aluguel, essas coisas. Poderíamos encontrar um bom apartamento, com um preço acessível, em um local bacana. Ou você podia ir lá pra casa. É bem grande e espaçoso e o Matthie logo deve vir morar pra cá, quem sabe. Mas se não vier, ele certamente não vai se incomodar com você por lá. Isso é, se você quiser. É só uma ideia.”

Arthur o encarou, por alguns segundos, como se ele fosse algum tipo de alienígena e Alfred teve a certeza de que receberia uma sonora negativa na cara. Em vez disso, recebeu um sorriso encabulado e bochechas coradinhas (embora estas talvez se devessem ao exercício anterior).

“Só se você me prometer não fugir pra longe de mim outra vez.” Respondeu Arthur, com um tantinho de possessividade.

“Eu prometo isso. Prometo que vamos morar os dois juntos, prometo que vamos envelhecer juntos e que eu nunca, nunca vou deixar de te chamar de sobrancelhudo. Com uma condição.”

“Eu dispenso a parte do sobrancelhudo.” Respondeu, beliscando Alfred de leve. “E então? Que condição você quer?” Arthur arqueou a sobrancelha, indagando o outro diante de sua súbita seriedade.

“Diga que me ama. Em alto e bom som. Eu quero ouvir você sóbrio dessa vez.”

E ele respondeu com o maior sorriso do mundo.

Notas finais
NÃO ESTAMOS TOTALMENTE TERMINADOS!
Apesar de a novela entre nossos preciosos Alfred e Arthur haver "terminado" ainda serão postados 4 pequenos capítulos extras nos próximos dez dias. Fiquem atentos!