Delilah
16 Extra 3: Um pouco de rotina nova
Notas iniciais
Adicionalmente eu perdi o pen drive, o que significa que as minhas fanfics foram junto. Tragédia, yep.
Desgraças à parte, agradeço de coração o apoio e suporte dos leitores. Fico muito contente (e um tantinho surpresa) com a repercussão da história e com como as pessoas gostaram dela.
De qualquer forma, eis o penúltimo extra.
Boa leitura.
O cheiro de scones queimados impregnou o apartamento inteiro, mas Arthur nem pareceu se importar.
Seus convidados, contudo, não estavam tão tranquilos com a perspectiva do que iriam comer.
“Alfred, tem certeza de que é seguro deixar o Arthur sozinho na cozinha?”
O aludido, que tinha na boca um scone queimado, deu de ombros.
“Qfal o pfobflema?” Perguntou com a boca cheia.
“Ai, Alfred, que deselegante! Ao menos engula antes de falar.” Ralhou Feliks.
“É o segundo lote que ele queima.” Observou Kiku. “Talvez eu devesse oferecer ajuda.”
Alfred deu uma risada sonora.
“Você vai é ofendê-lo se oferecer.” Kiku pareceu mortificado com a perspectiva de ofender alguém. “Deixe-o, ele nunca colocou fogo na casa mesmo. Estamos seguros.”
“É um apartamento bacana.” Observou Toris. “Pequeno e aconchegante.”
De fato era. Alfred e Arthur haviam terminado de se mudar havia um mês. Foi tudo bastante repentino: em um minuto eles viviam na antiga casa que Alfred costumava dividir com Matthew e, no outro, Alfred chegara desesperado e escandaloso anunciando que teriam de se mudar para alugar a casa para que servisse de asilo e não se sabia mais o que, blabla. Nem Matthew nem Arthur se opuseram àquilo, mas deu um enorme trabalho achar um apartamento adequado para viverem.
Na verdade, Matthew foi viver com Francis, o que facilitou o serviço.
Encontraram esse apartamento, em um bairro não muito nobre, mas nem tão perigoso, por um preço bastante acessível. Ficava em uma rua arborizada com vários outros prédios baixos de um lado e de outro. Mais precisamente, moravam no segundo andar de um prédio de três andares, ornado com tijolinhos laranja e com provavelmente uns trinta anos de idade. Não tinha elevador e tinha apenas três cômodos: uma suíte, uma sala de estar/jantar e uma pequeníssima cozinha, na qual mal cabiam três pessoas. Ao menos isso tudo tornava o aluguel infinitamente mais barato.
“Então, como vão as coisas no novo emprego?” Perguntou Feliks, tomando um gole de seu chá.
“Oh, ótimas!” Alfred respondeu com empolgação. “É um trabalho muito emocionante, sabe.”
“Wow, deve ser muito emocionante desenhar comerciais para o governo, cara.”
“Requer uma boa dose de patriotismo.” Acrescentou Kiku.
“E não é? Eu me sinto tão útil ao país.”
Os três presentes rolaram os olhos.
“Arthur, vem logo ou você vai queimar mais scones.” Gritou Alfred.
“Eu não vou queimar nada, seu idiota!” Arthur gritou em retorno.
“Alfred, eu estou curioso para saber uma coisa.” Toris disse. Ele esperou ter a atenção do anfitrião para continuar. “Feliks me disse que você e Arthur se conheceram por causa de um programa de rádio, não é?”
“Aham.” Alfred respondeu ao mesmo tempo em que Arthur chegou com mais um lote de scones. Felizmente, um ou dois não estavam queimados (os quais foram alvo de uma luta voraz entre os convidados).
“Como...? Como vocês sabiam que eram vocês? Quero dizer, vocês se reconheceram só pela voz? Nova York é gigante! Como isso é possível?”
Alfred esfregou a mão no queixo, pensativo.
“Eu não sei. Eu só achei que talvez fosse o mesmo sujeito, por causa do sotaque e da voz meio esquisita e fanha.” Comentou, recebendo exclamações de protesto da parte do namorado.
“Eu acho que naquela altura, Alfred apostaria em qualquer sujeito com o sotaque inglês.” Ponderou Feliks. “Ele estava realmente obcecado pelo Inglaterra da rádio.”
Arthur corou de leve ao perceber que nunca ouvira propriamente o lado de Alfred da história.
“A sorte foi que ele apostou justamente na pessoa certa.” Acrescentou Kiku. “Dentre as milhões de almas que temos em Nova York, esses dois conseguiram se encontrar. Parece até o destino ou algo assim.”
“Sim, foi o que eu pensei na época!” Disse Alfred. “Mas eu acho que só sanei qualquer dúvida quando Arthur tornou a telefonar pra lá. Digo, tudo já apontava que era mesmo ele, eu já tinha até o telefone dele muito antes de qualquer coisa, graças ao Feliks. Eu já tinha até ouvido ele bêbado, isso me fez ter mais segurança. Mas foi só quando ele se declarou na rádio que qualquer resquício de dúvida que eu pudesse ter deixou de existir. Digo, foi quase como se um raio tivesse me atingido e me dito: ei, não foi tudo um sonho.”
“Aww, que romântico!” Cantarolou Feliks. “Alfred estava tão apaixonadinho pelo inglesinho!”
O casal corou visivelmente.
“Você está deixando eles sem jeito, Feliks.” Suspirou Toris.
“E você, Arthur?” Foi a vez de Kiku demonstrar interesse na vida amorosa dos amigos. “Quando foi que você teve certeza que Alfred era o sujeito da rádio?”
Todos o encararam na maior expectativa.
“B-Bom. A princípio eu nunca desconfiei. Francis inclusive ponderou a respeito e me perguntou se não eram as mesmas pessoas, mas eu afastei a ideia porque seria esquisito demais. Coincidência demais, talvez. Na verdade eu me senti abatido pelo que o sujeito, o América, da rádio disse. As palavras dele ricocheteiam na minha cabeça até hoje.” Ele deu uma rápida olhada para Alfred. “Mas eu não conseguia me lembrar exatamente da voz ou do tom de voz dele, eu acho que estava bêbado demais.”
“Então como você soube?” Foi o próprio Alfred quem perguntou.
O outro negou com a cabeça.
“Eu acho que nunca tive certeza, até agora, pelo menos. Nem mesmo quando liguei para aquela rádio novamente, acho que foi tudo um bom chute. Mas eu confesso que desconfiei a partir do momento em que resolvi sair com você. Ou talvez, no fundo eu quisesse que fosse a mesma pessoa. Porque você, senhor, agiu como um imã em mim e eu me senti imediatamente atraído.”
“Então mesmo que não fossem vocês... Vocês já estariam tão apaixonados um pelo outro que ser ou não o sujeito da rádio não faria diferença.” Pontuou Feliks e ambos assentiram ao mesmo tempo, se encarando quase como estivessem se confessando um para o outro pela segunda vez.
“Por que você nunca me disse isso?” Alfred perguntou.
“Eu deveria perguntar a mesma coisa.”
Eles se encararam por um tempo. Arthur bufou, abrindo um terno sorriso em seguida.
“Que programa de rádio mais estúpido.”
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